O avanço da medicina reprodutiva tornou possível preservar a fertilidade com segurança. Mas você sabe a diferença entre congelar óvulos e embriões? E quando cada um é indicado? Entenda agora, com quem vive isso na prática.
O desejo de ter filhos não tem data certa para acontecer,
mas a fertilidade, infelizmente, ainda tem prazo. A boa notícia é que, graças à
medicina reprodutiva, já é possível preservar as chances de uma gestação
saudável no futuro com técnicas cada vez mais seguras e acessíveis: o
congelamento de óvulos e embriões.
Mas afinal, qual a diferença entre congelar óvulos e
embriões? Quando cada técnica é indicada? E como funciona esse processo que
parece complexo, mas é mais comum (e necessário) do que muita gente imagina?
Congelamento de óvulos: liberdade reprodutiva com
planejamento
O ginecologista, obstetra e especialista em reprodução
humana, Dr. Orlando Monteiro, explica que o congelamento de óvulos é indicado
para mulheres que desejam adiar a maternidade por motivos profissionais,
emocionais ou médicos, como em casos de câncer, endometriose ou baixa reserva
ovariana precoce.
O processo começa com a estimulação dos ovários por meio de
hormônios injetáveis, para que produzam mais óvulos do que no ciclo natural.
Depois de cerca de 10 a 12 dias de acompanhamento com ultrassons e exames
hormonais, os óvulos são coletados por uma punção transvaginal, feita com
sedação leve. Os óvulos maduros são então congelados em altíssima velocidade,
utilizando uma técnica chamada vitrificação, que evita a formação de cristais
de gelo e preserva a integridade celular.
A mulher pode manter esses óvulos armazenados por tempo indeterminado, com a possibilidade de usá-los no futuro em uma Fertilização In Vitro (FIV).
Congelamento de embriões: quando há fecundação antes do
congelamento
Dr. Orlando Monteiro, esclarece que no congelamento de embriões, o processo inicial é o mesmo: estimulação ovariana, coleta dos óvulos e fertilização. A diferença é que, após a coleta, os óvulos são fertilizados em laboratório com o sêmen do parceiro ou de um doador, formando embriões que são cultivados por alguns dias até atingir o estágio ideal (normalmente blastocisto). Só então são congelados.
Essa opção é muito comum em casais que passam por tratamentos
de fertilização, especialmente quando há mais de um embrião viável e o casal
deseja preservar os excedentes para futuras gestações.
Também é indicada quando não é possível fazer a
transferência do embrião no mesmo ciclo (por exemplo, em casos de hiperestímulo
ovariano), ou quando há necessidade de testes genéticos antes da implantação.
A tecnologia por trás: segurança e eficácia
Tanto óvulos quanto embriões são congelados por vitrificação, método moderno que oferece altíssima taxa de sobrevivência celular após o descongelamento, acima de 90%. Isso torna o procedimento extremamente seguro e eficiente, com resultados comparáveis aos de embriões "frescos".
No Brasil, não há um tempo máximo legal de armazenamento.
Óvulos e embriões podem permanecer congelados por muitos anos, desde que sob
responsabilidade de clínicas especializadas.
Quais são as chances de sucesso?
A taxa de sucesso da gravidez com óvulos congelados está diretamente ligada à idade da mulher no momento da coleta. Quanto mais jovem, melhores as taxas de sucesso. O ideal é congelar os óvulos até os 35 anos, quando a qualidade e quantidade ainda são favoráveis.
Já no caso dos embriões, as taxas de implantação após o
descongelamento são altas, especialmente se os embriões forem cultivados até o
estágio de blastocisto e submetidos a testes genéticos de compatibilidade.
O Dr. Orlando Monteiro conclui: “Congelamento de óvulos ou
embriões não é apenas um avanço científico, é um instrumento de liberdade e
segurança para mulheres e casais que desejam planejar a maternidade com mais
autonomia. Com orientação especializada e diagnóstico preciso, é possível
preservar o sonho da gestação sem pressa, sem culpa e com todo o cuidado que
esse momento merece.”


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