O médico sexologista também listou alimentos ajudam a aumentar a libido nesse período
O inverno chegou e a cena que vem à mente é ficar embaixo do cobertor
assistindo TV ao contrário do verão em que a chama fica mais acesa. Segundo o
médico sexolosta João Borzino, a queda da libido nos dias frios não é apenas
senso comum
"É comum observar uma queda no desejo sexual durante os meses mais frios,
e isso tem explicações fisiológicas, comportamentais e até culturais. Estudos
publicados na Elsevier e na PubMed mostram que, em ambientes de baixa
temperatura, o corpo humano entra em um modo mais conservador de energia. Isso
significa que ele prioriza funções vitais como manter a temperatura corporal
estável — e não exatamente a excitação sexual. Além disso, com dias mais curtos
e menos exposição solar, há uma redução na produção de serotonina e dopamina —
neurotransmissores diretamente ligados ao prazer e à motivação sexual. Segundo
uma revisão da SciELO de 2021, baixos níveis de serotonina estão associados à
diminuição da libido, irritabilidade e até quadros de depressão sazonal
(TAS)", explica.
O médico destaca que o frio afeta a produção hormonal. "Uma pesquisa do
Journal of Endocrinology mostra que a exposição prolongada ao frio pode reduzir
os níveis de testosterona, tanto em homens quanto em mulheres (em menor
escala). A testosterona é um dos principais hormônios ligados ao desejo sexual.
Em contrapartida, o frio aumenta a produção de melatonina, o hormônio do sono,
o que pode provocar mais cansaço e menos disposição para o sexo".
Mas nem todo mundo sente essa queda de desejo, de acordo com João Borzino.
"Estudos de Masters & Johnsons já sugeriam que, para muitos casais, o
inverno pode representar uma oportunidade de maior intimidade — mais tempo
juntos em casa, proximidade física e menos distrações externas".
Ele deu dicas para deixar a cama pegando fogo no inverno:
1. Aqueça o ambiente — e a conexão: Um quarto confortável, aquecido e com pouca
luz já prepara o terreno. Mas o mais importante é o clima entre o casal. Um
estudo de 2022 da Archives of Sexual Behavior confirma que o desejo está muito
mais ligado à conexão emocional do que às condições externas.
2. Capriche nas preliminares: O frio diminui a sensibilidade da pele. Isso
exige mais toque, mais tempo, mais criatividade. Use óleos quentes, cobertores
sensuais, banho a dois.
3. Movimente-se: Atividade física regular aumenta a circulação, melhora o humor
e eleva os níveis de testosterona e endorfinas. Sexo começa fora da cama.
4. Explore fantasias: O inverno é ideal para quebrar a rotina. Roupa íntima
diferenciada, jogos eróticos e pequenos roteiros podem transformar uma noite
comum em uma noite memorável.
De acordo com o médico, alguns alimentos podem ajudar a aumentar a libido na
estação mais fria do ano.
"E isso não é mito. Alguns alimentos têm efeito vasodilatador, estimulam
neurotransmissores ligados ao prazer e até influenciam a produção hormonal.
João Borzino listou alguns deles:
• Chocolate amargo: Rico em feniletilamina e triptofano, precursores da
serotonina e dopamina. Um estudo da International Journal of Impotence Research
mostra que o consumo regular melhora o humor e o desejo sexual.
• Gengibre e pimenta: Estimulam a circulação sanguínea e o aquecimento corporal.
• Oleaginosas (castanhas, nozes): Fontes de zinco e selênio, minerais
fundamentais para a produção de testosterona.
• Vinho tinto (com moderação): Relaxa, aumenta a sensibilidade e melhora o
fluxo sanguíneo genital. Mas exagerar tem o efeito oposto.
"O frio pode até esfriar o clima lá fora, mas não precisa congelar o
desejo entre quatro paredes. Sexo é mais do que resposta hormonal — é presença,
cuidado e criatividade. O inverno ideal é aquele em que a temperatura cai, mas
a conexão sobe. E se for pra ficar embaixo das cobertas, que seja com calor
humano e pele arrepiada — não de frio, mas de prazer", finaliza.
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