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sexta-feira, 11 de março de 2022

Mapeamento por imagens aéreas de caixas d’água e piscinas expostas pode ajudar no controle da dengue


Estudo feito em Campinas combinou o uso dessas fotografias com ferramentas de inteligência artificial para identificar regiões de menor índice socioeconômico e maior suscetibilidade às doenças propagadas pelo Aedes aegypti (imagens de satélite publicadas sob licença CC BY com permissão da G drones)

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Um programa de computador capaz de identificar, a partir de imagens aéreas, caixas d’água sobre telhados ou lajes e piscinas em áreas abertas foi desenvolvido por pesquisadores brasileiros com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial. A proposta é usar esse tipo de imagem como indicador de zonas especialmente vulneráveis a infestações do mosquito Aedes aegypti, transmissor de doenças como dengue, zika e chikungunya. Além disso, a estratégia desponta como potencial alternativa para um mapeamento socioeconômico dinâmico das cidades – um ganho para diferentes políticas públicas.

A pesquisa, apoiada pela FAPESP, foi conduzida por profissionais da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Os resultados foram publicados na revista PLOS ONE.

“O que nós fizemos neste primeiro momento foi criar um modelo que se baseia em imagens aéreas e em ciência da computação para detectar caixas d’água e piscinas, e usá-las como um indicador socioeconômico”, afirma o engenheiro Francisco Chiaravalloti Neto, professor do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP.

No artigo publicado, ele e seus colegas ressaltam que levantamentos anteriores já apontavam que zonas carentes dos municípios são frequentemente mais predispostas à dengue. Ou seja, utilizar um modelo de atualização de status socioeconômico relativamente dinâmico – principalmente em comparação com o Censo, feito de dez em dez anos e sujeito a atrasos – ajudaria a priorizar os esforços de prevenção contra dengue, zika e chikungunya.

“Esse é um dos primeiros passos de um projeto mais amplo”, destaca Chiaravalloti Neto. Entre outras coisas, o grupo almeja incorporar outros elementos para serem detectados nas imagens e quantificar as taxas reais de infestação do Aedes aegypti em uma dada região para refinar e validar o modelo. “Nós esperamos criar um fluxograma que possa ser aplicado em diferentes cidades para encontrar áreas de risco sem a necessidade de visitas domiciliares, prática que gasta muito tempo e dinheiro público”, diz Chiaravalloti Neto.

Aprendizado de máquina

Em estudo anterior, o grupo já havia usado inteligência artificial para identificar caixas d’água e piscinas em Belo Horizonte (MG). Os pesquisadores começaram apresentando essas imagens de satélite da cidade mineira a um algoritmo de computador e apontando quais possuíam essas instalações. Por meio de um processo de deep learning (ou aprendizado profundo), o programa passou a identificar padrões nas imagens que acusavam a presença de uma piscina ou caixa d’água. Com o tempo, o sistema se tornou capaz de diferenciar essas estruturas nas fotos por si só.

“É realmente um processo de aprendizado de máquina, uma subárea da inteligência artificial”, explica Jefersson Alex dos Santos, professor do Departamento de Ciência da Computação da UFMG e fundador do Laboratório de Reconhecimento e Padrões de Observação da Terra.

Para a atual pesquisa, os profissionais delimitaram quatro regiões de Campinas caracterizadas por diferentes contextos socioeconômicos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Um drone com uma câmera de alta resolução sobrevoou essas áreas e tirou uma série de fotos. Então, criou-se um banco de dados voltado para caixas d’água e outro para piscinas.

A próxima etapa foi realizar a técnica de transferência de aprendizado. “Nós treinamos aquele modelo em Belo Horizonte e o aplicamos em Campinas”, esclarece Santos. Com as imagens obtidas na cidade paulista, os modelos se tornaram mais confiáveis para a região, alcançando uma precisão de 90,23% para a detecção de piscinas e de 87,53% para a de caixas d’água expostas.

Indicador socioeconômico

Com o algoritmo devidamente treinado, os pesquisadores usaram outras imagens para calcular a concentração de caixas d’água e piscinas expostas naquelas quatro regiões de Campinas previamente selecionadas. Ao cruzar essas informações com dados do IBGE, notou-se que os índices socioeconômicos eram menores em áreas com maior concentração de caixas d’água e mais elevados onde havia maior número de piscinas.

Como regiões menos estruturadas são mais propensas à infestação do Aedes aegypti, esse modelo já auxiliaria no combate às doenças propagadas por ele. “Apesar de não ser ainda a metodologia final, já dá para pensarmos em um uso prático e relativamente simples de desenvolver um software para uso em larga escala, com o objetivo de mapear bairros com maior risco de surto de dengue”, reforça Santos.

Chiaravalloti Neto aponta que os modelos criados poderiam ser úteis para além do controle de dengue, zika e chikungunya: “A atualização dos índices socioeconômicos de diferentes pontos do Brasil acontece a cada dez anos, com o Censo. Já com essa técnica conseguiríamos renovar esses dados de maneira mais ágil, o que pode ser usado para enfrentar diferentes doenças e problemas”.

Segundo ele, trabalhos futuros podem encontrar outros marcadores a partir de imagens aéreas e, assim, refinar esses algoritmos para assegurar uma confiabilidade ainda maior.

Drone ou satélite?

Apesar de as fotos aéreas de Campinas terem sido obtidas com um drone, espera-se que, no futuro, a estratégia testada nessa pesquisa recorra apenas às imagens de satélite. “Utilizamos um drone por se tratar de um estudo, mas fazer varreduras com esse equipamento é caro”, analisa Chiaravalloti Neto.

“Eles também têm uma autonomia menor. Para fazer um projeto em larga escala, que contemple grandes cidades, precisaremos das imagens de satélite”, completa Santos. No estudo em Belo Horizonte, as imagens de satélite foram empregadas com sucesso – elas precisam de alta resolução para que o computador consiga identificar os padrões. De acordo com Santos, o acesso a esse tipo de imagem felizmente está se ampliando.

Embora esse tipo de metodologia pareça custoso, ele gera uma potencial economia ao dispensar a necessidade de visitas presenciais para mapear, casa por casa, áreas suscetíveis à dengue. Em vez disso, os agentes de saúde aproveitariam as informações obtidas remotamente – e processadas com a inteligência artificial – para se dirigir aos locais prioritários com mais assertividade.

Próximos passos

O modelo atual é capaz de detectar caixas d’água, mas não se elas estão devidamente vedadas. Algo similar vale para as piscinas: ele as identifica, mas não sabe se estão bem tratadas ou fechadas. “Essa metodologia poderia ser refinada para diferenciar estruturas bem cuidadas daquelas que de fato serviriam como criadouros de mosquitos”, avalia Chiaravalloti Neto. Acusar esses padrões e outras estruturas ligadas a uma maior infestação de mosquitos tornaria o algoritmo ainda mais confiável para a definição de medidas de saúde pública.

No momento, os pesquisadores estão instalando uma série de armadilhas para o Aedes aegypti em cerca de 200 quadras de Campinas e avaliando detalhadamente as condições dos imóveis e a presença de diferentes criadouros do mosquito. Indicadores socioeconômicos também serão examinados. A etapa seguinte será avaliar imagens aéreas dessas regiões com a mesma lógica empregada na pesquisa citada para classificar o grau de risco para a presença do Aedes aegypti e das doenças transmitidas por ele.

“Ao observar essas quadras, pretendemos construir um modelo de priorização de controle da dengue para toda a cidade e, depois, para o resto do Brasil”, conclui Chiaravalloti Neto.

Além do financiamento da FAPESP, os pesquisadores contaram com recursos do Instituto Serrapilheira, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). A Sucen também ofereceu suporte estrutural.

Os autores envolvidos são: Higor Souza Cunha, Brenda Santana Sclauser, Pedro Fonseca Wildemberg, Eduardo Augusto Militão Fernandes, Jefersson Alex dos Santos, Mariana de Oliveira Lage, Camila Lorenz, Gerson Laurindo Barbosa, José Alberto Quintanilha e Francisco Chiaravalloti-Neto.

O artigo Water tank and swimming pool detection based on remote sensing and deep learning: Relationship with socioeconomic level and applications in dengue control pode ser acessado em: https://journals.plos.org/plosone/article/authors?id=10.1371/journal.pone.0258681.

 


Theo Ruprecht

Agência FAPESP 

https://agencia.fapesp.br/mapeamento-por-imagens-aereas-de-caixas-dagua-e-piscinas-expostas-pode-ajudar-no-controle-da-dengue/38114/


O MUNDO JÁ AMARGA AS CONSEQUÊNCIAS DA GUERRA NA UCRÂNIA E DA DECISÃO AMERICANA DE BOICOTAR O PETRÓLEO DA RÚSSIA

 

A Rússia é o segundo maior exportador mundial de petróleo bruto depois da Arábia Saudita. Em 2019, 48 países compraram petróleo bruto russo no valor de US$ 123 bilhões. Mas agora, com a guerra, os preços do barril subiram acentuadamente. Os preços do petróleo cresceram após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 24 de fevereiro. As sanções ocidentais provavelmente elevarão os preços do petróleo – resultando em cobranças ainda mais altas nas bombas. Em 2019, o mundo consumiu 99,7 milhões de barris de petróleo por dia, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE). Somente os Estados Unidos consomem cerca de um quinto (20,48 milhões/dia) do consumo diário de petróleo do mundo, seguidos pela China (13,07 milhões/dia) e pela Índia (4,84 milhões/dia). A Venezuela (303,8 bilhões de barris), Arábia Saudita (258,6 bilhões de barris) e Irã (208,6 bilhões de barris) têm metade dos 1,55 trilhão de barris de reservas comprovadas de petróleo do mundo.

A Central para a produção mundial de petróleo é a OPEP,  a Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Estabelecida em Bagdá, Iraque, em 1960, essa organização  multinacional compreende 13 nações que possuem coletivamente cerca de 80% das reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo. As maiores reservas entre os países não-OPEP incluem a Rússia e os Estados Unidos. Os países membros da Opep produzem cerca de 40 % do petróleo bruto do mundo e representam cerca de 60 % do total de petróleo comercializado internacionalmente, de acordo com a Administração de Informações sobre Energia dos Estados Unidos. Em 2020, os 10 maiores produtores de petróleo do mundo foram EUA (18,61 mbpd), Arábia Saudita (10,81 mbpd), Rússia (10,5 mbpd), Canadá (5,23 mbpd) e China (4,86 mbpd). Veja ( a direita) a lista dos dez mais produtores de petróleo do mundo, até 2019.

A gasolina, o diesel e vários outros combustíveis são feitos de petróleo bruto. Muitos produtos domésticos, incluindo plásticos, detergentes e roupas, também são derivados do recurso não renovável. Os preços mais altos do petróleo têm um efeito indireto em várias indústrias, desde o transporte até a manufatura. O petróleo bruto é classificado de acordo com a espessura (pesado, intermediário e leve) e teor de enxofre (doce – baixo teor de enxofre, ácido – alto teor de enxofre). O petróleo bruto leve e doce é o grau mais alto. É mais fácil e barato refinar, tornando-o o mais procurado.

O tipo Brent e o WTI são as referências globais para petróleo bruto leve e doce. O Brent é perfurado no Mar do Norte entre o Reino Unido e a Noruega, enquanto o WTI (West Texas Intermediate) é proveniente de campos de petróleo dos Estados Unidos. Uma vez extraído ele é transportado para várias refinarias no mundo.  O petróleo deve ser aquecido em um forno e destilado em vários combustíveis e produtos. Produtos mais leves, incluindo gases de petróleo liquefeitos, requerem temperaturas mais baixas para serem extraídos, enquanto os produtos mais pesados, incluindo asfalto, são extraídos a temperaturas muito mais altas.


Em 2019, os maiores exportadores mundiais de petróleo bruto foram Arábia Saudita (US$ 145 bilhões), Rússia (US$ 123 bilhões), Iraque (US$ 73,8 bilhões), Canadá  (US$ 67,8 bilhões) e EUA (US$ 61,9 bilhões). A China comprou cerca de um quarto (27%) das exportações totais de petróleo da Rússia no valor de US$ 34 bilhões. No entanto, dadas as enormes necessidades de energia da China, isso representou apenas 16% das importações de petróleo do país. Pelo menos 48 países importaram petróleo bruto russo em 2019. Os países que mais dependem do petróleo russo incluem: Bielorrússia, Cuba, Curaçao, Cazaquistão, Letônia, cada um importando mais de 99% de seu petróleo bruto da Rússia.


CONSEQUÊNCIAS DO PETRÓLEO PROIBIDO

Após a invasão da Ucrânia pela Rússia, vários outros estados impuseram sanções à Rússia. A guerra de energia que se seguiu fez com que os preços do petróleo atingissem níveis sem precedentes, não vistos desde a crise financeira de 2008. Na terça-feira (8), os Estados Unidos e o Reino Unido anunciaram a proibição das importações de petróleo russo. Em 2021, os americanos  importaram uma média de 209 mil bpd de petróleo bruto e 500 mil  bpd de outros produtos petrolíferos da Rússia, de acordo com a associação comercial American Fuel and Petrochemical Manufacturers. Isso representou 3% das importações de petróleo bruto dos EUA e 1% do total de petróleo bruto processado pelas refinarias americanas. Para a Rússia, isso representou 3 % de suas exportações totais.  No início desta semana, o petróleo Brent subiu para mais de US$ 140 o barril antes de retornar à marca de US$ 128. Com duras sanções ao setor de energia da Rússia, os efeitos serão sentidos em todo o mundo à medida que os preços da energia aumentam em um ambiente já inflacionário. A partir de hoje ( 11) aqui no Brasil,  as bombas de combustíveis já mostram alguns efeitos desta decisão.


Fonte: https://petronoticias.com.br/o-mundo-ja-se-ressente-das-consequencias-da-greve-na-ucrania-e-da-decisao-americana-de-boicotar-o-petroleo-da-russia/


Adjuvante não é tudo igual

Por definição, adjuvantes agrícolas são insumos utilizados na agricultura e que não possuem atividades fitossanitárias, mas são produtos extremamente importantes para otimizar a operação, a tecnologia de aplicação e aumentar a performance dos defensivos utilizados.

Quando falamos em melhorar a tecnologia de aplicação e performance dos defensivos podemos citar algumas caraterísticas por etapa da aplicação. Durante a mistura de tanque os adjuvantes podem atuar na solubilização da calda, compatibilidade entre químicos, estabilidade, redução de espuma e controle ou adequação do pH. Já na aplicação, eles influenciam na formação do spray, controlando o tamanho e padrão de gotas, fatores extremamente importantes para minimizar a deriva.

Alguns adjuvantes de alta tecnologia podem também influenciar no tipo de impacto entre gota-alvo, minimizando os respingos da calda por um efeito conhecido como anti-rebote. Quando já em contato com o substrato, os adjuvantes são extremamente importantes para manter o molhamento, espalhamento/recobrimento das folhas. E por fim, podem também influenciar na absorção e translocação dos defensivos e fertilizantes pelas plantas, bem como na retenção e resistência a lavagem por chuvas.

Como vimos acima os adjuvantes podem influenciar nossas aplicações em diferentes aspectos, mas os pontos máximos de todas estas características só podem ser atingidos com estruturas químicas específicas e diferentes entre si. Assim, para dizer que um adjuvante é multifuncional teríamos que possuir todas essas químicas diferentes no mesmo produto, em um mesmo frasco.

 Infelizmente não é possível extrair o máximo de todas estas funcionalidades em um único produto, pois muitas delas são quimicamente antagônicas entre si. Sendo assim o que acontece com uma parte desses produtos é que se prevalece certas características ou funções em detrimento de outras. Atrelado a isso é importante trazermos para discussão que cada defensivo agrícola possui características químicas e agronômicas diferentes e que cada um deles possui um adjuvante específico para melhorar sua performance.

Por exemplo, podemos citar a aplicação de fungicidas sistêmicos e protetores em uma mesma calda e que possuem aspecto agronômico completamente diferentes. O fungicida sistêmico precisa ser absorvido e translocado na folha, enquanto o fungicida protetor precisa se espalhar e permanecer na superfície da folha cumprindo seu papel. Então, eu pergunto aos leitores, vocês acreditam que o mesmo adjuvante pode ter essas duas funções a um nível excepcional? Sabemos também que a aplicação da maioria dos fungicidas protetores também é bastante problemática no que diz respeito a mistura de tanque e pulverização. Podemos ter um único adjuvante que irá otimizar todas as necessidades do campo, sabendo que cada vez mais trabalhamos com misturas mais complexas? E a minha resposta é: NÃO!!!

Muitas pessoas nos perguntam por que as próprias formulações de defensivos já não contêm esses adjuvantes específicos dentro de suas formulações?!E a resposta é simples: muitos adjuvantes não são compatíveis dentro da formulação ou não há espaço suficiente para adicioná-lo a uma concentração que teria realmente efetividade no tanque de pulverização.

Hoje na agricultura brasileira a grande maioria das aplicações são feitas com adjuvantes que nem se quer conhecemos suas reais funções na aplicação, normalmente são escolhidos apenas pelo custo ou pela parceria comercial. Vemos no campo que esse problema tem levado inclusive a perda de performance de alguns defensivos, já até nos deparamos diversas vezes com adjuvantes degradando ingredientes ativos e interferindo negativamente na aplicação. Mas fica difícil para o agricultor ter esse tipo de observação e avaliação mais profunda no campo.

Porém, algumas marcas passaram a se preocupar com esse cenário. É o caso da DVA Agro no Brasil, que tem como objetivo mudar essa mentalidade de adjuvantes multifuncionais e “milagrosos”, onde todos parecem ser iguais. Estamos focados na aproximação com a realidade do campo, conhecer a necessidade real de cada aplicação e então, fazer recomendações para que o agricultor tenha realmente a resposta esperada e potencializada de cada defensivo utilizado.


Bruno Francischelli - Engenheiro Agrônomo e coordenador de marketing na DVA Brasil 

Natália Gonçalves - Engenheira Química e Global Head of R&D Agro na DVA Global

 

quinta-feira, 10 de março de 2022

Dia Mundial do Rim promove educação sobre a Doença Renal

Campanha mundial deste ano tem como tema “Saúde Renal para Todos” 


Idealizado pela Sociedade Internacional de Nefrologia (ISN), o Dia Mundial do Rim (DMR) tem como objetivo reduzir o impacto da doença renal em todo o mundo, sendo comemorado na segunda quinta- feira do mês de março. Esse ano, a data será celebrada no dia 10 de março. A Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) coordena a campanha no Brasil, desenvolvendo material informativo e educativo sobre os fatores de risco para a Doença Renal Crônica (DRC) para todas as regiões do país visando estimular os cuidados com a saúde dos rins. 

A DRC é comum e prejudicial: um em cada 10 adultos no mundo é paciente renal crônico. Além disso, se a DRC não for tratada, pode ser fatal. Embora seu diagnóstico precoce permita tratamento e gestão para prevenir a morbidade, mortalidade, melhora da relação custo-eficácia e sustentabilidade, a mortalidade relacionada à DRC continua crescendo. Em 2040, a doença renal crônica pode ser a 5ª maior causa de morte no mundo e há uma lacuna de conhecimento sobre a doença muito persistente, que é notável em todos os setores de saúde: 

A comunidade - Os obstáculos para uma melhor compreensão da saúde renal incluem o fato de que as informações sobre doenças renais são compartilhadas numa linguagem complexa, falta de conhecimento básico sobre o tema, instruções limitadas sobre saúde, disponibilidade limitada de informações sobre DRC e falta de prontidão para aprender.

O profissional da saúde - Outra barreira precisa ser superada para garantir uma melhoria na conscientização e a formação mais focada dos médicos, pois eles são os responsáveis ​​pela condição médica dos pacientes.

Os formuladores de políticas focadas em saúde pública - A DRC é uma ameaça global à saúde pública, mas não é priorizada nas agendas governamentais de saúde. Tais agendas se concentram, majoritariamente, quando se trata de doenças não transmissíveis, em quatro doenças principais (doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e doenças respiratórias crônicas). 

Neste cenário, a falta de conhecimento sobre o assunto está sufocando a luta contra a doença renal crônica e aumentando a mortalidade associada à DRC. “Por isso, a campanha deste ano pede que o mundo fique ciente da DRC para compreender ativamente quais medidas relacionadas à saúde renal que cada um pode colocar em prática, por exemplo, a atenção com a pressão arterial, uma causa que envolve todos da comunidade renal, mundialmente falando - médicos, cientistas, enfermeiras e outros profissionais de saúde, pacientes, administradores, especialistas em políticas de saúde, funcionários do governo, organizações de Nefrologia e fundações. Todos precisam saber quais são as estratégias que podem ser aplicadas com o objetivo de oferecer mais atenção à saúde renal no estabelecimento de políticas governamentais. Isso pode gerar grandes benefícios, tanto para os pacientes como para os orçamentos de saúde”, explica Dr. Osvaldo Merege, presidente da SBN. 

Além disso, a campanha 2022 reforça a importância de incentivar o público a adotar uma dieta e estilo de vida saudável ​​(sendo necessário acesso à água potável, exercícios, dieta saudável, controle do tabaco e prevenção da mudança climática) para manter uma boa saúde renal e preservar a função renal por mais tempo em pessoas com DRC - isso também aumenta a consciência da importância dos rins; conscientizar mais o paciente renal e seus familiares afim de capacitá-los para alcançar mais resultados na qualidade de vida, que são significativos e importantes para quem possui DRC, incluindo a insuficiência renal; incentivar e apoiar os médicos de atenção primária a melhorarem o reconhecimento e gestão de pacientes com DRC em todo o espectro de prevenção, detecção precoce de doença e atendimento para a insuficiência renal; integrar a prevenção da doença renal crônica e da insuficiência renal às doenças não transmissíveis nacionais e programas de serviços abrangentes e integrados, melhorando a detecção precoce e rastreamento de cuidados renais em nível nacional e informar os políticos sobre o impacto da doença renal e da insuficiência renal na saúde e sua carga associada aos orçamentos/sistemas de saúde para encorajar a adoção de políticas e alocação de recursos, garantindo a todos uma boa qualidade de vida com a DRC. 

 

Sobre a Doença Renal Crônica


A doença renal crônica se caracteriza por lesão nos rins que se mantém por três meses ou mais, com diversas consequências, pois os rins têm muitas funções, dentre elas: regular a pressão arterial, filtrar o sangue, eliminar as toxinas do corpo, controlar a quantidade de sal e água do organismo, produzir hormônios que evitam a anemia e as doenças ósseas, entre outras. Em geral, nos estágios iniciais, a DRC é silenciosa, ou seja, não há sintomas ou são poucos e inespecíficos. Por isso, o diagnóstico pode ocorrer tardiamente, quando o funcionamento dos rins já está bastante comprometido, muitas vezes em estágio muito avançado, sendo necessário o tratamento de diálise ou transplante renal. Assim, são fundamentais a prevenção e o diagnóstico precoce da doença, com exames de baixo custo, como a creatinina no sangue e o exame de urina simples.


CRESCEM OS CASOS DE DIABETES E HIPOTIREOIDISMO EM MULHERES RECUPERADAS DA COVID-19

Dados de estudo científico de fevereiro/2022 revelam que o coronavírus pode aumentar o risco de diabetes tipo 2 em pessoas sem antecedentes da doença ao infectar as células das ilhotas pancreática

 

Segundo o endocrinologista Bernard Barreto Barroso, membro titular da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, houve um aumento de 30% de novos casos de hipotireoidismo em mulheres que tiveram Covid, somente no consultório onde clinica. 

O sedentarismo e as mudanças de hábitos alimentares durante a pandemia contribuíram para o aumento de casos de doenças metabólicas, como sobrepeso, obesidade, diabetes e alterações na tireoide - glândula que produz os hormônios T3 e T4 e regula funções importantes, como coração, cérebro, fígado e rins. O isolamento social somado ao medo da contaminação pelo coronavírus fez com que as pessoas deixassem de fazer exames preventivos e procurar auxílio para outras doenças. 

Disfunções tireoidianas, em especial o hipotireoidismo, registraram crescimento, principalmente em mulheres que não apresentavam a doença antes da contaminação pelo coronavírus, chamando a atenção dos especialistas. De acordo com o endocrinologista Bernard Barreto Barroso, membro titular da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e médico da Clinipae, centro médico localizado em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, foi registrado um aumento de 30% de novos casos de hipotireoidismo em mulheres que tiveram covid, somente no consultório da clínica. 

“A pandemia trouxe sintomas que se confundem com disfunções tireoidianas, como cansaço e fadiga, queda de cabelo e fragilidade nas unhas. Somente após a retomada dos exames de rotina pela maioria das pessoas, a partir de 2021, foi possível diagnosticar que eram casos de hipotireoidismo, em especial nas mulheres que não tinham a doença antes da pandemia”, explica Barroso. Ele salienta que o aumento de peso não tem nenhuma associação direta com o hipotireoidismo, comprovada cientificamente, mas é o principal alerta para as mulheres que procuram por exames de tireoide. 

Vários estudos científicos apontam que o diabetes é mais uma complicação decorrente da covid-19. Um deles, denominado “Risk of new-onset type 2 diabetes in 600.055 people after COVID_19: a cohort stydy”, publicado em fevereiro desse ano na revista Diabetes, Obesity and Metabolism, revela que o coronavírus pode aumentar o risco de diabetes tipo 2 (DM2) em pessoas sem antecedentes da doença ao infectar as células das ilhotas pancreáticas. Os dados estimam um aumento de 3 a 12 vezes na taxa de DM2 após a COVID-19 leve ou moderada/severa, respectivamente. 

O estudo corrobora com os números de casos de diabetes pós-covid registrados no consultório, que foram ainda mais reveladores, segundo o médico. “Houve um aumento de 25% a 30% de novos casos de diabetes em pacientes que não apresentavam nenhum sintoma antes da covid, incluindo homens e mulheres”. 

Segundo o relato, muitos pacientes com suspeita de diabetes tipo 1 chegaram ao setor de emergência, sendo a maioria fora da faixa etária – crianças, adolescentes e jovens adultos.

“Alguns pacientes apresentaram sintomas importantes, juntos ou isolados, como dormência na palma da mão ou planta dos pés, perda de peso repentina, vista embaçada, urina com mais frequência durante o dia e à noite (poliúria), fome acentuada (polifagia), sede excessiva (polidipsia) ou as 3 “polis” de uma vez. No exame, a glicose no sangue (glicemia) em jejum, acima ou igual a 126, já pede uma investigação mais detalhada, mas uma glicemia a partir de 200, com ou sem jejum, e em associação com um ou mais sintomas mencionados, já pode ser classificada como diabetes”, elucida Barroso. 

Ainda de acordo com a observação dos pacientes no consultório, os casos de obesidade cresceram mais de 35% em mulheres que já estavam no grupo de risco, não estando associados à covid. “Durante o isolamento, muitos pacientes descontinuaram os tratamentos e, quando retornaram às consultas e exames de rotina, apresentaram um agravamento do quadro”, diz Barroso. A obesidade é um fator de risco para infecções por covid e, geralmente, outras doenças metabólicas estão associadas. A descontinuidade ao tratamento pode agravar a doença e, se houver contaminação pelo coronavírus, as chances de complicação são ainda maiores. 

O especialista dá algumas dicas para pessoas que tiveram Covid e apresentam sintomas de diabetes, para auxiliar na investigação: 

   Praticar exercícios regularmente, prestando atenção no quadro – a caminhada de 30 a 40 minutos por dia, de 3 a 4 vezes na semana, auxilia no controle da glicose. Exercícios de alto impacto devem ser avaliados pelo médico para não agravarem a doença. 

Procurar uma nutricionista para auxiliar no troca de alimentos – é importante fazer algumas substituições, como a de carboidratos comuns por carboidratos de fontes integrais e do açúcar refinado por adoçantes naturais. Os sucos, dependendo da fruta, podem ser substituídos pelo consumo da própria fruta, pois o suco concentra toda a glicose em um só copo, aumentando a quantidade de açúcar no sangue. As proteínas de alto valor biológico, como peito de frango e peixe, grelhado ou assado, estão liberadas, assim como verduras e legumes.

Pedir ao médico o exame de hemoglobina glicada, caso o exame de glicemia de jejum apresente alterações. “Esse exame serve para o acompanhamento e controle de diabetes já existente, principalmente de pacientes já em tratamento, bem como para auxílio no diagnóstico do pré-diabetes e diabetes de pacientes que ainda não sabem que têm a doença. Ele aponta a taxa da glicemia dos últimos 3 meses, um parâmetro importante na condução do tratamento. Se o paciente estiver muito descompensado, pode ser que o medicamento oral não seja suficiente para equilibrar o quadro, então a insulina deve ser introduzida para depois ser feita a transição para a medicação oral”, esclarece o médico.

É importante ressaltar que esses relatos são decorrentes da rotina em consultório e essas estatísticas apontam que as mulheres apresentaram mais incidência, possivelmente, por serem mais ativas na procura por médicos do que os homens. “Geralmente, as mulheres vão ao médico assim que notam algo diferente no metabolismo, assim como fazem check-ups com mais frequência que os homens. É possível que esse aumento de casos de diabetes também esteja entre os homens, mas os registros são menores tanto nas consultas quanto nos exames realizados na clinica”, finaliza o especialista.

 

 

Bernard Barreto Barroso - membro titular da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e médico da Clinipae.

 

Clinipae - Centro Médico e Odontológico - está localizada em São João de Meriti (RJ), Baixada Fluminense, e faz parte do grupo Riopae


Como a rotina diária de limpeza nasal pode contribuir para evitar os impactos do tempo seco

Um procedimento simples e barato, que visa cuidar do trato respiratório superior 


Apesar de acontecer em meses mais frios do ano, o tempo seco também pode aparecer no verão, sendo uma das principais alterações presentes no dia a dia que interfere diretamente no equilíbrio da função nasal³.  

A cavidade nasal executa um papel fundamental na respiração do ser humano, através de sua extensa superfície mucosa, com a finalidade de equilibrar a temperatura e umidade do ar inspirado, além de filtrar partículas, sentir cheiros e regular a entrada de ar nos pulmões¹.  

Para favorecer o funcionamento da respiração nasal, condições como temperatura, fluxo aéreo nasal adequado, qualidade e umidade do ar relativa precisam estar em harmonia³. “No entanto, quando alguma interferência acontece em qualquer desses agentes, como por exemplo, dias secos, podem ocorrer casos como: obstrução nasal, roncos, sangramento nasal, dificuldade de sentir cheiros, dor no rosto, entre outros problemas”, informa a Dra. Halana Figueiras, Otorrinolaringologista pela UNIFESP e especialista em Rinoplastia.  

Existe uma prática que é aliada na diminuição dos efeitos do tempo seco no corpo, que é a lavagem nasal -- um procedimento simples e barato, que visa cuidar do trato respiratório superior. Apesar de ser algo descrito há muito tempo, a lavagem nasal teve crescimento nas últimas décadas, principalmente entre pacientes com rinite alérgica⁴. 

“O mecanismo de ação da lavagem que corrobora para um bom funcionamento nasal se deve a diversas alterações como aumento da frequência de batimento ciliar aumentando assim o transporte de bactérias, fungos, vírus e alérgenos que ficam presos no muco em direção a nasofaringe. A redução da viscosidade do muco nasal, remoção de mediadores inflamatórios, diluindo edema da mucosa nasal e portanto melhorando a respiração nasal”, explica a Dra.  

Pensando em diminuir os impactos do tempo seco na respiração, a P&G desenvolveu Vick VapoSpray, um descongestionante nasal que limpa profundamente e ajuda a respirar melhor.  

Ele pode ser usado em casos de respiração dificultada, nariz entupido ou ressecado pela poluição do ar, ou em casos de não conseguir dormir devido a congestão nasal. Vick VapoSpray não contém conservantes e age fluidificando a secreção da mucosa nasal, resultando na sua eliminação.

 

Referências 

  1. Irrigação nasal como tratamento no alívio dos sintomas nasossinusais: uma revisão de sua eficácia e aplicações clínicas. Indian J Otolaryngol Head Neck Surg. Novembro de 2019; 71 (Suplemento 3): 1718--1726.
  2. Cole P. Fisiologia do nariz e seios paranasais. Clin Rev Allergy Immunol. 1998; 16 (1): 25--54. [ PubMed ]
  3. Tratado de Otorrinolaringologia e Cirurgia CervicoFacial ABORL-CCF, 3ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018.
  4.  Irrigação nasal: um procedimento médico definido de maneira imprecisa. Int J Environ Res Saúde Pública. Maio de 2017; 14 (5): 516.

 

VAPOSPRAY (cloreto de sódio 0,9%). Indicações: fluidificante e descongestionante nasal. Medicamento de notificação simplificada RDC ANVISA nº 199/2006. AFE nº 1.02142.2. MAT-BR-VICKS-22-000002. Janeiro 2022. Material destinado ao público em geral.

Pré-natal é fundamental para identificar doenças congênitas renais

Neste Dia Mundial do Rim, o Hospital Pequeno Príncipe chama a atenção para a importância da saúde renal na infância

 

Foi durante a realização de um exame pré-natal que Luísa foi diagnosticada com megabexiga – uma condição que impede a eliminação da urina do bebê durante a gestação –, o que fez com que ela nascesse com mau funcionamento nos rins e já com indicação de transplante. “Aos 7 dias de vida, ela começou a fazer diálise peritoneal e ficou 34 dias na UTI. Na nossa cidade, em Goiânia, não é realizado transplante renal em crianças, então fomos encaminhados para o Pequeno Príncipe, onde fazemos acompanhamento desde os 9 meses de vida dela”, conta Renata Tavares da Silva, mãe de Luísa.

O cuidado com os rins deve começar já durante a gestação, com a realização do pré-natal e exames que possam indicar possíveis doenças renais congênitas. Só no Brasil, por exemplo, 140 mil pacientes com doença renal crônica realizam diálise atualmente.

Por isso, neste 10 de março, lembrado como o Dia Mundial do Rim, o Hospital Pequeno Príncipe chama a atenção para a importância com o cuidado da saúde renal já na infância.

Na ultrassonografia gestacional é possível identificar situações como a dilatação dos rins e das vias urinárias ou outras malformações renais. Na ocorrência dessas alterações, o bebê deve ser avaliado após o nascimento para confirmar ou descartar a suspeita de doença renal. A depender do caso, há necessidade de intervenção cirúrgica ou de acompanhamento clínico periódico, já que em determinadas situações existe o risco de evolução para a doença renal crônica.

A doença renal crônica é caracterizada quando há alteração da função renal por mais de três meses. “Quando a função dos órgãos chega a menos do que 10% a 15% de sua capacidade, há a necessidade de fazer algum tipo de tratamento para substituir a função dos rins, como por exemplo diálise, hemodiálise ou transplante”, explica a nefrologista Lucimary de Castro Sylvestre, do Hospital Pequeno Príncipe.

Após passar por diversas cirurgias no trato urinário, no dia 28 de dezembro, depois de ficar apenas 15 dias na fila para transplante, a família recebeu uma ligação informando que havia aparecido o órgão compatível. “Nós mantivemos a esperança que um dia o ‘sim’ de uma família daria uma chance para nossa pequena Luísa poder crescer, brincar, se desenvolver e não precisar ir para a hemodiálise cinco vezes na semana durante três horas por dia. Há dois meses ela realizou o transplante e nossa história mudou. Hoje ela brinca, toma banho cantando e dançando sem se preocupar em molhar o cateter, está comendo normalmente, ganhou peso e cresceu. Só gratidão a Deus por tudo e à família doadora”, diz Renata.


Fatores de risco e prevenção

Os principais fatores de risco ou doenças que podem levar crianças a desenvolverem doença renal crônica, ou que podem iniciar na infância e evoluir na vida adulta, são: doenças renais congênitas ou hereditárias; prematuridade; infecções urinárias de repetição; litíase renal (“pedras” nos rins); hipertensão arterial; diabetes; obesidade; e algumas doenças autoimunes. Nem todas são totalmente preveníveis, mas podem ser controladas e acompanhadas para evitar uma evolução rápida. A prevenção e o controle envolvem:

  • aconselhamento genético;
  • acompanhamento pré-natal, parto e acompanhamento neonatal adequados;
  • acompanhamento pediátrico regular para detecção e investigação precoce de doenças renais;
  • medida da pressão arterial a partir dos 3 anos de idade;
  • acompanhamento nutricional;
  • orientação sobre hábitos saudáveis; e
  • intervenções mais complexas, quando necessárias.

 

Nefrologia do Hospital Pequeno Príncipe


“Apesar do aumento da prevalência das alergias alimentares, o excesso de diagnósticos é ainda mais expressivo”

Cerca de 8% de crianças e 2% de adultos têm alergia alimentar


Banana está entre as frutas que mais causam alergias em crianças menores de um ano

  

Retirar um alimento da dieta a fim de prevenir possível reação alérgica pode causar sérios prejuízos nutricionais à saúde da criança. O alerta é da Dra. Renata Cocco, membro do Departamento Científico de Alergia Alimentar da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI).

 

As alergias alimentares são mais comuns nas crianças, provavelmente por uma imaturidade do sistema imunológico, ou seja, a chance do organismo reconhecer proteínas dos alimentos como "inimigas" é maior, acarretando sintomas clínicos diversos. Alguns dados epidemiológicos mundiais apontam para prevalência de 8% de crianças com alguma forma de alergia alimentar, enquanto nos adultos esse número fica ao redor dos 2%.

 

Além de frutos do mar, leite e ovo, conhecidos por desencadear alergias, amendoim e castanhas ganharam posição entre os alimentos mais alergênicos.

 

Abaixo, Dra. Renata explica mais sobre as alergias alimentares.

 

Houve um aumento na prevalência das alergias alimentares?

Sim, mas apesar do aumento da prevalência das alergias alimentares, o excesso de diagnósticos é ainda mais expressivo. Enquanto a falta do correto diagnóstico pode acarretar sintomas graves, potencialmente fatais, a restrição desnecessária também acaba por levar a estigmas nutricionais, psicológicos e sociais. O diagnóstico e tratamento deve ser realizado por médico experiente, preferencialmente um alergista. Outro ponto que merece destaque: não há indicação de se evitar nenhum alimento como forma de prevenção, seja na dieta da gestante, da mãe que amamenta ou da própria criança. 

 

Quais são os alimentos que provocam mais alergias em crianças?

Leite e ovo ainda são os principais vilões de alergias na infância. Alergia a trigo também ocupa um papel de destaque. Entretanto, alimentos anteriormente menos comuns de induzirem reações nessa faixa etária aumentaram muito a incidência nos últimos anos, caso do amendoim e castanhas. Peixes e frutos do mar, por fim, completam a lista dos mais alergênicos, embora qualquer alimento possa ser potencialmente o responsável pelas reações. Uma percepção importante: as frutas tomam um espaço cada vez maior entre as alergias no primeiro ano de vida, com destaque para a banana.

 

Quando as alergias alimentares se manifestam na infância, há chance de elas desaparecerem na fase adulta?

Depende do alimento envolvido. A alergia ao leite, ovo, trigo e soja, na grande maioria dos casos, são abrandadas espontaneamente até a segunda década de vida. Amendoim, castanhas, peixes e frutos do mar são tipicamente persistentes por toda a vida.

 

As crianças que manifestam alergia alimentar possuem tendência a apresentar outros tipos de alergia?

Não necessariamente. Existe uma grande parcela de crianças alérgicas a alimentos que apresentam concomitantemente alergias respiratórias (asma, rinite) ou cutâneas (dermatite atópica) mas isso não é uma regra.

 

-Quais os sintomas da alergia alimentar?

Os sintomas são bastante variados e podem se manifestar de vermelhidões locais isoladas a um colapso cardiovascular. Entre as manifestações possíveis, destacam-se:

 

- Cutâneas: placas vermelhas localizadas ou difusas por todo corpo (urticária), inchaço de olhos, bocas e orelhas (angioedema), coceira. A dermatite atópica, lesão de pele extremamente pruriginosa (muita coceira), está associada a alimentos apenas nas formas mais graves (dermatite ou eczema disseminados pelo corpo e não apenas em dobras de cotovelos e joelhos).

 

- Gastrointestinais: diarreia e vômitos imediatos; um mecanismo imunológico conhecido por “não mediado por IgE” pode acarretar sintomas gastrintestinais mais tardios, horas ou dias após a ingestão (leite e soja são os alimentos mais comumente relacionados) e incluem um ou mais dos sintomas: diarreia com ou sem sangue, refluxo exacerbado, perda de peso, vômitos prolongados.

 

- Respiratório: falta de ar e chiado no peito (broncoespasmo) podem ocorrer de forma imediata após a ingestão do alimento. Pacientes com asma não controlada são mais predispostos a este sintoma. Mas é importante ressaltar que sintomas crônicos do sistema respiratório, como asma e rinite, dificilmente são manifestações de alergia alimentar quando não houver alterações cutâneas e/ou gastrintestinais.

 

- Cardiovasculares: a queda da pressão arterial, levando a desmaio, tontura, arroxeamento dos lábios (hipóxia) caracteriza o choque anafilático e representa a forma mais grave da doença.

 

Muito importante: a definição de anafilaxia não é apenas quando o paciente apresenta sintomas respiratórios e/ou cardiovasculares. O acometimento de dois ou mais sistemas (ex: cutâneo e gastrintestinal) caracterizam uma anafilaxia e devem ser tratados como tal (adrenalina intramuscular). Um exemplo: paciente com urticária (sistema cutâneo) e vômitos (gastrintestinal) já deve ser classificado como anafilático.


 

ASBAI - Associação Brasileira de Alergia e Imunologia

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Sorriso gengival: Conheça os tratamentos para melhorar a estética dos dentes

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Especialista indica série de medidas que podem ser tomadas para solucionar o quadro


O sorriso é uma das principais características do ser humano, sendo responsável por transmitir emoções e por ajudar a criar laços com outras pessoas, além de conquistar elogios e, consequentemente, elevar a autoestima quando a saúde bucal está em dia. Porém, quando há algum problema, pode acabar gerando insegurança. Um exemplo disso é o sorriso gengival, no qual o lábio superior se eleva excessivamente ao sorrir e deixa grande parte da gengiva à mostra. 

Essa alteração pode ser causada por alguns fatores, e dentre os mais comuns temos o crescimento excessivo do maxilar, problemas musculares e a periodontite, inflamação nos tecidos que dão suporte aos dentes. “Hoje, o mercado conta com procedimentos avançados para corrigir essas condições, como a gengivoplastia, gengivectomia e a toxina butulínica. No entanto, a técnica mais adequada pode variar de pessoa para pessoa, pois depende de cada causa específica”, afirma Raul Silva, consultor da GUM, marca americana de cuidados bucais. 

Ao optar pela gengivoplastia, o cirurgião dentista remove ou adapta o tecido gengival que não está diretamente envolvido com a base dos dentes. “Como esse método é realizado apenas para fins estéticos, não é possível tratar periodontite e outras doenças bucais. Além disso, o procedimento tem duração consideravelmente rápida e podendo levar até duas horas”, relata a profissional. 

A periodontite é uma evolução da doença gengival que danifica a gengiva e tem poder de destruir o osso maxilar. Tem como principal causa a má higiene oral, especialmente a falta de limpeza interdental, onde há o acúmulo de alimentos e favorecimento da proliferação de bactérias na região do periodonto. Além de afetar o periodonto, as bactérias responsáveis ainda são capazes de atuar como fatores de riscos sistêmicos para doenças cardíacas e pulmonares. Para tratar a periodontite, a gengivectomia é mais adequada. Nela, é retirado todo o excesso de gengiva causado pela enfermidade, que pode chegar a provocar dor de dente, mau hálito, dentes soltos, vermelhidão e sensibilidade nas gengivas, perda dentária e recessão gengival. “Após a remoção do tecido, que é realizada sob o efeito de anestesia, há aplicação do cimento cirúrgico que deve permanecer nos dentes até que a cicatrização finalize”.  

Por fim, a toxina butulínica é uma das técnicas mais apropriadas para quem sofre com hiperatividade muscular dos lábios. “Ao aplicada no local, essa substância é responsável por impedir a liberação da acetilcolina, o que inibe a elevação do lábio superior e faz com que a gengiva não apareça em excesso. Neste caso, o tratamento não é definitivo, pois os efeitos podem passar entre 4 e 6 meses após a aplicação”, conclui. 

Portanto, os cuidados com a higienização dos dentes também são essenciais nesses casos, principalmente próximos à gengiva. Para que a limpeza interdental seja realizada de forma correta, é importante utilizar o fio dental corretamente e fazer a escovação de forma recorrente.

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