O
conflito geracional foi a explicação para os relacionamentos conturbados em familia
durante décadas. Mas, hoje, vivemos uma outra realidade, embora muitos insistam
com o tema.
As
gerações estão sendo transformadas em uma única geração, grosso-modo, liderada pelos
jovens. Tendo a juventude como modelo de beleza, comportamento, linguagem,
vestuário e conhecimento tecnológico, pessoas de diferentes idades,
inclusive crianças, não se colocam em oposição ao jovem, mas, ao contrário,
procuram fazer o que ele faz.
Os
conflitos de relacionamento hoje estão em outro "lugar".
Parece-me que o fenômeno do individualismo é um bom exemplo. Ao excesso de
individualidade ou, dito de outra forma, quando a individualidade se coloca
acima da coletividade ou da relação a dois, pode dizer que se trata da
excelência do "eu". O indivíduo que se imagina uma unidade isolada
sem pertencimento ou, pior, com a ideia de um pertencimento voluntário.
Exemplo:
o casal que não consegue ir ao cinema porque querem ver filmes diferentes.
O "euzinho-querido" (expressão de Comte-Sponville, filósofo francês)
de cada um não quer abrir mão do seu filme. Parece que cada um, gosta mais do
seu próprio "eu" do que do outro. Muito mais.
Outro
exemplo: o filho que prefere ficar só a ficar com a família porque quer fazer
as vontades do seu "euzinho-querido", imediatamente.
Os
filhos, agora, não permitem o controle pelos pais que havia antes e, os pais,
do outro lado querem vigiar para controlar e proteger seus filhos como se isso
fosse possível...
Aurélio Melo - psicólogo e professor da Universidade
Presbiteriana Mackenzie.
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