A poesia, enquanto arte literária libertadora, é o
enredo do mundo interno e externo de cada um, embora muitos ainda não a acessem
para esse fim. A contemplação da natureza, dos seres inanimados, de vidas
alheias, tanto quanto o ensaio da vida real nos permite viver, ver, sentir e
estar juntos. Os humanos alimentam conhecimentos, ideias e sentimentos, podendo
traduzi-los em palavras, por vezes, denominadas poesias, poemas, rimas, prosas,
versos.
As palavras, escrita ou falada, registram e
carregam em si a força propulsora de expressar ao mundo o que se quer dizer,
como um registro do tempo espaço em que se vive ou sente. Portanto, o conjunto
de palavras pode traduzir sensações, paixões, sensibilidades e sofrimentos.
O poeta não cabe em si. Ele transborda.
Naturalmente, a vida não lhe passa despercebida. Atento aos detalhes,
movimentos, olhares, sorrisos e lágrimas, consegue ver o invisível e, no
ímpeto, eternizá-los. Seria esse o seu maior dom? Ver, sentir, inspirar (de
inspiração), respirar, rabiscar e traduzir por meio de elementos e figuras
poéticas a catarse do momento? Suave e sutilmente, o poeta volta em si, mas não
é o mesmo depois de transcrever o sopro forte, feito labaredas aos ouvidos.
Permitiu-se libertar e ser liberto.
Cada palavra rabiscada é sentida e, quando lida,
pode ser reconhecida. A poesia é um ato de coragem de quem expressa os
amores e as dores do mundo, ao escrever ou ler. É como a arte de cozinhar, que
transforma os ingredientes em um saboroso prato.
A poesia busca traduzir a vida. Ao leitor, é um
convite a se introjetar nas palavras e nos poemas soltos, na busca de sentido e
significado para a própria existência. É uma viagem a quem busca suavizar o
peso do mundo. É buscar leveza na sutileza dos versos que, por vezes, cantam os
sentimentos, expelindo-os e absorvendo-os na medida da percepção de quem lê.
Permitir-se viajar no universo literário é um ato de ousadia para quem busca se
reinventar. É a cura dos medos que temos, além da possibilidade de sermos
tantos em um só e, ainda assim, continuar em si, sem ser o mesmo.
A poesia fala, canta, chora, performa e transforma.
A travessia é a curiosidade de se reinventar. A poesia viva pode transformar a
vida em mais leveza, amorosidade e lirismo.
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