Dicas de
alimentação para sobreviver a maratona carnavalesca, a importância da hidratação
e alimentos para amenizar os efeitos da ressaca
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Ah, o Carnaval! Seguir o trio elétrico, acompanhar
o ritmo da bateria, dançar, subir e descer ladeiras, essa será a rotina de
muitos foliões durante os quatro dias de festa. Para não perder o gingando e
ter pique para não fazer feio na avenida, é necessário se alimentar bem e
manter a hidratação em dia.
O Carnaval é uma prova de resistência e para curtir
ao máximo é preciso estar preparado. Para ajudar quem vai se jogar na folia, os
nutricionistas Elaine Klein e Michael Alexandre prepararam algumas dicas de
alimentos para comer antes, durante e depois da curtição e ainda como amenizar
os efeitos da ressaca. O médico Leonardo Feiden explica quais são os
efeitos causados no corpo pelo consumo de bebida alcoólica e reforça a
importância de consumir bebida alcoólica com responsabilidade e consciência.
Durante a intensa sequência de blocos, é comum
deixar de realizar as refeições, exagerar no consumo de bebidas alcoólicas e
optar por comer alimentos vendidos nas ruas. Para poder curtir todos os dias do
Carnaval, é importante seguir alguns cuidados básicos com a alimentação. “Antes
de cair na folia é importante realizar uma refeição completa, que deve incluir
carboidratos, proteínas, verduras, legumes e frutas, já o consumo de
leguminosas como o feijão podem favorecer o aparecimento de desconforto
gástrico (gases) e deve ser evitado”, comenta Elaine Klein, nutricionista
e consultora da Bodytech.
A dica para quem vai curtir os blocos no período da
manhã é começar o dia com um bom café da manhã. Consumindo pães integrais,
tapioca com semente de chia, suco e café sem açúcar e frutas com maior teor de
água (laranja, maçã, melão, melancia, abacaxi, kiwi, uva). Outros alimentos que
são uma ótima opção para incluir na alimentação antes da folia são: pães,
arroz, macarrão, aipim, inhame, ovos, queijo, frango, peixe, beterraba,
cenoura, abóbora, couve, frutas (abacate, banana, uva, melancia, melão,
laranja), café e chá verde gelado.
É vantajoso contar sempre com alternativas de
alimentos práticos que possam ser transportados facilmente em uma pochete ou
bolsa a tiracolo. São bem-vindos os “nuts” oleaginosas (castanha de caju e do
Pará, amêndoas, nozes, macadâmia, noz-pecã, baru, pistache, avelã), grão de
bico, barrinha de proteína e frutas. Uma boa opção líquida são os isotônicos. O
pão de queijo, a pipoca e o picolé de fruta podem ser opções para quem não
pretende levar nada e precisa comer um lanche rápido na rua.
“Quando a sensação de fome aperta muitos foliões
optam por recorrer à comida de rua. Porém, cuidado na hora de escolher a
refeição. Evite alimentos gordurosos, frituras e principalmente aqueles que
ficam expostos à temperatura inadequada, molhos caseiros, como a maionese e
itens que precisam de refrigeração como sanduíche natural. Esses alimentos
podem ter risco de contaminação e provocar até uma gastroenterite”, alerta
Klein.
Uma dica valiosa é não descuidar da hidratação. A nutricionista orienta a intercalar água entre a ingestão de bebida alcoólica. Evitar longos períodos sem se alimentar e não beber em jejum. Para ajudar na hidratação, uma boa opção é consumir água de coco, sucos naturais e isotônicos.
Consumo de bebida alcoólica
O excesso de bebida alcoólica pode sobrecarregar o
fígado, e cerca de 90% do álcool ingerido é metabolizado no órgão por enzimas
específicas. Esse desequilíbrio altera a microbiota intestinal, inibe a
formação de vitaminas produzidas no intestino, e acaba desregulando a resposta
imunológica e metabólica, provocando um estado pró-inflamatório.No dia seguinte
da bebedeira, garanta o consumo de vegetais, especialmente folhas cruas,
vegetais crus e frutas cítricas. “A ingestão destes alimentos ajuda a aumentar o
consumo de fontes de prebióticos. Inclua no seu dia pelo menos duas frutas
diferentes (coma pelo menos uma com a casca) e verduras + legumes em uma das
refeições (crua ou cozida no vapor). É importante evitar ao máximo alimentos
gordurosos, como queijos e carne vermelha durante este período. Dê preferência
a carboidratos de qualidade e proteínas magras. Cereais integrais como aveia,
linhaça, chia (café́ da manhã e lanches), arroz integral e cevadinha (almoço/
jantar) são muito bem-vindos”, pontua Michael Alexandre, nutricionista e
professor da pós-graduação em Nutrição Comportamental e Clínica da Faculdade
UNIGUAÇU.
Dica do especialista: não esqueça de beber (muita) água. O tempo e absorção do álcool
depende de uma série de fatores, entre eles, a presença de comida no estômago
(nunca beba em jejum), o tipo de alimento ingerido antes do consumo de bebidas
alcoólicas e a velocidade com que a pessoa consumiu a bebida. Cerca de 75% do
álcool é absorvido pelo intestino delgado. O restante é absorvido pela mucosa
da boca, esôfago, estômago e intestino grosso.
Efeitos do álcool no
corpo
O consumo excessivo de álcool pode ter uma série de
impactos negativos na saúde, e esses efeitos podem ser exacerbados durante a
maratona de Carnaval, especialmente quando combinado com o clima quente, má
alimentação e desidratação.
O médico Leonardo Feiden listou os setes principais
males associados ao consumo excessivo de álcool. Saiba quais são:
Desidratação: o álcool é um diurético, o que significa que aumenta a produção de urina.
Em um ambiente quente, a perda de líquidos por meio da transpiração já é
significativa, e o consumo de bebida alcoólica pode levar a uma desidratação
rápida. Isso pode resultar em tonturas, fadiga, dores de cabeça e, em casos
mais graves, desmaios.
Problemas gastrointestinais: irritação do revestimento do trato gastrointestinal, ocasionando
sintomas como: azia, indigestão, náuseas e vômitos. O consumo de alimentos
inadequados, pode aumentar o desconforto gastrointestinal.
Intoxicação alcoólica: é uma condição séria que pode resultar em confusão mental, vômitos,
dificuldade respiratória e, em casos extremos, coma e morte. O calor adicional
do ambiente pode aumentar o risco de intoxicação.
Comprometimento cognitivo e
coordenação motora: o álcool afeta o sistema
nervoso central, levando a um comprometimento cognitivo, a falta de coordenação
motora e reflexos mais lentos. Isso aumenta o risco de acidentes, quedas e
lesões, especialmente em um ambiente festivo e movimentado como o Carnaval.
Aumento do risco de lesões: o consumo excessivo de bebida alcoólica está associado a um aumento do
risco de ferimentos, como cortes, contusões e fraturas. A combinação de
aglomerações de pessoas, ruas lotadas e comportamentos impulsivos pode tornar
as lesões mais prováveis.
Impacto no sistema
cardiovascular: o álcool em excesso pode aumentar a pressão
arterial e o risco de doenças cardiovasculares.
Comprometimento do sistema imunológico: enfraquece o sistema imunológico, tornando o corpo mais suscetível a infecções. Isso pode ser especialmente preocupante durante o Carnaval, onde as condições de higiene podem ser desafiadoras.
“Para minimizar os riscos à saúde durante as
festividades, é importante praticar o consumo moderado de álcool, manter-se bem
hidratado, comer alimentos nutritivos e evitar a combinação com outras
substâncias. Além disso, estar ciente dos sinais de intoxicação alcoólica e
procurar ajuda médica imediatamente se necessário são medidas essenciais para
garantir a segurança durante a folia”, alerta Leonardo Feiden, médico e
professor dos cursos de pós-graduação na Faculdade UNIGUAÇU.

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