Ativa social e
economicamente, população idosa movimenta R$1,8 trilhão ao ano e está presente em diversos
campos da sociedade
As pessoas idosas
representam um quinto da população brasileira, segundo o Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Dessas, 18,5%
trabalham, 85% moram com outras pessoas e 75% contribuem com pelo menos metade
da renda familiar. Outra pesquisa, intitulada “Envelhecer com novidade: A
influência dos avós na geração Alpha”, mostra que o público entre 50 e 80 anos
movimenta, no Brasil, cerca de R$
1,8 trilhão ao ano, R$ 15 bilhões apenas no
mercado online.
Os dados ajudam a desmistificar
o estereótipo dos avós com cabelos brancos, sentados em uma cadeira de balanço.
Os novos avós são mais ativos social e economicamente. “A população idosa é
heterogênea e, quando se fala em pessoa idosa, é importante saber de qual
perfil estamos falando. Algumas crenças versam sobre premissas que não são
verdadeiras para todos, como: idosos não podem trabalhar; pessoas mais velhas
são todas frágeis e têm saúde debilitada; e são um ônus econômico para a
sociedade”, afirma a Dra. Ivete Berkenbrock, presidente da Sociedade Brasileira
de Geriatria e Gerontologia (SBGG).
O nome dado a esse
preconceito baseado apenas na idade é etarismo. Entre as práticas mais comuns relacionadas à
discriminação associada à faixa etária está a retirada da autonomia para que
tomem decisões, e a infantilização. Ambas partem do princípio de que a pessoa
idosa é incapaz de gerir a sua própria vida, fazer escolhas e tomar decisões
,características da autonomia; ou que não tem capacidade física para executar
as decisões, manter a independência.
“Essa incapacidade
supostamente atribuída à pessoa idosa não condiz com a realidade. Hoje, temos
pessoas em idade avançada no mercado de trabalho, participando de campanhas de
marketing, vivendo suas vidas de maneira autônoma, ajudando filhos e netos e
até atuando como influenciadores digitais, que é uma área comumente atribuída
aos jovens. É imperativo quebrar qualquer tipo de barreira ou preconceito”,
salienta a presidente da SBGG.
Família
mosaico
Além dos perfis
heterogêneos das pessoas idosas, também é observada na sociedade a presença
cada vez maior da chamada família mosaico, isto é, núcleos familiares
constituídos por uma pluralidade de relações parentais, em especial aquelas
formadas em decorrência do divórcio, separação ou recasamento.
“Facilmente uma
criança, atualmente, terá três ou quatro avós paternos e três ou quatro avós
maternos. O pai, a mãe, o padrasto e a madrasta também têm pais, que serão
considerados avós da criança”, explica Ana Amélia Camarano, coordenadora de
Estudos e Pesquisas de Igualdade de Gênero, Raça e Gerações, da Diretoria de
Estudos e Políticas Sociais (Disoc) e do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea).
De acordo com o
relatório Perspectivas da População Mundial 2022, da ONU, o Brasil chegará ao fim deste ano como o sétimo
país mais populoso, com 215 milhões de habitantes. Uma vez que os níveis de
fecundidade estão baixos, ou seja, a geração dos filhos tende a ser menor que a
dos pais, a tendência é que o envelhecimento da população brasileira se torne
ainda mais acentuado.
“Assim, a tendência é
que tenhamos famílias cada vez mais mosaicas, em que a conjugação: meu, seus,
nossos não seja apenas uma denominação para os filhos, mas também seja comum
para os netos e que tenham como pilares pessoas idosas de diferentes perfis,
mas, ativos social e economicamente”, finaliza a presidente da SBGG, Dra. Ivete
Berkenbrock.
Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia -
SBGG
Nenhum comentário:
Postar um comentário