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sábado, 12 de julho de 2025

Ansiedade nas férias: por que estudantes não conseguem relaxar totalmente?

Freepik


Mesmo fora da rotina escolar, muitos adolescentes seguem pressionados por metas e vestibular. Especialista explica como as famílias podem ajudar no equilíbrio entre descanso e responsabilidade.



As férias chegaram. Mochilas guardadas, despertadores desligados, um respiro merecido depois de meses intensos de aulas, simulados e provas. Mas, para muitos estudantes, especialmente os que enfrentam o último ano do ensino médio, esse período de pausa carrega uma contradição: em vez de alívio, traz culpa, inquietação e ansiedade. 

A sensação de que “deveriam estar estudando” o tempo todo torna difícil até aproveitar um passeio ou dormir até mais tarde. E essa cobrança constante, mesmo em momentos de descanso, tem reflexo direto no bem-estar físico e emocional dos adolescentes.
 

O dado por trás da pressão

De acordo com uma pesquisa recente da plataforma Statista (2024), 65% dos jovens brasileiros entre 18 e 24 anos apresentam sintomas de ansiedade. A faixa etária inclui justamente quem está em fase de vestibular, e o índice é significativamente superior à média nacional de 52%. A saúde mental juvenil se tornou, inclusive, tema recorrente em debates educacionais e políticas públicas com foco especial na adolescência escolar. 

Segundo a diretora do PB Colégio e Curso, Valma Souza, o problema não está apenas na carga de estudos, mas na forma como a pausa é percebida: 

“Muitos adolescentes associam parar ao fracasso. Acham que, se descansarem, estão ficando para trás. Mas a verdade é que o descanso é estratégico: recupera energia, reduz o estresse e melhora até a retenção do conteúdo.” 

Ela explica que é preciso ensinar aos jovens que estudar com inteligência inclui também não estudar o tempo todo.
 

A importância da família no “modo pausa”

Valma, que também é mãe, lembra que o papel da família pode ser determinante para quebrar esse ciclo de culpa e cobrança. 

“A família pode e deve ajudar a dosar o ritmo. Às vezes, o adolescente precisa de permissão para descansar, e ela vem no olhar dos pais, na tranquilidade do ambiente em casa, na fala que reforça que está tudo bem não estudar o tempo todo.” 

Além disso, a diretora alerta que muitos adolescentes não verbalizam o cansaço, mas demonstram através de comportamento: irritabilidade, insônia, choro fácil, apatia ou, paradoxalmente, hiperprodutividade são sinais de alerta. 

“Se o jovem está sempre exausto, emocionalmente instável ou se recusa a parar porque tem medo de falhar, é hora de atenção. A ansiedade faz parte do processo, mas quando ultrapassa o limite do saudável, é preciso buscar apoio profissional”, completa Valma.
 

Como equilibrar descanso e responsabilidade nas férias

Nem tudo precisa ser 8 ou 80. Não é necessário passar o mês estudando pesado, mas também não é recomendado se desconectar completamente. O segredo está no equilíbrio e em uma rotina adaptada para o momento.
 

Dicas práticas para pais e alunos lidarem com a pressão:
 

Crie uma rotina leve de revisão:

Estudar uma ou duas vezes por semana já ajuda a manter o cérebro ativo.


Incentive atividades culturais prazerosas:

Filmes, livros, exposições e conversas enriquecedoras também são estudo — só que de outro jeito.


Inclua momentos de lazer intencional:

Pausas programadas com amigos ou família ajudam a relaxar sem culpa.


Mantenha horários de sono regulares:

Virar noites desregula o humor e atrapalha a concentração.


Converse abertamente sobre metas e sentimentos:

Os pais não precisam pressionar nem poupar em excesso. O equilíbrio nasce do diálogo.

Reforce a confiança no processo:

É essencial que o jovem sinta que descansar também é parte da preparação — e não uma falha.

 

Quando acender o sinal de alerta?

A ansiedade é uma reação natural, mas precisa ser monitorada. Fique atento se o estudante apresentar:

  • Dificuldade constante para dormir
  • Isolamento social ou perda de interesse em atividades que gostava
  • Crises de choro frequentes ou irritabilidade extrema
  • Queixas físicas persistentes (como dores de cabeça ou estômago)
  • Medo constante de reprovação, mesmo sem motivo concreto

“Esses sinais mostram que não é só nervosismo passageiro. Pode ser ansiedade em um grau que exige acompanhamento especializado”, orienta Valma que diz que o ideal é buscar apoio psicológico especializado: “Não dá para buscar aprovação acadêmica sem saúde mental. A jornada é longa, e a mente precisa estar forte para chegar até o fim”.
 

Férias não são o contrário do estudo, são parte dele

Descansar não é desviar do objetivo, é abastecer o corpo e a mente para seguir com mais força. Como destaca Valma: 

“A vida adulta vai exigir esse equilíbrio o tempo todo. Aproveitar as férias de forma consciente é também um exercício de maturidade. É quando o aluno aprende que cuidar de si faz parte da preparação para qualquer grande sonho.”, finaliza.

 

Cuidado emocional: escutar, sentir e viver


Nos últimos anos, falar sobre saúde mental virou algo comum, o que é muito bom. Mas, junto com essa excessiva visibilidade informativa, surgiram algumas confusões. De um lado, muitas pessoas estão buscando remédios como primeira e, às vezes, única solução para qualquer desconforto emocional. Do outro, cresce o número de pessoas se autodiagnosticando com transtornos mentais depois de assistir pequenos trechos de vídeos nas redes sociais. 

Sentir-se ansioso antes de uma prova, desanimado depois de uma perda ou inseguro diante de mudanças são reações normais no decorrer da vida. Estas sensações, embora desconfortantes, são inerentes ao ser humano. Nem sempre a dor precisa se tornar um diagnóstico. E, muito menos, ser tratada, de imediato, com medicação.

Transtornos mentais existem e precisam ser avaliados e tratados por especialistas. Para muitas pessoas, o uso de remédios, vinculado à psicoterapia, é essencial. O problema está na busca por uma resposta rápida. Às vezes, ao invés de ouvir o que o corpo e a mente estão tentando dizer, preferimos camuflar o incômodo com uma solução mágica — e, frequentemente, medicamentosa. O perigo é transformar momentos difíceis, que fazem parte da vida, em doenças imaginárias. 

Hoje em dia, basta ver um vídeo de 30 segundos com uma lista de “sintomas” e pronto: há quem diga que tem TDAH, ansiedade generalizada, borderline, depressão ou até traços de autismo. Este não é o caminho! Um diagnóstico sério leva tempo, envolve escuta profissional, análise do histórico de vida e muita responsabilidade. Quando os rótulos têm como base o achismo, corre-se o risco de ignorar questões mais profundas que realmente precisam de atenção.

Além disso, banalizar uma avaliação profunda tende a tirar a seriedade de quem realmente lida com essas condições no dia a dia. 

Cuidar da saúde mental é fundamental. Mas isso não significa provocar um apagão ou anestesiar todo e qualquer sofrimento com remédios ou tentar dar nome a tudo com base em vídeos do TikTok ou do Instagram.

Na verdade, o ser humano precisa aprender a viver e verbalizar o que sente. Vivemos em um ritmo acelerado, e parece que ninguém autoriza o tempo do sofrer, do descansar, do pensar ou simplesmente de não estar bem. Afinal, nem tudo precisa ser resolvido imediatamente. Às vezes, conversar com alguém de confiança, refletir sobre o que está acontecendo, buscar apoio psicológico ou apenas permitir-se viver aquele momento já é um ótimo começo.



Kelli Aparecida da Silva Pontes - psicóloga e pós-graduada em saúde mental. Atua como psicóloga clínica e organizacional na Fundação João Paulo II.


Sexo no frio: Dr. João Borzino dá dicas para esquentar a relação no inverno

O médico sexologista também listou alimentos ajudam a aumentar a libido nesse período


O inverno chegou e a cena que vem à mente é ficar embaixo do cobertor assistindo TV ao contrário do verão em que a chama fica mais acesa. Segundo o médico sexolosta João Borzino, a queda da libido nos dias frios não é apenas senso comum

"É comum observar uma queda no desejo sexual durante os meses mais frios, e isso tem explicações fisiológicas, comportamentais e até culturais. Estudos publicados na Elsevier e na PubMed mostram que, em ambientes de baixa temperatura, o corpo humano entra em um modo mais conservador de energia. Isso significa que ele prioriza funções vitais como manter a temperatura corporal estável — e não exatamente a excitação sexual. Além disso, com dias mais curtos e menos exposição solar, há uma redução na produção de serotonina e dopamina — neurotransmissores diretamente ligados ao prazer e à motivação sexual. Segundo uma revisão da SciELO de 2021, baixos níveis de serotonina estão associados à diminuição da libido, irritabilidade e até quadros de depressão sazonal (TAS)", explica.

O médico destaca que o frio afeta a produção hormonal. "Uma pesquisa do Journal of Endocrinology mostra que a exposição prolongada ao frio pode reduzir os níveis de testosterona, tanto em homens quanto em mulheres (em menor escala). A testosterona é um dos principais hormônios ligados ao desejo sexual. Em contrapartida, o frio aumenta a produção de melatonina, o hormônio do sono, o que pode provocar mais cansaço e menos disposição para o sexo".

Mas nem todo mundo sente essa queda de desejo, de acordo com João Borzino. "Estudos de Masters & Johnsons já sugeriam que, para muitos casais, o inverno pode representar uma oportunidade de maior intimidade — mais tempo juntos em casa, proximidade física e menos distrações externas".

Ele deu dicas para deixar a cama pegando fogo no inverno:

1. Aqueça o ambiente — e a conexão: Um quarto confortável, aquecido e com pouca luz já prepara o terreno. Mas o mais importante é o clima entre o casal. Um estudo de 2022 da Archives of Sexual Behavior confirma que o desejo está muito mais ligado à conexão emocional do que às condições externas.

2. Capriche nas preliminares: O frio diminui a sensibilidade da pele. Isso exige mais toque, mais tempo, mais criatividade. Use óleos quentes, cobertores sensuais, banho a dois.

3. Movimente-se: Atividade física regular aumenta a circulação, melhora o humor e eleva os níveis de testosterona e endorfinas. Sexo começa fora da cama.

4. Explore fantasias: O inverno é ideal para quebrar a rotina. Roupa íntima diferenciada, jogos eróticos e pequenos roteiros podem transformar uma noite comum em uma noite memorável.

De acordo com o médico, alguns alimentos podem ajudar a aumentar a libido na estação mais fria do ano.

"E isso não é mito. Alguns alimentos têm efeito vasodilatador, estimulam neurotransmissores ligados ao prazer e até influenciam a produção hormonal. João Borzino listou alguns deles:

• Chocolate amargo: Rico em feniletilamina e triptofano, precursores da serotonina e dopamina. Um estudo da International Journal of Impotence Research mostra que o consumo regular melhora o humor e o desejo sexual.

• Gengibre e pimenta: Estimulam a circulação sanguínea e o aquecimento corporal.

• Oleaginosas (castanhas, nozes): Fontes de zinco e selênio, minerais fundamentais para a produção de testosterona.
• Vinho tinto (com moderação): Relaxa, aumenta a sensibilidade e melhora o fluxo sanguíneo genital. Mas exagerar tem o efeito oposto.

"O frio pode até esfriar o clima lá fora, mas não precisa congelar o desejo entre quatro paredes. Sexo é mais do que resposta hormonal — é presença, cuidado e criatividade. O inverno ideal é aquele em que a temperatura cai, mas a conexão sobe. E se for pra ficar embaixo das cobertas, que seja com calor humano e pele arrepiada — não de frio, mas de prazer", finaliza.


Dr. João Borzino - Sexologista clínico, pesquisador em neurosexualidade e defensor do prazer com propósito.

 

Férias escolares: 8 dicas de atividades para entreter as crianças


Educadoras apontam opções educativas, divertidas e baratas que colaboram para o desenvolvimento infantil
 



Com a chegada das férias escolares de meio de ano, muitos pais e responsáveis buscam maneiras criativas e educativas para entreter os filhos e crianças em casa e fora dela. Segundo especialistas, esse período pode ser uma oportunidade de fortalecer laços familiares por meio de atividades lúdicas e educativas.

Para orientar as famílias, educadoras de escolas bilíngues reuniram oito dicas de atividades que estimulam o desenvolvimento infantil, unindo diversão e aprendizado.


1. Passeios por parques, zoológico e museus da cidade

Além de entreter, esses passeios proporcionam vivências reais que enriquecem o repertório cultural. “Mais do que momentos de lazer, esses passeios são janelas para o mundo. Levar uma criança a diferentes espaços culturais é como acender pequenas luzes de curiosidade dentro dela. Cada experiência desperta o olhar atento, conecta o que se aprende na escola com a vida lá fora e amplia o jeito de compreender o mundo. É uma forma delicada de alfabetização cultural, onde sentir, imaginar e narrar se tornam parte essencial do aprendizado” afirma a orientadora educacional do Brazilian International School - BIS, de São Paulo-SP, Maria Teresa Casamassima.


2. Jogos de tabuleiro

Jogos de tabuleiro estimulam habilidades cognitivas como raciocínio lógico, resolução de problemas, memória e atenção, além de desenvolver o planejamento estratégico. “Esses jogos também promovem a escuta ativa, a argumentação e o respeito às regras, elementos centrais da comunicação interpessoal. A criança aprende a esperar sua vez, negociar e defender ideias com base em argumentos,” afirma Maria Teresa.

A educadora recomenda jogos de lógica como Damas, Xadrez, Rummikub e Uno; jogos de estratégia, como War, Banco Imobiliário e Detetive; e de conhecimentos gerais e criatividade como Imagem & Ação e Perfil.


3. Cozinhar com as crianças

Preparar uma receita juntos é uma atividade que envolve múltiplas linguagens: leitura (de rótulos e instruções), matemática (medições), ciências (transformações dos ingredientes), e claro, diálogo constante. “Cozinhar em família ensina a criança a organizar pensamentos em sequência lógica, a compreender instruções e a comunicar seus próprios passos, promovendo autonomia e segurança. É uma vivência de letramento funcional com afeto,” afirma a diretora da Escola Bilíngue Aubrick, da capital paulista, Fatima Lopes.


4. Esportes e brincadeiras ao ar livre

Brincar de pega-pega, pular corda, jogar bola, andar de bicicleta e patins, montar um piquenique ou simplesmente correr no parque são atividades fundamentais para o desenvolvimento físico, emocional e social da criança. “As brincadeiras ao ar livre estimulam a comunicação não verbal, a empatia, a cooperação e a criatividade. Elas também ensinam a lidar com frustrações, a esperar o outro e a expressar sentimentos por meio do corpo,” opina a diretora da Aubrick.


5. Assistir a filmes e séries

Assistir a conteúdos audiovisuais pode ser muito mais que entretenimento: é uma porta de entrada para debates e aprendizagens significativas. “Filmes e séries bem escolhidos funcionam como textos multimodais que despertam emoções, reflexões e vocabulário novo. Quando assistimos juntos e dialogamos sobre o que vimos, ajudamos a criança a desenvolver pensamento crítico, empatia e capacidade de argumentar com base em exemplos concretos,” comenta a especialista em Psicologia Positiva e gestora da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri-SP, Ana Claudia Favano.

A docente aconselha optar por títulos que tratem de valores humanos e temas como amizade, relações familiares, aceitação, superação, redenção, entre outros, como: Divertidamente, Procurando Nemo, Shrek, Toy Story, Luca, Como Treinar o Seu Dragão e Vida de Inseto.


6. Ler com as crianças

Ler com e para as crianças estimula a imaginação, enriquece a linguagem e fortalece o vínculo familiar. “A leitura compartilhada ajuda a criança a compreender a estrutura narrativa, ampliar seu vocabulário e desenvolver fluência verbal. Além disso, é uma forma poderosa de cultivar o prazer pela leitura, tornando o ato de ler um momento afetivo e significativo e contribuindo para a formação de leitores adultos,” observa a gestora da Escola Internacional de Alphaville.

A educadora recomenda que a escolha dos títulos leve em conta a adequação à idade da criança: para as menores, livros interativos com histórias curtas sobre o cotidiano, com ilustrações grandes, cores contrastantes. Ana Claudia indica os livros do artista Eric Carle, designer e ilustrador criador de muitos personagens mundialmente famosos e inspiradores na literatura infantil, como “The Very Hungry Caterpillar” (A lagarta Comilona), traduzido para mais de 66 idiomas e que vendeu mais de 50 milhões de cópias. Outros títulos do autor como “The Very Busy Spider”, ou “Brown Bear, Brown Bera, What do you see?!” também são muito indicados para os pequenos.

Já para crianças maiores, é possível investir em histórias com começo, meio e fim, contos de fantasia, temas emocionais e valores sociais. Entre as indicações, estão: “Marcelo, Marmelo, Martelo”, de Ruth Rocha; “O pequeno príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry”; e “O Menino Maluquinho”, de Ziraldo.


7. Visitar parentes e amigos

Encontrar pessoas queridas durante as férias é mais do que uma socialização: é um exercício prático de comunicação afetiva, escuta e construção de vínculos. “Ao interagir com pessoas de diferentes idades e estilos de fala, a criança exercita a adaptação de sua linguagem ao contexto, desenvolve empatia e aprende a respeitar turnos de fala, promovendo habilidades sociais importantes para sua formação,” explica diz a diretora pedagógica do Colégio Progresso Bilíngue, de Indaiatuba-SP, Larissa Berdu.


8. Tarde em família e construção de álbum/baú de memórias

Separar fotos, relembrar histórias e criar um álbum ou baú de memórias fortalece os laços familiares e desenvolve a capacidade de expressão da criança. “Ao organizar recordações, a criança aprende a selecionar informações, criar narrativas pessoais e valorizar sua história. Esse tipo de atividade promove o letramento autobiográfico e reforça a construção da identidade, além de ser uma excelente forma de registrar o tempo vivido juntos,” finaliza a diretora pedagógica do Colégio Progresso.



Ana Claudia Favano - gestora da Escola Internacional de Alphaville. É psicóloga; pedagoga; educadora parental pela Positive Discipline Association/PDA, dos Estados Unidos; e certificada em Strength Coach pela Gallup. Especialista em Psicologia da Moralidade, Psicologia Positiva, Ciência do Bem-Estar e Autorrealização, Educação Emocional Positiva e Convivência Ética. Dedicada à leitura e interessada por questões morais, éticas, políticas, e mobiliza grande parte de sua energia para contribuir com a formação de gerações comprometidas e responsáveis.

Fatima Lopes - pós-graduada em Gestão Escolar, especialista em Bilinguismo e apaixonada pela área da Educação. De sua primeira formação, em Enfermagem, ela mantém o dom de cuidar das pessoas: gosta de se relacionar com alunos, pais e colegas, promovendo um ambiente de aprendizado colaborativo e acolhedor. Diz ter como missão contribuir para a formação integral dos estudantes, formando cidadãos mais conscientes e preparados para o futuro. É fundadora e diretora geral da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo.


Larissa Berdu - atua há mais de 30 anos na área da Educação. É formada em Pedagogia pela Unicamp e possui Pós-graduação em Educação Infantil, pela Universidade Castelo Branco. Com ampla experiência em docência e gestão pedagógica, trabalhou em diferentes segmentos da Educação Básica. Desde 2020, é diretora pedagógica do Colégio Progresso Bilíngue Indaiatuba, SP.

Maria Teresa Casamassima - educadora, com formação em Letras e Pedagogia com especialização em bilinguismo. Atua há mais de trinta e cinco anos na área da educação, com sólida experiência na promoção de práticas pedagógicas. É orientadora educacional do Ensino Fundamental – Anos Iniciais no Brazilian International School (BIS), em São Paulo. Em sua função, acompanha o desenvolvimento acadêmico e socioemocional dos alunos, colaborando com professores e famílias para garantir uma formação integral e um ambiente escolar acolhedor e estimulante.

 

Aprenda a dizer ‘não’ sem culpa e preserve sua saúde mental

Especialista da Faculdade Anhanguera explica por que sentimos dificuldade em recusar pedidos e ensina como impor limites de forma saudável

 

Você já se sentiu mal por recusar um convite, uma tarefa ou um favor? Sentir culpa ao dizer ‘não’ é mais comum do que parece. Muitas pessoas carregam a ideia de que negar algo é ser egoísta ou indelicado, e para evitar conflitos ou decepções, acabam dizendo ‘sim’ mesmo quando não querem. Essa atitude, no entanto, pode prejudicar a saúde emocional e sobrecarregar a rotina. 

Segundo Ana Maria Soares, coordenadora do curso de psicologia da Faculdade Anhanguera, esse sentimento tem raízes emocionais e culturais. “Fomos ensinados desde cedo a agradar os outros e a evitar desagrados. Por isso, muitas vezes colocamos as necessidades alheias acima das nossas e sentimos culpa quando tentamos fazer diferente”, explica. 

Ela reforça que aprender a dizer “não” é um exercício de autoconhecimento e autocuidado. “Dizer não é uma forma de se conhecer o bastante para respeitar os próprios limites e estabelecer limites ao outro. E precisamos compreender que essa ação, não é falta de empatia, é respeito consigo mesmo, com as próprias necessidades, é uma forma se autorresponsabilizar pela própria vida. Quando dizemos ‘sim’ para tudo, corremos o risco de nos anular e de passar uma imagem de disponibilidade que sobrecarrega”. 

Confira 5 dicas para dizer ‘não’ com mais segurança e leveza:
 

1) Use uma comunicação gentil, clara e direta

Dizer ‘não’, não precisa ser algo duro. Frases como ‘Neste momento não posso’ ou ‘Agradeço, mas não vou conseguir hoje, podemos reagendar ou deixar para outra ocasião?’ são formas educadas de recusar sem se justificar demais.
 

2) Reflita antes de responder: regra dos 10 minutos

Evite responder no impulso ou no calor das emoções, espere no mínimo 10 minutos. “Quando recebemos um pedido, é válido parar e pensar: quero ou posso fazer isso agora? Essa pausa ajuda a tomar decisões mais conscientes”, afirma a especialista.
 

3) Evite justificativas longas

Tentar se explicar demais pode demonstrar insegurança. “Você tem o direito de recusar algo sem dar muitas explicações. Seja claro e gentil, e siga em frente”, orienta.
 

4) Priorize sua saúde mental e suas necessidades

Aprender a se olhar e compreender suas próprias necessidades, vontades e desejos, é uma forma de priorizar nossas emoções diante o que vivemos. Aceitar tudo por medo de desagradar pode gerar estresse, cansaço e até quadros de ansiedade e burnout. “Estabelecer limites é uma forma de se proteger e manter o equilíbrio emocional”.
 

5) Lembre-se: dizer ‘não’ também é um ato de amor-próprio
Segundo a docente, quando aprendemos a respeitar nossos limites, também ensinamos os outros a nos respeitarem.

  

Anhanguera
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A DOR DEPOIS DA TRAGÉDIA: CINCO ALERTAS QUE A MORTE DE JULIANA MARINS IMPÕE À SOCIEDADE

O caso Juliana Marins escancara um tipo de luto difícil de elaborar: marcado pela brutalidade da perda, pela exposição pública e pelo peso do julgamento coletivo. A sociedade assiste. Quem ama tenta sobreviver

 

A queda, a demora no resgate e a morte de Juliana Marins comoveram o país. Mas o impacto emocional dessa tragédia vai além do choque imediato, ele revela feridas profundas e pouco discutidas: o culto ao julgamento público, a dificuldade de lidar com a morte violenta e a distorção coletiva da dor.

Juliana, carioca, jovem e cheia de vida, viajava sozinha pela Indonésia quando sofreu uma queda fatal durante a escalada do Monte Rinjani, um dos vulcões mais altos do país. O caso gerou indignação, mobilização nas redes sociais e atenção internacional. Mas também reacendeu discursos antigos, violentos e culpabilizantes, quase sempre dirigidos às mulheres.

Segundo a neuropsicóloga Carla Salcedo, especialista em luto, o caso escancara não só uma tragédia pessoal, mas dois tipos de luto que são especialmente difíceis de elaborar: o luto pela ausência de ritualização adequada da morte e o luto coletivo, impulsionado pela comoção social e amplificado pelo tribunal da internet.

 

1. Julgamento em vez de empatia

A primeira reflexão proposta por Carla diz respeito à forma como a sociedade ainda reage à morte de mulheres, especialmente quando ocorre em contextos públicos ou violentos. A tendência de julgar o comportamento da vítima — onde estava, como se vestia, com quem saiu, substitui o acolhimento pela crítica.

“É como se estivéssemos sempre prontos a encontrar uma justificativa que torne a vítima, de alguma forma, responsável pela própria morte”, afirma a especialista. Essa postura, profundamente enraizada no machismo estrutural, transforma a morte em um julgamento moral retroativo. E impede que a tragédia cumpra seu papel simbólico: nos fazer refletir sobre a vida.

Juliana foi julgada por viver. Por ser jovem, sair, dançar, viajar e estar presente nas redes. E esse julgamento social se tornou parte do sofrimento de quem a conhecia e a amava.


2. Dois tipos de luto, ambos complexos

No caso de Juliana, duas formas de luto se sobrepõem:

  • O luto sem possibilidade de elaboração ritual plena, que acontece quando há violência, choque e ausência de preparo;
  • O luto coletivo, vivido por milhares de pessoas que acompanham o caso com comoção, mas que, sem convivência real com a vítima, projetam, opinam e compartilham sem filtro.

Segundo Carla, essas experiências são mais frequentes do que se imagina e afetam diretamente a saúde mental dos enlutados. “O luto é um processo. E quando ele começa atravessado por sensacionalismo, incerteza e julgamento público, ele tem grandes chances de se complicar.”

Na prática, isso significa maior risco de depressão, crises de ansiedade, isolamento e sensação de desconexão com a própria identidade.

 

3. Quando falta o rito, sobra angústia

Mesmo com o corpo de Juliana localizado, o processo de despedida foi invadido pela violência dos fatos e pela superexposição pública. Isso compromete o que os especialistas chamam de materialização da morte, o conjunto de rituais simbólicos e afetivos que ajudam o cérebro a compreender e aceitar a perda.

“O luto sem rito é congelado. A pessoa não consegue elaborar porque falta um encerramento simbólico. O velório, o enterro, as homenagens... tudo isso tem função psíquica. Ajuda a organizar o caos”, explica Carla.

Em contextos assim, surgem três reações comuns e altamente angustiantes:

  • Dificuldade em acessar emoções ou expressá-las;
  • Sensação de que ‘a ficha não caiu’, o que trava o processo de aceitação;
  • Intensificação de culpa, raiva e desesperança, que podem evoluir para quadros graves de sofrimento psíquico.

 

4. O peso do luto coletivo e do tribunal virtual

O luto coletivo, embora possa gerar apoio e comoção social, é uma faca de dois gumes. Quando impulsionado por redes sociais, ele transforma a dor em objeto público. O que deveria ser um espaço de acolhimento vira palco para especulações, comentários cruéis e julgamentos morais, por parte de pessoas que nunca sequer conheceram a vítima.

“Os enlutados são forçados a compartilhar sua dor com milhares de desconhecidos. E, pior, a se defender dela. Precisam lidar com perguntas intrusivas, suposições maldosas e interpretações distorcidas”, diz Carla.

Esse processo afasta o sujeito de si mesmo. A dor deixa de ser íntima e passa a ser socialmente performada ou silenciada. É o luto que precisa ser administrado para os outros, o que gera uma segunda camada de sofrimento: a perda de si no meio da perda do outro.

 

5. Apoio fugaz, dor persistente

A lógica das redes sociais produz uma armadilha cruel: o sofrimento vira conteúdo. Enquanto a tragédia rende cliques, a vítima é lembrada. Mas assim que a “novidade” passa, o caso some da timeline e os enlutados são deixados sozinhos com o peso da ausência.

“Vivemos em uma sociedade onde o apoio é efêmero e o algoritmo dita a relevância da dor. Quando o caso some das redes, os enlutados ainda estão tentando levantar da queda”, pontua Carla.

Essa realidade nos obriga a refletir: o que realmente fazemos por quem sofre? Postamos? Comentamos? Ou ouvimos, acompanhamos, acolhemos, fora da internet? O luto real exige presença real. 

Juliana Marins foi vítima de uma situação cruel e de uma exposição que segue ferindo, mesmo após sua morte. Sua história nos coloca diante de uma escolha: vamos continuar julgando vidas perdidas como se fossem enredos de entretenimento? Ou vamos finalmente aprender a cuidar de quem sofre, com empatia, escuta e presença?

  

Carla Salcedo - psicóloga, neuropsicanalista e especialista em traumas, lutos e emergências humanitárias. Formada desde 2005, possui especializações em Psicossomática, Neurociências aplicadas à Psicologia e Terapia do Luto, além de formação como terapeuta EMDR e aperfeiçoamento em programas internacionais de enriquecimento intelectual. Sua abordagem clínica é fundamentada na neuropsicanálise, com foco no acolhimento de dores emocionais profundas e na construção de estratégias de superação e ressignificação. Com mais de duas décadas de atuação, Carla tem trajetória marcada por experiências em contextos diversos, da oncologia pediátrica às instituições de ensino, e pela criação de projetos inovadores como o COZER, que une escuta terapêutica e simbolismo afetivo em torno da mesa. Também atua como palestrante e docente, promovendo reflexões sobre saúde mental, comunicação, comportamento e relações humanas com profundidade e leveza.
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Individuação e Luto Infantil: O Que a Psicologia Junguiana Nos Ensina


A morte de Marília Mendonça mobilizou um luto coletivo que atravessou o país. Mas, para além do sofrimento público, há uma criança que precisa elaborar sua dor de forma silenciosa e profundamente pessoal. Desde o falecimento da mãe, a guarda do filho ficou consensualmente compartilhada entre o pai, Murilo Huff, e a avó materna, Ruth Moreira. uma decisão tomada com afeto e foco no bem-estar do menino. Mas, sob a lente da Psicologia Junguiana, esse arranjo revela camadas mais profundas, simbólicas e, muitas vezes, invisíveis. 

Na Psicologia Analítica, a criança representa mais do que apenas uma fase da vida: ela é símbolo de renascimento, continuidade psíquica e potencial transformador. Após uma perda traumática, é comum que familiares e a sociedade projetem nela esperanças, dores não resolvidas, e até ideais de redenção. Essa projeção, ainda que muitas vezes inconsciente e bem-intencionada, pode se tornar um peso para o processo de individuação , o caminho único e interior de cada ser humano rumo à própria individualidade. 

No inconsciente coletivo, os arquétipos parentais do Pai e da Mãe continuam vivos, mesmo quando um deles está ausente no plano físico. A criança, então, precisa encontrar internamente esse equilíbrio: reconhecer e integrar o amor e a autoridade paterna, bem como o cuidado e a nutrição materna. Neste contexto, a presença da avó pode evocar o arquétipo da Grande Mãe, figura poderosa que pode tanto acolher quanto, simbolicamente, sobrecarregar , especialmente quando a dor da filha falecida se mistura à missão de criar o neto. 

Além disso, vivenciar o luto na infância já é, por si só, uma travessia delicada. Mas quando esse luto se torna público e acompanhado de manchetes, opiniões e julgamentos, surge a sombra coletiva: o lado inconsciente e projetivo da sociedade que, ao tentar “participar” da história, pode invadir a intimidade da criança, confundindo ainda mais suas vivências emocionais. 

A criança será sempre lembrada como “filho de Marília Mendonça”, e talvez precise de muito tempo e espaço para descobrir quem é para além disso. Na jornada da individuação, esse é um ponto crucial: encontrar um sentido próprio, mesmo quando o mundo insiste em contar sua história por você. 

Que possamos, como sociedade, cultivar mais silêncio respeitoso do que opiniões. Mais contenção do que curiosidade. E, principalmente, mais empatia diante do mistério e da dor que envolvem o crescimento de uma criança marcada por uma perda tão grande.


Solidão causa mais de 871 mil mortes por ano; saiba como lidar com sentimento

Especialista em comportamento humano, Gisele Hedler, revela como lidar com sentimento

 

Um novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) concluiu que 16% da população mundial relata vivenciar a solidão de forma recorrente. O estudo, divulgado recentemente, aponta que tanto a solidão quanto o isolamento social estão associados a mais de 871 mil mortes anualmente, configurando um problema de saúde pública que vai muito além do bem-estar emocional. Para a especialista em comportamento humano, Gisele Hedler, a solidão prolongada pode desencadear uma série de consequências físicas e psicológicas.

 

E por falar em solidão, não podemos deixar de mencionar a busca pela felicidade. De acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade de Harvard, o Estudo de Desenvolvimento Adulto, o que nos torna feliz e saudáveis são os relacionamentos humanos. Segundo Hedler, as relações tóxicas drenam nossa energia emocional e impactam negativamente a saúde mental, por isso é preciso saber filtrar os relacionamentos e ao mesmo tempo se atentar para não se isolar. “O estudo mostra que os relacionamentos saudáveis são um dos maiores preditores de felicidade e saúde a longo prazo e, por outro lado, o isolamento provoca solidão, representando um fator de risco para a saúde, principalmente a mental”, afirma Gisele.

 

A especialista observa que a solidão não significa apenas estar fisicamente só, mas sentir falta de vínculos significativos. “Há pessoas rodeadas de conhecidos, mas que não conseguem estabelecer trocas verdadeiras. Isso aprofunda o sofrimento e potencializa transtornos como depressão e ansiedade”.

 

Como enfrentar a solidão

 

O relatório da OMS reforça que a solidão afeta pessoas em todas as idades, inclusive os mais jovens. “O excesso de interações superficiais nas redes sociais muitas vezes dá uma falsa sensação de conexão. Mas isso não substitui a presença humana genuína”, diz Hedler.

 

Embora o problema seja complexo, existem caminhos para ressignificar a relação consigo mesmo e com os outros. A especialista em comportamento humano explica alguns deles.

 

Reconhecer o sentimento

 

Admitir que se sente sozinho é o primeiro passo para quebrar o ciclo. “Quando negamos ou mascaramos a solidão, perdemos a oportunidade de agir sobre ela”, afirma Hedler. Identificar em que momentos ela surge e o que a intensifica ajuda a lidar com o problema de forma mais consciente.

 

Criar uma rotina de autocuidado

 

Práticas simples, como reservar momentos para relaxar, manter uma alimentação equilibrada, fazer exercícios físicos e dormir bem, contribuem para regular o humor e fortalecer a saúde mental. “O autocuidado não resolve a solidão por si só, mas prepara emocionalmente para estabelecer conexões”, orienta.

 

Estabelecer conexões reais

 

Investir em vínculos presenciais é fundamental. Isso pode incluir retomar o contato com amigos, participar de grupos de voluntariado, atividades culturais ou aulas coletivas. “Frequentar ambientes onde há interesses em comum facilita o surgimento de relações mais autênticas”, explica a especialista.

 

Praticar a empatia e a escuta ativa

 

A qualidade dos relacionamentos depende da capacidade de ouvir e acolher o outro. “Estar disponível emocionalmente e demonstrar interesse genuíno cria laços de confiança e pertencimento”, acrescenta Hedler.

 

Limitar o uso excessivo de redes sociais

 

Embora a tecnologia facilite o contato, seu uso indiscriminado pode acentuar a sensação de isolamento. Reservar horários específicos para acessar as redes e priorizar conversas presenciais ou chamadas de vídeo pode ajudar.

 

Buscar apoio profissional

 

Quando a solidão começa a prejudicar a rotina e a saúde, procurar ajuda especializada é essencial. A psicoterapia oferece um espaço seguro para compreender as origens do sofrimento e desenvolver estratégias personalizadas de enfrentamento.

 

Hedler ressalta que pequenas atitudes diárias podem prevenir os impactos mais graves. “Solidão não é fraqueza nem vergonha. É uma condição humana que precisa de acolhimento e ação”, conclui.

 

 

Gisele Hedler - empresária, especialista em comportamento humano e saúde emocional, psicanalista e CEO da Faculdade de Saúde Avançada (FSA), uma das maiores instituições de formação em saúde integrativa da América Latina, voltada à capacitação de profissionais da saúde, com mais de 30 mil alunos.

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Quando a nota 10 não vem

 Vivemos em uma sociedade que valoriza o sucesso a qualquer custo. Desde cedo, muitas crianças são submetidas a uma pressão desproporcional para serem as melhores em tudo: na escola, nos esportes, nas atividades extracurriculares e, mais recentemente, até mesmo nas redes sociais. Mas será que essa é realmente a melhor forma de educar nossos filhos?

Em certa ocasião, presenciei uma cena na escola que ilustra bem essa situação. Uma criança do 5º ano chorava, lamentando por não ter tirado 10 no boletim: "Meus pais vão brigar comigo! Acabou a viagem do final de semana para a praia". Essa reação, infelizmente, reflete a realidade de muitas crianças que enfrentam expectativas elevadas e uma constante busca pela perfeição.

A participação dos pais na educação escolar é fundamental. No entanto, é preciso ensinar as crianças a lidar com frustrações e desafios. A superproteção e a cobrança excessiva impedem o desenvolvimento da resiliência e da autonomia. Quando os pais exigem que seus filhos sejam impecáveis em tudo, acabam sufocando a criatividade e a espontaneidade, além de cultivarem um medo constante de falhar.

Os pais devem incentivar os filhos a descobrirem suas verdadeiras paixões e talentos, em vez de forçá-los a corresponder a padrões irreais de excelência. A felicidade não está em ser o melhor em tudo, mas, sim, em encontrar sentido e satisfação naquilo que se faz. Afinal, ninguém é impecável em todas as áreas da vida: um esportista excepcional pode não ser fluente em línguas, assim como um médico ortopedista pode ter pouco conhecimento sobre partos.

Uma educação pautada exclusivamente na competição pode ser prejudicial. A vida não é uma corrida em que apenas os primeiros colocados têm valor. Pelo contrário, é essencial ensinar às crianças a colaborarem, desenvolverem empatia e compreenderem que o sucesso assume diferentes formas e significados.

É fundamental que os pais revisitem suas expectativas e compreendam que seus filhos não precisam ser os melhores em tudo; eles precisam ser saudáveis emocionalmente. Isso significa abrir espaço para erros, aprendizados e escolhas individuais, garantindo que cresçam confiantes e preparados para enfrentar os desafios da vida com sabedoria e equilíbrio. O verdadeiro sucesso está em ser autêntico e realizado consigo mesmo, sabendo lidar com as adversidades de forma madura e serena.

Mais importante do que alcançar o resultado perfeito é valorizar o processo. Se uma criança estudou e se esforçou ao máximo, mas não alcançou a nota 10, é o empenho que deve ser reconhecido. Motive-a, mostrando que está no caminho certo e que a nota não define tudo o que ela aprendeu — como resiliência, perseverança e força de vontade.

Cada criança é única e deve ser respeitada em sua singularidade. Exigir que ela dê mais do que consegue resulta apenas em angústia e baixa autoestima. Ao longo da vida, os desafios tornam-se cada vez maiores, e compreender nossos limites desde cedo nos ajuda a lidar com as dificuldades de maneira equilibrada. Afinal, super-homens só existem nos quadrinhos e nas telas de cinema.

  

Anna Paula Romanoski Arruda - pedagoga e psicopedagoga, é coordenadora do Ensino Bilíngue do Colégio Positivo - Júnior.


Casamento Infantil Não É Conto de Fadas: A Realidade Cruel por Trás da Fantasia

Uma recente matéria, publicada em veículos jornalísticos do mundo inteiro, chocou a opinião pública ao relatar a prisão de um homem que organizou uma cerimônia, com direito a trajes, convidados e até uma suposta “noiva” de apenas nove anos, nas dependências da Disneyland Paris. O episódio, digno de um roteiro sombrio, reacende debates urgentes sobre a proteção da infância e os limites que a lei deve impor quando o imaginário adulto invade, de forma perversa, o mundo das crianças.


No Brasil, até poucos anos atrás, o artigo 1.520 do Código Civil permitia o casamento de menores de 16 anos “para evitar imposição ou cumprimento de pena criminal” — uma brecha legal que legitimava, por exemplo, a união entre vítimas de estupro e seus agressores, sob o pretexto de reparação social. Em 2019, com a sanção da Lei nº 13.811/2019, esse dispositivo foi finalmente revogado, estabelecendo que o casamento de menores de 16 anos é absolutamente proibido, sem exceções.

O novo regramento segue em sintonia com a Constituição Federal, que em seu artigo 227 estabelece ser dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à educação, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária — e colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração e violência.

A legislação brasileira ainda permite o casamento de adolescentes entre 16 e 17 anos, desde que com autorização dos pais ou responsáveis, ou por emancipação. No entanto, especialistas alertam que essas uniões antecipadas estão fortemente associadas à evasão escolar, gravidez precoce, dependência econômica e maior vulnerabilidade a abusos e violências. É um ciclo que compromete o futuro de meninas, em especial, que deixam de vivenciar plenamente sua adolescência.

De acordo com dados do IBGE, só em 2022 foram registrados aproximadamente 15,8 mil casamentos de pessoas com menos de 18 anos — uma média de 43 por dia. Desses, cerca de 260 envolveram adolescentes com até 15 anos de idade, número que levanta suspeitas sobre fraudes ou omissões no registro, ou ainda conversões de uniões informais em casamentos oficiais. O fenômeno atinge de forma desproporcional as meninas: em 2021, por exemplo, mais de 16 mil adolescentes do sexo feminino se casaram antes dos 18 anos,
enquanto apenas 1.915 meninos o fizeram.

A UNICEF alerta que o Brasil é o 4º país no mundo em número absoluto de casamentos infantis e o 1º da América Latina. Estima-se que existam hoje mais de 550 mil meninas entre 10 e 17 anos vivendo em uniões formais ou informais no país. Muitas dessas adolescentes são forçadas a assumir papéis de adultas, interrompendo sua formação educacional, profissional e afetiva antes mesmo de se descobrirem como indivíduos.
 

A perpetuação dessas uniões está intimamente ligada à pobreza, desigualdade de gênero, baixa escolaridade e normas culturais enraizadas. Em muitas regiões do país, o casamento precoce ainda é visto como solução para situações de vulnerabilidade, quando deveria ser justamente o contrário: um problema a ser combatido com políticas públicas e informação. A escola, o sistema de saúde, o cartório e os conselhos tutelares são peças-chave para identificar e coibir essas práticas — mas isso só será eficaz se houver articulação institucional e comprometimento político com a causa.

É urgente também fortalecer ações de empoderamento feminino, ampliar o acesso à informação sexual e reprodutiva e criar estratégias de combate ao abandono escolar, especialmente entre meninas adolescentes. O casamento infantil não é um costume inofensivo: é uma violação de direitos humanos que rouba oportunidades, sonhos e autonomia de milhares de brasileiras.

E como o episódio se passou no parque temático mais famoso do mundo, vale o alerta final: que a Disney continue sendo, para as crianças, um parque de diversões. É preciso, com urgência, proteger nossas infâncias.

 


Marcelo Santoro Almeida - professor de Direito de Família da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio


O tempo de tela de qualidade motiva os alunos a manterem o cérebro ativo durante o recesso escolar

divulgação


As férias escolares de julho se aproximam, trazendo um período muito aguardado pelos estudantes para descansar o corpo e a mente antes do segundo semestre letivo. Ainda que esse descanso seja fundamental para a reorganização do cérebro, é igualmente importante manter a mente ativa com atividades educativas, principalmente na infância.

 

Nesse período de pausa, é comum que os responsáveis sejam mais flexíveis quanto ao tempo que os filhos passam diante das telas, o que pode comprometer a concentração e a disciplina. Mariana Bruno Chaves, pós-graduada em psicopedagogia e especialista em educação da rede Kumon, destaca que “para as crianças, o uso das telas está muito associado ao lazer, por isso os pais precisam ser estratégicos e estabelecer acordos sobre esse tempo de uso”.

 

Mas como utilizar a tecnologia como aliada da educação durante as férias? De acordo com Mariana, o segredo está em reduzir ou substituir o uso passivo das telas — quando a criança apenas consome conteúdos — por um uso ativo, em que há interação: escrevendo, desenhando, resolvendo problemas ou criando. Esse tipo de engajamento favorece o desenvolvimento da criatividade, curiosidade e das habilidades cognitivas.

 

A especialista explica que, ao escolher atividades educativas, é possível unir aprendizado e diversão por meio da ludicidade oferecida pelas plataformas digitais. “Os recursos multimídia, como vídeos educativos e jogos interativos, permitem que as crianças explorem o conhecimento de forma prática, lúdica e prazerosa”.

 

Mariana também reforça a importância de equilibrar o tempo de lazer com momentos dedicados ao aprendizado. Ela recomenda que os pais reservem ao menos 30 minutos por dia para que a criança realize atividades relacionadas às disciplinas de maior interesse, como português ou matemática. “As férias são uma excelente oportunidade para praticar o que foi aprendido na escola, mas de maneira mais leve e divertida, sem a pressão do ambiente escolar. Isso contribui para um desenvolvimento contínuo e facilita o retorno à rotina quando as aulas recomeçam”.

 

Os alunos do Kumon, por exemplo, contam com um plano de estudos para ser seguido em casa, permitindo que continuem desenvolvendo suas habilidades de forma estruturada, leve e sem pressão. As atividades com o método são planejadas para serem realizadas diariamente, o que ajuda a manter uma rotina sem sobrecarregar.

 

Com o uso do Kumon Connect, plataforma digital da rede, o aprendizado se torna ainda mais prático e acessível. O uso do tablet elimina a necessidade de carregar materiais, livros ou cadernos, algo especialmente vantajoso durante as férias, quando muitas famílias estão em trânsito. A interatividade da plataforma torna o estudo mais envolvente e dinâmico. Dessa forma, os alunos conseguem manter um ritmo consistente mesmo durante o recesso, aproveitando esse período de forma produtiva e prazerosa.

 

kumon.com.br


7 ações simples de saúde mental que ajudam a empresa a se adequar à nova NR-1

Ações práticas, de baixo custo e com alto impacto no bem-estar ajudam empresas a se antecipar às exigências legais e fortalecer sua cultura organizacional 

 

Com a entrada em vigor da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que exige a consideração de riscos psicossociais no ambiente de trabalho, empresas de todos os portes enfrentam um novo desafio: adaptar-se à legislação que trata diretamente da saúde mental dos trabalhadores. 

Embora o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) tenha determinado que, até maio de 2026, a fiscalização será apenas educativa, especialistas alertam que adiar a adaptação pode ser um erro estratégico. A recomendação é clara: é preciso agir agora — e isso pode ser feito de forma simples, prática e acessível. 

Segundo Tatiana Gonçalves, CEO da Moema Assessoria e especialista em saúde ocupacional, muitas empresas ainda não compreenderam que a implementação da nova NR-1 vai muito além de relatórios técnicos. “A adequação exige uma transformação cultural e deve começar com pequenas ações que promovam escuta, prevenção e cuidado real com o colaborador”, afirma.

 

7 ações acessíveis que sua empresa pode implantar já este mês

Com base na experiência da Moema Assessoria, confira sugestões que cabem no orçamento, mas geram grande impacto na saúde mental do time: 

  1. Área de descanso – Um espaço silencioso e confortável com sofás, plantas e iluminação suave para pausas rápidas durante o expediente pode ajudar a reduzir o estresse e aumentar a produtividade.
  2. Convênio com farmácias – Parcerias com redes locais permitem oferecer descontos ou facilidades de pagamento aos colaboradores, sem custo para a empresa.
  3. Biblioteca compartilhada – Estimular a leitura com um espaço coletivo de livros contribui para o bem-estar e a criatividade.
  4. Convênios com faculdades – Descontos em cursos para colaboradores e familiares representam uma forma eficaz de cuidar da saúde mental por meio do desenvolvimento profissional.
  5. Rodas de conversa com psicólogos – Encontros mensais com especialistas promovem acolhimento e ajudam a lidar com ansiedade, estresse e conflitos.
  6. Campanhas de detox digital – Incentivar o uso consciente da tecnologia no ambiente de trabalho melhora o foco e reduz a exaustão mental.
  7. Comunicação não-punitiva – Criar um espaço seguro para os colaboradores falarem sobre desafios sem medo de retaliação é essencial para prevenir o burnout.

 

Legalidade, prevenção e futuro do trabalho

A NR-1 atualizada exige que as empresas incluam os riscos psicossociais no seu Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Ainda que o MTE postergue a aplicação de multas, o não cumprimento da norma pode, a partir de 2026, gerar consequências judiciais e aumento de custos com encargos e seguros, além de ações trabalhistas. 

Para pequenas e médias empresas, o desafio pode parecer maior. “Mas há soluções viáveis”, reforça Tatiana. “Treinamentos internos simples, flexibilização de rotinas, uso de ferramentas básicas de escuta e parceria com consultorias especializadas são caminhos eficazes e acessíveis.”


Rabiscos que curam: a poesia como ato de resiliência e reinvenção

 

A poesia, enquanto arte literária libertadora, é o enredo do mundo interno e externo de cada um, embora muitos ainda não a acessem para esse fim. A contemplação da natureza, dos seres inanimados, de vidas alheias, tanto quanto o ensaio da vida real nos permite viver, ver, sentir e estar juntos. Os humanos alimentam conhecimentos, ideias e sentimentos, podendo traduzi-los em palavras, por vezes, denominadas poesias, poemas, rimas, prosas, versos. 

As palavras, escrita ou falada, registram e carregam em si a força propulsora de expressar ao mundo o que se quer dizer, como um registro do tempo espaço em que se vive ou sente. Portanto, o conjunto de palavras pode traduzir sensações, paixões, sensibilidades e sofrimentos. 

O poeta não cabe em si. Ele transborda. Naturalmente, a vida não lhe passa despercebida. Atento aos detalhes, movimentos, olhares, sorrisos e lágrimas, consegue ver o invisível e, no ímpeto, eternizá-los. Seria esse o seu maior dom? Ver, sentir, inspirar (de inspiração), respirar, rabiscar e traduzir por meio de elementos e figuras poéticas a catarse do momento? Suave e sutilmente, o poeta volta em si, mas não é o mesmo depois de transcrever o sopro forte, feito labaredas aos ouvidos. Permitiu-se libertar e ser liberto. 

Cada palavra rabiscada é sentida e, quando lida, pode ser reconhecida.  A poesia é um ato de coragem de quem expressa os amores e as dores do mundo, ao escrever ou ler. É como a arte de cozinhar, que transforma os ingredientes em um saboroso prato. 

A poesia busca traduzir a vida. Ao leitor, é um convite a se introjetar nas palavras e nos poemas soltos, na busca de sentido e significado para a própria existência. É uma viagem a quem busca suavizar o peso do mundo. É buscar leveza na sutileza dos versos que, por vezes, cantam os sentimentos, expelindo-os e absorvendo-os na medida da percepção de quem lê. Permitir-se viajar no universo literário é um ato de ousadia para quem busca se reinventar. É a cura dos medos que temos, além da possibilidade de sermos tantos em um só e, ainda assim, continuar em si, sem ser o mesmo. 

A poesia fala, canta, chora, performa e transforma. A travessia é a curiosidade de se reinventar. A poesia viva pode transformar a vida em mais leveza, amorosidade e lirismo. 

  

Regina Peron - poeta e autora do livro “Travessia



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