Supervisor do Núcleo de Apoio Psicopedagógico e Inclusão da Faseh dá orientações para garantir um recomeço tranquilo
No
início do semestre letivo, com a volta às aulas, muitos estudantes enfrentam um
aumento nos níveis de ansiedade. As mudanças na rotina, a pressão por
resultados e a incerteza sobre o futuro podem desencadear sentimentos de
angústia, medo e insegurança, que impactam o bem-estar dos alunos e influenciam
seu desempenho acadêmico e social.
Welder
Rodrigo Vicente, professor de psicologia e Supervisor do Núcleo de Apoio
Psicopedagógico e Inclusão da Faseh, aponta os principais desafios enfrentados.
“A adaptação ao ambiente escolar, que inclui a reintegração social com colegas
e professores, além da pressão para se adequar ao ritmo das aulas e avaliações.
Essa transição tem o potencial de gerar altos níveis de estresse e apreensão,
especialmente em jovens que já apresentam alguma predisposição”. Segundo o
psicólogo, outro obstáculo significativo é a expectativa em relação ao
desempenho acadêmico. “Muitos graduandos sentem uma pressão interna ou externa
para obter boas notas ou se destacar”.
Alguns
sinais que podem indicar que um estudante está sofrendo com a volta às aulas.
Welder explica que os sintomas variam de um indivíduo para o outro, mas os mais
comuns incluem: “Preocupação excessiva com o futuro, medo intenso de fracasso
ou rejeição, irritabilidade e dificuldades de concentração, aumento da
frequência cardíaca, sudorese excessiva, dores de cabeça tensionais, problemas
gastrointestinais e fadiga constante. Também comportamentos como faltar às aulas
ou evitar interações com colegas. E ainda insônia ou sonolência excessiva.
Identificar esses sinais precocemente é crucial para que intervenções adequadas
possam ser implementadas”.
O
docente destaca algumas medidas para prevenir e reduzir a sensação de
nervosismo com a volta às aulas. “Adotar algumas práticas como técnicas de mindfulness
e meditação, e fazer listas de tarefas diárias para ajudar a organizar as
demandas acadêmicas e diminuir a sensação de sobrecarga dos alunos”.
O
especialista enfatiza que as instituições de ensino têm um papel primordial na
criação de um ambiente acolhedor e seguro. “Na implementação de programas de
apoio psicológico e promover oficinas sobre gestão do estresse e técnicas de
enfrentamento. Também é importante que as escolas ofereçam canais abertos para
que os universitários possam expressar suas preocupações sem medo de
julgamento”.
Welder
salienta que a cobrança da sociedade e as grandes expectativas contribuem para
que a pessoa se sinta ansiosa. “A pressão social é um fator impactante na vida
dos estudantes. Expectativas exacerbadas — seja por parte dos pais, amigos ou
mesmo do próprio aluno. Essa pressão leva à comparação social negativa e os
indivíduos se sentem inadequados em relação aos seus pares. Isso é particularmente
verdadeiro nas redes sociais, onde as realizações dos outros são frequentemente
destacadas”.
Da
mesma forma, enfatiza o especialista, as expectativas acadêmicas muitas vezes
não refletem as capacidades individuais do estudante. “Como resultado, há uma
carga emocional pesada capaz de desencadear episódios ansiosos durante o
retorno às aulas”.
O
psicólogo reforça a necessidade urgente de promover uma cultura institucional
que priorize a saúde mental. “É fundamental integrar discussões sobre bem-estar
emocional no currículo escolar desde cedo. Além disso, criar um ambiente
inclusivo onde todos se sintam valorizados faz muita diferença na forma como os
alunos lidam com sua ansiedade. A colaboração entre educadores, profissionais
da saúde e famílias é essencial para garantir uma abordagem completa no apoio
aos estudantes durante períodos críticos como o retorno às aulas”.
Faseh
- integrante do Ecossistema Ânima
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