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| O que conferir nos rótulos e os riscos de escolher produtos sem orientação |
O Outubro Rosa amplia a busca por informações sobre
o câncer de mama, da prevenção à qualidade de vida durante o tratamento. Uma
das dúvidas mais comuns envolve o autocuidado. Alguns tratamentos causam
mudanças na pele, nas unhas e nos cabelos, e muitos pacientes recorrem a
cosméticos para lidar com elas. Porém, não existe um produto ideal para todos:
a escolha depende da terapia, da condição da pele e do histórico de cada
pessoa.
Emile Amador Sigales Emerick, enfermeira, mestre em
Saúde do Adulto e professora do curso de Enfermagem da UNIASSELVI, alerta para
a falsa sensação de segurança de alguns rótulos. “As mudanças na pele, nas
unhas e nos cabelos são comuns e variam conforme o tipo de câncer, o tratamento
e a resposta de cada paciente. Termos como ‘natural’, ‘orgânico’,
‘hipoalergênico’ ou ‘dermatologicamente testado’ não garantem, sozinhos, que o
produto seja seguro para todos”, afirma.
Por isso, ela orienta que qualquer produto ou
procedimento novo seja validado pela equipe de saúde que acompanha o caso.
Pele, unhas e cabelos pedem
cuidados diferentes
Na pele, os efeitos mais comuns são descamação,
vermelhidão, coceira, manchas, espinhas e mais sensibilidade. Eles aparecem
sobretudo na quimioterapia, na radioterapia e em algumas terapias-alvo. “Para
aliviar esses efeitos, vale usar todos os dias hidratantes para pele sensível,
sabonetes suaves e protetor solar. Banhos mornos, roupas leves e tecidos macios
também trazem conforto”, explica a professora.
Ela recomenda evitar esfoliantes, ácidos e produtos
com perfume, em especial quando a pele estiver machucada. Para disfarçar
manchas, a maquiagem é uma aliada, desde que não haja feridas e a equipe de
saúde libere o uso.
As unhas podem ficar frágeis e mudar de cor e
textura. A orientação é mantê-las curtas, evitar batidas e produtos químicos e
não tirar a cutícula com força. Alongamentos e unhas postiças ficam para
depois, nas fases de maior fragilidade. Já o esmalte pode entrar na rotina se
não houver feridas nem sinais de infecção.
No couro cabeludo, podem surgir ressecamento,
descamação, coceira e sensibilidade. A queda de cabelo é comum em alguns tipos
de quimioterapia. “Os cuidados incluem lavar o couro cabeludo com delicadeza,
evitar fontes de calor e proteger a cabeça do sol e de temperaturas extremas.
Se os fios caírem, perucas, próteses capilares, lenços, turbantes e chapéus
protegem e disfarçam a falta deles”, orienta.
Sobrancelhas e cílios também podem rarear ou cair.
Nesses casos, a maquiagem ajuda a redesenhar o rosto. Micropigmentação, extensão
de cílios e algumas técnicas capilares só devem acontecer com segurança clínica
e aval da equipe de saúde.
O que conferir nos rótulos
A regra é preservar a proteção natural da pele e
reduzir o risco de irritação. “Prefira fórmulas simples, suaves, com poucos
ingredientes e, se possível, sem perfume. Glicerina, ceramidas, ureia, pantenol
e ácido hialurônico hidratam e costumam ser bem tolerados”, recomenda Emile.
Alguns componentes exigem atenção, principalmente
na pele sensível:
- presença
de álcool;
- fragrâncias
e óleos essenciais concentrados;
- ácidos
esfoliantes e retinoides;
- produtos
muito adstringentes ou abrasivos;
- alguns
conservantes e corantes.
Cremes muito pesados, que abafam a pele, também
podem prejudicar áreas irritadas pela radioterapia, com feridas ou infecção.
Vale ainda conferir a validade, o estado da embalagem e a forma de guardar o
produto.
No protetor solar, o ideal é amplo espectro (UVA e
UVB) e FPS 30 ou mais. Chapéus, roupas e menos tempo ao sol completam a
proteção. Versões com cor ajudam quem tem manchas, porque também bloqueiam a
luz visível. Nas áreas que recebem radioterapia, a indicação cabe à equipe
multidisciplinar de saúde.
Teste antes e fique atento aos
sinais
O teste de contato ajuda a prever reações. Basta
aplicar um pouco do produto em uma pequena área de pele sem feridas e observar
por 24 a 48 horas. “Em pele que recebeu radioterapia, machucada, inflamada ou
com infecção, o teste só deve ser feito com orientação de profissional da
saúde”, alerta a docente.
Vermelhidão que não passa, coceira, ardor forte,
inchaço, dor, bolhas ou descamação são sinais para parar o uso na hora. Inchaço
no rosto, falta de ar ou tontura pedem atendimento médico imediato. Em caso de
reação persistente ou inesperada, o paciente deve avisar a equipe de saúde
antes de voltar a usar o produto.
Manicure e salão exigem
planejamento
Idas à manicure, ao salão e a clínicas de estética
precisam se adaptar ao momento do tratamento. “A dica é levar os próprios
materiais e não compartilhá-los. Isso reduz o risco de infecção”, orienta
Emile.
Ela recomenda adiar os procedimentos quando houver
infecção, feridas, sangramento ou queda das células de defesa e das plaquetas,
identificada nos exames de sangue. Técnicas que causam cortes, atrito, calor
excessivo ou irritação química também ficam de fora, em especial nas áreas
tratadas com radioterapia. Química nos cabelos, depilação, laser, peelings e
microagulhamento dependem de avaliação prévia da equipe de saúde.
O que contar na consulta
Antes de testar um cosmético ou procedimento novo,
o paciente deve informar à equipe de saúde:
- diagnóstico,
tratamento e remédios em uso;
- alergias,
reações na pele e procedimentos estéticos recentes;
- mudanças
recentes na pele, nas unhas e nos cabelos, além de feridas, infecções ou
sangramentos;
- nome
do produto, ingredientes, finalidade, forma e frequência de uso.
Com esses dados, os profissionais da saúde avaliam
riscos e indicam o cuidado mais seguro para cada caso. “Essas mudanças podem
afetar muito a autoestima e o bem-estar emocional. Acolhimento, orientação e
autocuidado, com apoio de uma equipe multiprofissional, trazem mais conforto,
segurança e qualidade de vida ao tratamento”, ressalta.
UNIASSELVI

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