Por conta do desenvolvimento tecnológico e da medicina, bem como da melhora da qualidade de vida e saúde, a expectativa de vida da população mundial tem aumentado progressivamente e o envelhecimento tornou-se um processo natural, inexorável e bastante desafiador.
Segundo a OMS, até 2025, o Brasil será o sexto país
do mundo em número de idosos, o que constituirá um total de aproximadamente 1,2
bilhões de pessoas com mais de 60 anos. Dados do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a tendência de envelhecimento da
população vem se mantendo e o número de pessoas com mais de 60 anos no país já
é superior ao de crianças com até 9 anos de idade. O aumento da população idosa
do Brasil tem sido muito mais intenso do que no cenário global. O número de
brasileiros idosos de 60 anos e mais era de 2,6 milhões em 1950, em 2019 o
número de idosos no Brasil chegou a 32,9 milhões e deve alcançar 72,4 milhões
em 2100.
Uma população mais longeva e vivida é uma
conquista. Mas como podemos melhorar ainda mais a relação dos idosos com um
mundo moderno e em constante mutação? O uso de novas tecnologias está em todos
os lugares, de hospitais à supermercados, e quem não se adapta a sua utilização
se torna obsoleto no próprio contexto social. Os desenvolvedores de novas
tecnologias precisam ficar continuamente atentos para ajudar essa parcela da
sociedade a acompanhar a evolução tecnológica.
Um levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa
Econômica (Ipea) aplicada em 2011 concluiu que o Brasil tem poucas instituições
para idosos. Muito menos do que seria preciso. Os nomes são muitos: abrigo,
asilo, retiro, casa de acolhimento. Pelo nome oficial quase ninguém conhece:
instituição de longa permanência para idosos. Eles são muito poucos ainda e o
brasileiro está envelhecendo. Em dez anos, o número de pessoas com mais de 60
anos aumentou 41%. No mesmo período, a população com mais de 80 anos cresceu
61%. E nessa fase da vida, às vezes, já não se pode viver mais sozinho. É
preciso ajuda até para caminhar. O resultado do primeiro censo de abrigos para
idosos do Brasil foi divulgado em 2011. São apenas 3.548 instituições em todo o
país, onde vivem 83.870 pessoas com mais de 60 anos. Os pesquisadores do
Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas criticaram a falta de investimentos
públicos em instituições para idosos.
"A demanda está aumentando muito e a
tendência para os próximos dez anos é um grande aumento na demanda por cuidado
não familiar, então o governo precisa investir nessa área", afirmou a
técnica de planejamento e pesquisa do IPEA Ana Amélia Camarano, na ocasião.
Além do levantamento, que mostra a situação atual nos abrigos e asilos, o
estudo dos técnicos do Ipea procurou apresentar também propostas de como
poderia ser o atendimento aos idosos no país. Algumas ideias já estão em
execução no Rio. Entre as formas alternativas, estão cuidadores familiares e
centros de convivência, onde as pessoas passam o dia e depois voltam para casa.
Em um futuro não muito distante, eles se tornarão o
foco e aumentarão cada vez mais sua representatividade nessa utilização.
De acordo com Pesquisa desenvolvida na Faculdade de
Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) a população idosa, em sua maioria, aceita as
novas tecnologias. Mas isso não é tudo. Se estes objetos podem ser reconhecidos
como ferramentas de acessibilidade, ainda são encontradas barreiras na
utilização – que muitas vezes derivam de características do próprio aparelho,
como letras pequenas e idiomas estrangeiros. Isto inclui desde celulares,
controle remotos, câmeras digitais, computadores e aparelhos de cozinha até
equipamentos de monitoramento das condições de saúde.
Ao contrário do que se imagina, os idosos têm sim
interesse e disposição em adotar as novas possibilidades que a tecnologia
oferece, principalmente no que se refere aos cuidados com sua saúde. Por conta
da crescente evolução da área médica, facilitar ao máximo essa integração passa
também a ser parte da responsabilidade de todos os profissionais de saúde.
Para que isso aconteça de maneira favorável,
deve-se levar em conta todo o processo de envelhecimento, e os desafios que
proporciona, tanto na parte da saúde, quanto na parte emocional.
As tecnologias na saúde são excelentes ferramentas
voltadas a demandas e condicionalidades do processo de envelhecimento. Elas
podem melhorar as condições de saúde de modo geral, a autoestima, auxiliar
técnicas de cuidado em ambientes hospitalares, facilitar a mobilidade,
comunicação, e a segurança dos ambientes domésticos.
A pandemia mudou radicalmente a vida de todos, mas
os idosos são um público particularmente afetado de maneira mais intensa, uma
vez que integram um grupo de risco. Com o isolamento social, quem mora longe
tem uma tarefa difícil nas mãos, que é zelar pela segurança do idoso — mas
felizmente a tecnologia pode ser uma aliada nessa missão.
Hoje, existem wearables capazes de avisar sobre
quedas, aplicativos de saúde para lembrar de medicamentos, e a teleconsulta,
que fornece atendimentos de qualidade sem que o paciente precise se deslocar.
Pulseiras que enviam alertas aos familiares quando o idoso cai, sistemas de
monitoramento remoto e de comunicação, botões de emergência pessoal são outros
exemplos do emprego da tecnologia assistiva para acompanhar os idosos e
promover maior qualidade de vida.
Para os familiares, os avanços tecnológicos
proporcionam mais conforto e tranquilidade por possibilitarem o contato com
indivíduos em isolamento. Por outro lado, os dispositivos de monitoramento
permitem que serviços de atendimento mantenham contato com pacientes com
segurança e regularidade.
José Rubens Almeida - graduado em ciências da
computação e diretor da AGM Automação, que produz toda a linha de equipamentos
Psiu sem fio. www.psiusemfio.com.br,
com foco em instituições de longa permanência.
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