Em meio ao Mês da Mulher, especialistas reforçam que a consulta frequente e o rastreio qualificado podem evitar a evolução de lesões precursoras. No Brasil, a enfermidade ainda causa a morte de aproximadamente 20 mulheres por dia
O
mês de março traz consigo um alerta renovado para a saúde feminina. A campanha
Março Lilás une-se às celebrações do Mês da Mulher para enfrentar uma realidade
preocupante: o câncer de colo do útero, embora seja considerado quase
totalmente evitável, ainda apresenta números alarmantes no país. Estimativas do
Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que o Brasil deve registrar cerca
de 19,3 mil novos casos anuais da doença no triênio 2026-2028, um aumento de
13% em relação ao levantamento anterior.
O cuidado preventivo primário e secundário está entre as prioridades na
estratégia de combate à doença. "O Papilomavírus Humano (HPV) costuma
provocar lesões precursoras de câncer, que são rastreáveis em consultas e
exames de rotina, evitando assim a necessidade de abordagens mais
agressivas", explica a Dra. Alessandra Leite, oncologista do Hospital
Santa Lúcia Gama. O foco da instituição neste ano é desmistificar o diagnóstico
e reforçar que a jornada de saúde da mulher deve ser acompanhada de perto,
independentemente da idade.
A principal diretriz para a erradicação do câncer cervical não é apenas tratar
a doença instalada, mas identificá-la antes mesmo de se tornar um carcinoma
invasivo. O papel do médico ginecologista é central nessa jornada. Mulheres
sexualmente ativas, especialmente na faixa entre 25 e 64 anos, devem manter a
periodicidade do exame de Papanicolau, cujo intervalo é definido pelo
especialista a depender dos resultados anteriores. A grande inovação no
rastreio atual, no entanto, é a combinação de métodos tradicionais com a
testagem molecular.
Entre eles:
- Exame de DNA
para HPV: é um teste molecular que detecta a presença do material genético
do vírus em células coletadas do colo do útero.
- Prevenção
antecipada: a adição deste teste ao Papanicolau permite constatar a
presença do vírus antes mesmo do aparecimento de qualquer lesão visível.
- Vigilância
estratégica: possibilidade de vigiar e tratar a mulher preventivamente,
impedindo que o câncer se desenvolva.
"Mesmo quando o diagnóstico é de câncer, quanto mais precocemente for feito, maiores são as possibilidades de cura com tratamentos menos invasivos", ressalta a Dra. Alessandra Leite.
Escudo da vacinação: avanços e realidades em 2026
Embora os exames de rotina sejam a primeira linha de defesa para mulheres
adultas, a vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) permanece como o
"escudo" para as próximas gerações. O HPV é responsável por 99% dos
casos de câncer de colo do útero. A meta da Organização Mundial da Saúde (OMS)
é que 90% da população alvo (pessoas com menos de 15 anos) sejam vacinados.
Mas o cenário brasileiro apresenta avanços significativos, como:
- Cobertura
vacinal: o Brasil atingiu 82% de cobertura entre meninas de 9 a 14 anos em
em 2024, ano de adoção da dose única.
- Eficácia
clínica: a vacinação é capaz de reduzir em até 58% os casos de câncer
cervical e em 67% as lesões pré-cancerígenas graves, segundo dados de
estudo com pesquisadores brasileiros publicado na revista The Lancet.
A oncologista do Hospital Santa Lúcia Gama, Alessandra Leite, reforça que a
vacina é altamente eficaz em mulheres até os 45 anos. “Vacinar após os 15 anos
ou quando já há vida sexual ativa pode reduzir a eficácia máxima, embora ainda
proteja contra tipos de HPV não contraídos anteriormente", acrescenta.
Quebrando o estigma
O aspecto cultural é um dos maiores desafios no combate ao câncer de colo do
útero, já que a infecção pelo HPV é cercada de mitos que dificultam a prevenção
e o diagnóstico precoce. O estigma mais comum é a associação da infecção à
promiscuidade.
"Isso não é verdadeiro, pois em uma única relação sexual desprotegida
pode-se contrair o vírus", explica a médica. O vírus pode ficar latente no
organismo por anos sem apresentar qualquer sintoma. Além disso, é fundamental
entender que o HPV afeta homens e mulheres, podendo causar tumores em outras
regiões como ânus, pênis, vulva, vagina e orofaringe.
Qualidade técnica no enfrentamento à doença
O diagnóstico de câncer desperta medos profundos na mulher: medo da dor, da
morte e das mudanças corporais. "Entender cada etapa do processo para a
cura é essencial. Um acolhimento que tenha qualidade técnica com humanização
faz toda a diferença no enfrentamento do desafio que é tratar um câncer",
observa a oncologista Dra. Alessandra Leite.
A proposta do Centro de Oncologia do Hospital Santa Lúcia baseia-se na união
entre alta tecnologia e humanização, com equipe interdisciplinar completa,
composta por oncologistas clínicos, ginecologistas, cirurgiões,
onco-psicólogos, nutricionistas e radioterapeutas, trabalhando de forma
integrada. Vale destacar também a tecnologia de ponta, desde o diagnóstico
molecular (DNA HPV) até cirurgias de alta complexidade e setores de internação
dedicados, exclusivamente, ao paciente oncológico
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