País é o segundo, de 27, com mais pessoas que se autodeclaram LGBT+
Os dados do Brasil são alinhados com a média global
– com 54% dos respondentes a favor do casamento de pessoas do mesmo sexo e 16%
a favor de algum reconhecimento legal – mas bem inferiores aos dados de países
como Suécia, Holanda, Espanha e Bélgica, onde os entrevistados mostram um apoio
à união de pessoas do mesmo sexo através do casamento ou de outro dispositivo
legal igual ou superior a 84%.
De 27 nações, o Brasil é a 12ª que menos endossa o
casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. No entanto, o estudo mostrou que
15% dos entrevistados no país não se consideram heterossexuais. É o segundo
maior percentual, entre 27, atrás apenas da Índia (17%). Em terceiro lugar está
a Espanha, com um total de 12% de pessoas que se consideram homossexuais,
bissexuais, pansexuais, assexuais ou outros. A média global, levando em conta
todos os países, é de 9%.
Globalmente, o perfil LGBT+ é majoritariamente
formado por homens, membros da geração Z e não casados. Já aqueles que apoiam o
casamento civil entre pessoas LGBT+ são, em sua maioria, mulheres, da geração
Z, LGBT+, pessoas não casadas e com nível de escolaridade mais alto.
O Brasil é o país, de todos os analisados, onde há
maior exposição à comunidade LGBT+. 66% dos entrevistados afirmaram ter um
amigo, familiar ou colega de trabalho homossexual e 50% disseram ter um amigo,
familiar ou colega de trabalho bissexual. Na média global, menos da metade,
42%, disseram conviver com uma pessoa homossexual e apenas 24% afirmaram
conviver com alguém bissexual.
Outro assunto discutido no levantamento foi a
adoção de crianças por casais do mesmo sexo. Entre os brasileiros, sete em cada
10 (69%) acreditam que pais LGBT+ devem ter os mesmos direitos de adotar que
casais heterossexuais possuem. Além disso, 69% acham que casais do mesmo sexo
são tão aptos quanto outros pais a criar filhos com sucesso. Em ambos os casos,
o percentual de discordantes é de 25%.
Apoio é majoritário, mas precisa sair do discurso
A pesquisa da Ipsos expôs algumas opiniões
contraditórias de brasileiros no que diz respeito à comunidade LGBT+. Apesar de
55% dos entrevistados no Brasil opinarem que pessoas LGBT+ devem ser abertas
com todos sobre sua orientação sexual ou identidade de gênero, apenas 42%
apoiam que casais LGBT+ demonstrem afeto em público, como dar as mãos ou um
beijo.
A ambivalência se estende ao esporte. 60% concordam
que atletas abertamente lésbicas, gays e bissexuais estejam em equipes
esportivas, mas só 40% acham que atletas transgêneros devam competir com base
no gênero com o qual se identificam, e não no gênero que lhes foi atribuído ao
nascimento.
“O reconhecimento de sexualidades ou identidades de
gênero diferentes da sua não condiz sempre com a aceitação de comportamentos e
a conquista de direitos dos outros. É somente com o esforço da atuação pública
- empresas, governo e sociedade - que esse reconhecimento começa a ser
normalizado. Já enxergamos sinais positivos, com mais pessoas se sentindo
livres para se assumirem publicamente, através de uma história de luta e
afirmação, mas o espaço precisa ser dado”, comenta Marcio Aguiar, Gerente de
Pesquisas Qualitativas na Ipsos.
A pesquisa on-line foi realizada com 19.069
entrevistados de 27 países, com idades entre 16 e 74 anos. Os dados foram
colhidos entre 23 de abril e 07 de maio de 2021 e a margem de erro para o
Brasil é de 3,5 pontos percentuais.
Ipsos


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