Após o sistema
financeiro brasileiro ter sofrido o maior ataque hacker de sua história
recentemente, com estimativas apontando que os criminosos desviaram mais de R$
800 milhões de contas ligadas a instituições financeiras brasileiras,
especialistas alertam que fortalecer equipes de segurança digital com
profissionais que possuem determinados traços de personalidade, como modéstia,
altruísmo e serenidade, é essencial para prevenir novos ataques, de acordo com
um estudo realizado pela Hogan Assessments.
“O incidente
recente mostrou claramente que tecnologia, por si só, não é suficiente para
garantir a segurança digital. Empresas precisam entender que profissionais com
perfis comportamentais adequados são a primeira e mais importante linha de
defesa contra ataques dessa magnitude”, afirma Roberto Santos, sócio-diretor da
Ateliê RH, distribuidora dos assessments Hogan no país.
A partir do banco
de avaliações de personalidade da Hogan, que fornece testes ao menos para 57
países no mundo todo, foi possível identificar oito traços comportamentais
diretamente relacionados à eficácia dos profissionais de segurança digital.
Essas características permitem às organizações não apenas recrutar com mais
precisão, mas também desenvolver estrategicamente suas equipes para enfrentar
ameaças cibernéticas cada vez mais complexas. Os pesquisadores selecionaram
oito traços de personalidade que podem fazer a diferença na área de cibersegurança:
Humildade: Profissionais de sucesso em segurança tendem a evitar os
holofotes e o estrelismo individual. Eles não agem por ego ou fama, mas pelo
resultado coletivo. Afinal, no mundo da cibersegurança, os “famosos” costumam
ser os próprios criminosos, não os guardiões dos sistemas.
Altruísmo: Quem trabalha em segurança deve genuinamente querer ajudar
as pessoas e proteger a organização. Embora lidem o dia todo com sistemas e
códigos, no fundo estão defendendo usuários e clientes. Esse profissional
valoriza a cooperação e evita isolar-se – combater ameaças exige confiança
mútua e trabalho em equipe entre colegas, todos alinhados aos mesmos objetivos
de proteção. O altruísmo também implica em compartilhar conhecimentos e boas
práticas, fortalecendo a conscientização de todos contra ataques.
Serenidade:
Em meio a crises e ataques que
estressam qualquer um, o bom profissional de segurança da informação mantém a
calma sob pressão. Ter sangue-frio é vital para tomar decisões racionais
durante um incidente. Reações impulsivas ou descontroladas podem ser
desastrosas, desviando a atenção do que realmente importa na hora do ataque. A
serenidade garante que, mesmo diante de um ataque em andamento, a equipe
responda de forma coordenada e eficaz, sem pânico.
Mentalidade
Científica: Resolver problemas de segurança exige
uma abordagem analítica e orientada por dados. Os cibercriminosos estão cada
vez mais sofisticados em suas táticas, então o profissional de defesa precisa
ser altamente técnico, lógico e basear decisões em evidências concretas. Essa
mentalidade científica se traduz em testar hipóteses, analisar logs e
indicadores de invasão, e aplicar metodologia rigorosa para identificar
vulnerabilidades e conter violações. Valorizar fatos e tomadas de decisão baseadas
em dados ajuda a filtrar alarmes falsos e priorizar riscos reais.
Curiosidade
intelectual: A área de cibersegurança é extremamente
dinâmica – novas ameaças surgem a todo momento. Por isso, destaca-se quem é
curioso, criativo e disposto a aprender continuamente. Profissionais
inquisitivos exploram problemas imaginando diferentes ângulos, mostram
motivação para dominar tecnologias emergentes e estão abertos a novas ideias.
Essa curiosidade
impulsiona a pesquisa de técnicas inovadoras de defesa e a rápida aquisição de
conhecimentos sobre malwares ou explorações recém-descobertas, mantendo a
equipe um passo à frente dos criminosos.
Ceticismo: No mundo digital, desconfiar é preciso. Profissionais
céticos estão sempre alertas, pensando como um hacker e questionando se os
sistemas estão realmente seguros. Esse traço evita a complacência – cada
e-mail, arquivo ou anomalia é visto com saudável suspeita até prova em
contrário. Em um cenário de ameaças constantes, ingenuidade é perigosamente
arriscada. O ceticismo ajuda a detectar sinais sutis de intrusão que outros
poderiam ignorar.
Resposta
Ágil: Ataques acontecem em alta velocidade –
um simples clique em phishing pode comprometer dados em minutos. Por isso, profissionais
de segurança devem ser ágeis e abertos a feedback. Ter responsividade significa
reagir prontamente a alertas e aceitar críticas ou novas informações sem adotar
postura defensiva.
Diligência: Em um ambiente de alta pressão e risco, é indispensável ser
detalhista e persistente. Pequenas falhas ou descuidos podem abrir brechas
enormes – e o profissional diligente verifica configurações minuciosamente,
acompanha os projetos de segurança até o fim e não relaxa após a primeira
barreira implementada.
Lideranças
e especialistas técnicos
Tanto executivos
quanto técnicos na área de Segurança da Informação se beneficiam desses traços
de personalidade – embora possam se manifestar de formas diferentes conforme o
papel. “CISOs e gerentes de TI precisam ser humildes o suficiente para ouvir
especialistas e não subestimar riscos, e serenos para tomar decisões
estratégicas sob pressão sem precipitação. Traços como ceticismo e diligência
os ajudam a antecipar ameaças e implementar controles rigorosos, mantendo uma
visão constante de “e se acontecer?” para proteger o negócio”, complementa.
Ainda de acordo
com Santos, profissionais técnicos de segurança – analistas de SOC, engenheiros
de software seguro, especialistas em resposta a incidentes – aplicam
diariamente a curiosidade científica e o inconformismo positivo para dissecar
malwares, testar sistemas e descobrir vulnerabilidades antes dos invasores.
“Eles devem aprender e se adaptar a novas técnicas de ataque, o que demanda
perfil inquisitivo e mente aberta. A responsividade também é vital nesses
cargos: ao detectar um alerta estranho às 3 da manhã, é preciso reagir
imediatamente e em coordenação com o time, não hesitar”, pontua o executivo.
Em ambos os níveis
– estratégico e operacional – o traço do altruísmo faz a diferença. “Segurança
da informação não é trabalho de um só; depende de colaboração intensa e
confiança mútua. Líderes altruístas formam equipes unidas e engajadas na missão
de proteger a empresa, enquanto membros de equipe altruístas compartilham conhecimento,
oferecem ajuda e não têm receio de pedir suporte quando necessário”, acrescenta
Santos.
Para o
especialista, a personalidade também é uma ferramenta de defesa. “Profissionais
com o perfil certo formam uma linha de defesa resiliente, capaz de antecipar
ameaças e reagir com eficácia – protegendo a empresa mesmo quando os hackers
estão um passo à frente”, finaliza Santos.
Ateliê RH
https://atelie-rh.com.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário