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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Conheça os sinais de alerta para o câncer de cabeça e pescoço

Hospital Geral de Vila Penteado reforça a campanha Julho Verde e orienta sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de cabeça e pescoço, que pode alcançar até 90% de chance de cura 

 

Um nódulo no pescoço, feridas na boca ou na pele que não cicatrizam, dor de garganta persistente, dificuldade ou dor para engolir e rouquidão. Embora muitos desses sintomas possam parecer comuns, eles também podem ser sinais de alerta para o câncer de cabeça e pescoço. 

Durante a campanha Julho Verde, o Hospital Geral de Vila Penteado (HGVP), unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo gerenciada pelo Instituto de Responsabilidade Social Sírio-Libanês (IRSSL), reforça a importância da conscientização sobre a doença e do diagnóstico precoce, que pode elevar significativamente as chances de cura e permitir tratamentos menos agressivos.

O câncer de cabeça e pescoço reúne diferentes tipos de tumores que podem atingir a boca, garganta, laringe, nariz, seios da face, tireoide, glândulas salivares, pele e couro cabeludo. Quando identificado nos estágios iniciais, as chances de cura podem chegar a 90%. Apesar disso, um estudo do Instituto Nacional de Câncer (INCA), divulgado em 2025, revelou que cerca de 80% dos casos diagnosticados no Brasil entre 2000 e 2017 foram descobertos em fases avançadas da doença.  

Segundo a cirurgiã de cabeça e pescoço do Hospital Geral de Vila Penteado, Tânia Bastos de Souza, reconhecer os primeiros sinais da doença faz toda a diferença. "Ao notar qualquer sinal persistente, o paciente deve procurar um especialista para avaliação. A prevenção e o diagnóstico precoce continuam sendo as principais ferramentas para reduzir a mortalidade causada por esses tumores", afirma. 

A especialista explica que muitos pacientes demoram a procurar atendimento, atribuindo os sintomas a inflamações ou infecções passageiras. Esse atraso pode comprometer o diagnóstico precoce e reduzir as possibilidades de tratamento com melhores resultados. "Quanto mais cedo o câncer é diagnosticado, maiores são as chances de cura e menores tendem a ser os impactos do tratamento para o paciente", explica. 

Principais sintomas

•     Rouquidão persistente por mais de 15 dias;

•     Caroço no pescoço;

•     Feridas na boca que não cicatrizam;

•     Dor ou dificuldade para engolir;

•     Dor de garganta constante;

•     Sangramento pela boca ou pelo nariz sem causa aparente;

•     Dificuldade para falar ou respirar;

•     Dor de ouvido persistente, especialmente quando acompanhada de alterações na garganta.

 

Como se prevenir

A médica lembra que além da atenção aos sintomas, a prevenção é fundamental. Abaixo algumas das principais recomendações:  

•     Não fumar e evitar qualquer forma de consumo de tabaco;

•     Reduzir ou evitar o consumo de bebidas alcoólicas;

•     Usar preservativo nas relações sexuais e considerar a vacinação contra o HPV conforme as recomendações do do Programa Nacional de Imunizações;

•     Manter uma boa higiene bucal;

•     Utilizar protetor labial com fator de proteção solar e chapéu ao se expor ao sol por períodos prolongados;

•     Manter consultas odontológicas e médicas regulares;

•     Ter uma alimentação saudável e praticar atividade física regularmente.

 

 

Férias escolares também é tempo de cuidar da saúde os olhos

oNo Brasil, cerca de 12,8 milhões de crianças, entre 5 e 15 anos,
apresentam deficiência visual por condições não corrigidas,
segundo o Ministério da Saúde
Magnific

Sociedade Goiana de Oftalmologia aponta cuidados para crianças e adolescentes durante os dias livres, e lembra sobre a importância da consulta, especialmente para diagnosticar problemas silenciosos

 

 

Tão aguardada pelas crianças e adolescentes, a chegada das férias escolares representa para elas dias de descanso, diversão e viagens. Em paralelo, é importante também adotar medidas preventivas para que os momentos de lazer não se transformem em problemas para a saúde, o que inclui a visão.

O alerta é do presidente da Sociedade Goiana de Oftalmologia (SGO), Leiser Franco. "Brincadeiras com objetos pontiagudos, estilingues, dardos, fogos de artifício, armas de brinquedo que lançam projéteis e produtos químicos de piscina representam riscos importantes para lesões oculares. Também é fundamental proteger os olhos durante esportes de impacto e evitar a exposição excessiva à radiação solar, utilizando óculos com proteção contra raios ultravioleta quando indicado”, observa.

Ele observa que grande parte dos acidentes oculares na infância ocorre dentro de casa e pode ser evitada com medidas simples, como deixar produtos de limpeza fora do alcance das crianças, supervisionar atividades e brincadeiras que façam uso de objetos perfurantes, ferramentas, elásticos, estilingues e brinquedos que disparam projéteis exigem supervisão rigorosa, e jamais brincar com fogos de artifício.

“É importante orientar as crianças a nunca manipular produtos químicos sem acompanhamento. Em caso de contato do olho com substâncias químicas, deve-se realizar lavagem abundante com água corrente e procurar atendimento oftalmológico imediatamente. Nunca se deve utilizar medicamentos caseiros ou esfregar os olhos após um trauma”, orienta

Outro problema, esse longe da algazarra da meninada, que pode acarretar em consequências para a visão é uso excessivo de telas, que costuma aumentar com as férias. “O uso excessivo de telas está associado principalmente ao aumento da fadiga visual, ressecamento ocular, visão embaçada temporária, dores de cabeça e maior progressão da miopia em crianças predispostas. Além disso, a redução do tempo em ambientes externos diminui um importante fator protetor contra o desenvolvimento da miopia. Também há repercussões sobre o sono, a atenção e o desenvolvimento cognitivo", alerta o médico.

Ele observa que menores de 2 anos não devem fazer uso de telas, exceto chamadas de vídeo supervisionadas. De dois a 5 anos, o uso deve ser de até uma hora por dia, sempre com conteúdo de qualidade e acompanhamento dos responsáveis. Entre 6 e 10 anos, o limite é até 2 horas diárias de lazer em telas. Já os adolescentes devem estabelecer limites individualizados, priorizando pausas frequentes, higiene do sono e equilíbrio entre atividades digitais e presenciais.


Hora da consulta

O presidente da SGO lembra que as férias também são uma oportunidade de se fazer a consulta de rotina no oftalmologista, que deve ser anual após o início da idade escolar, mas nem todos os pais se atentam a isso, especialmente quando os filhos não apresentam sintomas.

No Brasil, cerca de 12,8 milhões de crianças, entre 5 e 15 anos, apresentam deficiência visual por condições não corrigidas, segundo o Ministério da Saúde, no documento “Diretrizes de Atenção à Saúde Ocular na Infância”.Cerca de 20% das crianças em idade escolar apresentam alterações visuais, segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

O médico observa que muitos problemas de visão são silenciosos e, quando descobertos mais tarde, podem ter a reversão total comprometida. “Além dos prejuízos visuais, o diagnóstico tardio pode trazer outras consequências emocionais: a criança pode apresentar dificuldades de aprendizagem, atraso no desenvolvimento, redução da autoestima e limitação de oportunidades ao longo da vida", observa.

Os problemas mais frequentes entre crianças e adolescentes são os erros refrativos — miopia, hipermetropia e astigmatismo — que podem ser corrigidos com óculos ou lentes de contato, quando apropriado. Outro problema bastante comum é a ambliopia, conhecida como "olho preguiçoso", geralmente causada por diferenças de grau entre os olhos ou estrabismo. O estrabismo também merece destaque, pois pode comprometer o desenvolvimento da visão binocular. Já o ceratocone, que é uma deformação da córnea, pode ser identificado na adolescência.


Pesquisadores defendem "tropicalização" da IA para evitar erros médicos no Brasil

Algoritmos importados ignoram mutações locais, como variante com alta incidência no Sul; especialistas defendem "tropicalização" tecnológica que também revolucione o agro e as empresas 

 

Cerca de 94% dos dados genômicos do mundo usados atualmente para treinar inteligências artificiais (IA) vêm de pessoas com ancestralidade europeia. Quando esses sistemas médicos importados são aplicados sem filtros na saúde pública do Brasil, eles falham em diagnosticar com precisão a população. O alerta crítico acendeu uma luz amarela sobre a urgência de "tropicalizar" o desenvolvimento tecnológico no país.

A discussão, trazida pela pesquisadora Ana Carolina Ricciardi, do Grupo Fleury / A.C. Camargo Cancer Center, ganha novos contornos ao citar um exemplo que afeta diretamente o Paraná: a Síndrome de Li-Fraumeni (doença genética rara e hereditária caracterizada pela alta predisposição ao câncer). Enquanto a condição é considerada rara no resto do planeta (afetando uma em cada cinco mil pessoas), ela atinge um em cada 472 recém-nascidos no Sul e Sudeste do Brasil devido a uma variante tipicamente brasileira.

Os algoritmos globais padrão não estão habituados a detectar esse risco local. "Precisamos de algoritmos que entendam o DNA brasileiro, sob o risco de automatizarmos a invisibilidade da nossa própria população", destaca a pesquisadora, defendendo que o avanço científico precisa caminhar lado a lado com a responsabilidade ética e a soberania de dados nacionais.



Da ciência ao chão de fábrica

A necessidade de contextualizar a IA para a realidade local serve também como ponto de partida para outras frentes tecnológicas e científicas. Na saúde, esse refino já é possível por meio de correlações interdisciplinares: o cientista Alejandro C. Frery (Victoria University of Wellington, da Nova Zelândia), por exemplo, demonstrou que a mesma matemática utilizada por satélites para mapear florestas pode ser adaptada e refinada para detectar doenças humanas raras em exames médicos.

Essa mesma busca por soluções sob medida se estende ao ambiente corporativo e ao agronegócio por meio dos chamados "sistemas agênticos" — arquiteturas de IA em que múltiplos agentes autônomos executam processos complexos. Movimentos de gigantes da tecnologia, como NVIDIA e Rankdone, apontam que a nova onda da IA vai muito além dos robôs de conversa (chatbots) comuns. O mercado agora vem adotando agentes autônomos capazes de tomar decisões para otimizar o faturamento e gerenciar riscos locais. No Agronegócio e no Cooperativismo, essas ferramentas têm sido aplicadas para prever cenários de mercado e administrar cadeias logísticas complexas, como a produção de grãos e a piscicultura.

Para Leonardo Tampelini, mestre em Ciência da Computação e coordenador do curso de Tecnologia em Ciência de Dados e Bacharelado em Inteligência Artificial na Faculdade Donaduzzi, que integra o Biopark Educação, colocar em evidência tanto os desafios éticos da saúde quanto o impacto financeiro das empresas é o que dá sentido à inovação tecnológica. Ele avalia que o papel atual das instituições de tecnologia e dos ecossistemas de inovação é, fundamentalmente, eliminar a distância entre a bancada acadêmica e o empresário. "O que precisamos ver não é teoria abstrata, mas caminhos reais para gerar riqueza, poupar custos e salvar vidas por meio da tecnologia aplicada à nossa realidade", defende Tampelini.

 

Por que adiar a visita ao dentista pode custar caro para o bolso e para o bem-estar?

Magnific
Especialista da Clínica SiM alerta para os riscos à saúde e o impacto financeiro de adiar a prevenção

 

O hábito de adiar a ida ao dentista é um comportamento comum, mas que traz reflexos na saúde pública e individual no Brasil. Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (Abimo), em parceria com o Conselho Federal de Odontologia (CFO), revela um cenário em alerta: 35% dos brasileiros nunca foram ao dentista.

 

Esse índice contrasta diretamente com a grande oferta de profissionais qualificados no país. De acordo com um recente levantamento do Ministério da Saúde, realizado em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o Brasil conta atualmente com 665.365 profissionais de saúde bucal.

 

Desse total, 406.252 são cirurgiões-dentistas (graduados em Odontologia). O restante da força de trabalho é composto por auxiliares de saúde bucal, técnicos de saúde bucal, técnicos de prótese dentária e auxiliares de prótese dentária. No entanto, mesmo com tantos profissionais à disposição em todo o país, a cultura da prevenção ainda enfrenta barreiras comportamentais no dia a dia dos brasileiros. 

 

É o que observa Claudiana Lopes, cirurgiã-dentista da Clínica SiM. "Muitas pessoas só procuram o consultório quando a dor se torna insuportável, mas o verdadeiro segredo da saúde bucal está na prevenção. Quando a gente negligencia a rotina de consultas, transformamos problemas simples, fáceis de resolver, em tratamentos longos e dispendiosos", aponta.

 

A ampla disponibilidade de especialistas reforça que o principal obstáculo não é a falta de assistência, mas sim a ausência de uma cultura preventiva.


 

Prevenção x tratamento


Optar pela manutenção preventiva, que envolve visitas periódicas a cada seis meses para limpezas e avaliações, apresenta um custo financeiro muito baixo se comparado ao tratamento de problemas em estágio avançado.

 

Quando pequenos problemas são ignorados, eles evoluem de forma silenciosa. Uma cárie superficial não tratada pode alcançar o canal do dente, exigindo um procedimento endodôntico e, eventualmente, uma coroa ou prótese. O custo de reparar um dano severo chega a ser dezenas de vezes maior do que o investimento anual em consultas de rotina.


 

Riscos de não ir ao dentista 


Evolução de cáries: Pequenas lesões que seriam resolvidas com restaurações simples podem destruir a estrutura do dente, exigindo tratamento de canal ou até extração.

 

Doenças periodontais: O acúmulo de tártaro causa gengivite que, se não tratada, evolui para periodontite. Esta condição destrói os tecidos de sustentação e o osso, sendo a principal causa de perda de dentes em adultos.

 

Infecções sistêmicas: Bactérias presentes em infecções bucais graves podem entrar na corrente sanguínea e atingir outros órgãos. Um dos riscos mais severos é a endocardite bacteriana, uma infecção grave nas válvulas do coração.

 

Mau hálito crônico (halitose): A falta de remoção profissional da placa bacteriana e do tártaro gera odores desagradáveis persistentes que não são resolvidos apenas com escovação caseira.

 

Comprometimento da mastigação e estética: A perda ou desgaste dos dentes prejudica a digestão dos alimentos e afeta diretamente a autoestima do paciente.

 


Cuidados em casa


As visitas ao consultório devem caminhar lado a lado com a manutenção diária. Para garantir a eficácia da higiene diária e prolongar a saúde do sorriso, alguns cuidados são indispensáveis:

 

Escovação regular: Escovar os dentes pelo menos três vezes ao dia, com especial atenção à escovação antes de dormir. O ideal é utilizar escovas de cerdas macias para não machucar a gengiva nem desgastar o esmalte dos dentes.

 

Uso diário do fio dental: A escova limpa apenas as superfícies aparentes. O fio dental é o único capaz de remover os resíduos de alimentos e a placa bacteriana entre os dentes e abaixo da linha da gengiva.

 

Higienização da língua: A superfície da língua acumula células mortas e bactérias. Escová-la delicadamente ou utilizar um raspador lingual ajuda a combater o mau hálito.

 

Troca periódica da escova de dentes: O objeto deve ser substituído a cada três meses ou assim que as cerdas começarem a abrir e perder a forma original, pois escovas desgastadas perdem a eficiência de limpeza.

 

Nesse cenário, as barreiras financeiras deixam de ser uma justificativa para o distanciamento do consultório. Atualmente, a busca por clínicas que oferecem planos acessíveis, pacotes em conta e condições facilitadas tem se mostrado uma alternativa para viabilizar o tratamento contínuo. Modelos focados em preços populares e facilidades de pagamento democratizam o acesso à saúde bucal, provando que cuidar do sorriso cabe no orçamento de forma planejada.

 

"A saúde bucal não é um aspecto isolado. Ela interfere diretamente na nutrição, na fala, nas relações sociais e na saúde cardiovascular do indivíduo. Criar o hábito de visitar o consultório de forma preventiva, além de cuidar do sorriso em casa, é a escolha mais inteligente e econômica para garantir qualidade de vida a longo prazo", conclui Claudiana Lopes, cirurgiã-dentista da Clínica SiM.



Clínica SiM
www.clinicasim.com

 

Vape: por que os cigarros eletrônicos conquistaram os jovens e quais os impactos na saúde mental?

 Além dos riscos físicos já conhecidos, especialista observam uma relação crescente entre o uso de vape, ansiedade, dependência e alterações emocionais entre adolescentes e jovens adultos.

 

O uso de cigarros eletrônicos, os famosos vapes, virou uma febre entre as novas gerações e acendeu um alerta que vai muito além dos danos aos pulmões. Um levantamento do IBGE, feito por meio da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), mostra que cerca de três em cada dez estudantes adolescentes já experimentaram o dispositivo pelo menos uma vez. Atraídos por um design moderno, sabores de frutas ou doces e pela falsa promessa de que o produto não faz mal, esses jovens entram em um ciclo que esconde sérios riscos e preocupa as famílias. 

O que mais assusta quem acompanha esse cenário de perto é o impacto silencioso do hábito no sistema nervoso. De acordo com o Dr. Oswaldo Norbim, médico psiquiatra, a dose maciça de nicotina presente nos dispositivos mexe direto com a química cerebral, acelerando a dependência em uma fase em que o cérebro ainda está se desenvolvendo. O especialista explica que a substância dá uma sensação passageira de relaxamento, mas o preço cobrado depois é alto, deixando o jovem muito mais vulnerável a crises emocionais. 

Muitos adolescentes usam o vaporizador como uma válvula de escape para dar conta do estresse da escola ou para se sentirem integrados na roda de amigos. "O que começa como uma tentativa de aliviar o nervosismo rapidamente se transforma em um gatilho para crises mais intensas. Quando o efeito passa, o organismo pede mais, e a falta da substância gera uma irritabilidade e uma agitação muito maiores do que as iniciais", afirma o psiquiatra. 

Essa dinâmica cria uma armadilha psicológica difícil de quebrar, onde o sofrimento mental e o vício se alimentam mutuamente. O médico ressalta que o consultório reflete bem essa realidade, com um aumento nítido de pacientes jovens que chegam com quadros combinados de dependência e distúrbios de humor. "A ansiedade e o uso do vape andam de mãos dadas, o jovem fuma porque está ansioso e fica ainda mais ansioso porque está fumando", pontua. 

Além da oscilação de humor, o comportamento em casa e na escola muda drasticamente, muitas vezes sem que os pais entendam o motivo de imediato. A necessidade constante de dar uma tragada quebra a concentração nas aulas, prejudica o sono e afasta o adolescente das atividades que ele antes gostava. "Muitas famílias só descobrem o problema quando o filho já apresenta sinais de isolamento, mudanças bruscas de temperamento e uma urgência inexplicável de sair de perto para usar o aparelho", alerta o Dr. Oswaldo. 

Enfrentar esse problema exige mais do que proibição, pede conversa franca dentro de casa e informação de verdade. Para o especialista, quebrar essa imagem de que o cigarro eletrônico é algo moderno e limpo é o primeiro passo para acolher e proteger essa geração. Ficar de olho nas mudanças de rotina e buscar ajuda profissional cedo pode evitar que o bem-estar e o futuro desses jovens sejam engolidos pelo vício.  



Fonte: Dr. Oswaldo Norbim, médico psiquiatra.
@psiquiatraoswaldonorbim


O que as lesões da Copa do Mundo ensinam sobre prevenção: dentro e fora dos gramados

As lesões que tiraram jogadores importantes da Copa mostram que nem mesmo atletas de elite estão livres de problemas musculares. Especialistas explicam por que elas acontecem e quais hábitos podem ajudar qualquer pessoa a proteger músculos, tendões e articulações.


As lesões musculares de Raphinha e Lucas Paquetá durante a Copa do Mundo reacenderam uma discussão que vai além do futebol: se atletas de elite, acompanhados por médicos, fisioterapeutas, preparadores físicos e tecnologia de ponta, ainda se machucam, o que pessoas comuns podem aprender com isso? A Confederação Brasileira de Futebol confirmou lesões musculares em ambos durante a competição, segundo Reuters e veículos nacionais.

A resposta passa por uma palavra pouco valorizada fora do esporte profissional: prevenção.

Segundo a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, as lesões musculares estão entre as mais frequentes na traumatologia esportiva, representando entre 10% e 55% das lesões no esporte, dependendo da modalidade e do perfil analisado.

Para o ortopedista Thales Rama, é um erro imaginar que uma lesão acontece apenas em um lance. “Na maioria das vezes, o movimento em que a dor aparece é só o momento em que o corpo não consegue mais compensar. A sobrecarga já vinha sendo construída havia semanas ou meses”, explica.

No futebol profissional, essa sobrecarga é monitorada diariamente. Ainda assim, o calendário intenso, pouco tempo de recuperação, fadiga acumulada, viagens, treinos e jogos em sequência aumentam o risco. A FIFPRO, sindicato mundial dos jogadores, vem alertando que o calendário cada vez mais congestionado ameaça a saúde e o desempenho dos atletas.

Mas a lógica não vale apenas para quem disputa uma Copa do Mundo.

“Existe uma ideia de que só quem pratica esporte precisa pensar em prevenção. Na realidade, quem trabalha sentado o dia inteiro, dorme pouco, carrega peso, dirige por horas ou treina sem orientação também sobrecarrega músculos e articulações”, afirma a fisioterapeuta Fabi Pinelli, especialista em dor.


O corpo costuma avisar antes

Rigidez ao acordar, dor que aparece sempre no mesmo local, sensação de peso nas pernas, perda de mobilidade, queda de rendimento e dificuldade para se recuperar após atividade física são sinais que muita gente ignora.

“O atleta é acompanhado para que pequenas alterações não virem problemas maiores. Na vida comum, as pessoas costumam fazer o contrário: só procuram ajuda quando a dor já limita a rotina”, diz Fabi.

O Manual MSD, referência médica internacional, aponta que excesso de carga, movimentos repetitivos, desequilíbrios musculares e recuperação inadequada estão entre os fatores associados às lesões esportivas.


O que qualquer pessoa pode fazer para reduzir o risco de lesões

Segundo Thales, fortalecer a musculatura antes de aumentar a intensidade dos treinos é um dos cuidados mais importantes. “Músculos fortes ajudam a proteger articulações e tendões. O problema é quando a pessoa aumenta carga, velocidade ou frequência sem preparar o corpo.”

Outro ponto é não insistir na dor. Desconfortos que se repetem, duram mais de alguns dias ou limitam movimentos merecem avaliação.

Para Fabi, a prevenção também passa por mobilidade, estabilidade e recuperação. “Não adianta pensar só em força. O corpo precisa se movimentar bem, recuperar bem e distribuir melhor as cargas.”

Entre os cuidados recomendados pelos especialistas estão:

  • fortalecer músculos antes de aumentar intensidade;
  • respeitar o tempo de recuperação;
  • não ignorar dores recorrentes;
  • trabalhar mobilidade e estabilidade;
  • evitar muitas horas seguidas na mesma posição;
  • dormir bem;
  • procurar ajuda antes que a dor limite a rotina.


Sinais de que o corpo pode estar funcionando no limite

  • Dor que aparece sempre após atividade física;
  • rigidez ao levantar;
  • perda de mobilidade;
  • sensação de peso ou fadiga muscular;
  • queda de rendimento;
  • dificuldade de recuperação;
  • dor que melhora com repouso, mas volta rapidamente.

As lesões da Copa mostram que nem mesmo atletas de elite conseguem eliminar completamente os riscos. Mas também deixam uma lição importante: prevenir não é exagero, é estratégia.

No esporte profissional, o cuidado começa antes da dor. Fora dos gramados, talvez esse seja o maior aprendizado.

 

Ter dor de cabeça não é normal! Conheça os sinais de alerta

A cefaleia pode estar associada a condições neurológicas graves. Diagnóstico precoce evita complicações e garante tratamento adequado

 

A cefaleia, popularmente conhecida como dor de cabeça, atinge cerca de 95% da população em algum momento da vida, segundo a Academia Brasileira de Neurologia. Apesar de ser um sintoma comum de que algo não vai bem no nosso organismo, especialistas alertam que alguns sinais podem indicar condições potencialmente graves, exigindo avaliação médica imediata. 

A dor de cabeça também é um dos principais, mas não único!, sintomas da enxaqueca, uma doença neurológica crônica, de causa hereditária e sem cura, que acomete 15% da população mundial, de acordo com a OMS. No Brasil, estima-se que cerca de 30 milhões de pessoas convivam com a doença. 

Embora a cefaleia esteja presente em quase a totalidade dos pacientes durante as crises de enxaqueca, ela também pode ter outras causas secundárias e se manifestar de diferentes formas, incluindo quadros agudos, crônicos ou até em salvas. 

“A cefaleia em salvas é um tipo de dor extremamente intensa, sempre de um lado da cabeça, geralmente ao redor do olho, acompanhada de lacrimejamento e congestão nasal. As crises podem durar de 15 a 40 minutos, chegando a até duas horas, e podem ocorrer várias vezes ao dia, o que reforça a necessidade de diagnóstico correto e acompanhamento especializado”, explica a neurologista Thais Villa, especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca, cefaleia em salvas e outras cefaleias. 

O principal ponto de atenção, no entanto, está nos sinais de alerta que indicam que a cefaleia pode ser algo mais grave. Uma dor de cabeça intensa de início súbito, frequentemente descrita como a pior da vida, deve ser tratada como emergência, especialmente quando surge sem histórico prévio ou apresenta piora rápida. Nesses casos, é fundamental procurar o pronto atendimento para investigação imediata, já que pode haver risco de condições graves, como rompimento de aneurisma cerebral ou meningite. 

“Outro sinal importante de alerta é a recorrência frequente das dores, especialmente quando interferem na rotina. Se a pessoa apresenta três ou mais episódios de dor de cabeça por mês, por mais de três meses, é recomendada avaliação com neurologista para investigação adequada. Mesmo quando não há sinais de gravidade imediata, a persistência do sintoma não deve ser ignorada, pois pode indicar enxaqueca não diagnosticada ou mal controlada”, orienta Thais Villa. 

A cronificação da enxaqueca, que pode ocorrer com o uso frequente de analgésicos e anti-inflamatórios, também merece atenção. Embora proporcionem alívio momentâneo, esses medicamentos não tratam a causa do problema e podem aumentar a frequência, a intensidade e a duração das crises ao longo do tempo. 

Além disso, fatores como alimentação podem atuar como gatilhos e agravantes em cérebros mais sensíveis, especialmente substâncias estimulantes como cafeína, alimentos termogênicos (gengibre, cúrcuma e canela) e o glutamato monossódico presente em produtos industrializados como shoyu e temperos prontos. 

Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado da enxaqueca. O cuidado deve ser integrado e multidisciplinar com o objetivo de controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente. 

“Entre as abordagens terapêuticas mais modernas para o manejo da enxaqueca estão a toxina botulínica e os anticorpos monoclonais anti-CGRP, que têm demonstrado eficácia no controle da doença. Reconhecer quando a dor de cabeça foge do padrão habitual é essencial para evitar complicações e garantir segurança ao paciente”, conclui Villa. 




Dra Thaís Villa (CRM 110217) - Neurologista especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca. Doutorado pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Pós-Doutorado pela Universidade da Califórnia (UCLA) nos Estados Unidos. Idealizadora do Headache Center Brasil, clínica multiprofissional pioneira e única no país no diagnóstico e tratamento integrado das dores de cabeça e da enxaqueca. Professora de Neurologia e Chefe do Setor de Cefaleias na UNIFESP (2015 a 2022). Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia. Membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia. Membro do Conselho Consultivo do Comitê de Cefaleias na Infância e Adolescência da International Headache Society. Atua exclusivamente na pesquisa e atendimento de pacientes com dor de cabeça, no diagnóstico e tratamento da enxaqueca, enxaqueca crônica, cefaleia em salvas e outras cefaleias. Palestrante convidada em congressos nacionais e internacionais.


Headache Center Brasil
www.headachecenterbrasil.com.br
Instagram: headache_center_brasil


22 de Julho - Dia Mundial do Cérebro

 O NOVO REMÉDIO PARA A LONGEVIDADE CEREBRAL PODE ESTAR NO MOVIMENTO

Especialista explica por que a prática de atividades físicas é um dos pilares nos cuidados com a mente


Durante muito tempo, quando se falava em longevidade cerebral, a recomendação era quase sempre a mesma: fazer palavras cruzadas, exercitar a memória, ler mais ou aprender novos idiomas. Essas estratégias continuam sendo importantes, mas um número crescente de pesquisas mostra que existe um caminho ainda mais poderoso para preservar o cérebro: movimentar o corpo. 

Um estudo da Universidade de Pittsburgh, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), demonstrou que a prática regular de exercícios físicos pode aumentar o volume do hipocampo, região do cérebro responsável pela memória e pelo aprendizado. 

Essa relação é também reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Em suas Diretrizes sobre Atividade Física e Comportamento Sedentário, a entidade destaca que pessoas fisicamente ativas apresentam menor risco de declínio cognitivo, demência e depressão, além de melhor qualidade do sono e maior bem-estar ao longo da vida. 

O tema ganha destaque no Dia Mundial do Cérebro, celebrado em 22 de julho, quando especialistas chamam a atenção para uma mudança importante na forma como a ciência compreende a relação entre saúde física e saúde mental. 

“Hoje, já se sabe que músculos, coração e cérebro trabalham em sintonia. Caminhar, correr, praticar atividades físicas e desenvolver força muscular não beneficiam apenas o condicionamento físico, mas também a memória, a concentração, o humor, a criatividade e a proteção contra doenças neurodegenerativas”, explica Juliana Romantini, treinadora corpo & mente, especialista em mindfulness e em Medicina do Estilo de Vida pela Harvard University. 

Para a especialista, essa evolução representa uma ampliação do conhecimento científico sobre a saúde cerebral. Se antes o foco estava quase exclusivamente em estimular o cérebro por meio de atividades cognitivas, hoje as evidências mostram que esse cuidado precisa caminhar junto com a preservação da saúde física, especialmente da massa muscular.

"Estimular a mente com leitura, jogos, novos aprendizados e exercícios de memória continua sendo importante. O que a ciência acrescentou nos últimos anos é que o cérebro também depende do estado do nosso corpo para funcionar bem. A manutenção da massa muscular exerce um papel fundamental nesse processo, porque favorece um metabolismo mais saudável e desencadeia respostas biológicas capazes de fortalecer as conexões neurais e aumentar nossa capacidade de adaptação ao estresse. O cérebro não está separado do restante do organismo; ele faz parte de um sistema integrado", destaca. 

Reserva metabólica - Segundo Romantini, quando nos movimentamos, não estamos apenas queimando calorias. Estamos reduzindo processos inflamatórios, equilibrando hormônios, melhorando a circulação sanguínea e favorecendo a oxigenação cerebral. 

"O cérebro é um dos órgãos que mais consomem energia no corpo. Por isso, preservar a massa muscular vai muito além da força física: ela funciona como uma importante reserva metabólica, ajudando o organismo a manter um metabolismo eficiente e a garantir a energia necessária para o bom funcionamento cerebral. A longevidade do cérebro depende também da saúde dos músculos. Isso significa que cuidar da mente envolve estimular o cérebro, mas também manter o corpo em movimento e preservar os músculos”, reforça Romantini.

Nos treinamentos e programas que conduz, ela também tem observado que pessoas que incorporam o movimento à rotina também desenvolvem maior percepção corporal, mais presença e uma relação mais saudável com as próprias emoções. 

"Quando o corpo entra em movimento, a mente também encontra novos caminhos. Muitas pessoas relatam que é durante uma caminhada, uma corrida ou uma prática consciente que conseguem organizar pensamentos, aliviar a ansiedade e tomar decisões importantes”, relata. 

Para a especialista, o desafio não é convencer as pessoas de que o cérebro precisa de estímulos cognitivos, mas ampliar a compreensão de que a saúde cerebral também depende da integração entre corpo e mente. 

"O cérebro conversa o tempo todo com os músculos, com o coração, com o intestino, com a respiração e com todos os sistemas do corpo. Quanto mais entendemos essa integração, mais percebemos que a longevidade cerebral é construída pelas escolhas que fazemos diariamente", finaliza Romantini. 




Juliana Romantini - referência em desenvolvimento físico-mental com 25 anos de experiência em integração de corpo e mente. Especialista em Mindfulness e certificada em Medicina do Estilo de Vida pela Harvard University, possui ampla experiência em promover práticas que equilibram o bem-estar mental e físico na busca por uma vida mais equilibrada e saudável. Graduada em Educação Física e pós-graduada em Reabilitação Cardíaca e Grupos Especiais (obesos, gestantes, hipertensos), é criadora do método Prática Integral, que há mais de 10 anos vem transformando.


20 de Julho, Dia Mundial do Cérebro

 Cuidar do Cérebro é Investir em Qualidade de Vida 

 

Celebrado em 20 de julho, o Dia Mundial do Cérebro traz a reflexão sobre a importância dos cuidados. Mais do que tratar doenças, preservar a saúde desse órgão vital significa investir em prevenção, informação e hábitos que favoreçam o funcionamento adequado do sistema nervoso. 

 

O cérebro é o órgão que define quem somos. Os pensamentos, emoções, memórias, movimentos e decisões, tudo é controlado pelo cérebro.

 

Durante muito tempo acreditou-se que o cérebro era um órgão praticamente imutável. A ideia era que perdíamos neurônios ao longo dos anos sem possibilidade de recuperação. 

 

Com os avanços da neurociência, sabe-se que o cérebro possui uma extraordinária capacidade de adaptação, conhecida como neuroplasticidade, ou seja, o cérebro reorganiza suas conexões, cria novos circuitos neurais e modifica seu funcionamento em resposta às experiências, ao aprendizado, aos estímulos do ambiente e até mesmo, após lesões.

 

Com o aumento da expectativa de vida da população cresceu significativamente a incidência de doenças neurológicas, como acidente vascular cerebral (AVC), tumores cerebrais, aneurismas, traumatismos cranianos, alterações da coluna, doenças degenerativas, como a doença de Parkinson e Alzheimer.

 

Por isso, é fundamental reconhecer sinais como: dores de cabeça persistentes ou que apresentam características diferentes do habitual, perda de força, alterações na fala, convulsões, perda de consciência, dificuldades de memória, alterações do equilíbrio ou da visão -, que podem indicar condições que exigem avaliação médica especializada. 

 

Vale aqui uma alerta sobre o uso excessivo de telas, que tem sido um dos grandes vilões. O tempo dedicado na internet, principalmente nas redes sociais, o bombardeio de notificações e o hábito de fazer múltiplas tarefas, prejudicam o foco e geram níveis alarmantes de ansiedade e estresse, considerados os dois grandes vilões da saúde cerebral a longo prazo.

 

Existe até um termo para isso: “brain riot”, significando “podridão cerebral” ocasionada por este estilo de vida que prioriza as telas. A título de curiosidade: este termo foi eleito como a palavra do ano 2024 pelo Dicionário Oxford.

 

A notícia boa é que muitos desses problemas podem ser prevenidos, diagnosticados precocemente ou tratados obtendo bons resultados. 

 

Ajustes nos hábitos diários e alguns cuidados são fundamentais, entre os mais importantes estão o controle da pressão arterial, do diabetes e colesterol elevado; evitar o tabagismo, praticar atividades físicas, manter uma alimentação equilibrada, dormir bem e estimular constantemente a atividade intelectual e social. 

 

Para funcionar plenamente, o cérebro também precisa de descanso, interação social e equilíbrio emocional. Em conjunto, essas medidas contribuem para a saúde cerebral ao longo da vida.

 

Lembre-se: a forma como você cuida do seu cérebro hoje, molda diretamente quem você será amanhã. 



Dr. Kleber Duarte - Neurocirurgião funcional
@drkleberduarte


Os 50 deixaram de ser o fim da carreira das mulheres


O mercado ainda enxerga prazo de validade onde a demografia revela décadas de potência. Uma mulher de 50 anos não está encerrando sua trajetória profissional, ela pode estar entrando na fase mais valiosa dela.

 

Em 2024, a expectativa de vida das brasileiras chegou a 79,9 anos. E uma mulher que alcança os 60 anos pode esperar viver, em média, outros 24,2 anos. Isso significa que chegar aos 50 deixou de representar a reta final da vida produtiva. Para muitas mulheres, pode significar mais duas ou três décadas de trabalho, liderança, empreendedorismo e reinvenção.

 

Os 50 não são os novos 30, são os novos 50: com mais repertório, autonomia e tempo de futuro. Estamos vivendo uma transformação silenciosa que mudará profundamente o mercado de trabalho. Enquanto grande parte das discussões está concentrada na inteligência artificial, na transformação digital e nas novas formas de trabalho, uma mudança ainda maior acontece diante dos nossos olhos: a mudança demográfica.

 

O Brasil já tem quase 34 milhões de mulheres com 50 anos ou mais. Não estamos falando de um nicho, mas de uma das maiores forças econômicas, profissionais e consumidoras do país. Para compreender a dimensão desse contingente, ele equivale a quase três vezes toda a população de Portugal, estimada em 11,4 milhões de habitantes, e corresponde a cerca de 82% da população inteira do Canadá, hoje com 41,4 milhões. Em outras palavras: se as brasileiras 50+ formassem um país, ele teria dimensões continentais — e ignorar sua experiência, seu poder de decisão e sua capacidade produtiva seria um enorme erro econômico. 

 

O problema é que as organizações ainda operam com modelos de carreira concebidos para um mundo no qual as pessoas estudavam, trabalhavam, se aposentavam e envelheciam em etapas quase lineares e esse mundo acabou.


Teremos carreiras mais longas, múltiplas transições, períodos de pausa, novas formações, empreendedorismo, trabalhos por projeto e até mais de uma aposentadoria ao longo da vida.

 

Aos 50, uma mulher pode iniciar uma nova carreira, assumir uma posição executiva, tornar-se conselheira, empreender, investir, ensinar, mentorar ou transformar décadas de experiência em uma nova fonte de renda e impacto.


Mas existe um obstáculo: o mercado ainda confunde idade com perda de capacidade e é nesse descompasso que nasce o etarismo.

 

Uma pesquisa da EY e da Maturi, realizada com 191 empresas brasileiras, mostrou que as organizações ainda estão nos primeiros passos da inclusão de profissionais 50+. Outro levantamento das mesmas instituições revelou uma distância crescente entre a disposição desses profissionais para permanecer no mercado e o interesse efetivo das empresas em contratá-los. Nove em cada dez profissionais pesquisados buscavam recolocação, enquanto as vagas destinadas a esse público haviam diminuído.

 

Costumamos tratar o preconceito relacionado à idade apenas como um problema social, mas ele é também um problema econômico. Em um cenário de transformação acelerada, escassez de talentos e necessidade permanente de inovação, afastar profissionais experientes significa desperdiçar conhecimento, relacionamentos, memória organizacional e capacidade de julgamento.

 

Existe uma ironia neste momento histórico. Nunca falamos tanto em inovação, mas nunca precisamos tanto de pessoas capazes de lidar com a complexidade, equilibrar interesses, antecipar riscos, formar novos líderes e decidir quando não existe uma resposta pronta.

 

A inteligência artificial torna essa discussão ainda mais relevante. A tecnologia consegue processar informações, identificar padrões e produzir respostas em uma velocidade extraordinária. Mas ainda precisamos de pessoas para interpretar contextos, fazer as perguntas certas, compreender consequências e decidir o que merece ser feito. Quanto mais inteligência artificial tivermos, maior será o valor do discernimento humano.

 

O Fórum Econômico Mundial estima que 39% das competências essenciais dos trabalhadores deverão mudar até 2030. Entre as habilidades mais valorizadas pelas empresas estão pensamento analítico, resiliência, flexibilidade, liderança, influência social, empatia e escuta ativa. Não por acaso, são competências que podem ser aprofundadas pela experiência e pela exposição a diferentes ciclos da vida.

 

Um estudo da FGV com 308 profissionais 50+ destacou justamente capacidades como empatia, perseverança, mediação de conflitos, adaptabilidade e aprendizagem contínua. O desafio, portanto, não é a ausência dessas competências, é a dificuldade das organizações em reconhecê-las e transformá-las em valor estratégico. O currículo mostra onde uma pessoa esteve, mas é o repertório que mostra o que ela é capaz de compreender, conectar e decidir.

 

Quando olhamos especificamente para as mulheres, essa discussão ganha outra dimensão. Elas enfrentam simultaneamente o preconceito de gênero e o preconceito relacionado à idade.

 

Apesar dos avanços, o caminho até a liderança permanece desigual. O relatório Women in the Workplace 2025 mostra que, para cada 100 homens promovidos ao primeiro cargo de gestão, apenas 93 mulheres recebem a mesma oportunidade. Nos cargos de alta liderança, elas representam somente 29% das posições de C-level nas empresas pesquisadas.

 

É o chamado “degrau quebrado”. Muitas mulheres não chegam ao topo porque tiveram menos oportunidades de subir o primeiro degrau. Mesmo assim, cresce o número de mulheres maduras assumindo posições estratégicas. E isso não acontece por acaso, o próprio conceito de liderança está mudando.

 

Durante muito tempo, liderar foi associado a comando, controle e autoridade. Hoje, as organizações precisam de colaboração, escuta, desenvolvimento de pessoas, visão sistêmica, capacidade de negociação e inteligência emocional.

 

Essas competências não pertencem exclusivamente às mulheres. Mas muitas chegam aos 50 anos tendo liderado equipes, criando filhos, cuidado de familiares, atravessado crises, administrado múltiplos papéis e tomado decisões difíceis em ambientes de alta complexidade. Esse repertório raramente aparece completo em um currículo, mas aparece na qualidade das decisões.

 

A longevidade também está criando uma geração de mulheres com um nível inédito de autonomia. Muitas já consolidaram suas carreiras, ampliaram sua independência financeira e agora possuem mais clareza para escolher onde desejam colocar seu tempo, sua energia e sua experiência.

 

É nessa fase que vemos surgir mais conselheiras, investidoras, mentoras, executivas e empreendedoras. Estamos diante da abertura de uma nova economia e essa transformação conversa diretamente com a previdência e o planejamento financeiro. Viver mais é uma conquista extraordinária. Mas carreiras mais longas, transições profissionais e aposentadorias que podem durar 25 ou 30 anos exigem novas estruturas financeiras.

 

A previdência pública continuará cumprindo seu papel de proteção social. A previdência aberta oferece alternativas individuais de mercado. Já a previdência complementar fechada pode agregar governança representativa, propósito coletivo, planejamento de longo prazo, portabilidade e custos mais eficientes.

 

É essa reserva de previdência que pode dar liberdade para uma mulher reduzir o ritmo, realizar uma pausa, empreender, estudar novamente, cuidar de alguém, mudar de carreira ou continuar trabalhando porque deseja — e não porque não possui escolha.

 

Como executiva de uma entidade de previdência complementar, acompanho diariamente essa transformação. Vejo mulheres reinventando suas trajetórias, assumindo posições estratégicas e demonstrando que diversidade não significa apenas reunir diferentes gêneros ou origens. Diversidade também é colocar diferentes gerações, experiências e perspectivas ao redor da mesma mesa.

 

As empresas mais competitivas do futuro não serão formadas apenas por jovens nem apenas por profissionais experientes, mas por aquelas capazes de combinar velocidade com discernimento, tecnologia com humanidade, novas perguntas com conhecimento acumulado.

 

Denise Maidanchen - CEO da Quanta Previdência, Presidente do Lide Mulher SC e Diretora da Uniabrapp


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