Pesquisar no Blog

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Dor no ombro, a inteligência artificial pode ajudar?

Magnific
 IA
Estudo com 46 pacientes avaliou programa digital baseado em IA para acompanhar exercícios de reabilitação; SBCOC alerta que tecnologia deve ser usada como complemento à avaliação e orientação de profissionais 

 

Para quem está tratando uma dor no ombro, fazer os exercícios em casa faz parte da rotina. Mas será que a tecnologia pode ajudar o paciente a realizar esses movimentos da maneira correta e manter o tratamento entre uma consulta e outra? Essa é uma das possibilidades que a inteligência artificial começa a trazer para a reabilitação. Um estudo publicado em 2026 acompanhou 46 pacientes com dor relacionada ao manguito rotador e avaliou o uso de um programa digital com IA e visão computacional durante os exercícios realizados em casa. 

No estudo, os participantes foram divididos em dois grupos e fizeram o tratamento durante 12 semanas. Um deles recebeu fisioterapia convencional, enquanto o outro fez o mesmo tratamento associado a um programa digital baseado em inteligência artificial. Por meio da visão computacional, a ferramenta fornecia feedback em tempo real e monitorava o desempenho dos pacientes durante os exercícios. Ao comparar os dois grupos, os pesquisadores encontraram diferenças em alguns momentos do acompanhamento, principalmente em relação à dor e à função do membro superior. 

“A inteligência artificial pode ser uma ferramenta interessante para ampliar o acompanhamento do paciente durante a reabilitação. Ao utilizar a câmera para analisar a execução dos exercícios e oferecer feedback em tempo real, a tecnologia pode contribuir para que o paciente tenha mais segurança ao realizar os movimentos em casa e facilitar o acompanhamento entre as consultas ou sessões de fisioterapia”, explica o Dr. Eduardo Malavolta, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC). 

Apesar dos resultados, o uso da inteligência artificial exige alguns cuidados. A dor no ombro pode estar relacionada a diferentes problemas e, por isso, não deve ser considerada um diagnóstico por si só. Para identificar a causa da dor e definir o tratamento mais adequado, é necessária uma avaliação feita por um profissional de saúde, que pode considerar o histórico do paciente, o exame físico e, quando necessário, exames de imagem. 

Outro ponto de atenção é que a inteligência artificial não deve ser usada pelo paciente para tentar identificar sozinho a causa da dor ou decidir como deve ser tratado. As ferramentas disponíveis podem apresentar informações incorretas, incompletas ou desatualizadas, além de nem sempre deixarem claras as fontes utilizadas. Por isso, mesmo com os avanços da tecnologia, a orientação de profissionais continua sendo fundamental para definir a conduta mais adequada para cada paciente. 

“É importante evitar que o paciente use a inteligência artificial para tentar tratar sozinho uma situação que deveria ser avaliada por um profissional. A mensagem que precisamos passar é de equilíbrio entre inovação e segurança, entendendo a IA como uma ferramenta complementar, e não como substituta do médico ou do fisioterapeuta. O futuro não é IA no lugar do profissional, mas profissional utilizando IA para cuidar melhor do paciente”, conclui.



Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC)

 

Câncer de mama: sim, você pode voltar a treinar — mas não de qualquer jeito

Entenda como adaptar caminhada, musculação e outros exercícios durante e após o tratamento

 

“Volte a fazer exercícios quando estiver bem.” A recomendação parece simples, mas pode não ser suficiente para quem passou por um câncer de mama. Entre cirurgia, quimioterapia, radioterapia, alterações hormonais e a própria fadiga provocada pelo tratamento, o retorno à atividade física precisa considerar o momento e as condições de cada paciente. 

Um estudo publicado em abril de 2026 no JAMA Network Open reforça essa mudança de olhar. Pesquisadores analisaram dados de 2.107 mulheres diagnosticadas com câncer de mama em estágios I a III e avaliaram estratégias individualizadas de aumento da atividade aeróbica. Na análise, o aumento progressivo do exercício esteve associado a menor mortalidade por todas as causas e também por câncer de mama. 

O resultado chama atenção, mas precisa ser interpretado com cautela. O trabalho utilizou uma coorte (estudo observacional) e a chamada emulação de ensaio clínico, e não um ensaio clínico randomizado. Por isso, os próprios pesquisadores ressaltam que novos estudos são necessários para confirmar se o aumento da atividade física é responsável diretamente pela redução observada na mortalidade. 

Para o ginecologista e mastologista Rodrigo Freitas, da Clínica Elsimar Coutinho, em São Paulo, o principal avanço está em compreender que exercício não deve ser encarado como uma recomendação genérica depois do câncer. 

“Uma paciente em quimioterapia, uma mulher que acabou de passar por uma cirurgia e outra que terminou o tratamento há alguns anos estão em situações completamente diferentes. O exercício precisa acompanhar essa trajetória, respeitando sintomas, limitações e objetivos de cada fase.”

 

Durante a quimioterapia, é preciso adaptar

A quimioterapia pode provocar fadiga, náuseas, alterações hematológicas e perda de condicionamento. Isso não significa, necessariamente, que a paciente precise ficar parada. O Instituto Nacional de Câncer (INCA), em recomendações elaboradas em parceria com a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e a Sociedade Brasileira de Atividade Física e Saúde (SBAFS), destaca que a atividade física durante e após o tratamento pode ser segura e estar associada a benefícios como redução da fadiga e melhora da qualidade de vida. 

A diferença está na intensidade e no objetivo. Para algumas mulheres, uma caminhada leve pode ser suficiente em determinados períodos. Em outros momentos, pode ser possível aumentar gradualmente a duração ou a intensidade. 

“Durante a quimioterapia, muitas vezes o objetivo não é ganhar performance, mas preservar funcionalidade. Em um dia em que a paciente está bem, ela pode se movimentar mais; em outro, pode precisar reduzir a intensidade ou descansar. O planejamento precisa ser flexível”, explica Freitas. 

A fadiga relacionada ao câncer também merece atenção. Ela não é apenas o cansaço habitual depois de uma atividade: pode persistir mesmo após o repouso e interferir na rotina. Por isso, esperar a fadiga desaparecer completamente para só então começar a se movimentar pode não ser a melhor estratégia. Quando liberada pela equipe responsável, a atividade física pode fazer parte justamente do manejo desse sintoma.

 

Depois da cirurgia, mexer o braço é parte da recuperação

O medo de movimentar o braço do lado operado é comum entre mulheres que passaram por cirurgia de câncer de mama. Existe o receio de prejudicar a cicatrização ou aumentar o risco de linfedema, o que pode levar algumas pacientes a restringirem os movimentos por mais tempo do que o necessário. 

A orientação atual é mais individualizada. Estudos conduzidos pelo INCA indicam que exercícios para recuperar a amplitude do ombro podem ser realizados no pós-operatório, respeitando a cicatrização, os limites de cada paciente e a orientação da equipe de saúde. 

“Proteger a cirurgia não significa manter o braço imóvel. A reabilitação precisa ser progressiva, para que a mulher recupere amplitude de movimento, força e confiança para usar novamente o membro”, afirma o mastologista. 

O treinamento de força também pode fazer parte dessa recuperação. Após períodos de menor atividade, é comum ocorrer perda de massa e força muscular. A literatura analisada pelo INCA não encontrou aumento do volume do linfedema ou do risco de desenvolvê-lo associado ao exercício resistido, embora ainda existam limitações na qualidade das evidências. 

Na prática, isso significa que musculação e outros exercícios de resistência não precisam ser automaticamente proibidos depois do câncer de mama. O princípio é começar de acordo com a capacidade atual e aumentar a carga progressivamente.

 

E quando o tratamento provoca menopausa?

Para mulheres mais jovens, o tratamento pode trazer ainda outra mudança: a interrupção temporária ou definitiva da menstruação e a chegada antecipada da menopausa. Quimioterapia e alguns tratamentos hormonais podem estar associados a sintomas como ondas de calor, alterações do sono, ressecamento vaginal e redução da libido. 

Nesse contexto, manter-se fisicamente ativa também pode contribuir para preservar condicionamento, força muscular e saúde cardiovascular. Mas, novamente, não existe uma fórmula única. 

Idade, tipo de cirurgia, tratamento realizado, sintomas, saúde óssea, condição cardiovascular e medicamentos em uso são alguns dos fatores que precisam entrar na avaliação.

 

O retorno não precisa começar com uma meta impossível

As recomendações gerais para adultos costumam falar em pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa. Para quem está em tratamento ou se recuperando de um câncer, porém, transformar esse número em uma meta rígida pode ser pouco realista. 

O ponto de partida pode ser muito menor. Uma pessoa que antes do diagnóstico era sedentária e passou por cirurgia ou quimioterapia pode começar com períodos curtos de caminhada e, conforme sua condição permitir, aumentar gradualmente a duração, a frequência ou a intensidade. 

“Dizer simplesmente ‘faça 150 minutos por semana’ não resolve para uma paciente que hoje consegue caminhar apenas alguns minutos. Primeiro precisamos entender o que ela consegue fazer. Depois, construir uma progressão possível e segura”, diz Rodrigo Freitas. 

Essa mudança de perspectiva é importante porque o exercício não precisa aparecer apenas depois do fim do tratamento. Ele pode acompanhar diferentes etapas da jornada: ajudar a preservar a funcionalidade durante a quimioterapia, contribuir para a recuperação dos movimentos depois da cirurgia, combater o sedentarismo, recuperar força e condicionamento e fazer parte dos cuidados de longo prazo. 

O estudo publicado no JAMA Network Open acrescenta uma evidência importante a esse debate, ao associar aumentos progressivos de atividade aeróbica a melhores resultados de sobrevivência. Mas a mensagem não é que toda paciente com câncer de mama deve seguir o mesmo treino. É justamente o contrário: o exercício precisa ser prescrito e adaptado de acordo com a fase do tratamento e as características de cada mulher. 

“A pergunta não deveria ser apenas se a mulher que teve câncer pode fazer exercício. Precisamos perguntar qual exercício ela pode fazer, em que momento, com qual intensidade e quais adaptações são necessárias. É essa individualização que transforma a atividade física de uma recomendação genérica em uma ferramenta de cuidado”, conclui Freitas.

 

Importante: o início ou retorno à atividade física durante e após o tratamento do câncer deve ser individualizado e alinhado à equipe de saúde, especialmente no período pós-operatório, durante quimioterapia ou radioterapia e diante de sintomas ou outras condições clínicas.




Dr. Rodrigo Freitas - ginecologista e mastologista da Clínica Elsimar Coutinho, em São Paulo, com atuação voltada à saúde da mulher, menopausa, longevidade e qualidade de vida. O especialista acompanha pacientes em diferentes fases da vida, contribuindo para estratégias de prevenção, diagnóstico e promoção da saúde integral. Também realiza cirurgias mamárias e ginecológicas minimamente invasivas, incluindo procedimentos por videolaparoscopia e cirurgia robótica.


Referências

EloraTZP: novo medicamento chega a 23% de perda de peso em pessoas com diabetes

Apresentada nesta semana em congresso europeu, combinação experimental de tirzepatida e eloralintida chama atenção pelo potencial no tratamento da obesidade, mas efeitos colaterais ainda preocupam

 

Uma combinação experimental de dois medicamentos levou a uma perda média de até 23% do peso corporal em pessoas com obesidade e diabetes tipo 2 em menos de um ano. O resultado foi apresentado pela farmacêutica Eli Lilly durante o 62nd Annual Meeting of the European Association for the Study of Diabetes (EASD), esta semana em Milão, na Itália.

A EloraTZP combina a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, com a eloralintida, uma substância ainda experimental que imita a ação da amilina, hormônio produzido pelo pâncreas depois das refeições. O resultado está entre os maiores já observados nesse grupo de pacientes, mas ainda precisa ser confirmado em estudos maiores e mais longos.

"É um resultado que chama atenção porque estamos falando de um grupo em que a perda de peso costuma ser mais difícil. A combinação parece potencializar mecanismos diferentes de controle do apetite", explica o endocrinologista e metabologista Dr. Ramon Marcelino, doutor em Endocrinologia pela Faculdade de Medicina da USP e membro do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês.

A proposta da EloraTZP é justamente combinar mecanismos distintos. A tirzepatida atua por uma via já utilizada nos tratamentos atuais, enquanto a eloralintida imita a amilina, que participa da sinalização de saciedade por um caminho diferente.

"É como juntar duas vias que ajudam o organismo a entender que já recebeu alimento e que não precisa continuar buscando comida. A aposta é que esses mecanismos, atuando juntos, tenham um efeito maior do que cada um isoladamente", afirma Ramon.

A estratégia ganha força com resultados de outro medicamento experimental. A CagriSema, também baseada em um mecanismo relacionado à amilina, levou a uma perda de 12,4% do peso, contra 9,1% com tirzepatida isoladamente, em pessoas com diabetes, em pouco mais de um ano.
 

Um novo rival para a retatrutida

O resultado também coloca a EloraTZP em comparação com a retatrutida, outro medicamento experimental da Eli Lilly. No mesmo congresso, a substância apresentou perda de peso de cerca de 21% em pessoas com diabetes, em um estudo de um ano e meio.

A EloraTZP alcançou percentual maior em menos tempo e também apresentou melhor controle do açúcar no sangue. A comparação, porém, deve ser feita com cautela, já que os resultados vêm de estudos diferentes.

"Não é possível dizer, apenas comparando esses números, que um medicamento é definitivamente mais potente. Para isso, seria necessário colocar os dois tratamentos frente a frente em um mesmo estudo", ressalta o endocrinologista.

A retatrutida tem, por outro lado, dados de um estudo maior e mais avançado, com mais de mil pacientes. Na dose máxima, menos de um em cada 12 participantes abandonou o tratamento por efeitos colaterais.
 

Potência versus tolerabilidade

Na EloraTZP, o principal ponto de atenção está nos efeitos gastrointestinais. Náuseas e vômitos foram comuns, principalmente no início do tratamento. Na dose mais alta, mais de um em cada quatro participantes abandonou o estudo por causa dos efeitos adversos.

A Eli Lilly avalia que aumentar a dose mais lentamente pode ajudar a reduzir o problema, mas essa hipótese ainda precisa ser comprovada.

"De nada adianta um medicamento produzir uma perda de peso muito grande se os efeitos adversos impedirem o paciente de continuar usando. A eficácia precisa caminhar junto com a tolerabilidade", afirma Ramon.

A necessidade de novas opções está relacionada justamente à resposta variável aos tratamentos. Nos grandes estudos, cerca de um em cada dez pacientes sem diabetes não conseguiu perder nem 5% do peso. Entre pessoas com diabetes, essa proporção variou de um em cada seis a quase um em cada três, dependendo do medicamento.

"A obesidade é uma doença complexa, e nenhum medicamento único vai funcionar da mesma forma para todos. Cada nova opção pode representar uma alternativa para quem ainda não encontrou uma resposta adequada ao tratamento", diz o médico.
 

Quando chega ao Brasil?

Por enquanto, nada muda para os pacientes brasileiros. A eloralintida ainda é experimental e não tem aprovação da Anvisa nem de outros países. Os estudos finais estão em andamento e devem levar alguns anos.

"Os resultados são promissores, mas ainda estamos falando de uma etapa de desenvolvimento clínico. É preciso confirmar esses achados em pesquisas maiores e entender melhor a relação entre perda de peso, segurança e tolerabilidade", conclui Ramon.

 

Dr. Ramon Marcelino - referência em endocrinologia e medicina do estilo de vida. Atua no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP) e integra o corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês. Em seu perfil no Instagram @dr.ramonmarcelino, compartilha conteúdos confiáveis sobre saúde, metabolismo e os avanços no tratamento da obesidade.


Tratamento semanal pode trazer mais acolhimento à rotina de crianças ao reduzir consideravelmente o número de aplicações de hormônio do crescimento no ano

 Estudo de fase 3 da Novo Nordisk mostra que a somapacitana reduz o número de aplicações de 365 para 52 por ano, sem comprometer o crescimento; crianças que receberam o tratamento semanal não relataram dor no local da injeção

 

Neste Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, a Novo Nordisk reforça a importância do cuidado com o crescimento e o desenvolvimento infantil ao apresentar os principais resultados do estudo REAL8. A pesquisa avaliou o tratamento semanal com hormônio do crescimento em crianças com quatro condições associadas à baixa estatura. 1-4

Esquecimentos, resistência à agulha e o desgaste emocional de repetir esse processo todos os dias são obstáculos conhecidos, que podem comprometer a continuidade do tratamento justamente em uma fase decisiva para o crescimento. É justamente para reduzir esse peso que a estudo avaliou o tratamento semanal com hormônio do crescimento em crianças com quatro condições associadas à baixa estatura.

O REAL8 avaliou a somapacitana (Sogroya®), de aplicação semanal, como uma alternativa à rotina diária de aplicação.1-4 Após 52 semanas, o crescimento das crianças que receberam o tratamento semanal foi equivalente ou superior ao observado com a aplicação diária, a depender da condição avaliada. Além disso, nos resultados avaliados os resultados avaliados, os relatos de dor no local da injeção foram muito baixos, de até 1,5%. Já nos estudos com crianças com síndrome de Noonan e baixa estatura idiopática, não houve relatos de dor associada a aplicação de somapacitana (Sogroya®) semanal . 1-4

O impacto do tratamento não se limitou aos centímetros ganhos em altura. No estudo com crianças de baixa estatura idiopática, os pais e cuidadores responderam a um questionário específico sobre a sobrecarga da condição na vida da criança, e o resultado mostrou queda expressiva em todos os grupos tratados, com a redução mais acentuada, e concentrada especialmente no domínio de bem-estar social, observada entre as crianças que usaram a aplicação semanal. 3

O estudo acompanhou crianças com baixa estatura associada a quatro condições distintas, não relacionadas à deficiência de hormônio de crescimento propriamente dita: síndrome de Turner,2 síndrome de Noonan,1 baixa estatura idiopática3 e crianças nascidas pequenas para a idade gestacional (condição também conhecida pela sigla PIG).4 Em todos os grupos estudados, as crianças nunca haviam sido tratadas com hormônio de crescimento e foram divididas para receber a aplicação semanal ou a diária, sendo acompanhadas pelas 52 semanas.

Nos grupos com síndrome de Noonan1, os resultados apresentados com a aplicação semanal foram superiores ou equivalentes aos observados com a aplicação diária, quando comparados estatisticamente. Já nos grupos com síndrome de Turner2, baixa estatura idiopática3 e crianças nascidas pequenas para a idade gestacional4, os resultados apresentados com a aplicação semanal foram equivalentes aos da aplicação diária, dentro da variação normalmente esperada entre tratamentos considerados igualmente eficazes.

Além do crescimento, a redução no número de aplicações trouxe um benefício percebido diretamente pelas famílias participantes. Questionários respondidos por pais e cuidadores ao longo dos estudos indicaram uma tendência de menor sobrecarga do tratamento entre as crianças que usaram a aplicação semanal, em comparação às que receberam a injeção diária. Para os pesquisadores, essa vantagem tende a ficar ainda mais evidente fora do ambiente controlado de uma pesquisa clínica, quando as famílias não contam com lembretes e visitas frequentes de uma equipe médica, o que reforça o potencial da somapacitana para facilitar a adesão ao tratamento no mundo real. O perfil de segurança da somapacitana foi consistente com o já conhecido para o hormônio de crescimento em crianças, com eventos adversos predominantemente leves ou moderados e incidência semelhante entre os dois esquemas de aplicação.

 

Sobre crianças nascidas pequenas para a idade gestacional (PIG)

Uma criança é considerada pequena para a idade gestacional quando nasce com peso e/ou comprimento abaixo do esperado para o tempo de gestação, segundo critério de referência populacional. A maioria dessas crianças recupera espontaneamente o crescimento nos primeiros anos de vida, mas uma parcela, estimada entre 10% e 15%, não apresenta essa recuperação e chega à vida adulta com estatura abaixo do esperado, sendo candidata ao tratamento com hormônio de crescimento.

 

Sobre a síndrome de Turner

A síndrome de Turner é uma condição genética que afeta apenas indivíduos do sexo feminino, causada pela ausência total ou parcial de um dos dois cromossomos X. Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a condição está associada à baixa estatura, à puberdade tardia e a outras características físicas específicas, além de exigir acompanhamento das alterações metabólicas, como peso, glicemia, colesterol e triglicérides, tanto na infância quanto na vida adulta, para prevenir complicações cardiovasculares. O tratamento da baixa estatura associada à síndrome é feito com hormônio de crescimento.

 

Sobre a baixa estatura idiopática

A baixa estatura idiopática é definida como uma estatura mais de dois desvios-padrão abaixo da média para idade e sexo, sem que se identifique uma causa hormonal, genética ou de outra doença crônica após avaliação completa por um endocrinologista pediátrico. É uma das indicações reconhecidas para o uso de hormônio de crescimento em crianças, ao lado da deficiência de GH, da síndrome de Turner e de outras condições associadas à baixa estatura.

 

Sobre a síndrome de Noonan

A síndrome de Noonan é uma condição genética congênita, causada por mutações em genes da via de sinalização RAS/MAPK, responsável por regular o crescimento e a divisão celular. Ela faz parte do grupo das RASopatias e é transmitida, na maioria dos casos, de forma autossômica dominante. O gene PTPN11 responde por cerca de metade dos casos. O quadro clínico inclui baixa estatura, cardiopatias congênitas e características faciais distintivas, como olhos afastados e orelhas com implantação baixa. Atrasos no desenvolvimento também podem estar presentes. O diagnóstico é clínico e confirmado por exame genético, e o acompanhamento exige uma equipe multidisciplinar, com foco no crescimento, na saúde cardíaca e no desenvolvimento da criança ao longo da vida.

 

Referências

  1. JORGE, Alexander A.L. et al. Once-weekly somapacitan in children with Noonan syndrome: randomized controlled phase 3 trial. European Journal of Endocrinology, v. 194, n. 3, p. 393-403, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.1093/ejendo/lvag041.
  2. MAURAS, Nelly et al. Once-weekly somapacitan enhances linear growth in girls with Turner syndrome: a randomized controlled phase 3 study. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, v. 00, p. 1-15, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.1210/clinem/dgag309.
  3. ABUZZAHAB, Jennifer et al. Somapacitan in children with idiopathic short stature: a randomized controlled phase 3 study. European Journal of Endocrinology, v. 194, n. 2, p. 242-253, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.1093/ejendo/lvag027.
  4. LINGLART, Agnès et al. Somapacitan in children born small for gestational age: a randomized controlled phase 3 trial. European Journal of Endocrinology, v. 194, n. 3, p. 311-325, 2026. Disponível em: Link.
  5. Bula | Sogroya_Profissional.pdf

5.    

Dia das Crianças (12): psicopedagoga dá dicas de como escolher o presente e a brincadeira ideal por idade

A psicopedagoga e educadora parental Carla Costa orienta optar por recursos lúdicos, jogos, desafios, brincadeiras, leitura, escrita e situações-problema, evitando o excesso de telas.

 

Às vésperas do Dia das Crianças, celebrado no dia 12 de outubro, muitas famílias começam a pensar nos presentes para os pequenos. Para quem ainda está em dúvida, a dica é observar se a escolha desperta interesse e curiosidade, oferecendo possibilidades para a criança brincar, criar, experimentar e fazer descobertas.

Para Carla Costa, psicopedagoga e educadora parental, brincadeiras simples do cotidiano também são fontes de aprendizado e podem proporcionar experiências importantes. Jogos de encaixe e blocos de montar, por exemplo, permitem explorar formas, tamanhos, equilíbrio e relações espaciais. Já os quebra-cabeças mobilizam a atenção, planejamento e busca de estratégias para solucionar problemas. Outra opção é brincar de “faz de conta”, como brincar de escola, casinha, restaurante e supermercado, que abrem espaço para imaginação, linguagem e criatividade.

Com as crianças menores, Carla orienta experiências como ouvir músicas, cantar, contar histórias, além de explorar, com segurança, objetos com diferentes formas, sons e texturas, ampliando as possibilidades de descoberta. À medida que crescem, os interesses também mudam. Jogos de estratégia, cartas, jogos de tabuleiro, atividades artísticas, esportivas e de construção podem ser boas possibilidades, desde que façam sentido para aquela criança.

“Brincar é uma das principais formas de a criança conhecer o mundo, experimentar possibilidades e aprender. Quando ela monta, desmonta, inventa uma história, cria regras para uma brincadeira ou joga com outras pessoas, muitas habilidades estão sendo mobilizadas ao mesmo tempo. Por isso, mais importante do que procurar um brinquedo que ‘desenvolva’ determinada habilidade, é oferecer experiências variadas e espaço para que a criança explore, crie, faça escolhas e descubra o que consegue fazer ”, orienta Carla.

Na escolha de um presente, a recomendação da especialista é levar em conta os interesses, as características e o desenvolvimento de cada criança, considerando a indicação etária indicada pelo fabricante. Livros, material para desenho e pintura, instrumentos musicais infantis, jogos de tabuleiro, brinquedos de construção e materiais esportivos são algumas possibilidades.

No caso de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a psicopedagoga destaca que não existe um brinquedo específico que seja adequado para todas. A escolha deve partir dos interesses, das necessidades e das características individuais da criança. Jogos, brincadeiras, livros, atividades artísticas e desafios podem ser utilizados para ampliar experiências e favorecer diferentes aprendizagens, respeitando o perfil de cada uma.

“Também é importante que o adulto não transforme toda brincadeira em uma atividade dirigida ou tente resolver tudo pela criança. Se ela está tentando encaixar uma peça, montar alguma coisa ou encontrar uma solução para um jogo, podemos observar e dar um pouco de tempo antes de intervir. Nem sempre ela precisa de uma resposta pronta. Tentar, perceber que não funcionou, mudar de estratégia e tentar novamente também fazem parte da aprendizagem. O adulto pode estar disponível para ajudar, mas sem retirar da criança a oportunidade de descobrir que ela também consegue encontrar caminhos”, destaca. 

Para Carla, o Dia das Crianças pode ainda ser uma oportunidade para lembrar que presença e interação também fazem parte do brincar. Reservar um tempo para jogar, construir, desenhar, inventar histórias ou simplesmente acompanhar uma brincadeira pode ser tão significativo quanto o presente escolhido.

 

Plano de saúde negou home care: quando o tratamento domiciliar pode ter cobertura obrigatória

Prescrição médica, necessidade de substituir a internação hospitalar e complexidade do quadro estão entre os fatores considerados na análise do direito ao atendimento em casa.

 

Famílias que enfrentam a negativa de home care por parte de planos de saúde têm, em muitos casos, mais respaldo legal do que imaginam. A internação domiciliar, quando prescrita por médico e reconhecida como substituta da internação hospitalar, costuma ser tratada pela Justiça como extensão do próprio tratamento já coberto pelo convênio  e não como um serviço à parte, sujeito a livre recusa pela operadora. Ainda assim, é comum que pacientes recebam a negativa sem entender os critérios que, de fato, garantem esse direito.

Advogada especialista em direito da Saúde, Previdenciário e Família, Ciça Marques explica que o ponto central da análise não é o nome do procedimento, mas a real necessidade clínica do paciente. "Quando o médico indica o home care como continuidade de um tratamento que já vinha sendo custeado, e demonstra que a internação domiciliar substitui a hospitalar, a operadora não pode simplesmente negar sob a justificativa de que não consta no contrato", afirma.

Segundo ela, três elementos costumam pesar na avaliação de cada caso: a existência de prescrição médica detalhada, a comprovação de que o atendimento em casa substitui efetivamente a internação e a complexidade do quadro de saúde, que pode justificar a necessidade de equipe multidisciplinar, equipamentos ou monitoramento contínuo. "Não é qualquer solicitação que gera cobertura obrigatória. O que garante o direito é a demonstração de que, sem esse cuidado domiciliar, o paciente precisaria permanecer internado", pondera.

A advogada observa ainda que muitas negativas partem de uma leitura restritiva do contrato, ignorando entendimentos já consolidados sobre o tema. "Existe uma tendência das operadoras de tratar o home care como benefício extra, quando na prática ele muitas vezes é a forma mais adequada e menos invasiva de dar continuidade ao tratamento", diz.

Para famílias que se veem diante dessa negativa, a recomendação é reunir a documentação médica completa antes de qualquer contestação. "Relatório do médico assistente, histórico de internações, exames e uma justificativa clara da necessidade do home care fazem toda a diferença. Quanto mais objetiva for essa prova técnica, mais rápido tende a ser o reconhecimento do direito", orienta.

Ciça reforça que buscar orientação jurídica não deve ser visto como último recurso, mas como parte do processo desde o primeiro sinal de recusa. "Muita gente só procura ajuda depois de meses tentando resolver sozinho com a operadora, e isso pode agravar o quadro do paciente. Quanto antes a situação for analisada tecnicamente, maiores as chances de reverter a negativa sem desgaste desnecessário para a família", conclui. 



Fonte: Ciça Marques | Advogada especializada em direito Médico e da Saúde e Previdenciário.
instagram: @cicamarquesadv


Inteligência artificial prevê risco de complicação após cirurgia de tireoide


A hipocalcemia é uma das principais complicações da tireoidectomia
total e pode ocorrer em 15% a 40% dos pacientes
 (imagem: Shutterstock)

Modelo desenvolvido no A.C.Camargo com dados de mais de 7 mil pacientes identifica quem tem maior risco de queda dos níveis de cálcio no sangue e ajuda a personalizar o tratamento

 

Uma ferramenta de inteligência artificial (IA) desenvolvida por pesquisadores do A.C.Camargo Cancer Center pode ajudar a identificar pacientes com maior risco de desenvolver hipocalcemia transitória – condição caracterizada pela queda dos níveis de cálcio no sangue após cirurgia de retirada total da tireoide. O modelo, que apresentou alta capacidade de previsão, foi criado a partir de dados de mais de 7 mil pacientes acompanhados ao longo de dez anos na instituição e depois testado em um novo grupo de pacientes submetidos à cirurgia. A expectativa é que a tecnologia ajude os médicos a decidir quem precisa receber cálcio preventivamente e quem pode ser poupado de um tratamento desnecessário.

A hipocalcemia é uma das principais complicações da tireoidectomia total e pode ocorrer em 15% a 40% dos pacientes, dependendo do tipo de cirurgia realizada. O problema não acontece pela retirada da tireoide em si, mas devido à manipulação das paratireoides, pequenas glândulas responsáveis por controlar a quantidade de cálcio no sangue. Esse controle é feito por meio da produção de um hormônio chamado PTH. Quando as paratireoides têm sua função temporariamente prejudicada pela cirurgia, a queda na produção desse hormônio reduz a capacidade do organismo de manter os níveis adequados de cálcio. Na maior parte das vezes, a condição é passageira, mas pode provocar sintomas e exigir tratamento.

Os sintomas mais comuns são cãibras e formigamentos, mas também podem ocorrer náuseas e vômitos e, nos casos mais graves, alterações cardíacas. “É uma condição potencialmente grave, que piora muito a experiência do paciente, aumenta o tempo de internação, a necessidade de medicamentos e os custos do tratamento”, afirma o médico oncologista Genival Barbosa Carvalho, cirurgião de cabeça e pescoço do A.C.Camargo e um dos autores do estudo.

Segundo Carvalho, atualmente, uma das principais formas de avaliar o risco da hipocalcemia é medir o PTH depois da cirurgia. Quando o resultado é normal e o paciente não apresenta sintomas, a chance de desenvolver hipocalcemia é pequena. A dificuldade está nos casos em que o hormônio aparece reduzido, mas o paciente está sem sintomas.

De acordo com o pesquisador, mesmo em condições ideais de coleta e análise, cerca de 30% dos pacientes podem apresentar PTH baixo sem desenvolver sintomas posteriormente. Tratar todos preventivamente significaria, portanto, dar cálcio e vitamina D a pessoas que não precisariam desses medicamentos. Por outro lado, deixar de tratar quem de fato desenvolverá hipocalcemia pode fazer com que o paciente passe mal depois da alta e precise procurar um pronto-socorro.


A ideia da ferramenta

Foi justamente para tentar ajudar a reduzir essa incerteza que os pesquisadores do A.C.Camargo desenvolveram a ferramenta de inteligência artificial. O projeto, financiado pela FAPESP, deu origem ao estudo publicado em maio na revista Scientific Reports.

O modelo foi construído com base nas informações de 7.066 pacientes submetidos à retirada total da tireoide no hospital entre 2014 e 2024. Em vez de considerar apenas um exame para fazer o cálculo de risco da hipocalcemia, a IA cruzou diferentes informações disponíveis ao longo da jornada do paciente, desde características pessoais e da doença até dados da cirurgia e resultados obtidos no pós-operatório.

“O PTH é um indicador importante, mas esse exame sozinho não captura toda a complexidade do risco. O diferencial do aprendizado de máquina é conseguir integrar essa informação a diversas outras variáveis e analisar as relações entre elas. Em nosso estudo, à medida que novas informações eram incorporadas ao longo da jornada do paciente, a capacidade do modelo de distinguir o risco de desenvolver hipocalcemia aumentava”, conta Israel Tojal da Silva, cientista da computação, coordenador do Laboratório de Bioinformática do A.C.Camargo e autor sênior do artigo.

A maior precisão da tecnologia foi alcançada quando o sistema analisou as informações coletadas no período pós-operatório. Após criar o modelo com o histórico de prontuários antigos (dados retrospectivos), os pesquisadores testaram a ferramenta na prática com 149 novos pacientes operados no próprio A.C.Camargo. Desses, 31 desenvolveram hipocalcemia transitória. Nessa etapa de validação com casos reais, a inteligência artificial demonstrou alta capacidade de distinguir quem tinha maior ou menor risco de apresentar a complicação.

Entre as informações que mais contribuíram para a previsão da hipocalcemia estava o PTH baixo, um fator de risco já conhecido pelos médicos. Mas a ferramenta também identificou outros elementos, como a realização de esvaziamento cervical bilateral (retirada dos linfonodos no pescoço) e a duração da cirurgia. Horário do procedimento e carga de trabalho do cirurgião também apareceram associados ao risco.

Os pesquisadores ressaltam, porém, que isso não significa que esses fatores sejam a causa da hipocalcemia, pois eles podem refletir outras características, como a maior complexidade de determinados procedimentos.

Outro diferencial é que o sistema utiliza a chamada inteligência artificial explicável. Isso significa, que além de indicar se o paciente apresenta maior ou menor risco de desenvolver hipocalcemia, a ferramenta mostra quais informações contribuíram para esse resultado. “Existe a ideia de que a IA funciona como uma caixa-preta, porque nem sempre sabemos como ela chegou a determinado resultado. Nesse caso, nós conseguimos mostrar quais fatores mais pesaram naquela avaliação de risco do paciente”, explica Tojal.

Na prática clínica, a ferramenta não pretende substituir os exames nem definir sozinha o tratamento. Ela funcionaria principalmente como apoio à decisão médica para casos de pacientes em que há dúvida. “Quando acaba a cirurgia, temos três cenários. Há o paciente com exame alterado e sintomas, que sem dúvida precisa ser tratado. No outro extremo, há aquele com exame normal e sem sintomas, que não precisa fazer nada. O problema é o grupo do meio: o paciente está ótimo, não sente nada, mas o exame está alterado. Aí você não sabe se dá o remédio ou não. É nesse grupo que a ferramenta pode ajudar a indicar quem tem maior risco e precisa tratar e quem pode ser poupado”, explica Carvalho.

O sistema já foi transformado em uma plataforma web na qual os médicos inserem as informações do paciente e recebem uma estimativa individualizada de risco. O modelo está sendo testado em pacientes do próprio A.C.Camargo. “Ao conseguirmos antecipar o risco de uma complicação, podemos planejar melhor o cuidado de cada paciente, direcionando as intervenções para quem realmente precisa. Isso pode melhorar a experiência do paciente e contribuir para uma recuperação mais segura e eficiente”, afirma Tojal.

O próximo passo é testar o sistema em outros hospitais. Embora a base usada no desenvolvimento já reúna milhares de pacientes, todos foram atendidos na mesma instituição, o que limita a possibilidade de generalizar os resultados. O software teve pedido de patente depositado e, segundo Carvalho, a intenção é disponibilizá-lo gratuitamente para instituições interessadas após a conclusão dessa etapa. “A ideia agora é disponibilizar e validar em outra série”, conclui o pesquisador.

O artigo Artificial intelligence for predicting transient hypocalcemia after total thyroidectomy pode ser lido em: nature.com/articles/s41598-026-49133-7.

 


Fernanda Bassette

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/inteligencia-artificial-preve-risco-de-complicacao-apos-cirurgia-de-tireoide/59327


Osteoporose avança sem sintomas: por que a prevenção precisa começar antes da primeira fratura

A queda do estrogênio acelera a perda de massa óssea; avaliação individualizada ajuda a identificar riscos e proteger ossos e músculos após os 40 anos.


Ela avança sem dor, sem inchaço, sem qualquer aviso que justifique uma ida ao médico. É por isso que a osteoporose costuma ser descoberta tarde: na maioria das vezes, o diagnóstico só aparece depois que um osso já cedeu a um esforço banal, como uma escorregada dentro de casa ou um movimento brusco ao levantar da cama. Enquanto isso, o processo de enfraquecimento ósseo pode estar em curso havia anos, avançando de forma silenciosa justamente na fase em que a maioria das pessoas menos pensa em cuidar dos ossos.

Ginecologista, pós-doutora e sócia da Clarizia Saúde da Mulher, a Dra. Alessandra Clarizia dedica boa parte de sua atuação a essa fase de transição do corpo feminino. Segundo ela, existe uma explicação hormonal clara para essa aceleração. "O estrogênio funciona como uma espécie de freio na reabsorção óssea. Quando os níveis caem, esse freio afrouxa, e o organismo passa a perder osso num ritmo bem mais rápido do que consegue repor", explica.

A médica destaca que o impacto dessa queda hormonal não se limita ao esqueleto. Os músculos também sofrem, e essa combinação é o que costuma abrir caminho para as fraturas. "Não é só o osso que fragiliza. A massa muscular também diminui, e isso afeta equilíbrio, postura e a capacidade de reagir a um tropeço. A fratura quase sempre é a soma desses dois fatores, não um problema isolado", pondera.

Por isso, na visão da especialista, esperar por algum sintoma para procurar avaliação é abrir mão da fase em que mais se pode intervir. "Quando a pessoa sente dor ou percebe alguma mudança visível, o quadro já estava se formando havia tempo. O ideal é agir antes disso, e não depois", afirma.

Ela defende que a investigação óssea entre os 40 e os 50 anos leve em conta o histórico familiar, a rotina alimentar, o nível de atividade física e o momento hormonal de cada paciente, associados a exames como a densitometria. A partir desse conjunto de informações, é possível construir uma estratégia que una, quando necessário, ajuste hormonal, fortalecimento muscular e orientação nutricional. "A velocidade da perda óssea varia muito de pessoa para pessoa. Por isso o acompanhamento precisa ser individual, não existe fórmula pronta que sirva pra todo mundo", pontua.

Para a especialista, tratar a saúde dos ossos como prioridade desde cedo, e não como resposta a uma fratura já ocorrida, é o que realmente faz diferença no futuro. "Cuidar do osso antes que ele quebre é cuidar da liberdade dessa mulher daqui a alguns anos. É poder caminhar, carregar as compras, brincar com um neto no colo sem medo de cair", conclui.



Fonte: Dra. Alessandra Clarizia | Ginecologista e pós-doutora, com atuação em ginecologia regenerativa e sócia da Clarizia Saúde da Mulher.
instagram: @clarizia.saudedamulher


Telemedicina: cerca de 4 em cada 10 pacientes apontam dificuldade de identificar plataformas e médicos falsos; veja como se proteger

 

Levantamento do Olá Doutor mostra que o avanço da modalidade de  atendimento
convive com algumas dúvidas entre os brasileiros
— e reforça o papel das plataformas em esclarecê-las

Profissionais gerados via IA, golpes em consultas, plataformas falsas. Em meio aos diversos riscos à espreita no ambiente digital, será que os brasileiros estão aptos para diferenciar um médico real de um perfil falso ou reconhecer uma plataforma confiável de telemedicina? Segundo um estudo recente, que ouviu entrevistados de diferentes regiões do país, a resposta é “não totalmente” — ao menos para cerca de 4 em cada 10 entrevistados.


Os dados são do Olá Doutor, plataforma de consultas que conecta pacientes a médicos e que, nas últimas semanas, ouviu centenas de pessoas para entender como a telemedicina vem sendo usada no país, bem como as dúvidas que ainda cercam o tema, sobretudo em um momento de popularização de empresas e perfis enganosos online.

“Com a popularização da inteligência artificial e o crescimento de conteúdos de saúde nas redes, é natural que o paciente tenha dúvidas sobre em quem confiar”, comenta Anderson Zilli, CEO do Olá Doutor. “Por isso, alguns cuidados simples fazem diferença: verificar se o profissional está devidamente registrado, buscar atendimento em plataformas confiáveis e desconfiar de quem não apresenta credenciais médicas. A tecnologia deve facilitar o acesso à saúde, não tornar mais difícil para o paciente saber quem está cuidando dele.”



Telemedicina já faz parte da rotina dos brasileiros

Se, há alguns anos, o atendimento remoto era visto com ressalva por certos pacientes, em 2026, a pesquisa do Olá Doutor apenas reforça como as consultas online já figuram entre as opções consideradas na hora de resolver uma questão de saúde, seja durante uma viagem, em meio à correria do dia a dia ou no ambiente de trabalho.

Ao longo do levantamento, por exemplo, 46% dos respondentes reforçaram já ter tido algum tipo de experiência com a modalidade, procura geralmente motivada pela avaliação rápida de sintomas (53,4%), consultas de rotina (50%), esclarecimento de dúvidas (47,6%) e, ainda, a prescrição ou renovação de medicamentos (33,6%).



A experiência, de modo geral, tem sido positiva: enquanto 37,8% dos entrevistados mencionaram experiências positivas com consultas online, 25,4% foram além, destacando já ter se sentido mais confortáveis com o atendimento digital do que esperavam. O nível de satisfação, vale dizer, também se reflete nas indicações: recomendar uma plataforma ou serviço de telemedicina a outras pessoas é uma experiência compartilhada por 19,2% das pessoas consideradas no estudo.

Dados, médicos e plataformas: onde estão as principais dúvidas dos pacientes?

A popularização da telemedicina, no entanto, também traz novos desafios para quem busca atendimento de saúde pela internet.

Isso porque, à medida que as consultas online passam a fazer parte da rotina, o paciente precisa não apenas encontrar um serviço que atenda às necessidades, mas entender como seus dados são tratados, reconhecer quem está do outro lado e identificar se a plataforma utilizada é, de fato, confiável — pontos em que, com o avanço dos golpes e fraudes online, permanecem lacunas.



De um lado, por exemplo, estão as dúvidas relacionadas ao uso de dados: segundo o estudo, 47% dos entrevistados ainda não sabem como seus dados são armazenados pelas plataformas, enquanto 47,6% afirmam se perguntar sobre quem, de fato, pode acessar essas informações.

De outro, estão as dúvidas sobre a autenticidade dos médicos e plataformas, cenário amplificado pelos "médicos fake" criados com inteligência artificial. Como alerta o Conselho Federal de Medicina (CFM), trata-se de perfis que, nos últimos anos, vêm ganhando espaço nas redes com conteúdos direcionados, principalmente, a pessoas idosas. Em geral, utilizam personagens de aparência e voz realistas para divulgar orientações sem comprovação científica, bem como livros digitais e outros produtos.

Nesse contexto, o estudo do Olá Doutor mostra que boa parte dos brasileiros ainda não se sente apta para identificar esse tipo de fraude, já que 34,2% apontaram pouco preparo para reconhecer imagens de médicos geradas por IA em um vídeo ou consulta. O mesmo tipo de insegurança aparece quando o assunto são as próprias plataformas: 40,4% dos entrevistados têm dificuldade ou não saberiam reconhecer uma plataforma de telemedicina falsa, enquanto 37,8% afirmaram conseguir identificá-la apenas parcialmente.

“As empresas de telemedicina têm um papel importante quando o assunto é garantir uma experiência segura e transparente, seja reforçando validações de identidade e credenciais médicas ou ofertando mais informações para que o paciente saiba quem está prestando o atendimento”, comenta Anderson. “No Olá Doutor, buscamos reforçar esses cuidados para que a tecnologia facilite o acesso à saúde sem abrir espaço para inseguranças que poderiam ser evitadas”, conclui ele.



Para quem ainda tem dificuldade em diferenciar uma plataforma legítima de uma falsa, os próprios entrevistados compartilham alguns caminhos que ajudam nessa identificação.

Entre aqueles que afirmam conseguir reconhecer um serviço confiável, os principais pontos observados são o endereço e o site da plataforma (57,4%), a reputação do serviço (49,2%), o CNPJ e as informações da empresa responsável (47,8%) e comentários de outros usuários (45,6%). Em um cenário de expansão da telemedicina, os dados reforçam o que, para muitos, não é novidade: informação e transparência fazem parte do cuidado e, em muitos casos, são decisivos para que o paciente volte a buscar atendimento online.

Metodologia

Para analisar a relação dos pacientes brasileiros com a telemedicina, nas últimas semanas, foram entrevistados 500 adultos (maiores de 18 anos) residentes em todas as regiões e conectados à internet. O índice de confiabilidade foi de 95%, e a margem de erro foi de 3,3 pontos percentuais.

Ao todo, os respondentes tiveram acesso a 8 questões, que abordaram a frequência com que recorrem a tais plataformas, as finalidades de uso mais comuns e as principais dificuldades de quem costuma se consultar pela internet. A organização das respostas possibilitou a criação de diferentes rankings, nos quais você confere cada alternativa apontada pelos entrevistados.


https://oladoutor.app/blog/


Posts mais acessados