A
designer de interiores Izabella Biancardine alerta que muitos proprietários
gastam todo o orçamento com revestimentos caros, mas mantêm a fiação antiga,
colocando em risco a segurança e o funcionamento da casa nova
Pisos sofisticados, marcenaria
planejada, iluminação decorativa e revestimentos de alto padrão costumam liderar
a lista de prioridades em uma reforma. O problema é que, muitas vezes, toda a
atenção e o orçamento ficam concentrados na estética, enquanto a infraestrutura
elétrica permanece a mesma. O erro pode trazer prejuízos financeiros e até
colocar a segurança dos moradores em risco.
Segundo dados da Associação Brasileira
de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel), falhas nas
instalações elétricas estão entre as principais causas de incêndios em
residências no país. Em imóveis mais antigos, a situação é ainda mais
preocupante, já que a rede elétrica frequentemente não foi dimensionada para
suportar a quantidade de equipamentos utilizados atualmente.
Para a designer de interiores Izabella
Biancardine, especialista em iluminação, psicologia das cores e acompanhamento
de obras há mais de 20 anos, é comum encontrar clientes que investem pesado nos
acabamentos, mas deixam de revisar a parte elétrica. "Muitas pessoas
acreditam que a reforma termina quando a casa fica bonita visualmente. Mas, se a
infraestrutura não acompanha essa transformação, os problemas aparecem logo
depois da mudança", explica.
A profissional ressalta que aparelhos
como ar-condicionado, fornos elétricos, cooktops por indução, sistemas de
automação e equipamentos de entretenimento exigem uma demanda energética muito
maior do que a prevista em projetos executados décadas atrás. Sem uma
atualização adequada, a sobrecarga se torna inevitável.
Outro erro frequente é a compra de
materiais sem certificação ou com especificações inadequadas. Fios com bitolas
incorretas, disjuntores incompatíveis e componentes de baixa qualidade podem
comprometer o desempenho da instalação e aumentar significativamente os riscos
de curto-circuito. "A economia feita nessa etapa costuma ser pequena perto
do prejuízo que um problema elétrico pode causar", alerta.
De acordo com Izabella, a avaliação da
rede elétrica deve ocorrer ainda na fase de planejamento da reforma. Isso
permite que o projeto seja desenvolvido considerando a distribuição correta de
tomadas, pontos de iluminação e equipamentos, evitando intervenções futuras e
gastos desnecessários.
O cuidado também impacta diretamente a
qualidade dos ambientes. Especialista em iluminação, a designer explica que um
projeto eficiente depende não apenas da escolha das luminárias, mas de uma
estrutura capaz de suportar o sistema proposto com segurança e desempenho
adequado.
"Uma reforma bem executada começa pelo que ninguém vê. A estética é importante, mas ela não pode vir antes da segurança. Quando infraestrutura e design caminham juntos, o resultado é um ambiente bonito, funcional e preparado para durar muitos anos", conclui.
Fonte: Izabella Biancardine, designer de interiores, especialista em iluminação, psicologia das cores e acompanhamento de obras.
@biancardine_interiores
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