Pesquisar no Blog

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Um país, mil sabores: descubra a Turquia por meio da gastronomia


Do Egeu a Mármara, cada região apresenta uma combinação própria de sabores, tradições e influências culturais

 

A Turquia é um país onde culturas, paisagens e tradições se encontram, refletindo a conexão entre o Oriente e o Ocidente. Essa diversidade se expressa não apenas na arquitetura, na música e nos costumes, mas, também, na gastronomia: já que a comida traduz a identidade nacional e as tradições do país. Nesse rico panorama cultural, cada região conta sua própria história por meio dos sabores. E que tal viajar entre eles? 

Do frescor cítrico do Egeu ("riviera turca”) às especiarias intensas do Sudeste da Anatólia, a diversidade da Turquia também se revela à mesa. Ao longo do litoral, peixes frescos e azeite de oliva traduzem a herança mediterrânea. No coração da Anatólia, pães achatados e ensopados de cordeiro remetem à vida no campo e à tradição da hospitalidade. Em Gaziantep, cidade reconhecida como berço do tradicional doce Baklava, as sobremesas ganham status de obra de arte. Ao conectar esses diferentes sabores, a Turkish Airlines convida os viajantes a descobrir o país pelo paladar e mostra que a Turquia vai além de suas paisagens, podendo ser vivida também por meio dos sentidos. 


Região do Egeu: frescor e sabores mediterrâneos 

Banhada pelo mar e marcada pelo aroma do azeite de oliva, a culinária do Egeu é leve, sazonal e fortemente baseada em vegetais. Ao longo da costa, o meze (tradição de pequenos pratos compartilhados), reúne amigos e famílias à beira-mar. Peixes grelhados, folhas de uva recheadas, berinjelas defumadas e iogurtes temperados compõem uma combinação de sabores simples, mas vibrantes, quase sempre acompanhados de vinho branco local ou de uma taça de rakı. 


Região do Mar Negro: tradição, frescor e sabores locais 

No norte do país, onde montanhas e mar se encontram, a culinária da região do Mar Negro se destaca pelo uso de ingredientes locais e por preparos ligados à pesca e à vida rural. O principal destaque é o hamsi (anchova típica da região, servido de diferentes formas, como frito, assado ou no pilaf). Milho, couve, avelãs e mel também fazem parte da base dessa cozinha, que combina frescor, rusticidade e forte identidade local. 


Anatólia Central: o coração rural do país 

Nas vastas planícies da Anatólia Central, onde o clima influencia hábitos e sabores, a gastronomia se destaca por pratos substanciosos e por seu forte valor simbólico. Entre os destaques estão o etli ekmek, pão achatado coberto com carne temperada, e a düğün çorbası, conhecida como sopa de casamento, tradicionalmente associada a momentos de celebração e união. Ingredientes como laticínios, trigo e cordeiro formam a base de receitas transmitidas entre gerações, refletindo tradições do interior da Turquia e a importância do convívio à mesa. 


Anatólia Oriental: sabores das montanhas e tradições vivas 

Já na Anatólia Oriental, localizada entre picos nevados e vales remotos, a culinária é marcada por pratos robustos, preparos lentos e forte vínculo com as tradições locais. Entre os destaques estão o Çağ Kebabı (churrasco turco), típico de Erzurum e assado horizontalmente, e os doces preparados com mel das montanhas. Mais do que refletir ingredientes e técnicas locais, essa gastronomia também expressa o senso de comunidade da região, com refeições compartilhadas em família e tradições transmitidas entre gerações. 


Região de Mármara: a ponte entre dois mundos 

Com Istambul como principal referência, a região de Mármara é um dos pontos de encontro entre Europa e Ásia, e sua culinária traduz essa diversidade. Do Simit com gergelim (um pão/rosca), tradicional nas manhãs da cidade, ao Dolma (verduras e legumes recheados) e Köftes  (“almondegas turcas”) presentes em mercados e restaurantes típicos, os sabores da região combinam herança otomana e influência cosmopolita. Essa combinação reflete o caráter diverso, vibrante e dinâmico da própria Turquia. 


Região do Mediterrâneo: cor, aroma e frescor 

Ao sul do país, a região do Mediterrâneo se destaca pela abundância de frutas, vegetais e ervas frescas. Seus pratos chamam atenção pelas cores, pelos aromas e por sabores marcantes. Entre os principais destaques está o Adana kebab, um dos ícones locais, conhecido pelo sabor picante e pela suculência. Ingredientes como berinjela, pimentões assados e limão ajudam a definir uma culinária fresca, vibrante e fortemente ligada ao território. 


Sudeste da Anatólia: a alma das especiarias 

No Sudeste da Anatólia, onde estão cidades como Gaziantep, Mardin e Şanlıurfa, a culinária se destaca pela intensidade dos sabores e pelo uso marcante de especiarias. Kebabs de cordeiro, Baklava de pistache e sobremesas embebidas em calda fazem parte de um repertório gastronômico reconhecido pela UNESCO. A combinação de influências árabes, persas, curdas e turcas ajuda a explicar a riqueza dessa cozinha, marcada por aromas intensos, receitas tradicionais e forte valorização da hospitalidade. Na região, a comida também funciona como expressão de identidade cultural e de celebração. 

Vista em conjunto, a Turquia reúne paisagens, tradições e sabores diversos, que ajudam a traduzir a riqueza cultural do país. Em terra, essa pluralidade se reflete em experiências gastronômicas que variam de uma região para outra. Conectando o Brasil a 132 países via Istambul, a Turkish Airlines convida os viajantes a conhecer um destino em que tradição e modernidade convivem de forma única. A bordo, os Flying Chefs reforçam essa proposta ao apresentar sabores da culinária turca e transformar a viagem em uma extensão da hospitalidade do país. 



Turkish Airlines
www.turkishairlines.com
Facebook, X, Youtube, Linkedin e Instagram


Star Alliance
mediarelations@staralliance.com /website

 

Mandato parlamentar, foro privilegiado e os limites das medidas cautelares no caso Ciro Nogueira


A nova fase da Operação Compliance Zero reacende um debate jurídico e institucional sensível no Brasil: até onde podem avançar as medidas cautelares contra parlamentares no exercício do mandato sem violar as garantias constitucionais inerentes ao Poder Legislativo. O caso envolvendo o senador Ciro Nogueira, alvo de mandado de busca e apreensão autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), traz à tona questões centrais sobre foro privilegiado, imunidade parlamentar e proporcionalidade das medidas investigativas. 

As investigações conduzidas pela Polícia Federal apontam suspeitas de pagamentos mensais supostamente realizados pelo empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, ao senador, além da possível atuação parlamentar em favor de interesses econômicos da instituição financeira. Os indícios apresentados decorrem, em grande parte, de conversas interceptadas entre investigados, nas quais há menções a repasses periódicos e à apresentação de emendas legislativas alinhadas aos interesses do banco.

 Do ponto de vista jurídico, a decisão do ministro André Mendonça de autorizar buscas e impor medidas de monitoramento encontra fundamento no fato de o senador possuir foro por prerrogativa de função. Em razão disso, qualquer medida cautelar criminal depende de autorização do STF, conforme prevê a Constituição Federal.

 Entretanto, é importante destacar que o ordenamento jurídico brasileiro estabelece barreiras rigorosas para decretação de prisão de parlamentares federais. O artigo 53 da Constituição determina que deputados e senadores somente podem ser presos em flagrante de crime inafiançável. Ainda assim, a prisão deve ser submetida ao crivo da respectiva Casa Legislativa, que poderá mantê-la ou revogá-la. 

Nesse contexto, ganha relevância o uso de medidas cautelares diversas da prisão, previstas no artigo 319 do Código de Processo Penal. O STF, nos últimos anos, consolidou entendimento de que restrições menos gravosas podem ser aplicadas a parlamentares quando presentes indícios robustos de obstrução de investigação, risco à instrução processual ou continuidade delitiva. Entre essas medidas estão monitoramento eletrônico, proibição de contato com investigados, afastamento de funções específicas e restrições patrimoniais. 

O ponto sensível reside justamente no equilíbrio entre a efetividade da investigação criminal e a preservação da independência do mandato parlamentar. A adoção de medidas invasivas baseadas predominantemente em diálogos de terceiros, como sustenta a defesa do senador, inevitavelmente suscita discussões sobre o grau de suficiência probatória necessário para justificar intervenções dessa natureza. 

A defesa de Ciro Nogueira argumenta que as medidas seriam precipitadas e fundadas em “mera troca de mensagens”, tese que certamente será submetida ao controle de legalidade das Cortes Superiores. Esse debate não é novo. Nos últimos anos, o Judiciário brasileiro passou a enfrentar críticas relacionadas ao uso expansivo de instrumentos investigativos excepcionais, especialmente após os excessos identificados em determinadas fases da Operação Lava Jato. 

Ao mesmo tempo, não se pode ignorar que crimes financeiros complexos e esquemas sofisticados de corrupção frequentemente deixam rastros predominantemente documentais e eletrônicos, exigindo atuação investigativa técnica e rápida para preservação de provas. 

O caso evidencia, mais uma vez, a tensão permanente entre garantias constitucionais e combate à criminalidade econômica. O desafio institucional está em assegurar que investigações contra agentes políticos avancem com rigor técnico, sem banalização de medidas excepcionais nem relativização das prerrogativas constitucionais que protegem a própria estrutura democrática do Estado brasileiro.

 

Eduardo Maurício é advogado no Brasil, em Portugal, na Hungria e na Espanha. Doutorando em Direito – Estado de Derecho y Governanza Global (Justiça, sistema penal y criminologia), pela Universidad D Salamanca – Espanha. Mestre em direito – ciências jurídico criminais, pela Universidade de Coimbra/Portugal. Pós-graduado pela Católica – Faculdade de Direito – Escola de Lisboa em Ciências Jurídicas. Pós-graduado em Direito penal econômico europeu; em Direito das Contraordenações e; em Direito Penal e Compliance, todas pela Universidade de Coimbra/Portugal. Pós-graduado pela PUC-RS em Direito Penal e Criminologia. Pós-graduando pela EBRADI em Direito Penal e Processo Penal. Pós-graduado pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) Academy Brasil –em formação para intermediários de futebol. Mentor em Habeas Corpus. Presidente da Comissão Estadual de Direito Penal Internacional da Associação Brasileira de Advogados Criminalistas (Abracrim).

 

5 destinos para vivenciar um verão europeu diferente em 2026

Singular Luxury Travel aposta em destinos menos óbvios que conectam natureza, história e cultura para uma nova forma de viver o verão europeu em cinco países

 

O verão europeu já está começando. O período é considerado o momento mais aguardado do ano para quem busca experiências diferenciadas no continente. Para além dos roteiros clássicos e destinos já consagrados, cresce o interesse por viagens mais personalizadas, que valorizam autenticidade, ritmo próprio e conexões genuínas em cada destino. Atenta a este movimento, a Singular Luxury Travel, agência boutique especializada em itinerários sob medida, reuniu 5 destinos menos óbvios que revelam novas perspectivas sobre a estação mais querida do ano, combinando exclusividade, paisagens belíssimas e vivências cuidadosamente pensadas. Confira:


1.  Braga – Portugal


                                                         Foto: Divulgação Singular Luxury Travel


Tradição e modernidade se encontram no extremo norte de Portugal, mais precisamente em
Braga, um destino fascinante com mais de dois mil anos de história. Sua riqueza arquitetônica, diversos vestígios da época romana e o número expressivo de igrejas fazem com que ela seja conhecida como ‘Roma Portuguesa’ e, durante o verão, grandes festivais de música tomam conta da cidade. 

Para Gabriel Leite, sócio e fundador da Singular Luxury Travel, visitar o Santuário do Bom Jesus do Monte, conhecida pela escadaria barroca impressionante que leva a uma vista panorâmica da cidade, além da Sé de Braga, a catedral mais antiga de Portugal, são dois passeios indispensáveis. “Outra ponto forte do destino é sua rica gastronomia. Recomendo experimentar as Figideiras, o Bacalhau à Braga, as papas de Sarrabulho, o pudim Abade de Priscos ou os irresistíveis Fidalguinhos”, destaca.

 


2.  Bordeaux – França

Foto: Divulgação Singular Luxury Travel


Se Braga é considerada a ‘Roma Portuguesa’, Bordeaux, no sudoeste francês, é conhecida por ser ‘a pequena Paris’. Para além do vinho reconhecido mundialmente, a cidade une arte, gastronomia, tranquilidade e agito. Seu centro histórico, repleto de praças elegantes e fachadas de calcário, é considerado Patrimônio Mundial da UNESCO, tornando-o um paraíso para quem é apaixonado por arquitetura. 

“Para explorar as belezas de Bordeaux, a dica é andar pelas ruas a pé ou de bicicleta. Pare nas margens do rio Garonne, conheça os mercados de rua que são ícones da cidade e aproveite as festividades locais. Vale lembrar que Bordeaux também é conhecida por ser a capital mundial do vinho, então há muitas vinícolas renomadas para os apreciadores da joie de vivre”, aponta Gabriel. “Na gastronomia, não deixe de provar os Canelés”.



3. Rotterdam – Holanda

Foto: Divulgação Singular Luxury Travel


A Holanda pode ser majoritariamente tranquila, mas entre seus destinos há uma cidade vibrante e diversa, que une diversas etnias em um só lugar. Rotterdam é conhecida por ser uma metrópole que respira arte e cultura, principalmente por ter inúmeras galerias, museus magníficos e street art. Seu principal mercado, Markthal, é uma verdadeira obra de arte e reúne estandes com produtos locais e restaurantes com pratos típicos. 

“Rotterdam é uma grande aposta para aproveitar o verão europeu. A dica é explorar os arredores de bicicleta para aproveitar a paisagem e visitar alguns dos pontos turísticos, como o complexo de casas-cubo, que desafia a gravidade, além da Euromaster Tower, com uma vista panorâmica incrível. É claro que não posso deixar de indicar os festivais de música e as praias urbanas, como a Kralingse Plas, que deixam tudo mais animado”.

 


3.  Bergen – Noruega

Foto: Divulgação Singular Luxury Travel

Se o viajante ama lugares que se parecem cenas de filme, Bergen, na Noruega, é o destino perfeito. Ali é a porta de entrada para os magníficos fiordes noruegueses e é cercada por sete montanhas, proporcionando paisagens naturais incríveis. Seu antigo cais hanseático, Bryggen, foi considerado Patrimônio Mundial da UNESCO e nada mais é que um labirinto colorido de ruas estreitas e construções de madeira. 

“Além de ser a segunda maior cidade da Noruega, Bergen é uma das mais charmosas. Para quem quer ter uma vista panorâmica da cidade ou para os fiordes, a dica é pegar o funicular Floibanen que leva o viajante ao topo do Monte Floyen. Já sua cena cultural é bem eclética e cativa os mais variados perfis. Na gastronomia, aposte nos frutos do mar fresquíssimos que o destino oferece”, destaca Gabriel.

 


5. Mostar - Bósnia e Herzegovina

 

Foto: Divulgação Singular Luxury Travel


Por mais que não seja tão conhecida, Mostar é uma das cidades mais belas da Bósnia e Herzegovina e uma das principais razões é a diversidade arquitetônica presente por todos os cantos. Seu principal símbolo é a ponte reconstruída em cima do Rio Neretva, intitulado Stari Most, que oferece um ponto de observação privilegiado e é um local onde mergulhadores tradicionalmente saltam. 

“Entre os pontos para visitar estão a Casa Turca e a Mesquita Koski Mehmed-Pasha, assim como as tradicionais residências do Império Otomano, são locais importantes para aprender mais sobre a herança otomana da região. No verão, as ruas são tomadas por festivais e eventos ao ar livre. Já sua cozinha é uma mistura interessante entre a culinária turca e balcã”, finaliza Gabriel. 

Vivenciar o verão europeu é abrir o leque de possibilidades e conhecimento através de paisagens incríveis, história e cultura, principalmente em destinos que saem do óbvio. Para aproveitá-los sem abrir mão da tranquilidade, a Singular Luxury Travel possui roteiros sob medida, unindo conforto, exclusividade e luxo. Confira as novidades através do site Link ou Instagram @singularluxurytravel.


Por que conciliar maternidade e carreira se tornou uma estratégia de liderança

Apenas 17,4% das empresas brasileiras são lideradas por mulheres, segundo o Panorama Mulheres 2025. O dado ajuda a dimensionar o tamanho do desafio quando o assunto é equidade de gênero no mercado de trabalho e revela que, apesar dos avanços, a presença feminina em posições de comando ainda está longe de ser proporcional. 

Esse cenário contrasta com o que já começa a acontecer no setor público. Um estudo do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos mostra que as mulheres ocupam cerca de 43% dos cargos de liderança no Executivo Federal. Nos postos mais altos, o crescimento também chama atenção, saindo de 29% em 2022 para 38% em 2026. Ainda que a equidade não tenha sido alcançada, os números indicam uma mudança estrutural em curso. 

É nesse contexto que a discussão sobre maternidade ganha relevância. A proximidade do Dia das Mães costuma reacender uma pergunta recorrente: afinal, é possível conciliar carreira e maternidade sem que uma dimensão anule a outra? A resposta passa menos por escolher entre caminhos e mais por compreender como essas experiências se transformam mutuamente ao longo do tempo. 

Dentro desse cenário, a maternidade segue sendo um dos pontos mais sensíveis da trajetória profissional das mulheres. Não apenas pelo desafio logístico de conciliar rotinas, mas principalmente pela carga simbólica e pelas expectativas sociais que recaem sobre esse papel. Existe, muitas vezes, uma cobrança silenciosa para que mães performem com excelência em todas as frentes, como se não houvesse espaço para adaptação ou reconfiguração de prioridades. 

Na prática, porém, o que se observa é que a maternidade não interrompe carreiras. Ela as ressignifica. Ao assumir esse papel, muitas profissionais desenvolvem competências cada vez mais valorizadas em ambientes corporativos complexos, como capacidade de priorização, escuta ativa, gestão de tempo, resiliência e tomada de decisão com visão de longo prazo. Não se trata de romantizar o desafio, mas de reconhecer que essa vivência amplia repertórios e influencia diretamente a forma de liderar. 

Um exemplo recorrente no mercado é o de mulheres que ingressam ou se reposicionam profissionalmente durante ou após a maternidade. Em um desses casos, uma profissional descobriu a gestação de forma inesperada, em um momento em que planejava mudanças pessoais e profissionais. O impacto inicial veio acompanhado de inseguranças comuns a muitas mulheres, especialmente diante da dúvida sobre como o mercado reagiria à nova realidade. 

Ao longo do tempo, essa experiência foi ressignificada. A maternidade trouxe mais clareza sobre prioridades, fortaleceu a capacidade de organização e ampliou a percepção sobre o próprio papel dentro das equipes. Ao participar de um novo processo seletivo já como mãe, um aspecto chamou atenção: a ausência de questionamentos sobre sua condição. Mais do que um detalhe, esse tipo de postura evidencia uma mudança importante na forma como algumas organizações começam a enxergar talento e potencial. 

Esse tipo de ambiente faz diferença porque o desafio de conciliar carreira e maternidade não é individual. Ele depende diretamente de cultura organizacional, de lideranças preparadas e de estruturas que compreendam que vida pessoal e profissional não competem entre si. Quando essa lógica muda, o impacto é coletivo. Relações de trabalho se tornam mais sustentáveis, decisões mais equilibradas e a produtividade deixa de estar associada a jornadas exaustivas para se conectar com entregas mais consistentes. 

Outro ponto relevante é o papel da rede de apoio. Em carreiras que exigem alto nível de responsabilidade e dedicação, como no setor jurídico, a maternidade adiciona uma camada extra de complexidade. Profissionais que vivenciam essa realidade relatam que o equilíbrio não é estático, mas construído diariamente, com ajustes constantes e necessidade de suporte, tanto no âmbito pessoal quanto no profissional. 

É justamente nesse contexto que a liderança ganha um papel central. Ambientes que reconhecem a maternidade como parte da trajetória, e não como obstáculo, tendem a reter talentos, fortalecer suas equipes e construir culturas mais diversas. E diversidade, neste caso, não é apenas uma pauta institucional, mas um diferencial competitivo concreto. 

A evolução dos números de participação feminina em cargos de liderança mostra que o mercado já começou a se movimentar. O próximo passo é aprofundar essa transformação, garantindo que mais mulheres possam avançar sem que a maternidade seja vista como um ponto de ruptura. 

No fim, a discussão não se resume à conciliação de papéis. Trata-se de entender que experiências diferentes constroem lideranças mais completas. Quando a maternidade deixa de ser tratada como um desvio de rota e passa a ser reconhecida como parte do desenvolvimento profissional, o resultado aparece não apenas na trajetória das mulheres, mas na qualidade das decisões, das relações e dos próprios negócios.



Aymeê Gurjão - Head de Marketing do Paschoini Advogados, escritório especializado em direito empresarial, tributário, trabalhista e civil. – E-mail: paschoini@nbpress.com.br.


Paschoini Advogados
https://www.paschoini.adv.br/

 

Solidão entre jovens reforça papel da saúde social no bem-estar

Especialistas apontam a importância de conexões sociais profundas como parte do bem-estar físico e emocional 


Por muito tempo, o bem-estar foi entendido a partir de dois pilares: saúde física e mental. Hoje, especialistas ampliam essa leitura ao incluir a chamada saúde social, que envolve a capacidade de construir e sustentar relações significativas e influencia diretamente tanto o equilíbrio emocional quanto o próprio funcionamento do corpo. 

“Não se trata apenas de estar cercado de pessoas, mas de vivenciar vínculos que promovam pertencimento, apoio e troca genuína”, afirma a psicóloga Rozane Fialho, CEO da Rede Psicoterapia. 

A crescente atenção ao tema acompanha mudanças no comportamento social, como o uso de redes sociais como nova forma de convivência que, embora amplie as possibilidades de interação, nem sempre resulta em conexões profundas e pode intensificar a sensação de isolamento, mesmo entre pessoas constantemente conectadas. 

Apesar da hiperconectividade, a especialista aponta que relações mediadas por redes sociais não substituem interações presenciais. “Interações espontâneas envolvem elementos fundamentais para a construção de vínculos, como empatia e linguagem não verbal. Já as relações digitais tendem a ser mais superficiais e podem intensificar comparações e sensação de inadequação”, afirma. 

Os impactos da solidão vão muito além da esfera emocional. “Quando crônica, ela está associada ao aumento de ansiedade, depressão e sensação de vazio, mas também a alterações físicas relevantes, como elevação do estresse, prejuízos no sono e até maior risco de doenças cardiovasculares”, afirma. 

O tema ganha ainda mais relevância entre jovens que deixam a casa dos pais para estudar em outras cidades, um movimento cada vez mais comum no Brasil. Segundo a psicóloga, essa fase envolve uma ruptura importante na estrutura emocional. 

“Ao sair de casa, o jovem perde uma rede de apoio já estabelecida e precisa reconstruir vínculos do zero. Existe uma ideia equivocada de que ser autônomo é dar conta de tudo sozinho. Mas, na prática, a autonomia saudável inclui a capacidade de construir e sustentar relações”, diz Fialho. 

Nesse contexto, ambientes que favorecem convivência presencial podem facilitar a criação de vínculos, especialmente entre pessoas na mesma fase da vida. É o caso de residenciais estudantis com gestão profissional, que oferecem não apenas quartos individuais ou compartilhados, mas também áreas comuns planejadas para uso coletivo, espaços de convivência e rotinas que incentivam a interação entre moradores. 

“A vida no residencial permite que o estudante veja aquele espaço como mais do que um quarto. Ele se torna ponto de encontro, de troca de experiências e de cultura”, conta Juliana Onias, gerente regional de operações da Share Student Living, que em parceria com a Rede Psicoterapia oferece consultas com valor 77% menor em referência ao valor da tabela do Conselho Federal de Psicologia para os moradores. “Nas semanas de prova, por exemplo, as salas de estudo ficam cheias. Os alunos se organizam em grupo, revisam conteúdos juntos e criam uma dinâmica de colaboração que favorece conexões profundas”, diz. 

Entre os sinais de que a solidão pode estar afetando a saúde estão sensação de desconexão, dificuldade de criar vínculos próximos, alterações no sono e uso excessivo de redes sociais sem sensação real de pertencimento. “É importante entender que solidão não é ausência de pessoas, mas ausência de conexão significativa”, diz Fialho. 

As estratégias para reverter o quadro são investir intencionalmente em relações significativas, manter vínculos anteriores enquanto constrói novos, criar rotinas que favoreçam convivência e desenvolver espaços seguros de troca. 

“Na Share, a convivência não é tratada como um elemento acessório, mas como parte da experiência de morar. A ideia não é impor interação, mas criar oportunidades para que ela aconteça de forma espontânea ao longo da rotina”, aponta Onias. “Pertencer não anula a autonomia. Pelo contrário, a sustenta”, complementa Fialho.

 

Currículos internacionais ganham força no Brasil: veja modelos e vantagens para estudantes

Foto: Divulgação
The British College of Brazil

A crescente demanda por qualificações reconhecidas internacionalmente reflete mudanças nos processos de admissão universitária e nas expectativas do mercado de trabalho

 

 

A procura por currículos escolares internacionais vem crescendo no Brasil à medida que famílias passam a considerar oportunidades globais de estudo e carreira. Com processos seletivos em países como Estados Unidos, Reino Unido e Canadá dando cada vez mais peso a perfis holísticos, qualificações internacionais vêm se tornando uma vantagem estratégica.

 

O mercado de trabalho atual, caracterizado pela alta competitividade, exige, acima de tudo, adaptabilidade, inteligência emocional e capacidade de trabalhar em equipe. Educadores apontam para uma mudança mais ampla no que universidades e empregadores valorizam. 

 

Habilidades como pensamento crítico, adaptabilidade e colaboração são hoje consideradas tão importantes quanto o desempenho acadêmico — e frequentemente fazem parte dos modelos de educação internacional.

 

“Uma qualificação internacional não apenas abre portas para universidades, mas prepara os alunos para o tipo de pensamento independente e adaptabilidade que essas instituições esperam desde o primeiro dia”, afirma Ceris Flew, diretora do Ensino Secundário da The British College of Brazil. “Hoje vemos cada vez mais famílias planejando ativamente trajetórias internacionais desde fases iniciais”, complementa. 

 

Essa mudança é particularmente relevante no contexto brasileiro. Embora um número limitado de universidades internacionais, principalmente em Portugal, aceite o ENEM como forma de ingresso, a maioria das instituições no exterior exige um conjunto mais amplo de credenciais, como histórico acadêmico, atividades extracurriculares e cartas de recomendação. Como resultado, estudantes que buscam oportunidades globais precisam apresentar um perfil acadêmico e pessoal mais completo.

 

Em resposta, escolas vêm adotando modelos curriculares integrados, que apoiam múltiplas trajetórias e permitem que os alunos se candidatem tanto a universidades brasileiras quanto a instituições no exterior.

 

Principais currículos internacionais disponíveis no Brasil

 

Diversos modelos de educação internacional contribuem para essa tendência, cada um com abordagens distintas de aprendizagem e preparação universitária:

 

Currículo Britânico (A-Levels): percurso especializado em que os estudantes se concentram em três a quatro disciplinas alinhadas ao curso universitário pretendido. Os A-Levels são conhecidos pelo rigor acadêmico e profundidade, com avaliações baseadas em exames finais que valorizam pensamento analítico e domínio de conteúdo.

 

Currículo Americano (K–12): modelo amplo e flexível que permite aos estudantes construir um perfil acadêmico personalizado. Além das disciplinas obrigatórias, os alunos participam de eletivas, esportes e atividades extracurriculares, que também influenciam a admissão universitária.

 

Bacharelado Internacional (IB): amplamente reconhecido por universidades em todo o mundo, o Diploma IB combina exigência acadêmica com forte ênfase em pesquisa, pensamento crítico e engajamento comunitário, preparando estudantes para diferentes sistemas de ensino superior.

 

Modelos inspirados na Finlândia: baseados no sistema educacional finlandês, priorizam o bem-estar do aluno, a colaboração e a aprendizagem personalizada, com menor foco em testes padronizados e maior atenção ao desenvolvimento integral.

 

Preparando alunos para um futuro global

 

Para muitas famílias, o apelo dos currículos internacionais vai além do acesso à universidade. A exposição a diferentes perspectivas, métodos de ensino e formas de avaliação ajuda os alunos a desenvolver confiança, autonomia e uma visão de mundo mais ampla. 


À medida que a mobilidade internacional e a competição por vagas nas principais universidades continuam a crescer, educadores esperam que a demanda por qualificações reconhecidas globalmente no Brasil aumente, consolidando os currículos internacionais como uma parte cada vez mais relevante do cenário educacional do país.

 

BCB - The British College of Brazil

 

Competências invisíveis: o que a maternidade desenvolve e o trabalho não nomeia

 As minhas filhas me convocam para sair do meu mundo todos os dias.

E, nesse deslocamento, entre conversas no carro, passeios atravessados por imprevistos, fases que vão embora num piscar de olhos e outras começam, momentos de dar contorno e limites, eu aprendo, na prática, habilidades que o mundo do trabalho diz buscar, mas ainda reconhece pouco quando não nascem dentro dele. 

Nos últimos tempos, vozes como as de Elisama Santos, Vera Iaconelli, Maria Homem; Dani Junco, Ruth Manus e Camila Antunes têm ajudado a trazer a maternidade para o centro dessa conversa. Não como idealização, mas como experiência concreta de desenvolvimento. Ainda assim, o debate costuma parar na valorização simbólica, e avança pouco na tradução prática dessas aprendizagens para o contexto profissional.

 

Porque o ponto talvez seja menos reconhecer e mais tornar visível. 

No cotidiano, a maternidade exige leitura de contexto, priorização sob pressão, negociação constante e consistência ao longo do tempo. Não como exceção, mas como rotina. Uma conversa difícil com um filho adolescente pede escuta e firmeza ao mesmo tempo. Um limite precisa ser sustentado mesmo diante de resistência. Um dia inteiro pode precisar ser reorganizado em poucas horas. 

São experiências que desenvolvem competências muito próximas das listadas pelo World Economic Forum — pensamento analítico, adaptabilidade, empatia, liderança. Ainda assim, raramente entram como evidência em avaliações, promoções ou processos seletivos. 

Há um descompasso evidente. O que se aprende na maternidade é intenso, repetido, refinado. Mas permanece pouco visível porque não cabe na linguagem dominante de “projetos”, “entregas” e “resultados mensuráveis”. 

E, quando tentamos nomear, muitas vezes simplificamos: “paciência”, “jogo de cintura”, “amor”. Palavras que dizem pouco sobre a complexidade do que está sendo exercitado. 

Talvez por isso esses aprendizados sejam subestimados. Não por serem menores, mas por não estarem traduzidos. 

E aqui há um ponto que merece atenção: nem tudo que desenvolve competência passa por cursos, certificações ou trilhas formais de aprendizado. Há experiências que formam pela intensidade, pela repetição e pela responsabilidade envolvida — e a maternidade é uma delas. 

Isso não significa romantizar. A maternidade também cansa, sobrecarrega e expõe limites. Mas justamente por isso, ela produz um tipo de aprendizado que dificilmente se simula em ambientes controlados. 

Talvez o desafio para as organizações não seja criar um novo espaço para falar de maternidade. Mas ampliar o repertório do que reconhecem como desenvolvimento. 

Porque, no fim, essas competências já estão em circulação. Influenciam decisões, relações e formas de trabalhar todos os dias.


O que falta não é desenvolvimento.

É linguagem, visibilidade — e, sobretudo, disposição para reconhecer como experiência profissional aquilo que não nasceu dentro dos formatos tradicionais do trabalho.

 


Vivian Rio Stella - doutora em Linguística pela Unicamp, pós-doutora pela PUC-SP e idealizadora da VRS Academy e participantes do TEDx Jundiaí. Colunista da revista Você RH e professora da Fundação Dom Cabral, Escola Aberje e de curso de comunicação na Audible/Casa do Saber, Vivian é reconhecida por sua abordagem humanista, crítica e contextual, que foca na comunicação para promover colaboração, respeito e diálogo nas organizações. Ao longo dessa jornada, já realizou palestras, workshops e consultorias para mais de 300 empresas de diferentes portes e setores.



Quem cuida do ar que respiramos?

A qualidade do ar é uma responsabilidade coletiva e exige ação coordenada entre governo, indústria e sociedade. Ainda assim, na prática, essa agenda costuma ficar diluída entre diferentes setores, sem a organização necessária para gerar avanços consistentes. 

Nos grandes centros urbanos e em regiões industrializadas, os impactos da poluição atmosférica são cada vez mais evidentes. O aumento de doenças respiratórias, a sobrecarga dos sistemas de saúde e a piora na qualidade de vida da população são alguns dos efeitos mais visíveis de um problema que, muitas vezes, permanece invisível aos olhos.

 

Diante do problema, é natural buscar responsáveis. 

O poder público tem papel determinante na formulação de políticas, na regulação e fiscalização. Cabe ao Estado estabelecer limites de emissão, incentivar tecnologias mais limpas e garantir que a expansão urbana e industrial ocorra de forma sustentável. 

A indústria, por sua vez, também exerce uma função decisiva. Ao investir em eficiência energética, inovação e modernização de processos, o setor produtivo não apenas reduz seu impacto ambiental, como também contribui para a construção de um modelo de desenvolvimento mais equilibrado. Em muitos casos, esses avanços já estão em curso, impulsionados tanto por exigências regulatórias quanto por demandas de mercado. 

Mas essa equação não se fecha apenas com governo e empresas. A sociedade também tem um importante papel, seja por meio de escolhas de consumo mais conscientes, seja pela cobrança por políticas públicas mais eficazes. A forma como nos deslocamos, consumimos energia e nos posicionamos em relação a temas ambientais influencia diretamente a qualidade do ar. 

Ainda assim, há um ponto importante que precisa ser reconhecido. Mesmo com esforços em andamento, a melhoria da qualidade do ar é um processo gradual. Mudanças estruturais levam tempo, exigem investimentos e dependem de múltiplos fatores. 

É nesse intervalo entre o diagnóstico e a solução que surge uma lacuna pouco debatida. Como proteger a população enquanto as transformações necessárias ainda estão em curso? 

A resposta passa pela combinação entre ações estruturais e medidas de proteção imediata. Em ambientes com maior exposição a poluentes, como grandes centros urbanos, regiões afetadas por queimadas ou determinados setores produtivos, a adoção de práticas de prevenção pode fazer diferença concreta na saúde das pessoas. 

O uso de máscaras de proteção respiratória, especialmente em situações de maior exposição à poluição, poeira ou fumaça, é uma dessas medidas. Quando utilizadas de forma adequada, elas ajudam a reduzir a inalação de partículas nocivas e funcionam como uma barreira importante para a preservação da saúde. 

A proteção respiratória deve ser compreendida como uma aliada, e não como uma solução isolada. Ela não substitui políticas públicas nem reduz a responsabilidade dos diferentes agentes envolvidos, mas oferece uma camada adicional de segurança em situações de risco. 

Mais do que reagir a crises pontuais, é preciso avançar na construção de uma cultura de prevenção. Isso inclui ampliar o acesso à informação, incentivar boas práticas e reconhecer que a qualidade do ar impacta diretamente o bem-estar coletivo. 

Ao final, a pergunta que dá título a este debate, “quem cuida do ar que respiramos?”, não tem uma resposta única. Ela exige um compromisso conjunto, no qual cada agente tem um papel claro a desempenhar. 

Garantir um ar mais limpo é, sem dúvida, um desafio complexo. Mas proteger a saúde da população, enquanto esse objetivo não é plenamente alcançado, é uma responsabilidade que não pode esperar.

 

J. A. Puppio - empresário e autor do livro “Impossível é o que não se tentou”

 

Tomar boas decisões é uma habilidade treinável

Muita gente acredita que tomar boas decisões é uma espécie de dom, que ou a pessoa “nasceu com isso” ou está condenada a escolher mal. Contudo, a neurociência e a psicologia cognitiva mostram o contrário, que decidir bem não depende apenas de inteligência ou sorte, mas é uma habilidade treinável. 

Um dos aspectos mais intrigantes é que, muitas vezes, seu cérebro decide antes de você saber. Parte da atividade neural envolvida na escolha acontece antes de ela chegar à consciência. Isso não elimina nossa liberdade, mas revela que decidir é resultado de processos complexos, muitos deles automáticos, que antecedem a nossa percepção consciente. 

Além disso, a tomada de decisão não é uma função isolada. Ela é fruto da integração de várias funções executivas como atenção, controle inibitório, regulação emocional, memória de trabalho e flexibilidade cognitiva. Ou seja, decidir bem exige foco, contenção de impulsos, organização de informações, avaliação de cenários e capacidade de ajuste. 

Daniel Kahneman ajuda a compreender esse processo ao descrever dois modos de pensar. O Sistema 1 é rápido, intuitivo e econômico, útil em situações familiares ou que exigem agilidade, mas suscetível a vieses. O Sistema 2 é mais lento, analítico e deliberado, essencial para decisões complexas, embora mais custoso em termos de energia mental. Boas decisões pedem discernimento para saber quando confiar na agilidade do Sistema 1 e quando e como acionar a profundidade do Sistema 2. 

Também é um erro imaginar que decidir bem seja escolher “pela razão” e excluir as emoções. Emoções não são inimigas da lucidez, visto que elas trazem informações valiosas. O problema surge quando dominam completamente o processo ou quando são ignoradas. Boas decisões exigem, portanto, equilíbrio entre razão e emoção. 

O mesmo vale para instinto e intuição. O instinto é mais primário, ligado à sobrevivência. Já a intuição costuma vir da experiência e da leitura sutil de padrões. Ambos podem ajudar, mas não devem substituir a análise criteriosa em decisões complexas. 

Mas veja, tão importante quanto saber decidir é saber quando não decidir. Cansaço, estresse, fome, prazos curtos ou excesso de informação comprometem a qualidade das escolhas, levando o cérebro a buscar alívio imediato ao invés de boas decisões. Por isso, também é essencial buscar dados confiáveis, reconhecer vieses inconscientes, alinhar a decisão aos seus valores e objetivos de longo prazo e considerar seu impacto no coletivo. Afinal, decidir nunca é um ato neutro e as nossas escolhas individuais também reverberam nos outros. 

Tomar uma boa decisão não é um processo simples. Por isso mesmo em meu livro “Neurociência Positiva”, dedico todo um capítulo a essa tão importante Função Executiva e apresento um fluxograma de tomada de decisão não para dar respostas prontas, mas para estimular perguntas melhores. Porque a qualidade da decisão depende menos de certezas imediatas e mais de clareza. Treinar essa habilidade é treinar a forma como conduzimos a própria vida. 

 

Juliana Zellauy - especialista em Neurociência e Comportamento, com formação em Psicologia Positiva e em Mindfulness, autora de “Neurociência Positiva – Uma rota prática para cultivar o equilíbrio, desenvolver clareza mental e viver com mais leveza”. 

 

Posts mais acessados