O Consulta Aqui decidiu reunir alguns especialistas do seu quadro de médicos para dirimir dúvidas e falar sobre o tema. São eles: Dra. Dania Abdel Rahman, Infectologista, Dra. Amanda Abe, Cirurgiã Vascular/ Endovascular e Dr. Paulo Salles, Pneumologista
Trombose é a formação de coágulo dentro de um vaso,
levando ao "entupimento" deste. Existem alguns fatores de risco que
podem aumentar a chance de se formar esse coágulo, como, por exemplo, viagens
longas, internações hospitalares, pós-operatórios de cirurgias e agora,
recentemente, a COVID-19, porque a doença promove anormalidades na coagulação.
Devido a estudos publicados ao redor do mundo sobre
o novo coronavírus que confirmaram o aumento de alguns eventos adversos, entre
os quais a trombose, também observada após a aplicação da vacina
AstraZeneca/Oxford contra a Covid-19, levantou-se a preocupação quanto
aos cuidados e à imunização na população em geral.
“É importante lembrar que não houve nenhum evento
tromboembólico relacionado às demais vacinas disponíveis no Brasil e, ainda,
que o risco do desenvolvimento de tromboses em pacientes infectados com o novo
coronavírus é muito superior que as chances de incidência da doença pela
vacinação”, explica a Dra Dania Abdel Rahman, Infectologista do Hospital Albert
Sabin de SP (HAS).
“Isso porque a trombose é um evento muito
relacionado à COVID-19. Devido ao processo inflamatório sistêmico causado pelo
vírus, que predispõe à formação de trombos, observa-se nos pacientes portadores
de Covid-19 uma prevalência muito maior de trombose do que na população geral”,
completa Dra. Dania.
Apesar de não existir relação específica do
surgimento de fenômenos tromboembólicos com determinadas comorbidades, grupos
como gestantes e puérperas estão mais propensas a desenvolver trombose, caso
tenham COVID-19, pois, a gestação e o puerpério são condições que, por si só,
favorecem a doença.
A Cirurgiã Vascular e Endovascular do Consulta aqui
(Grupo HAS), Dra. Amanda Abe, explica que já havia a percepção do aumento do
número de casos de trombose venosa profunda (TVP) em pacientes com diagnóstico
de COVID-19 e, recentemente, um estudo publicado confirmou esse aumento em
torno de 14,8%.
“Pessoas com doenças genéticas que levam ao aumento
do risco de trombose uso de anticoncepcionais ou reposição hormonal que
contenham estrógeno, tabagismo, gravidez, mobilidade reduzida (internações
hospitalares, pós-operatório de cirurgias, viagens longas, uso de gesso), idade
avançada, câncer, história de TVP prévia, entre outros são fatores que
contribuem para essa maior incidência”, comenta a médica.
“Trombose é uma condição em que se formam coágulos
nas veias profundas do corpo, geralmente nas panturrilhas ou nos quadris. Os
coágulos podem se espalhar e atingir os pulmões, o que pode ocorrer de modo
silencioso e, muitas vezes se observa dor no peito, falta de ar repentina,
batedeira no coração e até tosse com sangue. É a Embolia”, explica Dr. Paulo
Salles, Pneumologista do Consulta Aqui.
Médicos e pesquisadores acreditam que o coronavírus
desencadeia um enorme descontrole nas células de defesa que reagem como loucas,
agredindo o que tiver pela frente, inclusive os vasos sanguíneos. Uma vez que o
vaso foi inflamado pelas próprias células de defesa, o organismo precisa
resolver o problema e deflagra a coagulação. Os vasos se enchem de elementos de
reparação e de cicatrização como as plaquetas que, nesse estado anormal de
coagulação, começam a entupir os vasinhos dos pulmões. “A pessoa sente a falta
de ar, as dores no peito, acelera o coração, porque o tecido normal do pulmão
ficou impedido de fazer as trocas gasosas que são vitais para podermos
respirar. Cerca de um terço das pessoas internadas nas UTI’s do Brasil
desenvolvem esses problemas”, relata Dr Salles.
A presença de manchas nos pulmões chamadas de
"vidro fosco" podem ser vistas na tomografia computadorizada de
tórax, e denunciam a presença do coronavírus nos pulmões. Tomografias com o uso
de contraste podem indicar se há ou não entupimento de vasos importantes da
circulação pulmonar.
“O tratamento é realizado com anticoagulantes,
oxigênio, antibióticos e corticoides, entre outros. Fisioterapia respiratória,
aparelhos especiais para ajudar na respiração como ventiladores mecânicos e
ventilação não invasiva são empregados com frequência. Portanto, ao menor
sintoma, é muito importante consultar seu médico e fazer o devido
acompanhamento”, finaliza o Dr. do Grupo HAS.
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Barão de Jundiaí, 485 – Lapa - São Paulo – SP
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