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| ("Estresse eleitoral", é uma reação natural do organismo diante da incerteza e da sensação de perda de controle sobre decisões coletivas. Imagem: Envato) |
Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, marcado
para o dia 25 de outubro, o clima de polarização e a sobrecarga de informações
intensificam o estresse e o desgaste emocional da população. O impacto
psicológico do pleito não ocorre por acaso: o Brasil lidera os índices mundiais
de transtornos de ansiedade, segundo dados da Organização Mundial da Saúde
(OMS).
Além disso, pesquisas do instituto Datafolha indicam que 69%
dos brasileiros relatam sentir insegurança ou ansiedade ao pensar no cenário
político e no futuro do país, enquanto levantamentos da Real Time Big Data
mostram que 55% do eleitorado afirma sentir desânimo ou tensão com as disputas
eleitorais.
De acordo com Luciane Rabello, psicóloga e fundadora da TalentSphere People Solutions, esse fenômeno, conhecido no meio da
psicologia como "estresse eleitoral", é uma reação natural do
organismo diante da incerteza e da sensação de perda de controle sobre decisões
coletivas."Quando somos bombardeados por discussões acaloradas, notícias
em tempo real e incertezas sobre o futuro, nosso sistema nervoso entra em estado
de alerta contínuo. Votar com a mente agitada aumenta a chance de tomarmos
decisões baseadas no medo ou na raiva, em vez do discernimento. É fundamental
resgatar a presença e o equilíbrio antes de caminhar até a cabine de
votação", explica a especialista.
Para ajudar os leitores e eleitores a enfrentarem o pleito
com mais serenidade, a psicóloga Luciane Rabello estruturou 5 passos práticos
para manter a calma antes de votar:
- Faça um "detox" de telas e redes sociais na
véspera: O excesso de estímulos e
discussões em grupos de mensagens ativam o cortisol, hormônio do estresse.
Reduzir a exposição às redes nas horas que antecedem o voto acalma a mente
e reduz a reatividade emocional.
- Pratique a respiração diafragmática ao entrar na fila: Caso sinta o coração acelerado ou apreensão ao se aproximar
da seção eleitoral, faça pausas conscientes: inspire em 4 segundos, segure
por 4 e expire em 6 segundos. A técnica sinaliza ao cérebro que você está
em segurança.
- Leve a sua "colinha" em papel pronta: A dúvida ou o esquecimento dos números na hora de digitar
pode gerar pânico momentâneo. Levar os números anotados em papel garante
agilidade e diminui a pressão psicológica na cabine de votação.
- Foque na sua autonomia e no que está ao seu alcance: O resultado geral da eleição depende do coletivo, mas o seu
gesto na urna é de sua responsabilidade individual. Reconhecer os limites
do seu controle alivia o peso da ansiedade sobre o resultado final.
- Evite debates de última hora na seção eleitoral: Mantenha o foco em si mesmo e no seu propósito ao sair de
casa. Discussões interpessoais em filas tendem a desencadear desgaste
desnecessário em um momento em que a prioridade deve ser a clareza mental.
Ao adotar essas estratégias simples de autocuidado e presença
consciente, o eleitor transforma o ato de votar em uma experiência de cidadania
serena, ponderada e verdadeiramente democrática. Afinal, cultivar a saúde
mental e proteger a própria clareza cognitiva não é apenas um gesto individual
de preservação, mas também o primeiro passo para tomar decisões alinhadas aos
seus valores e contribuir de forma equilibrada com o futuro da sociedade.

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