Da posição solar ao tamanho real dos móveis desenhados na planta, especialistas da Cota Empreendimentos apontam dez aspectos técnicos, jurídicos e financeiros que devem ser verificados antes de fechar negócio
A planta parece espaçosa, os ambientes
estão bem decorados e as áreas de lazer chamam a atenção. Mas uma análise mais
cuidadosa pode revelar corredores que consomem metros quadrados, quartos que
não comportam os móveis representados no material de venda, garagens difíceis
de acessar e estruturas que, no futuro, podem elevar os custos do condomínio.
Comprar um imóvel exige, portanto,
muito mais do que avaliar a aparência do empreendimento ou comparar o preço por
metro quadrado. Localização, segurança, ventilação, posição solar, conforto
acústico, funcionalidade da planta, facilidade de manutenção e regularidade
jurídica estão entre os critérios que podem determinar a qualidade da
experiência de morar — e também a preservação do patrimônio ao longo dos anos.
Para orientar quem está diante dessa
decisão, a Cota Empreendimentos, construtora catarinense com 52 anos de atuação
no mercado imobiliário, reuniu a experiência de suas áreas técnica e jurídica.
O objetivo é chamar a atenção para aspectos que nem sempre são percebidos
durante uma visita ou apresentados com destaque nos materiais comerciais, mas
que interferem diretamente no uso, nos custos e na segurança da compra.
Segundo o diretor técnico da Cota
Empreendimentos, engenheiro Marco Aurélio Alberton, dois apartamentos
com a mesma metragem podem oferecer condições de uso completamente diferentes.
A diferença começa ainda no planejamento do projeto. “Um apartamento de 100
metros quadrados pode ter dez metros de corredor, que representam uma área pouco
aproveitada, enquanto outro, com a mesma metragem, pode distribuir melhor os
espaços. O tamanho anunciado, isoladamente, não mostra o quanto daquela área
será realmente útil para o morador”, explica.
A planta humanizada pode enganar
Um dos cuidados recomendados é
verificar se os móveis apresentados na chamada planta humanizada estão
desenhados em escala real. Em alguns materiais, camas, mesas, sofás e armários
podem aparecer menores do que suas dimensões verdadeiras, criando a impressão de
que os ambientes são mais amplos.
“Uma cama de casal costuma ter cerca de
1,60 metro de largura por dois metros de comprimento. Se ela for representada
na planta com apenas 1,20 metro de largura, o quarto parecerá ter uma
circulação muito maior do que terá na prática. É importante conferir as medidas
dos ambientes e dos móveis, e não apenas olhar a imagem”, alerta Alberton.
Além das dimensões, o comprador deve analisar a distribuição dos cômodos, a existência de áreas perdidas, a abertura de portas e janelas e a possibilidade de acomodar os móveis necessários à rotina da família. O memorial descritivo também deve ser consultado, pois informa quais materiais, acabamentos, pisos, esquadrias e equipamentos serão efetivamente entregues.
Sol e ventilação interferem no conforto
A posição solar é outro aspecto que
pode mudar significativamente a experiência dentro do imóvel. Unidades voltadas
para o leste recebem predominantemente o sol da manhã. As voltadas para o oeste
tendem a ter maior incidência solar à tarde, enquanto as fachadas sul recebem
menos insolação ao longo do ano.
Isso não significa, entretanto, que
apenas uma orientação seja adequada. O desempenho do imóvel também depende do
tamanho das janelas, da espessura das paredes externas, das soluções de ventilação
e dos materiais empregados na fachada. Em empreendimentos com mais de uma
torre, é necessário observar ainda a distância entre os blocos. Construções
muito próximas podem prejudicar a entrada de luz, a circulação do ar e a
privacidade.
“A ventilação precisa ser levada em
consideração porque muitos apartamentos permanecem fechados durante grande
parte do dia. Quando não há circulação de ar adequada, aumenta a possibilidade
de umidade e mofo. Por isso, o comprador deve avaliar a posição da unidade, as
aberturas, a distância em relação às edificações vizinhas e as soluções
previstas no projeto”, orienta o diretor técnico.
Barulho também deve entrar na análise
O conforto acústico costuma ser
percebido somente depois da mudança, quando surgem ruídos vindos do apartamento
de cima, das unidades vizinhas, das tubulações ou das áreas comuns. Por isso, é
importante perguntar previamente quais soluções construtivas foram adotadas
para reduzir a transmissão de sons.
Paredes duplas entre unidades, lajes
maciças, mantas acústicas sob os pisos, esquadrias adequadas e revestimentos
que reduzem ruídos de impacto são alguns dos recursos que podem melhorar o
desempenho acústico. “Esses resultados dependem de estudo, compatibilização de
projetos, escolha dos materiais e cuidado na execução. Muitas vezes, são
características que não aparecem na decoração do apartamento, mas fazem uma
grande diferença no dia a dia”, ressalta Alberton.
O trajeto até o apartamento importa
Antes da compra, também vale percorrer
— ou imaginar, no caso de um empreendimento ainda na planta — todo o trajeto
entre a rua e a unidade. A análise deve incluir o acesso de veículos, a
inclinação das rampas, o espaço para manobras, as dimensões das vagas, a circulação
nas garagens e a capacidade dos elevadores. Um elevador pequeno pode dificultar
o transporte de móveis e equipamentos. Já uma garagem mal dimensionada pode transformar
a entrada e a saída do prédio em um problema diário.
A segurança precisa ser avaliada desde
o entorno. Ruas com circulação, acesso facilitado e proximidade de comércio e
serviços podem contribuir para a movimentação da região. Dentro do empreendimento,
o comprador deve verificar a existência de câmeras, controle de acesso de
pedestres e veículos, guarita, iluminação e sistemas que evitem a entrada de
pessoas não autorizadas.
Alberton, cita como exemplo, o
empreendimento Cota 365, localizado no Estreito, em que entre as soluções
previstas,estão a eclusa de segurança, formada por duas portas sucessivas, o
monitoramento dos acessos e o controle de entrada de veículos. O empreendimento
também conta com armários inteligentes e sala de encomendas, permitindo que
entregas sejam recebidas sem a necessidade de acesso às áreas internas do condomínio.
As obras do Cota 365 tiveram início em
junho e seguem dentro do cronograma previsto pela construtora, com prazo total
de execução estimado para janeiro de 2030.
Nem toda área de lazer representa vantagem
A quantidade de espaços compartilhados
não deve ser o único critério para avaliar um empreendimento. Mais importante é
saber se essas estruturas serão realmente utilizadas, se atendem ao perfil dos
moradores e quanto custará mantê-las. “É preciso analisar se os ambientes fazem
sentido para o perfil dos moradores e se foram projetados de forma segura e
funcional. Incluir serviços ou espaços que dificilmente serão utilizados pode
apenas aumentar as despesas condominiais”, observa Alberton.
No Cota 365, por exemplo, o
planejamento separa as áreas destinadas a crianças dos espaços voltados aos
jovens e adultos. No térreo estão ambientes como brinquedoteca e estrutura pet,
enquanto os espaços de convivência, salões gourmet e piscina foram distribuídos
na cobertura do empreendimento. Segundo Alberton, essa organização busca
conciliar segurança, funcionalidade e uso efetivo das estruturas.
Outro ponto frequentemente esquecido é
a manutenção do edifício. Equipamentos como condensadoras de ar-condicionado,
instalações hidráulicas e elementos de fachada precisam estar posicionados de
maneira que permita acesso seguro e economicamente viável. Uma solução que
exija trabalho em altura ou técnicas especiais sempre que houver necessidade de
reparo pode gerar custos elevados ao proprietário ou ao condomínio.
Histórico da empresa e assistência técnica
Conhecer a trajetória da incorporadora
ou construtora é tão importante quanto avaliar o empreendimento. O comprador
pode pesquisar obras já concluídas, visitar projetos entregues, conversar com
moradores e verificar como a empresa presta assistência técnica após a entrega
das chaves. “O imóvel é uma aquisição de longo prazo e, muitas vezes,
representa o investimento de uma vida. O histórico da empresa, sua experiência
técnica e a qualidade do atendimento no pós-venda ajudam a reduzir os riscos e
dão ao comprador referências concretas sobre o que esperar”, afirma Alberton.
A conservação também influencia a
durabilidade e a valorização do patrimônio. Assim como um automóvel exige
revisões, apartamentos e condomínios precisam de manutenção preventiva. A falta
desses cuidados pode provocar desgaste precoce e até comprometer garantias.
Documentação deve ser conferida antes da assinatura
A avaliação técnica precisa ser
acompanhada da análise jurídica. De acordo com a advogada Camilla Beiro, da
assessoria jurídica da Cota Empreendimentos, a matrícula atualizada é um dos
primeiros documentos que o comprador deve solicitar. É nela que constam o proprietário
do imóvel e a existência de eventuais ônus ou restrições.
No caso de imóveis prontos, também é
necessário verificar se a construção está regularizada e averbada, além de
conferir a situação do IPTU e das taxas condominiais. Para imóveis na planta, o
principal documento é o Registro de Incorporação, feito no Cartório de Registro
de Imóveis. O número do registro e a identificação do cartório devem constar
nos materiais de comercialização.
“O comprador deve confirmar se o
registro corresponde ao empreendimento que está adquirindo e conferir quem é a
incorporadora, qual é o terreno, as características da unidade, suas áreas e as
vagas de garagem. Também é possível solicitar ao cartório uma certidão ou o
acesso aos documentos que compõem esse registro”, explica Camilla.
Contrato, reajustes e prazo de entrega
Antes de assinar o contrato, o comprador
deve verificar se tudo o que foi apresentado durante a negociação está
formalmente registrado no documento, incluindo a identificação da unidade, as
vagas de garagem, as áreas, os valores, a forma de pagamento e as condições
comerciais. Também merecem atenção os índices de reajuste, o prazo de entrega,
as penalidades por atraso ou inadimplência, as regras de distrato e as
hipóteses de alteração do projeto.
Nos imóveis adquiridos na planta, é
essencial compreender como as parcelas serão corrigidas durante a obra. O
contrato também pode prever prazo adicional de até 180 dias para a entrega,
desde que essa condição esteja redigida de maneira clara e destacada. “O comprador
precisa entender não apenas o preço e a forma de pagamento, mas todos os
direitos e obrigações que assumirá durante a relação contratual”, destaca a
assessora jurídica.
Os dez pontos que devem ser avaliados antes da compra
Ao reunir os principais cuidados
citados durante a entrevista, o engenheiro Alberton elenca dez aspectos que o
comprador não deve deixar de analisar:
- Localização e entorno: observar facilidade de acesso, infraestrutura do bairro, comércio,
serviços, escolas, mobilidade e perspectivas de desenvolvimento da região.
- Segurança: verificar as condições
do entorno e os recursos previstos no empreendimento, como iluminação,
câmeras, guarita, eclusas e controle de acesso de pessoas e veículos.
- Funcionalidade da planta: analisar se
os espaços atendem à rotina dos moradores e se há áreas pouco
aproveitadas, como corredores excessivamente longos.
- Dimensões reais dos ambientes:
conferir as medidas dos cômodos e verificar se os móveis apresentados na
planta humanizada estão representados em escala correta.
- Posição solar e ventilação: observar a
orientação da unidade, o tamanho das janelas, a circulação de ar, a
distância entre as torres e a possibilidade de umidade ou mofo.
- Conforto acústico: perguntar
sobre paredes entre unidades, tratamento dos pisos, esquadrias, tubulações
e materiais utilizados para reduzir ruídos.
- Garagens, elevadores e circulação: avaliar rampas, vagas, espaço para manobras, acessibilidade e
dimensões dos elevadores, inclusive para o transporte de móveis.
- Materiais e memorial descritivo:
conferir exatamente o que será entregue, incluindo pisos, revestimentos,
esquadrias, acabamentos e equipamentos.
- Áreas comuns e custos futuros: verificar
se os espaços de lazer são seguros, funcionais e adequados ao perfil dos
moradores, além de estimar o impacto dessas estruturas no condomínio.
- Histórico da empresa e manutenção: pesquisar obras concluídas, experiência da construtora,
assistência técnica e facilidade de acesso aos equipamentos que precisarão
de manutenção ao longo do tempo.
Para o diretor técnico da Cota
Empreendimentos, esses critérios ajudam o comprador a ir além da primeira
impressão. “O visual é importante, mas o imóvel precisa funcionar na rotina.
Localização, segurança, qualidade construtiva, manutenção e histórico da empresa
são fatores que permanecem depois que a decoração do apartamento-modelo deixa
de ser novidade”, finaliza.
Cota Empreendimentos


Nenhum comentário:
Postar um comentário