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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Ministério da Saúde nega recurso administrativo e mantém a decisão de não incorporar no SUS o único medicamento aprovado no Brasil para o tratamento da forma mais comum de nanismo, a acondroplasia

 A BioMarin, biofarmacêutica global focada no desenvolvimento de terapias inovadoras para doenças genéticas raras, informa que, em 24 de setembro de 2026 foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) a negativa do Ministro da Saúde em relação ao recurso administrativo que pleiteava a revisão sobre a decisão da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) de não incorporação da vosoritida ao Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento de acondroplasia em crianças a partir de seis meses de idade e cujas placas de crescimento não estão fechadas.

Entenda o processo. Em março, a Conitec, responsável por avaliar a incorporação de novas tecnologias no SUS, emitiu recomendação preliminar negativa à inclusão do medicamento vosoritida no SUS para o tratamento da acondroplasia - e abriu uma consulta pública (CP) para ouvir a opinião da sociedade a respeito da disponibilização do medicamento. A CP nº12 obteve 14.266 contribuições em 20 dias corridos. De acordo com o ranking da Conitec, foi uma das maiores CP (em relação ao número de contribuições) - uma das mais expressivas mobilizações sociais já observadas em processos de participação relacionados à incorporação de tecnologias em saúde no Brasil.

Três meses depois, em junho, a Conitec emitiu recomendação final desfavorável à incorporação do medicamento vosoritida no SUS. Após a recomendação ter sido convertida em decisão pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE), a BioMarin apresentou, em julho, um recurso administrativo, medida prevista na legislação aplicável, que visava a revisão dessa decisão, mas o pedido de reconsideração foi indeferido.

"A interposição do recurso buscou construir um caminho de diálogo para o principal obstáculo que ainda não havia sido superado, referente à capacidade econômica de incorporação da terapia. Apesar do resultado desfavorável, nossa dedicação à comunidade de acondroplasia no Brasil permanece inabalável. Seguiremos firmes e totalmente dispostos a manter um diálogo construtivo com todas as instâncias de saúde para encontrar soluções efetivas", afirma José Thomaz, gerente geral da BioMarin no Brasil.

Vosoritida é o único tratamento medicamentoso aprovado no Brasil para crianças com acondroplasia. O medicamento atua diretamente no mecanismo da condição e está aprovado pelas principais agências regulatórias do mundo, incluindo Europa, EUA, Japão e Austrália, todas contemplando a indicação desde os primeiros meses de vida. Milhares de crianças em mais de 50 países já recebem o tratamento.

A acondroplasia é uma doença rara que afeta os ossos e a cartilagem. A desproporção dos membros pode resultar em desafios diários e as limitações de mobilidade, somadas às dores e à fadiga, dificultam atividades simples. O especialista Wagner Baratela, médico geneticista, reforça a importância do tratamento. “Existe uma urgência de tratar. As complicações da doença vão muito além da questão da altura. Até pouco tempo atrás, os pacientes não tinham tratamento medicamentoso. Felizmente, hoje a realidade é outra. Temos uma terapia aprovada pela Anvisa, com perfil de segurança e eficácia amplamente documentado, que muda o curso natural da acondroplasia. Mas é preciso ter acesso pelo SUS”.

 

Posicionamento da comunidade de pacientes

“Essa negativa da pasta é frustrante. Contudo, embora a decisão administrativa encerre esta etapa, nosso compromisso e determinação permanecem firmes. Continuaremos trabalhando com empenho para assegurar os direitos, a saúde e o amplo acesso aos tratamentos para todas as pessoas com nanismo no Brasil”, declara Kenia Rio, presidente da Associação Nanismo Brasil (Annabra).

A presidente do Instituto Nacional de Nanismo (INN) reforça a importância do tratamento. “A acondroplasia é uma doença rara que precisa ser tratada com urgência. Quem tem a condição, não pode esperar. O medicamento em questão é o único aprovado no Brasil. Ele representa uma oportunidade única para transformar o futuro de quem convive com a doença. Não estamos falando de um ganho estético, mas de um avanço funcional transformador: alívio das dores, mais independência nas tarefas diárias e uma melhoria real na qualidade de vida dessas crianças ”, afirma Juliana Yamin.


Saiba mais sobre a acondroplasia: com incidência de 1 a cada 25 mil nascidos vivos1, a acondroplasia é uma condição genética grave e progressiva, causada por uma mutação no gene FGFR32. Considerada a causa mais comum de nanismo desproporcional, ela causa baixa estatura, com pernas e braços mais curtos que o tronco, sinal mais visível da doença. Além disso, a condição pode causar diversas complicações multissistêmicas, que em alguns casos requerem intervenções cirúrgicas invasivas, como a descompressão da medula espinhal. Outros desafios diários desses indivíduos podem ser realizar as atividades do dia a dia de forma independente, como caminhar distâncias mais longas, vestir-se, tomar banho, entre outras.3,4


BioMarin
www.biomarin.com.br

 

Referências

1 Al-Saleem A, Al-Jobair A. Achondroplasia: Craniofacial manifestations and considerations in dental management. The Saudi Dental Journal. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3804960/. Published October 2010.
2 Hoover-Fong J, Cheung MS, Fano V, et al. Lifetime impact of achondroplasia: Current evidence and perspectives on the natural history. ScienceDirect. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S875632822100034X?via%3Dihub Published February 3, 2021.
3 Legare JM. Achondroplasia. In: Adam MP, Feldman J, Mirzaa GM, et al, eds. GeneReviews® [Internet]. University of Washington, Seattle; 12 de outubro de 1998 [atualizado em 11 de maio de 2023].
4 Hoover-Fong JE, Alade AY, Hashmi SS, et al. Achondroplasia Natural History Study (CLARITY): a multicenter retrospective cohort study of achondroplasia in the United States. Nature News. https://www.nature.com/articles/s41436-021-01165-2. Published May 18, 2021. Accessed July 7, 2021


Dor do crescimento? Saiba quando a queixa das crianças merece atenção

 Médico ortopedista do Imot explica quais sinais os pais devem observar e quais situações precisam ser investigadas por um especialista

 

A sensação de dor nas pernas no fim do dia ou durante a noite é uma queixa comum na infância e, muitas vezes, atribuída ao crescimento. Nem sempre, porém, essa associação está correta. A frequência, o local da dor e, principalmente, mudanças na forma de andar, correr ou brincar ajudam a identificar quando o incômodo merece avaliação médica. 

As chamadas “dores do crescimento” costumam aparecer nas duas pernas, principalmente nas coxas, panturrilhas ou atrás dos joelhos. Apesar do nome popular, não há evidências de que sejam provocadas diretamente pelo crescimento dos ossos. Em geral, a criança sente o incômodo à noite, mas acorda no dia seguinte sem dor, sem mancar e mantém normalmente suas atividades. 

Segundo o ortopedista pediátrico do Imot, Rodrigo Sbeghen Pascoalino, observar o comportamento da criança entre os episódios é uma das principais referências para os pais: 

“O padrão da dor traz informações importantes. Se a criança acorda bem, não apresenta limitações e continua correndo e brincando normalmente, a situação é diferente daquela em que a dor começa a interferir na rotina”, explica. 

Algumas características, no entanto, merecem atenção. Dor persistente ou que aumenta com o passar do tempo, incômodo sempre no mesmo ponto ou em apenas uma perna, inchaço, vermelhidão, febre, limitação de movimentos ou mudança na forma de andar são sinais que indicam a necessidade de avaliação médica. Isso também vale quando a dor permanece durante o dia ou faz a criança deixar de correr, brincar ou praticar atividades que realizava normalmente. 

Dores musculares, sobrecarga relacionada à prática esportiva, pequenos traumatismos e condições ortopédicas específicas da infância também podem causar sintomas nos membros inferiores. Por isso, mais do que tentar identificar a causa em casa, é importante acompanhar se houve alguma mudança no comportamento ou na mobilidade da criança. 

Durante a consulta, o ortopedista pode avaliar a marcha, as articulações, os membros inferiores e o desenvolvimento musculoesquelético e, a partir dos achados clínicos, definir se há necessidade de exames complementares, como esclarece o especialista do Imot: 

“Nem toda dor nas pernas precisa gerar preocupação ou levar à realização de exames. O ponto de atenção é perceber quando ela foge do padrão esperado, persiste ou passa a limitar a criança. Nesses casos, a avaliação permite entender a origem da queixa e verificar se é necessário investigar”, conclui o ortopedista.



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Cetamina para depressão resistente: o que é, para quem é indicada e por que o tratamento exige protocolo médico rigoroso


O Dia Mundial da Saúde Mental, celebrado em 10 de outubro, chama atenção para o acesso ao diagnóstico e a tratamentos eficazes para os transtornos mentais. Entre eles, a depressão é um dos mais prevalentes no mundo, e uma parcela relevante dos pacientes não obtém melhora suficiente com os tratamentos de primeira linha. 

 

Na prática clínica, considera-se depressão resistente o quadro de transtorno depressivo maior em que não houve resposta adequada após o uso sequencial de dois ou mais antidepressivos, em doses e tempo corretos.

É nesse grupo que a cetamina tem ganhado espaço na psiquiatria. Para o psiquiatra Dr. José Giocondo, o principal recado é não postergar a busca por alternativas quando o tratamento convencional não funciona.

 

“Tempo é cérebro. Não podemos atrasar o tratamento. Hoje contamos com intervenções que potencializam os antidepressivos convencionais e ampliam as chances de resposta nos casos de refratariedade”, afirma o Dr. José Giocondo.


 

O que é a cetamina e como ela age


A cetamina foi desenvolvida como anestésico. Em psiquiatria, é utilizada em doses subanestésicas, ou seja, bem abaixo das usadas em cirurgias, e sempre em ambiente controlado. Seu mecanismo de ação é diferente do dos antidepressivos tradicionais: ela atua bloqueando o receptor NMDA, modulando a transmissão do glutamato e estimulando a liberação de BDNF, uma proteína associada à neuroplasticidade, isto é, à capacidade do cérebro de formar e organizar conexões entre neurônios.

 

Na prática, isso se traduz em uma diferença de tempo de resposta. Enquanto os antidepressivos convencionais costumam levar semanas para mostrar efeito, a cetamina pode reduzir sintomas depressivos em horas a dias, o que a torna especialmente relevante em quadros graves e em situações de ideação suicida.

 

“A cetamina não substitui o antidepressivo. O que a neurobiologia mostra é uma sinergia: ela favorece a neuroplasticidade e cria condições para que o tratamento de base, a psicoterapia e as mudanças de estilo de vida funcionem melhor”, explica o psiquiatra.

 

No Brasil, a escetamina em spray nasal, uma das formas da molécula, tem registro na Anvisa para depressão resistente. A cetamina por via endovenosa ou subcutânea é utilizada de forma off-label, ou seja, fora das indicações previstas em bula, mas com respostas muito acima, quando comparadas com o spray nasal, chegando até em 70-80% de remissão dos sintomas depressivos em poucas aplicações. É importante ressaltar que o seu uso exige indicação individualizada, consentimento informado e estrutura adequada.

 

Para quem o tratamento é indicado


“A cetamina não é para todos. Mas, para quem tem indicação, pode mudar o curso do tratamento da depressão”, resume o Dr. José Giocondo. 

Segundo o especialista, os principais perfis de pacientes avaliados para o tratamento são:

  • Pessoas com depressão resistente a dois ou mais antidepressivos.
  • Pacientes com episódios depressivos graves ou em situação de urgência clínica.
  • Pacientes com ideação suicida, em que a rapidez de resposta é decisiva, sempre com monitoramento rigoroso.
  • Pacientes com transtorno bipolar em fase depressiva refratária, com cautela e em associação a estabilizadores de humor.
  • Pessoas que não toleram os efeitos colaterais dos antidepressivos convencionais. 

Há também estudos em andamento sobre o uso em transtorno de estresse pós-traumático, transtorno obsessivo-compulsivo e ansiedade refratários, mas, nesses casos, as evidências ainda não são consideradas suficientes para uso rotineiro.


 

Como funciona o protocolo


Antes de qualquer sessão, o paciente passa por uma avaliação de elegibilidade, com histórico clínico, revisão das medicações em uso, exames laboratoriais e, quando necessário, pareceres de outros especialistas. A decisão pela inclusão no protocolo considera segurança e indicação técnica caso a caso.

 

A aplicação pode ser feita por via endovenosa ou subcutânea e dura, em média, de 40 a 60 minutos, com acompanhamento contínuo de médico anestesiologista ou psiquiatra e monitoramento dos sinais vitais. É exigido jejum prévio, e o paciente deve estar acompanhado na ida e na volta. Após a sessão, permanece em repouso por cerca de 30 minutos e não pode dirigir nem operar máquinas nas 24 horas seguintes.

 

“Não existe receita genérica. Dose, via de administração, número de sessões e intervalo entre elas são definidos a partir da resposta de cada paciente, e essa resposta é acompanhada de perto desde a primeira aplicação”, diz o psiquiatra.


 

Riscos, contraindicações e dependência


Durante a aplicação, podem ocorrer alterações temporárias de percepção, sensação de dissociação, náusea e elevação da pressão arterial, efeitos que costumam ser transitórios e são controlados pela equipe. O tratamento é contraindicado em pacientes com histórico de transtornos psicóticos, episódios maníacos recentes, doenças cardiovasculares graves, hipertensão não controlada, gestação e lactação, abuso atual de substâncias e hipertireoidismo descompensado, entre outras condições.

 

Uma das dúvidas mais frequentes nos consultórios é sobre o risco de dependência. De acordo com o especialista, é preciso diferenciar o uso clínico do uso recreativo.

“No contexto médico, com dose controlada, ambiente monitorado e indicação correta, o risco de dependência é muito baixo. Situações como histórico de abuso de substâncias exigem uma avaliação mais cuidadosa antes da indicação”, esclarece o Dr. José Giocondo.

 


Tratamento complementar, não solução isolada


O crescimento do interesse pela cetamina também trouxe preocupação com seu uso indiscriminado, para queixas sem respaldo científico. Para o psiquiatra, a substância deve ser vista como parte de uma estratégia terapêutica ampla, nunca como tratamento de primeira linha ou isolado, sempre integrada ao acompanhamento psiquiátrico, à psicoterapia e ao suporte social.

“A cetamina carrega muitos estigmas, e também muitas promessas exageradas. O caminho é informação de qualidade e indicação criteriosa. Psiquiatria séria se faz com evidência, sem atalhos”, conclui.

 



José Giocondo Guerra - médico psiquiatra, CRM-SP 175925, RQE 92858, especialista em Psiquiatria (adulto e infância/adolescência). Formado em Medicina pela Unicamp, com residência em Psiquiatria pela Unifesp, especialização em Psiquiatria da Infância e Adolescência (Einstein), mestrado em Neurociências pelas universidades do Minho e de Coimbra (Portugal) e doutorado em andamento pela USP. É fundador da Clínica Minerva e integra o corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein.


Bactéria presente na boca é investigada na progressão do câncer de mam

Estudo de pesquisadores ligados à Johns Hopkins investiga como a Fusobacterium nucleatum pode influenciar a progressão de tumores mamários em modelos experimentais 

 

O Brasil estima 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil para o triênio de 2026 a 2028, de acordo com Instituto Nacional do Câncer  (INCA). Em meio ao Outubro Rosa, um estudo publicado neste ano por pesquisadores ligados à Johns Hopkins chama atenção para uma possível relação entre uma bactéria associada à doença periodontal e a progressão do câncer de mama em modelos experimentais. 

A bactéria investigada é a Fusobacterium nucleatum, microrganismo encontrado na cavidade oral e associado principalmente a doenças periodontais. A pesquisa analisou mecanismos pelos quais a presença da bactéria pode interferir no ambiente ao redor das células tumorais e favorecer características relacionadas à progressão do câncer. 

Os resultados fazem parte de uma linha de investigação que busca compreender a relação entre microbiota, processos inflamatórios e tumores. Por ter sido realizada em modelos experimentais, a pesquisa ainda não permite estabelecer que a bactéria cause ou determine a progressão do câncer de mama em seres humanos. 

Para o cirurgião-dentista Dr. Davi Cunha, o trabalho chama atenção para a crescente investigação científica sobre a interação entre os microrganismos da cavidade oral e diferentes processos do organismo. 

“A pesquisa é interessante porque amplia a discussão sobre como os microrganismos presentes na boca podem interagir com outros sistemas. A microbiota oral participa de diversos processos biológicos, e compreender essas relações pode contribuir para novas linhas de investigação”, explica.

 

Bactéria é associada a doenças periodontais

A Fusobacterium nucleatum pode fazer parte da microbiota oral e está associada a processos relacionados à doença periodontal. O problema ocorre quando o acúmulo de placa bacteriana provoca uma resposta inflamatória nos tecidos que sustentam os dentes. 

Entre os sinais que podem indicar problemas periodontais estão sangramento durante a escovação ou ao utilizar o fio dental, gengivas inchadas e avermelhadas, mau hálito persistente, retração gengival e mobilidade dos dentes. 

Em quadros mais avançados, a inflamação pode comprometer os tecidos e o suporte ósseo dos dentes, aumentando o risco de perda dentária. 

“Independentemente das pesquisas que estão sendo realizadas, a doença periodontal precisa ser tratada. Sangramento gengival, alterações na gengiva e mau hálito persistente não devem ser encarados como algo normal. A avaliação odontológica ajuda a identificar o problema e evitar sua evolução”, afirma Davi.

 

O papel da microbiota na saúde

A investigação sobre a Fusobacterium nucleatum acompanha uma área que vem ganhando espaço na ciência: o estudo da microbiota humana e de sua interação com o sistema imunológico e diferentes processos fisiológicos. 

A cavidade oral abriga uma grande diversidade de microrganismos. Quando ocorre um desequilíbrio nessa comunidade, podem surgir condições como cárie e doença periodontal. Por isso, pesquisadores também investigam como as alterações na microbiota podem se relacionar com outras condições de saúde. 

“Hoje temos uma compreensão muito maior de que os microrganismos que vivem no nosso corpo participam de diferentes processos. Isso reforça a importância de cuidar da boca não apenas pensando nos dentes, mas dentro de uma perspectiva mais ampla de saúde”, explica o cirurgião-dentista. 

Na prática, medidas como higiene adequada, uso de fio dental e consultas odontológicas periódicas continuam sendo fundamentais para prevenir e controlar doenças da cavidade oral.


Atenção durante o tratamento contra o câncer

O cuidado odontológico também pode ser importante para pacientes que já receberam o diagnóstico de câncer e estão passando por tratamento. Dependendo da terapia utilizada, podem ocorrer alterações na cavidade oral, como boca seca, feridas, inflamações, alterações no paladar, sensibilidade e maior predisposição a infecções.

A avaliação odontológica pode integrar o acompanhamento multidisciplinar desses pacientes, especialmente para prevenir e controlar complicações que possam surgir durante o tratamento. 

“O paciente oncológico pode apresentar alterações importantes na boca durante o tratamento. Por isso, uma avaliação odontológica adequada permite antecipar problemas, orientar os cuidados necessários e contribuir para a qualidade de vida durante essa fase”, afirma Davi.

 

Einstein é o primeiro hospital brasileiro a adotar biópsia líquida para detecção precoce multicâncer

 O teste Galleri®, exame de sangue que detecta um sinal associado a mais de 50 tipos de câncer, está disponível no Brasil por meio da Gênesis Genomics, joint venture entre Einstein e Grupo Fleury

 

O Einstein Hospital Israelita inaugura uma nova era da medicina de precisão no Brasil ao liderar a incorporação do primeiro teste de detecção precoce multicâncer disponível no país. Desenvolvido pela norte-americana GRAIL, Inc., o Galleri® está sendo oferecido pela Gênesis Genomics, joint venture do Einstein com o Grupo Fleury, e é indicado para pacientes assintomáticos com 50 anos ou mais, como complemento aos exames de rastreamento de câncer recomendados. Por meio de uma simples coleta de sangue, o teste Galleri pode detectar sinais específicos de câncer compartilhados por mais de 50 tipos da doença antes do aparecimento de sintomas, incluindo tumores para os quais atualmente não há estratégias de rastreamento, como os de pâncreas, fígado e ovário. No Einstein, foi desenvolvido um protocolo clínico para a adoção do teste, a fim de garantir uma jornada assistencial estruturada, baseada em evidências científicas e no acompanhamento longitudinal dos pacientes. 

A chegada do Galleri ocorre em um momento de crescimento dos casos de câncer no país. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 781 mil novos casos por ano no triênio 2026-2028. ¹ “Quanto mais cedo um tumor é identificado, maiores tendem a ser as chances de tratamento, controle e até cura da doença, por isso a biópsia líquida para detecção precoce é tão promissora”, explica o Dr. Nam Jin Kim, diretor médico de Oncologia e Hematologia do Einstein. “Incorporar o teste Galleri de forma pioneira evidencia nossa capacidade em conectar ciência, tecnologia e assistência de alta complexidade para transformar inovação em cuidado. Além disso, consolida o Einstein na vanguarda da oncologia de precisão e de uma visão multiômica que também estará presente no centro oncológico que vamos inaugurar em 2027.” 

Estudos científicos e clínicos recentes sustentam o uso do Galleri como ferramenta complementar de detecção precoce, ao lado dos exames de rastreamento já estabelecidos, como mamografia e colonoscopia. ² “Hoje, o rastreamento de rotina é recomendado para apenas cinco tipos de câncer: mama, colo do útero, colorretal, pulmão e próstata. O Galleri não deve substituir esses exames, mas ser utilizado em conjunto com as estratégias existentes de rastreamento do câncer”, explica o Dr. Fernando Moura, oncologista e gerente médico do Centro de Multiômica do Einstein. Após avaliação médica, o teste pode ser recomendado para pessoas assintomáticas com 50 anos ou mais. Ele não é indicado para gestantes e pacientes em tratamento ativo contra o câncer. 

Diferentemente dos testes genéticos hereditários, que avaliam predisposição herdada ou risco futuro, o teste de detecção precoce multicâncer busca alterações moleculares presentes no organismo no momento da coleta de sangue. Ele analisa fragmentos de DNA livre circulante e padrões de metilação, marcadores químicos naturais que podem ajudar a indicar a presença e a provável origem de células cancerígenas. Se o Galleri detectar um sinal de câncer, o paciente deverá realizar exames diagnósticos adicionais, direcionados à origem prevista desse sinal, para confirmar se há câncer. Caso nenhum sinal seja detectado, o acompanhamento clínico de rotina deve continuar, pois um resultado negativo não exclui completamente a presença de câncer no momento atual nem sua ocorrência futura.

 

Evolução das evidências científicas 

A utilização do Galleri na prática clínica é respaldada por estudos internacionais de grande porte. O PATHFINDER, publicado no periódico científico The Lancet em 2023, avaliou 6.662 adultos com 50 anos ou mais, sem sintomas sugestivos de câncer, atendidos em ambiente ambulatorial nos Estados Unidos. O estudo foi o primeiro a demonstrar a viabilidade do teste na prática clínica, incluindo sua capacidade de detectar sinais associados a cânceres para os quais não há recomendação de rastreamento de rotina. ³

O PATHFINDER 2, que incluiu 35.878 participantes nos Estados Unidos e no Canadá, constatou que a adição do Galleri aos exames de rastreamento recomendados aumentou em 6,5 vezes o número de cânceres recém-detectados. O estudo relatou especificidade de 99,6%, taxa de falso-positivo inferior a 0,4% e acurácia de 91,3% na previsão da provável origem do sinal de câncer. Entre os cânceres detectados após um resultado positivo do Galleri, 71% foram diagnosticados nos estágios I a III. ⁴ 

Outro estudo de grande porte, o ensaio randomizado e controlado NHS-Galleri, incluiu mais de 140 mil participantes no Reino Unido. Embora o estudo não tenha atingido seu desfecho primário - uma redução estatisticamente significativa na incidência combinada de cânceres nos estágios III e IV -, análises secundárias e exploratórias produziram achados relevantes, entre eles o aumento da detecção de cânceres nos estágios I e II, a redução de cânceres em estágio IV e a diminuição de apresentações de emergência relacionadas ao câncer. ⁵ Os resultados do PATHFINDER 2 e do NHS-Galleri foram publicados em setembro de 2026 na Nature Medicine e no New England Journal of Medicine.


Do laboratório ao hospital 

A chegada do Galleri ao Brasil demonstra como um processo que começa com o desenvolvimento tecnológico pode culminar na prática clínica e gerar impacto real. “A inovação científica é mais relevante quando pode fazer a diferença para os pacientes. O Galleri reúne ciência avançada e um corpo robusto de evidências clínicas para ajudar a encontrar mais cânceres antes do aparecimento de sintomas, incluindo muitos para os quais atualmente não há exames de rastreamento recomendados”, afirma Eric Fung, MD, PhD, diretor médico da GRAIL. “Estamos entusiasmados em ver essa inovação chegar aos pacientes no Brasil, enquanto trabalhamos para impulsionar um novo paradigma de rastreamento do câncer e ajudar a detectar a doença mais cedo, quando pode haver mais oportunidades de tratamento bem-sucedido.” 

“A Gênesis é a empresa líder em análises genômicas na América Latina. Nossa missão é promover mais saúde para a população brasileira por meio da inovação e da medicina de precisão. Trazer o teste Galleri ao Brasil representa mais um passo importante nessa jornada, ampliando o acesso a tecnologias capazes de transformar o cuidado à saúde”, afirma Paulo Campregher, CEO da Gênesis Genomics. 

“Nossa estratégia em oncologia e medicina de precisão tem como base a integração entre diagnóstico avançado, genética, genômica e cuidado coordenado. A incorporação do Galleri amplia esse portfólio e fortalece nossa capacidade de oferecer soluções que contribuam para a identificação mais precoce de diferentes tipos de câncer, apoiando decisões clínicas mais assertivas e melhores desfechos para os pacientes”, conclui Edgar Gil Rizzatti, presidente de Unidades de Negócios Médicos, Técnico e Novos Elos do Grupo Fleury.

 

 

Referências: 

1. INCA. “INCA estima 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil entre 2026 e 2028”. Disponível em: Link. Acesso em setembro/2026. 

2. GRAIL. “Understanding the Galleri® Test”. Disponível em: Link. Acesso em setembro/2026. 

3. PATHFINDER. “Final Results From PATHFINDER Study of GRAIL’s Multi-Cancer Early Detection Blood Test Published in The Lancet”. Disponível em: Link. Acesso em setembro/2026. 

4. PATHFINDER 2. Nabavizadeh N. et al. “Performance and safety of a multi-cancer early detection test: the PATHFINDER 2 study”. Nature Medicine. 2026. Disponível em: Link. Acesso em setembro/2026. 

5. NHS-Galleri. “Effect of Blood-Based Multicancer Screening on Stage at Cancer Diagnosis”. New England Journal of Medicine. 2026. DOI: 10.1056/NEJMoa2505723. E: “Performance of a multi-cancer early detection test in the NHS-Galleri randomized controlled trial”. Nature Medicine. 2026. Disponível em: Link. Acesso em setembro/2026.

 

Dia das Crianças: cinco cuidados para organizar a saúde dos filhos

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Vacinas, alergias, medicamentos, exames e consultas formam um histórico que pode fazer diferença no acompanhamento médico e precisa estar acessível a todos os responsáveis

 

A rotina de saúde de uma criança costuma ficar espalhada entre caderneta de vacinação, receitas, exames, aplicativos de laboratórios, mensagens e orientações médicas. Com o passar dos anos, lembrar o que foi feito, quando um medicamento foi usado, quais tratamentos funcionaram ou qual profissional acompanhou determinado quadro pode se tornar cada vez mais difícil. Neste Dia das Crianças, a MYME, plataforma gratuita que centraliza o histórico de saúde do usuário e de seus dependentes, reúne cinco cuidados para ajudar pais e responsáveis a manter essas informações organizadas desde a infância. 

O acompanhamento infantil envolve diferentes etapas e profissionais ao longo do tempo. A Caderneta Digital da Criança, disponível no Meu SUS Digital, já permite consultar informações registradas no SUS sobre vacinação, crescimento, desenvolvimento, saúde bucal, consultas, atendimentos e procedimentos. Para Lucas Santiago, cofundador da MYME, organizar essas informações é uma forma de cuidado que pode fazer diferença tanto no dia a dia quanto em situações inesperadas. 

“Cuidar da saúde de uma criança também significa garantir que as informações sobre ela não dependam da memória de uma única pessoa. Se o pai ou a mãe não puder acompanhá-la em uma consulta ou em uma emergência, outro familiar ou responsável precisa conseguir acessar rapidamente informações como alergias, medicamentos em uso, doses, horários, vacinas e atendimentos anteriores”, afirma.
 

1. Mantenha o histórico de vacinação atualizado

A carteira de vacinação é um dos primeiros registros de saúde de uma criança e precisa acompanhar seu desenvolvimento. Além das doses recebidas, é importante manter organizadas informações sobre as próximas vacinas e eventuais atrasos no calendário. 

Na Campanha Nacional de Multivacinação de 2026, o Ministério da Saúde disponibilizou 20 imunizantes para crianças e adolescentes menores de 15 anos, reforçando a importância de revisar periodicamente a situação vacinal. O ideal é guardar tanto os registros físicos quanto digitais e conferir se as informações estão atualizadas nos sistemas oficiais.
 

2. Registre medicamentos, doses e horários

Quando uma criança precisa tomar antibióticos, antialérgicos, medicamentos de uso contínuo ou qualquer tratamento por alguns dias, não basta registrar apenas o nome do remédio. É importante anotar também dosagem, frequência, horário de administração, data de início e duração prevista do tratamento. 

Essa organização se torna ainda mais importante quando diferentes pessoas participam do cuidado. “Uma criança pode começar um tratamento na casa da mãe e passar os dias seguintes com o pai, com os avós ou outro cuidador. A informação sobre qual remédio está sendo usado, em qual dose e quando foi administrado pela última vez precisa acompanhar a criança, e não ficar restrita a uma das casas”, afirma Santiago.
 

3. Deixe alergias e condições de saúde fáceis de consultar

Alergias a medicamentos ou alimentos, doenças crônicas, cirurgias anteriores, internações e outras condições relevantes devem estar registradas de forma acessível. Em uma consulta com um novo profissional ou em um pronto-atendimento, essas informações podem ajudar a equipe médica a compreender rapidamente o histórico da criança. A MYME já permite organizar informações como sintomas, exames, consultas, medicação e vacinação em um mesmo perfil de dependente.
 

4. Reúna exames, laudos e prescrições em um só lugar

Exames realizados em laboratórios diferentes, laudos de imagem, receitas e relatórios médicos costumam se acumular ao longo da infância. Quando ficam espalhados entre papéis, e-mails e aplicativos, cresce a dificuldade de localizar um documento antigo justamente quando ele é necessário. Reunir esses registros em ordem cronológica ajuda a reconstruir a trajetória de saúde da criança, comparar resultados e mostrar a um novo médico o que já foi investigado ou tratado. 

A organização também evita que a família dependa apenas da memória para responder perguntas como quando determinado exame foi realizado ou qual medicamento já havia sido prescrito anteriormente.
 

5. Compartilhe o histórico com quem também cuida da criança

Pais separados, avós, familiares e outros cuidadores podem participar da rotina infantil em momentos diferentes. Por isso, informações importantes não devem ficar concentradas com apenas uma pessoa. A própria MYME foi desenvolvida para permitir a criação de perfis de dependentes e o compartilhamento da gestão com outros responsáveis. 

“Quando os pais são separados, por exemplo, o histórico de saúde não deveria ficar na casa do pai ou na casa da mãe. Ele precisa acompanhar a criança. Se houver uma consulta, uma mudança de medicamento, um sintoma na casa de um dos responsáveis ou um novo diagnóstico, os responsáveis precisam ter acesso à mesma informação atualizada”, diz Lucas. 

A mesma lógica vale para crianças que passam parte do dia ou da semana com avós e outros familiares. O objetivo não é substituir a orientação médica, mas garantir que quem participa do cuidado consiga acessar as informações necessárias no momento certo. 

“No Dia das Crianças, pensamos muito em presentes que serão aproveitados agora. Mas organizar o histórico de saúde também é uma forma de construir algo para o futuro. Essa criança vai trocar de médico, pode mudar de cidade e, quando crescer, vai assumir o próprio cuidado. Ter acesso ao que aconteceu com sua saúde desde a infância é um patrimônio de informação que os pais podem ajudar a preservar”, conclui Santiago.
  


MYME
Saiba mais aqui.


Quebra de tabu acelera diagnóstico de infertilidade masculina e transforma abordagem no consultório

 Homens representam 30% dos casos de infertilidade do casal de forma isolada e em até 50% das situações quando combinado a fatores femininos

 

Historicamente cercada por estigmas e pelo machismo estrutural, a investigação da infertilidade conjugal passava, quase que exclusivamente, pela saúde da mulher em suas etapas iniciais. No entanto, a quebra de tabus sociais e o avanço da medicina baseada em evidências têm transformado essa realidade na prática clínica. Atualmente, a diretriz médica é que homens sejam examinados simultaneamente no início do processo. 

Segundo dados do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), a infertilidade afeta cerca de 15% dos casais em idade reprodutiva, sendo o fator masculino responsável por aproximadamente 30% dos casos de forma isolada e presente em até 50% das situações quando combinado a fatores femininos. 

Essa mudança de paradigma reflete um entendimento mais amplo e responsável sobre a saúde do homem. A dificuldade de engravidar após 12 meses de tentativas regulares é o gatilho convencional para acender o alerta em um casal. Contudo, médicos de família e comunidade apontam que não se deve esperar esse prazo de forma rígida para investigar o homem, especialmente se o paciente possuir histórico de cirurgias testiculares, infecções, alterações sexuais ou fizer uso de substâncias de risco. 

Para o médico de família e comunidade Pedro Pina Coelho, da Amparo Saúde — rede de atenção primária e gestão de saúde populacional pertencente ao ecossistema do Grupo Sabin —, a abordagem atual é muito mais precisa. “Houve uma mudança importante na forma de compreender a infertilidade. Hoje sabemos que o fator masculino está presente em uma parcela significativa dos casos e, portanto, não faz sentido começar automaticamente pela investigação da mulher”, explica o especialista.

 

Crise na fertilidade masculina 

A urgência na investigação da saúde reprodutiva masculina encontra respaldo em robustas evidências científicas globais. A extensa revisão sistemática citada por Pedro Pina Coelho, liderada pelo pesquisador Hagai Levine e publicada em 2022 na renomada revista Human Reproduction Update, comprovou uma redução significativa e progressiva da concentração e da contagem total de espermatozoides em homens avaliados ao redor do mundo entre 1973 e 2018. 

Embora não signifique que todos esses homens sejam clinicamente inférteis, o fenômeno serve de alerta. Fatores diretamente ligados ao estilo de vida atual são os principais alvos de preocupação: obesidade, tabagismo, sedentarismo, poluição ambiental e, de maneira crítica, o uso indiscriminado de esteroides anabolizantes, que podem suspender temporária ou definitivamente a produção de espermatozoides. 

Para atender a essa demanda crescente por diagnósticos rigorosos e precoces, o Sabin consolidou um portfólio completo voltado à saúde masculina. A linha de cuidado usualmente começa com o espermograma, considerado o exame de excelência para avaliar volume, concentração, motilidade e morfologia do sêmen. Essa análise é frequentemente apoiada por exames hormonais de sangue, como as dosagens de Testosterona e de FSH (Hormônio Folículo-Estimulante), essenciais para o mapeamento da função reprodutiva. 

Além das análises clínicas e de diagnóstico por imagem (como a ultrassonografia para detecção de varicocele), o Grupo investiu em genética. Por meio da área de Genômica, o Sabin disponibiliza os inovadores painéis genéticos por Sequenciamento de Nova Geração (NGS) para investigação de infertilidade masculina, que permitem detectar alterações genéticas profundas, viabilizando tratamentos altamente personalizados e assertivos.

 

Lado psicossocial 

A eficácia do diagnóstico, porém, depende da adesão e do bem-estar do paciente. A infertilidade masculina frequentemente afeta a esfera psicossocial, já que, culturalmente, muitos homens ainda atrelam fertilidade à masculinidade e à potência sexual, conceitos que não têm a menor relação. Um homem pode apresentar função sexual plena, com ereção e libido adequadas, e, ainda assim, enfrentar anomalias severas na produção de espermatozoides. 

É neste cenário que o primeiro médico a ser procurado pelo casal pode aproveitar a oportunidade para investigar mais a fundo a saúde do paciente. “A infertilidade pode ser o motivo pelo qual o homem procura o serviço de saúde, mas não precisa ser o único problema que investigamos”, ressalta Pedro Pina.


Grupo Sabin
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Médica explica por que o monitoramento de vírus respiratórios deve continuar no Paraná

Médica pneumologista detalha cuidados e grupos de risco
para vírus respiratórios no Paraná; vacinação em dia protege a saúde
Pneumologista destaca papel fundamental da vacinação e aponta quais cuidados diários evitam formas graves da doença

 

Mesmo com a tendência de estabilidade ou queda de casos graves em diversas regiões do país, o Paraná permanece entre os estados que exigem atenção para a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), segundo a mais recente edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz.

 

“O monitoramento contínuo é fundamental porque a circulação desses agentes é dinâmica e sofre alterações rápidas. A vigilância permite identificar quais vírus estão circulando, em que intensidade e quais grupos estão sendo mais afetados, possibilitando uma resposta mais rápida dos serviços de saúde”, explica a médica pneumologista e docente do curso de Medicina do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR), Bianca Pasquini Galinari.

 

A especialista reforça que os vírus respiratórios não devem ser encarados apenas como um problema sazonal do inverno. Embora o clima frio favoreça a transmissão e aumente a pressão sobre a rede de atendimento, o acompanhamento precisa ser permanente.


A importância da imunização


Bianca também alerta para o equívoco comum de minimizar a gravidade das infecções: “É importante evitar a ideia de que ‘gripe é sempre uma doença simples’. Influenza, Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e Covid-19 podem causar desde quadros leves até pneumonia, insuficiência respiratória, internação e morte, principalmente nos grupos vulneráveis”.

 

A principal estratégia para mitigar complicações, hospitalizações e óbitos causados pelos principais patógenos — como a influenza, o VSR e a Covid-19 — continua sendo a vacinação em dia contra essas doenças, para as quais já existem imunizantes disponíveis na rede pública de saúde.

 


Públicos mais vulneráveis


Embora qualquer pessoa possa contrair infecções respiratórias, determinados grupos correm riscos severos de evolução para casos graves. A atenção médica deve ser redobrada para:

 

·        Crianças pequenas, especialmente menores de 2 anos (com atenção especial aos bebês),


·        Idosos, principalmente aqueles com idade mais avançada,


·        Gestantes e puérperas,


·       Pessoas com doenças crônicas, tais como cardiopatias, pneumopatias, diabetes e patologias neurológicas,


·        Pessoas com imunossupressão,


·   Indivíduos com obesidade e outras condições que aumentem a probabilidade de complicações,


·     Pessoas institucionalizadas ou que se encontrem em situações de maior exposição.


 

Magnific

 O que fazer para se proteger no dia a dia?


Além de manter a caderneta de vacinação atualizada, a médica pneumologista do Centro Universitário Integrado, de Campo Mourão, ressalta que a população pode adotar medidas práticas de prevenção e contenção de transmissão:

 

·        Lavar ou higienizar as mãos com frequência,


·     Não compartilhar objetos pessoais como copos, talheres, toalhas e telefones; eles devem ser mantidos de uso estritamente individual,


·        Manter os cômodos e locais de convivência bem ventilados,


·        Evitar aglomerações sempre que houver picos ou aumento expressivo na circulação viral,


·      Utilizar máscaras de proteção em situações de maior risco, medida indicada especialmente para pessoas vulneráveis ou para quem apresenta sintomas respiratórios,


·      Evitar contato próximo com indivíduos de grupos de risco caso esteja doente,


·        Reduzir a circulação e abster-se de frequentar ambientes coletivos ao manifestar sintomas respiratórios — com maior rigor em hospitais, instituições de longa permanência e locais com presença de bebês e idosos.

 

“Seguindo essas orientações, é possível cuidar da saúde e evitar a propagação da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em todos os meses do ano”, complementa a professora do curso de Medicina do Centro Universitário Integrado, Bianca Pasquini Galinari.

 

Centro Universitário Integrado


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