Sinais da mente hiper conectada: Eleições, redes sociais, vídeos, mensagens e notificações criam uma rotina de estímulos quase ininterruptos - o cérebro também precisa de sinais de que o dia terminou.
A
mente nas últimas semana consumiu informações sobre política, violência,
economia, saúde, trabalho e a vida de outras pessoas. Em períodos de grande
movimentação no noticiário, como as eleições, esse comportamento pode ficar
ainda mais intenso. Para a neurocientista Daiana Petry, e aromaterapeuta, o
problema não está simplesmente em se informar, mas na dificuldade de
estabelecer intervalos entre tantos estímulos.
“Nosso
cérebro precisa selecionar o tempo todo aquilo que merece atenção. Quando passamos
horas alternando entre notícias, vídeos, mensagens, trabalho e notificações,
fazemos sucessivas mudanças de foco. Mesmo quando cada conteúdo dura poucos
segundos, existe uma demanda constante de processamento”, explica.
Sinais da mente hiper conectada
O
fenômeno fica particularmente evidente no fim do dia. A pessoa fecha o
computador, mas continua com o celular nas mãos. Vai para o sofá e acompanha as
notícias. Janta vendo vídeos. Deita e faz uma última checagem nas redes sociais
— que muitas vezes se transforma em mais meia hora ou uma hora de conteúdo.
“O
cérebro não recebe uma mensagem clara de que aquela etapa terminou. Você mudou
de cômodo, mas continuou exposto ao mesmo tipo de estímulo: tela, informação
nova, alerta, novidade, discussão e expectativa sobre o que virá depois”,
afirma Daiana.
Isso
não significa que acompanhar notícias cause, por si só, um transtorno de
ansiedade. Mas um cotidiano marcado por hiperconectividade, preocupação e
ausência de períodos reais de descanso pode contribuir para a sensação de estar
permanentemente “ligado”.
Irritabilidade,
dificuldade para se concentrar, sensação de cabeça cheia e dificuldade de
desacelerar antes de dormir podem aparecer nesse contexto e merecem atenção,
especialmente quando se tornam frequentes ou começam a prejudicar a rotina.
O olfato pode virar um sinal de que chegou a hora de desacelerar
Daiana
explica que os sentidos também podem participar da construção de rotinas. Assim
como determinadas músicas, ambientes e iluminações podem ser associados a
momentos específicos, um aroma pode se tornar uma pista ambiental relacionada
ao início de um período de descanso.
Isso
acontece por aprendizagem e associação. Quando um mesmo estímulo sensorial é
repetidamente inserido em determinado contexto, ele pode passar a fazer parte
daquela rotina.
“Não
é porque determinado aroma possui um botão capaz de desligar o cérebro. A ideia
é outra: criar um conjunto de sinais que indiquem que o período de estímulos
intensos terminou. O cheiro pode fazer parte desse ritual junto com a redução
das telas, uma iluminação mais baixa e uma respiração mais tranquila”, explica.
Um ritual sensorial de 5 minutos para sair do modo ‘notícia’
Ao
final do dia, Daiana sugere uma experiência simples. A proposta não é usar o
aroma como tratamento para ansiedade, mas construir uma transição entre o
período de informação e o período de descanso.
1. Guarde o celular:
escolha cinco minutos em que você não vai consumir notícias, responder
mensagens ou assistir a vídeos.
2. Mude o ambiente:
diminua a intensidade da iluminação e, se possível, vá para um espaço diferente
daquele utilizado para trabalhar.
3. Escolha um aroma:
a lavanda pode ser uma opção para quem associa esse cheiro a conforto e
tranquilidade. O mais importante, porém, é que o aroma seja agradável para
aquela pessoa.
4. Respire normalmente:
não é necessário fazer inspirações muito profundas. A ideia é perceber o aroma
e a própria respiração sem transformar o momento em mais uma tarefa de
desempenho.
5. Repita o ritual:
quando realizado de maneira consistente, o conjunto de sinais — guardar o
celular, mudar a iluminação, diminuir os estímulos e sentir determinado aroma —
pode ajudar a marcar a passagem entre dois momentos do dia.
“Às
vezes queremos encontrar uma técnica extraordinária para descansar, quando o
primeiro passo é muito mais básico: parar de entregar novidade ao cérebro o
tempo inteiro”, afirma Daiana.
Daiana Petry - Aromaterapeuta, perfumista botânica, naturóloga e especialista em neurociência. Professora dos cursos de formação em aromaterapia, perfumaria botânica e psicoaromaterapia. Autora dos livros: Psicoaromaterapia, Cosméticos sólidos e Maquiagem ecoessencial. Fundadora da Harmonie Aromaterapia.
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@daianagpetry
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