Pesquisar no Blog

sábado, 10 de outubro de 2026

Cérebro cansa de tanta notícia? Neurocientista explica.

Sinais da mente hiper conectada: Eleições, redes sociais, vídeos, mensagens e notificações criam uma rotina de estímulos quase ininterruptos - o cérebro também precisa de sinais de que o dia terminou. 

A mente nas últimas semana consumiu informações sobre política, violência, economia, saúde, trabalho e a vida de outras pessoas. Em períodos de grande movimentação no noticiário, como as eleições, esse comportamento pode ficar ainda mais intenso. Para a neurocientista Daiana Petry, e aromaterapeuta, o problema não está simplesmente em se informar, mas na dificuldade de estabelecer intervalos entre tantos estímulos.

“Nosso cérebro precisa selecionar o tempo todo aquilo que merece atenção. Quando passamos horas alternando entre notícias, vídeos, mensagens, trabalho e notificações, fazemos sucessivas mudanças de foco. Mesmo quando cada conteúdo dura poucos segundos, existe uma demanda constante de processamento”, explica.
 

Sinais da mente hiper conectada

O fenômeno fica particularmente evidente no fim do dia. A pessoa fecha o computador, mas continua com o celular nas mãos. Vai para o sofá e acompanha as notícias. Janta vendo vídeos. Deita e faz uma última checagem nas redes sociais — que muitas vezes se transforma em mais meia hora ou uma hora de conteúdo.

“O cérebro não recebe uma mensagem clara de que aquela etapa terminou. Você mudou de cômodo, mas continuou exposto ao mesmo tipo de estímulo: tela, informação nova, alerta, novidade, discussão e expectativa sobre o que virá depois”, afirma Daiana.

Isso não significa que acompanhar notícias cause, por si só, um transtorno de ansiedade. Mas um cotidiano marcado por hiperconectividade, preocupação e ausência de períodos reais de descanso pode contribuir para a sensação de estar permanentemente “ligado”.

Irritabilidade, dificuldade para se concentrar, sensação de cabeça cheia e dificuldade de desacelerar antes de dormir podem aparecer nesse contexto e merecem atenção, especialmente quando se tornam frequentes ou começam a prejudicar a rotina.


O olfato pode virar um sinal de que chegou a hora de desacelerar

Daiana explica que os sentidos também podem participar da construção de rotinas. Assim como determinadas músicas, ambientes e iluminações podem ser associados a momentos específicos, um aroma pode se tornar uma pista ambiental relacionada ao início de um período de descanso.

Isso acontece por aprendizagem e associação. Quando um mesmo estímulo sensorial é repetidamente inserido em determinado contexto, ele pode passar a fazer parte daquela rotina.

“Não é porque determinado aroma possui um botão capaz de desligar o cérebro. A ideia é outra: criar um conjunto de sinais que indiquem que o período de estímulos intensos terminou. O cheiro pode fazer parte desse ritual junto com a redução das telas, uma iluminação mais baixa e uma respiração mais tranquila”, explica.


Um ritual sensorial de 5 minutos para sair do modo ‘notícia’

Ao final do dia, Daiana sugere uma experiência simples. A proposta não é usar o aroma como tratamento para ansiedade, mas construir uma transição entre o período de informação e o período de descanso.

1. Guarde o celular: escolha cinco minutos em que você não vai consumir notícias, responder mensagens ou assistir a vídeos.

2. Mude o ambiente: diminua a intensidade da iluminação e, se possível, vá para um espaço diferente daquele utilizado para trabalhar.

3. Escolha um aroma: a lavanda pode ser uma opção para quem associa esse cheiro a conforto e tranquilidade. O mais importante, porém, é que o aroma seja agradável para aquela pessoa.

4. Respire normalmente: não é necessário fazer inspirações muito profundas. A ideia é perceber o aroma e a própria respiração sem transformar o momento em mais uma tarefa de desempenho.

5. Repita o ritual: quando realizado de maneira consistente, o conjunto de sinais — guardar o celular, mudar a iluminação, diminuir os estímulos e sentir determinado aroma — pode ajudar a marcar a passagem entre dois momentos do dia.

“Às vezes queremos encontrar uma técnica extraordinária para descansar, quando o primeiro passo é muito mais básico: parar de entregar novidade ao cérebro o tempo inteiro”, afirma Daiana. 



Daiana Petry - Aromaterapeuta, perfumista botânica, naturóloga e especialista em neurociência. Professora dos cursos de formação em aromaterapia, perfumaria botânica e psicoaromaterapia. Autora dos livros: Psicoaromaterapia, Cosméticos sólidos e Maquiagem ecoessencial. Fundadora da Harmonie Aromaterapia.
Link
@daianagpetry

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados