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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Poluição e inverno: a combinação que faz disparar alergias e problemas respiratórios

Baixa umidade do ar, inversão térmica e maior concentração de poluentes agravam sintomas de rinite, sinusite e asma nos meses mais frios do ano

 

Julho marca o período de maior atenção para quem sofre com alergias respiratórias. Além das temperaturas mais baixas e da queda da umidade do ar, o inverno traz um agravante muitas vezes invisível: o aumento da concentração de poluentes na atmosfera.

A combinação ajuda a explicar por que, nesta época do ano, crescem as queixas de espirros, congestão nasal, tosse, crises de rinite e agravamento da asma. O alerta ganha ainda mais relevância na semana que ocorre o Dia Mundial da Alergia, celebrado em 8 de julho, data dedicada à conscientização sobre doenças alérgicas e seus impactos na saúde.

Segundo a otorrinolaringologista Dra. Cristiane Passos Dias Levy, especialista em alergias respiratórias do Hospital Paulista, a qualidade do ar exerce papel fundamental na saúde das vias aéreas. "A poluição funciona como um agente irritante permanente para a mucosa respiratória. Quando ela se associa ao clima seco do inverno, observamos um aumento importante dos sintomas alérgicos e das doenças respiratórias, especialmente em pessoas que já possuem alguma predisposição", explica.


Um problema que afeta milhões de pessoas

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a poluição atmosférica está associada a aproximadamente 7 milhões de mortes prematuras por ano em todo o mundo.

Ao mesmo tempo, a própria OMS estima que as doenças alérgicas afetem entre 30% e 40% da população mundial, tornando-se um dos problemas de saúde crônicos mais frequentes da atualidade.

No Brasil, a rinite alérgica está entre as condições mais comuns. Estimativas da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) indicam que cerca de 30% dos brasileiros apresentam sintomas relacionados à doença.


Por que a poluição piora no inverno?

Durante os meses mais frios, a dispersão dos poluentes se torna mais difícil. A redução das chuvas diminui a limpeza natural da atmosfera, enquanto fenômenos como a inversão térmica impedem que os poluentes se dispersem adequadamente.

Como resultado, partículas provenientes da queima de combustíveis, emissões industriais e fumaça permanecem mais concentradas próximas ao solo. "Essas partículas entram em contato direto com as vias respiratórias, provocando irritação, inflamação e aumento da produção de secreções. Em pessoas alérgicas, essa resposta costuma ser ainda mais intensa", afirma a médica.


O nariz é a primeira barreira de defesa

O nariz funciona como um filtro natural do organismo. A mucosa nasal produz secreções capazes de reter partículas, enquanto pequenos cílios microscópicos ajudam a eliminar impurezas. No entanto, a exposição constante à poluição e ao ar seco pode comprometer esse mecanismo. Entre os sintomas mais frequentes estão:

  • espirros repetitivos;
  • congestão nasal;
  • coriza;
  • coceira no nariz;
  • irritação na garganta;
  • tosse persistente;
  • agravamento de crises de rinite e asma.

Além disso, a maior permanência em ambientes fechados favorece a exposição a ácaros, poeira e mofo, agravando ainda mais o quadro.


Crianças e idosos exigem atenção redobrada

Embora qualquer pessoa possa sentir os efeitos da poluição, alguns grupos são mais vulneráveis. Entre eles estão crianças, idosos, pessoas com rinite alérgica, pacientes asmáticos e indivíduos com doenças respiratórias crônicas. Nesses grupos, a inflamação provocada pelos poluentes pode resultar em sintomas mais intensos e maior risco de complicações.


O que fazer para reduzir os impactos?

Embora seja impossível eliminar completamente a exposição à poluição, algumas medidas ajudam a proteger as vias respiratórias. Entre as principais recomendações estão:

  • manter boa hidratação ao longo do dia;
  • realizar lavagem nasal com soro fisiológico;
  • manter ambientes ventilados;
  • evitar exposição prolongada em horários de pico de poluição;
  • acompanhar os índices de qualidade do ar;
  • manter o tratamento das alergias respiratórias em dia.

"A lavagem nasal com soro fisiológico é uma das medidas mais simples e eficazes para remover partículas inaladas e manter a mucosa hidratada. Ela ajuda a reduzir a irritação causada tanto pela poluição quanto pelo ar seco", orienta a especialista.


Quando procurar ajuda médica?

A avaliação especializada é recomendada quando os sintomas se tornam frequentes ou persistentes. Entre os sinais de alerta estão: crises alérgicas recorrentes, congestão nasal constante, tosse persistente, chiado no peito, falta de ar e piora progressiva dos sintomas respiratórios. 

"Muitas pessoas se acostumam a conviver com sintomas respiratórios e acabam normalizando o desconforto. Mas nariz entupido constante, crises frequentes de rinite ou dificuldade para respirar merecem investigação médica", conclui a Dra. Cristiane.

 

Hospital Paulista de Otorrinolaringologia

 

Prática de esportes no inverno pede atenção para prevenir lesões

Freepik
Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE) explica que o frio, por si só, não provoca lesões, mas favorece situações que elevam os riscos durante atividades físicas

 

O clima mais frio, típico do inverno, torna a prática de atividades físicas ao ar livre mais confortável para muitas pessoas. Corridas, ciclismo, trilhas, caminhadas, partidas de futebol e esportes de quadra fazem parte da rotina de quem aproveita a estação para se exercitar. Também em busca do “projeto verão”, a ida às academias costuma se intensificar neste período. 

Há quem acredite que a prática esportiva no frio aumenta a chance de lesões musculares, articulares e esqueléticas. O frio realmente aumenta esse risco? 

“O frio não é o responsável direto pelas lesões. O que acontece é que, em temperaturas mais baixas, há uma tendência natural de redução da elasticidade muscular e da mobilidade articular no início da atividade física, o que pode favorecer desconfortos e sobrecargas quando o exercício é iniciado de forma abrupta”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE), Dr. Adriano Almeida. 

Segundo o especialista, o corpo precisa de um tempo maior de adaptação antes de atingir seu desempenho ideal. “Quando essa etapa é ignorada, o risco de lesões como distensões musculares, contraturas e sobrecargas aumenta”, ressalta. 

Diante disso, o aquecimento adequado ganha ainda mais importância durante o inverno. “Antes de qualquer atividade física, é fundamental dedicar alguns minutos ao aquecimento. Exercícios leves, mobilidade articular e aumento gradual da intensidade ajudam a preparar o corpo para o esforço e reduzem significativamente o risco de lesões”, fala. 

Outro ponto de destaque da estação é a falsa sensação de que o organismo necessita de menos água. O presidente da SBRATE lembra que a hidratação continua sendo indispensável para o funcionamento adequado da musculatura. “Quando o organismo está com baixa hidratação, há uma redução no desempenho muscular, na coordenação motora e na capacidade de recuperação durante o esforço físico. Isso faz com que o praticante se canse mais rapidamente e perca precisão nos movimentos, o que pode favorecer distensões, cãibras e sobrecargas”, pontua. 

O ortopedista ressalta ainda que pessoas que estão retomando a prática esportiva após um período de sedentarismo devem redobrar os cuidados. “É importante respeitar os limites do corpo e procurar orientação profissional. A prevenção continua sendo a melhor estratégia para aproveitar o esporte com segurança”, conclui. 



Canetas emagrecedoras podem reduzir efeitos colaterais e melhorar resposta ao tratamento do câncer

Especialista do Oncoapp ressalta que os estudos são resultados de avaliações retrospectivas, porém o cenário é promissor
 

Os análogos de GLP-1, classe de medicamentos utilizada nas chamadas "canetas emagrecedoras" para o tratamento da obesidade e do diabetes, começam a despertar o interesse da comunidade científica também na oncologia. Durante a ASCO 2026 (Encontro Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica), realizado entre os dias 29 de maio e 2 de junho, em Chicago (EUA), pesquisadores apresentaram estudos que sugerem uma associação entre o uso desses medicamentos e uma melhor resposta de pacientes oncológicos à imunoterapia, além da redução dos efeitos adversos relacionados ao tratamento.
 

Para a oncologista Isadora Spricido, do OncoApp, aplicativo voltado ao acompanhamento de pacientes com câncer, o interesse pelo tema está diretamente relacionado ao fato de que a obesidade é reconhecida como um dos principais fatores de risco para diversos tipos de tumores, entre eles os de mama, endométrio e intestino. "Além disso, o diabetes também é uma condição frequente entre pacientes oncológicos, seja como doença preexistente ou como consequência de determinados tratamentos. Os dados apresentados na ASCO indicam, de forma preliminar, que os análogos de GLP-1 podem exercer um impacto positivo nesse contexto", explica.

Embora os resultados sejam considerados promissores, a especialista ressalta que as evidências disponíveis ainda são provenientes de estudos retrospectivos, que identificam associações, mas não estabelecem uma relação de causa e efeito. "Ainda são necessários estudos clínicos para determinar quais pacientes realmente podem se beneficiar dessa estratégia e compreender se os análogos de GLP-1 poderão atuar como um adjuvante imunometabólico, potencializando a resposta do sistema imunológico durante o tratamento contra o câncer", afirma. 

Segundo os estudos apresentados na ASCO 2026, a hipótese é reforçada pelo conhecimento de que a obesidade interfere diretamente no funcionamento do sistema imunológico. Dessa forma, o controle metabólico proporcionado pelos análogos de GLP-1 pode representar, no futuro, uma ferramenta complementar para melhorar a resposta terapêutica em pacientes selecionados. No entanto, a utilização desses medicamentos com essa finalidade ainda depende de novas pesquisas que confirmem sua eficácia e segurança. 

"Apesar dos resultados promissores, o uso dos análogos de GLP-1 em pacientes com câncer deve ser sempre individualizado e acompanhado por uma equipe multidisciplinar, para que o tratamento ofereça benefícios sem comprometer a terapia oncológica", destaca a médica. Segundo ela, quando utilizados antes do diagnóstico, esses medicamentos contribuem para o controle da obesidade e do diabetes, fatores reconhecidamente associados ao aumento do risco de diversos tipos de câncer. Já durante o tratamento oncológico, as pesquisas ainda buscam identificar quais pacientes realmente podem se beneficiar. "Os estudos preliminares apontam uma possível redução da recorrência da doença, da mortalidade e uma melhora na resposta ao tratamento. Agora, precisamos entender em quais perfis de pacientes e em quais cenários clínicos esses benefícios realmente se confirmam", conclui.


Inverno acende alerta para visitas a recém-nascidos e risco de infecções

Contato próximo, falta de higienização das mãos e presença de adultos mesmo com sintomas leves são fatores que representam riscos para os bebês
 

A chegada do inverno costuma aproximar famílias dentro de casa, aumentar as visitas aos recém-nascidos e, simultaneamente, intensificação da circulação de vírus respiratórios. Para bebês nos primeiros meses de vida, no entanto, esse cenário exige atenção especial. O sistema imunológico ainda está em formação, as vias aéreas são mais estreitas e infecções aparentemente simples em adultos podem evoluir de forma mais grave nos pequenos.

Entre os principais riscos estão vírus respiratórios, como Influenza, Vírus Sincicial Respiratório (VSR), rinovírus e Covid-19, além de outras infecções transmitidas por contato direto, secreções, saliva ou mãos contaminadas. Por isso, especialistas reforçam que visitas a recém-nascidos devem ser feitas com cuidado, especialmente durante os meses mais frios.

Segundo o Ministério da Saúde, crianças menores de cinco anos estão entre os grupos com maior risco de complicações por Influenza, com atenção especial aos menores de dois anos e, principalmente, aos bebês com menos de seis meses. O VSR também preocupa nessa faixa etária, pois está associado a quadros de bronquiolite e pneumonia, duas das principais causas de atendimento e internação em lactentes.

“Para um adulto, um resfriado pode parecer algo leve. Para um recém-nascido, a mesma infecção pode causar desconforto respiratório, dificuldade para mamar, queda de saturação e necessidade de internação. Por isso, a regra mais importante é simples: quem está com sintomas respiratórios não deve visitar o bebê”, afirma a Dra. Luciana Alla, neonatologista do Hospital e Maternidade Santa Joana.

A médica explica que sintomas como coriza, tosse, dor de garganta, febre, mal-estar, rouquidão, espirros ou mesmo “uma alergia” não devem ser minimizados. Em muitos casos, o adulto pode transmitir vírus antes mesmo de perceber que está doente ou quando apresenta manifestações leves.

“Existe uma ideia de que, se a pessoa está sem febre, não há risco. Isso não é verdade. Tosse, secreção nasal e espirros já são sinais suficientes para adiar a visita. O cuidado não é falta de carinho. É uma forma de proteger um bebê que ainda não tem maturidade imunológica para lidar com determinadas infecções”, reforça a neonatologista.

Outro ponto de atenção são os beijos. Embora sejam vistos como demonstração de afeto, eles podem representar risco real para recém-nascidos, especialmente quando dados no rosto, nas mãos ou próximos à boca. A saliva pode transmitir vírus e bactérias

No caso de visitas inevitáveis, como apoio familiar no pós-parto, alguns cuidados ajudam a reduzir riscos: limitar o número de pessoas, evitar permanência prolongada, não visitar logo após contato com alguém doente, manter vacinação atualizada e respeitar as orientações dos pais e da equipe de saúde. Pessoas com gripe, Covid-19, conjuntivite, lesões na boca, diarreia, febre ou qualquer sinal de infecção devem aguardar a recuperação completa.

“Família e rede de apoio são muito importantes no puerpério, mas apoio não precisa significar circulação intensa de pessoas em volta do bebê. Muitas vezes, ajudar é levar uma refeição, resolver uma tarefa da casa, apoiar a mãe no descanso e respeitar o tempo daquela família. O recém-nascido não precisa ser exposto para receber carinho”, orienta a médica.

A atenção deve ser ainda maior com prematuros, bebês com baixo peso, recém-nascidos que passaram por UTI neonatal, crianças com cardiopatias, doenças pulmonares ou outras condições clínicas. Nesses casos, uma infecção respiratória pode ter evolução mais delicada e exigir acompanhamento rigoroso.

Os sinais de alerta nos recém-nascidos incluem febre ou temperatura baixa, dificuldade para respirar, gemência, pausas respiratórias, lábios arroxeados, sonolência excessiva, irritabilidade intensa, recusa das mamadas, vômitos persistentes, redução importante da urina e piora do estado geral. Diante desses sintomas, os pais devem procurar atendimento médico.

“Nos primeiros meses, o bebê nem sempre manifesta doença como uma criança maior. Às vezes, o sinal não é uma tosse exuberante, mas uma mamada mais fraca, sonolência fora do habitual ou respiração diferente. Os pais devem confiar na própria percepção e buscar avaliação quando algo fugir do padrão”, afirma a médica. .

A prevenção também passa pela vacinação dos adultos e crianças do entorno. Manter a imunização contra gripe, Covid-19, pneumonia e coqueluche em dia, conforme indicação médica, ajuda a reduzir a chance de transmissão dentro de casa. Na gestação, as vacinas recomendadas também têm papel importante na proteção do bebê nos primeiros meses de vida. 

Para a neonatologista, o principal desafio é equilibrar afeto e segurança. “O bebê será muito amado mesmo sem beijos e sem colo de todos os visitantes. Neste período inicial, especialmente no inverno, proteger é uma das formas mais importantes de demonstrar cuidado. O carinho pode estar no olhar, na presença respeitosa e na ajuda concreta à família”, conclui a pediatra.


Hospital e Maternidade Santa Maria
www.maternidadesantamaria.com.br


Anvisa aprova nova opção de terapia que reduz em 46% o risco de progressão ou morte por câncer de próstata avançado

Apoiada nos resultados do estudo de Fase III ARANOTE, a aprovação da darolutamida associada apenas à terapia de privação androgênica (ADT) reforça o compromisso da Bayer com a inovação oncológica para mais eficácia, segurança e flexibilidade

 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de aprovar uma nova indicação para o uso da darolutamida, tratamento oncológico da Bayer. A terapia, aprovada anteriormente no combate ao câncer de próstata hormônio sensível metastático (CPHSm) em combinação com a quimioterapia, agora recebe o aval para ser utilizada também em terapia dupla — ou seja, a darolutamida associada à terapia de privação androgênica (ADT). A aprovação foi baseada nos resultados consistentes do estudo clínico global de Fase III ARANOTE. 

Para Dr. Denis Jardim, médico oncologista e Professor de Pós Graduação no Hospital Sírio Libanês, a aprovação traz um impacto direto para o desafiador cenário de saúde do país. "O Brasil registra hoje cerca de 48 mortes por dia em decorrência do câncer de próstata. Diante desse cenário, a nova aprovação da Anvisa é um marco, pois permite controlar o avanço da doença com um tratamento altamente eficaz e que também promove segurança, tolerabilidade e manutenção da qualidade da vida. Nosso foco é garantir que esses homens tenham mais tempo de vida com qualidade, mantendo sua capacidade funcional e bem-estar para continuarem ativos e presentes com suas famílias", destaca. 

Os achados do estudo ARANOTE revelaram uma expressiva redução de 46% no risco de progressão radiológica ou morte nos pacientes tratados com a terapia dupla. A eficácia clínica foi confirmada em diversos perfis da doença, alcançando uma redução de risco de 70% nos casos de baixo volume metastático e de 40% naqueles de alto volume. Além disso, a nova abordagem apresentou ganhos substanciais em outros marcadores da jornada do paciente, como o atraso no tempo para a progressão da dor e um maior tempo até a resistência à castração. O grande diferencial está na segurança: a incidência de eventos adversos (como fadiga) foi baixa e muito semelhante ao grupo placebo, atestando o excelente perfil de tolerabilidade da molécula. 

A eficácia da terapia dupla no controle da doença ganha ainda mais peso com os dados do estudo de fase II ARASEC. Esse levantamento comprovou que a darolutamida associada à terapia padrão (ADT) reduziu o risco de morte pela metade (50%) em comparação com o uso isolado apenas da terapia de privação androgênica. Além disso, o risco de a doença avançar ou de o paciente ir a óbito foi 71% menor para quem utilizou a combinação. 

Outro pilar fundamental da terapia validado pela ciência é a preservação da qualidade de vida. O recente estudo clínico comparativo ARACOG demonstrou que os pacientes tratados com a darolutamida mantêm uma melhor função cognitiva em domínios-chave quando comparados aos pacientes submetidos a outras terapias do mercado (como a enzalutamida). Enquanto os homens no tratamento com a darolutamida apresentaram pontuações estáveis ou aumentadas nos testes cognitivos, o grupo da enzalutamida apresentou evidências de declínio. Essa manutenção mental é crucial para garantir que os pacientes possam permanecer independentes, criando memórias e interagindo ativamente com suas famílias no dia a dia. 

Atualmente, o Brasil representa a terceira maior operação global da Bayer. A divisão de oncologia da companhia no país registrou um crescimento de 40% em 2023. A darolutamida vem sendo o grande destaque desse portfólio, consolidando inovações que garantem abordagens cada vez mais personalizadas aos pacientes.

 

Sobre câncer de próstata metastático sensível a hormônio

O câncer de próstata é o segundo câncer mais comum entre homens e a quinta causa mais comum de morte por câncer em homens em todo o mundo.1 Em 2022, o número estimado de homens diagnosticados com câncer de próstata foi de 1,5 milhão, e cerca de 397.000 morreram em decorrência da doença em todo o mundo.1 Prevê-se que os diagnósticos de câncer de próstata aumentem de 1,4 milhão anualmente em 2020 para 2,9 milhões em 2040.2 

No momento do diagnóstico, a maioria dos pacientes possuem o câncer de próstata localizado, o que significa que o câncer está confinado à próstata e pode ser tratado com cirurgia ou radioterapia. CPHSm é um estágio da doença em que o câncer se espalhou para fora da próstata e para outras partes do corpo. Cerca de 10% dos pacientes apresentarão CPHSm ao diagnóstico. Para pacientes com CPHSm, ADT é a base do tratamento, muitas vezes em combinação com docetaxel (quimioterapia) e/ou um inibidor do receptor de andrógeno (ARi). Apesar do tratamento, a maioria dos pacientes com CPHSm acabará por progredir para câncer de próstata resistente à castração (CRPC), uma condição com sobrevivência limitada.

 

Sobre o câncer de próstata na Bayer

A Bayer está empenhada em fornecer ciência para uma vida melhor, através do desenvolvimento de um portfólio de tratamentos inovadores. A empresa tem paixão e determinação para desenvolver novos medicamentos. A Bayer está focada em atender às necessidades únicas dos pacientes com câncer da próstata, fornecendo tratamentos que prolongam as suas vidas ao longo das diferentes fases da doença e permitindo-lhes continuar com as suas atividades diárias, permitindo que os pacientes possam viver vidas mais longas e melhores.

 

Bayer

Referências

  1. Bray F et al. Global Cancer Statistics 2022: GLOBOCAN Estimates of Incidence and Mortality Worldwide for 36 Cancers in 185 Countries. Link Accessed: Agosto de 2024

2.    James ND et al. Lancet 2024; 403: 1683–722. 


Julho Laranja: 6 dicas para proteger a saúde bucal das crianças desde os primeiros anos de vida

Envato
Campanha de conscientização reforça que acompanhamento odontológico na infância é decisivo para prevenir alterações no desenvolvimento da arcada dentária e promover mais qualidade de vida às crianças


Julho é o mês dedicado à conscientização sobre a saúde bucal infantil. A campanha Julho Laranja chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce de alterações no desenvolvimento da arcada dentária, e incentiva pais e responsáveis a incluírem a avaliação odontológica na rotina de cuidados com as crianças. O objetivo é prevenir problemas que, quando identificados nos primeiros anos de vida, podem ser tratados de forma mais simples e confortável, com intervenções menos complexas.

De acordo com o dentista especialista em Ortodontia da ClearCorrect, Dr. Roberto Shimizu, ao contrário do que muitos imaginam, a ortodontia não começa apenas quando os dentes permanentes nascem ou quando surge a necessidade de colocar aparelho, seja o fixo convencional ou o alinhador transparente. A avaliação precoce permite identificar alterações na mordida, no crescimento dos ossos da face, hábitos como chupar o dedo ou usar chupeta por tempo prolongado e dificuldades respiratórias que podem comprometer o desenvolvimento infantil. 

Muitos tratamentos podem ser simplificados quando o acompanhamento é iniciado precocemente. "Quanto mais cedo identificamos alterações no desenvolvimento da criança, maiores são as chances de intervir de forma preventiva, evitando problemas mais complexos na adolescência e na vida adulta", explica o especialista. Em muitos casos, a intervenção precoce também reduz a necessidade de tratamentos mais complexos no futuro, como extrações dentárias e outros procedimentos mais invasivos.

A recomendação é que as crianças passem por avaliações odontológicas regulares e, entre os 6 e 12 anos, realizem acompanhamento ortodôntico anual. Nessa fase, é possível acompanhar o crescimento ósseo e a troca dos dentes de leite pelos permanentes. A campanha Julho Laranja reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce durante esse período do desenvolvimento infantil.

Além da saúde bucal, o diagnóstico precoce também pode contribuir para a qualidade do sono, da mastigação, da fala, da respiração e até da autoestima da criança. Atualmente, a Ortodontia dispõe de diferentes recursos terapêuticos, como os alinhadores transparentes, que podem ser indicados para casos específicos em crianças e adolescentes, sempre mediante avaliação profissional. Por serem removíveis, eles facilitam a higiene bucal, podem proporcionar maior conforto durante o tratamento e permitem que a criança mantenha sua rotina com menos restrições. Além disso, o planejamento digital e o escaneamento intraoral tornam o acompanhamento mais preciso e personalizado.


Seis cuidados para manter o sorriso infantil saudável

Durante o Julho Laranja, algumas orientações simples ganham destaque:

  • Realizar consultas odontológicas periódicas desde o primeiro ano de vida.
  • Observar alterações na mordida, no alinhamento dos dentes e no crescimento da face.
  • Incentivar hábitos adequados de higiene bucal, com escovação supervisionada e uso do fio dental.
  • Evitar hábitos prejudiciais, como chupar o dedo ou usar chupeta.
  • Manter uma alimentação equilibrada, evitando o consumo excessivo de açúcar.
  • Procurar avaliação ortodôntica durante a fase de crescimento, mesmo sem sinais aparentes de problemas.

Para Shimizu, a principal mensagem da campanha é que os cuidados com a saúde bucal devem começar cedo. "O Julho Laranja reforça que a prevenção é o melhor caminho para garantir um desenvolvimento saudável da criança. Um diagnóstico precoce permite intervenções mais simples, contribui para funções importantes, como mastigação, respiração e fala, e pode evitar tratamentos mais complexos no futuro. Cuidar do sorriso desde a infância é investir na saúde e na qualidade de vida ao longo de toda a vida", conclui.


ClearCorrect
www.clearcorrect.com.br


Estudo de vida real aponta que Vacina Arexvy está associada a uma redução de 75,6% no risco de hospitalizações pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em adultos 60

 

  • No Brasil, nos últimos três anos (2023 a 2025), o VSR foi a principal causa de Síndrome
  • Respiratória Aguda Grave (SRAG) no primeiro semestre, cenário se repete em 2026;
  • Neste ano, no mês de junho, o VSR foi responsável por 44% dos casos de infecção respiratórias
    graves, tornando-se a principal causa e superando a influenza no país

 

Novos dados de vida real mostram que a vacina Arexvy, da biofarmacêutica GSK, esteve associada a redução de 75,6% no risco de hospitalização por Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em adultos com 60 anos ou mais, em um acompanhamento máximo de 9,7 meses após a vacinação.1 A análise observou também que, durante hospitalizações relacionadas ao VSR, a vacinação esteve associada a redução em 63,1% no risco de eventos cardiovasculares adversos graves (como infarto e AVC), além de redução de 74,4% e de 61,6% no risco de exacerbações graves de DPOC e asma, respectivamente.2 

Os achados são do estudo de vida real CLEAR-VE RSV, que analisou dados de mais de 2,5 milhões de pessoas nos Estados Unidos, e reforçam o impacto relevante na prevenção de desfechos graves, particularmente em populações de maior risco com 60 anos ou mais.1,2 No Brasil, nos últimos três anos, o VSR foi a principal causa de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no primeiro semestre, correspondendo a 45,5% dos casos em 20253, 43,8% em 20244 e 41,3% dos casos em 2023.5 Neste ano, no mês de junho, o VSR já se tornou a principal causa de infecções respiratórias graves (44%), superando a Influenza em todo o país.6 

O VSR pode agravar quadros de saúde preexistentes, levando a desfechos graves. O vírus pode aumentar em até três vezes o risco de hospitalização por infarto nos primeiros sete dias após infecção7, além de apresentar um risco até 13,4 vezes superior de hospitalização aos portadores de DPOC8. A infecção também pode provocar altas taxas de letalidade em pessoas com doenças crônicas.9 Uma análise de 10 anos (2013-2023) no Brasil, evidenciou que a taxa média de letalidade é de 25,9%.9 Entre os casos de óbito, 71,5% apresentavam pelo menos uma condição crônica, sendo doenças cardiovasculares as mais comuns com 64,2%.9 

“Os dados do estudo de vida real CLEAR-VE RSV reforçam a importância da vacinação como forma de prevenção do idoso contra o VSR, com potencial de contribuir indiretamente para a redução de complicações graves associadas ao vírus, como eventos cardiovasculares e exacerbações de DPOC e asma. Investir na vacinação contra o VSR é investir em longevidade e qualidade de vida, sobretudo em pacientes com doenças crônicas”, comenta José Carlos Zanon (CRM 34084/MG), cardiologista, membro do Departamento de Cardiogeriatria da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). 

Resultados de um segundo estudo de vida real (RESP-DK), conduzido na Dinamarca com mais de 126 mil adultos com DPOC, foram ainda mais contundentes: a vacina demonstrou uma efetividade de 100% na prevenção de hospitalizações relacionadas ao VSR neste grupo.10 

“Embora a pesquisa observacional não possa demonstrar uma associação causal entre a vacinação contra o VSR e a redução dos riscos relacionados ao VSR, essas descobertas se somam a um crescente conjunto de evidências de reduções observadas nos riscos de doenças cardiovasculares e respiratórias subjacentes, reforçando a importância da vacinação na prevenção de hospitalizações e redução de risco de eventos agudos de certas condições crônicas. Estar na vanguarda da geração de pesquisas inovadoras sobre o VSR para melhorar os resultados dos pacientes é motivo de orgulho”, reforça Dra. Lessandra Michelin (CRM 23494-RS), infectologista e líder médica de vacinas da GSK. 

A vacina Arexvy, da GSK, é indicada para pessoas com 18 anos ou mais, para prevenção da doença do trato respiratório inferior (DTRI) causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), dos subtipos VSR-A e VSR-B.11
 

Sobre os estudos

O CLEAR-VE RSV é um estudo de coorte retrospectivo realizado com mais de 2,5 milhões de adultos com 60 anos ou mais nos Estados Unidos. O objetivo principal do estudo foi avaliar a efetividade da vacina na prevenção de hospitalização por VSR. Além disso, o estudo avaliou a efetividade da vacina associada a eventos cardiovasculares e exacerbação grave de DPOC e de asma, relacionada ao VSR. O estudo comparou 520.440 indivíduos vacinados com 2.081.760 não vacinados com a vacina Arexvy, no período de 1 de agosto de 2023 a 31 de maio de 2024, na população americana.1,2

O RESP-DK é um estudo de coorte nacional dinamarquesa de indivíduos ≥60 anos com DPOC (temporada 2024/25), a efetividade estimada da vacina Arexvy contra hospitalização por VSR foi de 100% (IC95% 71,1–100), com nenhuma hospitalização observada entre vacinados no período de seguimento.10
 


GSK
www.gsk.com.br


Referências

  1. Singer D, et al. Adjuvanted RSVPreF3 vaccine effectiveness against RSV-related hospitalization among US adults aged 60 years and older. Abstract presented at Respiratory Syncytial Virus network (ReSVINET) 2026 Congress; 17-20 February, Rome, Italy.
  2. Singer D, et al. Effectiveness of adjuvanted RSVPreF3 vaccine in preventing major adverse cardiovascular events, severe asthma exacerbations, and severe COPD exacerbations among US adults aged 60 years and older. Abstract presented at Respiratory Syncytial Virus network (ReSVINET) 2026 Congress; 17-20 February, Rome, Italy.
  3. FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Resumo do Boletim InfoGripe – Semana Epidemiológica (SE) 26 2025. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2025. Disponível em: <Link>. Acesso em: março/2026.
  4. FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Resumo do Boletim InfoGripe – Semana Epidemiológica (SE) 26 2024. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2024. Disponível em: . Acesso em: março/2026.
  5. FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Resumo do Boletim InfoGripe – Semana Epidemiológica (SE) 26 2023. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2023. Disponível em: . Acesso em: março/2026.
  6. BRASIL. Informe SE 22/2026. Ministério da Saúde, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/covid-19/publicacoes-tecnicas/informes/informe-se-22-de-2026.pdf/view. Acesso em junho de 2026.
  7. KWONG, Jeffrey C. et al. Acute myocardial infarction after laboratory- confirmed. influenza infection. New England Journal of Medicine, v. 378, n. 4, p. 345-353, 2018.
  8. BRANCHE AR, Saiman L, Walsh EE, et al. Incidence of respiratory syncytial virus infection among hospitalized adults, 2017–2020. ClinInfect Dis. 2022;74(6):1004-1011.
  9. VERAS, Bruna Medeiros Gonçalves de; MICHELIN, Lessandra; PINTO, Thatiana; GUZMAN-HOLST, Adriana; PUNGARTNIK, Paula; BERRA, Thaís Zamboni; PIRES-MATHEUS, Gustavo; SILVA, Rosemeri Maurici da. *Respiratory syncytial virus disease burden in older adults with and without comorbidities: a decade of hospitalization data in Brazil (2013–2023). Poster apresentado no 9° ReSVinet Conference 2025 em fevereiro.
  10. Fonseca M, et al. Real-World Evidence of the Adjuvanted-RSVPreF3 Vaccine's Uptake and Effectiveness among Chronic Obstructive Pulmonary Disease Patients in Denmark: A Nationwide Cohort Study. Abstract presented at Respiratory Syncytial Virus network (ReSVINET) 2026 Congress; 17-20 February, Rome, Italy.
  11. Bula Arexvy. Disponível em: https://br.gsk.com/media/12jdjsfx/arexvy.pdf. Acesso em maio de 2026.

Material dirigido ao público em geral. Por favor, consulte o seu médico. 


Chocolate vicia? A genética pode explicar por que algumas pessoas não conseguem resistir ao doce

 

No Dia Mundial do Chocolate, especialista revela como o DNA influencia a preferência pelo alimento, a percepção dos sabores e até a vontade de comer mais açúcar
 

Esconder uma barra de chocolate para não dividir, sentir vontade de comer um doce depois do almoço ou simplesmente não conseguir gostar de chocolate amargo. Se alguma dessas situações parece familiar, saiba que a explicação pode estar além do paladar: ela também pode estar escrita no DNA. 

No Dia Mundial do Chocolate, celebrado em 7 de julho, estudos reforçam que a genética exerce um papel importante na forma como cada pessoa percebe os sabores e desenvolve preferências alimentares. Embora fatores como cultura, memória afetiva e hábitos de vida tenham grande influência, variantes genéticas podem tornar algumas pessoas mais sensíveis ao sabor amargo ou mais propensas a preferir alimentos doces. 

"É comum pensar que gostar de chocolate é apenas uma questão de hábito, mas a ciência mostra que a genética também influencia nossas preferências alimentares. Ela ajuda a explicar por que duas pessoas podem experimentar o mesmo chocolate e ter percepções completamente diferentes sobre o sabor", explica Ricardo Di Lazzaro, médico geneticista, fundador da Genera e consultor em genética da Dasa.
 

Por que algumas pessoas odeiam chocolate amargo? 

Um dos principais responsáveis por essa diferença é o gene TAS2R38, ligado à percepção do sabor amargo. Dependendo das variantes herdadas, algumas pessoas possuem receptores mais sensíveis e percebem com muito mais intensidade o amargor presente no cacau. 

Na prática, isso significa que um chocolate com 70% de cacau pode ser agradável para algumas pessoas, enquanto para outras o sabor se torna intenso e pouco atrativo. O mesmo acontece com alimentos como café sem açúcar, rúcula, brócolis, agrião e cervejas mais amargas. 

"Essa diferença não significa que um grupo tenha um paladar melhor que o outro. Apenas mostra que cada organismo interpreta os sabores de forma diferente", afirma o especialista.
 

Existe um "gene do chocolate"?

A resposta é não. O desejo por chocolate é resultado de uma combinação de fatores biológicos, emocionais e comportamentais. Ainda assim, estudos mostram que diferentes variantes genéticas podem influenciar tanto a percepção dos sabores quanto a preferência por alimentos ricos em açúcar. 

Além disso, o chocolate estimula a liberação de neurotransmissores relacionados à sensação de prazer e recompensa, como a dopamina, o que ajuda a explicar por que muitas pessoas recorrem ao doce em momentos de estresse, ansiedade ou busca por conforto. 

"A genética não determina que alguém será apaixonado por chocolate, mas pode aumentar a predisposição para determinadas preferências alimentares. O comportamento alimentar é multifatorial e envolve também ambiente, educação, rotina e emoções", explica Di Lazzaro.
 

O DNA pode ajudar a personalizar a alimentação 

Os avanços da genômica permitem identificar características relacionadas ao metabolismo e às preferências alimentares por meio de testes genéticos realizados a partir da saliva. Entre as informações avaliadas estão predisposições ligadas à percepção do sabor amargo, preferência por doces e resposta do organismo a diferentes nutrientes. 

Segundo o especialista, conhecer essas características pode contribuir para estratégias nutricionais mais individualizadas e sustentáveis. 

"Quando entendemos melhor como nosso organismo funciona, conseguimos fazer escolhas mais conscientes. A genética não substitui uma alimentação equilibrada, mas oferece informações que ajudam a construir hábitos mais compatíveis com cada pessoa", conclui.


HPV também é assunto de homem: mais de 80% dos casos de câncer de orofaringe previstos para 2026 ocorrerão em homens

 Estimativas do Inca reforçam o impacto da doença na população masculina; infectologista alerta para a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e da vacinação

 

Quando o assunto é HPV, muitas pessoas ainda associam o vírus apenas ao câncer do colo do útero. No entanto, a infecção também representa um risco importante para a saúde masculina, isso porque, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar 4.850 novos casos de câncer de orofaringe em 2026, sendo 3.910 entre homens e 940 entre mulheres. Em outras palavras, mais de 80% dos diagnósticos previstos da doença ocorrerão na população masculina.1

Embora o tabagismo e o consumo excessivo de álcool continuem sendo os principais fatores de risco para os cânceres de cabeça e pescoço, o HPV é reconhecido como um importante fator associado ao câncer de orofaringe. A infecção, que muitas vezes não provoca sintomas, pode permanecer no organismo durante anos antes do surgimento de lesões. 

Nos homens, o HPV também está associado ao surgimento de verrugas anogenitais, lesões que acometem o pênis e o ânus e diferentes tipos de câncer, entre eles o de orofaringe. Ao contrário do que acontece com as mulheres, que contam com o exame preventivo para o rastreamento do câncer do colo do útero, não existe um teste equivalente para identificar precocemente lesões relacionadas com o vírus na população masculina. Como consequência, muitos casos acabam sendo descobertos apenas quando surgem sintomas persistentes. 

“O HPV é extremamente comum e pode afetar pessoas sexualmente ativas ao longo da vida. Na maioria dos casos, o organismo elimina a infecção espontaneamente, mas quando ela persiste, pode favorecer o desenvolvimento de alguns tipos de câncer muitos anos depois do contato inicial com o vírus”, explica o dr. Alberto Chebabo, infectologista dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, no Rio de Janeiro. 

Ainda segundo o especialista, entre os sinais que merecem atenção estão dor de garganta persistente, dificuldade para engolir, rouquidão prolongada, feridas na boca que não cicatrizam e aumento de gânglios no pescoço. Quando esses sintomas persistem por mais de duas semanas, é importante procurar avaliação médica para investigação da causa.
 

Vacinação é a principal forma de prevenção 

A vacinação continua sendo a principal estratégia para prevenir a infecção pelos tipos de HPV mais frequentemente associados ao desenvolvimento de câncer. Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina é oferecida gratuitamente para meninas e meninos de 9 a 14 anos e para grupos especiais definidos pelo Ministério da Saúde, como pessoas que vivem com o HIV, transplantados, pacientes oncológicos e usuários de profilaxia pré-exposição (PrEP), na faixa etária prevista pelo programa. Na rede privada, a imunização também está disponível para adolescentes e adultos, conforme avaliação médica. 

“Ainda existe a falsa percepção de que a vacina contra o HPV protege apenas as mulheres. Na verdade, ela também reduz o risco de doenças relacionadas com o vírus nos homens e contribui para diminuir sua circulação na população. Quanto maior a cobertura vacinal, maior o potencial de prevenção de diferentes tipos de câncer associados ao HPV”, destaca Chebabo.
 



Referência:

1INCA: Estimativa 2026

 

Protocolo da FIFA que ajudou a prevenir mortes súbitas completa 20 anos e reforça importância dos exames cardíacos

Criada para identificar doenças cardíacas silenciosas em atletas, avaliação adotada pela FIFA há duas décadas reforça a necessidade da prevenção cardiovascular também entre não atletas 


Há 20 anos, a FIFA implementava uma medida que mudaria a forma como a saúde cardiovascular dos atletas é acompanhada no futebol profissional. Durante a Copa do Mundo de 2006, realizada na Alemanha, a entidade passou a adotar uma avaliação médica padronizada voltada à identificação de doenças cardíacas capazes de provocar morte súbita durante a prática esportiva. 

O protocolo, que posteriormente se tornou obrigatório em todas as competições organizadas pela entidade, ajudou a ampliar o conhecimento sobre condições cardiovasculares silenciosas e fortaleceu as estratégias de prevenção dentro do esporte de alto rendimento. Duas décadas depois, especialistas destacam que os aprendizados obtidos com essas avaliações vão muito além dos gramados e trazem importantes lições para toda a população. 

Para a cardiologista Fernanda Douradinho, o fato de atletas de elite serem submetidos regularmente a exames cardíacos mostra que a boa forma física, por si só, não é garantia de ausência de doenças cardiovasculares. 

“A boa condição física reduz diversos fatores de risco cardiovasculares, mas não elimina a possibilidade de doenças cardíacas, especialmente aquelas de origem genética ou estrutural. Existem condições que podem permanecer assintomáticas por muitos anos e só serem identificadas por meio de exames específicos”, explica. 

Segundo a especialista, justamente por isso o acompanhamento médico periódico faz parte da rotina dos atletas, mesmo daqueles que apresentam excelente desempenho físico e não possuem sintomas aparentes. 

“A prática esportiva de alta intensidade pode inclusive funcionar como um teste de estresse para o coração, tornando fundamental o acompanhamento cardiológico adequado”, afirma. 

Entre as doenças que podem passar despercebidas por anos estão a cardiomiopatia hipertrófica, algumas arritmias hereditárias, alterações congênitas do coração, doenças das válvulas cardíacas e até quadros iniciais de hipertensão arterial. Em muitos casos, essas condições são descobertas apenas durante exames preventivos, antes que provoquem manifestações clínicas. 

Fernanda destaca que esse cenário não se restringe aos atletas profissionais. Muitas pessoas procuram atendimento cardiológico apenas quando surgem sintomas, o que pode atrasar diagnósticos importantes. 

“A prevenção é uma das ferramentas mais eficazes da cardiologia moderna. Muitas doenças cardiovasculares se desenvolvem de forma silenciosa e, quando os sintomas aparecem, podem já estar em estágios mais avançados. O acompanhamento periódico permite identificar fatores de risco como hipertensão, colesterol elevado, diabetes e alterações cardíacas precoces, possibilitando intervenções antes que ocorram eventos graves como infarto, insuficiência cardíaca ou AVC”, ressalta. 

Além da realização de exames, a médica acredita que alguns hábitos adotados pelos atletas podem servir de exemplo para a população em geral. Entre eles estão a prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, controle do peso corporal, sono de qualidade, hidratação adequada e acompanhamento médico periódico. 

“Outro ponto importante é não negligenciar os exames preventivos. Assim como os atletas realizam avaliações frequentes para monitorar sua saúde cardiovascular, a população também deve entender que prevenção é um investimento em qualidade de vida e longevidade”, destaca. 

Ao completar duas décadas, o protocolo criado pela FIFA continua sendo um símbolo da importância do diagnóstico precoce e do monitoramento da saúde cardiovascular. Para Fernanda Douradinho, a principal mensagem deixada por essa experiência é que o cuidado com o coração deve fazer parte da rotina de todos, independentemente da idade ou do condicionamento físico. 

“Se até atletas de alto rendimento, que representam o máximo da capacidade física humana, precisam de acompanhamento cardiológico regular, isso mostra que ninguém está completamente livre de doenças cardiovasculares. Cuidar do coração não deve começar apenas quando surgem sintomas, mas sim fazer parte da rotina de saúde de todas as pessoas”, conclui.

 

Fernanda Douradinho da Rocha Silva - médica cardiologista, formada em 2007 pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos (Centro Universitário Lusíadas). Realizou residência em Clínica Médica (2008–2010) e Cardiologia (2010–2012) no Hospital Ana Costa, em Santos.Possui título de especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia desde 2013. Atualmente, atua como médica diarista nas Unidades de Terapia Intensiva de Cardiologia do Hospital Guilherme Álvaro, e também coordenadora da UTI cardiológica do Hospital Guilherme Álvaro, professora da disciplina de Urgência e Emergência da Faculdade de Medicina da UNAERP e mantém seu consultório de cardiologia na Av. Ana Costa, em Santos.


Nem toda dor abdominal em criança é emergência, mas alguns sinais não podem esperar, alerta cirurgião pediátrico

 

Dor abdominal é uma das queixas mais comuns na infância e, ao mesmo tempo, uma das que mais gera ansiedade nos pais. Nem sempre, porém, o sintoma indica uma condição grave ou necessidade imediata de cirurgia.

Segundo o cirurgião pediátrico Dr. Elber Nordi, a maioria dos casos está relacionada a situações benignas, como viroses, constipação intestinal ou alterações alimentares.

“Na prática, grande parte das dores abdominais em crianças melhora espontaneamente ou com medidas simples. O desafio é identificar quando o quadro foge do padrão e exige avaliação urgente”, explica o médico.

Entre os sinais que merecem atenção estão dor localizada e progressiva, especialmente no lado inferior direito do abdômen, febre persistente, vômitos repetidos, recusa alimentar importante e piora do estado geral da criança. Esses sintomas podem estar associados a condições como apendicite, que exige diagnóstico e tratamento rápidos.

“Um erro comum é observar por tempo demais em casa, acreditando que é apenas uma ‘virose’. Em alguns casos, essa espera pode atrasar o diagnóstico e aumentar o risco de complicações”, alerta o especialista.

Estudos mostram que a apendicite aguda é a causa mais comum de cirurgia abdominal de urgência em crianças e adolescentes, sendo mais comum entre 10 e 19 anos, mas podendo ocorrer em idades menores.

Outro ponto destacado pelo médico é a dificuldade de comunicação dos sintomas pelas crianças menores, o que pode tornar o diagnóstico ainda mais desafiador. “Quanto menor a criança, mais difícil é interpretar a dor. Por isso, o comportamento geral, como irritabilidade, prostração e recusa alimentar, também deve ser observado”, afirma.

O cirurgião reforça que a avaliação médica é fundamental para diferenciar quadros simples de situações que exigem intervenção rápida. “Nem toda dor abdominal é grave, mas toda dor persistente ou fora do padrão habitual deve ser avaliada. O olhar especializado faz toda a diferença”, conclui Nordi. 



Dr. Elber Nordi - cirurgião pediátrico. Médico formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, com residência em Cirurgia Geral e Cirurgia Pediátrica pela mesma instituição.
@cirurgiainfantil


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