Escola é um dos ambientes mais
privilegiados para a educação alimentar dos pequenos, explica nutricionista do
Colégio Santa Catarina de Petrópolis
Com a proximidade do Dia das Crianças, o cuidado com
a saúde e o bem-estar dos pequenos ganha destaque, e a alimentação saudável se
consolida como um dos melhores presentes para o seu desenvolvimento. Segundo
pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP), adolescentes de
escolas que regulamentam a oferta de alimentos ultraprocessados tendem a
consumir menos esses produtos, inclusive fora do ambiente escolar. Publicado na
revista Reports in Public Health, o estudo aponta que a regulamentação
pode atuar como um fator de proteção à saúde das crianças e dos adolescentes.
Em contrapartida, a maior disponibilidade de alimentos ultraprocessados e
industrializados nas cantinas escolares está diretamente associada ao aumento
do consumo desses produtos.
De acordo com a nutricionista do Colégio Santa Catarina de
Petrópolis, Maria Izabel de Souza Taboada, os pais devem estar atentos não só
ao ensino, mas também à alimentação, na hora de escolher uma escola para seus
filhos. “É fundamental procurar saber se a escola possui um nutricionista
responsável pela alimentação, entendendo se o cardápio garante a oferta diária
de hortaliças e frutas e se restringe a oferta de alimentos ultraprocessados.
Já em colégios que possuem cantinas, é importante procurar saber se elas seguem
a legislação para cantinas escolares, prevista no decreto nº 11.821, de 12 de
dezembro de 2023”, afirma a especialista.
O colégio, ambiente em que crianças e adolescentes passam
constantemente a maior parte dos seus dias, está atrelado à educação da criança
em diversos níveis, indo muito além do conteúdo das aulas de português,
matemática etc. É na escola que também se aprende a comer, indicam os
resultados do estudo da USP. Além dessa questão estrutural, no entanto, como os
pais podem garantir o devido cuidado nutricional na escola para os pequenos?
Em termos nutricionais, devem ser priorizados alimentos frescos,
refeições equilibradas em nutrientes essenciais, além da redução gradual da
oferta de açúcar e gordura. Atentando-se, claro, para oferecer os nutrientes
essenciais para o crescimento e desenvolvimento das crianças, com quantidades
adequadas de ferro, cálcio, vitaminas A e C, além dos macronutrientes
(carboidratos, proteínas e lipídios).
Segundo a nutricionista, a alimentação mais adequada busca o
equilíbrio nutricional e a harmonia entre quantidade, qualidade, variedade,
moderação e prazer. “Por meio dos marcadores de consumo alimentar obtidos, foi
possível identificar o alto consumo de alimentos ultraprocessados em muitas
famílias. Isso reforça a necessidade de oferecer alimentos mais naturais e
frescos nas escolas”, completa Maria Izabel. Não é incomum perceber, portanto,
que diversas crianças comem melhor no colégio do que em casa. As escolas têm um
papel fundamental na educação alimentar das crianças brasileiras, ainda mais no
caso de quem estuda em horário integral.
“No Colégio Santa Catarina, estima-se a oferta de até 70% das
necessidades nutricionais da criança. A educação infantil recebe café da manhã,
colação, almoço, lanche/colação e jantar. Já o ensino fundamental recebe café
da manhã, colação, almoço e lanche. A alimentação é bem variada, com oferta de
2 porções de fruta, legumes e verduras todos os dias, leite e iogurte, além de
bolos e pães caseiros. Isso sem contar o arroz e feijão, que formam uma
combinação bem rica em nutrientes”, conclui a nutricionista.
Nenhum comentário:
Postar um comentário