Na era da colaboração, liderar é criar redes, ouvir mais e buscar valor além do financeiro
Quando
olho para o que significa liderar uma organização nos dias de hoje, percebo que
não se trata mais apenas de resultados ou estratégias bem desenhadas. Claro,
eles continuam importantes, mas já não são o suficiente. O mundo mudou. E nós,
líderes, também precisamos mudar.
Tenho refletido sobre que tipo de liderança tenho exercido. Que legado deixamos
para nossos times, para a sociedade, para o planeta?
Recentemente, me deparei com um estudo da McKinsey chamado ‘The Journey of
Leadership’, que traduz de forma muito precisa o que venho vivendo e buscando
como líder. O levantamento destaca cinco movimentos que considero essenciais
para quem quer liderar de forma mais consciente, conectada e relevante. Mais do
que tendências, são convites à transformação.
1. Foco em impacto: além do
lucro, o valor sistêmico
A primeira grande mudança está no foco. Liderar hoje não é apenas bater metas
ou crescer o faturamento. É gerar valor sistêmico, ou seja, impactar
positivamente todas as partes do ecossistema: colaboradores, clientes,
fornecedores, comunidades e o planeta. Empresas que ignoram esse papel perdem
relevância. As que abraçam essa responsabilidade constroem legados duradouros.
O lucro segue fundamental, mas ele deve vir como consequência de uma atuação
alinhada a valores, propósito e impacto real.
2. Cocriação como método:
ninguém lidera sozinho
A liderança tradicional parte da ideia de que o líder precisa ter todas as
respostas. Mas isso não funciona mais. Os desafios atuais são complexos demais
para serem resolvidos de forma isolada.
Cocriação significa abrir espaço para o diálogo genuíno, envolver os times na
construção das soluções e ouvir ativamente nossos clientes e a sociedade.
Quando todos participam, o resultado não é só mais inovador é mais verdadeiro,
mais engajador, mais sólido. Como líder, venho aprendendo cada vez mais a
escutar antes de agir.
3. Colaboração em rede:
conectar, não centralizar
A lógica de hierarquias rígidas e decisões verticais está perdendo força. No
lugar dela, cresce a liderança em rede aquela que conecta talentos, propósitos
e saberes diversos. Ser líder, hoje, é mais sobre ser um facilitador do que um
comandante.
Essa mentalidade de rede nos permite reagir com agilidade, inovar com mais
profundidade e construir ambientes de trabalho mais inclusivos e criativos.
Quanto mais pontes criamos, mais longe conseguimos ir.
4. Evolução contínua: a
curiosidade como motor
Liderar também é estar em movimento constante. O mundo não para de mudar e nós
também não podemos parar de aprender. A curiosidade, antes vista como um traço
secundário, se torna uma competência essencial.
Aprender exige humildade. Exige reconhecer que não sabemos tudo e que sempre há
algo novo a descobrir: sobre o negócio, sobre as pessoas, sobre nós mesmos.
Quanto mais aprendemos, mais bem preparados estamos para guiar nossas equipes
com consciência e adaptabilidade.
5. Autenticidade radical:
liderar com humanidade
Por fim, talvez o ponto mais desafiador e mais transformador: liderar com
autenticidade. Mostrar vulnerabilidade, agir com integridade, ser coerente
entre o que se fala e o que se faz. Mais do que admiração, isso gera confiança
e a confiança é a base de qualquer cultura saudável.
Ser líder não me impede de ser humano. Pelo contrário: é justamente uma visão
humanizada que me permite criar relações mais verdadeiras, tomar decisões mais
éticas e inspirar pelo exemplo, não apenas pelo cargo.
Esses cinco movimentos não são tendências passageiras. São respostas a um novo
mundo que se constrói e que exige de nós, líderes, não apenas competência, mas
consciência.
Tenho escolhido trilhar essa jornada com propósito e presença. E sigo
acreditando que é possível transformar empresas em agentes de impacto positivo,
desde que tenhamos coragem de liderar com a cabeça, com o coração e com o olhar
voltado para o coletivo.
Se essa também é sua escolha, seguimos juntos.
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