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terça-feira, 9 de julho de 2019



A Importância da Empatia na Vida a Dois

Muito ouvimos falar sobre empatia e sobre a importância de se colocar no lugar do outro.
Mas como funciona isso, no dia-a-dia, e como usar esta habilidade na relação com meu cônjuge? 

Nós, seres humanos, necessitamos atribuir significado as nossas vivências e compreender os acontecimentos da vida.

Socialmente, aprendemos a interpretar os fatos pela ótica do juízo de valor e constantemente, enquadramos pessoas ou situações em “certo” ou “errado” e "bom" ou "ruim". 

Acontece, que essa polarização rotula um fato, comportamento ou pessoa e limita a nossa percepção, compreensão e logo, a nossa forma de se posicionar e agir.

Se julgo uma situação ou uma pessoa como “boa” ou “certa”, eu prossigo, ou seja, entendo que a situação está alinhada com meus valores e dou continuidade a interação.

Em contrapartida, se julgo como “errada” ou “ruim”, me distancio da possibilidade de um diálogo que propicie a compreensão e o entendimento dos fatores que motivaram aquela situação ou comportamento. Nesta perspectiva, a empatia não se estabelece e a interação fica prejudicada podendo ser o ponto de partida para brigas, competição e conflitos.

Quando as relações ficam baseadas no paradigma do “certo ou errado” e do “bom ou ruim” favorece relacionamentos baseados na intolerância, na crítica, na desqualicação, na mágoa e logo, no distanciamento emocional e na perda de conexão entre as pessoas. 

A palavra empatia tem origem no termo grego empatheia e significava "paixão". A empatia é uma habilidade relacional caracterizada por uma comunicação afetiva que possibilita a compreensão do outro em seus sentimentos, emoções e comportamentos. 

A compreensão favorece o interesse pelos fatores que motivam ou influenciam as decisões e os comportamentos de uma pessoa. Assim, o princípio da empatia é a identificação entre as pessoas para que as relações se estabeleçam baseadas no entendimento, no apoio e na cooperação.

No livro Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, Stephen Covey, ao relatar uma experiência própria, nos propõe uma reflexão importante sobre o uso do julgamento e da empatia nas nossas relações e na forma como significamos o mundo.

Na minha prática clínica, utilizo muito está história para ajudar os meus clientes a refletirem sobre o caráter limitador do julgamento para as relações.

“Era uma manhã de domingo, em um metro em Nova York. O cenário era calmo e tranquilo, no qual, as pessoas que estavam ali liam jornal ou divagavam. Subitamente, um homem entrou no vagão com os filhos. O homem sentou-se e fez a menção de que iria descansar fechando os olhos. As crianças começaram a correr, atiravam coisas e puxavam o jornal das pessoas que liam. Aquelas crianças se comportavam mal e faziam muita bagunça.
A irritação estava estampada no rosto das pessoas, mas ninguém se mobilizou a tomar qualquer decisão. Foi aí, que ele decidiu se aproximar do homem e manifestar sua indignação. Verbalizou, claramente, que as crianças estavam perturbando as pessoas e pediu que o senhor às controlassem, de alguma forma. O senhor, olhou para ele e disse que haviam acabado de sair do hospital, sua esposa, mãe das crianças, havia falecido, há aproximadamente uma hora, e nem ele e nem as crianças estavam sabendo lidar com a situação.

Naquele momento, tocado pelo sofrimento daquele pai e daquelas crianças pode refletir e rever seus pensamentos e comportamentos diante da reação desajustada daquela família.

Aquele pai não era passivo ou permissivo e aquelas crianças não eram mal-educadas.

Estavam todos mobilizados por intenso sofrimento e desorganizados emocionalmente, tentando, de alguma forma, assimilar ou negar, a terrível informação da perda da mãe.

Nesta história a crítica e a intolerância cedem espaço para a compreensão e a empatia.

Usar a empatia na relação a dois favorece ao casal uma comunicação afetiva, uma vez que eu posso compreender as dificuldades, limitações e possibilidades que estiveram presentes em uma determinada atitude do meu cônjuge.

Alguns comportamentos que favorecem a empatia na relação com o cônjuge:


*  Abrir espaço para o diálogo e para o desabafo, favorecendo a intimidade entre o casal;
* Escutar o outro em suas angústias sem fazer colocações que minimizem seu sofrimento como: “isso não é nada, existem situações piores”, “pense pelo lado positivo” ou “logo, tudo ficará bem”. O simples ato de ouvir e suportar a dor do outro é uma manifestação de carinho e companheirismo.
* Evitar supor ou imaginar como o outro se sente;
* Evitar críticas e desqualificações ao cônjuge.
* Evitar o diálogo em momentos críticos com reatividade emocional intensa. Sob situações de estresse, a capacidade de compreensão fica comprometida e a possibilidade de brigas é muito alta.
* Criar acordos onde cada companheiro possa ajudar um ao outro a se acalmar e reestabelecer o controle emocional, diante de situações intensas.
* Oferecer apoio. A presença é uma grande demonstração de apoio. O estar junto sem a interferência da tecnologia e da internet favorece a conexão afetiva, o olho no olho e a escuta ativa.
* Entender as decisões e os comportamentos do seu companheiro sem avaliá-los com as suas crenças e os seus pontos de vista permite uma aproximação livre de julgamentos. Entender o outro buscando compreender os motivos (as dificuldades e possibilidades presentes na situação) que influenciaram seu comportamento favorece a tolerância e cumplicidade entre casal.

A empatia é uma habilidade, e como tal, pode ser desenvolvida como medida de prevenção de conflitos e crises conjugais e como fator de proteção nos casos em que o conflito já esteja instalado na relação.


Fabiane Matias - psicóloga clínica e psicoterapeuta de família e casal
Especialista em Psicologia Hospitalar e da Saúde pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e Especialista em Terapia de Família e Casal pela UNIFESP.            
Membro Titular da Associação Paulista de Terapia Familiar de São Paulo

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