Pesquisar no Blog

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Tecnologia guiada por IA identifica sinais precoces de doenças incapacitantes

Freepik
Sistema prevê doenças oculares e sistêmicas através de exame na  retina antes de qualquer sinal evidente.

 

A luz do monitor pisca em silêncio. Na maca, um paciente  tenta entender o que aconteceu. Horas antes, estava em casa. Sem dor, nem sinais claros. Agora, médicos falam em pressão alta, risco cardiovascular, exames urgentes, provável AVC. Tudo parece ter surgido de repente. Mas não surgiu. Alterações nas artérias aconteciam no fundo do olho sem causar qualquer desconforto ou alarde.  No Brasil a cena é mais frequente do que se possa imaginar. Milhões de brasileiros seguem descobrindo doenças crônicas quando elas já comprometeram qualidade de vida, produtividade e, em muitos casos, a própria autonomia.

 

A boa notícia é que a medicina esta deixando de ser reativa para ser preditiva. De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo  do Instituto Penido Burnier, uma nova tecnologia está permitindo que o  olho se torne uma verdadeira janela para o diagnóstico não só de doenças oculares, mas também de diversas condições sistêmicas, anos antes dos primeiros sinais. “Estamos vivendo uma a transição do medicina reativa para a preditiva’, avalia. Trata-se do Airdoc,  um retinógrafo guiado por IA que acaba de ser adquirido pelo hospital. O oftalmologista  afirma que esta inovação permite  antecipar em 20 anos o risco de Alzheimer e outros tipos de demência. A nova tecnologia também antecipa em 10 anos o diagnóstico de doenças que hoje são uma verdadeira epidemia no Brasil como diabetes, hipertensão arterial, aterosclerose, alterações cardiovasculares, risco de infarto, AVC e até anemia. retinopatia, degeneração macular, entre outras. 

 

Olhos e saúde mental: uma conexão emergente

 A maioria dos brasileiros não faz acompanhamento oftalmológico regular.  Diversos estudos apontam uma correlação relevante entre doenças oculares entre a catarata e condições como:

• Demência

• Depressão

• Declínio cognitivo

Por isso,  o especialista recomenda que a partir dos 50 anis a consulta oftalmológica seja anua. “Nossos olhos também envelhecem e  sofrem alterações importantes. A perda visual impacta diretamente a autonomia, a interação social e a saúde mental, reforçando a importância da oftalmologia como parte da saúde integral

 

Queiroz Neto ressalta que o fundo do olho sempre foi de grande interesse da Oftalmologia por ser a única  área de nosso corpo  que permite um panorama da saúde através de vasos dilatados, tortuosos, pequenos aneurismas e outras alterações.  Hoje com a inteligência artificial   prevê riscos, trazendo  portanto, um alerta de mudança no estilo de vida muito antes de ocorrerem graves  comprometimentos da saúde, afirma

 

Fatores de risco e prevenção

O gatilho de doenças como diabetes, hipertensão e aterosclerose pode ser gênico, mas mudanças simples nos hábitos reduzem o risco, pontua.  Para preservar a visão o especialista indica :

Evitar - Sedentarismo; Dietas ultraprocessadas;  Excesso de açúcar e sal; Tabagismo;  Consumo excessivo de álcool:exposição ao sol sem lentes com filtro UV.

Adotar - alimentação equilibrada; Atividade física regular; Controle de peso; Monitoramento da glicemia e colesterol.

 

Para ele, ao utilizar a retina como porta de entrada para o diagnóstico de doenças  oculares e sistêmicas o Airdoc coloca a prevenção no centro da estratégia de saúde, permite antecipar riscos e  salvar vidas, mas a prevenção completa depende de cada um de nós, conclui.

 

 

Canetas emagrecedoras, SUS e planos de saúde: quem deve pagar essa conta?

Nos últimos anos, medicamentos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras” passaram a ocupar lugar de destaque nas conversas sobre saúde, estética, obesidade, diabetes e qualidade de vida. Nomes como Ozempic, Wegovy, Saxenda e Mounjaro se tornaram conhecidos do grande público e também chegaram aos tribunais. 

O tema, porém, precisa ser tratado com responsabilidade. Não estamos falando apenas de emagrecimento ou aparência física. A obesidade é uma doença crônica, complexa e multifatorial, que pode estar associada a diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, apneia do sono, problemas articulares e redução importante da qualidade de vida. Ao mesmo tempo, também não se pode concluir que todo medicamento novo, caro ou desejado deve ser automaticamente custeado pelo SUS ou pelos planos de saúde. 

É nesse ponto que surge a pergunta jurídica: quando o Estado ou o plano de saúde pode ser obrigado a custear esses medicamentos? A resposta passa necessariamente por alguns esclarecimentos. 

O primeiro deles é que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão que regulamenta os medicamentos no país, não é sinônimo de custeio obrigatório. Muita gente acredita que, se um medicamento foi aprovado pela Anvisa, o SUS ou o plano de saúde passa a ser automaticamente obrigado a fornecê-lo. Não é assim. 

O registro na Anvisa significa que o medicamento passou por avaliação sanitária para determinada indicação. É uma condição importante, mas não suficiente. Para o SUS, além do registro, é necessário avaliar se o medicamento foi incorporado às políticas públicas. Para os planos de saúde, é preciso analisar o contrato, a lei dos planos de saúde, o Rol da ANS, a forma de uso do medicamento e a finalidade do tratamento. 

A Anvisa já aprovou, por exemplo, indicação do Mounjaro, à base de tirzepatida, para controle crônico do peso em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades, sempre em conjunto com dieta de baixa caloria e atividade física. Também aprovou atualização de posologia do Wegovy, à base de semaglutida, para situações específicas de adultos com obesidade que não obtiveram resposta clínica adequada com a dose padrão. Contudo, a aprovação sanitária não resolve sozinha a discussão sobre quem deve pagar. 

Aqui, temos uma outra ressalva. No Sistema Único de Saúde, a análise é coletiva. O SUS tem o dever constitucional de garantir acesso à saúde, mas esse dever é organizado por políticas públicas, protocolos clínicos, listas oficiais e decisões técnicas de incorporação de medicamentos. 

No caso das canetas emagrecedoras, o cenário atual é restritivo. A Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) decidiu não incorporar a semaglutida ao SUS para pacientes com obesidade graus II e III, sem diabetes, com idade a partir de 45 anos e doença cardiovascular estabelecida. Também houve decisão de não incorporação da liraglutida para pacientes com obesidade e diabetes mellitus tipo 2. 

Isso não significa que o paciente jamais poderá buscar o medicamento judicialmente. Significa que a ação judicial, nesses casos, deve ser tratada como exceção, e não como regra. 

O Superior Tribunal de Justiça, no Tema 106, estabeleceu requisitos para que o Poder Público seja obrigado a fornecer medicamento fora das listas do SUS. Em linhas gerais, é necessário apresentar laudo médico fundamentado, demonstrar que as alternativas disponíveis no SUS são ineficazes ou inadequadas, comprovar incapacidade financeira e demonstrar que o medicamento possui registro na Anvisa. 

Por sua vez, o Supremo Tribunal Federal também reforçou que o fornecimento judicial de medicamentos não incorporados ao SUS exige critérios rigorosos, justamente para equilibrar o direito individual do paciente com a organização das políticas públicas de saúde. 

Por fim, temos a questão envolvendo os planos de saúde, onde a lógica é contratual e consumerista. O paciente paga mensalidade para ter cobertura de doenças e tratamentos previstos em lei e contrato. Por isso, quando existe uma doença coberta, o plano não pode simplesmente negar tratamento de forma genérica. 

A Lei nº 14.454/2022 alterou a Lei dos Planos de Saúde e abriu espaço para cobertura de tratamentos fora do Rol da ANS, desde que preenchidos critérios técnicos, como comprovação de eficácia científica ou recomendação por órgãos de avaliação de tecnologias em saúde. Mais recentemente, o STF também fixou critérios para cobertura de tratamentos fora da lista da ANS, reforçando que a cobertura excepcional deve observar parâmetros objetivos e baseados em evidências. 

Ainda assim, existe um obstáculo importante: muitas dessas canetas são medicamentos de uso domiciliar, isto é, comprados em farmácia e aplicados pelo próprio paciente em casa. A Lei dos Planos de Saúde permite a exclusão de medicamentos para tratamento domiciliar, e o STJ tem decisões recentes reconhecendo que, em regra, o plano pode negar medicamento domiciliar não listado pela ANS, salvo situações específicas. 

Por isso, a discussão contra planos de saúde costuma depender muito dos detalhes. O medicamento foi prescrito para diabetes, obesidade grave ou apenas emagrecimento estético? Há comorbidades? A doença é coberta pelo plano? Existe relatório médico detalhado? Há risco concreto de agravamento? O uso é domiciliar ou supervisionado em ambiente ambulatorial? Há alternativa terapêutica adequada? Essas perguntas fazem toda a diferença. 

Enquanto o tema evolui em entendimentos na esfera jurídica, o mais importante diz respeito ao aspecto da saúde. A obesidade não deve ser tratada como questão estética, mas como uma doença que pode ser grave, progressiva e associada a riscos relevantes. É nesses casos que os tribunais vêm reconhecendo a questão. 

Os casos mais fortes costumam reunir alguns elementos: obesidade grau II ou III, diabetes tipo 2, hipertensão, doença cardiovascular, apneia do sono, resistência insulínica, esteatose hepática, histórico de tentativas anteriores de tratamento, relatório médico bem fundamentado e risco concreto de agravamento. Este relatório, aliás, é peça central, onde o médico deve explicar o diagnóstico, o grau da obesidade, as comorbidades, os tratamentos já tentados, por que eles falharam ou são inadequados, por que aquele medicamento foi escolhido, qual a dose, a duração estimada e quais riscos existem se o tratamento não for realizado. 

No caso do SUS, também é indispensável comprovar a tentativa administrativa, a negativa do Poder Público e a incapacidade financeira do paciente. No caso dos planos de saúde, é importante obter a negativa formal da operadora, com a justificativa usada para recusar o custeio. 

Com a consistência documental e apoio jurídico especializado, pessoas que realmente dependem desses novos medicamentos podem ir adiante na judicialização.

Claramente, o papel do Judiciário não deve ser o de substituir o médico, a Anvisa, a Conitec, a ANS ou os gestores de saúde. Mas também não pode permitir que burocracia, cláusulas contratuais ou decisões administrativas genéricas impeçam o acesso a tratamento realmente necessário. 

O debate, assim, não deve ser reduzido à pergunta “quem paga a caneta”? A pergunta correta é mais profunda: em quais situações esse medicamento deixa de ser uma opção de conveniência e passa a ser um tratamento indispensável para proteger a saúde e a dignidade do paciente?

 

Ricardo Menegatto - advogado especializado em direito do consumidor e sócio do escritório Menegatto Advogados

 

Saúde bucal influencia diretamente o controle de doenças inflamatórias intestinais, alerta especialista

 

Dia 19 de maio é celebrado Dia Mundial de Combate às Doenças Inflamatórias e a boca pode antecipar diagnóstico e impactar na evolução da doença

 

A conexão entre boca e intestino tem ganhado relevância na ciência e pode impactar diretamente o controle de doenças como a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa. Com a proximidade do Dia Mundial de Combate às Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs), celebrado em 19 de maio, o tema reforça a importância de uma abordagem integrada no cuidado ao paciente.

 

Segundo o cirurgião-dentista Davi Cunha, a saúde bucal deve ser encarada como parte do controle da doença. “A cavidade oral participa do processo inflamatório do organismo. Infecções gengivais, como a periodontite, aumentam essa carga inflamatória e podem interferir na evolução das doenças intestinais”, explica.

 

Pesquisas recentes apontam que bactérias presentes na boca podem migrar para o intestino, alterando a microbiota intestinal, um fator-chave para a remissão das DIIs. Esse mecanismo, conhecido como “eixo boca-intestino”, ajuda a explicar por que problemas bucais podem agravar o quadro clínico.

 

O alerta ganha força diante do avanço dessas doenças no Brasil. Estima-se que cerca de 250 mil pessoas convivam com DIIs no país, com crescimento médio de 15% ao ano nos diagnósticos. “Esse cenário exige atenção também ao diagnóstico precoce. Em muitos casos, os primeiros sinais aparecem na boca, antes mesmo dos sintomas intestinais”, destaca o especialista.

 

Aftas recorrentes, inflamações gengivais persistentes, inchaço labial e lesões ulceradas estão entre as manifestações mais comuns. Em quadros de Crohn, podem surgir alterações mais específicas na mucosa oral, enquanto deficiências nutricionais associadas à doença podem provocar inflamações na língua e nos cantos da boca.

 

“Não é raro que o paciente passe por diferentes profissionais antes de fechar o diagnóstico. O dentista pode ajudar a encurtar esse caminho ao identificar sinais precoces”, afirma Davi Cunha.

 

Além da identificação, o cuidado com a saúde bucal também pode influenciar na evolução da doença. Evidências indicam que o tratamento de doenças periodontais pode contribuir para a redução da inflamação sistêmica. “Controlar a saúde gengival pode ser um aliado importante para manter a doença intestinal em remissão”, diz.

 

O especialista também chama atenção para pacientes em uso de imunossupressores, comuns no tratamento das DIIs. “Esses medicamentos podem aumentar o risco de infecções oportunistas na boca, como candidíase. Por isso, o acompanhamento odontológico regular é indispensável”, orienta.



Pesquisa revela que mães são as principais gestoras da saúde das famílias brasileiras e fazem isso cada vez mais no digital

Perfil do Paciente Digital 2026, da Doctoralia, mostra que 72% dos usuários são mulheres, que concentram decisões sobre consultas, tratamentos e acompanhamento médico
 

No Brasil, o cuidado com a saúde das famílias tem protagonismo feminino - e ele está cada vez mais digital. É o que mostra o levantamento Perfil do Paciente Digital 2026”, realizado pela Doctoralia, maior plataforma de saúde do país. De acordo com o estudo, 72% dos usuários são mulheres, que assumem, na prática, a responsabilidade por organizar consultas, acompanhar diagnósticos e gerenciar a jornada de cuidado de filhos, parceiros e até dos próprios pais. 

Mais do que pacientes, essas mulheres atuam como verdadeiras gestoras da saúde familiar, concentrando decisões que vão desde a escolha de profissionais até o momento de buscar atendimento. O dado reforça uma transformação silenciosa: o cuidado com a saúde, historicamente associado ao ambiente doméstico, hoje também passa pelo ambiente digital e continua sendo liderado por elas. 

Esse protagonismo feminino no cuidado não é novo, mas ganha novos contornos com a digitalização da saúde. Dados recentes do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social mostram que mulheres dedicam, em média, 9,8 horas a mais por semana do que os homens ao trabalho de cuidado não remunerado. Além disso, 43% são as únicas responsáveis pelas tarefas domésticas e 48% cuidam de outras pessoas sem remuneração1. Nesse contexto, a gestão da saúde da família se consolida como mais uma camada dessa responsabilidade. 

Essa gestão acontece, cada vez mais, na palma da mão. Segundo o levantamento do Perfil do Paciente Digital 2026, 84% dos acessos a serviços de saúde são feitos por smartphones, consolidando o celular como principal ferramenta na organização da rotina de cuidado. Canais como WhatsApp também ganham protagonismo no agendamento e na comunicação com profissionais de saúde. 

Outro aspecto relevante é o perfil etário dessas mulheres. A maior concentração está entre 36 e 59 anos, faixa que frequentemente representa a chamada “geração sanduíche”, responsável simultaneamente pelo cuidado com filhos e com pais idosos. Nesse contexto, a gestão da saúde se soma a outras responsabilidades, ampliando a carga emocional e operacional do cuidado. 

Para Flavia Soccol, líder global de Patient Care da Doctoralia, o estudo revela uma mudança estrutural no comportamento do paciente e também no papel das mulheres nesse processo. “Em 2026, o paciente é digital, crítico e informado, mas continua profundamente humano. Ele pesquisa, compara e busca informações, mas a decisão ainda é baseada em confiança. A jornada se digitalizou, mas a necessidade de conexão humana, segurança e acolhimento só aumentou. Existe também um fator muitas vezes invisível, mas determinante, o protagonismo das mulheres, especialmente mães, que estão no centro das decisões de saúde e da gestão do cuidado. Isso é algo que eu vivencio também no meu dia a dia. Entender essa dinâmica não é opcional. É o que permite construir um sistema de saúde mais acessível, eficiente e, principalmente, mais humano.” 

No Mês das Mães, os dados ajudam a lançar luz sobre um trabalho cotidiano que, muitas vezes, passa despercebido: o de coordenar a saúde de toda a família. Um papel que vai além do afeto e se traduz em planejamento, informação e ação - agora cada vez mais mediado pela tecnologia.

 

Referência:

  1. Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social / Governo Federal – 2025. Disponível em: Link

Dia Internacional da Luta contra a Endometriose

Imagem: Magnific 
5 sinais de alerta que você não deve ignorar

Considerada uma das principais causas de infertilidade feminina, a doença afeta uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva, mas o diagnóstico ainda pode levar anos


Celebrado em 7 de maio, o Dia Internacional da Luta contra a Endometriose acende um alerta fundamental sobre essa condição que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo. Apesar de ser comum, a doença ainda é cercada de desinformação, o que faz com que muitas pacientes convivam com dores incapacitantes por anos até receberem o diagnóstico correto. 

A endometriose ocorre quando o endométrio – tecido que reveste o interior do útero – cresce fora do órgão, atingindo regiões como ovários, trompas, intestino e bexiga. Esse processo gera uma inflamação crônica que, além de comprometer severamente a qualidade de vida, é uma das principais causas de infertilidade feminina.

“O ambiente inflamatório gerado pela doença pode prejudicar a qualidade dos óvulos e dificultar a implantação do embrião no útero. A endometriose também pode criar cicatrizes internas, que obstruem as trompas, ou atingir os ovários, formando cistos. Neste caso, tanto a própria doença quanto as cirurgias necessárias para removê-la levam à diminuição da quantidade de óvulos disponíveis”, explica Dra. Alessandra Evangelista, ginecologista especializada em Reprodução Humana da Clínica Vida (RJ), que integra o Fertgroup – maior grupo de reprodução assistida do país. 

Para ajudar a identificar o problema precocemente, a especialista elenca os 5 principais sinais de alerta da endometriose:
 

1. Cólicas menstruais intensas

A dor da endometriose é progressiva e incapacitante. Ela impede a mulher de realizar suas atividades diárias e pode piorar com o passar dos anos.


2. Dor profunda durante a relação sexual

Muitas pacientes relatam uma dor no "fundo da pelve" durante a penetração. Isso ocorre devido à inflamação e às aderências causadas pela doença em estruturas próximas ao canal vaginal e ao colo do útero.


3. Alterações intestinais ou urinárias no período menstrual 

Se ir ao banheiro durante a menstruação for sinônimo de dor, é preciso investigar. O sangramento nas fezes ou na urina, acompanhado de dor ao evacuar ou urinar, pode indicar que focos de endometriose atingiram o intestino ou a bexiga.


4. Dor pélvica crônica 

Em estágios mais avançados, a dor deixa de ser exclusiva do período menstrual e passa a ser constante. É uma dor na região do baixo ventre que se mantém presente na maior parte do mês, afetando diretamente a saúde mental e física da mulher.


5. Dificuldade para engravidar (infertilidade) 

Muitas mulheres só descobrem a endometriose quando tentam engravidar e não conseguem. Segundo a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), cerca de 30% a 50% das mulheres com a doença enfrentam a infertilidade.
 

É possível ser mãe! 

O diagnóstico de endometriose não significa o fim do sonho da maternidade. A medicina reprodutiva moderna oferece diversos caminhos para possibilitar a gravidez e proteger a saúde da mulher. Para as pacientes que têm a doença, mas não planejam engravidar no momento, o congelamento de óvulos surge como indicação preventiva. "Ele funciona como uma excelente opção e, mesmo que a doença progrida ou exija cirurgias que afetem a reserva ovariana, com a quantidade de óvulos disponíveis, essa mulher terá a chance de planejar sua maternidade no futuro", esclarece Dra. Alessandra. 

Já para aquelas que desejam engravidar imediatamente e enfrentam dificuldades, os tratamentos disponíveis incluem:

  • Fertilização in Vitro (FIV): É o tratamento mais eficaz, pois o encontro do óvulo com o espermatozoide é feito em laboratório, "pulando" as barreiras anatômicas e inflamatórias que a endometriose causa na pelve.
  • Cirurgia especializada (laparoscopia): Em alguns casos, remover as lesões de endometriose pode restaurar a anatomia e aliviar o ambiente inflamatório, facilitando a gravidez natural ou melhorando as taxas de sucesso de uma futura FIV.
  • Inseminação artificial: Pode ser recomendada apenas em casos de endometriose muito leve, onde as trompas não foram afetadas pela doença.


Quando buscar ajuda?

Ao identificar um ou mais dos sintomas de alerta, o primeiro passo é buscar um ginecologista. O diagnóstico inicial é clínico, baseado no histórico da paciente, e pode ser confirmado por exames de imagem especializados, como ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal ou ressonância magnética da pelve.

Embora a endometriose seja uma condição crônica, o acompanhamento médico adequado e os tratamentos personalizados permitem controlar a progressão da doença, devolver a qualidade de vida e, principalmente, proteger a capacidade reprodutiva da mulher.



Dia das Mães reforça a importância de olhar para a mulher além da maternidade durante a gestação

Especialista do Hospital e Maternidade Santa Joana reforça que o pré-natal deve acompanhar o desenvolvimento do bebê, mas também acolher as mudanças físicas, emocionais e nutricionais vividas pela gestante

 

O Dia das Mães costuma ser marcado por homenagens ao afeto e ao cuidado. Mas a data também abre espaço para uma reflexão essencial: antes de ser mãe, a gestante é uma mulher que atravessa intensas transformações físicas, hormonais, metabólicas e emocionais. Por isso, o cuidado na gravidez precisa ir além da saúde do bebê e reconhecer a mulher como protagonista dessa experiência. 

Tradicionalmente, a gestação é associada ao desenvolvimento fetal e aos preparativos para o parto. No entanto, durante os nove meses, o corpo da mulher passa por adaptações profundas: aumento do volume sanguíneo, alterações hormonais, mudanças no metabolismo, no sono, na digestão, na pele, nas mamas e na composição corporal. Ao mesmo tempo, surgem dúvidas, expectativas e questões emocionais que também precisam ser acolhidas. 

Ao mesmo tempo, a mulher pode lidar com dúvidas, medos, expectativas, cobranças externas e mudanças na forma como se percebe. Nesse contexto, o pré-natal se torna uma das principais ferramentas de cuidado integral, pois permite acompanhar a saúde do bebê, prevenir complicações e, também, acolher a gestante em suas necessidades individuais. 

Para a Dra. Karina Belickas, nutróloga, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana, o Dia das Mães é uma oportunidade para reforçar uma visão mais ampla da maternidade.

“A gestante não deve ser vista apenas como alguém que carrega um bebê. Ela continua sendo uma mulher com história, desejos e necessidades próprias. O pré-natal precisa cuidar da saúde do bebê, mas também estar atento às mudanças que ela vivência ao longo da gestação”, afirma. 

A médica explica que o pré-natal é um espaço de escuta qualificada: além de revisar exames e monitorar o crescimento fetal, deve abordar alimentação, ganho de peso, atividade física, sexualidade, saúde mental, sono, desconfortos físicos, preparação para o parto e expectativas para o puerpério. 

Durante a gestação, são comuns alterações como aumento do útero, crescimento das mamas, retenção de líquidos, alterações no centro de gravidade, maior frequência urinária e mudanças na pele, como melasma e estrias. Também podem ocorrer variações na pressão arterial, glicemia e nos níveis de nutrientes essenciais.

Embora muitas dessas mudanças sejam fisiológicas, o acompanhamento médico é fundamental para identificar sinais de alerta, como ganho de peso excessivo, sangramentos, dor intensa, falta de ar, pressão alta ou inchaço súbito. 

A alimentação, frequentemente cercada de mitos, também é parte central do cuidado. “A ideia de que a gestante deve ‘comer por dois’ não corresponde às orientações atuais. A dieta deve priorizar qualidade nutricional, equilíbrio e adequação às necessidades de cada fase da gravidez”, explica a especialista.

Nutrientes como ácido fólico, ferro, cálcio, vitamina D, ômega-3, iodo e proteínas têm papel importante para a mãe e para o bebê. Em alguns casos, a suplementação é indicada — sempre após avaliação profissional. 

Segundo a médica, o acompanhamento nutricional não deve ser guiado por padrões estéticos, mas pela promoção de saúde e pelo alívio de sintomas como náuseas, azia, constipação e cansaço. 

Ao longo do pré-natal, a gestante também deve receber informações sobre exames, sinais de atenção, tipos de parto, plano de parto, amamentação e rede de apoio. Participar dessas decisões, com base em evidências e respeito à sua história, contribui para uma experiência mais segura e consciente. 

O período pós-parto, muitas vezes pouco discutido, também merece preparação prévia. O puerpério envolve recuperação física, reequilíbrio hormonal, adaptação à amamentação e reorganização da rotina familiar. Antecipar esse diálogo reduz expectativas irreais e fortalece o suporte emocional. 

No mês em que se celebra o Dia das Mães, reconhecer a mulher como centro do cuidado durante a gestação reforça a importância de um pré-natal integral, que considere saúde física, equilíbrio emocional, informação qualificada e respeito às escolhas pessoais. Cuidar da gestante é também cuidar do bebê — e garantir uma maternidade mais consciente, acolhedora e segura.

 

Santa Joana 
Site: www.santajoana.com.br



Dia das Mães: Entre carinho e expectativa, maternidade influencia a percepção visual


Imagem de cookie_studio no Magnific

A Dra. Camila Moraes explica que, durante a gestação, podem surgir alterações passageiras na visão, além de destacar causas e situações que exigem acompanhamento 


Com o Dia das Mães se aproximando, celebrado neste domingo, 10 de maio, a gestação ganha ainda mais destaque como um período de transformações intensas, que vão muito além do crescimento do bebê. Entre descobertas, expectativas e cuidado redobrado, o corpo feminino também pode apresentar mudanças na visão, geralmente sutis e passageiras, mas que merecem atenção. 

De acordo com a Dra. Camila Moraes, oftalmologista do Hospital de Olhos de Pernambuco (HOPE), é natural que a futura mãe note algumas diferenças ao longo dos meses. “Durante a gravidez, é relativamente comum a mulher perceber a visão um pouco embaçada, sensação de olho seco, maior sensibilidade à luz e até pequenas oscilações no grau dos óculos. Algumas pacientes também relatam desconforto com o uso de lentes de contato”, explica. 

Esses sinais fazem parte da experiência de muitas futuras mães. “São alterações relativamente frequentes. Uma parcela significativa das gestantes apresenta algum sintoma visual ao longo da gravidez, principalmente relacionados ao ressecamento ocular ou à flutuação da visão”, afirma a especialista. 

As causas estão ligadas a processos naturais do organismo nesse período. “Essas mudanças acontecem principalmente por causa das alterações hormonais da gestação. Elas levam à retenção de líquidos, podem alterar a córnea e também interferem na qualidade da lágrima. Além disso, fatores como pressão arterial e glicemia também podem impactar a visão”, detalha. 

A intensidade desses efeitos pode variar conforme o avanço da gestação. “Em geral, elas começam a ficar mais perceptíveis a partir do segundo trimestre e podem se intensificar no terceiro, quando as mudanças hormonais estão mais acentuadas”, pontua. 

Apesar de causarem preocupação em algumas mulheres, a tendência é que tudo volte ao normal. “Na grande maioria das vezes, são temporárias e se resolvem após o parto. Alterações permanentes são raras e, quando acontecem, costumam estar associadas a outras condições de saúde”, tranquiliza. 

Mesmo sendo, na maior parte dos casos, situações leves, alguns sintomas exigem atenção imediata. “Perda súbita de visão, visão dupla, flashes de luz, manchas no campo visual ou dor ocular são sinais de alerta. Se esses sintomas vierem acompanhados de dor de cabeça, a avaliação deve ser ainda mais rápida, porque pode estar relacionado a alterações mais graves da gestação como a pré-eclâmpsia”, orienta. 

Condições clínicas também podem influenciar a saúde ocular durante esse período. “Existe uma relação direta. Tanto a pressão alta quanto o diabetes podem afetar a retina. Em casos mais graves, especialmente na hipertensão da gestação, a paciente pode apresentar sintomas visuais importantes que precisam de acompanhamento médico”, ressalta. 

Para quem já utiliza correção visual, alguns cuidados extras podem fazer diferença. “Nem sempre é indicado mudar o grau dos óculos durante a gestação, porque essa variação costuma ser temporária. Já quem usa lente de contato pode sentir mais desconforto e deve intensificar os cuidados com lubrificação ocular”, explica. 

No cotidiano, atitudes simples contribuem para o bem-estar dos olhos. “Manter uma boa hidratação, fazer pausas no uso de telas, usar colírios lubrificantes quando indicado e controlar bem a pressão arterial e a glicemia são medidas importantes. E sempre vale reforçar: qualquer sintoma visual novo deve ser avaliado”, recomenda. 

Depois da chegada do bebê, o organismo tende a se reorganizar gradualmente. “Na maioria dos casos, a visão retorna ao padrão anterior em algumas semanas após o parto. Se a paciente ainda estiver com queixas, é importante fazer uma avaliação oftalmológica no pós-parto para reavaliar o grau e a saúde ocular. Em meio a tantas mudanças, o olhar da mãe também acompanha esse novo capítulo, cheio de cuidado, descoberta e amor”, finaliza a Dra. Camila Moraes.


Nova terapia aprovada pela Anvisa marca mudança histórica no tratamento da doença e abre uma nova era na neurologia

 

O Brasil deve receber em junho o primeiro medicamento aprovado capaz de atuar diretamente na progressão do Alzheimer, uma das doenças neurodegenerativas que mais crescem no mundo. A chegada do lecanemabe, aprovado pela Anvisa para pacientes em estágios iniciais da doença, é considerada um marco histórico no tratamento neurológico. 

Segundo o Dr. Fernando Gomes, neurocirurgião, neurocientista e professor livre-docente da USP, atualmente os tratamentos disponíveis atuam principalmente sobre sintomas, tentando melhorar memória, comportamento ou cognição temporariamente. Agora começamos a entrar em uma era em que conseguimos interferir diretamente em mecanismos biológicos ligados à progressão da doença”, explica o médico. 

O lecanemabe é um anticorpo monoclonal desenvolvido para agir sobre as placas de beta-amiloide, proteínas associadas ao Alzheimer e ao processo de degeneração cerebral. Os estudos mostraram desaceleração do declínio cognitivo em pacientes diagnosticados nas fases iniciais da doença. 

Para Dr. Fernando, o avanço reforça um ponto que ainda representa um enorme desafio no Brasil: o diagnóstico precoce. “O grande problema é que muitos pacientes chegam tardiamente ao neurologista. E essa nova geração de medicamentos funciona justamente nas fases iniciais, quando ainda existe preservação importante das funções cerebrais.” 

Segundo ele, sintomas como esquecimentos frequentes, repetição de perguntas, dificuldade de organização, alterações de comportamento e perda progressiva de autonomia não devem ser encarados apenas como “coisas da idade”. 

“O Alzheimer não começa de um dia para o outro. O cérebro vai sofrendo alterações silenciosas durante anos antes dos sintomas mais graves aparecerem.” 

O especialista explica que o envelhecimento da população brasileira torna o tema ainda mais urgente. Dados internacionais mostram crescimento acelerado do número de casos de demência nas próximas décadas, acompanhando o aumento da expectativa de vida. “Estamos vivendo mais — e isso é excelente. Mas o cérebro também precisa envelhecer com mais saúde, para assim conseguirmos ter mais futuro”. 

Apesar do entusiasmo em torno da nova terapia, Dr. Fernando faz um alerta importante: o medicamento não representa cura do Alzheimer. “É fundamental evitar falsas expectativas. O tratamento não faz o paciente recuperar completamente a memória nem interrompe totalmente a doença. O objetivo é desacelerar a progressão.”
 

Além disso, o tratamento exige critérios rigorosos. 

O medicamento é indicado para pacientes com comprometimento cognitivo leve ou Alzheimer em estágio inicial e necessita confirmação diagnóstica específica, incluindo presença de biomarcadores da doença. O acompanhamento também deve ser cuidadoso devido ao risco de efeitos adversos neurológicos, como edema cerebral e micro-hemorragias. 

Segundo o médico, a chegada da medicação também deve ampliar discussões sobre acesso, custo e estrutura diagnóstica no país. 

“Essa nova fase da neurologia traz esperança, mas também desafios importantes. Precisamos ampliar acesso ao diagnóstico precoce, informação para a população e preparo dos sistemas de saúde.”

Para Dr. Fernando, o maior impacto talvez seja simbólico: pela primeira vez, pacientes e famílias passam a enxergar o Alzheimer não apenas como uma doença inevitavelmente progressiva, mas como uma condição em que a medicina começa a conseguir interferir de maneira mais efetiva.

“Talvez estejamos entrando no início de uma nova era no cuidado cerebral. E isso muda completamente a forma como a sociedade precisará olhar para saúde cognitiva, envelhecimento e prevenção daqui para frente.”
  


Dr. Fernando Gomes - Professor Livre Docente de Neurocirurgia do Hospital das Clínicas de SP com mais de 2 milhões de seguidores. Há 15 anos atua como comunicador, já tendo passado pela TV Globo por seis anos como consultor fixo do programa Encontro com Fátima Bernardes (2013 a 2019), por um ano (2020) na TV Band no programa Aqui na Band como apresentador do quadro de saúde “E Agora Doutor?” e dois anos (2020 a 2022) como Corresponde Médico da TV CNN Brasil. É também autor de 10 livros de neurocirurgia e comportamento humano. Professor Livre Docente de Neurocirurgia, com residência médica em Neurologia e Neurocirurgia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, é neurocirurgião em hospitais renomados e também coordena a Unidade de Hidrodinâmica Cerebral relacionada ao diagnóstico, tratamento e pesquisa de doenças como Hidrocefalia de Pressão Normal (HPN) e Hipertensão Intracraniana Idiopática (HII ou pseudotumor cerebral) no Hospital das Clínicas.
Li
nk


Gestação e prevenção: por que o rastreio de ISTs é parte do cuidado com a saúde da mãe e do bebê

Saiba quais infecções podem afetar o bebê, como prevenir e quando fazer os testes 


Durante a gestação, o acompanhamento médico e a realização de exames fazem parte dos cuidados recomendados para monitorar a saúde da mãe e do bebê. Entre esses exames, o rastreio de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) é uma etapa importante do pré-natal, pois permite identificar infecções que muitas vezes não apresentam sintomas e que podem ser tratadas ou acompanhadas ao longo da gravidez.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 milhão de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) curáveis são adquiridas todos os dias no mundo, e grande parte delas não apresenta sintomas aparentes [1]. Em 2022, a entidade estimou que cerca de 1,1 milhão de gestantes tinham diagnóstico de sífilis. Quando não identificada e tratada durante o pré-natal, a infecção pode estar associada a algumas complicações na gestação ou no parto, como prematuridade ou baixo peso ao nascer [1].

No Brasil, a sífilis segue sendo uma das infecções mais acompanhadas durante o pré-natal e um ponto de atenção nas políticas de saúde materno-infantil. Dados do Ministério da Saúde indicam que, entre 2005 e junho de 2025, foram registrados 810.246 diagnósticos de sífilis em gestantes no país [2]. Apenas em 2024, a taxa foi de 35,4 casos por 1.000 nascidos vivos, o que corresponde a cerca de 89,7 mil registros no ano, mantendo uma tendência de crescimento, com aumento de 3,2% em relação a 2023 [2].

“Infecções sexualmente transmissíveis muitas vezes não apresentam sintomas claros, o que pode fazer com que sejam descobertas tardiamente, inclusive durante a gestação. Por isso, ampliar o acesso ao diagnóstico é uma forma de cuidar da saúde da mulher e reduzir riscos de transmissão para o bebê”, afirma dra. Márcia Felician, ginecologista obstetra e médica da equipe de Genitoscopia e Laser da Dasa, empresa líder em medicina diagnóstica no Brasil.
 

Quais infecções podem afetar o bebê

Além da sífilis, outras ISTs também preocupam. A OMS alerta que infecções como HIV, hepatites B e C, herpes e HPV podem ter impacto direto na saúde materna e neonatal, estando associadas a natimorto, morte neonatal, sepse, conjuntivite neonatal, malformações congênitas e complicações no desenvolvimento nos primeiros meses de vida [1].

No contexto brasileiro, um estudo publicado em 2022 com 2.728 gestantes encontrou prevalência de 21% de ISTs, incluindo clamídia (9,9%), gonorreia, Mycoplasma genitalium e Trichomonas vaginalis, com índices ainda maiores na região Sudeste (23,3%) [3]. Já em relação ao HIV, dados recentes indicam queda de 7,9% nos casos em gestantes em 2025, com cerca de 7.500 registros no ano [4].

“Quando não diagnosticadas e tratadas a tempo, algumas infecções podem atravessar a gestação e afetar o bebê, levando a complicações como prematuridade, baixo peso ao nascer ou infecção neonatal. O diagnóstico precoce é um passo essencial para a proteção materno-infantil”, reforça a Dra. Márcia Felician.


O problema do ‘silêncio’ das ISTs

Um dos principais desafios no controle dessas infecções é que muitas ISTs não apresentam sintomas ou causam sinais inespecíficos [1]. Isso faz com que o diagnóstico frequentemente aconteça tarde, às vezes apenas durante o pré-natal ou após o parto, aumentando o risco de complicações evitáveis.

Por esse motivo, organismos internacionais e autoridades de saúde recomendam o rastreio de ISTs em gestantes como parte essencial do cuidado pré-natal, especialmente em países com alta incidência dessas infecções [1][2].


Como prevenir: quando e quais testes fazer

A prevenção passa por diferentes frentes. O uso correto e consistente de preservativos segue sendo uma das formas mais eficazes de reduzir o risco de ISTs. Além disso, vacinas seguras e eficazes estão disponíveis para hepatite B e HPV, consideradas avanços importantes na proteção da saúde sexual e reprodutiva [1]. Ainda assim, a testagem continua sendo central, especialmente para mulheres que estão grávidas ou planejam engravidar.

Falta de tempo, dificuldade de deslocamento e estigma ainda afastam muitas pessoas da testagem. Nesse cenário, cresce a busca por modelos que levem o cuidado até a casa das pessoas, com mais conforto, privacidade e praticidade. No Brasil, o check-up de ISTs é um exemplo dessa abordagem voltada ao diagnóstico precoce, com foco em exames laboratoriais para a detecção de infecções sexualmente transmissíveis. O painel inclui, principalmente, testes para:

· HIV
· Sífilis
· Hepatite B
· Hepatite C


Essas infecções estão entre as que podem trazer impactos relevantes durante a gestação quando não são identificadas e tratadas a tempo.

“Facilitar o acesso ao exame, inclusive com a possibilidade de realizá-lo em casa, pode ajudar a romper barreiras e ampliar o rastreio, algo fundamental para proteger a saúde da mãe e do bebê”, destaca a Dra. Márcia Felician.

  

Referências

[1] Organização Mundial da Saúde (OMS). Sexually Transmitted Infections (STIs) – Fact Sheet. Atualização de 10 de setembro de 2025. https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/sexually-transmitted-infections-(stis)

[2] Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico de Sífilis – 2025. Dados acumulados até junho de 2025, incluindo série histórica desde 2005 e taxas recentes.

[3] Estudo brasileiro publicado em 2022 sobre prevalência de ISTs em 2.728 gestantes (clamídia, gonorreia, Mycoplasma genitalium e Trichomonas vaginalis), com maior

prevalência na região Sudeste. https://revistapesquisa.fapesp.br/uma-em-cada-cinco-gestantes-tem-uma-ist/

[4] Ministério da Saúde. Dados epidemiológicos sobre HIV em gestantes, indicando queda de 7,9% em 2025 (cerca de 7.500 casos). https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/dezembro/brasil-elimina-transmissao-vertical-do-hiv-da-mae-para-o-bebe-e-alcanca-menor-taxa-de-mortalidade-dos-ultimos-anos


Nova atualização da NR-1 reacende debate sobre impactos físicos da saúde mental no trabalho

Dr. Rodrigo Góes, do Hospital Albert Einstein, explica como o esgotamento emocional afeta o corpo e aumenta afastamentos 
 

A atualização da NR-1, que entra em vigor no próximo dia 26 de maio e passa a incluir a fiscalização de riscos psicossociais no ambiente corporativo reacendei o debate sobre os impactos da saúde mental também no corpo dos trabalhadores. Criada em 1978 pelo Ministério do Trabalho e Emprego, agora, além de focar em riscos químicos, físicos e ergonômicos, também serão fiscalizados os riscos emocionais, indo além da sobrecarga física de trabalho. Entretanto, para o Dr. Rodrigo Góes, ortopedista e cirurgião de coluna do Hospital Albert Einstein, a relação entre a saúde física e mental estão mais interligadas que as pessoas imaginam. 

"A saúde física e a saúde mental dos trabalhadores são interligadas já que formam um ciclo que pode ser tanto positivo quanto prejudicial. Quando o corpo está saudável, com horas de descanso adequadas, com o corpo relaxado e equilibrado há maior disposição, concentração e resistência ao estresse, o que favorece o bem-estar psicológico. Em contrapartida, condições como sedentarismo, dores crônicas ou doenças físicas podem ficar aguçadas devido aos níveis de ansiedade, irritação e até levar à depressão. Da mesma forma, problemas de saúde mental, como estresse excessivo ou esgotamento profissional, podem se manifestar fisicamente", afirma o médico. 

A atualização da norma, responsável por indicar como as empresas devem cuidar da saúde e da segurança de seus colaboradores, acontece durante um cenário desafiador. Isso porque o último balanço divulgado pelo Ministério da Previdência Social, referente ao ano de 2025, o Brasil 4 milhões de afastamentos do trabalho por doença, é o maior número dos últimos cinco anos. A dorsalgia, nome dado a dor nas costas, foi a principal causa de afastamento de licença, com 237.113 pedidos concedidos. Logo em seguida está a hérnia de disco, responsáveis por 208.727 afastamentos. 

"Muitas empresas esquecem que os ambientes de trabalho que valorizam tanto o cuidado com o corpo quanto com a mente são essenciais para a qualidade de vida e a produtividade dos trabalhadores. Oferecer um cuidado maior com os funcionários, seja disponibilizando ferramentas que ajudem a manter o corpo saudável, como cadeiras e mesas ergonômicas. Em relação aos trabalhadores braçais, é importante se atentar a horas e dias de descanso, estendendo o intervalo durante o dia e disponibilizando mais folgas para evitar a sobrecarga", indica Dr. Rodrigo.
 

O burnout e os efeitos físicos 

A mudança da NR-1 não veio por acaso, segundo a pesquisa feita pela Data Lawyer, houve mais de 17 mil menções à ansiedade, depressão e estresse excessivo, sinais do burnout, nos processos trabalhistas em 2024, ano do último balanço feito pela organização. Já os dados do INSS revelaram um aumento de 68% nos afastamentos por transtornos mentais em 2024 em relação a 2023, cada um desses durando, em média, três meses.

“Os danos mentais causados pelo burnout provocam um desânimo, uma fadiga e, até mesmo, uma falta de vontade para realizar exercícios físicos. O problema é que o sedentarismo é um dos principais fatores que levam à dores crônicas de coluna", explica o cirurgião. 

Rodrigo relembra que, em muitos casos do excesso de trabalho, muitos brasileiros passam muitas horas em frente ao computador para manter a alta produtividade. Porém, a prática também é altamente prejudicial ao corpo, isso porque longos períodos de tela aumentam a tensão muscular. O recomendado é fazer pequenas pausas a cada 40 ou 50 minutos, levantar, caminhar por alguns minutos e realizar alongamentos simples ajudam a relaxar a musculatura e prevenir dores, algo pouco feito por quem busca bater metas e manter a concentração.  

A dor não deve ser ignorada nem tratada apenas com automedicação. Ao perceber desconforto frequente ou persistente, o ideal é procurar avaliação profissional. Quanto mais cedo o problema for identificado, maiores são as chances de tratamento eficaz. Também é essencial se desconectar do trabalho após o fim do expediente para recarregar as energias e evitar a sobrecarga da saúde física e mental", finaliza o Dr. Rodrigo Góes. 

O cirurgião de coluna do Hospital Albert Einstein também relembra que a adoção de hobbies é importante, já que que é um momento em que trabalhadores tiram para si. A prática, por mais simples que seja, promove o bem-estar e ajuda a diminuir os níveis de estresse provocados pela rotina agitada. 

 

Dr. Rodrigo Góes - Formado em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e especialista em Ortopedia e Traumatologia e Cirurgia da Coluna Vertebral pelo "Pavilhão Fernandinho Simonsen"- Hospital da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, Dr. Rodrigo Góes Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Também é Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Coluna e Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica. Membro da North American Spine Society. Fellow pela Campbell Clinic na University of Tennessee Health Science Center. Médico Colaborador do Grupo de Afecções e Cirurgia da Coluna da Santa Casa de São Paulo. Possui Mestrado em Pesquisa em Cirurgia pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e Doutorado em Ciências da Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Além disso, é Médico Plantonista do Pronto Atendimento do Hospital Albert Einstein; da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo; e do Núcleo de Coluna do Hospital Santa Isabel; Coordenação da Pós de Endoscopia do Hospital Albert.



Posts mais acessados