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Otorrinolaringologista explica como o hábito protege a saúde respiratória e dá dicas para fazer o procedimento com segurança
Se você já faz lavagem nasal em casa ou está pensando em incluir
esse hábito na rotina, saiba que está no caminho certo para cuidar melhor da
saúde respiratória. Simples, acessível e com eficácia comprovada, a prática
ajuda a aliviar sintomas, prevenir infecções e até melhorar a qualidade da
respiração no dia a dia — desde que seja feita da forma correta.
“A lavagem nasal, além de manter a via aérea superior hidratada,
ajuda a remover partículas virais, bacterianas, secreções e aeroalérgenos,
diminuindo o tempo de contato dessas substâncias com a mucosa nasal”, explica a
Dra. Raquel Rodrigues, otorrinolaringologista do HOPE – Hospital de Olhos de
Pernambuco.
A prática é especialmente indicada em casos de doenças alérgicas e
infecções respiratórias, como gripes, resfriados e sinusites. “Pacientes com
quadros alérgicos, como rinite, ou com infecções das vias aéreas superiores se
beneficiam muito com a lavagem nasal, pois ela contribui para o alívio dos
sintomas e melhora da respiração”, acrescenta a Dra. Raquel.
Sobre a frequência ideal, Dra. Raquel destaca que não existe um
número fixo de lavagens por dia. “Vai depender de cada paciente. Há quem
precise lavar uma vez ao dia, mas em períodos de crise pode ser necessário
aumentar a frequência. Casos crônicos, como a sinusite, por exemplo, podem
exigir lavagens diárias como parte do cuidado contínuo”, discorre a médica.
Realizar a lavagem da forma correta é essencial para garantir os
benefícios e evitar incômodos. “A posição do corpo influencia muito. O ideal é
estar com o tronco levemente inclinado para frente, inserir o dispositivo em
uma narina e inclinar levemente a cabeça para o lado oposto. Além disso, manter
a boca aberta durante o procedimento ajuda a evitar que o líquido vá para os
ouvidos”, orienta a otorrino.
Quanto à solução mais segura, o soro fisiológico é a principal
recomendação. “Por causa da concentração de sais e do pH, ele não agride a
mucosa nasal. Pode ser comprado em farmácias ou até preparado em casa, com água
filtrada e fervida e a adição correta de sal. Mas é importante garantir a
qualidade da água e armazenar corretamente o soro caseiro”, reforça a médica do
HOPE. Outro ponto importante é a temperatura: o soro deve estar em temperatura
ambiente ou levemente morno.
Existem diferentes dispositivos para realizar o procedimento, como
seringas, garrafinhas com pressão, chaleiras (ou “lota”) e sprays de jato
contínuo. A escolha do utensílio depende da idade, anatomia e tolerância de
cada paciente. “Nem todos os dispositivos são ideais para todas as idades. Por
exemplo, as garrafinhas infantis, mesmo sendo menores, ainda podem causar
desconforto em algumas crianças. O mesmo vale para adultos com maior
sensibilidade ou alterações anatômicas, como desvio de septo”, alerta
Rodrigues.
A especialista também ressalta que o uso inadequado pode trazer
problemas. “É comum vermos erros como usar soro gelado, aplicar pressão
excessiva ou insistir para que o soro saia obrigatoriamente pela outra narina.
Isso pode causar dor, desconforto e até levar secreções para o ouvido”, diz a
médica. Dra. Raquel ainda completa: “Cada nariz tem uma anatomia única. Às
vezes, o soro pode sair pela mesma narina, escorrer por trás ou, sim, sair do
outro lado — e todas essas formas são válidas”.
Durante o outono e o inverno, quando o ar tende a ficar mais seco,
a lavagem nasal se torna uma aliada ainda mais importante na prevenção de
infecções. “A mucosa nasal ressecada perde sua função de barreira. A lavagem
mantém essa proteção hidratada e ainda remove, de forma mecânica, os patógenos
que podem causar doenças, diz a Dra. Raquel”.
No caso das crianças, o cuidado deve ser redobrado. A lavagem é
recomendada, mas exige adaptação. “A cavidade nasal infantil é bem menor, então
o volume de soro deve ser proporcional. Em muitos casos, apenas 1 a 3 ml já são
suficientes. Também precisamos investigar se há outras causas de obstrução
nasal, como adenoides aumentadas ou alterações anatômicas, antes de insistir em
lavagens repetidas”, afirma a otorrino do HOPE.
A Dra. Raquel reforça que, embora a lavagem possa ser feita em
casa, o ideal é que cada paciente seja avaliado por um especialista. “Se os
sintomas persistirem, como nariz entupido ou excesso de secreção mesmo com a
lavagem, é hora de procurar um otorrinolaringologista para investigar a causa
real da queixa”, comenta a médica.
Por fim, alguns cuidados extras com os utensílios também merecem
atenção. “Existem sachês prontos que podem ser diluídos em casa como
alternativa ao soro industrializado. As garrafinhas e seringas precisam ser
higienizadas após o uso e bem secas, para evitar proliferação de fungos. E o
mais importante: cada pessoa deve ter o seu próprio dispositivo, sem
compartilhamento”, explica a especialista do HOPE.
Segundo a médica, até o tipo de dispositivo pode influenciar no
tratamento prescrito. “Algumas opções, como as garrafinhas e chaleiras,
permitem adicionar medicações ao soro, enquanto outras não. Em certos casos,
isso pode ser um fator decisivo para escolher qual usar”, relata Rodrigues.VCX
“Para quem deseja cuidar melhor da saúde respiratória,
especialmente em tempos de mudanças climáticas e maior exposição a vírus, a
lavagem nasal é uma prática simples, acessível e com benefícios comprovados. E
com a orientação adequada, ela pode ser integrada com segurança à rotina de
adultos e crianças”, finaliza a Dra. Raquel Rodrigues, otorrinolaringologista
do HOPE – Hospital de Olhos de Pernambuco.

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