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domingo, 1 de fevereiro de 2026

Terapias hormonais e uso de medicamentos GLP-1 causam queda capilar?

Avanço da restauração capilar reflete mudanças no perfil dos pacientes, influência de terapias hormonais e maior atenção ao uso de medicamentos metabólicos, avaliam os médicos Thiago Bianco Leal e Hudson Dutra Rezende 

 

Uma pesquisa recente da Sociedade Internacional de Cirurgia de Restação Capilar (ISHRS) indica uma mudança relevante no perfil de pacientes que buscam tratamentos para queda de cabelo. O estudo aponta crescimento consistente na procura por soluções capilares entre mulheres e adultos jovens, tendência já percebida na prática clínica em diferentes países, inclusive no Brasil.

De acordo com a análise realizada com novos membros da ISHRS, em 2024 a maioria dos pacientes submetidos à primeira cirurgia de restauração capilar estava na faixa etária entre 20 e 35 anos, considerada inferior à média histórica desse tipo de procedimento. O levantamento também mostrou um aumento expressivo da participação feminina: o número de mulheres que recorreram ao transplante capilar como alternativa definitiva para a calvície cresceu 16,5% em relação a 2021.

“Temos observado uma mudança clara no perfil dos pacientes que procuram tratamentos para queda de cabelo. Hoje, adultos jovens e mulheres chegam cada vez mais cedo aos consultórios, muitas vezes já em estágios iniciais da alopecia, buscando soluções definitivas”, afirma o médico cirurgião Thiago Bianco Leal.

Paralelamente, médicos da área chamam atenção para o uso cada vez mais frequente de hormônios, como a testosterona, e de substâncias estimulantes sem acompanhamento médico adequado. Embora esses compostos possam melhorar a aparência física e o desempenho, eles podem interferir negativamente no ciclo capilar, favorecendo a miniaturização progressiva dos fios e o desenvolvimento da alopecia androgenética (AGA) em indivíduos geneticamente predispostos.

“O uso indiscriminado de testosterona pode acelerar a perda capilar em pessoas que já têm predisposição genética. Esse é um efeito colateral frequentemente negligenciado, principalmente entre pacientes mais jovens”, explica o médico Hudson Dutra Rezende, tricologista do Instituto Thiago Bianco.

Lucas Amadeu, paciente do Instituto Thiago Bianco relata, “Realizei meu transplante capilar no Instituto Thiago Bianco e como faço reposição hormonal, estou ciente de que um dos possíveis efeitos colaterais pode ser a queda de cabelo e, naturalmente, não pretendo permitir que os resultados conquistados sejam comprometidos. Em conversa com o doutor Hudson, fui orientado sobre a necessidade de investigar em maior profundidade os possíveis danos da reposição hormonal nos folículos através de um acompanhamento padronizado e de longo prazo. Esse acompanhamento técnico e personalizado reforça a importância de decisões baseadas em ciência, prevenção e cuidado contínuo”.

Outro ponto observado na prática clínica é o aumento do uso de medicamentos de GLP-1. Até o momento, não há comprovação científica de que essas medicações causem queda de cabelo de forma direta. 

“Não há evidência de que o GLP-1 cause queda capilar diretamente. O que percebemos é que, assim como em outras condições que também levam à perda importante de peso, o emagrecimento causado pelas canetas emagrecedoras interfere no ciclo capilar e causa queda temporária, mas que pode ser muito intensa”, destaca Rezende.

Os dados globais reforçam a expansão da restauração capilar como procedimento médico. Segundo o Censo de Práticas 2022 da ISHRS, mais de 703 mil cirurgias de restauração capilar foram realizadas no mundo em 2021, o que representa um crescimento de 250% em comparação com 2010, quando cerca de 279 mil procedimentos haviam sido registrados.

No Brasil, a demanda crescente por transplantes capilares também oferece aos médicos a oportunidade de acompanhar de perto as tendências relacionadas a tratamentos hormonais e metabólicos. A população diagnosticada com alopecia androgenética frequentemente se sobrepõe a terapias hormonais ou ao uso de medicamentos para controle de peso. 

“O acompanhamento médico contínuo e multidisciplinar é fundamental. Muitos pacientes realizam tratamentos paralelos, hormonais, metabólicos ou até neurológicos e precisam entender os riscos envolvidos para tomar decisões conscientes sobre sua saúde e bem-estar”, conclui Bianco Leal.

  

Thiago Bianco Leal - Médico cirurgião com mais de 17 anos de atuação, Thiago Bianco Leal é graduado em Medicina pela Universidade de Marília e atua exclusivamente na área de transplante capilar. Com experiência em técnicas modernas, já realizou mais de 10 mil procedimentos. Ao longo de sua carreira, foi responsável por diversos procedimentos realizados em figuras públicas como Tom Cavalcante, Roberto Carlos, Lucas Lucco e o empresário Kaká Diniz


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