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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Das redes sociais à redação: como transformar o consumo diário de informação em repertório para o Enem

Professor do Senac São Paulo explica por que o diferencial dos candidatos está menos em acumular referências e mais em conectar diferentes áreas do conhecimento para interpretar temas da atualidade


A poucos meses do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), muitos estudantes intensificam a rotina de estudos para revisar conteúdos e resolver simulados. Mas, para João Gabriel Ferraz Vasconcellos, professor da Área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas do Ensino Médio Técnico no Senac Lapa Scipião, um dos maiores diferenciais para conquistar um bom desempenho na prova está fora das apostilas. Mais do que memorizar conceitos ou decorar citações, desenvolver repertório sociocultural significa aprender a interpretar acontecimentos da atualidade e estabelecer conexões entre diferentes áreas do conhecimento, habilidade valorizada tanto na redação quanto nas questões interdisciplinares do exame. 

Essa construção pode começar em espaços que já fazem parte da rotina dos estudantes. Filmes, séries, documentários, podcasts, livros, reportagens e até conteúdos produzidos para as redes sociais podem ampliar a capacidade de análise crítica, desde que consumidos de forma consciente. O ponto central, segundo o professor, não é a quantidade de informações acessadas, mas a capacidade de compreender o contexto, identificar diferentes perspectivas sobre um mesmo tema e verificar a credibilidade das fontes. 

"O repertório sociocultural permite que o estudante construa análises mais sofisticadas e se afaste do senso comum. O Enem valoriza quem consegue mobilizar conhecimentos de diferentes áreas para defender seus argumentos. Isso demonstra que ele não apenas memorizou informações, mas compreendeu como elas dialogam entre si e com os desafios da sociedade", explica João Gabriel Ferraz Vasconcellos. 

Na prática, acompanhar assuntos que ocupam o debate público pode ser um bom ponto de partida para esse exercício. Mudanças climáticas, desigualdade social, violência de gênero, inteligência artificial, saúde mental, transformações no mundo do trabalho, geopolítica, crises migratórias e direitos humanos são temas recorrentes no noticiário e que dialogam com as competências cobradas no Enem. Para aprofundar essas discussões, o docente recomenda recorrer a diferentes linguagens. Obras como Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus, a pintura Retirantes, de Candido Portinari, produções audiovisuais como Round 6, Black Mirror e O Dilema das Redes, além de podcasts como Xadrez Verbal, Café da Manhã, Fio da Meada e Tempo Quente, ajudam a ampliar o olhar sobre questões sociais, políticas e econômicas.

Para o professor, entretanto, nenhuma dessas referências faz diferença isoladamente. "O repertório não está na citação de um livro, de um filme ou de uma série. Ele está na capacidade de relacionar diferentes linguagens para compreender um problema e construir uma argumentação consistente. É essa habilidade de fazer conexões que transforma o consumo de informação em conhecimento e pode fazer a diferença no desempenho do estudante no Enem", conclui.


Quero ser grande: o que falta para o pequeno empreendedor crescer?

Divulgação
Mesmo com o crescimento no número de pequenas empresas no Brasil, seis em cada des pequenos negócios fecham as portas em cinco anos. Especialista aponta as dificuldades emocionais que atrapalham o empreendedor a subir de fase no game dos negócios


O Brasil bateu recorde no número de pessoas que se tornaram empreendedoras. Dados do Sebrae mostram que foram 4,6 milhões de novos pequenos negócios entre janeiro e novembro de 2025, uma alta de 19% em relação ao mesmo período do ano passado, o melhor desempenho da série histórica. Os pequenos negócios representaram 97% das empresas abertas no país em 2025. Entre elas, 77% são microempreendedores individuais (MEI), 19% são microempresas (ME) e 4% são empresas de pequeno porte (EPP).

Mas, enquanto nascem novos negócios, parte importante deles morre. E são justamente os pequenos negócios os que mais sucumbem. Um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2022, apontou que, entre as empresas empregadoras brasileiras, uma a cada seis pequenas empresas empregadoras (que têm de um a 9 funcionários) não passam dos cinco anos de existência.

Em Goiás, 9 em cada 10 empresas de Goiás são pequenos negócios, o que mostra a alta representatividade deste grupo, aponta o Sebrae. Sobre a sobrevivência dos PN, após 5 anos da abertura, 66% das empresas permanecem ativas. No caso dos MEIs, esse índice é menor: 43% permanecem ativos após 5 anos de existência. Para as MEs é 71%; para EPPs, é 85%. A média de idade dos pequenos negócios goianos é de 5 anos e meio.

O consultor em gestão e em desenvolvimento humano de Goiânia, Rubens Berredo, destaca que os primeiros anos de um negócio são mais desafiadores para o empreendedor, que precisa se sustentar não apenas na coragem e disposição para o trabalho, mas tendo também outros atributos como disciplina, constância e capacidade de adaptação. 

Autor do livro Liderança como Estilo de Vida (Editora Kelps, 231 páginas), Rubens tem mais de quatro décadas de atuação corporativa, sendo boa parte dedicados à consultoria e mentoria a empresários e gestores, em que pode perceber as dificuldades emocionais que estavam por trás da gestão diária das empresas, que tiveram influência na corrosão dos resultados objetivos do negócio.

Ele aponta que a maioria dos pequenos negócios não fecham apenas por desafios financeiros ou problemas conjunturais, mas também porque existe uma deficiência na liderança, que leva a uma dificuldade na tomada de decisões difíceis, na organização de prioridades, controle das emoções, formar pessoas e manter direção em meio ao caos.

 “A ausência de liderança transforma problemas comuns em crises fatais. O maior risco de um pequeno negócio não é apenas o mercado, como também a falta de desenvolvimento do próprio empreendedor”, afirma o gestor.

Ele lembra que grande parte dos empreendedores brasileiros não começam por vocação, e sim por necessidade. Segundo o Sebrae, mais de 30% da população brasileira abre um negócio por falta de oportunidades. Nesta parcela, há aqueles que entram no negócio preparados para trabalhar, mas não preparados para suportar pressão, instabilidade, desgaste emocional e responsabilidade constante exigidos no mundo dos negócios. “Eles não desistem apenas por falta de dinheiro, mas pelo desgaste emocional de carregar sozinho responsabilidades, pressão, incertezas e frustrações diárias” completa.


*Crescimento é treinamento e constância*

O primeiro passo para o pequeno empreendedor brasileiro não desistir no começo, é investir em treinamento e preparo para conseguir lidar com os desafios do universo empresarial. O gestor pontua que é necessário equilibrar as vendas, finanças, clientes, equipe, processos e emoções ao mesmo tempo, quase sempre com poucos recursos. E isso não depende de fatores externos, isso depende do equilíbrio emocional e do autocontrole do empreendedor, além da decisão interna de liderar. 

“Empreender exige muito mais do que uma boa ideia. Exige maturidade para decidir, resistência para continuar, inteligência para aprender rápido e humildade para corrigir erros constantemente”, conclui Rubens Berredo, que considera que, neste início, o objetivo maior não deve ser o lucro unicamente - isso acaba fluindo com o tempo -, mas sim o aprendizado de suportar a pressão. 


A psicologia por trás da Copa: doutora explica por que o torneio gera 'contágio emocional' e como lidar com o luto da derrota

Psicóloga da Unifran detalha como o sentimento de pertencimento une até quem não gosta de futebol e analisa os impactos da perda de expectativas no bem-estar mental.

 

A Copa do Mundo é muito mais do que um torneio esportivo: ela funciona como um poderoso catalisador social capaz de alterar o humor, a rotina e a saúde mental de nações inteiras. Mas como a psicologia explica essa capacidade única de contagiar até mesmo aqueles que não acompanham futebol no dia a dia?

Para entender a mente do torcedor e o impacto desse fenômeno em nosso bem-estar, a Profa. Dra. Ana Paula Barbosa, coordenadora do curso de Psicologia da Universidade de Franca (Unifran), analisa os fatores emocionais e sociais que ocorrem no comportamento coletivo durante a competição.
 

Contágio emocional e o sentimento de pertencimento

Segundo a especialista, o primeiro fator-chave para a "euforia coletiva" é o chamado contágio emocional, um conceito amplamente estudado pela psicologia do comportamento.
 

"Quando uma pessoa que não acompanha futebol entra em um ambiente onde todos estão vibrando, tensos ou comemorando, ela começa a se contagiar de forma quase inconsciente. Ela passa a sentir a dopamina e a adrenalina do grupo, o que automaticamente gera um profundo senso de pertencimento", explica a docente.
 

Esse fenômeno vai além da sensação de simpatia. A psicóloga aponta que pesquisas na interface entre a psicologia e a biologia comprovam que assistir a eventos com forte carga emocional em grupo altera o nosso funcionamento de forma real.
 

"Estudos de neurociência hoje mostram que as pessoas que assistem juntas a um evento forte, com carga emocional, entram em uma sincronia neural. Isso é algo extremamente positivo, pois fortalece os laços sociais e o bem-estar coletivo", destaca.
 

Além disso, por ocorrer apenas a cada quatro anos, a Copa do Mundo ativa memórias afetivas e históricas na vida das pessoas, promovendo um período de "afeto coletivo" onde as conexões humanas são priorizadas e as rotinas diárias são pausadas em prol da união.
 

O outro lado da moeda: o 'luto coletivo' e a dor da perda

Se a vitória gera entusiasmo e união, a eliminação ou a derrota da seleção pode provocar o efeito oposto, mergulhando ruas e redes sociais em um verdadeiro luto coletivo. De acordo com a especialista, essa reação negativa é um fenômeno psicológico muito real e que precisa ser compreendido.
 

A frustração da derrota está diretamente ligada a sentimentos de rejeição e perda de status.
 

"A rejeição e a perda de status decorrentes de uma derrota esportiva são sentimentos profundos, que a ciência mostra que podem, inclusive, ativar áreas cerebrais ligadas à dor física. Há também uma quebra abrupta de expectativa. No Brasil, país que ama o futebol, mesmo quem não acompanha o esporte rotineiramente se conecta nesse momento, gerando uma grande projeção de futuro", pontua a coordenadora da Unifran.
 

Muitas vezes, a tristeza pós-jogo não se deve apenas ao resultado do placar em si, mas sim à perda do "futuro projetado" que o torcedor construiu em sua mente.
 

"Às vezes, o luto não é só pelo jogo em si, mas pela perda do futuro projetado: a festa que não vai mais acontecer, a alegria que foi bruscamente interrompida e os planos de celebração que foram desfeitos", complementa a psicóloga.
 

Como gerenciar as expectativas e proteger a saúde mental

Para que a experiência da Copa do Mundo seja saudável e enriquecedora, independentemente dos resultados em campo, a Dra. Ana Paula sugere que os torcedores busquem ressignificar o papel do torneio em suas vidas, focando no que ele traz de melhor: as relações humanas.
 

"Para finalizar, o mais importante é que esse período seja um momento incrível de conexão, de reunião e de aproveitarmos a presença uns dos outros e essa energia boa. Se o resultado esperado não vier, que nós possamos ter a maturidade de guardar a camisa, recolher as bandeiras e compreender que o valor real desse momento não está apenas na vitória ou na derrota, mas sim na nossa capacidade de conexão e união coletiva", conclui.

Unifran



Renda insuficiente? Cinco estratégias para viabilizar o financiamento imobiliário

Planejamento, composição de renda e uso de benefícios como FGTS e subsídios podem ampliar as chances de aprovação do crédito e aproximar famílias da casa própria

 

Muitas pessoas acreditam que a renda individual é o principal obstáculo para conquistar a casa própria. Embora a capacidade financeira de cada pessoa seja um dos fatores analisados pelas instituições financeiras, especialistas do setor imobiliário destacam que uma renda considerada insuficiente não quer dizer necessariamente que o financiamento está fora de alcance. Com planejamento e o uso correto das ferramentas disponíveis, é possível ampliar as possibilidades de aprovação e tornar o sonho do imóvel próprio mais viável. 

De acordo com Simone Vieira Neto, Superintendente de Operações Comerciais da HM Engenharia, referência em soluções imobiliárias acessíveis e de qualidade, existem diferentes alternativas que podem ajudar famílias a superar esse desafio. “Muitas vezes, o comprador desconhece mecanismos descomplicados que podem melhorar sua capacidade de crédito, independente da situação de sua renda”, afirma. 

Segundo a especialista, a informação e o planejamento devem ser encarados como parte essencial da jornada rumo à casa própria. “O financiamento imobiliário não depende apenas da renda atual. Existem fatores como composição familiar, uso do FGTS, enquadramento em programas habitacionais e condições específicas de mercado que podem ampliar as oportunidades. Por isso, buscar orientação especializada e conhecer todas as alternativas disponíveis é fundamental”, destaca. 

Para auxiliar quem deseja sair do aluguel e conquistar a casa própria, a HM Engenharia reuniu cinco estratégias que podem contribuir para viabilizar o financiamento imobiliário:
 

1. Compor renda com outras pessoas

Uma das alternativas mais utilizadas é a chamada composição de renda. Em muitos casos, cônjuges, companheiros ou familiares podem somar seus rendimentos para aumentar a capacidade de financiamento. Essa possibilidade permite que o valor aprovado pelo banco seja maior, ampliando as opções de imóveis disponíveis para compra.
 

2. Utilizar o FGTS para reforçar a entrada

O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) pode ser um importante aliado na aquisição do imóvel. Dependendo das regras vigentes, o recurso pode ser utilizado para complementar a entrada, reduzir o saldo devedor ou diminuir o valor das parcelas. O uso estratégico do fundo ajuda a reduzir o montante financiado e pode facilitar a aprovação do crédito.

 

Com planejamento e o uso de ferramentas disponíveis,
 é possível realizar o sonho da casa própria
 Pexels

3. Verificar a possibilidade de acesso a subsídios e programas habitacionais

Programas habitacionais e subsídios governamentais continuam sendo importantes instrumentos de acesso à moradia. Dependendo da faixa de renda e das características do imóvel, os benefícios podem representar uma redução significativa nos custos da compra, tornando o financiamento mais acessível para milhares de famílias.
 

4. Avaliar condições facilitadas oferecidas pelas construtoras

Além das condições bancárias, vale a pena pesquisar os benefícios oferecidos pela própria construtora do imóvel visado. Algumas empresas disponibilizam parcelamento da entrada, condições especiais de pagamento e apoio durante o processo de financiamento, como é o caso da própria HM Engenharia. Essas facilidades podem reduzir o impacto financeiro inicial e tornar a aquisição mais compatível com o orçamento familiar.
 

5. Realizar simulações antes de tomar a decisão

A simulação é uma etapa fundamental para entender o valor das parcelas, os prazos disponíveis e o comprometimento da renda ao longo do financiamento. Com esse exercício, o comprador consegue avaliar diferentes cenários e identificar opções mais adequadas à sua realidade financeira. 

Para a especialista da HM Engenharia, o mais importante é que as famílias não desistam do sonho da casa própria antes de entender todas as possibilidades existentes. “A compra de um imóvel exige organização financeira, mas existem caminhos que ajudam a tornar esse objetivo mais próximo da realidade. Tudo é uma questão de colocar na ponta do lápis todas as variáveis”, conclui.
 


HM Engenharia
www.maishm.com.br

 

Super El Niño: drenagem, contenção e combate a ocupações ainda são desafios para se enfrentar fenômeno climátic



Professor de Engenharia da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) alerta que cidades devem se tornar mais preparadas para resistirem a secas severas, crise hídrica e enchentes

 

Um recente boletim do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) revelou que, entre julho e setembro de 2026, estão previstas chuvas acima da média na região Sul do país e abaixo do esperado para a média histórica do trimestre no Centro-Norte. São efeitos do super El Niño, com um cenário climático que traz um grande desafio para as cidades e deve ser enfrentado com a importante contribuição da engenharia, capaz de torná-las mais preparadas e resilientes para o que está por vir. O alerta é de Joni Matos Incheglu, professor do curso de Engenharia Civil da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). 

“A mesma cidade que sofre com enchentes repentinas, meses depois, vive crise hídrica, o que demanda projetá-las para enfrentar os dois extremos ao mesmo tempo, com respostas bem estruturadas da engenharia. A drenagem sustentável, a recuperação da permeabilidade do solo urbano e reservatórios com uso duplo caminham nessa direção”, destaca Incheglu, que também é coordenador dos Comitês de Reurb, de Carregadores Veiculares e de Engenharia Condominial do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP) e Conselheiro Titular do Crea-SP no Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo. 

Para superar bem o período, Incheglu destaca três importantes frentes da engenharia que precisam estar no radar das cidades. 

“Na geotecnia, é essencial termos contenções bem dimensionadas, drenagem profunda e estabilização de encostas, apoiadas em investigação de subsolo adequada. Na drenagem urbana, a chamada infraestrutura verde-azul, com pavimentos permeáveis, jardins de chuva, telhados verdes e reservatórios de amortecimento; em vez de expulsar a água o mais rápido possível, retê-la e infiltrá-la. A terceira frente é a do monitoramento e da informação, com sensores e instrumentação de encostas e estruturas, gêmeos digitais e o uso de BIM no planejamento, que permitem antecipar problemas em vez de remediá-los”.

 

Reavaliação de limites

A reavaliação de limites das construções é outro ponto de cuidado. Muitas normas técnicas que dão base à segurança foram calibradas a partir de séries históricas de clima: “Contudo, eventos que tratávamos como excepcionais passam a ocorrer com mais frequência e magnitude, o que demanda reavaliar os limites e revisitar as premissas de projeto, como os tempos de retorno adotados para chuvas de dimensionamento da drenagem, as velocidades de vento, a estabilidade de encostas e taludes e o comportamento das fundações em solos saturados”, acrescenta. 

Outro desafio é cuidar do edificado existente, de acordo com o professor da UMC: “A inspeção predial periódica e programas de manutenção e reforço estrutural são fundamentais, identificando a fragilidade antes que o evento extremo a transforme em acidente. A isso, soma-se a execução de projetos de drenagem à altura do novo padrão de chuvas e, talvez, o mais importante: não adianta construir mais forte no lugar errado, sem planejamento territorial. Muitas tragédias são de localização, não de estrutura. Reavaliar critérios é reavaliar também onde se pode e onde não se pode ocupar”. 

Na opinião de Incheglu, ciência, tecnologia e engenharia são capazes de reduzir drasticamente os danos de um El Niño intenso: “Colocar esse aparato no centro do planejamento das cidades, e não apenas na resposta ao desastre, é a decisão mais importante que podemos tomar diante do que vem pela frente”, conclui.

 

A psicologia por trás da Copa: doutora explica por que o torneio gera 'contágio emocional' e como lidar com o luto da derrota

Psicóloga da Unifran detalha como o sentimento de pertencimento une até quem não gosta de futebol e analisa os impactos da perda de expectativas no bem-estar mental.

 

A Copa do Mundo é muito mais do que um torneio esportivo: ela funciona como um poderoso catalisador social capaz de alterar o humor, a rotina e a saúde mental de nações inteiras. Mas como a psicologia explica essa capacidade única de contagiar até mesmo aqueles que não acompanham futebol no dia a dia?

Para entender a mente do torcedor e o impacto desse fenômeno em nosso bem-estar, a Profa. Dra. Ana Paula Barbosa, coordenadora do curso de Psicologia da Universidade de Franca (Unifran), analisa os fatores emocionais e sociais que ocorrem no comportamento coletivo durante a competição.
 

Contágio emocional e o sentimento de pertencimento

Segundo a especialista, o primeiro fator-chave para a "euforia coletiva" é o chamado contágio emocional, um conceito amplamente estudado pela psicologia do comportamento. 

"Quando uma pessoa que não acompanha futebol entra em um ambiente onde todos estão vibrando, tensos ou comemorando, ela começa a se contagiar de forma quase inconsciente. Ela passa a sentir a dopamina e a adrenalina do grupo, o que automaticamente gera um profundo senso de pertencimento", explica a docente. 

Esse fenômeno vai além da sensação de simpatia. A psicóloga aponta que pesquisas na interface entre a psicologia e a biologia comprovam que assistir a eventos com forte carga emocional em grupo altera o nosso funcionamento de forma real. 

"Estudos de neurociência hoje mostram que as pessoas que assistem juntas a um evento forte, com carga emocional, entram em uma sincronia neural. Isso é algo extremamente positivo, pois fortalece os laços sociais e o bem-estar coletivo", destaca. 

Além disso, por ocorrer apenas a cada quatro anos, a Copa do Mundo ativa memórias afetivas e históricas na vida das pessoas, promovendo um período de "afeto coletivo" onde as conexões humanas são priorizadas e as rotinas diárias são pausadas em prol da união.
 

O outro lado da moeda: o 'luto coletivo' e a dor da perda

Se a vitória gera entusiasmo e união, a eliminação ou a derrota da seleção pode provocar o efeito oposto, mergulhando ruas e redes sociais em um verdadeiro luto coletivo. De acordo com a especialista, essa reação negativa é um fenômeno psicológico muito real e que precisa ser compreendido. 

A frustração da derrota está diretamente ligada a sentimentos de rejeição e perda de status. 

"A rejeição e a perda de status decorrentes de uma derrota esportiva são sentimentos profundos, que a ciência mostra que podem, inclusive, ativar áreas cerebrais ligadas à dor física. Há também uma quebra abrupta de expectativa. No Brasil, país que ama o futebol, mesmo quem não acompanha o esporte rotineiramente se conecta nesse momento, gerando uma grande projeção de futuro", pontua a coordenadora da Unifran. 

Muitas vezes, a tristeza pós-jogo não se deve apenas ao resultado do placar em si, mas sim à perda do "futuro projetado" que o torcedor construiu em sua mente. 

"Às vezes, o luto não é só pelo jogo em si, mas pela perda do futuro projetado: a festa que não vai mais acontecer, a alegria que foi bruscamente interrompida e os planos de celebração que foram desfeitos", complementa a psicóloga.
 

Como gerenciar as expectativas e proteger a saúde mental

Para que a experiência da Copa do Mundo seja saudável e enriquecedora, independentemente dos resultados em campo, a Dra. Ana Paula sugere que os torcedores busquem ressignificar o papel do torneio em suas vidas, focando no que ele traz de melhor: as relações humanas. 

"Para finalizar, o mais importante é que esse período seja um momento incrível de conexão, de reunião e de aproveitarmos a presença uns dos outros e essa energia boa. Se o resultado esperado não vier, que nós possamos ter a maturidade de guardar a camisa, recolher as bandeiras e compreender que o valor real desse momento não está apenas na vitória ou na derrota, mas sim na nossa capacidade de conexão e união coletiva", conclui. 



Unifran


Gestão de Redes Sociais: como transformar presença digital em resultados?



A gestão de redes sociais deixou de ser apenas uma atividade operacional para ocupar um papel estratégico dentro das empresas. Isso porque, em um cenário cada vez mais digital, marcas que as utilizam apenas como canal de postagem acabam perdendo oportunidades relevantes de crescimento, relacionamento e geração de negócios.

Hoje, plataformas como Instagram, LinkedIn, Facebook e TikTok influenciam, diretamente, a percepção de marca e a decisão de compra dos consumidores. Muito mais do que expandir a visibilidade corporativa, passaram a funcionar como canais de construção de autoridade, geração de demanda e fortalecimento do posicionamento digital.

Especialistas apontam que existe uma diferença significativa entre apenas publicar conteúdos e desenvolver uma estratégia estruturada de redes sociais. Enquanto postagens sem direcionamento tendem a gerar apenas movimentação superficial, uma gestão estratégica considera objetivos de negócio, público-alvo, posicionamento e jornada do cliente. Nesse contexto, as redes sociais deixam de atuar apenas na comunicação e passam a contribuir, efetivamente, para o crescimento e geração de oportunidades comerciais.

Outro fator importante é suas atuações em diferentes etapas do funil de vendas. No topo, ajudam as empresas a ampliarem alcance e atrair atenção do público. No meio, fortalecem relacionamento e confiança. Já no fundo do funil, favorecem para a decisão de compra e validação da marca.

Mesmo quando a conversão acontece por outros canais, a presença digital influencia a percepção de valor do consumidor. Perfis ativos, conteúdos consistentes e posicionamento bem definido aumentam a credibilidade e reforçam a autoridade da empresa no mercado.

Comprovando esse impacto, dados da Sprout Social revelam que, quando os consumidores constroem uma conexão com uma marca nas redes sociais, 76% deles dão preferência a ela em vez de comprar de um concorrente. Somado a isso, mais da metade dos usuários de internet já utilizam essas plataformas como o principal canal de pesquisa sobre produtos. Ou seja, a decisão de compra começa a ser desenhada muito antes do cliente chegar ao site.

Por isso, uma gestão profissional de redes sociais envolve muito mais do que criação de posts. O trabalho inclui planejamento estratégico, definição de linhas editoriais, análise de métricas, produção de conteúdo e otimização contínua das ações. Do contrário, sem esse planejamento, a comunicação tende a ficar dispersa e desconectada dos objetivos da empresa.

Estratégicas bem construídas, na prática, conseguem alinhar branding, relacionamento e performance de forma integrada – tendo na produção de conteúdo um dos principais pilares desse processo. Textos educativos, informativos e relevantes ajudam as empresas a construírem relacionamento com seu público-alvo e, assim, aumentar o engajamento de forma mais consistente.

Além disso, a análise de dados passou a ser indispensável para a evolução dessas estratégias. Métricas como alcance, engajamento, retenção e conversão ajudam a identificar oportunidades de melhoria e a orientar decisões com mais precisão.

Outro ponto importante é a integração das redes sociais com outras estratégias digitais, como SEO, tráfego pago, CRM e automação de marketing. Empresas que trabalham essas frentes de forma integrada tendem a potencializar resultados e criar operações mais previsíveis.

Para que as empresas consigam colher todos esses benefícios, é importante se atentarem a alguns erros comuns na gestão de redes sociais. Entre os principais, estão o foco excessivo apenas na estética, ausência de consistência nas postagens, falta de análise de métricas e de estratégia clara.

Embora conteúdos visualmente atrativos sejam importantes, eles não sustentam o crescimento sozinhos. Sem objetivos bem definidos e acompanhamento de resultados, as redes sociais acabam funcionando apenas como um canal de comunicação — e não como uma ferramenta estratégica de negócio. Mas, quando utilizadas de forma estratégica, conseguem atrair potenciais clientes através de conteúdos educativos, distribuição de valor e campanhas segmentadas.

Quando combinadas ao tráfego pago, as plataformas digitais podem ampliar ainda mais o alcance e aumentar a previsibilidade na geração de demanda, permitindo que escalem resultados de forma mais eficiente.

À medida que o ambiente digital se torna mais competitivo, cresce a importância de estratégias orientadas por dados, testes e otimizações constantes. Empresas que conseguem unir conteúdo, branding e performance tendem a construir presença digital mais forte e sustentável. Mais do que manter perfis ativos, o desafio atual das marcas é transformar as redes sociais em canais reais de relacionamento, autoridade e crescimento.

 


Renan Cardarello - Fundador e Diretor da iOBEE - Agência de marketing digital e Growth.


iOBEE
https://iobee.com.br/


Feriado de 9 de julho em São Paulo: buscas por passagens de ônibus sobem 79%, segundo ClickBus

 Rio de Janeiro e Foz do Iguaçu lideram em crescimento na preferência dos passageiros paulistas

 

O feriado da Revolução Constitucionalista, celebrado no estado de São Paulo nesta quinta-feira (9), deve intensificar o movimento no turismo rodoviário. Diferente de 2025, quando a data caiu em uma quarta-feira, o calendário deste ano propicia um feriado prolongado.

Segundo levantamento da ClickBus, maior plataforma de soluções para viajantes e viações do setor rodoviário no Brasil, o volume total de buscas por viagens com embarques programados entre os dias 8 e 9 de julho registrou alta de 79% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O indicador sinaliza a escolha pelo modal rodoviário para viagens de média e longa distância, impulsionada pela busca por economia e pela conveniência da compra digital.


Destinos mais procurados

O Rio de Janeiro manteve a liderança no ranking de destinos em 2026, registrando quase o dobro de buscas em relação ao ano passado (+189,9%). No entanto, o maior crescimento proporcional entre as principais cidades foi de Foz do Iguaçu (PR), que mais que triplicou a procura por passagens (+218,8%), subindo da 6ª para a 5ª posição.

Cidades como Brasília (+144,3%), Goiânia (+136,7%), Belo Horizonte (+119,6%) e Curitiba (+101,1%) também registraram crescimento de três dígitos na comparação anual. No top 10 deste ano, Uberlândia (MG) estreou entre as mais desejadas, ocupando a vaga que em 2025 foi de Guarulhos (SP).


Ranking de preferência (2025 vs. 2026):

  • Em 2026: Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG), Foz do Iguaçu (PR), Goiânia (GO), Campinas (SP), Brasília (DF), Florianópolis (SC) e Uberlândia (MG).
  • Em 2025: Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG), Campinas (SP), Foz do Iguaçu (PR), Goiânia (GO), Florianópolis (SC), Brasília (DF) e Guarulhos (SP).


Planejamento e antecipação

A forte movimentação demonstr

a que o passageiro do estado de São Paulo quer aproveitar a folga prolongada para viajar pelo país e utiliza cada vez mais a internet para garantir suas poltronas com antecedência, evitando as tradicionais filas nas rodoviárias.

Para a ClickBus, a venda digital ajuda a organizar o grande volume de passageiros no feriado prolongado. Com a compra antecipada, as viações parceiras conseguem adequar a oferta de ônibus para diversos destinos, o que garante um embarque rápido e seguro para quem vai viajar.


Assédio moral no trabalho, psiquiatra ensina a reconhecer

Práticas abusivas continuam sendo confundidas com um modelo de gestão exigente

 

Com a inclusão dos riscos psicossociais na atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), as empresas passaram a ser cobradas não apenas pela prevenção de acidentes físicos, mas também pela identificação e redução de fatores que favorecem o sofrimento emocional, como ambientes hostis, pressão excessiva, violência psicológica e culturas organizacionais baseadas no medo. 

Para o psiquiatra corporativo Dr. Daniel Sócrates, doutor pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e especialista em saúde mental relacionada ao trabalho, o

assédio começa quando a cobrança passa a utilizar humilhação, intimidação, constrangimento, ameaças ou exposição como ferramenta de gestão. “O medo nunca pode ser um instrumento de liderança", afirma o especialista que alerta para o problema vai muito além dos episódios explícitos de agressão verbal. 

"Muitas formas de assédio são silenciosas. Ignorar sistematicamente um profissional, excluí-lo de reuniões importantes, desqualificar constantemente suas ideias, ridicularizá-lo diante da equipe ou retirar sua autonomia de maneira repetitiva também provocam sofrimento psicológico e podem comprometer seriamente sua saúde mental."

 

O assédio nem sempre grita 

Na prática clínica, Daniel Sócrates observa que muitos pacientes chegam ao consultório acreditando que estão apenas "cansados" ou "estressados", quando, na realidade, vivem há meses — ou anos — submetidos a um ambiente de violência psicológica. 

Entre os sinais mais frequentes estão:

  • ansiedade constante antes de ir ao trabalho;
  • insônia;
  • sensação permanente de incompetência;
  • medo de cometer erros;
  • queda de autoestima;
  • crises de choro;
  • irritabilidade;
  • dificuldade de concentração;
  • sintomas físicos, como dores de cabeça, alterações gastrointestinais e tensão muscular 

"Quando a pessoa começa a duvidar da própria capacidade, perde a confiança nas próprias decisões e vive em estado permanente de alerta, muitas vezes estamos diante de um ambiente psicologicamente adoecido, e não de uma fragilidade individual." 

O psiquiatra destaca que, em muitos casos, o problema não está apenas na postura de um gestor, mas na própria cultura organizacional. Empresas que estimulam competição excessiva, metas inalcançáveis, disponibilidade permanente, comparação pública entre funcionários e valorização do medo como estratégia de desempenho acabam criando um ambiente propício para o surgimento do assédio moral institucional. 

"Quando humilhar, expor ou pressionar continuamente passa a ser considerado uma forma aceitável de obter resultados, o problema deixa de ser individual e passa a fazer parte da cultura da organização."

Outro ponto frequentemente observado é a reprodução de modelos antigos de liderança. 

"Muitos gestores não percebem que estão assediando porque repetem exatamente o modelo sob o qual foram formados. Eles acreditam que 'sempre foi assim'. Mas práticas que antes eram naturalizadas hoje são reconhecidas como fatores importantes de adoecimento."

 

Metas impossíveis também adoecem 

Segundo Dr. Daniel, existe uma diferença importante entre metas desafiadoras e objetivos construídos para serem inalcançáveis. 

"Desafios estimulam crescimento. Já metas impossíveis produzem uma sensação permanente de fracasso, aumentam a autocobrança e favorecem ansiedade, exaustão emocional e burnout. O trabalhador passa a acreditar que nunca será suficiente, independentemente do quanto se dedique." 

O especialista também chama atenção para situações em que profissionais recebem orientações contraditórias, são responsabilizados por problemas que não controlam ou nunca conseguem atender às expectativas da liderança. 

"Quando qualquer decisão parece errada e toda entrega é motivo de crítica, instala-se um ambiente de insegurança psicológica extremamente nocivo."

 

Alta performance não depende do medo 

Embora muitas empresas ainda associem pressão intensa à produtividade, as evidências mostram o contrário. "A inovação, a colaboração e a alta performance sustentáveis acontecem em ambientes onde existe segurança psicológica. Pessoas que trabalham sob medo gastam energia tentando se proteger. Pessoas que trabalham com confiança conseguem concentrar seus esforços em criar, resolver problemas e gerar resultados." 

Para o psiquiatra, reconhecer o assédio moral deixou de ser apenas uma obrigação legal e tornou-se uma estratégia de saúde pública e de gestão.

"O custo do assédio não aparece apenas nos processos trabalhistas. Ele está no aumento dos afastamentos, do presenteísmo, do turnover, da perda de talentos e do adoecimento coletivo. Cuidar da saúde mental nas organizações deixou de ser uma ação de bem-estar; hoje é uma necessidade para proteger pessoas e garantir a sustentabilidade das empresas."  



Dr. Daniel Sócrates - Médico psiquiatra, doutor pela UNIFESP, com mais de duas décadas de atuação clínica. Dedica-se ao cuidado de profissionais que enfrentam altos níveis de exigência e responsabilidade, com abordagem focada em performance sustentável, saúde mental e qualidade de vida.
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Trincheira paulista: encontrando a memória da Revolução de 193

Setur-SP percorre cinco destinos onde soldados defenderam a bandeira paulista e revelam museus, monumentos e lugares que deixaram rastros na História

 

O túnel que liga Cruzeiro (SP) e Passa Quatro (MG) foi palco das mais ferozes escaramuças durante a Revolução Constitucionalista, entre julho e outubro de 1932. Esse trecho ferroviário atualmente faz parte do programa SP nos Trilhos, do Governo do Estado, sendo um dos muitos equipamentos turísticos que são pontos de visitação para o turista conhecer mais a fundo e relembrar esse momento histórico em solo paulista, que provocou o crescimento de São Paulo no século XX. 

Para sinalizar algumas cidades paulistas e suas memórias de 1932, a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) destacou cinco destinos que testemunharam os combates e todo o esforço do povo bandeirante por uma Constituição. São trincheiras, museus, monumentos e memoriais, todos dedicados à memória dos combatentes, onde mapas, fotos de época, armas, canhões e veículos conduzem estudantes, moradores e turistas ao passado.

 

SÃO PAULO 

Na Capital, epicentro do movimento de 1932, o Obelisco do Ibirapuera é um dos monumentos mais evidentes, considerado o maior símbolo da Revolução paulista. Com 72 metros de altura e projetado pelo escultor Galileo Ugo Emendabili, o Obelisco é um mausoléu feito em mármore travertino que faz a guarda de restos mortais de centenas de heróis, o que inclui os estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo (que deram origem à sigla M.M.D.C.), além do poeta Guilherme de Almeida e outras figuras icônicas de 1932. A visitação é gratuita, de terça a domingo (das 8h às 17h). O Obelisco foi inaugurado em 9 de julho de 1955. 

Em São Paulo, o Museu da Polícia Militar, na Luz, abriga um acervo com fardas utilizadas durante os combates de 1932. O Museu fica na R. Dr. Jorge Miranda, 308, aberto de terça a domingo, das 10h às 18h. No centro, na R. Álvares Penteado, 23, está o Edifício Ouro Para o Bem de São Paulo, em estilo art déco e construído com doações das alianças de casamento das senhoras paulistas, cuja campanha de arrecadação visava obter fundos para manter a Revolução. A fachada representa a bandeira paulista e os andares representam as 13 listras do símbolo de São Paulo.

 

CRUZEIRO 

Conhecida como a Capital da Revolução de 1932, Cruzeiro (a 216 km de São Paulo) localiza-se no Vale do Paraíba e programou eventos para todo o mês de julho em comemoração desde sexta-feira (3). A cidade foi cenário de combates sangrentos (principalmente no Túnel da Mantiqueira, na divisa com Minas) e foi em Cruzeiro a assinatura do armistício, com a rendição das tropas de São Paulo. Outro local de turismo cívico local é o Mirante do Belvedere da Santa, onde ocorrem eventos que relembram a Revolução. 

No dia 3, a programação oficial começou às 19h, no Teatro Capitólio, com solenidades de abertura do mês da Revolução 1932, entregas de honrarias e o tradicional passeio do Trem Expresso da Mantiqueira, com homenagens a ex-combatentes. O Memorial de 1932 (R. Av. Major Novaes, 126, no Centro) reúne mais de 300 itens, incluindo armas, artefatos, cartas e documentos da época, funciona no prédio histórico Dr. Arnolfo de Azevedo (onde foi assinado o armistício), com horários de segunda a sexta, das 9h às 17h e sábados, das 9h às 13h.

 

CAMPINAS

O escoteiro campinense Aldo Chioratto, de 9 anos, era mensageiro para as tropas de São Paulo, quando morreu vítima de bombardeios inimigos. Seus restos foram transferidos para o Obelisco do Ibirapuera. Campinas (a 94 km de São Paulo) enviou cerca de 2 mil soldados para os combates e sua malha ferroviária abastecia as tropas paulistas. A cidade sofreu intensos bombardeios pelos aviões de Getúlio Vargas, em setembro de 1932. Anualmente, é celebrado na cidade o 9 de julho no Mausoléu de 1932, no Cemitério da Saudade (Pr. Voluntários de 32, no bairro Swift).

 

SÃO JOÃO DA BOA VISTA

Base militar para as tropas paulistas durante a Revolução de 1932, São João da Boa Vista (a 216 km da capital) foi palco de batalhas e abrigou destacamentos que permaneceram invictos. A célebre professora primária Maria Stela Rosa Sguassábia foi a única mulher a lutar nas trincheiras, morrendo em combate. A população local ajudou com ações voluntárias, confecção de fardas e logística. Atualmente, a memória de 1932 encontra-se no Mausoléu da Revolução de 1932, no Cemitério São João Batista (R. da Saudade, 106, na Vila Conrado).

 

APIAÍ

A 317 km de São Paulo, no Alto Vale do Ribeira, o centro de Apiaí foi palco de intensos combates contra as forças de Getúlio Vargas, em 1932. A Cadeia municipal foi utilizada como cárcere. O prédio do hospital, que recebia soldados feridos, hoje é a Casa do Artesão (o Museu de Cerâmica de Apiaí, na Praça Jonas Batista, número 9, no Centro). Alguns combatentes foram ali enterrados.

 

TRÊS MESES DE COMBATE, IRMÃO X IRMÃO

De julho a outubro de 1932, os 87 dias de conflito da Revolução Constitucionalista tomaram as mentes e os corações dos paulistas de todos os cantos do Estado. Hoje, o turista pode visitar equipamentos como o bunker utilizado pelos soldados em Mogi Mirim (a 153 km de São Paulo), na região leste paulista ou percorrer a pé o promontório onde está situada a Fortaleza de Itaipu, em Praia Grande (a 77 km da capital), no Litoral Sul, que sofreu um bombardeio aéreo histórico, de hidroaviões Savoia-Marchetti S.55, das forças aéreas legalistas, em 15 de setembro daquele ano. A única vítima fatal das bombas foi uma baleia grávida. 


Como superar a escassez de profissionais qualificados em SAP?


A escassez de profissionais qualificados em TI, infelizmente, é uma realidade triste, mas que já vem há um bom tempo fazendo parte deste mercado. No entanto, em se tratando do ecossistema SAP, estamos falando de um verdadeiro apagão de talentos especializados nessa esfera corporativa. As razões para isso? São várias, desde acessos restritos até a resistência em investir em qualificações.

Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), o Brasil forma pouco mais de 53 mil profissionais de TI por ano, mediante projeções que apontam a necessidade de 150 mil. Ainda de acordo com o estudo, caso o descompasso permaneça, esse déficit pode ultrapassar meio milhão de especialistas até 2029.

Mas não é preciso esperar os próximos anos para identificar os impactos desse desafio estrutural. De acordo com a pesquisa de Escassez de Talentos 2026 da ManpowerGroup, o país registra um índice de 80% de dificuldade na contratação de profissionais qualificados, superando a média global — sendo esse um obstáculo para o crescimento das organizações, especialmente no setor de tecnologia.

A fim de driblar esse cenário, as empresas vêm investindo no desenvolvimento interno da equipe para suprir essa lacuna. Considerando o exemplo do ecossistema SAP, essa é uma importante abordagem, tendo em vista que a multinacional alemã segue anunciando diversas mudanças nos processos, o que reforça a necessidade de constante atualização por parte dos colaboradores para uma aplicação efetiva no dia a dia operacional.

Por sua vez, embora essa pareça a solução para todos os problemas, na prática não é bem assim que acontece. Não é incomum presenciarmos profissionais, considerados seniores, que têm resistência em investir e aceitar passar por um processo de atualização, deixando de lado coisas novas que precisam ser aplicadas. Esse aspecto também é um importante fator que contribui com a escassez de profissionais qualificados neste mercado.

Da mesma forma, existe um problema externo. E não estamos falando apenas dos dados da Brasscom, mas também do acesso restrito ao ecossistema SAP, no qual as consultorias dificilmente dão espaço para alocar profissionais juniores. Ainda, a multinacional alemã é conhecida por disponibilizar vasto conteúdo teórico, enquanto suas provas de certificação são práticas. Sem um ambiente democrático para exercitar o aprendizado, romper a barreira da formação torna-se o ponto mais crítico e urgente para a nova geração de talentos.

No mercado, existem pessoas diversas que abrangem desde iniciantes até aquelas que estão migrando de carreira, e esse público também precisa de oportunidades. Ao invés de abordar apenas a escassez de profissionais como um obstáculo, é preciso ir além e encontrar formas de superar esse desafio.

Investir na capacitação, sem dúvidas, é o principal caminho. Quando falamos isso, abrimos a porta para mais um assunto “polêmico”: a retenção de talentos. Afinal, como garantir que o profissional que receberá treinamentos permanecerá na empresa? Quanto a isso, é crucial destacar que não há como assegurar essa permanência, já que se trata de uma realidade do mercado. Mas, antes de avaliar o custo de “perder”, é essencial pensar no custo de sobrecarregar a equipe e não ter colaboradores devidamente qualificados, treinados e atualizados acerca das instruções de um universo que está em constante mudança.

Para aqueles que querem ingressar nessa carreira, um importante diferencial é buscar por qualificações que unam o teórico e o prático. Ou seja, da mesma forma que é essencial saber colocar o conhecimento em ação, antes de tudo é necessário conhecer a fundo o assunto, principalmente considerando a atual era da IA que vem exigindo, cada vez mais, a utilização de skills estratégicas para potencializar o seu uso.

Atualmente, o mercado vem vivenciando uma grande demanda de projetos SAP impulsionados, principalmente, pela crescente onda de migrações. Ao olhar para esse cenário, ter profissionais qualificados é essencial para suprir a demanda. Quanto a isso, é fundamental que tanto as consultorias quanto parceiros atuem na criação de pontes que proporcionem a entrada e a qualificação de novos talentos. Afinal, o futuro do ecossistema será construído pela coragem de formar as mentes que vão liderar a próxima onda de inovação.




Danilo Oliveira Co-founder da Moovi.

Moovi Education
https://moovi.education/

Ter um plano B deixou de ser exceção e virou estratégia de carreira, afirma especialista do Infojobs

Movimento conhecido como career cushioning cresce entre profissionais que buscam aumentar a segurança diante das incertezas do mercado de trabalho

 

Atualizar o currículo sem estar procurando emprego, investir em cursos de capacitação, ampliar o networking e acompanhar vagas abertas se tornaram hábitos cada vez mais comuns entre profissionais empregados. 

O comportamento ganhou um nome no mercado internacional: career cushioning. Em tradução livre, o conceito representa a construção de uma rede de proteção profissional para enfrentar possíveis mudanças no emprego ou no cenário econômico. 

A tendência ganhou força nos últimos anos em meio às transformações aceleradas do mercado de trabalho, impulsionadas pela digitalização, pelas novas formas de contratação e pelo avanço da inteligência artificial. 

Para Monize Oliveira, Gerente Sênior de Marketing e Comunicação da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs, o movimento não deve ser interpretado como falta de comprometimento dos profissionais com as empresas onde trabalham atualmente. 

“O que observamos é uma postura mais estratégica em relação à própria carreira. Os profissionais entenderam que a empregabilidade precisa ser construída continuamente e não apenas quando surge uma necessidade urgente de recolocação”, afirma. 

Segundo a executiva do Infojobs, o conceito de estabilidade passou por uma transformação importante nos últimos anos. Em vez de associar segurança à permanência em uma única empresa, muitos trabalhadores passaram a relacioná-la à capacidade de gerar novas oportunidades. 

Essa mudança explica o aumento da procura por cursos de especialização, certificações, eventos profissionais e iniciativas de networking. O objetivo é manter a competitividade em um mercado cada vez mais dinâmico. 

Esse cenário também reflete uma exigência crescente das próprias empresas, que cobram dos profissionais reinvenção constante diante das transformações do mercado. Como consequência, os trabalhadores têm ampliado sua visão sobre as possibilidades profissionais, enxergando oportunidades que vão além do emprego atual. 

“Quem investe constantemente em aprendizado, relacionamento e atualização profissional tende a responder melhor às mudanças do mercado. O plano B deixou de ser uma alternativa emergencial e passou a fazer parte da gestão da carreira”, diz. 

A tendência indica uma mudança cultural relevante. “Em vez de reagir apenas quando enfrentam um problema profissional, os trabalhadores estão adotando uma postura preventiva, construindo caminhos alternativos antes mesmo de precisarem deles”, conclui Monize.


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