Com muito mérito de seus fundadores, existem empresas familiares com vida bastante longa, que começaram realmente pequenas e hoje são grandes, ou pelo menos, médias empresas. No começo, gerir uma empresa significa uma coisa, mas com diversas áreas e funcionários, significam realmente outra. O ponto é que em algumas empresas familiares, ainda é comum encontrarmos um nível de amadorismo de gestão.
Isso acontece justamente pelo fato do negócio estar sendo comandado por membros
da família, que muitas vezes não possuem todo o conhecimento necessário para
tal em uma empresa que já não é mais pequena. E o potencial dela pode já não
estar sendo tão bem aproveitado. Com muito esforço e boa vontade, essas pessoas
lutam para entregar um trabalho de qualidade, mas a dúvida persiste: como fazer
uma empresa familiar prosperar?
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
as empresas familiares no Brasil empregam 75% da mão de obra no país e
correspondem por mais da metade do PIB. Por outro lado, um estudo do Banco
Mundial aponta que apenas 30% das empresas familiares chegam à terceira geração
e metade disso, ou seja, 15%, sobrevivem à sucessão de três gerações.
Existem muitos casos onde a terceira geração de uma família - no caso, o avô -
abre uma empresa de determinado segmento e passa o comando para o seu filho,
que assume todas as responsabilidades. No entanto, quando esse filho se torna
pai e resolve fazer o mesmo com o seu primogênito, a empresa acaba tendo
prejuízos e até mesmo fechando as portas. É aquele famoso ditado: avô rico, pai
nobre e filho pobre.
Porém, como podemos quebrar esse paradigma? Sabemos que muitos jovens nem
sempre se interessam pelas empresas de suas famílias, o que faz com que não
queiram assumir e, consequentemente, não saibam nada sobre o modelo de negócio
em si, o que levaria a organização à falência. Essa falta de interesse pode ser
um problema quando nenhum dos filhos quer assumir ou pior, quando só existe um
filho e que não quer ter esse papel.
Por isso, analisando um cenário real onde nem sempre é possível deixar o
negócio para os herdeiros, penso que as empresas familiares - apesar de
manterem sua essência - deveriam cada vez mais investir em profissionalização.
Não estou falando que devemos acabar com os laços afetivos, que às vezes se
misturam com as responsabilidades profissionais, mas penso que para prosperar,
precisamos encontrar um equilíbrio.
Como fazer isso? Adotar uma gestão por OKRs - Objectives and Key Results
(Objetivos e Resultados Chaves) -, pode ser útil, até mesmo para uma empresa
familiar. Por estarmos lidando com membros da família, é importante tentar
separar o pessoal do profissional, para evitar conflitos e frustrações. Cada um
saber a sua função e como esta contribui para o todo pode fazer a diferença
nesse processo e os OKRs propõe justamente isso.
Metas ambiciosas de crescimento e de melhoria são fundamentais para estimular a
todos a buscar oportunidades para aproveitar o potencial da empresa, que não
chegou até aqui, depois de tantos anos, por sorte. Mas o que a trouxe até sua
posição atual pode não ser suficiente para levá-la adiante. Por isso, a partir
do momento em que cada colaborador, incluindo os integrantes da família, sabe o
que precisa fazer, como tem que ser feito e está ciente de que possui as
ferramentas certas, a empresa - familiar ou não - sai ganhando.
Desta forma, será possível entregar uma performance melhor e as chances são
grandes de alcançar boa parte dos resultados que foram almejados no início do
plano de execução de estratégia. Pode não ser de primeira, mas iterando ciclo
após ciclo, e não são ciclos de um ano, são ciclos trimestrais, aumenta-se
muito a chance de em um ano se alcançar metas que se alcançariam em três ou nem
isso.
Pedro Signorelli - um dos maiores especialistas do Brasil em gestão, com ênfase em OKRs. Já movimentou com seus projetos mais de R$ 2 bi e é responsável, dentre outros, pelo case da Nextel, maior e mais rápida implementação da ferramenta nas Américas. Mais informações acesse: http://www.gestaopragmatica.com.br/
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