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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Rock in Rio: Saúde em shows e festivais com música alta, desgaste físico e desidratação

Bem-estar em shows e festivais: música alta, desgaste físico e desidratação podem tornar-se preocupações para a saúde 

 

Rock in Rio 2026 começa nesta sexta-feira no Rio de Janeiro, com possíveis variações de temperatura devido ao El Niño, intensa exposição a sons altos e longas jornadas a pé; hidratação adequada e proteção auricular são alguns cuidados essenciais para o público presente, alertam especialistas da Casa de Saúde São José. 

Nesta sexta-feira inicia-se o Rock in Rio 2026, um dos maiores festivais de música do mundo. O evento será sediado no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro, ao longo dos dois primeiros finais de semana de setembro. No entanto, a expectativa por música e entretenimento pode tornar-se uma dor de cabeça em alguns casos. Com possíveis variações de temperatura devido às mudanças climáticas provocadas pelo El Niño, intensa exposição a sons altos e desgaste físico, é preciso se atentar para alguns cuidados básicos de saúde para curtir o festival com mais bem-estar e segurança. 

Para a Dra. Paula Lages, clínica geral da Casa de Saúde São José, o cuidado com a hidratação deve ser uma das preocupações centrais para quem vai ao festival de música. “Em um evento com muitas horas de exposição ao sol, aglomeração e esforço físico, é fundamental manter uma hidratação regular. É importante estar atento a sinais como tontura, fraqueza, dor de cabeça, náuseas ou mal-estar, que podem indicar desidratação. Ainda mais caso haja previsão de altas temperaturas para o dia específico de festival”, orienta a médica. 

Esses sintomas podem acentuar-se ainda mais com o desgaste físico ao longo do dia de festival. A depender das atrações do evento, pode ser necessário fazer longas caminhadas entre um palco e outro, isso sem contar as longas filas de espera em estandes, lojas e restaurantes. Para evitar dores musculares, inchaço e cansaço nas pernas e pés, a melhor opção são calçados confortáveis, pausas para descanso e movimentação constante dos membros inferiores, evitando ficar na mesma posição por longos períodos. 

A alimentação também não pode ficar em segundo plano, sendo essencial evitar passar muitas horas em jejum nos dias de show. “Antes de sair para o evento, uma boa estratégia é fazer uma refeição completa, com uma fonte de carboidrato e proteína, verduras ou legumes e, se possível, uma fruta. Durante o evento é ideal fazer pequenos lanches, escolhendo alimentos que sejam seguros, bem armazenados e que forneçam energia, como frutas, sanduíches, iogurte ou castanhas”, indica a especialista da Casa de Saúde São José. “Também é importante não substituir refeições por bebidas alcoólicas. O álcool deve ser consumido com moderação e não substitui a hidratação. Associar álcool, calor, pouco sono e alimentação inadequada pode aumentar bastante o risco de mal-estar e complicações”, alerta. 

Em um ambiente aberto como o Parque Olímpico, ainda mais em um evento como o Rock in Rio que abre os portões no meio do dia, também é fundamental proteger a pele do sol. Protetor solar reaplicado ao longo do dia, fazer uso de chapéus, bonés, óculos de sol, além de roupas leves que cubram a pele, são algumas orientações da Dra. Paula Lages para os dias de festa na Cidade do Rock.
 

Como cuidar dos ouvidos?

Por outro lado, um dos maiores riscos à saúde pode passar despercebido pelos fãs e é provocado justamente pela atração principal do evento: a música. Uma pesquisa do Royal National Institute for Deaf People (RNID), feita com 2 mil jovens, revelou que mais da metade dos entrevistados (58%) relatou algum nível de perda auditiva após frequentar festivais, shows e casas noturnas. A instituição estima que esses problemas afetam um em cada três adultos no Reino Unido (cerca de 18 milhões de pessoas). 

De acordo com a Dra. Ana Carolina Teles, otorrinolaringologista da Casa de Saúde São José, o limite seguro de intensidade sonora é de 85 decibéis (dB). “Em shows, os volumes costumam ultrapassar 100 dB. Nessa intensidade, apenas 15 minutos de exposição já podem danificar as células ciliadas no ouvido interno”, alerta a médica. Essas células são receptores sensoriais responsáveis pela audição e pelo equilíbrio do corpo. 

Os riscos dessa exposição prolongada vão desde o zumbido (tinnitus) e a hiperacusia (tipo de hipersensibilidade em que sons baixos são percebidos com volume exagerado) até a surdez súbita e a Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR), caracterizada pela diminuição gradual e irreversível da audição. “Sensação de ouvido abafado, zumbido contínuo e irritabilidade a barulhos também são sintomas comuns que indicam prejuízo auditivo após um show”, completa a especialista. 

Diante disso, estratégias de prevenção ganharam adeptos entre o público. A médica aponta os protetores auriculares (earplugs) como aliados fundamentais: “Eles protegem a audição sem perder a qualidade do som. As melhores opções têm filtro de alta fidelidade, pois reduzem os decibéis de forma uniforme, sem abafar a música”. Além do acessório, a especialista recomenda alguns hábitos práticos: manter distância dos alto-falantes, monitorar a intensidade sonora por aplicativos de celular e fazer “pausas auditivas” – pequenos intervalos longe do barulho para descansar os ouvidos entre as apresentações.


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