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quinta-feira, 25 de junho de 2026

Frio, pressão alta e maior risco de infarto: cardiologista explica por que o coração sofre mais no inverno

 Queda das temperaturas provoca alterações no organismo que aumentam a pressão arterial, favorecem a formação de coágulos e elevam o risco de eventos cardiovasculares


As baixas temperaturas do inverno não impactam apenas as doenças respiratórias. O frio também representa um desafio importante para o sistema cardiovascular e está associado ao aumento de internações e mortes por infarto, AVC e insuficiência cardíaca em diferentes países.

Uma revisão publicada no Journal of the American College of Cardiology identificou uma relação consistente entre a queda da temperatura ambiente e o aumento de eventos cardiovasculares. Segundo os pesquisadores, o frio intenso está associado a maior incidência de infarto agudo do miocárdio, AVC, insuficiência cardíaca e mortalidade cardiovascular, especialmente entre idosos e pessoas com doenças crônicas.

"O organismo reage ao frio tentando preservar calor. Para isso, ocorre a contração dos vasos sanguíneos, um processo chamado vasoconstrição. Isso faz a pressão arterial subir e aumenta o esforço que o coração precisa fazer para bombear sangue", explica Dra. Bianca Maria Prezepiorski, cardiologista do Hospital Costantini.

O impacto dessa resposta fisiológica pode ser significativo. Um estudo publicado na revista BMJ Open analisou mais de 1,7 milhão de mortes ocorridas em 13 países e concluiu que temperaturas baixas estiveram associadas a mais mortes do que temperaturas elevadas. Entre as principais causas estão justamente as doenças cardiovasculares.

Além do aumento da pressão arterial, o frio também provoca alterações na circulação sanguínea. Pesquisas mostram que durante períodos de baixas temperaturas ocorre aumento da viscosidade do sangue e maior ativação de mecanismos de coagulação.

"Quando uma pessoa já possui placas de gordura nas artérias, esse cenário se torna mais perigoso. O aumento da pressão pode contribuir para a ruptura dessas placas e a maior tendência à coagulação favorece a formação de trombos que podem obstruir a circulação e provocar infarto ou AVC", afirma a especialista.

Outro fator que preocupa os cardiologistas é a realização de esforço físico intenso em ambientes frios. De acordo com a American Heart Association, atividades como corrida, caminhada acelerada, ciclismo ou até mesmo trabalhos domésticos pesados exigem um esforço adicional do coração quando realizadas sob baixas temperaturas.

Isso ajuda a explicar por que o inverno costuma ser um período de maior atenção para pacientes cardíacos.

Dados do Ministério da Saúde mostram que as doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no Brasil. Entre elas, infarto e AVC lideram os registros de óbitos e internações, o que reforça a importância da prevenção durante períodos de maior risco.


Quem merece atenção especial

O risco cardiovascular durante o inverno é mais elevado entre idosos, hipertensos, diabéticos, fumantes, pessoas com colesterol elevado, obesidade ou histórico de doenças cardíacas.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, a hipertensão arterial afeta cerca de 30% da população adulta brasileira e é um dos principais fatores de risco para infarto, AVC e insuficiência cardíaca. Como a pressão tende a aumentar nos meses frios, o acompanhamento médico e a adesão ao tratamento tornam-se ainda mais importantes.

"É comum que os pacientes relaxem nos cuidados durante o inverno. Muitos deixam de praticar atividade física, ganham peso, consomem mais alimentos ricos em sódio e reduzem a hidratação. Essa combinação aumenta ainda mais o risco cardiovascular", alerta Dra. Bianca.


O papel das infecções respiratórias

O inverno também traz um fator de risco indireto para o coração: o aumento das infecções respiratórias.

Estudos internacionais mostram que gripe, pneumonia e outras infecções podem desencadear processos inflamatórios capazes de aumentar o risco de infarto e AVC nas semanas seguintes ao quadro infeccioso.

Por isso, especialistas recomendam que idosos, cardiopatas e pacientes com doenças crônicas mantenham a vacinação atualizada contra influenza e pneumococo.

"Vacinar-se não protege apenas contra complicações respiratórias. Em muitos casos, também reduz o risco de descompensações cardiovasculares associadas às infecções", explica a cardiologista.


Sinais que exigem atendimento imediato

O especialista alerta que qualquer suspeita de evento cardiovascular deve ser tratada como emergência.

Os principais sinais de alerta incluem:

• Dor ou pressão no peito;

• Dor irradiada para braço, costas, mandíbula ou ombro;

• Falta súbita de ar;

• Suor frio;

• Tontura ou sensação de desmaio;

• Palpitações intensas;

• Fraqueza repentina em um lado do corpo;

• Alteração da fala ou confusão mental.

"Muitas mortes ocorrem porque as pessoas demoram para procurar atendimento. Em cardiologia, tempo significa músculo cardíaco preservado e vidas salvas", conclui Dra. Bianca Maria Prezepiorski.

 

Hospital Cardiológico Costantini


Vitiligo: conheça os mitos e as verdades sobre a doença

No Dia Mundial do Vitiligo, especialista explica as causas, os tratamentos disponíveis e desfaz equívocos que ainda cercam a doença.



Apesar de afetar cerca de 1% da população mundial, o vitiligo ainda é cercado por desinformação e preconceitos. A doença autoimune, caracterizada pelo surgimento de manchas esbranquiçadas na pele devido à destruição dos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina, pode surgir em qualquer idade e impactar não apenas a saúde física, mas também o bem-estar emocional dos pacientes.

 

A data de 25 de junho marca o Dia Mundial do Vitiligo, criado para ampliar a conscientização sobre a doença e combater o estigma que ainda acompanha quem convive com a condição. A escolha da data faz referência ao cantor Michael Jackson, um dos casos mais conhecidos mundialmente de pessoas diagnosticadas com vitiligo.

 

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a doença costuma surgir antes dos 30 anos e tem origem multifatorial, envolvendo fatores genéticos, imunológicos e ambientais. Embora não seja contagiosa nem represente risco direto à vida, ainda desperta dúvidas e concepções equivocadas.

 

Para a dermatologista e coordenadora nacional da pós-graduação em Dermatologia da Afya Educação Médica, Dra. Maria de Fátima Maklouf, ampliar o acesso à informação é fundamental para reduzir o preconceito. “O vitiligo não deve ser motivo de exclusão social. Quanto mais a população compreende a doença, maiores são as chances de combatermos estigmas e garantirmos acolhimento e qualidade de vida para os pacientes”, afirma.

 

Mitos e verdades sobre o vitiligo

 

Mito: o vitiligo é causado por nervosismo


Embora o estresse emocional possa influenciar o surgimento ou a evolução das lesões em algumas pessoas, ele não é considerado a causa da doença.

 

“O vitiligo tem origem multifatorial, envolvendo fatores genéticos, imunológicos e ambientais. O estresse pode funcionar como um gatilho em indivíduos predispostos, mas não é responsável pelo desenvolvimento da doença por si só”, explica a especialista.

 

Mito: as manchas sempre aumentam e se espalham pelo corpo


A evolução do vitiligo varia de paciente para paciente. Enquanto algumas pessoas apresentam progressão rápida, outras permanecem anos com a doença estabilizada.

“Existe a falsa ideia de que as manchas inevitavelmente vão se espalhar. Na prática, cada caso apresenta um comportamento diferente e a evolução não segue um padrão único. É preciso avaliar clinicamente cada caso”, destaca.

 

Verdade: pessoas com vitiligo precisam redobrar os cuidados com o sol


As áreas despigmentadas possuem menor proteção natural contra a radiação ultravioleta, tornando-se mais vulneráveis a queimaduras.

“O uso diário de protetor solar é indispensável para quem convive com o vitiligo. Além de proteger a pele, essa medida ajuda a prevenir danos causados pela exposição excessiva ao sol”, orienta.

 

Mito: não existe tratamento para o vitiligo


Embora ainda não haja cura definitiva, os avanços da dermatologia ampliaram significativamente as opções terapêuticas disponíveis.

“Hoje contamos com recursos capazes de controlar a progressão das lesões e, em muitos casos, promover uma melhora importante da repigmentação da pele. O tratamento deve ser individualizado e acompanhado por um especialista”, explica.

 

Verdade: o vitiligo vai além de uma questão estética


Além das alterações na pele, a doença pode afetar a autoestima, a confiança e as relações sociais dos pacientes.

 

“Muitas pessoas enfrentam desafios emocionais decorrentes do preconceito e da exposição das lesões. Por isso, o cuidado com o paciente deve considerar não apenas a saúde da pele, mas também os aspectos psicológicos envolvidos na convivência com a doença”, conclui a dermatologista.

 

Afya
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ir.afya.com.br


Referência

“Cuidado com a Alergia é Cuidado Essencial" alerta para a saúde de toda a família

Para garantir uma vida com mais qualidade, a ASBAI preparou algumas orientações

 

"Cuidado com a Alergia é Cuidado Essencial" é o tema da campanha deste ano da semana Mundial da Alergia, que acontece de 21 a 27 de junho, e é organizada pela World Allergy Organization. No Brasil, a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) está à frente das ações. Prevenir, diagnosticar e tratar são os pilares fundamentais para o controle das doenças alérgicas, que apresentam alta a cada ano, sendo as mudanças climáticas um dos fatores desse crescimento.  

As doenças alérgicas são extremamente prevalentes no Brasil, entre elas podemos citar a rinite alérgica, que atinge cerca de 30% da população. Cerca de 26% das crianças brasileiras têm rinite e em adolescentes esse percentual vai a 30%, de acordo com dados do ISAAC (Estudo Internacional de Asma e Alergias na Infância), aplicados em vários estados brasileiros.   

Os sintomas da rinite são caracterizados por coceira frequente no nariz e/ou nos olhos, espirros seguidos, principalmente pela manhã e à noite, coriza (nariz escorrendo) frequente e obstrução nasal, mesmo na ausência de resfriados”, explica a presidente da ASBAI.  

A asma alérgica é outra condição muito prevalente no Brasil, atingindo cerca de 20% da população brasileira. No mundo, a asma afeta cerca de 260 milhões de indivíduos e é responsável por mais de 450 mil mortes anuais. Os principais sintomas da asma são falta de ar, chiado no peito, tosse, sensação de cansaço e dor no peito (frequentemente após esforço físico ou até mesmo ao falar e rir).  

Outra doença com impacto significativo na qualidade de vida é a dermatite atópica, doença crônica da pele, não contagiosa, que afeta pessoas de todas as idades, mas, principalmente, crianças - cerca de 20% - sendo que 5% dessas apresentam a forma mais grave da doença. Aproximadamente 60% dos casos se iniciam no primeiro ano de vida. Estima-se que 3% dos adultos tenham dermatite atópica. A coceira intensa e as lesões de pele levam o paciente a quadros de ansiedade e, em alguns casos, até à depressão.  

Urticária, alergia alimentar, alergia a medicamentos, angioedema hereditário e erros inatos da imunidade são outras doenças tratadas pela especialidade de Alergia e Imunologia e que têm impacto profundo na qualidade de vida dos indivíduos.   

Quem cuida, também precisa de cuidado: É comum que pais e cuidadores dediquem atenção total ao controle das crises das crianças, mas convivam com sintomas próprios sem buscar ajuda. “No dia a dia do consultório, observarmos mães que controlam a alergia dos filhos, mas ignoram a própria rinite. O adulto, muitas vezes, considera uma crise de asma "apenas uma tossinha" e não procura atendimento médico”, conta Dra. Fátima Rodrigues Fernandes, presidente da ASBAI.   

Para garantir uma vida com mais qualidade, a ASBAI preparou algumas orientações: 

·         O diagnóstico não é o fim, mas o início do controle. Seguir o tratamento prescrito previne crises graves. 

·         Sintomas como tosse persistente, espirros constantes, coceira na pele e falta de ar não devem ser normalizados. Podem ser sinais de alergias não diagnosticadas. 

·         Alergia é uma doença séria, não "frescura". Informação médica segura é o único caminho para proteger a saúde, evitando receitas caseiras sem comprovação. 

·         O tratamento vai além dos remédios. O controle de poeira, mofo e ácaros no ambiente doméstico é parte integrante e essencial do tratamento. 

 

“Nesta Semana Mundial da Alergia, o convite é para que cada indivíduo olhe para sua própria saúde com o mesmo carinho e prioridade que dedica a quem ama. Buscar um especialista em Alergia e Imunologia e manter o tratamento prescrito é o primeiro passo para garantir que o cuidado seja, de fato, essencial”, comenta a presidente da ASBAI.  




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Canetas emagrecedoras já impactam o carrinho do brasileiro: estudo inédito aponta que mais da metade das doses consumidas de GLP-1 pode vir do mercado informal

 O uso de GLP-1 cresceu 239% em apenas um ano no Brasil e já começa a transformar hábitos de consumo, retraindo categorias como cerveja, chocolate e refrigerante e impulsionando alimentos frescos, suplementos proteicos, vitaminas e suplementos nutricionais


Scanntech


O mercado informal de medicamentos à base de GLP-1 pode responder por mais da metade das doses consumidas no Brasil. A estimativa faz parte do estudo realizado pela Scanntech, empresa líder em inteligência de dados para o varejo e a indústria de bens de consumo de alto giro, que aponta que, considerando a soma do mercado formal e da estimativa de consumo do mercado informal, o uso desses medicamentos cresceu 239% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. 

Para estimar a dimensão do mercado informal de medicamentos à base de GLP-1, a Scanntech analisou a evolução das vendas de seringas em farmácias e construiu uma linha de base histórica associada ao consumo de insulina. O crescimento das vendas desse material de aplicação injetável observado acima da tendência esperada para o consumo de insulina foi utilizado como indicador do uso de medicamentos adquiridos em ampolas, fora dos canais formais de comercialização. 

"Embora não seja possível mensurar diretamente o mercado informal, podemos buscar relações. Observamos nas farmácias um crescimento das vendas de seringas de insulina muito superior ao que seria esperado apenas pela evolução do consumo de insulina. Esse excedente nos permite estimar que, possivelmente, mais de 50% das doses de GLP-1 em circulação no país, desde o último trimestre de 2025, estejam sendo consumidas fora do mercado formal em farmácias", explica Priscila Ariani, diretora de Marketing da Scanntech.

 

O GLP-1 já começa a impactar o volume de vendas dos supermercados

Esse avanço das canetas emagrecedoras também começa a se refletir no varejo alimentar, segundo o estudo. Após isolar o crescimento do consumo dos medicamentos de fatores externos como renda, emprego, endividamento e condições climáticas, a análise estima que o uso de medicamentos a base de GLP-1 resulte em uma redução de 0,49% ao ano no volume total de alimentos vendidos nos supermercados brasileiros, com impacto mais intenso nas cestas associadas à indulgência, com destaque para bebidas, que registram retração de 0,91% ao ano. Perecíveis embalados (-0,66%), mercearia (-0,53%) e mercearia básica (-0,43%) também estão entre os piores resultados. 

Entre as categorias, cerveja (-1,03%), petiscos e snacks (-0,82%), chocolate (-0,72%), biscoitos (-0,63%), goma de mascar (-0,55%), refrigerantes (-0,55%) e balas e pirulitos (-0,51%) lideram as quedas provocadas pela crescente adoção dos medicamentos a base de GLP-1 no Brasil. 

Para aprofundar a compreensão sobre a penetração do GLP-1 no País, a Scanntech realizou uma pesquisa quantitativa, com mais de 2 mil pessoas adultas, representativas da população. O levantamento avaliou aspectos como penetração, perfil desses consumidores, motivações de uso e disposição de começar a usar diante de uma eventual redução de preços, já esperada pela queda da patente. Os resultados mostram que 6% dos brasileiros adultos já fazem uso desses medicamentos. 

A pesquisa também revela que os usuários de GLP-1 são consumidores contumazes em quase todas as outras categorias. Em comparação aos não usuários de GLP-1, eles consomem de quatro a cinco vezes mais cerveja, destilados, delivery, restaurantes e fast food, além de gastarem de duas a três vezes mais com academias, suplementos e vitaminas. Esse perfil ajuda a explicar o impacto do GLP-1 sobre o varejo, já que a redução do consumo ocorre justamente entre consumidores historicamente mais intensos. 

Os dados indicam que a motivação de uso do GLP-1 vai além das indicações médicas. Embora o combate à obesidade seja a principal motivação declarada (29,5%), a perda rápida de peso (28,6%), o controle do apetite (23,8%) e a manutenção de peso (24,1%) aparecem logo em seguida, acima de outras questões de saúde, como a redução do risco cardiovascular (22,8%) e diabetes tipo 2 (16,7%). 

O consumo de GLP-1 tem idade, renda e gênero predominantes. A maior concentração de consumidores está entre mulheres de 25 a 34 anos, com renda mensal entre R$ 22 mil e R$ 32 mil. Consumidores com mais de 50 anos têm, estatisticamente, o menor consumo de GLP-1 e o maior consumo de alimentos frescos na alimentação diária. 

O período de uso tende a ser curto. Dos que utilizam GLP-1 atualmente, 66,5% estão em tratamento há cinco meses ou menos. Além disso, 63,7% dos atuais consumidores de GLP-1 declaram baixa ou muito baixa intenção de continuar.

 

O que muda na cesta de consumo

O impacto não se concentra apenas nas perdas. Os números apontam crescimento em categorias como alimentos frescos (+11,5%), academia e bem-estar (+9,6%), suplementos proteicos (+9,1%), água com e sem gás (+7,9%) e vitaminas e suplementos (+7,4%). Entre os usuários, 29% relataram perda de massa magra, um dado que ajuda a contextualizar o crescimento observado em proteínas e suplementos. 

"Um dos aspectos mais relevantes observados na pesquisa é que parte das mudanças nos hábitos alimentares persiste mesmo após o fim da utilização do GLP-1. Entre os usuários atuais, 54% afirmam que alimentação saudável é prioridade, enquanto os índices registrados entre ex-usuários permanecem acima dos observados entre quem nunca utilizou o medicamento", afirma Priscila.
 

Mercado informal e potencial de crescimento

Do ponto de vista financeiro, 87,4% das pessoas custeiam o tratamento do próprio bolso. 72% gastam até R$ 600 por mês, enquanto 26,5% não contam com nenhum tipo de desconto e 39,2% afirmam comprometer uma parcela significativa da renda com o medicamento. O valor médio mencionado fica abaixo do preço oficial das marcas de referência, o que pode reforçar a presença de um mercado informal. 

Os dados declarados pelos entrevistados também ajudam a compreender a dimensão desse cenário. Na pesquisa quantitativa com consumidores, apenas 5,2% dos usuários afirmam utilizar medicamentos manipulados. Já no estudo que estima o consumo total de GLP-1 a partir de dados de mercado, os resultados indicam que o canal informal pode representar mais de 50% das doses em circulação no país. 

A diferença entre os resultados das duas análises não representa uma inconsistência. Enquanto a pesquisa captura as respostas declaradas pelos consumidores, o estudo de varejo estima o consumo a partir do comportamento observado no mercado, sugerindo que parte dos usuários pode não declarar ou não ter ciência de que seu medicamento é originado fora de uma cadeia formal de abastecimento. 

A pesquisa mostra ainda que 47,3% dos entrevistados ficariam mais interessados em iniciar ou retomar o tratamento com GLP-1 diante da entrada de novas opções no mercado. Trata-se de um público com perfil de consumo próximo ao dos atuais usuários de GLP-1, marcado por maior frequência de consumo fora do lar, delivery e categorias associadas à indulgência. 

A queda da patente e a recém chegada de novos medicamentos ao mercado, comercializados a partir de R$ 452, representam uma redução importante da barreira financeira de acesso, impulsionando tanto a formalização do consumo quanto a expansão da base de usuários.

 

Scanntech

 

Tecidos pesados e abafamento: por que os casos de candidíase disparam no inverno?

Com a queda das temperaturas, o uso prolongado de calças justas e roupas térmicas altera o microambiente vaginal; médico orienta sobre os hábitos preventivos para evitar infecções recorrentes.

 

Com a chegada do inverno e a consequente queda das temperaturas, um problema de saúde feminina costuma registrar um aumento silencioso, mas bem incômodo, nos consultórios. O uso frequente de calças jeans grossas, meias-calças e roupas térmicas, embora essencial para espantar o frio, acaba criando um cenário perfeito para a proliferação de fungos. De acordo com dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), aproximadamente 75% das mulheres terão pelo menos um episódio de candidíase ao longo da vida, e o abafamento da região pélvica nos meses mais frios do ano é um dos principais gatilhos para o surgimento da infecção.

O ginecologista Michael Zarnowski explica que o hábito de empilhar camadas de tecidos pesados compromete diretamente a ventilação natural do corpo. Segundo o especialista, o ecossistema da região íntima depende de um equilíbrio delicado de temperatura e umidade. Quando a área fica excessivamente aquecida e sem contato com o ar por muitas horas seguidas, o ambiente se torna úmido e quente, condições que favorecem o crescimento acelerado do fungo Candida albicans, que já habita o organismo em pequenas quantidades.

"No inverno, as pessoas tendem a passar o dia inteiro com peças sobrepostas e, muitas vezes, com tecidos sintéticos que impossibilitam a pele de respirar. Esse microambiente alterado quebra as defesas naturais da mulher", afirma Zarnowski. O médico ressalta que o incômodo, caracterizado por coceira intensa, vermelhidão e corrimento esbranquiçado, não deve ser encarado como uma fatalidade da estação, já que pequenas mudanças na rotina diária são suficientes para blindar o organismo.

Uma das principais recomendações do profissional para enfrentar os dias frios sem abrir mão do conforto é alternar o guarda-roupa. A preferência deve ser sempre por calcinhas de algodão e, sempre que possível, por saias ou vestidos longos combinados com casacos pesados, deixando as calças coladas ao corpo para ocasiões pontuais. Outro erro comum apontado pelo especialista é a permanência prolongada com roupas úmidas após treinos em academias ou banhos quentes.

"Muitas mulheres acreditam que a candidíase está ligada apenas ao verão e às roupas de banho molhadas, mas o inverno esconde esse perigo no excesso de zelo para se proteger do frio. É fundamental que a região passe por períodos de ventilação, inclusive durante o sono, quando o uso de calcinha pode ser dispensado", orienta o ginecologista. Ele reforça que o cuidado preventivo evita que o problema se torne recorrente e exija tratamentos mais longos.

  

Fonte: Dr. Michael Zarnowski — Ginecologista especialista em Endometriose.

 

Dia Mundial do Vitiligo: doença pode surgir antes dos 30 anos e exige atenção aos primeiros sinais

Vitiligo afeta mais de 1 milhão de brasileiros e pode surgir em
 qualquer idade, sendo mais comum antes dos 30 anos 
 Banco de Imagens
Médica especializada em Dermatologia Flávia Villela reforça a importância do diagnóstico precoce e dos cuidados com a saúde emocional dos pacientes

 

As manchas brancas características do vitiligo podem aparecer de forma gradual e atingir diferentes regiões do corpo, muitas vezes ainda antes dos 30 anos. No Dia Mundial do Vitiligo, 25 de junho, a médica especializada em Dermatologia Flávia Villela destaca que reconhecer os sinais iniciais da doença é fundamental para iniciar o tratamento precocemente e reduzir impactos emocionais causados pela condição.

Caracterizado pela perda da pigmentação da pele, o vitiligo é uma doença crônica em que o próprio organismo ataca os melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina. Apesar de não ser contagioso e, na maioria dos casos, não provocar sintomas além das manchas brancas na pele, a condição pode impactar significativamente a autoestima e a saúde emocional dos pacientes.

Segundo a médica, o impacto emocional costuma ser um dos principais desafios enfrentados pelos pacientes. “O vitiligo não oferece riscos diretos à saúde física, mas pode gerar sofrimento emocional. Muitos pacientes enfrentam insegurança, isolamento social e dificuldades de aceitação, principalmente devido à aparência das lesões”, explica Flávia Villela.

A condição afeta mais de 1 milhão de brasileiros e, ao longo dos anos, ganhou maior visibilidade com figuras públicas que falaram abertamente sobre o tema, como Michael Jackson.

A doença pode surgir em qualquer idade, embora seja mais comum antes dos 30 anos. Ainda não existe uma causa totalmente definida, mas a hipótese autoimune é atualmente a mais aceita pela comunidade científica. Fatores emocionais, predisposição genética e exposição solar excessiva podem contribuir para o agravamento do quadro.

A atenção aos primeiros sinais é determinante para o controle da evolução. “Ao notar qualquer alteração de hipopigmentação, é fundamental procurar um dermatologista. O diagnóstico precoce aumenta as chances de controle da progressão e melhora os resultados do tratamento”, afirma a médica.

De acordo com Flávia Villela, cerca de 30% dos pacientes têm histórico familiar da doença, o que reforça a necessidade de vigilância da pele entre parentes de pessoas diagnosticadas. Embora a maioria dos pacientes não apresente sintomas físicos relevantes, alguns podem relatar sensibilidade ou desconforto nas áreas afetadas. O tratamento é individualizado e pode envolver medicações tópicas, orais e fototerapia, com possibilidade de repigmentação em alguns casos.

O uso de proteção solar também é essencial na rotina. “As áreas sem pigmentação ficam mais vulneráveis à radiação ultravioleta, o que aumenta o risco de queimaduras e danos cumulativos à pele”, orienta Flávia Villela.

A médica reforça que o acompanhamento dermatológico e o suporte psicológico são fundamentais para o cuidado adequado da doença.


Copa do Mundo reacende alerta sobre cabeceios no futebol e risco de demência

 

Estudos recentes associam impactos repetitivos na cabeça a alterações cerebrais detectáveis até em jogadores amadores e reforçam preocupação com Alzheimer, Parkinson e concussões silenciosas  

 

Com a Copa do Mundo, cresce o número de pessoas que voltam aos campos, quadras e escolinhas de futebol. O aumento da prática esportiva, especialmente entre crianças e adolescentes, também reacende um debate que vem ganhando força na neurologia esportiva: os efeitos dos cabeceios repetitivos no cérebro. 

Nos últimos anos, estudos internacionais passaram a apontar que impactos repetidos na cabeça, mesmo sem sintomas evidentes de concussão, podem provocar alterações biológicas associadas ao aumento do risco de doenças neurodegenerativas, detectáveis em exames de sangue, ressonância magnética e monitoramento do sistema nervoso. 

Uma pesquisa publicada este mês pelo Jama Neurology, realizada com mais de 300 jogadores amadores, mostrou aumento temporário de biomarcadores ligados a dano neural após partidas com cabeceios frequentes. Os cientistas identificaram ainda uma relação dose-resposta: quanto maior o número e a intensidade dos cabeceios, maiores as alterações observadas.

Outra meta-análise publicada em maio na revista Nature reuniu estudos de ressonância magnética cerebral em jogadores de futebol e encontrou alterações microestruturais na substância branca do cérebro associadas aos impactos repetitivos da bola na cabeça. Os pesquisadores destacaram que exames de ressonância magnética de difusão se mostraram especialmente sensíveis para detectar alterações subclínicas relacionadas aos cabeceios. 

Segundo o neurocirurgião Maurício Giraldi, do Centro Edson Bueno, braço de educação, pesquisa e inovação do Grupo Amil, os dados reforçam a necessidade de atenção para os impactos repetidos na cabeça, mesmo os considerados leves, como cabeceios frequentes no futebol, podem causar pequenas alterações no cérebro. O alerta não se restringe aos atletas de elite. Estudos recentes identificaram alterações semelhantes também em jogadores amadores. 

“O futebol continua sendo um grande aliado da saúde física, emocional e social. A ideia é jogar com mais informação e segurança e a preocupação está mais relacionada à repetição dos impactos ao longo do tempo do que a um episódio isolado”, afirma Giraldi. 

O neurologista Christian Naturath, do Hospital Pan-Americano-RJ, da Rede Total Care, destaca que os chamados impactos subconcussivos têm sido foco crescente das pesquisas. 

“Ao contrário de uma concussão clássica, os impactos subconcussivos são silenciosos e microscópicos. Cada cabeceio gera uma onda de desaceleração que afeta as células cerebrais. A longo prazo, a repetição desses microtraumas acumulados pode causar processos inflamatórios e degenerativos persistentes”, afirma. 

Segundo ele, estudos internacionais já apontam maior risco de doenças neurodegenerativas em ex-jogadores profissionais expostos repetidamente a impactos na cabeça ao longo da carreira. 

“Esses traumas podem causar Doença de Alzheimer, Doença do Neurônio Motor, Doença de Parkinson e Encefalopatia Crônica Traumática. Estudos indicam que ex-jogadores profissionais de elite enfrentam um risco significativamente maior, cerca de 1,5 a 3,5 vezes superior, de desenvolver doenças neurodegenerativas e demências, incluindo Parkinson e Alzheimer, em comparação com a população em geral”, alerta. 

Além das alterações estruturais, pesquisadores também vêm investigando efeitos mais sutis ligados ao funcionamento do organismo. Um estudo recente da Nature sobre concussão esportiva identificou alterações persistentes na atividade autonômica e no sono de atletas mesmo após a liberação para retorno ao esporte. 

“O cérebro pode continuar se recuperando mesmo depois que a pessoa diz que está bem. Isso sugere que a recuperação pode ser mais lenta do que imaginávamos e reforça a importância de respeitar o tempo adequado antes do retorno ao esporte”, explica Giraldi. 

Entre as principais recomendações estão limitar cabeceios em jogos recreativos e categorias infantis, fortalecer a musculatura cervical, utilizar bolas adequadas para cada faixa etária e respeitar protocolos médicos após impactos na cabeça. 

Segundo os especialistas, sintomas como tontura, confusão mental, dor de cabeça persistente, enjoo e alterações visuais após choques na cabeça devem ser considerados sinais de alerta. 



Rede Total Care
Centro Edson Bueno


Terremoto na Venezuela: como evitar catástrofes naturais em um mundo cada vez mais imprevisível?

 

Dois terremotos de magnitude 7,5 e 7,2, respectivamente, foram registrados na Venezuela na noite desta última quarta-feira (24), deixando, até o momento, mais de 160 mortos e cerca de mil feridos. O primeiro deles foi o maior sentido na história do país, em mais de um século, deixando toda a região em estado de emergência e movimento equipes de resgate em busca de sobreviventes.

Tremores em larga escala que nem esses, enchentes históricas, secas prolongadas, ondas de calor recordes e incêndios florestais têm se tornado cada vez mais frequentes, e transformado eventos antes considerados excepcionais em uma realidade recorrente – expondo a vulnerabilidade de cidades, empresas e populações inteiras diante de fenômenos naturais cada vez mais intensos. Embora não seja possível controlar o meio ambiente, existem decisões que governos, empresas e a sociedade como um todo podem tomar para minimizar os efeitos desses eventos, além de aumentar a capacidade de adaptação da sociedade, mesmo diante de um mundo cada vez mais imprevisível. 

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) confirmou que os últimos 11 anos (2015–2025) foram os mais quentes já registrados, demonstrando que não se trata de eventos isolados, mas de uma tendência contínua de aquecimento global. Somente no primeiro semestre de 2025, de acordo com outro levantamento da Munich Re, os desastres naturais geraram US$ 131 bilhões em prejuízos globais, valor muito acima da média histórica. 

Se os números deixam claro que o problema está se agravando, a solução, por outro lado, está longe de ser simples. Reduzir a frequência e a intensidade dessas catástrofes naturais exigiria uma mudança coordenada de comportamento em escala global, envolvendo governos, empresas e a população no geral - através de ações como acelerar a transição para fontes de energia renováveis, rever modelos de produção e consumo, e criar incentivos econômicos que favoreçam práticas mais sustentáveis.  

Na teoria, o caminho parece evidente. Na prática, porém, ele esbarra em interesses econômicos e disputas geopolíticas. A própria China ilustra essa complexidade: por mais que o país já tenha reconhecido a importância da agenda climática como algo extremamente estratégico para o futuro, ainda depende, fortemente, de combustíveis fósseis para sustentar seu crescimento econômico e garantir segurança energética durante a transição. Ou seja, mesmo quando existe consciência sobre o problema, a velocidade da mudança é limitada por desafios econômicos e estruturais que não podem ser ignorados. 

Por parte das empresas, adotar e seguir metodologias de gestão que auxiliem na otimização de riscos e estabelecimento de medidas preventivas baseadas em dados é uma das medidas mais importantes de ser seguida nesse sentido. Normas como a ISO 14001, por exemplo, de Sistema de Gestão Ambiental (SGA), ajudam as organizações a identificarem, monitorarem e reduzirem os impactos que suas operações causam ao meio ambiente, criando processos mais sustentáveis e alinhados às exigências de um cenário cada vez mais complexo, além de predizer possíveis cenários de catástrofes que possam impactar seus processos. 

Mais do que uma questão de conformidade ou reputação, trata-se de compreender como as atividades do negócio afetam o ecossistema e quais riscos ambientais podem surgir a partir dessas interações. Com isso, conseguem antecipar ameaças, desenvolver planos de contingência e tomar decisões mais assertivas que contribuam para um modelo de desenvolvimento mais resiliente e sustentável. 

Ter um planejamento urbano mais adequado a esses eventuais desastres também precisa entrar na agenda da sociedade mundial, uma vez que, hoje, muitas grandes cidades estão extremamente vulneráveis a eventos climáticos que já se tornaram recorrentes. São Paulo é um exemplo disso: bastam algumas horas de chuva mais intensa para que ocorram quedas de árvores, interrupções no fornecimento de energia, congestionamentos generalizados e alagamentos em diferentes regiões. 

Em muitos casos, os problemas não decorrem apenas da força da natureza, mas da falta de manutenção preventiva e da ausência de investimentos consistentes em infraestrutura resiliente. Nesse contexto, sistemas de monitoramento climático e alertas antecipados também desempenham um papel fundamental, pois permitem identificar riscos com antecedência, orientar a população e reduzir perdas humanas e materiais. Embora não impeçam a ocorrência dos fenômenos, essas ferramentas ajudam a transformar desastres potenciais em situações mais controláveis e menos devastadoras. 

Por fim, a educação também precisa fazer parte dessa discussão, pois uma sociedade preparada responde melhor aos momentos de crise. Considerando que o acesso à informação ainda seja desigual ao redor do mundo, é fundamental investir em programas de conscientização, campanhas educativas, treinamentos e simulações que ensinem como agir diante de enchentes, deslizamentos, ondas de calor, incêndios e outros eventos extremos desde cedo. 

Países que convivem com terremotos há décadas, como exemplo, incentivam que as crianças aprendam nas escolas protocolos de segurança e participem, regularmente, de exercícios de evacuação e resposta a emergências - o que resulta em uma população mais preparada, capaz de reagir com maior rapidez, reduzir riscos e colaborar de forma mais eficiente nesses cenários.  

Não existe uma solução única para evitar catástrofes naturais, tampouco a expectativa realista de eliminar completamente seus riscos. O que existe é a oportunidade — e a responsabilidade — de reduzir seus impactos por meio de decisões mais conscientes e planejadas. Isso passa pelo compromisso das empresas com práticas sustentáveis e gestão de riscos, por investimentos em infraestrutura e planejamento urbano, e pela formação de uma população mais preparada para enfrentar situações de emergência.  

 

Alexandre Pierro doutorando em energia e mestre em gestão e engenharia da inovação, engenheiro mecânico, bacharel em física e especialista de gestão da PALAS, consultoria pioneira na implementação da ISO de inovação na América Latina.

 

Tecnologia avançada, gestão atrasada: como fechar essa conta?

Muito se fala que a transformação digital é o futuro das indústrias, mas o mercado mostra que muitas ferramentas potentes acabam virando “elefantes brancos”. Isso acontece, na maioria das vezes, devido à falta de instrução correta, fazendo com que a tecnologia avance, mas a gestão permaneça atrasada. Como fechar essa conta? Com uma ação que já é conhecida: o mapeamento. 

Diante da velocidade das operações, criou-se erroneamente no meio corporativo a ideia de que, ao contratar um sistema de gestão, neste caso, o ERP, todos os problemas organizacionais serão resolvidos. Contudo, é importante salientar que nenhuma solução sozinha é capaz de sanar todos os desafios da empresa, até porque sua eficácia depende de um conjunto de ações. 

É justamente nesse aspecto que o mapeamento ganha relevância. É a partir desse direcionamento que se torna possível compreender todas as áreas da empresa, bem como analisar o que está faltando e, com isso, traçar qual o plano a ser seguido a fim de obter eficiência e controle operacional. 

No entanto, essa ação deve ser feita antes da implementação. É aquela velha história: “às vezes é preciso dar um passo para trás para dar dois para a frente”. Ou seja, antes de aderir a qualquer ferramenta, é necessário olhar o cenário atual e compreender onde estão as raízes dos problemas enfrentados. Sem esse conhecimento, mesmo que a solução seja altamente potente, ela não conseguirá desempenhar o seu papel de forma satisfatória. 

Perceba que o mapeamento preenche a lacuna na hora de encontrar as origens das dores do negócio. Por sua vez, há mais um elo de extrema importância para avançar na gestão: as pessoas. Com certeza, em algum momento você já ouviu a frase “a tecnologia não irá substituir a mão de obra humana”, e é aqui que esse argumento ganha força. 

Segundo a Gartner, cerca de 70% das implementações de ERP falham em atingir seus objetivos originais justamente pela falta de gestão de mudanças e baixa adesão dos usuários. Ainda, de acordo com o relatório 2025 ERP Report da Panorama Consulting, a resistência cultural e a falta de treinamento são citadas por 32% das empresas como os maiores obstáculos para o sucesso do software após a implementação. 

De nada adianta investir em softwares robustos sem que o time esteja alinhado e acompanhando de perto cada etapa dos processos, desde o levantamento das informações até a execução. Quanto a isso, a liderança da alta gestão é fundamental para engajar a equipe, bem como demonstrar a importância da participação e do envolvimento de todos em prol do sucesso do projeto. 

Certamente, essa não é uma jornada que acontece do dia para a noite. Durante esse processo, contar com o apoio de uma consultoria especializada é uma excelente estratégia. Ao fazer um diagnóstico prévio, a equipe de especialistas consegue equilibrar expectativa e realidade, direcionando o trabalho de forma ágil e eficiente. 

Ao mapear a operação, a organização passa a compreender o cenário antes de aderir a qualquer recurso, selecionando a opção que de fato se alinha às características e especificidades do negócio. Ademais, contar com a colaboração da equipe é fundamental para localizar onde estão os gargalos que atrasam a gestão, garantindo que o software atue diretamente no foco do problema. 

No fim, a mensagem que deve ser sempre enfatizada é que a tecnologia é o meio, e não o fim. Como um automóvel: para que ele transporte os passageiros ao destino esperado, é necessário ter um condutor que saiba manusear cada mecanismo com segurança — o que só vem a partir do conhecimento prévio. Do contrário, continuaremos vendo muitas empresas com uma Ferrari guardada na garagem.  



Simone de Carlos - consultoria de TI na ABC71.

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