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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Empresa que vende muito e não vê lucro: o preço de decidir pelo cansaço

Especialista mostra como a falta de critérios técnicos e de metas metrificadas faz empresárias experientes operarem no prejuízo sem perceber.

 

Faturamento em alta nem sempre significa um negócio saudável. Para muitas empresárias, a sensação de trabalhar cada vez mais, vender cada vez mais e, ainda assim, não enxergar o lucro esperado tem se tornado uma realidade. Em muitos casos, o problema não está na capacidade de vender, mas na forma como as decisões são tomadas no dia a dia da empresa.

Essa percepção é reforçada por uma pesquisa da consultoria McKinsey, que aponta que empresas que utilizam indicadores consistentes para orientar decisões estratégicas apresentam desempenho financeiro significativamente superior àquelas que atuam com base apenas na experiência ou na intuição. O levantamento evidencia que decisões fundamentadas em dados aumentam a eficiência operacional e reduzem desperdícios.

Para Alê Freitas, mentora em Liderança Feminina Aplicada ao Negócio Real e CEO da Anima Impacto Consultoria, um dos maiores erros das empreendedoras é administrar a empresa no modo sobrevivência. "Quando a gestora está constantemente sobrecarregada, ela passa a decidir para resolver urgências, e não para construir resultados sustentáveis. O cansaço compromete a clareza, a análise e a capacidade de enxergar onde realmente está o lucro do negócio", explica.

Segundo a especialista, é comum encontrar empresas com alto volume de vendas, mas com margens reduzidas ou até negativas. Isso acontece porque decisões relacionadas a preços, descontos, contratações, investimentos e prioridades acabam sendo tomadas sem critérios objetivos ou acompanhamento de indicadores financeiros.

Outro problema frequente é a ausência de metas realmente mensuráveis. Muitas líderes estabelecem objetivos genéricos, como "vender mais" ou "crescer", mas deixam de acompanhar indicadores essenciais, como margem de lucro, ticket médio, custos operacionais, produtividade da equipe e rentabilidade de cada serviço ou produto.

"Quem mede apenas faturamento pode criar uma falsa sensação de sucesso. O que mantém uma empresa saudável não é quanto ela vende, mas quanto efetivamente sobra depois que todas as despesas são pagas. Crescer sem acompanhar esses números pode significar apenas aumentar o volume de trabalho sem gerar mais resultado financeiro", afirma Alê.

Ela destaca que outro desafio está no excesso de centralização. Quando todas as decisões dependem exclusivamente da empresária, a tendência é que o desgaste aumente e a gestão se torne cada vez mais reativa. A criação de processos, rotinas de acompanhamento e critérios claros para tomada de decisão reduz esse peso e permite que a líder atue de forma mais estratégica.

Para a mentora, transformar uma empresa em um negócio lucrativo exige abandonar a gestão baseada apenas na intuição e construir uma cultura orientada por planejamento, indicadores e revisões constantes. "Liderar não é apagar incêndios todos os dias. É criar condições para que a empresa cresça com consistência, previsibilidade e lucro."

No fim das contas, vender muito pode até transmitir uma imagem de sucesso, mas é a capacidade de tomar decisões conscientes, baseadas em dados e alinhadas aos objetivos do negócio que determina se todo o esforço da empreendedora está, de fato, gerando resultados financeiros duradouros. 



Fonte: Alê Freitas — Mentora em Liderança Feminina Aplicada ao Negócio Real | CEO da Anima Impacto Consultoria.


O que fazer quando o INSS dá alta, mas a empresa rejeita o retorno?

Especialista explica os direitos do trabalhador que fica sem salário e sem benefício devido ao conflito de laudos entre o perito e o médico do trabalho.

 

Receber alta do INSS deveria representar o retorno à rotina profissional e o encerramento de um período de afastamento. No entanto, para muitos trabalhadores, o processo acaba se transformando em um problema ainda maior: o benefício é encerrado pelo instituto, mas a empresa entende que o funcionário ainda não está apto para voltar ao trabalho.

Dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) mostram que milhões de benefícios por incapacidade temporária são concedidos anualmente no Brasil. Em parte desses casos, o encerramento do benefício acaba gerando divergências entre a avaliação do perito do INSS e o parecer do médico do trabalho da empresa, criando situações de insegurança para o trabalhador. O resultado é uma situação conhecida como "limbo previdenciário", em que a pessoa fica sem receber salário e sem acesso ao benefício previdenciário.

Segundo a advogada Dra. Marina Aguayo, especialista em Direito e Processo do Trabalho, Mediação e Carreira, esse cenário costuma gerar dúvidas e preocupação, principalmente porque o trabalhador acredita que, após a alta previdenciária, poderá retomar suas atividades normalmente.

“O empregado recebe a informação de que está apto pelo INSS e procura a empresa para retornar ao trabalho. Quando o médico ocupacional entende que ele ainda não possui condições para exercer suas funções, surge um impasse que pode deixar o trabalhador sem renda e sem saber como agir”, explica.

De acordo com a especialista, a legislação e o entendimento da Justiça do Trabalho vêm reconhecendo que o empregado não pode ser deixado em uma situação de total desamparo em razão de divergências entre avaliações médicas. O conflito entre os laudos não deve resultar na ausência completa de proteção ao trabalhador.

Em muitos casos, a empresa precisa buscar alternativas para solucionar a situação, seja por meio da readaptação funcional, seja pela adoção de medidas que permitam a regularização do vínculo enquanto a condição de saúde do empregado é reavaliada.

“A responsabilidade pela solução desse impasse não pode ser transferida integralmente ao trabalhador. Ele não pode ser penalizado porque o médico da empresa e o perito do INSS chegaram a conclusões diferentes sobre sua capacidade laboral”, afirma Dra.Marina.

Além dos impactos financeiros, o limbo previdenciário costuma trazer consequências emocionais importantes. A incerteza sobre a continuidade da renda e a insegurança em relação ao futuro profissional podem agravar o quadro de pessoas que já enfrentam problemas de saúde ou estão em processo de recuperação.

Por isso, a orientação é que o trabalhador mantenha toda a documentação médica organizada, registre formalmente as comunicações realizadas com a empresa e procure orientação jurídica especializada assim que perceber que está nessa situação. A análise individual do caso é fundamental para identificar quais medidas podem ser adotadas.

“O mais importante é que o trabalhador saiba que não está sem proteção jurídica. Existem caminhos legais para enfrentar esse problema e garantir a preservação dos seus direitos. Quanto mais cedo houver orientação adequada, maiores são as chances de evitar prejuízos financeiros e profissionais”, conclui.

 


Fonte: Dra. Marina Aguayo – Advogada especialista em Direito e Processo do Trabalho, Mediação e Carreira.


Violência contra crianças e adolescentes começa dentro de casa e cada vez mais cedo, alerta psicóloga Marcella Araújo

Dados do Atlas da Violência 2026 revelam aumento de mais de quatro vezes nas notificações de violência sexual contra crianças de 0 a 4 anos; especialista defende ações integradas de proteção

 

A violência contra crianças e adolescentes no Brasil tem começado cada vez mais cedo e, na maioria das vezes, dentro do ambiente que deveria oferecer proteção. Os dados mais recentes do Atlas da Violência 2026 acendem um alerta para um fenômeno que especialistas consideram urgente: a exposição precoce de crianças a diferentes formas de violência e seus impactos duradouros no desenvolvimento.

 

O levantamento, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostra que as notificações de violência sexual contra crianças de 0 a 4 anos cresceram mais de quatro vezes entre 2014 e 2024, passando de 1.671 para 7.845 registros. Na faixa de 5 a 14 anos, considerada a de maior concentração absoluta de casos, as notificações saltaram de 6.594 para 29.135 no mesmo período. O estudo destaca ainda que cerca de dois terços das ocorrências envolvendo crianças de até 14 anos acontecem dentro da própria residência. Entre as vítimas de 0 a 4 anos, esse percentual chega a 79,9%.

 

Para a psicóloga e pesquisadora Marcella Araújo, os números revelam um problema que não pode ser tratado apenas como questão de segurança pública. "Quando observamos que a violência atinge crianças ainda nos primeiros anos de vida e que ela acontece majoritariamente dentro de casa, estamos falando de uma crise que atravessa as relações familiares, a proteção social, a saúde e a educação. A violência não começa na rua, em muitos casos ela começa justamente nos espaços onde a criança deveria encontrar cuidado e segurança", afirma.

 

Segundo a especialista, um dos aspectos mais preocupantes do relatório é a evidência de que diferentes formas de violência costumam coexistir ao longo da trajetória de uma mesma criança. Negligência, violência psicológica, violência física e violência sexual frequentemente se acumulam, produzindo impactos profundos sobre o desenvolvimento emocional, cognitivo e social.

 

"Não podemos olhar para um episódio de violência como um fato isolado. Muitas crianças vivem processos contínuos de exposição a diferentes formas de violação. Quanto mais precoce é essa exposição, maiores tendem a ser os impactos sobre o desenvolvimento e sobre a forma como essa criança irá construir vínculos e compreender o mundo ao seu redor", explica.

 

O Atlas também chama atenção para o papel da escola. Além de concentrar a maior parte dos casos na faixa entre 5 e 14 anos, o ambiente escolar aparece como espaço estratégico para identificação, acolhimento e notificação de situações de violência, ao mesmo tempo em que também registra agressões físicas, violência psicológica e bullying.

 

Para Marcella, isso reforça a necessidade de investir na formação de profissionais da educação. "A escola ocupa uma posição privilegiada na rede de proteção porque é muitas vezes o primeiro lugar onde os sinais aparecem. Professores, coordenadores e equipes pedagógicas precisam estar preparados para reconhecer mudanças de comportamento, acolher relatos e acionar os fluxos de proteção adequados. A responsabilidade não é individual, mas institucional."

 

Outro dado relevante é a desigualdade de gênero presente nas estatísticas: 86,9% das vítimas de violência sexual são meninas. O relatório associa esse padrão a relações históricas de poder, controle sobre os corpos femininos e à disseminação de discursos que naturalizam a dominação masculina, inclusive em ambientes digitais.

 

"A violência sexual não pode ser analisada apenas como um problema individual ou familiar. Ela também está relacionada à forma como a sociedade constrói relações de gênero. Falar sobre respeito, consentimento e relações saudáveis desde cedo é uma medida de proteção e de prevenção", afirma.

 

A adolescência também aparece como um período de vulnerabilidade crescente. Embora a violência doméstica diminua proporcionalmente nessa fase, aumentam os riscos associados aos espaços públicos, à violência entre pares, ao ambiente digital e ao sofrimento psíquico. O Atlas aponta crescimento de 41,7% na taxa de suicídio entre adolescentes e jovens entre 2014 e 2024, evidenciando a necessidade de ampliar o acesso a redes de apoio e cuidado.

 

Psicóloga formada pela Universidade Federal de Uberlândia, mestre em Psicologia pela Universidade de São Paulo e com MBA em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getulio Vargas, Marcella Araújo atua na formação de profissionais da educação, psicologia e políticas públicas. Sua atuação é fundamentada na psicologia histórico-cultural e tem como foco o desenvolvimento de crianças e adolescentes, a qualificação da escuta e a construção de práticas institucionais que fortaleçam a proteção integral.

 

Para ela, os dados do Atlas reforçam a necessidade de abandonar respostas fragmentadas. "Não existe uma solução única para um problema tão complexo. A proteção de crianças e adolescentes exige articulação entre escola, família, assistência social, saúde e políticas públicas. Quando cada setor atua isoladamente, as lacunas aumentam. Quando a rede funciona de forma integrada, as possibilidades de proteção também aumentam. 


A cirurgia plástica entrou na era dos detalhes: por que o umbigo se tornou uma das maiores preocupações de quem faz abdominoplastia

iStock
A busca por resultados cada vez mais naturais mudou o olhar das pacientes. Hoje, mais do que retirar o excesso de pele, o desafio é alcançar um resultado tão harmonioso que ninguém perceba que houve uma cirurgia. 

 

Durante muito tempo, quem procurava uma abdominoplastia tinha duas grandes preocupações: retirar o excesso de pele e esconder a cicatriz. Hoje, porém, uma nova pergunta passou a fazer parte das consultas: "Meu umbigo vai ficar natural?"

Pode parecer um detalhe, mas ele ajuda a explicar uma mudança importante na cirurgia plástica brasileira. As pacientes estão mais informadas, pesquisam referências antes de operar e observam aspectos que antes passavam despercebidos. Se anos atrás o foco era apenas o "antes e depois", agora a expectativa é conquistar um resultado que preserve a individualidade e não revele sinais evidentes da cirurgia.

Para a cirurgiã plástica Pamela Massuia, essa transformação acompanha uma mudança no próprio conceito de beleza.

"A cirurgia plástica deixou de ser sinônimo de transformação para se tornar um exercício de refinamento. As pacientes querem melhorar o corpo, mas sem perder características que fazem parte da própria identidade."

O umbigo acabou se tornando um dos símbolos dessa nova fase.

"É um detalhe pequeno, mas chama muita atenção quando não parece natural. Um umbigo muito arredondado, muito aberto ou mal posicionado costuma denunciar que houve uma cirurgia. Por isso ele passou a receber cada vez mais atenção durante o planejamento."


O detalhe que faz diferença

Na abdominoplastia, o umbigo original normalmente é preservado, mas precisa ser reposicionado após a retirada do excesso de pele abdominal. Esse processo exige planejamento técnico e respeito às características anatômicas de cada paciente.

Segundo Pamela, o objetivo não é criar um "umbigo perfeito", mas um umbigo que pareça sempre ter pertencido àquela pessoa.

"Quando o resultado é bem executado, ninguém olha para o umbigo e pensa que ele foi reconstruído. Esse é justamente o maior elogio que um cirurgião pode receber."

Além da técnica, fatores como qualidade da pele, cicatrização, idade, gestações anteriores e grandes perdas de peso influenciam diretamente no resultado final.


Pacientes mais informadas, cirurgias mais personalizadas

As redes sociais também mudaram a forma como as mulheres escolhem um cirurgião plástico.

Hoje, além das fotos de antes e depois, muitas analisam cicatrizes, acabamento, simetria e detalhes que antes dificilmente seriam observados.

"É muito comum que a paciente chegue mostrando fotos e perguntando especificamente sobre o umbigo. Isso praticamente não acontecia há alguns anos atrás", conta Pamela.

Segundo ela, essa mudança também representa uma evolução positiva.

"Quanto mais informação a paciente tem, melhor ela consegue alinhar expectativas e compreender que um bom resultado depende de planejamento, técnica e respeito às características individuais."


O inverno continua sendo o período preferido para cirurgias corporais

Embora a cirurgia possa ser realizada durante todo o ano, os meses mais frios continuam concentrando grande parte da procura por procedimentos corporais.

O motivo vai além da estética.

Durante o inverno, a menor exposição ao sol contribui para uma cicatrização mais protegida, reduzindo o risco de manchas nas cicatrizes. Além disso, roupas mais fechadas facilitam o uso das cintas compressivas e tornam o pós-operatório mais confortável.

"Existe um aumento natural da procura nessa época do ano. Muitas pacientes aproveitam o inverno para realizar a cirurgia e chegar ao verão com a recuperação concluída", explica a médica.


Muito além do umbigo

Para Pamela Massuia, a valorização desse detalhe representa algo maior: uma nova forma de enxergar a cirurgia plástica.

"O melhor resultado é aquele que não chama atenção pela cirurgia. Quando alguém olha para a paciente e percebe apenas um abdômen harmonioso, sem conseguir identificar exatamente o motivo, significa que todos os detalhes foram respeitados."

Em uma época em que naturalidade se tornou sinônimo de sofisticação, talvez o maior elogio que uma cirurgia plástica possa receber seja justamente passar despercebida.

 

As mulheres conquistaram espaço na liderança das agências de live marketing. O desafio agora é a autoridade


Comecei a trabalhar com eventos aos 20 anos. Naquela época, era raro encontrar mulheres ocupando posições de liderança nas agências. A maioria dos cargos de direção era ocupada por homens e, em muitos ambientes, a autoridade feminina precisava ser conquistada antes mesmo que qualquer resultado pudesse ser avaliado.

Em diversas situações, a competência não era presumida. Era testada. E, em alguns casos, questionada.

Em uma reunião no início da minha carreira, ouvi uma frase que nunca esqueci: “mulher não pode dar opinião, mulher executa”. Aquilo me marcou menos pelo impacto imediato e mais pelo que revelava sobre o ambiente em que eu estava inserida. Não se tratava de um episódio isolado, mas de uma percepção estrutural sobre o papel da mulher em ambientes de decisão.

Ao longo dos anos, precisei aprender a construir credibilidade de forma consistente, muitas vezes antes mesmo de ter a chance de exercer plenamente a liderança. Era necessário entregar resultados de forma recorrente para alcançar um nível de reconhecimento que, em muitos casos, era automaticamente atribuído a profissionais homens em posições equivalentes.

O mercado de live marketing evoluiu de forma significativa desde então.

Hoje, vemos mais mulheres ocupando posições de liderança, direção e empreendedorismo. As agências e marcas também passaram a reconhecer a importância de equipes diversas, entendendo que diferentes perspectivas ampliam repertórios e geram experiências mais relevantes.

Mas existe uma diferença importante entre ocupar espaço e exercer autoridade.

Pesquisas recentes sobre liderança feminina ajudam a iluminar esse ponto. O relatório Women in the Workplace 2025, produzido pela McKinsey & Company em parceria com a LeanIn.Org, mostra que, embora a presença feminina em cargos de liderança tenha avançado ao longo dos anos, mulheres ainda enfrentam barreiras consistentes para progressão na carreira e para reconhecimento de sua autoridade profissional, especialmente em níveis mais altos de gestão.

Na prática, isso significa que o desafio não está apenas em chegar aos cargos de liderança, mas em ser reconhecida como liderança de fato.

No universo do live marketing, esse tema ganha ainda mais relevância. Trabalhamos em um setor baseado em relacionamento, tomada de decisão rápida, criatividade e gestão de grandes equipes e projetos complexos. Nesse contexto, a autoridade não deveria estar associada a gênero, mas sim a capacidade de execução, visão estratégica e construção de resultados.

Ainda assim, muitas mulheres seguem relatando a necessidade de validar sua competência de forma mais constante para terem suas decisões aceitas com o mesmo nível de naturalidade que o de seus pares masculinos.

Ao mesmo tempo, é impossível ignorar o avanço dos últimos anos.

As mulheres estão mais presentes em posições de comando, liderando empresas, fundando negócios e ocupando espaços estratégicos em diferentes áreas da comunicação e do marketing. Essa transformação não aconteceu por concessão, mas por mérito, consistência e pela construção de trajetórias sólidas ao longo do tempo.

Também houve uma mudança importante por parte das organizações. A diversidade deixou de ser tratada apenas como um valor simbólico e passou a ser reconhecida como um fator de desempenho. Equipes mais diversas tendem a ampliar a capacidade de análise, criatividade e conexão com diferentes públicos, o que impacta diretamente a qualidade das experiências que são criadas.

Ainda assim, o debate sobre liderança feminina não está encerrado. Ele apenas mudou de estágio.

Se antes a discussão era sobre acesso, hoje ela passa a ser sobre legitimidade. Sobre influência. Sobre autoridade.

E talvez esse seja o ponto mais importante da evolução. Porque não basta estar na sala de decisões. É preciso que a voz dentro dela tenha o mesmo peso, o mesmo reconhecimento e a mesma escuta qualificada, independentemente de quem a emite.

O avanço da liderança feminina é real. Mas o próximo passo ainda é o mais desafiador: garantir que presença e autoridade caminhem juntas.




Flávia Morizono - cofundadora e diretora da Joia. Experiências que Transformam, agência especializada em live marketing, brand experience e eventos corporativos.

Beleza sem sofrimento: setor cosmético investe em produtos que reproduzem efeitos do botox e até do jejum intermitente

Demonstração da Nanovetores  
Divulgação

Esqueça as agulhas e as dietas restritivas: o novo objetivo da indústria da beleza é alcançar resultados clínicos revolucionários sem sofrimento. Movido por um consumidor hiperinformado que exige alta performance imediata, o setor de insumos cosméticos encontrou na biotecnologia a revolução do autocuidado com o biohacking, prática que aplica intervenções inteligentes para melhorar o funcionamento do corpo. 

Ao decodificar os processos mais complexos do organismo, cientistas e laboratórios globais conseguiram criar uma geração de "fórmulas mimetizadoras". Trata-se de uma engenharia cosmética altamente sofisticada, capaz de enganar as células e replicar os benefícios de intervenções drásticas, transformando o que antes exigia sacrifício em puros rituais de bem-estar.

O maior exemplo desse foco é o Clarivine™, ativo da Vytrus Biotech premiado no Innovation Challenge, realizado na FCE Cosmetique, a maior feira da indústria cosmética da América Latina. Ele traz a tendência do “jejum celular” voltado à longevidade da pele. Sem necessidade de passar por restrições alimentares severas, o ingrediente inteligente mimetiza os exatos mecanismos biológicos do jejum intermitente de forma tópica para despertar a autofagia, sistema natural de faxina profunda e autorrenovação das células, devolvendo o viço, a densidade e o frescor ao rosto.

Na mesma linha, o INTENSILK™, ativo botânico da Provital extraído da flor da macieira, propõe um “dermohacking da celulite por meio da bioenergia circular”. Sem o sofrimento dos tratamentos invasivos ou das massagens de sucção, atua na longevidade celular e no metabolismo da gordura localizada. O resultado é uma escultura corporal indolor e sofisticada, que reduz o aspecto "casca de laranja" e devolve a firmeza à pele com a suavidade de um ritual de beleza.

Já fabricantes de insumos como a Nanovetores entram no cuidado focado nas linhas de expressão. Com seu produto NV PepBotulin, a empresa conseguiu encapsular a potência da própria toxina botulínica numa tecnologia tópica altamente avançada. Em vez do desconforto das picadas em consultório, o ativo atua diretamente nos receptores da pele de forma contínua. O resultado é um efeito lifting e de relaxamento das rugas e linhas de expressão por via tópica, criando produtos que são uma alternativa totalmente indolor aos procedimentos injetáveis.

"Essas inovações não precisam necessariamente concorrer com os procedimentos de consultório, elas podem somar. Para quem já se submete às agulhas, usar esses ativos no skincare diário é uma forma de prolongar os resultados e fazer com que aquele tratamento caro dure muito mais. Unimos o melhor dos dois mundos para criar uma rotina sofisticada, em conjunto e sem nenhum sofrimento", pontua Erika Iman Carobrez, supervisora de Produtos da Nanovetores.

Essas e outras inovações se destacaram na FCE Cosmetique 2026, o principal ponto de encontro da América Latina para o mercado de insumos e tecnologia cosmética. O evento mostra o futuro do mercado e reforça como a biotecnologia nacional e internacional está pronta para atender a um público que não quer escolher entre a alta performance e uma beleza totalmente livre de dor.



O risco de parar de treinar nas férias

Alguns aspectos do condicionamento físico podem ser afetados com poucos dias de inatividade

 

Durante as férias, o descanso do trabalho e demais atividades não devem ser confundido com o abandono total de uma rotina de treinos de condicionamento físico. Isso porque, mesmo uma pessoa que se exercita há anos, pode perder capacidades cardiorrespiratórias e neuromusculares em pouco tempo. 

Ana Paula Simões, ortopedista e traumatologista da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, explica que, para a maioria da população, o ‘tempo seguro’ para não perder o condicionamento físico é entre 10 e 14 dias de pausa. “A palavra-chave é manutenção mínima: dois treinos moderados por semana já são suficientes para preservar a maior parte do condicionamento”, ressalta.

Lucas Florêncio, gerente técnico da SmartFit, sugere um circuito de corpo inteiro (Full Body) focado nos grandes padrões de movimento para otimizar o tempo nas férias. “Isso garante alta eficiência neuromuscular e metabólica em menos de 20 minutos”, conta.

Sem o treino de manutenção mínima, a ortopedista conta que pode ocorrer uma leve redução do volume plasmático já nos primeiros dias. Com isso, a sensação de “peso nas pernas” e cansaço precoce aumentam num primeiro treino de retorno. 

Uma das taxas que pode cair mais rapidamente com a pausa dos exercícios é a do volume de oxigênio máximo (VO2 máx), que representa a quantidade máxima de oxigênio que o organismo consegue captar, transportar e utilizar por minuto. 

Outro aspecto que é afetado com a interrupção do treinamento é a função neuromuscular. Ela é a responsável pela coordenação, tempo de reação, eficiência do recrutamento motor e propriocepção. Como essa função depende da prática contínua do sistema nervoso central e periférico, com uma ou duas semanas de inatividade ela pode diminuir. Em intervalos maiores de inércia, a pessoa pode até aumentar suas chances de sofrer uma lesão no retorno das atividades. 

“Para esportes de alta precisão técnica, como corrida de elite, futebol e tênis, o limite funcional prático é entre uma e duas semanas de pausa total, antes de se notar impacto real na execução do gesto”, informa Simões.

Já a força muscular sofre impactos em intervalos maiores de tempo. Segundo a ortopedista, o ganho de força é construído pela fase neural, nas primeiras semanas, e pela fase de hipertrofia, posteriormente. 

Com a inércia de duas ou três semanas, pode acontecer a perda neural. Mas, em pessoas que treinam há anos, é preciso um período de inatividade maior. 

Florêncio explica que, apesar de ser afetada em intervalos maiores, a força e a massa muscular não podem ser treinadas em uma caminhada durante o passeio de férias, por exemplo. “O tecido muscular precisa de um limiar mínimo de tensão mecânica para evitar a atrofia por desuso. Caminhar não ativa as fibras musculares de contração rápida”, comenta. 

Quando o acesso à academia tradicional e à carga externa é limitado, o educador físico ressalta que é possível aumentar a tensão mecânica por meio de quatro variáveis principais:

  • Aumento do braço de momento: realizar exercícios na forma unilateral (ex: agachamento búlgaro em vez do agachamento normal) dobra a carga relativa sobre o membro ativo;
  • Manipulação da cadência (Tempo sob Tensão): executar a fase excêntrica (descida) de forma extremamente lenta (4 a 6 segundos) e fazer uma pausa isométrica no ponto de maior desvantagem mecânica;
  • Modificação do vetor de força: mudar a inclinação do corpo (ex: flexões com os pés elevados) transfere uma porcentagem maior do peso corporal para os membros superiores;
  • Oclusão vascular prática (Restrição do Fluxo Sanguíneo): utilizar faixas elásticas moderadamente apertadas nos membros superiores ou inferiores permite gerar hipertrofia e ganho de força mesmo utilizando cargas baixíssimas (peso corporal), simulando o estresse metabólico de cargas altas.

Durante as viagens, as melhores alternativas são: utilizar o peso do próprio corpo, treinar com elásticos, treinar barras fixas em parques públicos ou realizar um treino intervalado de alta intensidade (HIIT). 

Dentro de um quarto de hotel é possível fazer um treino de resistência metabólica em espaço reduzido, segundo Florêncio. “Podemos utilizar o próprio mobiliário, com segurança, para alterar os vetores de força”, informa.

Com o apoio de uma cama ou uma cadeira firme, é possível fazer flexão de braço inclinada ou declinada para mudar o ângulo de trabalho do peitoral. Ainda na beirada da cama e cadeira, realizar um exercício de tríceps. 

Ao deitar no chão e apoiar os pés na beirada da cama, é possível fazer uma elevação pélvica com ampliação do movimento de quadril. Na parede, consegue-se realizar um agachamento isométrico que cause estresse metabólico nos músculos do quadríceps. 

Um dos impactos subestimados da pausa, conforme Simões, é o psicológico. “A interrupção abrupta pode gerar um conjunto de sintomas que como irritabilidade, ansiedade, queda de humor e redução de energia, que podem surgir já nos primeiros dois a cinco dias em pessoas muito ativas”, frisa.

Para pessoas que utilizam o exercício como regulador emocional, a pausa pode ser mais difícil psicologicamente do que fisicamente. Porém, a médica afirma que quando a pausa é intencional e planejada, o impacto psicológico é significativamente menor. 

Segundo Florêncio, os primeiros sinais de destreinamento são: 

  • Aumento da frequência cardíaca de repouso: o coração precisa bater mais vezes para bombear a mesma quantidade de sangue;
  • Fadiga precoce: sensação de "falta de ar" (perda de eficiência do VO máx) em atividades simples, como subir escadas;
  • Perda de força submáxima: aquela carga que antes era fácil na musculação passa a parecer extremamente pesada no retorno;
  • Redução do tônus muscular: os músculos parecem "mais macios" devido à depleção dos estoques de glicogênio muscular e água intracelular (que ocorre antes da perda real de tecido proteico);
  • Aumento da percepção subjetiva de esforço (PSE): exercícios que eram moderados passam a ser percebidos como intensos.

A boa notícia, frisa Florêncio, é que é necessário somente metade do tempo ‘perdido’ no destreino para se recuperar dele. Por exemplo, se você ficou quatro semanas totalmente parado nas férias, a ideia é que em cerca de duas semanas de treino constante e progressivo você pode recuperar o nível de força e volume muscular anterior.


Treino sugerido

A sequência sugerida pelo educador físico é feita com três ou quatro séries em circuito, com 45 segundos de estímulo e 15 segundos de descanso. Confira abaixo e no link

  • Agachamento livre (Padrão de Dominância de Joelho): foco em quadríceps e glúteos;
  • Flexão de braço (Padrão de Empurrar Horizontal): foco em peitoral, deltoide anterior e tríceps;
  • Agachamento búlgaro: Alta exigência de estabilização (glúteo médio) e sobrecarga mecânica por perna;
  • Remada curvada com elástico (Padrão de Puxar): foco em latíssimo do dorso e romboides;
  • Prancha abdominal isométrica (Estabilização Central): foco no core.

 

Grupo Smart Fit


CPF vale desconto? Saiba os limites e obrigações para ofertas atreladas a dados de clientes

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Coleta de dados pessoais exige transparência e não pode ser condicionada a descontos que prejudiquem o consumidor que não fornece suas informações

 

É comum no varejo que os consumidores forneçam informações pessoais, como o CPF, em troca de algum benefício nas compras. No entanto, a condenação da rede de farmácias Drogasil ao pagamento de uma multa de R$ 10 milhões pelo Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), por exigir o CPF ou outros dados pessoais dos clientes em troca de descontos e promoções, acendeu um alerta sobre os limites da coleta e do tratamento de dados.

No entendimento de Douglas de Melo Martins, juiz titular da Vara de Interesses Difusos e Coletivos da Comarca da Ilha de São Luís, ao exigir o CPF do consumidor para oferecer descontos, a farmácia exerce uma coação econômica. Dessa forma, ao não fornecer o desconto, está penalizando o consumidor. Ainda cabe recurso à Drogasil no processo.

O problema não é o recolhimento de informações pessoais, como CPF, nome e endereço, pelos varejistas, mas sim a falta de clareza sobre o uso desses dados, como o tempo e a forma de armazenamento, se serão compartilhados com outras empresas, se o consumidor poderá solicitar a exclusão de suas informações da base, entre outras questões.

Outro problema, segundo o advogado Kevin de Souza, especialista em Direito do Consumidor e sócio do escritório Sousa & Rosa Advogados, é condicionar grandes descontos, de 40% ou 50%, por exemplo, à entrega pelo cliente de seus dados pessoais. A prática, segundo o advogado, pode ser entendida como "condicionamento do consentimento", que é abusiva. 

“Há o entendimento de que, em caso de desproporcionalidade, trata-se de uma oferta abusiva, considerando nulo o consentimento. Portanto, automaticamente tem que ser feito o preço de balcão, sem esse ‘pedágio’ do CPF”, diz Souza.

O advogado pondera que programas de fidelidade são plenamente legais, "desde que envolvam um benefício e não uma barreira para o cliente”. Os clubes ou programas de fidelidade, cujos descontos costumam ser pequenos, em torno de 5%, em geral não configuram condicionamento do consentimento por não causarem prejuízo financeiro considerável ao cliente que não fornece seus dados.

“Caso um supermercado crie um programa de fidelidade em que o cliente tenha condições específicas de preço, isso não é problema, desde que as políticas de fidelidade estejam claras e o consumidor aceite essas políticas”, esclarece Souza.


Mau uso dos dados - De acordo com o especialista em Direito do Consumidor, um dos erros mais comuns entre as empresas é a utilização de dados de clientes para campanhas publicitárias sem consentimento claro de seus portadores ou sem informar a finalidade de uso e eventual compartilhamento, para que o consumidor decida se quer entregar ou não suas informações.

"A falta de capacitação dos funcionários do balcão sobre o uso das informações pessoais pode causar desconformidade. Programas de fidelidade podem ocorrer; a grande regra é estabelecer um processo de coleta para que fique claro o motivo do recolhimento”, diz Souza.

Quando os pequenos negócios estão envolvidos, é preciso ainda mais cuidado, uma vez que é comum a esse perfil empresarial utilizar o WhatsApp para enviar propagandas e promoções sem autorização dos consumidores. O telefone do cliente é um dado pessoal, e seu uso por terceiros para finalidade comercial deve ter o consentimento do portador. Descumprir essa regra pode gerar multas por infringir a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Do ponto de vista da LGPD, as empresas precisam, antes de qualquer tratamento de dados, comunicar o motivo da coleta e a justificativa para sua utilização, de acordo com as possibilidades fornecidas pela lei, como, por exemplo, consentimento, obrigação legal ou cumprimento de contratos.

Para o advogado Luiz Fernando Plastino, especialista em Propriedade Intelectual, Privacidade e Proteção de Dados e Direito da Informática, que atua no escritório Barcellos Tucunduva, existe o entendimento no Brasil de que o fornecimento de dados tem de ser de livre consentimento, livre de qualquer oferta ou promoção.

“A grande questão é criar um programa de fidelidade que não seja facilmente considerado uma prática abusiva. Utilizar o CPF como uma forma de identificação para o programa é uma questão. Agora, condicionar a autorização do uso de dados a um desconto é outra questão”, diz Plastino. A coleta do CPF passa a ser permitida para identificar a compra por um motivo claro, e o consumidor não pode sofrer nenhuma consequência por decidir não informar o CPF.

Deixar o consumidor ciente do uso de seus dados pessoais deve ser uma prática que antecede o fornecimento dos dados, diz o especialista. “O programa de fidelidade não pode criar uma situação em que, ao não aceitar participar, o cliente sofra uma grande punição”, explica Plastino.

O advogado alerta ainda que é preciso cuidado ao contratar fornecedores de soluções digitais que irão tratar os dados dos clientes. Nesses casos, podem ocorrer vazamentos, causando penalidades previstas pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que podem escalar para multas ou até mesmo para a suspensão de determinadas atividades.

Outro cuidado, segundo o especialista, é não desvirtuar a finalidade de uso dos dados coletados. “Se a empresa coleta os dados dos clientes para entregas, é possível usar esses dados para saber onde colocar uma loja extra, pois a finalidade é a mesma: entrega. Porém, não pode passar esses dados para outra empresa que vende produtos diferentes dos que são vendidos por ela”, explica Plastino.

 

Rebeca Ribeiro
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Colapso climático e degradação da empatia

 

A Terra não está sendo destruída por uma fatalidade cega. Não está sendo aniquilada por uma tragédia inevitável da natureza. Sua iminente destruição acontece, antes de tudo, por razões éticas e políticas. É resultado de uma longa pedagogia da indiferença, fruto de reiteradas más escolhas e consequência de um modelo civilizacional que tomou o lucro por critério e o planeta por matéria descartável. 

O descaso ambiental aparece como expressão de uma deformação profunda: a perda da capacidade de perceber o mundo não como estoque, mas como morada; não como reserva de exploração, mas como comunidade de vida. O colapso climático não decorre apenas das emissões, da devastação florestal, do esgotamento hídrico, da desertificação ou do aquecimento global. Decorre, em camada mais funda, de uma civilização que deixou de sentir empatia. 

Nosso iminente desastre também é consequência do avanço de lideranças negacionistas do clima, para as quais a realidade ecológica é tratada como inconveniente político, entrave econômico ou invenção ideológica. Em vez de enfrentar a crise, elas a ridicularizam. Em vez de mobilizar responsabilidade, organizam a dúvida. Em vez de convocar solidariedade, estimulam ressentimento, anti-intelectualismo e brutalidade. 

O negacionismo climático não é apenas erro cognitivo. É a vontade de governar pelo curto prazo, pelo cálculo eleitoral e pela fabricação de inimigos. Quando essa lógica se articula a correntes autoritárias inspiradas no unilateralismo, o dano se multiplica. A devastação ambiental passa a caminhar ao lado da devastação da ética. Minorias tornam-se bodes expiatórios, a empatia é tratada como fraqueza, a compaixão como ingenuidade, e a própria ideia de bem comum começa a dissolver-se sob o peso da propaganda, do medo e da polarização permanente. 

É nesse ponto que o papel das “big techs” e dos mega oligarcas da tecnologia assume dimensão central. A Terra caminha para a ruína porque permite que a tecnologia cresça sem freios, sem regulação pública, sem responsabilidade democrática e sem imaginação ética. 

A inteligência artificial é deixada à lógica do mercado e da competição estratégica. As redes sociais, em vez de servirem ao encontro humano, converteram-se em máquinas de amplificação do ódio, da mentira e da fragmentação coletiva. Os grandes sistemas algorítmicos descobriram que a atenção humana pode ser minerada como recurso bruto e que o ressentimento rende mais do que a verdade. 

Passaram a explorar a vulnerabilidade das massas e a envenenar a informação com mentiras, transformando seres humanos em perfis manipuláveis, isolados em bolhas e cada vez menos capazes de perceber o sofrimento do outro. A ausência de controle sobre a IA e sobre as plataformas digitais não produz apenas desordem comunicacional, produz um rebaixamento antropológico. O mundo perde a empatia global e a capacidade de reconhecer no estranho um semelhante. Nosso planeta endurece o coração enquanto sofistica os sistemas. 

Nesse sentido, o colapso climático não pode ser separado do colapso da sensibilidade. A catástrofe ambiental é inseparável de uma catástrofe moral. O planeta está sendo destruído porque a humanidade dominante perdeu a capacidade de impor limites a si mesma. Porque aceita ser governada por elites econômicas sem empatia e por líderes políticos sem grandeza ética. 

Essa ausência de grandeza se manifesta no aumento dos preconceitos contra quem é diferente, na brutalização das relações humanas e na conversão do outro em ameaça. A devastação ecológica é, portanto, a face material de uma desertificação interior. A Terra seca por fora porque está secando por dentro. 

 

Divulgação  
Paulo Alexandre Negreiros de Andrade


Paulo Alexandre Negreiros de Andrade - Autor do livro de ficção cientifica “Cinzas do Futuro”, também é médico, pediatra e neonatologista


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