Avanço da restauração capilar reflete mudanças no perfil
dos pacientes, influência de terapias hormonais e maior atenção ao uso de
medicamentos metabólicos, avaliam os médicos Thiago Bianco Leal e Hudson Dutra
Rezende
Uma pesquisa
recente da Sociedade Internacional de Cirurgia de Restação Capilar (ISHRS)
indica uma mudança relevante no perfil de pacientes que buscam tratamentos para
queda de cabelo. O estudo aponta crescimento consistente na procura por
soluções capilares entre mulheres e adultos jovens, tendência já percebida na
prática clínica em diferentes países, inclusive no Brasil.
De acordo com a
análise realizada com novos membros da ISHRS, em 2024 a maioria dos pacientes
submetidos à primeira cirurgia de restauração capilar estava na faixa etária
entre 20 e 35 anos, considerada inferior à média histórica desse tipo de
procedimento. O levantamento também mostrou um aumento expressivo da
participação feminina: o número de mulheres que recorreram ao transplante
capilar como alternativa definitiva para a calvície cresceu 16,5% em relação a
2021.
“Temos observado
uma mudança clara no perfil dos pacientes que procuram tratamentos para queda
de cabelo. Hoje, adultos jovens e mulheres chegam cada vez mais cedo aos
consultórios, muitas vezes já em estágios iniciais da alopecia, buscando
soluções definitivas”, afirma o médico cirurgião Thiago Bianco Leal.
Paralelamente,
médicos da área chamam atenção para o uso cada vez mais frequente de hormônios,
como a testosterona, e de substâncias estimulantes sem acompanhamento médico
adequado. Embora esses compostos possam melhorar a aparência física e o
desempenho, eles podem interferir negativamente no ciclo capilar, favorecendo a
miniaturização progressiva dos fios e o desenvolvimento da alopecia
androgenética (AGA) em indivíduos geneticamente predispostos.
“O uso
indiscriminado de testosterona pode acelerar a perda capilar em pessoas que já
têm predisposição genética. Esse é um efeito colateral frequentemente
negligenciado, principalmente entre pacientes mais jovens”, explica o médico
Hudson Dutra Rezende, tricologista do Instituto Thiago Bianco.
Lucas Amadeu,
paciente do Instituto Thiago Bianco relata, “Realizei meu transplante capilar
no Instituto Thiago Bianco e como faço reposição hormonal, estou ciente de que
um dos possíveis efeitos colaterais pode ser a queda de cabelo e, naturalmente,
não pretendo permitir que os resultados conquistados sejam comprometidos. Em
conversa com o doutor Hudson, fui orientado sobre a necessidade de investigar
em maior profundidade os possíveis danos da reposição hormonal nos folículos
através de um acompanhamento padronizado e de longo prazo. Esse acompanhamento
técnico e personalizado reforça a importância de decisões baseadas em ciência,
prevenção e cuidado contínuo”.
Outro ponto
observado na prática clínica é o aumento do uso de medicamentos de GLP-1. Até o
momento, não há comprovação científica de que essas medicações causem queda de
cabelo de forma direta.
“Não há evidência
de que o GLP-1 cause queda capilar diretamente. O que percebemos é que, assim
como em outras condições que também levam à perda importante de peso, o
emagrecimento causado pelas canetas emagrecedoras interfere no ciclo capilar e
causa queda temporária, mas que pode ser muito intensa”, destaca Rezende.
Os dados globais
reforçam a expansão da restauração capilar como procedimento médico. Segundo o
Censo de Práticas 2022 da ISHRS, mais de 703 mil cirurgias de restauração
capilar foram realizadas no mundo em 2021, o que representa um crescimento de
250% em comparação com 2010, quando cerca de 279 mil procedimentos haviam sido
registrados.
No Brasil, a
demanda crescente por transplantes capilares também oferece aos médicos a
oportunidade de acompanhar de perto as tendências relacionadas a tratamentos
hormonais e metabólicos. A população diagnosticada com alopecia androgenética
frequentemente se sobrepõe a terapias hormonais ou ao uso de medicamentos para
controle de peso.
“O acompanhamento médico contínuo e multidisciplinar é fundamental. Muitos pacientes realizam tratamentos paralelos, hormonais, metabólicos ou até neurológicos e precisam entender os riscos envolvidos para tomar decisões conscientes sobre sua saúde e bem-estar”, conclui Bianco Leal.
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