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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Nem todo cansaço é estresse: sinais comuns podem esconder doença grave

Fadiga persistente, tontura e dificuldade de concentração podem indicar doenças hematológicas que exigem diagnóstico precoce

 

Entre jornadas de trabalho cada vez mais intensas, excesso de compromissos e noites mal dormidas, sintomas como fadiga persistente, tontura e dificuldade de concentração passaram a ser vistos como consequências naturais da vida moderna.

 

O problema é que nem sempre o cansaço é apenas reflexo da rotina. Segundo Roberto Luiz Silva, médico hematologista e responsável técnico pelo Departamento de Transplante de Medula Óssea do IBCC Oncologia, esses sinais podem ser as primeiras manifestações de doenças hematológicas importantes, como a leucemia, que muitas vezes acabam sendo negligenciadas pelos pacientes.

 

"Estamos vivendo um momento em que as pessoas normalizaram o esgotamento físico e mental. Isso faz com que sintomas que merecem investigação médica sejam frequentemente ignorados. Quando o cansaço se torna persistente ou vem acompanhado de outros sinais, como manchas roxas no corpo, infecções frequentes, sangramentos ou perda de peso sem explicação, é fundamental procurar avaliação médica", alerta o hematologista.

Além da banalização dos sintomas, o especialista observa que muitos pacientes demoram a procurar ajuda médica por acreditarem que o cansaço é apenas consequência da rotina intensa.

 

"Com frequência recebemos pessoas que passaram semanas ou até meses convivendo com fadiga, falta de disposição e outros sintomas sem investigar a causa. Muitas só procuram atendimento quando os sinais começam a interferir no trabalho, nos estudos ou nas atividades do dia a dia", afirma.


 

Atenção aos sintomas 

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), a leucemia ocupa a 13ª posição entre os tipos de câncer mais incidentes no Brasil. Para o triênio 2026-2028, são estimados 12.220 novos casos da doença por ano, sendo 6.540 em homens e 5.680 em mulheres.

 

Casos como o de Rodrigo Cristiano Machado, de 53 anos, ajudam a ilustrar como os sintomas da leucemia podem ser confundidos com problemas aparentemente comuns do dia a dia. Em 2012, ele recebeu o diagnóstico da doença após perceber um cansaço incomum durante atividades simples, como subir escadas.

 

“Dois meses antes de ser diagnosticado eu havia corrido uma meia maratona e, de repente, eu não conseguia nem mais subir um lance de escada que já sentia esse cansaço extremo e palpitações do coração”, conta.

 

A mudança repentina chamou sua atenção, mas, inicialmente, os sintomas foram associados a outras condições de saúde. “Eu comecei a sentir essa fadiga excessiva, que não combinava comigo e com o meu estilo de vida. Foi então que procurei uma médica generalista, que me pediu novos exames de sangue, mas chegou a um ponto que ela me indicou para um médico hematologista”, relembra.

 

Somente após exames laboratoriais complementares e avaliação especializada foi possível confirmar o diagnóstico de leucemia e iniciar o tratamento.


 

Sinais que merecem atenção 

Entre os sintomas que podem indicar alterações importantes no sangue estão: 

• Fadiga intensa e persistente

• Palidez

• Tontura

• Falta de ar

• Sangramentos frequentes

• Manchas roxas sem explicação

• Febre recorrente

• Perda de peso involuntária

• Infecções frequentes 

“Essa sintomatologia já nos chama atenção para a possibilidade de anemia ou leucemia, e muitos casos são identificados a partir de exames simples, como o hemograma. Alterações nos glóbulos vermelhos, brancos e nas plaquetas podem ser os primeiros sinais de alerta para uma investigação mais aprofundada”, explica o especialista.


 

Anemia ou leucemia? 

Embora possam apresentar sintomas semelhantes, anemia e leucemia são doenças diferentes.

 

A anemia ocorre quando há redução da hemoglobina ou dos glóbulos vermelhos, comprometendo o transporte de oxigênio para os tecidos. Já a leucemia é um câncer que afeta a produção das células sanguíneas na medula óssea.

 

"Na leucemia, além do cansaço, é comum observar infecções recorrentes, febre persistente, sangramentos espontâneos, aparecimento de manchas roxas pelo corpo e perda de peso sem explicação. Já na anemia, os sintomas costumam estar mais relacionados à redução da oxigenação dos tecidos, como fadiga, tontura e falta de ar aos esforços."

 

Em muitos casos, contudo, os sintomas iniciais podem ser parecidos, dificultando diferenciar anemia e leucemia apenas pelos sintomas.


 

Como é feito o diagnóstico 

Segundo o médico, exames de sangue simples, como o hemograma, costumam ser o primeiro passo para identificar alterações que indiquem a necessidade de avaliação mais aprofundada.

 

"Quando há suspeita de doença hematológica podemos recorrer a exames complementares capazes de analisar a medula óssea e as características das células sanguíneas, permitindo diferenciar condições benignas de doenças mais complexas, como as leucemias", esclarece o hematologista Roberto Luiz Silva.

 

No IBCC Oncologia também são realizados exames moleculares capazes de identificar mutações genéticas e alterações cromossômicas relacionadas à doença. "Essas análises são fundamentais para confirmar o diagnóstico, definir o prognóstico e acompanhar a resposta ao tratamento com mais precisão", afirma.


 

Nem toda leucemia evolui da mesma forma 

Existem diferentes tipos de leucemia, que variam de acordo com as células afetadas e a velocidade de progressão da doença. Algumas formas evoluem rapidamente e exigem tratamento imediato, enquanto outras podem permanecer controladas por longos períodos com acompanhamento especializado.

"As formas agudas costumam demandar intervenção rápida devido à velocidade de evolução. Já as formas crônicas podem apresentar progressão gradual e, em determinados casos, serem acompanhadas por muitos anos com boa qualidade de vida", explica o especialista.

 

A trajetória de Rodrigo exemplifica essa realidade. Diagnosticado em 2012, ele realizou um transplante de medula óssea em 2013 e manteve acompanhamento contínuo ao longo dos anos. Após duas recaídas e derivações da doença, em 2016 e 2025, foi submetido a um segundo transplante, em novembro do ano passado, para tratar o sarcoma mieloide.

 

Mais de uma década após o diagnóstico, Rodrigo leva uma rotina muito diferente daquela vivida durante o tratamento. Referência no esporte para transplantados, conquistou sete títulos mundiais nos World Transplant Games e coleciona dezenas de medalhas em competições nacionais e internacionais de natação. Sua trajetória mostra que, com diagnóstico adequado, tratamento especializado e acompanhamento contínuo, é possível não apenas vencer a doença, mas também recuperar qualidade de vida e alcançar conquistas que antes pareciam impossíveis.


 

Quem tem mais risco? 

O risco de desenvolver leucemia aumenta com a idade, embora alguns tipos sejam mais frequentes em crianças.

 

Entre os fatores associados à doença estão tabagismo, exposição a determinadas substâncias químicas, síndromes genéticas e histórico familiar, dependendo do tipo de leucemia.


 

Avanços que mudaram o tratamento 

O tratamento da anemia depende da causa identificada. Já na leucemia, a estratégia terapêutica varia conforme o tipo da doença e as características do paciente, podendo incluir quimioterapia, terapias-alvo, imunoterapia e transplante de medula óssea.

 

"A hematologia evoluiu muito nos últimos anos. Hoje contamos com tratamentos cada vez mais personalizados, capazes de aumentar significativamente as chances de controle da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes", afirma o hematologista.

 

O transplante de medula óssea continua sendo uma ferramenta fundamental para alguns pacientes. Quando bem indicado, pode representar uma chance real de cura.



É possível prevenir? 

Nem todos os casos podem ser prevenidos. No caso da anemia, alimentação equilibrada, acompanhamento médico regular e investigação de sangramentos persistentes ajudam a reduzir riscos. 

Já para a leucemia, ainda não existem medidas capazes de evitar completamente o surgimento da doença. Por isso, o diagnóstico precoce continua sendo um dos principais aliados para aumentar as chances de sucesso terapêutico. 


"Muitas pessoas procuram atendimento apenas quando os sintomas já estão interferindo significativamente na rotina. Quanto mais cedo identificamos uma alteração hematológica, maiores são as possibilidades de tratamento e melhores tendem a ser os resultados", conclui o hematologista do IBCC Oncologia.

Rodrigo Cristiano Machado ao lado do sobrinho durante
segundo transplante de medula óssea, no IBCC Oncologia


Antes do primeiro diagnóstico, Rodrigo sentiu muito cansaço e segue em acompanhamento no hospital IBCC Oncologia


Friagem e clima seco do inverno exigem cuidados com a saúde vocal

 

A chegada do inverno exige um cuidado maior com a saúde vocal, já que as mudanças bruscas de temperatura e a baixa umidade do ar aumentam os casos de resfriados, alergias e irritações nas vias respiratórias, fatores que podem afetar o funcionamento das pregas vocais, de acordo com a fonoaudióloga Renata Guedes (CRFa 2-14640), conselheira do CREFONO2 - Conselho Regional de Fonoaudiologia 2ª Região. 

"Isso ocorre porque as pregas vocais dependem de um controle adequado para funcionarem corretamente. Quando o ar está seco, todo o trato respiratório perde hidratação. Isso aumenta o esforço para falar, favorecendo sintomas como pigarro, desconforto na garganta, fadiga vocal e alterações na qualidade da voz", explica a especialista. No entanto, ela conta que é possível evitá-los ou amenizá-los, se algumas medidas simples forem tomadas no dia a dia.

A primeira recomendação é manter uma boa hidratação. "Beber água durante o dia todo ajuda a manter as pregas vocais hidratadas, principalmente em ambientes com baixa umidade", afirma Renata Guedes. Ainda que a quantidade recomendável por pessoa possa variar de acordo com fatores como peso, faixa etária e condições físicas, estima-se que o consumo diário necessário de água seja entre dois e três litros.

Outra dica da fonoaudióloga conselheira do CREFONO2 é realizar a lavagem nasal com soro fisiológico, cerca de três vezes ao dia. Ela promove a hidratação de todo o trato nasal, fluidifica as secreções, protege as vias respiratórias e mantém o trato vocal mais livre das secreções e do famoso “pigarro”.

A lavagem nasal pode ser realizada em crianças, adultos e idosos, sendo especialmente importante para os profissionais que dependem da voz. “Além de proporcionar uma boa respiração nasal, também influencia na qualidade vocal, oferecendo mais conforto ao falar e cantar.” 

Por fim, Renata Guedes recomenda uso de máscara para proteger o nariz e a garganta do ar frio, como também reduzir o consumo de bebidas muito quentes ou muito geladas "E, se estiver com sintomas de gripe, rouquidão há mais de 15 dias, pigarro constantes, agende uma consulta com especialista (fonoaudiólogo e/ou médico otorrinolaringologista) para obter o tratamento mais adequado", conclui a fonoaudióloga.


Como lidar com o impacto emocional nas crianças e adolescentes durante os jogos da copa do mundo

 Especialista aponta que o futebol é uma oportunidade para os pais ensinarem resiliência, respeito e celebração em cada resultado

 

A Copa do Mundo é um dos eventos mais aguardados pelos brasileiros e mobiliza famílias inteiras em torno de uma paixão nacional. Entre a expectativa pelos jogos, a troca de figurinhas e os encontros para acompanhar as partidas com familiares ou entre amigos, as crianças e adolescentes vivenciam esse período de maneira intensa, criando vínculos afetivos com a seleção brasileira, além de ter a oportunidade de ver seus ídolos, nacionais e internacionais em campo, criando quase uma“proximidade” com seus jogadores favoritos além de sentir uma sensação de união que envolve o torneio. Mas, nem tudo é tão mágico assim, quando o resultado esperado não acontece, a decepção também pode ser sentida de forma profunda pelos mais jovens, principalmente pelas crianças. 

Durante as competições esportivas, crianças e adolescentes tendem a desenvolver uma forte identificação com os atletas e com a torcida e, por esse motivo, uma derrota da Seleção pode ser interpretada emocionalmente como uma perda pessoal. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe) revelam que 30% dos adolescentes brasileiros relatam sentir-se tristes frequentemente, enquanto 42% apresentam irritabilidade constante. Em competições esportivas, derrotas podem funcionar como gatilhos para intensificar esses sentimentos. Entre adultos, a pressão também é significativa: estudos da Unicamp mostram que 3 em cada 10 atletas de alto rendimento apresentam sintomas de depressão, evidenciando que a frustração esportiva impacta todas as idades. 

“Quando algo não sai como a gente espera, pode aparecer  tristeza, irritabilidade ou até raiva e nas crianças e adolescentes, esses sentimentos são vividos de forma ainda mais intensa”, explica a coordenadora do Departamento de Psicologia do Sabará Hospital Infantil, Cristina Borsari. 

De acordo com a psicóloga, a atuação dos pais e responsáveis torna-se fundamental nessa situação. Ou seja, minimizar as emoções ou reagir de forma exagerada diante da derrota pode trazer maiores  consequências negativas. “Os pais devem acolher os sentimentos, validar, legitimar a tristeza e demonstrar empatia são atitudes que contribuem para o desenvolvimento da inteligência emocional. Reconhecer a frustração com frases simples, como ‘eu entendo que você está triste e os motivos para isso’, ajuda a criança a compreender que emoções difíceis fazem parte da vida e podem ser enfrentadas de forma saudável”, afirma Cristina. 

Não há um tempo exato para que a criança supere uma frustração. Em geral, tristeza passageira ou irritabilidade temporária são esperadas. Mas, algumas vezes, o resultado esportivo é apenas o gatilho para sentimentos mais profundos que ainda não foram elaborados. Os pais devem estar atentos quando o sofrimento se torna frequente e traz mudanças significativas no comportamento, como alterações no sono, na alimentação, isolamento ou crises frequentes de choro. Nesses casos, buscar apoio psicológico pode ser essencial para compreender o que a derrota mobilizou emocionalmente. 

Nesses momentos, o caminho mais indicado é oferecer alternativas de lazer, promover momentos de convivência e estimular outras atividades prazerosas, promovendo a sensação de prazer e felicidade entre os pequenos. “Uma derrota da seleção pode ser passageira no placar, mas para milhares de crianças e adolescentes brasileiros ela representa um desafio emocional real. Por isso o cenário ideal é sempre do acolhimento da família, que desempenha um papel essencial para transformar a experiência esportiva em uma oportunidade de aprendizado, fortalecimento emocional e construção de resiliência”, finaliza a especialista.

 

JULHO AMARELO

 Hepatites B e C: o que a mulher precisa saber sobre os riscos à saúde reprodutiva e sistêmica


No mês dedicado à conscientização sobre as hepatites virais, ginecologista alerta para impactos ainda pouco discutidos dessas infecções sobre a fertilidade, a gravidez e a saúde íntima feminina

 

Julho é o mês dedicado à conscientização, prevenção, diagnóstico e tratamento das hepatites virais no Brasil. Entre os vários tipos, as hepatites B e C são as que mais preocupam do ponto de vista da saúde pública e também as que mais impactam, de forma específica e muitas vezes silenciosa, a saúde da mulher. 

Transmitidas por fluidos corporais, essas infecções afetam diretamente a saúde reprodutiva e sistêmica feminina, com consequências que vão da fertilidade à gravidez, passando pela saúde hormonal e pelo planejamento familiar. 

O alerta é do Dr. Alexandre Rossi, ginecologista responsável pelo Ambulatório de Ginecologia Geral do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, em São Paulo, que chama atenção para uma lacuna ainda comum: a discussão sobre hepatites raramente chega à consulta ginecológica. 

"A hepatite B e a hepatite C são infecções que muitas mulheres sequer sabem que têm. Elas evoluem silenciosamente por anos, enquanto fazem dano ao fígado e ao organismo como um todo. Quando chegam à consulta ginecológica, seja para planejar uma gravidez, escolher um método contraceptivo ou tratar uma queixa hormonal, esse histórico precisa ser conhecido. O ginecologista tem papel fundamental nessa triagem”, explica o especialista.

 

O cenário no Brasil: um problema maior do que parece 

O Brasil distribui, anualmente, cerca de 14 milhões de testes rápidos para triagem de hepatite C e 10 milhões para a hepatite B pelo Ministério da Saúde, números que revelam a dimensão do desafio. A boa notícia é que houve avanços significativos na mortalidade: entre 2014 e 2024, a taxa de mortalidade pela hepatite B caiu 50% e pela hepatite C, 60%, segundo dados da OMS. A taxa de detecção da hepatite B no país também caiu, de 8,3 para 5,3 casos por 100 mil habitantes no mesmo período. 

Mesmo assim, a OMS estabeleceu como meta global a redução de 90% na incidência de hepatites B e C e de 65% na mortalidade até 2030. O progresso ainda é lento e desigual. No Brasil, o diagnóstico tardio segue sendo um dos maiores obstáculos: a maioria das pessoas infectadas não sabe que carrega o vírus.

 

Hepatite B: transmissão sexual, risco gestacional e vacina que salva

A hepatite B é transmitida por contato com sangue, relações sexuais desprotegidas e, de forma especialmente relevante para a saúde da mulher, por transmissão vertical, ou seja, da mãe para o filho durante a gravidez, o parto ou a amamentação. Esse último dado é particularmente importante: o Brasil tem sido reconhecido internacionalmente por seus avanços na eliminação da transmissão vertical da hepatite B, mas o risco persiste onde a vacinação e o pré-natal não chegam adequadamente. 

Conforme orienta o Dr. Alexandre, gestantes que não conseguem comprovar imunização prévia devem ser vacinadas. A vacina contra hepatite B é gratuita no SUS, segura na gravidez e integra o calendário nacional de vacinação desde o nascimento. Em mulheres infectadas, o acompanhamento é essencial para reduzir o risco de transmissão ao recém-nascido. 

"Toda mulher em idade reprodutiva deveria saber o seu status vacinal para hepatite B. É uma informação que pedimos na consulta ginecológica de rotina e que faz diferença real no planejamento familiar e na segurança de uma futura gravidez”.

 

Hepatite C: sem vacina, mas com cura 

Ao contrário da hepatite B, a hepatite C ainda não tem vacina disponível. Sua principal via de transmissão é o contato com sangue contaminado, mas a transmissão sexual também é possível, especialmente em relações com microlesões. A boa notícia é que, hoje, a hepatite C tem cura: os antivirais de ação direta (AADs) alcançam taxas de cura superiores a 95% em poucas semanas de tratamento e estão disponíveis gratuitamente pelo SUS. 

O que ainda é pouco discutido é o impacto da hepatite C crônica sobre a saúde sistêmica da mulher. A infecção prolongada pelo vírus pode comprometer a função hepática, que é responsável pelo metabolismo dos hormônios sexuais. Alterações no ciclo menstrual, disfunções hepáticas que dificultam o uso de certos métodos contraceptivos hormonais e maior vulnerabilidade a complicações na gravidez são consequências que merecem atenção especializada. 

"A mulher com hepatite C crônica pode ter dificuldades que vão muito além do fígado. A saúde hepática também pode interferir no metabolismo. Por isso, quando uma paciente chega com queixas menstruais ou dificuldade para engravidar, é fundamental investigar o histórico completo, incluindo infecções que ela pode nem saber que tem”.

 

Triagem, orientação e encaminhamento 

O Dr. Alexandre defende que a consulta ginecológica seja um ponto de triagem ativo para as hepatites B e C, especialmente em mulheres em idade reprodutiva, que planejam gravidez ou que apresentam fatores de risco. 

Segundo as diretrizes do Ministério da Saúde, os exames para hepatite B e C integram o painel de solicitações do pré-natal de risco, junto com sífilis e HIV. Mas o ginecologista pode e deve ampliar essa triagem para além da gravidez, especialmente em pacientes com histórico de relações desprotegidas, procedimentos invasivos ou uso de medicamentos hepáticamente metabolizados. 

"Julho Amarelo é uma oportunidade de falar sobre algo que ainda não chegou à consciência da maioria das mulheres: as hepatites B e C afetam diretamente a saúde reprodutiva. Prevenir, testar e tratar fazem parte do cuidado ginecológico integral."


Muito além do placar: grandes eventos esportivos impactam o cérebro dos torcedores, indica neurologista do Hospital Moinhos de Vento

 

Evidências científicas apontam que a paixão pelo futebol ativa o sistema de recompensa cerebral, gera memórias e pode ser usada como ferramenta clínica no diagnóstico de demências como o Alzheimer 

 

Quando acontecem competições de grande magnitude, como a Copa do Mundo, o impacto no cérebro dos torcedores vai muito além do entretenimento passageiro ou da simples recordação de resultados. De acordo com o Dr. Wyllians Borelli, neurologista e pesquisador do Hospital Moinhos de Vento, eventos esportivos globais atuam como poderosos catalisadores neurocognitivos. O futebol ativa vias emocionais, de recompensa e de identidade social que beneficiam desde a formação de memórias permanentes até o apoio no tratamento de pacientes com quadros neurodegenerativos, como a doença de Alzheimer. 

Com base em evidências recentes de neuroimagem e psicologia cognitiva, a literatura científica demonstra que a alta intensidade emocional e o senso de antecipação gerados por grandes jogos ativam a amígdala cerebral, que, por sua vez, modula o hipocampo, a área da memória. “O cérebro do torcedor trabalha de forma fascinante durante um grande evento esportivo. Quando ficamos ansiosos por um jogo importante e vivenciamos um desfecho positivo, há uma intensa liberação de dopamina e uma forte ativação do hipocampo, o centro de processamento de informações do cérebro. Esse processo cria memórias associadas a emoções – recordações tão vívidas que, décadas depois, ainda sabemos exatamente o contexto, os cheiros e as companhias ao nosso redor durante um gol decisivo ou uma vitória importante para o nosso time", explica o Dr. Borelli. 

Além disso, o cérebro de um torcedor não é um processador passivo. Estímulos visuais de vitórias e gols ativam intensamente o giro do cíngulo (parte do cérebro responsável pela regulação emocional e o processamento cognitivo) e a área tegmental ventral, relacionada ao circuito de recompensa, prazer e motivação. No fim, o processo de torcer acaba sendo benéfico para os circuitos cerebrais. Curiosamente, para preservar a identidade emocional e o bem-estar da pessoa, o cérebro também tende a suprimir conteúdos negativos dessas lembranças ao longo do tempo. 

Do ponto de vista social e preventivo, o engajamento em eventos como a Copa do Mundo também contribuem para a nossa reserva cognitiva – a “poupança cerebral”. O debate constante sobre táticas, escalações e o histórico das seleções, aliado ao pertencimento a uma comunidade, consolida as memórias individuais. O envolvimento intelectual e as interações sociais geradas por esse fenômeno são pilares comprovados cientificamente na construção da reserva cognitiva ao longo da vida. Graças à reserva cognitiva, temos mais recursos neurais e neuroproteção, ajudando a proteger o cérebro contra o declínio natural da idade. 

Contudo, um dos desdobramentos mais fascinantes dessa paixão mundial encontra-se na prática clínica. “Como o interesse pelo futebol geralmente se consolida na juventude, essas memórias tornam-se profundamente enraizadas e resistentes à degradação observada em casos de demência. A utilização de vídeos ou áudios de partidas históricas atua como uma chave na Terapia de Reminiscência, reativando redes neurais adormecidas em pacientes com Alzheimer. O resultado é a melhora momentânea da fluência verbal e uma redução da apatia e do isolamento social”, aponta o pesquisador.

  


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Referências

1 - BOTZUNG, A. et al. Component neural systems for the creation of emotional memories during free viewing of a complex, real-world event. Frontiers in Human Neuroscience, 2010.

2 - CAYOLLA, R. et al. The neural bases of sport fan reactions to teams: Evidence from a neuroimaging study. Journal of Consumer Behaviour, 2024.

3 - MERCK, C. et al. Remembering the big game: social identity and memory for media events. Memory, v. 28, n. 6, p. 795-814, 2020.

4 - RIBEIRO, A. et al. Memory footprint: Predictors of flashbulb and event memories of the 2016 Euro Cup final. Frontiers in Psychology, v. 14, 2023.

5 - WOODS, B. et al. Reminiscence therapy for dementia. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2005 (e atualizações posteriores).

6 - BRASIL. Ministério da Saúde. Doença de Alzheimer. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024. Disponível em:Link. Acesso em: 26 jun. 2026.

 

Catarata, glaucoma e degeneração macular estão entre as condições mais comuns em idosos; especialista reforça importância do diagnóstico precoce

 

SNo Brasil, mais de 285 milhões de pessoas no mundo têm algum grau de deficiência visual, segundo a OMS; especialistas alertam que catarata, glaucoma e DMRI estão entre as principais causas de perda de visão em idosos e podem evoluir de forma silenciosa

No dia 10 de julho é celebrado o Dia da Saúde Ocular, uma data que reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acompanhamento regular da visão em todas as fases da vida, especialmente na terceira idade, quando o risco de doenças oculares aumenta significativamente.

Com o envelhecimento, alterações naturais do organismo podem impactar a saúde dos olhos, mas algumas condições exigem atenção redobrada por poderem evoluir de forma silenciosa e comprometer a visão de maneira irreversível se não tratadas a tempo.

Entre as principais doenças que afetam idosos estão a Catarata, o Glaucoma e a Degeneração macular relacionada à idade, todas capazes de comprometer significativamente a qualidade de vida quando não identificadas precocemente.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 285 milhões de pessoas no mundo vivem com algum grau de deficiência visual, sendo que entre 60% e 80% dos casos poderiam ser evitados ou tratados com diagnóstico e acompanhamento adequados.

No Brasil e em outros países, estudos apontam que essas três condições estão entre as principais causas de baixa visão e cegueira em idosos, com destaque para a Catarata como uma das doenças mais prevalentes e reversíveis quando tratada no momento adequado.

Segundo o geriatra Bruno Vial, da Said Rio, empresa referência em cuidados domiciliares, muitos desses problemas evoluem de forma gradual e podem ser confundidos com o envelhecimento natural da visão, o que reforça a importância da observação atenta de sinais iniciais.

“Dificuldade para enxergar de perto ou de longe, visão embaçada, sensibilidade à luz, perda de visão periférica ou necessidade constante de aumentar a iluminação para realizar atividades simples podem ser sinais de alerta. Quanto antes o diagnóstico for feito, maiores são as chances de preservar a visão e evitar complicações”, explica o médico.

A Catarata, por exemplo, costuma se manifestar de forma progressiva, causando visão nublada e dificuldade para realizar tarefas cotidianas. Já o Glaucoma é conhecido por sua evolução silenciosa, podendo levar à perda irreversível da visão se não tratado adequadamente. A Degeneração macular relacionada à idade afeta principalmente a visão central, dificultando atividades como leitura e reconhecimento de rostos.

O acompanhamento regular com oftalmologista é fundamental, especialmente para pessoas acima dos 60 anos. Além disso, consultas periódicas com equipes multidisciplinares, como as oferecidas pela Said Rio, contribuem para um cuidado mais amplo e integrado da saúde do idoso.

A empresa reforça ainda a importância de hábitos preventivos, como alimentação equilibrada, controle de doenças crônicas como diabetes e hipertensão, uso correto de óculos prescritos e realização de exames oftalmológicos de rotina. 

O cuidado com a visão faz parte do cuidado com a autonomia do idoso. Enxergar bem impacta diretamente na segurança, na independência e na qualidade de vida”, conclui o especialista.

 

Envelhecer bem: qual a idade certa para consultar um geriatra?

Especialista do Hospital Santa Catarina - Paulista destaca importância da prevenção, dos hábitos saudáveis e do acompanhamento geriátrico a partir dos 50 anos

 

O envelhecimento da população brasileira tem ampliado a discussão sobre qualidade de vida, prevenção de doenças e cuidados com a saúde ao longo dos anos. Mais do que tratar problemas já instalados, a geriatria vem ganhando espaço como especialidade fundamental para orientar hábitos saudáveis e contribuir para um envelhecimento ativo e funcional. Especialistas alertam que, diferentemente do que se possa imaginar, o acompanhamento geriátrico não deve começar na velhice, mas bem antes disso. 

De acordo com o geriatra Dr. Vinicius Altomani, do Hospital Santa Catarina - Paulista, o especialista atua na prevenção e no acompanhamento integral do processo de envelhecimento. “Além de ser o médico do idoso, o geriatra também é o médico que lida com o envelhecer. Geralmente, recomendamos o início do seguimento para a população 50+, no entanto qualquer adulto interessado em envelhecer de forma saudável pode se beneficiar deste suporte”, afirma. 

A avaliação geriátrica é ampla e vai além da análise de sintomas pontuais, uma vez que considera aspectos físicos, emocionais, cognitivos e sociais do paciente. O especialista explica que a assistência geriátrica inclui desde medicina preventiva até o controle de doenças prevalentes com o avanço da idade, assim como a revisão do uso de medicamentos, a fim de garantir o resultado mais eficaz para cada caso e evitar excessos e tratamentos desnecessários. 

Entre os pilares do envelhecimento saudável estão a alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, manutenção das relações interpessoais e acompanhamento médico preventivo. Segundo o especialista, hábitos simples ainda são os mais importantes. “O envelhecimento ativo está ligado, antes de mais nada, a um estilo de vida. Muitas vezes as pessoas procuram soluções rápidas, como suplementos vitamínicos, mas têm dificuldade em manter uma boa alimentação e uma rotina benéfica”, destaca o Dr. Vinicius.

 

Sinal amarelo: é hora de buscar ajuda

No dia a dia, sinais como cansaço frequente, falta de disposição, dificuldade para realizar pequenos esforços, alterações de peso sem causa aparente e sono inadequado podem indicar a necessidade de rever costumes diários e buscar orientação médica. A avaliação periódica individualizada permite a atualização do histórico do paciente, o que contribui para identificar precocemente fatores de risco e prevenir complicações futuras, com estratégias para apoiar a manutenção da saúde e bem-estar. 

Além das demências – como, por exemplo, a doença de Alzheimer – e da fragilidade física, diversas patologias apresentam maior incidência com o envelhecimento, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, câncer e Parkinson. Queixas relacionadas à saúde osteomuscular, dores crônicas, mobilidade, tonturas e alterações de memória também estão entre as mais frequentes nos consultórios geriátricos. Outro ponto de atenção é a saúde mental da população idosa, já que quadros de depressão e ansiedade seguem amplamente subdiagnosticados. 

A importância do tema tem sido reforçada internacionalmente. A Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu o período entre 2021 e 2030 como a Década do Envelhecimento Saudável, iniciativa que visa estimular políticas e ações com foco na população idosa. “Neste contexto, o geriatra tem papel central, com a gestão do envelhecimento, prevenção, diagnóstico precoce e manutenção da autonomia e da qualidade de vida ao longo dos anos”, conclui o geriatra do Hospital Santa Catarina - Paulista.

 

Pesquisa inédita indica gargalos no acesso ao diagnóstico e cuidado do câncer de mama no Brasil

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Levantamento mostra desafios desde a realização de exames preventivos até o acompanhamento pós-cirúrgico das pacientes, revelando necessidade de aprimoramento nas redes pública e privada de saúde do País

 

Levantamento nacional, realizado pelo Instituto Ipsos a pedido da Novartis, revela que a demora no agendamento de consultas ou na realização de exames estão entre os grandes desafios enfrentados pelas mulheres na prevenção do câncer de mama no Brasil. “Os dados apresentados são de extrema relevância, ainda mais quando consideramos que o diagnóstico precoce aumenta as chances de cura da doença e responde por melhor qualidade de vida das pacientes”, afirma o mastologista Guilherme Novita, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).

A pesquisa inédita Ipsos/Novartis ouviu 400 mulheres acima de 35 anos das classes A, B e C. O levantamento mostra que 63% consideram a demora para agendar consultas ou realizar exames como principais desafios na jornada de prevenção do câncer de mama. No Sistema Único de Saúde (SUS), o gargalo se apresenta ainda maior: 77%.

No ano passado, o Ministério da Saúde passou a recomendar o rastreamento regular do câncer de mama a partir dos 40 anos de idade. Essa indicação, que se alia aos esforços das principais associações médicas brasileiras, entre elas a SBM, visa ao enfrentamento da doença em todo o território nacional. No entanto, esse direito ainda não se converte em cuidado efetivo. Conforme a pesquisa, entre mulheres de 41 anos ou mais, uma em cada três entrevistadas relata não realizar a mamografia regularmente; 12% afirmam nunca ter feito o exame.

O levantamento também mostra que a desinformação é questão preocupante no enfrentamento da doença. Entre as mulheres ouvidas, 36% indicaram uma idade incorreta para iniciar a mamografia regularmente. Além disso, 15% receberam solicitação médica para realizar o exame, mas não chegaram a fazê-lo.

Entre as pacientes que nunca realizaram a mamografia, 18% afirmaram ter dificuldade para agendar o exame e citam também falta de orientação médica. “Neste ponto, especificamente, nos deparamos com barreiras estruturais e também com a necessidade de aprimoramento de comunicação e orientação às pacientes”, destaca Novita.

Os dados da pesquisa demonstram, ainda, que na percepção das mulheres a jornada de tratamento do câncer de mama não termina na cirurgia. Para 63%, é importante ter acompanhamento e tratamento mesmo após a intervenção cirúrgica, o que reforça a necessidade de ampliação do debate sobre acesso e estratégias de prevenção de recidiva. Entre as entrevistadas, 35% demonstraram medo de a doença voltar.

“Os resultados da pesquisa mostram que muitas mulheres reconhecem a importância do acompanhamento contínuo, mas ainda enfrentam obstáculos concretos para transformar esse cuidado em realidade. Isso nos convida a refletir sobre a necessidade de jornadas mais coordenadas, com menos interrupções e maior apoio às pacientes ao longo do tempo. É nesse ponto que o debate público e o diálogo com especialistas e sociedades médicas ganham ainda mais relevância, para aproximar políticas e práticas clínicas da realidade das mulheres”, ressalta Bianca Cormanich, diretora de Oncologia da Novartis Brasil.

Para o presidente da SBM, o câncer de mama não se encerra com a cirurgia. “A ausência de acompanhamento contínuo pode comprometer desfechos ao longo do tempo, especialmente no sistema público de saúde”, enfatiza Guilherme Novita. “Os esforços das sociedades médicas brasileiras para contribuir com políticas públicas de prevenção e tratamento do câncer de mama, condizentes com a realidade das mulheres brasileiras, precisam ser permanentes e acompanhados sempre de atuações efetivas que beneficiem a população como um todo.”

 

Proteína x carboidrato: extremismo nutricional pode colocar a saúde em risco, afirma especialista

Diretora Técnica da Abimapi e nutricionista desmistificam dietas restritivas e explicam por que a combinação dos nutrientes é o verdadeiro segredo para a saciedade

 

Nos consultórios, nas academias e, principalmente, nas redes sociais, o debate nutricional ganhou ares de arquibancada. De um lado, a proteína foi elevada ao status de heroína inquestionável da saúde, da saciedade e da boa forma. Do outro, o carboidrato passou a ser frequentemente colocado na posição de inimigo da balança. Para a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (ABIMAPI), esse embate não só ignora o funcionamento biológico humano, como pode colocar a saúde em risco. A entidade afirma, portanto, que o importante é o equilíbrio nutricional. 

Sonia Romani, Diretora Técnica da Abimapi, engenheira de alimentos e agrícola, explica que tirar o carboidrato da rotina pode ser prejudicial. “O carboidrato é a nossa principal e mais rápida fonte de energia. Sem o glicogênio estocado, que é o combustível exclusivo para atividades de alta intensidade, o corpo sofre uma queda drástica de rendimento físico”, explica. 

A restrição de carboidratos sem uma necessidade específica não é saudável, é o que também pontua Bianca Naves, nutricionista e embaixadora da Abimapi. “Inclusive, porque o carboidrato é a principal fonte de energia para o nosso corpo, para o nosso cérebro, para os nossos músculos. E numa dieta com restrição de carboidrato, há risco de perda de massa muscular”, pontua a especialista. 

“Dietas restritivas extremas, como a cetogênica muito severa ou a zero carb, forçam o metabolismo a entrar em um estado de emergência chamado cetose para sobreviver”, alerta Sonia Romani. A especialista cita um estudo realizado pela Southwest Medical University que demonstrou que com a escassez de glicose, o fígado passa a converter gordura em corpos cetônicos, que funcionam como um combustível alternativo para manter o cérebro e os órgãos funcionando na ausência de carboidratos. "O cérebro, que consome cerca de 120 gramas de glicose por dia para funcionar perfeitamente, sofre o impacto imediato: a restrição gera desidratação acelerada, dificuldade de concentração, dores de cabeça constantes, irritabilidade e tontura”, pontua.

 

O boom das proteínas 

A preferência moderna pelas proteínas se apoia, em grande parte, na forma como o corpo as processa. Os carboidratos, especialmente os mais simples, possuem uma estrutura molecular que começa a ser digerida já na boca. Eles se transformam rapidamente em glicose, o que pode gerar picos de energia e insulina seguidos de quedas bruscas, trazendo a sensação de fome logo em seguida. 

As proteínas, por sua vez, são estruturas tridimensionais complexas que dão trabalho ao organismo. É o que defende a Sociedade Internacional de Nutrição Esportiva (ISSN). “O corpo gasta entre 20% e 30% das calorias da própria proteína ingerida apenas para conseguir digeri-la e metabolizá-la. Esse processo demorado no ambiente ácido do estômago estimula a liberação prolongada de hormônios que inibem a fome, garantindo uma saciedade muito mais longa”, pontua. 

Mas a grande virada para o corpo humano não é escolher um ou outro. “Quando uma fonte de carboidrato e uma de proteína se encontram na mesma refeição, o organismo atinge um ritmo ideal de absorção”, defende Romani. De acordo com um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Toronto, a presença complexa da proteína faz com que o carboidrato passe muito mais devagar para o intestino. Na prática, essa combinação inteligente neutraliza os picos de açúcar no sangue, mantém a energia do corpo totalmente estabilizada e prolonga a sensação de estômago cheio por horas.

“O consumidor pode aplicar a combinação de carboidrato e proteínas, por exemplo, combinando macarrão com carne moída magra, pão com peito de frango ou ovos. Existem diversas combinações. O ideal mesmo é que haja algum alimento fonte de proteína para esse equilíbrio nutricional e também para o controle do índice glicêmico”, explica Bianca.
 

Engenharia de alimentos como mediadora 

Com a explosão da demanda por produtos ricos em proteínas, a indústria, apoiada pela engenharia de alimentos, precisou driblar barreiras físicas e químicas severas. Sonia explica que colocar muita proteína em um pão ou uma bebida tende a deixar o produto seco, duro, com textura de areia e um forte sabor residual amargo. “Os cientistas de alimentos utilizam tecnologias para resolver isso e entregar saudabilidade com sabor. Isso inclui a quebra enzimática das proteínas, o uso de moléculas bloqueadoras que ‘desligam’ os receptores de amargo na língua do consumidor, e softwares preditivos que calculam a quantidade exata de ingredientes necessária para manter a maciez e o corpo de um produto reformulado”, exemplifica Sonia. 

A especialista explica ainda que a corrida desenfreada pelo consumo de proteínas tem um limite claro imposto pela própria natureza. “A ciência da nutrição documenta que o corpo humano consegue utilizar eficientemente apenas entre 20g e 40g de proteína de alto valor biológico por refeição para a construção e reparação muscular”, pontua. Por isso, consumir quantidades exorbitantes de uma só vez, como 80g em um único prato, não fará os músculos crescerem em dobro. 

O ideal é que a alimentação seja equilibrada em todos os grupos alimentares, conforme pondera Naves. “Proteínas, carboidratos, gorduras e vitaminas minerais e fibras devem fazer parte da dieta. Mas, no caso das proteínas, o excesso não é bem-vindo. O ideal é que a pessoa, se ativa, consuma em torno de 1,2 a 1,6 gramas de proteína por quilo de peso durante o dia. Esse total deve ser distribuído em todas as refeições e principalmente nas principais refeições”, reforça a nutricionista. 

A conclusão é clara: a saúde não é construída com exclusões sumárias ou extremismos, mas com uma sinergia inteligente entre os nutrientes disponíveis.


Infertilidade: os riscos de consultar o Dr. Google, mídias sociais e inteligências artificiais


A infertilidade conjugal afeta uma em casa seis pessoas e estudos recentes revelam que o Google é fonte frequente de pesquisas sobre o assunto. O Google, as mídias sociais como o Instagram e, mais recentemente a inteligência artificial tem sido frequentemente utilizada como fonte de informação médica pela população leiga e o número de pessoas que assim o fazem vem aumentando significativamente. Infelizmente, a qualidade da informação médica disponível para o público leigo nestes meios  é sofrível e pouco confiável. Dessa forma, realizamos alguns estudos para avaliar a confiabilidade das informações obtidas no Google, Instagram e IA sobre infertilidade cujos resultados forma apresentados em vários congressos nacionais e internacionais.

No último congresso Brasileiro de Ginecologia, que aconteceu em Belo Horizonte no fim de maio apresentamos um estudo sobre a confiabilidade do Google para responder perguntas sobre infertilidade. A ferramenta Answer the Public (https://answerthepublic.com/) selecionou as duas perguntas mais frequentes sobre o termo infertilidade: (1) Como Saber se se tenho infertilidade? (2) Qual exame pode detectar infertilidade?

Embora profissionais de saúde e clínicas de fertilidade sejam responsáveis ​​pela maior parte do conteúdo educativo sobre infertilidade publicado no Google, a confiabilidade dessas informações, medida pelo instrumento DISCERN, é de qualidade moderada. O objetivo e a relevância foram claramente declarados, mas questões importantes, como a fonte de informação utilizada ou detalhes sobre fontes adicionais de apoio e informação, não estavam disponíveis e, pior ainda, não forneceram informações suficientes sobre possíveis áreas de incerteza.

As mídias sociais também requerem cuidado. Em outro estudo apresentado no Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida em 2025 em São Paulo avaliamos a qualidade da informação divulgada por influenciadores no Instagram. Embora a maioria dos influenciadores de fertilidade no Brasil fossem profissionais da saúde, as informações que eles compartilhavam no Instagram careciam de qualidade e confiabilidade, além de serem tendenciosas e omitirem incertezas e referências científicas.

A IA é outro campo que precisa ser avaliado. Estudamos a qualidade da informação produzida pelo Chat GPT sobre o uso de procedimentos utilizados para melhorar as chances de gravidez na fertilização in vitro (FIV). O Chat GPT teve um desempenho razoável ao fornecer informações sobre a confiabilidade e a qualidade dos procedimentos avaliados. Como trata-se de tema controverso para o qual os pacientes frequentemente buscam informações precisas e confiáveis, eles devem estar cientes de que, embora o Chat GPT seja uma ferramenta em constante desenvolvimento, ele não é confiável para orientar suas decisões sobre tratamentos adicionais em ciclos de FIV.

Junho é reconhecido como o mês Mundial da Conscientização da Infertilidade e tem o objetivo de alertar a população para o problema, que atinge milhões de pessoas em todo o mundo. Dada a complexidade dos diagnósticos e tratamentos de infertilidade e a facilidade de acesso à internet, IA e mídias sociais para buscar orientações sobre fertilidade, é necessário cuidado com as informações obtidas nestas fontes.  Em um contexto em que o acesso a serviços de fertilidade e avaliações especializadas é limitado, a exposição a informações equivocadas contribui para piorar o estresse associado a infertilidade e compromete o direito humano fundamental estabelecido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos de engravidar e ter um filho, bem como o direito de ter acesso a informações sobre sua saúde reprodutiva.

  

Márcia Mendonça Carneiro - Ginecologista do Biocor Rede D’Or, professora Titular- Departamento de Ginecologia e Obstetrícia – Faculdade de Medicina da UFMG


Dia dos Avós: somos a primeira geração que cuida dos idosos por WhatsApp?

Com menos filhos, famílias espalhadas pelo mundo e uma população cada vez mais idosa, Brasil entra na era do cuidado, e a tecnologia pode auxiliar
 

Há uma cena que se repete em milhões de famílias brasileiras. Em casa, alguém procura um exame antigo no fundo de uma gaveta enquanto tenta lembrar qual médico receitou determinado medicamento. Da rua, um filho liga apressado para saber como foi a consulta da mãe idosa, enquanto o cuidador tenta reconstruir informações espalhadas entre papéis e mensagens de WhatsApp. O cenário do envelhecimento no Brasil começa exatamente aí, na dificuldade de organizar o cuidado. Nesse ponto, novas tecnologias, como a MYME, fundada em 2025, podem ajudar. 

O país está envelhecendo em uma velocidade histórica. Só entre 2016 e 2019, o número de familiares dedicados ao cuidado de pessoas com 60 anos ou mais saltou de 3,7 milhões para 5,1 milhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Censo 2022 identificou um crescimento de 57,4% no número de pessoas idosas ao longo de 12 anos, e as projeções indicam que essa transformação demográfica está apenas começando. O país tem aproximadamente 214 milhões de habitantes em 2026, com expectativa média de vida de 77 anos. Já em 2070, a população deve cair para cerca de 199 milhões de pessoas, mesmo com a taxa de mortalidade infantil caindo de 11,8% para 5,8%, enquanto a expectativa média de vida saltará para 83,9 anos. Traduzindo esses números: haverá menos jovens, menos pessoas economicamente ativas e muito mais idosos vivendo por mais tempo.

Isso mostra como a lógica social está mudando. As famílias estão menores, há mais pessoas sem filhos e o mercado de trabalho permite (às vezes, exige) mobilidade. Profissionais trocam de cidade, estado e até país com mais frequência do que suas gerações anteriores. Pais envelhecem enquanto filhos vivem a milhares de quilômetros de distância. Ao mesmo tempo, de acordo com o IBGE, as principais atividades requeridas pelos idosos são monitorar ou fazer companhia dentro do domicílio (83,4%), auxiliar nos cuidados pessoais (74,1%) e acompanhar consultas médicas, exames e atividades sociais, culturais e religiosas (61,1%). Ou seja, tudo que demanda presença e tempo. 

Essa tendência já chamou a atenção do mercado de saúde e do cuidado. É o caso da MYME, plataforma gratuita que centraliza o histórico médico de usuários e seus dependentes, e qualquer informação do histórico pode ser enviada a terceiros, via link, quando necessário. “O cuidado com o idoso não acontece só na emergência. Acontece todos os dias, na rotina. Quando o histórico médico está organizado e atualizado, o acompanhamento fica mais fácil e mais seguro”, diz Lucas Santiago, cofundador da MYME, que é estruturada como uma Sociedade de Benefício Público (PBC), combinando modelo de negócio com propósito social. 

A plataforma da MYME permite registrar sintomas, exames, consultas, prescrições médicas, medicação, vacinação, além de prontuários de hospitais, clínicas e outras unidades de saúde, do usuário ou de seu dependente, seja criança, doente ou idoso. “Às vezes, o filho está em outra cidade, enquanto o cuidador acompanha a rotina do idoso presencialmente. A plataforma cria uma ponte para a troca de informações sem que elas fiquem dispersas e fragmentadas. O mesmo vale para equipes de cuidadores que se revezam em uma mesma casa. É uma forma de cuidar melhor e dar mais tranquilidade para todos os envolvidos”, afirma Gabriel Barros, cofundador da MYME.

 

Como a MYME funciona

Ao criar uma conta na MYME, o usuário pode inserir informações em categorias sugeridas – Sintomas, Exames, Visita Médica, Medicação, Vacina e “Outros” – ou criar suas categorias (por exemplo, controle de glicemia, controle de pressão arterial e ciclo menstrual). A plataforma aceita arquivos em PDF, imagem e texto e tudo é inserido em uma linha do tempo do paciente. Qualquer dado ou categoria pode ser compartilhado via link. 

“A plataforma também é pensada para o cuidado com o outro, lembrando que vivemos em comunidade e dependemos uns dos outros”, destaca Lucas Santiago. Por isso, a MYME permite que o usuário crie perfis de dependentes e divida sua gestão com outros responsáveis (familiares e cuidadores de um idoso, por exemplo).
 

Segurança de dados

A proteção de dados é um dos principais pontos de atenção do setor de saúde diante dos episódios recentes de vazamento de informações confidenciais. A segurança é o ponto focal da MYME. O desenvolvedor da plataforma, Gabriel Barros, é engenheiro de software com experiência de 15 anos no Yahoo Internacional e liderança em um projeto de isolamento de dados sensíveis com Google e Microsoft. Ele garante que “a construção da infraestrutura da MYME parte do princípio de que dados de saúde exigem um nível máximo de proteção e controle pelo usuário.

 

Complementar ao Meu SUS Digital

A MYME não disputa espaço com o Meu SUS Digital, plataforma do Ministério da Saúde que funciona como prontuário eletrônico do Serviço Único de Saúde (SUS). “O Meu SUS traz informações da rede pública e agora também permite o agendamento de consultas [inicialmente para 500 municípios brasileiros]. A MYME agrega o que o paciente tem em papéis, imagens e outros arquivos guardados consigo, além de dados do cotidiano que o SUS não registra”, diferencia Gabriel.
  


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Nem toda queda é um acidente: Especialistas alertam para sinais que não devem ser ignorados


Uma queda costuma ser encarada como um acidente doméstico ou uma consequência natural do envelhecimento. Mas, segundo especialistas da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), ela pode ser o primeiro sinal de alterações na saúde ainda não identificadas. Na maioria das vezes, o episódio resulta da combinação de fatores de risco modificáveis, como perda de força muscular, alterações do equilíbrio, uso de múltiplos medicamentos, doenças crônicas e déficits visuais e auditivos. 

“Esse é um dos maiores mitos relacionados ao envelhecimento: envelhecer não significa necessariamente cair. Embora ocorram algumas mudanças fisiológicas ao longo da vida, as quedas não devem ser consideradas normais ou inevitáveis. Na maioria das vezes, elas resultam da combinação de diferentes fatores de risco que podem ser identificados e tratados”, afirma Isabela Oliveira Azevedo Trindade, fisioterapeuta, especialista em Gerontologia e presidente do Departamento de Gerontologia da SBGG. 

Segundo a especialista, toda ocorrência deve ser investigada, mesmo quando não há lesões aparentes. “A queda costuma ser um evento sentinela. Ela pode indicar perda de força muscular, alterações de equilíbrio, efeitos adversos de medicamentos, problemas visuais, doenças neurológicas, cardiovasculares e até declínio cognitivo. Mais importante do que tratar as consequências é compreender por que ela aconteceu para evitar novos episódios”, explica. 

Entre os principais fatores associados ao aumento do risco, estão perda de força muscular, sarcopenia, alterações da marcha e do equilíbrio, sedentarismo, uso de múltiplos medicamentos, doenças crônicas e déficits visuais e auditivos. “Quando falamos em quedas, estamos falando também sobre preservação da autonomia. Um único episódio pode desencadear perda de independência, redução da mobilidade, necessidade de cuidadores, isolamento social, sintomas depressivos e piora significativa da qualidade de vida. Após uma fratura importante, especialmente de quadril, muitas pessoas idosas não conseguem recuperar completamente o nível funcional que tinham antes”, alerta Isabela. 

Outro aspecto frequentemente negligenciado é o impacto emocional. “Existe uma condição conhecida como síndrome pós-queda. A pessoa passa a evitar atividades por preocupação em cair novamente e, com isso, reduz sua movimentação. Quanto menos ela se movimenta, mais perde força muscular, equilíbrio e condicionamento físico, aumentando ainda mais a probabilidade de novos acidentes. Em muitos casos, o medo produz mais incapacidade do que a própria queda”, acrescenta.
 

Quando uma queda revela fragilidades invisíveis 

“A idade sozinha não conta toda a história. Duas pessoas podem ter a mesma idade cronológica, mas reservas físicas completamente diferentes. Uma pode ter boa massa muscular, equilíbrio preservado e ossos saudáveis. Outra pode conviver com sarcopenia, osteoporose e fragilidade. Por isso, uma mesma queda pode representar apenas um susto para uma pessoa e o início de uma cascata de eventos graves para outra”, explica Ana Laura de Figueiredo Bersani, médica geriatra e presidente da Comissão de Osteometabolismo da SBGG. 

Segundo a especialista, quedas não devem ser encaradas apenas como acidentes isolados. “Uma fratura de quadril, por exemplo, frequentemente está associada à perda de independência, necessidade de cuidados permanentes e aumento do risco de hospitalizações. Por isso, prevenir quedas e cuidar da saúde óssea são estratégias fundamentais para preservar autonomia, funcionalidade e qualidade de vida.” 

Ana Laura destaca ainda, que a relação entre quedas e saúde óssea é inseparável. “A osteoporose fragiliza os ossos, enquanto a queda costuma ser o gatilho para a fratura. Muitas vezes, a primeira manifestação da doença ocorre após uma queda da própria altura. Por isso, a queda também deve ser vista como um sinal de alerta e uma oportunidade de investigar fragilidades que ainda não haviam sido identificadas.” 

“Uma queda deve ser vista como um sinal de alerta para a necessidade de um cuidado mais atento e individualizado. Além de tratar possíveis lesões, é fundamental olhar para os fatores que influenciam a mobilidade, a funcionalidade e a segurança da pessoa idosa”, afirma Núbia Carelli Pereira de Avelar, fisioterapeuta, especialista em Gerontologia pela SBGG, presidente do Depto. de Gerontologia da SBGG-SC e integrante do Grupo de Trabalho sobre Quedas da entidade. 

A prevenção e a recuperação exigem uma abordagem multifatorial, envolvendo atividade física regular, avaliação das condições de saúde, revisão medicamentosa, alimentação adequada e adaptação dos ambientes. Como resume Núbia, “as quedas podem ser prevenidas e, mesmo quando acontecem, existem possibilidades de recuperação e reabilitação”.
 

Grupo de Trabalho da SBGG desenvolve material para apoiar a recuperação após quedas 

O tema mobiliza um Grupo de Trabalho sobre Quedas da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), coordenado pelo Departamento de Gerontologia da entidade e formado por especialistas de diferentes áreas. 

Atualmente, o grupo desenvolve um manual voltado para a transição do cuidado de pessoas idosas que sofreram fraturas decorrentes de quedas. O material reunirá orientações para profissionais de saúde com o objetivo de contribuir para uma recuperação mais segura após a alta hospitalar e reduzir o risco de novas ocorrências. 

Para Isabela, a principal mensagem é que a prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz. “O maior risco não é envelhecer, mas acreditar que a perda de força, equilíbrio e autonomia é inevitável e, por isso, deixar de agir. Quedas não são um destino, na maioria das vezes, elas podem ser prevenidas e quando prevenimos uma queda, estamos preservando muito mais do que a saúde física, preservamos a capacidade daquela pessoa de continuar vivendo da forma como escolheu viver”, conclui.

 

Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia - SBGG


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