Pesquisar no Blog

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Liderança ambidestra: como garantir a longevidade corporativa?

Como uma empresa pode continuar excelente no presente, sem se tornar irrelevante no futuro? Essa, talvez, seja uma das perguntas mais difíceis para os líderes de hoje. Afinal, inovar exige espaço para experimentar, enquanto operar um negócio exige disciplina, foco e previsibilidade. Conciliar essas visões é o que torna a ambidestria uma competência cada vez mais estratégica para a sobrevivência e a longevidade das organizações - algo que não pode ficar de fora das competências necessárias para todos que assumirão essa responsabilidade. 

Em teoria, a ambidestria pode ser entendida como a capacidade de o líder olhar para o presente e o futuro, sem deixar de vislumbrar o passado. A curto prazo, significa garantir a execução, acompanhar resultados e assegurar que a empresa avance em direção aos objetivos estabelecidos — sejam eles mensais, semestrais ou anuais. Isso, ao mesmo tempo em que dê atenção ao futuro, identificando novas oportunidades, antecipando mudanças e criando condições para que a organização se adapte e se reinvente diante de novos ciclos de mercado. 

Por que isso importa? Pois, cada vez mais, notamos dificuldades crescentes de as organizações permanecerem relevantes diante de um cenário marcado por mudanças tecnológicas, novos modelos de negócio e transformações no comportamento dos consumidores. Um levantamento da Innosight comprova isso: segundo seus dados, o tempo médio de permanência de uma companhia no S&P 500, que chegou a cerca de 30 anos nas décadas de 1970 e 1980, caiu para menos de 20 anos nas projeções mais recentes. Em março deste ano, outra análise do Apollo estimou essa permanência média em apenas 15 anos. 

A própria pandemia, inclusive, reforçou essa percepção de forma particularmente clara. Ela ensinou ao mercado que o próximo grande desafio de uma empresa não necessariamente terá a mesma natureza do anterior — e, portanto, repetir uma receita que funcionou no passado, não é garantia de sucesso no futuro. Organizações que permaneceram excessivamente presas a modelos, processos e certezas já conhecidas tiveram mais dificuldade para responder às mudanças abruptas daquele período.  

Em contrapartida, aquelas que demonstraram maior abertura para rever estratégias, testar novas alternativas e se adaptar rapidamente, conseguiram atravessar melhor a turbulência e, em alguns casos, encontrar novas oportunidades de crescimento. A lição que permanece é simples, mas estratégica: não basta fazer bem aquilo que trouxe a empresa até aqui; é preciso estar preparado para mudar antes que o próximo ciclo obrigue a fazê-lo, sem que a empresa esteja preparada. 

Isso porque olhar para o futuro não significa, apenas, projetar como melhorar aquilo que a empresa já faz hoje, mas também questionar se existe algo completamente diferente que poderia ser feito. É o exercício de sair da lógica incremental e, em alguns momentos, começar do zero: identificar necessidades ainda não atendidas, enxergar pontos cegos do mercado e imaginar novas formas de gerar valor.  

É como se pensássemos, por exemplo, em um time de futebol: uma equipe pode ter um esquema tático que funciona, mas será que precisa, necessariamente, jogar da mesma maneira em todas as partidas? Rearranjar as peças, mudar a estratégia, experimentar uma nova formação ou surpreender o adversário pode ser justamente o que fará diferença. Nas empresas, a lógica é semelhante: a eficiência mantém o jogo em andamento, enquanto a inovação pode mudar o resultado. 

O varejo é outro bom exemplo, um setor que convive com gigantes digitais que construíram modelos altamente escaláveis, empresas físicas que encontraram formas de permanecer relevantes, e organizações que tentam combinar os dois mundos. Não existe uma única receita para o sucesso — e é justamente aí que a ambidestria se torna importante, fazendo com que o líder precise olhar para aquilo que o mercado já faz, mas também os pontos cegos que podem esconder oportunidades importantes para quem estiver disposto a sair da caixa e questionar padrões estabelecidos.  

Dividir e equilibrar essa agenda não é algo simples, mas que pode ser favorecido, sobretudo, com a construção de um bom time. Um líder ambidestro não precisa estar em todas as decisões operacionais, mas precisa de uma equipe engajada, preparada e alinhada à mesma visão de futuro. Quando compartilham essa direção e possuem autonomia para executar, o líder deixa de ser o único responsável por fazer a operação acontecer, e ganha espaço para se dedicar a responsabilidades como antecipar movimentos, questionar certezas e identificar novas oportunidades. 

No fim, a ambidestria profissional é sobre equilibrar presente e futuro, sem perder de vista os aprendizados do passado, conciliando resultados imediatos com decisões cujo retorno pode estar muito distante. Mas, são nos momentos de maior incerteza que surgem as oportunidades de fazer diferente, não esperando para mudar quando a crise chega, mas construindo, antes dela, uma organização capaz de enxergar a mudança como uma oportunidade.  



Thiago Gaudencio - headhunter e sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.


Wide
https://wide.works/

 

A inteligência artificial mudou o que significa ser um bom profissional


Durante muito tempo, quando uma empresa precisava contratar alguém, formação, experiência profissional, conhecimento técnico e capacidade de executar determinada função estavam entre os principais critérios de escolha. Quanto mais conhecimento e experiência uma pessoa acumulava, maior tendia a ser seu valor no mercado de trabalho.

 

A inteligência artificial começa, porém, a mudar essa lógica. E essa transformação vai muito além da substituição de algumas tarefas por sistemas automatizados: ela altera a própria maneira como as empresas precisam olhar para seus profissionais.

 

Hoje, ferramentas de inteligência artificial já conseguem produzir textos, analisar informações, programar, resumir documentos, organizar grandes volumes de dados e realizar atividades que, até pouco tempo atrás, dependiam exclusivamente do trabalho humano. Isso não significa que conhecimento técnico ou formação tenham perdido importância.

 

Significa que o acesso ao conhecimento está se tornando mais rápido e democrático. Como consequência, aquilo que diferencia um profissional também começa a mudar.

 

Minha pesquisa de doutorado, desenvolvida na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), buscou compreender esse cenário. O trabalho partiu de um portfólio de 1.004 artigos científicos internacionais e, após os critérios de seleção, analisou 101 estudos de maior impacto para a construção do modelo.

 

Ao longo desse processo, uma questão ganhou força: à medida que a IA assume uma parcela maior das atividades técnicas e cognitivas, quais características humanas passam a ter mais valor?

 

Minha hipótese é que a criatividade terá um papel cada vez mais importante. Não apenas no sentido tradicional de ter ideias originais, mas na capacidade de olhar para um problema e enxergar possibilidades, estabelecer conexões entre conhecimentos diferentes, questionar soluções aparentemente óbvias e encontrar caminhos para situações que não possuem uma resposta pronta.

 

E esse problema é cada vez mais evidente. Faço palestras nas maiores empresas do Brasil e vejo diretores se queixando da falta de criatividade na execução dos processos do dia a dia. Há uma certa ironia nisso: muitas organizações dizem buscar pessoas capazes de pensar diferente, mas continuam criando ambientes em que pensar diferente parece quase uma infração administrativa.

 

Durante décadas, muitas empresas valorizaram principalmente o profissional que dominava determinado procedimento. Isso fazia sentido quando o conhecimento especializado era mais difícil de acessar. Agora, uma ferramenta de IA pode ajudar uma pessoa a encontrar informações, comparar alternativas e propor soluções em poucos segundos.

 

Por isso, acredito que a pergunta feita pelas empresas precisará mudar. Em vez de olhar apenas para aquilo que o candidato já sabe fazer, será cada vez mais importante entender como ele pensa quando se depara com algo que ainda não sabe resolver.

 

Esse é um desafio concreto para os departamentos de Recursos Humanos. Os processos seletivos tradicionais foram construídos para identificar competências relativamente fáceis de comprovar. Um diploma pode ser verificado, assim como uma experiência profissional ou o domínio de uma ferramenta. A criatividade, entretanto, não aparece necessariamente em um currículo.

 

É possível ter excelente formação e muitos anos de experiência e, ainda assim, apresentar pouca disposição para questionar processos ou buscar soluções diferentes. Da mesma forma, alguém com uma trajetória menos convencional pode demonstrar grande capacidade de aprender, fazer conexões e encontrar alternativas diante de um problema.

 

As empresas precisarão, portanto, desenvolver novas formas de avaliar talentos, observando características como curiosidade, pensamento crítico, capacidade de adaptação e resolução de problemas complexos.

 

Mas há uma questão anterior: criatividade não é algo que simplesmente “mora” dentro de uma pessoa. Ela é relacional. Nasce da interação do ser humano com o meio, com outras pessoas, com as técnicas, com a cultura, com experiências e conhecimentos acumulados. Uma ideia não surge no vazio. Ela carrega memória, repertório, sentimentos, referências e até contradições.

 

Por isso, não adianta contratar pessoas criativas se a própria organização não permite que elas sejam criativas. Muitas empresas dizem buscar inovação, mas mantêm ambientes excessivamente hierárquicos, burocráticos e pouco tolerantes ao erro. É quase como contratar um pianista e, depois, pedir que ele não toque.

 

A criatividade não depende apenas do indivíduo; ela também é influenciada pelo ambiente. Uma pessoa pode ter boas ideias, mas dificilmente conseguirá transformá-las em resultados se não tiver autonomia para experimentar ou se qualquer erro for tratado como fracasso.

 

Também precisamos evitar uma falsa oposição entre seres humanos e inteligência artificial. A humanidade sempre utilizou tecnologias para ampliar sua capacidade de criar. A escrita expandiu nossa memória, a imprensa multiplicou o alcance das ideias e o computador ampliou nossa capacidade de calcular e processar informações. A IA faz parte dessa mesma história.

 

O ponto, portanto, não é escolher entre humanos ou máquinas. É entender a relação entre eles. A tecnologia pode ampliar nossa criatividade, mas também pode nos acomodar. Pode nos ajudar a explorar possibilidades ou nos fazer aceitar como suficiente a primeira resposta plausível que aparece na tela.

 

É preciso, ainda, tomar cuidado para não confundir automação com inovação. Uma empresa pode utilizar inteligência artificial para tornar um processo antigo mais rápido sem necessariamente criar algo novo. Por outro lado, organizações abertas à experimentação podem usar a tecnologia para testar ideias, analisar cenários, desenvolver protótipos e acelerar o aprendizado.

 

Foi a partir dessa preocupação que desenvolvi o protótipo do Sistema Web MACI, voltado ao diagnóstico de fatores relacionados à criatividade nas organizações. A ferramenta busca identificar possíveis fragilidades e, com base na literatura científica analisada na pesquisa, indicar intervenções para profissionais de RH e lideranças.

 

A grande transformação provocada pela inteligência artificial, portanto, não estará apenas nas profissões que serão modificadas ou nas tarefas que serão automatizadas. Ela também estará nos critérios utilizados para definir o valor de um profissional. Se as máquinas conseguem executar cada vez mais tarefas, o diferencial humano tende a estar menos na repetição de conhecimentos existentes e mais na capacidade de utilizar esses conhecimentos para construir algo novo.

 

Isso não significa que o conhecimento técnico deixará de ser importante. Pelo contrário: quanto maior o repertório de uma pessoa, maior pode ser sua capacidade de utilizar a IA de maneira sofisticada. A diferença estará naquilo que ela consegue fazer com esse conhecimento.

 

Talvez o verdadeiro desafio da IA no trabalho não seja decidir se devemos utilizá-la. Essa discussão já parece pequena diante da realidade. O desafio é encontrar o bom tom dessa relação: saber onde a tecnologia deve acelerar, onde deve provocar e, principalmente, onde não podemos permitir que ela pense por nós.

 

Porque criatividade não é apenas gerar ideias. É relacionar experiências, conhecimentos, pessoas, culturas e sentimentos para produzir algo que antes não existia. É justamente essa riqueza, memória, experiência, contexto e subjetividade, que escapa a uma lógica baseada em probabilidade e previsibilidade.

 

Em um mundo cada vez mais capaz de produzir respostas automaticamente, talvez a criatividade seja mais do que uma competência profissional ou uma vantagem estratégica. Ela é vital. É uma das formas pelas quais nos reconhecemos como humanos. E talvez nossa maior responsabilidade diante da inteligência artificial seja justamente não deixar de fazer as perguntas que nenhuma máquina estava esperando.

  

Rodrigo de Barros - palestrante e doutor em Engenharia Organizacional

 

No Dia Nacional da Cachaça (13 de setembro), setor avança no exterior, mas alerta para risco tributário no Brasil

Às vésperas do Dia Nacional da Cachaça, celebrado em 13 de setembro, o setor intensifica os esforços para ampliar a presença do destilado brasileiro no exterior. Como parte desse trabalho, uma nova agenda de ações internacionais começa em novembro deste ano, no México, e terá continuidade em 2027, com iniciativa já confirmada na Alemanha, além de atividades previstas em outros países. Ao mesmo tempo que busca conquistar novos mercados, o setor alerta para os impactos que a regulamentação do Imposto Seletivo poderá provocar no Brasil. 

As iniciativas integram a quarta edição do projeto setorial “Cachaça: Taste the New, Taste Brasil”, desenvolvido pelo Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC), entidade representativa do setor, em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). Com recursos de R$ 2,63 milhões e expectativa de atender diretamente entre 70 e 80 empreendimentos do setor, o projeto prevê ações promocionais, aproximação com compradores e geração de oportunidades comerciais, além de impulsionar as ações do PEIEX Agro Cachaça, programa voltado à preparação de empresas do setor para o mercado externo. 

A programação incluirá ainda encontros com compradores internacionais, rodadas de negócios e iniciativas destinadas a ampliar o conhecimento sobre a Cachaça como produto genuinamente brasileiro e de alto valor agregado. 

“Estamos iniciando uma nova etapa de internacionalização da Cachaça. Essas ações são fundamentais para aproximar nossos produtores de compradores internacionais e ampliar o reconhecimento do destilado brasileiro no exterior”, afirma Vicente Bastos, presidente do IBRAC


Setor cresce e alcança 844 municípios 

Os dados mais recentes mostram uma cadeia produtiva resiliente e em expansão. Segundo o Anuário da Cachaça 2026, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, o Brasil encerrou 2025 com 1.538 estabelecimentos registrados, crescimento de 21,5% em relação ao ano anterior e de 61,7% desde 2018. A produção registrada já está presente em 844 municípios brasileiros, número 14,8% superior ao observado no ano anterior.  

O desempenho externo também indica espaço para crescimento. Em 2025, as exportações brasileiras de Cachaça avançaram 19,4%, chegando a 7,96 milhões de litros, com embarques para 76 países. Para a entidade, embora o volume ainda seja pouco expressivo diante do mercado mundial de destilados, os números demonstram o interesse crescente pelo produto brasileiro.  


Crescimento ameaçado no mercado interno 

O avanço ocorre, entretanto, em meio a uma preocupação crescente com o futuro da cadeia produtiva no Brasil. O setor teme que a regulamentação do Imposto Seletivo mantenha ou amplie a diferença de tratamento tributário entre as categorias de bebidas alcoólicas. 

Segundo Bastos, atualmente, considerando apenas as alíquotas nominais de IPI, a Cachaça suporta uma carga cerca de quatro vezes superior à aplicada a outras bebidas alcoólicas. Para o IBRAC, essa assimetria ameaça empregos, estimula a informalidade e atinge principalmente os pequenos e médios produtores. “A informalidade no setor da Cachaça já é ameaçadora, tanto para saúde pública como para a sobrevivência das empresas regularizadas perante a legislação já exageradamente abrangente e complexa”, comenta. 

“Temos um setor que cresce, gera renda em centenas de municípios e conquista novos mercados, mas que continua enfrentando uma das maiores cargas tributárias do segmento de bebidas alcoólicas no próprio país. Se essa distorção for mantida ou ampliada pelo Imposto Seletivo, poderemos comprometer a sobrevivência de milhares de produtores e levar parte da cadeia ao colapso”, alerta o presidente do Instituto. 

“O setor defende que a tributação considere a quantidade de álcool efetivamente consumida, e não apenas a categoria da bebida. Uma lata de cerveja, uma taça de vinho e uma dose de Cachaça contêm, em média, aproximadamente 14 gramas de álcool. Para a entidade, situações equivalentes devem receber tratamento tributário equivalente”, completa. 

Criado por iniciativa do IBRAC e celebrado pelo setor produtivo desde 2009, o Dia Nacional da Cachaça faz referência a uma data importante no contexto da “Revolta da Cachaça", movimento de produtores contra as restrições impostas pela Coroa portuguesa à fabricação e à comercialização da bebida, ocorrido no Rio de Janeiro no século XVII. O Projeto de Lei nº 3.771/202 que institui oficialmente a data está em tramitação no Senado Federal. 

 

O raio X do Enem: levantamento revela os conteúdos mais cobrados desde 201

Crédito: Pedro Vilela/Agência i7
Estudo do Bernoulli Educação analisou 12 edições do Exame Nacional do Ensino Médio e identificou os assuntos mais recorrentes em cada disciplina 


Com as provas marcadas para 8 e 15 de novembro, faltam menos de 70 dias para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026. Neste momento, uma das principais dúvidas dos estudantes é como organizar a reta final e definir prioridades. Para ajudar nessa preparação, o Bernoulli Educação realizou um levantamento das provas aplicadas entre 2014 e 2025, considerando as questões objetivas de todas as disciplinas, e identificou quais conteúdos apareceram com maior frequência no exame. 

A análise mostra tendências importantes da prova e pode servir como um guia para que os candidatos distribuam melhor o tempo de revisão. Entre os destaques, 91,67% das questões de Inglês cobraram compreensão e interpretação de textos. Em Português, interpretação, semântica e intertextualidade representaram 39,09% das questões. Em Biologia, ecologia e meio ambiente lideram o ranking (24,73%) e, em Matemática, os conteúdos mais recorrentes foram matemática financeira e estatística (23,15%). O levantamento completo está disponível pelo link.
 

Temas mais cobrados no Enem (2014–2025)

Levantamento produzido pelo Bernoulli Educação

Disciplina

Conteúdo mais recorrente

Frequência

Inglês

Compreensão e interpretação de textos

91,67%

Espanhol

Compreensão e interpretação de textos

73,33%

Português

Interpretação de textos, semântica e intertextualidade

39,09%

Geografia

Globalização, tecnologias, comércio e transportes

17,30%

História

História Moderna

15,09%

Filosofia

Pensamento ético e político contemporâneo

21,21%

Sociologia

Cultura e patrimônio cultural

26,50%

Química

Química orgânica, polímeros e biomoléculas

24,86%

Física

Eletricidade

19,65%

Biologia

Ecologia e meio ambiente

24,73%

Matemática

Matemática financeira e estatística

23,15%


“Quando analisamos as provas em conjunto, percebemos que o Enem não privilegia a memorização. Mesmo quando um conteúdo aparece com frequência, ele é apresentado em contextos diferentes e exige que o estudante interprete informações, estabeleça relações e resolva problemas. Esse padrão se mantém ao longo dos anos”, destaca o diretor-executivo das unidades escolares do Bernoulli Educação, Marcos Raggazzi.
 

Cinco tendências reveladas por 12 anos de Enem

Além de identificar o que mais tem caído no exame, o levantamento evidencia algumas características da prova ao longo dos últimos anos:

  • A interpretação continua sendo uma das competências mais valorizadas. Em Português, Inglês e Espanhol, a ampla maioria das questões exige compreensão e interpretação de textos, reforçando que o exame prioriza a capacidade de leitura e análise, e não apenas o domínio de regras gramaticais.
  • O Enem privilegia a contextualização dos conteúdos. Em disciplinas como Geografia, Sociologia e Biologia, os temas mais frequentes dialogam diretamente com questões do cotidiano, como globalização, meio ambiente, cultura e sociedade, exigindo que o estudante relacione a teoria com situações reais.
  • Matemática e Ciências da Natureza valorizam aplicações práticas. Questões de matemática financeira, estatística, eletricidade, ecologia e química orgânica demonstram a preferência da prova por situações-problema e contextos próximos da realidade dos estudantes.
  • O histórico ajuda a direcionar a preparação, mas não substitui um cronograma completo. Conhecer os conteúdos mais recorrentes ajuda a se organizar melhor especialmente na reta final de estudos, quando as revisões se intensificam. 

De acordo com Raggazzi, os dados ajudam a compreender o perfil do exame, mas não devem ser interpretados como uma lista de conteúdos que certamente estarão presentes na próxima edição. "O levantamento permite identificar tendências importantes da prova e pode auxiliar na organização dos estudos na reta final. No entanto, ele deve ser utilizado como um guia estratégico, e não como uma lista de apostas. O Enem avalia competências e habilidades construídas ao longo da formação e pode cobrar qualquer tópico previsto na matriz do exame." 

Nos últimos meses que antecedem ao exame, a recomendação, segundo o diretor, é combinar o estudo dos conteúdos mais recorrentes com a resolução de provas anteriores e simulados, além de reforçar a revisão dos temas em que o estudante apresenta maior dificuldade, priorizando aqueles que são recorrentes nas provas e apresentam baixo grau de dificuldade, pois podem gerar muitos pontos de acordo com a TRI. A análise histórica funciona como um direcionamento estratégico, mas não substitui uma preparação ampla e consistente para o exame.


Bernoulli Educação



Tecnologia reforça segurança de mulheres em situações de risco dentro de casa

Dispositivos como botão de pânico, senha de coação e biometria facial permitem pedidos silenciosos de ajuda em casos de emergência


A sensação de insegurança das mulheres não termina quando a porta de casa se fecha. Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em parceria com o Datafolha e divulgada em 2026, mostra que 82,6% das mulheres têm medo de ter a própria residência invadida ou arrombada. O ambiente doméstico também aparece em outro dado preocupante. Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 62,5% dos feminicídios registrados no país em 2025 ocorreram dentro de uma residência.

 

Os números ajudam a dimensionar uma preocupação que vai além do risco de furtos e invasões. Dentro de casa, mulheres também podem estar expostas a situações de ameaça, perseguição, violência doméstica ou conflitos envolvendo parceiros e ex-parceiros.

 

Em algumas dessas circunstâncias, pegar o telefone, fazer uma ligação ou demonstrar que um pedido de socorro está sendo realizado pode ampliar a exposição ao risco. É nesse contexto que o setor de segurança eletrônica começa a incorporar recursos capazes de criar formas discretas de sinalizar uma emergência.

 

“Durante muito tempo, falar em segurança residencial significava principalmente impedir que alguém entrasse em uma casa. Hoje, é necessário ampliar esse olhar. A tecnologia também pode oferecer alternativas quando a situação de risco acontece dentro do próprio ambiente e a pessoa precisa sinalizar discretamente que algo está errado”, afirma André Raeli, CEO da Emive&Co.

 

É nesse cenário que a Emive Segurança Eletrônica, empresa do grupo Emive&Co, desenvolveu, para seus sistemas de alarme monitorado, funcionalidades que permitem realizar acionamentos silenciosos conectados à Central de Monitoramento 24 horas da companhia.

 

Entre elas está o botão de pânico silencioso. A partir de um acionamento previamente configurado, o dispositivo envia um alerta à Central de Monitoramento sem disparar a sirene ou emitir um sinal perceptível para outras pessoas presentes no local.

 

A proposta é justamente possibilitar a sinalização de uma situação de risco quando tornar evidente um pedido de ajuda poderia aumentar a vulnerabilidade da pessoa. “É uma forma de comunicar que existe algo errado sem necessariamente deixar isso evidente para quem está ao lado. O alerta chega silenciosamente à estrutura de monitoramento, que funciona 24 horas por dia”, explica Raeli.

 

Outro recurso disponível é a chamada senha de coação. Caso uma pessoa seja obrigada a desarmar o sistema de segurança, ela pode utilizar uma senha específica, previamente cadastrada.

 

Para quem acompanha a ação dentro da residência, o equipamento aparenta ter sido desativado normalmente. Ao mesmo tempo, o sistema encaminha um alerta silencioso à Central de Monitoramento, indicando uma possível situação de coação.

 

Além desses recursos, os sistemas conectados permitem acompanhar notificações pelo aplicativo, armar ou desarmar o alarme remotamente e receber alertas relacionados à segurança da residência.


 

Camada adicional de proteção

 

Entre as tecnologias que ampliam esse acompanhamento está o “Estranho no Ninho”, funcionalidade de inteligência artificial da Emive aplicada às câmeras de segurança. Por meio de biometria facial, o sistema compara os rostos identificados no ambiente com uma lista de pessoas previamente cadastradas. Quando detecta alguém não reconhecido, envia uma notificação ao celular do usuário com informações sobre a identificação, permitindo verificar com mais rapidez uma situação fora da rotina.

 

Na prática, o recurso acrescenta uma camada preventiva ao monitoramento residencial, especialmente em imóveis com circulação controlada. Ao alertar sobre a presença de pessoas não cadastradas, a solução ajuda o usuário a acompanhar acessos e movimentações mesmo à distância e a tomar decisões com mais informação. O "Estranho no Ninho" complementa - e não substitui - recursos de emergência, como botão de pânico, senha de coação e o acionamento das autoridades em situações de risco.

 

“Uma casa protegida não é apenas aquela preparada para dificultar uma invasão. Segurança também passa por oferecer recursos que ampliem as possibilidades de reação diante de situações inesperadas, inclusive quando a pessoa não consegue pedir ajuda pelos meios convencionais”, afirma o CEO.


 

Rede de apoio

 

A tecnologia, no entanto, não elimina as causas da violência contra a mulher nem substitui políticas públicas, medidas protetivas, serviços especializados, redes de apoio ou o acionamento das autoridades de segurança.

 

“Estamos falando de um problema complexo, que não será resolvido apenas com tecnologia. O que esses recursos podem fazer é acrescentar uma possibilidade de comunicação e reação em momentos nos quais um pedido convencional de ajuda talvez não seja possível. Quanto mais alternativas existirem para sinalizar uma emergência, maiores são as possibilidades de resposta diante de uma situação de risco”, conclui Raeli. 

Mulheres em situação de violência podem procurar a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, serviço gratuito disponível 24 horas por dia. Em situações de emergência ou risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.

 

 Emive&Co


Abrasel orienta bares e restaurantes a comprar pescado corretamente e evitar golpes

Canva
Cartilha traz dicas práticas de compra, conservação e identificação de fraudes, além de ajudar empresários a resolver problemas como troca de espécies e excesso de gelo no peso do produto

 

A Abrasel lançou uma cartilha, em parceria com a Abrapes (Associação Brasileira de Fomento ao Pescado), com orientações para compradores, cozinheiros e gestores de bares e restaurantes escolherem, conservarem e utilizarem pescado com segurança. O material tem como objetivo reduzir riscos sanitários e evitar que os estabelecimentos caiam em golpes na hora da compra.

 

Entre os problemas mais comuns dos estabelecimentos estão a venda de espécies baratas como se fossem nobres, como o caso do camarão cinza apresentado como camarão rosa. O documento alerta para o excesso da camada de gelo usada para proteger o pescado congelado: quando aplicada em excesso, faz com que o estabelecimento pague por água como se fosse peixe. Segundo a cartilha, o peso líquido informado no rótulo deve excluir o glaze.

 

Outro pescado que merece atenção dos compradores é o bacalhau. A cartilha explica que, legalmente, apenas duas espécies podem ser vendidas com esse nome, o Gadus morhua e Gadus macrocephalus. Peixes como saithe e ling precisam ser comercializados como "tipo bacalhau", o que afeta diretamente preço e rendimento na cozinha.

 

Para peixe congelado, a orientação é verificar se a temperatura está em -18°C ou inferior, checar a integridade da embalagem, avaliar a ausência de queimadura por frio e confirmar a licença sanitária do fornecedor. Já no caso do peixe fresco, o recebimento deve ocorrer entre 0°C e 4°C, preferencialmente sobre gelo, com olhos claros e brilhantes, odor suave e brânquias vermelhas ou rosadas.

 

Entre os sinais de alerta para identificar fraude, a cartilha cita odor forte, carne mole ou aparência opaca, variações significativas de peso após a remoção do glaze, falta de rotulagem correta e fornecedores sem inspeção oficial.

 

Para Adriana Lara, instrutora em gestão da qualidade e segurança de alimentos e líder de educação da Abrasel, o problema surge quando, sem saber exatamente o que exigir do fornecedor, o comprador fica exposto tanto a risco sanitário quanto a prejuízo financeiro por fraude no fornecimento:

 

"A cartilha nasce da necessidade de dar segurança técnica a quem compra pescado no dia a dia do bar ou restaurante. Quando o estabelecimento sabe exatamente o que exigir do fornecedor, ele protege o consumidor final e evita de pagar caro por um produto trocado ou por água disfarçada de peixe ", comenta.

 

A cartilha completa está disponível gratuitamente no Conexão Abrasel.

 

Paraguai amplia atração de investimentos, mas viabilidade deve ser analisada antes da internacionalização

Avanço da Maquila, incentivos fiscais e custos competitivos aumentam interesse de empresas brasileiras, mas análise completa da operação é considerada essencial antes da decisão de investir

 

 

O crescimento dos investimentos, a expansão do regime de Maquila e a modernização dos incentivos fiscais vêm consolidando o Paraguai como um dos destinos avaliados por empresas brasileiras interessadas em internacionalizar suas operações. Apesar do cenário favorável, especialistas alertam que benefícios tributários e custos menores, isoladamente, não são suficientes para determinar se uma operação será mais rentável no país vizinho.


Entre janeiro e julho de 2026, projetos enquadrados no regime paraguaio de incentivos fiscais somaram aproximadamente US$ 448 milhões, alta de 32% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Segundo dados do Ministério de Industria y Comercio (MIC), foram 116 projetos aprovados, com expectativa de geração de 2.621 empregos. Cerca de 73% dos investimentos estavam concentrados no setor secundário, especialmente em atividades industriais e produtivas.


A indústria maquiladora também registra expansão. Até julho, as exportações do setor chegaram a US$ 860 milhões, crescimento de 28% sobre o mesmo período de 2025. No período, 42 novos programas haviam sido autorizados, representando cerca de US$ 59 milhões em investimentos e a projeção de 1.946 novos empregos.


Para Jonathan Roger Linzmeyer, fundador e presidente da CN Mercosul, o aumento da divulgação sobre as oportunidades existentes no Paraguai precisa ser acompanhado de uma análise individualizada de cada projeto. “Hoje existe muita informação sobre o Paraguai circulando nas redes sociais, na imprensa e no próprio mercado de consultoria. Isso é positivo porque apresenta o país ao empresário brasileiro. O problema é utilizar uma informação geral para concluir que determinada operação será automaticamente mais lucrativa no Paraguai. Cada empresa precisa fazer a sua própria conta”, afirma.


 

Análise deve ir além dos impostos


Segundo Linzmeyer, uma avaliação consistente de internacionalização deve considerar muito mais do que tributação, logística, classificação fiscal, NCM, certificados de origem ou percentuais de agregação de valor. Entre os fatores que podem interferir diretamente no resultado estão custos com matéria-prima, mão de obra, energia, transporte, estrutura societária, importação e exportação, incentivos disponíveis, investimentos necessários e características específicas de cada produto ou atividade.


A CN Mercosul desenvolveu uma metodologia de Estudo de Viabilidade que busca reunir esses elementos e comparar a operação mantida ou projetada no Brasil com um possível modelo estruturado no Paraguai. O trabalho já foi aplicado, segundo a empresa, em negócios de diferentes portes e segmentos, incluindo pequenas e médias empresas, multinacionais e companhias de capital aberto. “Nosso trabalho não começa tentando provar que o Paraguai é melhor. Começa tentando descobrir se o Paraguai é economicamente viável para aquela empresa, para aquele produto e para aquela operação específica”, explica Linzmeyer.


Um dos objetivos do estudo é chegar a uma Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) projetada, permitindo ao empresário visualizar de maneira mais ampla os impactos econômicos do investimento. “Antes da fábrica, antes da empresa e antes do investimento, precisamos ter uma DRE. Não adianta descobrir que determinado imposto é menor se, quando colocamos matéria-prima, logística, mão de obra, estrutura, investimento e custos operacionais e comerciais dentro da mesma conta, a margem não justifica o projeto”, ressalta.


 

Novas regras ampliam possibilidades


O interesse pelo Paraguai ocorre também em um momento de mudanças na legislação de atração de investimentos. A Lei nº 7.547/2025 estabeleceu um novo marco para o Regime de Maquila, posteriormente regulamentado pelo Decreto nº 5.714/2026, enquanto a Lei nº 7.548/2025 criou um novo Regime de Incentivos Fiscais para Investimentos Nacionais e Estrangeiros.
Para Linzmeyer, a existência dos benefícios, porém, não elimina a necessidade de avaliar o enquadramento de cada empresa e, principalmente, o retorno econômico esperado. “Uma coisa é existir um benefício na legislação. Outra é a empresa conseguir se enquadrar. E existe ainda uma terceira pergunta: depois de todos os benefícios, custos e investimentos, essa operação gera o resultado esperado?”, observa.


 

Estudo pode indicar que investimento não compensa

 

A análise também pode concluir que a instalação de determinada operação no Paraguai não é economicamente recomendável. Para a CN Mercosul, esse resultado não representa uma falha do projeto, mas justamente uma das funções de um estudo de viabilidade. “Se chegarmos à conclusão de que naquele cenário a operação não é viável, o estudo cumpriu seu papel. É muito melhor descobrir isso antes do investimento do que depois de comprar uma área, construir uma indústria, importar equipamentos, contratar funcionários e transferir parte da operação para outro país”, afirma Linzmeyer.


O Paraguai continua recebendo novos investimentos em setores como alimentos, metalurgia, plásticos, indústria química e farmacêutica, têxtil, madeira e autopeças. Em Alto Paraná, por exemplo, uma planta dos segmentos farmacêutico e nutracêutico inaugurada em julho representou investimento superior a US$ 8 milhões. Na avaliação de Linzmeyer, o movimento confirma que existem oportunidades concretas, mas também aumenta a responsabilidade dos empresários na tomada de decisão. “O Paraguai vive um excelente momento e existem oportunidades reais. Mas oportunidade não pode ser confundida com garantia de rentabilidade. Internacionalização é uma decisão empresarial e precisa ser tratada como tal”, afirma.


Para o presidente da CN Mercosul, a questão central deve ser respondida antes de qualquer investimento: “O Paraguai pode ser uma excelente oportunidade. Mas, antes de investir, existe uma pergunta que precisa ser respondida com números: a conta realmente fecha?”

 




CN Mercosul - ecossistema empresarial estabelecido no Paraguai, dedicado ao desenvolvimento de negócios, internacionalização de empresas, atração de investimentos e fortalecimento das relações institucionais entre Brasil, Paraguai e os demais países do Mercosul. A organização atua conectando empresários, investidores, entidades e governos para transformar oportunidades em projetos estratégicos de longo prazo.


Posts mais acessados