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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Perdeu ou danificou a placa? Saiba como pedir a 2ª via ao Detran-SP

Conduzir veículo sem placa ou com placa sem legibilidade é infração gravíssima, passível de multa, pontos e recolhimento; extravio ainda pode representar outros problemas

 

Conduzir um veículo sem placa ou com placa sem legibilidade é uma infração gravíssima, de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), punível não apenas com multa de R$ 293,47 e 7 pontos na carteira nacional de habilitação (CNH), como também com recolhimento do veículo. Mas evitar aborrecimento é rápido: o Detran-SP oferece um serviço digital que disponibiliza na hora a autorização para a estampagem da 2ª via da placa no padrão Mercosul, o modelo que vem sendo adotado desde 2020.

 

Basta acessar o serviço com login GOV.BR, selecionando o veículo que necessita de placa (no caso de se possuir mais de um) e a placa a ser estampada (se a dianteira e/ou traseira). A segunda via terá por base as informações da primeira: mesma categoria (particular, oficial, coleção, entre outras) e mesmo município onde o veículo foi registrado (se houver mudança de endereço, é preciso pedir uma nova placa). 

 

Recebida a autorização do Detran-SP, que é automatizada e leva no máximo 5 minutos quando cumpridos os requisitos, o cidadão deve buscar uma das 1.200 estampadoras credenciadas no estado de São Paulo. O preço da placa é acertado diretamente entre o motorista e a estampadora. A lista completa das empresas também está no site do Detran-SP.

 

Requisitos

Para emplacar ou reemplacar o veículo, é preciso estar livre de pendências: não possuir débitos em aberto, como IPVA, multas ou outras taxas. O licenciamento também precisa estar em dia. Se a placa anterior ainda não seguia o padrão Mercosul, como a cinza de 3 letras e 4 números, é necessário primeiro pedir a conversão, na mesma seção do portal do Detran-SP. Veja detalhes mais abaixo.

 

Placa cinza ou vermelha

Se a placa perdida ou extraviada era cinza, chegou a hora de atualizar o veículo para o padrão Mercosul. O primeiro passo, aqui, é solicitar uma Placa de Identificação Veicular (PIV), emitindo nova via do documento do veículo (CRV/CRLV-e). A taxa referente à emissão do Certificado de Registro do Veículo (CRV) é de R$ 285,05 ou de R$ 452,79, se o licenciamento estiver em aberto.

 

Segundo passo: com os documentos solicitados, o cidadão deve ir até uma unidade de atendimento do Detran-SP. O atendimento presencial é realizado por agendamento via site do órgão de trânsito ou Poupatempo ou ainda pelo aplicativo Poupatempo.

 

Após o atendimento pelos canais do Detran-SP, o cidadão deve consultar o prazo para emissão digital do documento. Quando disponível, deve baixar ou imprimir o documento do veículo pelo portal do Detran-SP, pelo aplicativo CDT - Carteira Digital de Trânsito do governo federal (exclusivo para pessoa física), ou pelo portal de serviços da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).

 

Se o veículo pertencer a pessoa jurídica, não há acesso pelo app CDT. A impressão deverá ser feita pelo portal do Detran-SP ou da Senatran. Por fim, o processo termina em uma empresa estampadora de placas credenciada pelo Detran-SP.

 

Faça um B.O. 


Em situação de perda ou furto, sugere-se que o motorista também faça um Boletim de Ocorrência (BO) pela internet, por meio da Delegacia Eletrônica, ou na unidade da Polícia Civil mais próxima.



O erro de esperar a glicose subir: a importância de identificar a perda de eficiência metabólica

Sinais como fadiga após as refeições, compulsão por doces e acúmulo de gordura abdominal costumam indicar uma resistência à insulina que o organismo tenta compensar anos antes do diagnóstico final 

 

O número de adultos brasileiros com diabetes passou de 5,5% para 12,9% entre 2006 e 2024, segundo o Vigitel 2025, divulgado pelo Ministério da Saúde em janeiro de 2026. No mesmo período, a obesidade cresceu 118% e o excesso de peso avançou 47%. Para o médico, professor e pesquisador Alexandre Duarte, referência em fisiologia metabólica e hormonal e fundador do  Instituto Avantgarde, esses dados mostram que parte da população chega ao diagnóstico quando o metabolismo já emitiu sinais por anos.

Um dos pontos centrais desse processo é a resistência à insulina, condição em que as células passam a responder pior à ação do hormônio responsável por ajudar a glicose a entrar nos tecidos e ser usada como energia. Na prática, o organismo precisa produzir mais insulina para manter a glicose aparentemente normal. Por isso, uma pessoa pode não ter diabetes diagnosticado e, ainda assim, conviver com alterações metabólicas associadas a fadiga, fome frequente, acúmulo de gordura abdominal, inflamação e maior risco cardiovascular.

“O erro é esperar a glicose subir para começar a investigar o metabolismo. Muitas vezes, quando a glicemia aparece alterada, o corpo já passou anos compensando uma resistência à insulina que não foi observada”, afirma Alexandre.

Segundo a Federação Internacional de Diabetes, o Brasil tinha 16,6 milhões de adultos de 20 a 79 anos com diabetes em 2024 e está entre os dez países com maior número de casos no mundo. A entidade projeta que esse total pode chegar a 24 milhões em 2050. Embora a resistência à insulina não seja medida em inquéritos populacionais da mesma forma que o diabetes, ela é reconhecida como um mecanismo importante na trajetória de doenças metabólicas, especialmente no diabetes tipo 2.


O que confunde pacientes

A resistência à insulina costuma avançar sem sintomas específicos. Cansaço após refeições, sonolência, dificuldade para perder gordura, fome pouco tempo depois de comer, vontade frequente de doces, alteração de triglicerídeos, queda do HDL, aumento da circunferência abdominal e pressão arterial elevada podem aparecer antes de um diagnóstico fechado. Isoladamente, esses sinais não confirmam a condição, mas indicam que a investigação deve ir além da balança e da glicose de jejum.

“Uma pessoa pode estar com o peso considerado aceitável, treinar algumas vezes por semana e ainda assim ter um metabolismo pouco eficiente. O corpo não funciona por aparência. Ele funciona por sinais bioquímicos, hormonais e inflamatórios que precisam ser interpretados em conjunto”, diz Alexandre.

Para o médico, um dos equívocos mais comuns é tratar ganho de peso, fadiga e compulsão alimentar como problemas separados. Em muitos casos, segundo ele, esses sintomas participam da mesma rede fisiológica. Quando o organismo passa a depender de níveis mais altos de insulina para executar funções básicas, a regulação da fome, da energia e do estoque de gordura tende a ser afetada.

A discussão também alcança pessoas que buscam emagrecimento rápido. Medicamentos, dietas restritivas e protocolos sem acompanhamento podem reduzir peso em curto prazo, mas não necessariamente corrigem a base metabólica do problema. “Perder peso pode ser importante, mas não é o único marcador de recuperação. O paciente pode emagrecer e continuar inflamado, cansado, com baixa massa muscular e exames que mostram risco futuro”, afirma.


Prevenção começa antes do diagnóstico

A Sociedade Brasileira de Diabetes define o diabetes tipo 2 como uma condição em que o organismo não consegue usar adequadamente a insulina que produz ou não produz quantidade suficiente para controlar a glicemia. Antes desse ponto, porém, há uma janela de prevenção que costuma ser pouco explorada na rotina clínica, especialmente quando os exames tradicionais ainda estão dentro dos valores de referência.

Essa avaliação pode incluir histórico familiar, composição corporal, circunferência abdominal, pressão arterial, perfil lipídico, glicemia, hemoglobina glicada, insulina, marcadores inflamatórios e hábitos de sono, alimentação e atividade física. A recomendação não é transformar sintomas vagos em diagnóstico, mas identificar padrões de risco antes que eles se convertam em doença crônica.

“O metabolismo não quebra de uma hora para outra. Ele perde eficiência aos poucos. A medicina precisa olhar para esse período intermediário, quando ainda há tempo de mudar a rota com mais precisão”, diz Duarte.

Além do impacto individual, a resistência à insulina ajuda a explicar um problema mais amplo de saúde pública. Fadiga, queda de energia, alterações de sono e piora da composição corporal afetam rotina, produtividade, relações familiares e custos assistenciais. O tema também pressiona empresas, planos de saúde e sistemas públicos, que costumam arcar com as consequências quando a prevenção falha.

Segundo o médico, o debate sobre saúde metabólica precisa deixar de ser restrito ao diabetes. “A pergunta não deve ser apenas se a pessoa já está doente. A pergunta é o que o corpo está tentando compensar antes de adoecer. É nessa fase que a prevenção tem mais força”, afirma.



Dr. Alexandre Duarte - médico, professor e palestrante, referência em fisiologia metabólica e hormonal no Brasil. Graduado em Medicina pela Universidade Regional de Blumenau (FURB), aprofundou sua formação durante 12 anos nos Estados Unidos, onde concluiu o Fellowship in Metabolic and Nutritional Medicine pela MMI/USA. Fundador do Grupo Avantgarde, Alexandre Duarte acumula mais de duas décadas de atuação clínica e acadêmica. Ao longo de sua trajetória, contribuiu para a recuperação da saúde de aproximadamente 20 mil pacientes e para a formação de mais de 3 mil médicos em áreas ligadas à fisiologia metabólica, modulação hormonal e medicina personalizada. Defensor da chamada medicina da saúde, baseada na investigação das causas dos desequilíbrios metabólicos e hormonais, atua na difusão de uma abordagem voltada à prevenção, personalização do tratamento e reversão de doenças crônicas associadas ao metabolismo, consolidando-se como uma das principais vozes do segmento no país.
Para mais informações, acesse: site, Instagram, linkedin ou pelo youtube.

 

Brasil registra aumento de 62% nos processos de estelionato contra idosos e projeta alta histórica em 2026

 Segundo dados divulgados pelo Escavador, o país soma quase cinco mil denúncias registradas entre os anos de 2023 e o final de maio de 2026.

 

Basta uma ligação falsa para que o popular ‘171’, mais conhecido como crime de estelionato, convença a vítima a abrir sua conta bancária. Entre o público boomer (60+), a quantidade de denúncias cresce ano após ano: no Brasil, aproximadamente 5 processos por estelionato contra idosos são abertos por dia.

 

Os dados foram divulgados pelo Escavador, com quase cinco mil denúncias registradas entre 2023 e o final de maio de 2026. De acordo com a plataforma de dados jurídicos, os crimes de estelionato contra idosos se intensificaram na última década. Mantendo o ritmo atual, 2026 deve encerrar com cerca de 62% mais processos do que em 2023.

 

O início da análise identificou 1,1 mil processos em 2023, crescendo em uma curva suave no ano de 2024, que fechou com 1,3 mil ações. Acompanhando o fenômeno dos golpes virtuais, 2025 apresentou a maior quantidade de denúncias, com 1,7 mil processos apresentados nos tribunais. 

 

Levar os casos à Justiça, após tentativas com os bancos, tornou-se um cotidiano na vida do público mais velho. Segundo Dalila Pinheiro, Coordenadora Jurídica e DPO do Escavador, os criminosos entram em contato com tons de urgência, se passando por ‘gerentes de banco’, ou, em alguns casos, passando de setor em setor da própria quadrilha, levando a vítima a ‘cair em uma arapuca’, como se estivesse sendo assistida pelo time das agências bancárias. 

 

“Um dos casos mais comuns, quando referido ao crime de estelionato contra idosos, é o de golpes relacionados à fraude bancária. Geralmente são encaminhados SMS ou mensagens via WhatsApp, pedindo alguma confirmação: você reconhece esta compra? Ao informar que não, uma equipe entra em contato com a vítima, precisamente como os setores de prevenção à fraude dos bancos fazem. Os estelionatários, em alguns casos, utilizam dados primários, como CPF, para que a engenharia social (técnica de manipulação psicológica) tenha ainda mais efeito no público. Entre os mais velhos, a dificuldade é maior, devido à adaptação tardia com a tecnologia e o entendimento das linguagens e procedimentos”, explica a DPO. 

 

Apesar das campanhas de conscientização, o país está longe de frear os avanços do crime de estelionato contra idosos. O fechamento parcial do primeiro semestre de 2026 trouxe mais uma preocupação às autoridades, com 748 ações notificadas aos tribunais; fatia que corresponde a 41,7% de todo o volume registrado em 2025. “Podemos entrar em um ano histórico de denúncias por crimes de estelionato. Os idosos costumam ser o público mais comum, no entanto, todos estão suscetíveis à engenharia social. O caminho que o dinheiro percorre também é difícil de rastrear. As chamadas contas-laranja recebem os valores e, geralmente, são instruídas a repassar de conta em conta, de certa forma, ‘limpando’ o dinheiro. Nesse método, ainda que o banco possa bloquear a conta recebedora, a mesma já não deve estar com nenhum resquício do valor do golpe, dificultando a restituição bancária e elevando o número de processos por casos de estelionato no país”.  

 

Ainda segundo o Escavador, a quantidade de denúncias pode variar de lugar para lugar. Entre as federações com a maior quantidade de processos por estelionato contra idosos, o estado da Bahia ocupa o topo do ranking, com 580 denúncias, seguido por Minas Gerais (542), São Paulo (458), Paraná (432), Rio de Janeiro (329), Piauí (316), Santa Catarina (273), Mato Grosso do Sul (233) e Ceará, com 207 casos, no período entre 2023 e a última parcial de 2026. 

 

Já entre os que menos contabilizaram processos, está o estado do Acre, com apenas três ações, seguido por Pernambuco (5), Rio Grande do Norte (13) e Maranhão (14). “Uma onda de crimes de estelionato rompeu os estados e não se limitou à fraude bancária. Esse tipo de crime, tipificado no Código Penal (Decreto-Lei nº 2.848/1940), especificamente em seu Artigo 171, estourou nas metrópoles por meio  de diferentes formas: compra de veículo, fraudes, golpes do PIX, boletos falsos, fraudes imobiliárias, empréstimos consignados fraudulentos, golpe do falso parente, entre vários outros. A engenharia social por trás dos golpes também avança, conseguindo replicar faces, fazer chamadas de vídeo ‘ao vivo’, criar locais falsos e outras artimanhas”, comenta Dalila.  

 

Crimes previstos no ‘Estatuto do Idoso’ acumulam alta consecutiva

 

Além da preocupação que espreita o telefone, os processos por “crimes previstos no Estatuto do Idoso” cresceram no país. Ainda segundo apuração do Escavador, as infrações contra o Estatuto do Idoso já chegam a 29 mil ações no Brasil, com uma média superior a 8,5 mil processos por ano. 

 

“As preocupações com o envelhecimento no Brasil ampliaram para além da saúde. Hoje, há um desafio crescente relacionado à proteção patrimonial, financeira e até emocional da população idosa. À medida que o país envelhece e a digitalização dos serviços avança, cresce também a necessidade de mecanismos de prevenção, educação digital e proteção jurídica capazes de reduzir a vulnerabilidade desse público diante de golpes, fraudes e outras formas de violência”, conclui Dalila.

Confira a lista de processos por estelionato contra idosos nos estados (2023 a maio de 2026)

 

Bahia (BA) – 580

Minas Gerais (MG) – 542

São Paulo (SP) – 458

Paraná (PR) – 432

Rio de Janeiro (RJ) – 329

Piauí (PI) – 316

Santa Catarina (SC) – 273

Mato Grosso do Sul (MS) – 233

Ceará (CE) – 207

Goiás (GO) – 193

Rio Grande do Sul (RS) – 175

Sergipe (SE) – 133

Pará (PA) – 127

Paraíba (PB) – 67

Alagoas (AL) – 66

Amazonas (AM) – 60

Espírito Santo (ES) – 58

Distrito Federal (DF) – 53

Tocantins (TO) – 53

Amapá (AP) – 43

Mato Grosso (MT) – 18

Maranhão (MA) – 14

Rio Grande do Norte (RN) – 13

Pernambuco (PE) – 5

Acre (AC) – 3




 

 

Cinco motivos pelos quais o Brasil se torna cada vez menos competitivo

 

O mundo vive uma intensa corrida por produtividade, impulsionada pelos avanços tecnológicos, ascensão da IA, automação em massa, análise de dados e pela inovação contínua. Não faltam exemplos de empresas e países que conquistaram ganhos de eficiência, redução de custos, tomadas de decisões mais assertivas e ampliação da sua competitividade ao incorporarem essas transformações com estratégia. Dentre eles, infelizmente, o Brasil ainda avança em um ritmo muito inferior ao necessário para acompanhar essa nova dinâmica global. 

Um estudo recente do think tank, o Conference Board, mostrou que a produtividade da economia nacional recuou 18,5% desde 1980, retornando a níveis semelhantes aos registrados em 1958. Ao mesmo tempo, nossa participação no PIB mundial caiu de 2,8% para 2,1%, ocupando, hoje, a 52ª posição no ranking global do Índice Global de Inovação (IGI), elaborado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO / OMPI). 

Em um mercado de constantes evoluções em que a tecnologia vem redefinindo negociações entre as mais diversas organizações, insistir em modelos pouco eficientes significa abrir espaço para que outras economias avancem mais rapidamente. Nosso país tem um amplo potencial para estar dentre as maiores potências, mas deixa de ocupar este espaço por fatores preocupantes que ainda parecem não ter sido amplamente compreendidos pelo empresariado – dos quais cinco se destacam: 


#1 Resistência à inovação como estratégia de negócios: a inovação ainda é tratada por muitas empresas como um projeto pontual, e não como um componente estratégico para seu crescimento. Dessa forma, ao invés de estruturarem processos contínuos de transformação, com metas e indicadores de desempenho, se limitam a iniciativas isoladas, que pouco impactam sua competitividade. O cenário da Indústria 4.0 ilustra bem essa realidade: embora já exista há 14 anos e seja amplamente falado ao redor do mundo, sua adoção no Brasil ainda está em estágio inicial. Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), como prova disso, mostra que apesar de 69% das indústrias já utilizarem algum tipo de tecnologia digital, a maioria ainda está dando os primeiros passos de maturidade, com baixa integração entre sistemas, pouca utilização estratégica dos dados e reduzido aproveitamento do potencial dessas ferramentas.  


#2 Decisões baseadas em intuição, e não em dados: em um mercado cada vez mais dinâmico, tomar decisões com base na experiência ou "achismos” não é suficiente para sustentar a vantagem competitiva. Ainda assim, muitas empresas brasileiras enfrentam dificuldades para consolidar uma cultura orientada por dados, seja pela baixa integração entre sistemas, pela qualidade das informações disponíveis ou pela falta de profissionais preparados para transformá-las em inteligência de negócios, o que resulta na perda de agilidade, maior exposição a riscos e decisões menos assertivas.  


#3 Gargalos de eficiência: há, ainda, uma grande resistência em muitas empresas de investirem mais tempo e recursos em sua governança, acreditando que mapear fluxos, definir responsabilidades, estabelecer indicadores e padronizar atividades significa aumentar a burocracia e reduzir a agilidade operacional. Mas, na prática, o que ocorre é justamente o contrário. Processos bem estruturados eliminam retrabalho, reduzem desperdícios, aumentam a previsibilidade e permitem que as equipes direcionem esforços para atividades de maior valor estratégico. As normas ISO são excelentes exemplos de sucesso nesse sentido, tendo na China um dos maiores cases de sucesso com empresas que vêm expandindo seus resultados através dessas metodologias e, consequentemente, favorecendo a melhora do PIB nacional. 


#4 Uso da IA sem capacitação: em muitas organizações, essa ferramenta vem sendo utilizada como substituta do pensamento crítico, e não como um instrumento para potencializá-lo. É cada vez mais comum, por exemplo, ver profissionais tratando respostas de plataformas como o ChatGPT como verdades absolutas, sem validação, contexto ou senso analítico. Essa falta de gestão do conhecimento evidencia, inclusive, uma lacuna de capacitação que vai além da tecnologia: o Brasil continua distante das principais economias em inovação e produção de conhecimento, ocupando apenas a 50ª posição entre 133 países no Índice Global de Inovação de 2025.  


#5 Infraestrutura insuficiente: nenhum esforço de inovação ou transformação digital será suficiente se continuarmos enfrentando gargalos históricos de infraestrutura. O Brasil possui dimensões continentais e enorme potencial logístico, mas ainda convive com uma matriz de transporte excessivamente dependente das rodovias, estradas em condições precárias, ferrovias insuficientes e um sistema portuário que não acompanha o volume e a complexidade do comércio internacional. O resultado é o aumento dos custos operacionais, atrasos na cadeia de suprimentos e perda de competitividade frente a economias que investiram de forma consistente em infraestrutura.  

Ao enxergarmos tamanho crescimento de potências internacionais, é normal cobrarmos mais iniciativas de inovação das empresas, do governo e da sociedade. Contudo, talvez a pergunta mais importante a se fazer seja: quais mudanças estamos dispostos a promover dentro das nossas próprias organizações?  

Seguimos exportando cacau para importar chocolate, vendendo café para comprar cápsulas de alto valor agregado, e sustentando boa parte da economia na comercialização de commodities, enquanto importamos tecnologia, conhecimento e produtos manufaturados. Temos à disposição uma série de metodologias de gestão capazes de fortalecer nossa governança, impulsionar a transformação digital e elevar a inteligência no uso estratégico dos dados.  

O conhecimento está disponível, as tecnologias também. O que falta é compreender que competitividade exige mudança de mentalidade. Afinal, insistir nas mesmas práticas e esperar resultados diferentes não nos levará ao protagonismo que o potencial brasileiro permite alcançar. 

 

Alexandre Pierro - doutorando em energia e mestre em gestão e engenharia da inovação, engenheiro mecânico, bacharel em física e especialista de gestão da PALAS, consultoria pioneira na implementação da ISO de inovação na América Latina.     


Agosto Lilás: violência doméstica não termina na porta do apartamento e condomínios têm papel no enfrentamento

Advogado especialista em Direito Condominial alerta para a importância de síndicos, funcionários e moradores saberem como agir diante de sinais ou episódios de violência contra a mulher 

 

O apartamento é um espaço privado, mas isso não significa que situações de violência ocorridas dentro dele devam ser tratadas com indiferença por quem vive ao redor. Gritos recorrentes, pedidos de socorro e sinais evidentes de agressão podem colocar síndicos, funcionários e moradores diante de uma situação delicada: até onde vai o respeito à privacidade e quando é necessário agir? 

 

O debate ganha ainda mais relevância durante o Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher. Em 2026, a mobilização também coincide com os 20 anos da Lei Maria da Penha, um dos principais marcos legais brasileiros de proteção às mulheres vítimas de violência.

 

De acordo com o advogado especialista em Direito Condominial Eduardo Rachid, os condomínios ocupam uma posição importante nesse contexto justamente pela proximidade entre as pessoas. Muitas vezes, os primeiros sinais de uma situação de violência podem ser percebidos por vizinhos, funcionários da portaria ou pelo próprio síndico. Por isso, é importante compreender que determinados episódios ultrapassam as questões habituais de convivência entre moradores e podem exigir uma atuação responsável.

 

A violência contra a mulher também não se restringe à agressão física. A Lei Maria da Penha contempla diferentes formas de violência doméstica e familiar, incluindo manifestações psicológicas, sexuais, patrimoniais e morais, que muitas vezes podem ocorrer de maneira silenciosa e contínua.

 

Privacidade não significa omissão

 

Uma das principais dúvidas no ambiente condominial está relacionada aos limites de atuação do síndico. Afinal, ele pode interferir em uma situação que acontece dentro de uma unidade privada?

 

Segundo Rachid, é preciso diferenciar uma interferência indevida na vida particular dos moradores de uma situação em que existem indícios concretos de risco ou violência. O síndico não exerce função investigativa nem deve assumir o papel das autoridades. Isso, porém, não significa ignorar uma situação grave que chegue ao seu conhecimento. A atuação deve ser pautada pela prudência, pela segurança e pelo acionamento dos órgãos competentes quando necessário.

 

A questão também envolve os funcionários dos condomínios, que, pela própria rotina de trabalho, podem estar entre os primeiros a perceber pedidos de ajuda ou situações atípicas.

 

Protocolos internos podem contribuir para que porteiros, zeladores e demais profissionais saibam como proceder, evitando tanto a omissão quanto intervenções improvisadas que possam colocar outras pessoas em risco.

 

Condomínios precisam estar preparados

 

A discussão sobre violência doméstica dentro dos condomínios ganhou espaço também na legislação e no debate jurídico. Em São Paulo, normas estaduais estabeleceram mecanismos relacionados à comunicação de episódios ou indícios de violência doméstica e familiar ocorridos em condomínios residenciais, reforçando a importância de que a gestão condominial conheça as responsabilidades aplicáveis em cada situação.

 

Para Rachid, o tema deve ser tratado também de forma preventiva. Os condomínios podem estabelecer procedimentos para orientar funcionários e a própria gestão diante de situações graves. A medida não significa atribuir ao síndico uma função policial, mas criar condições para que uma possível ocorrência de violência não seja ignorada simplesmente por acontecer dentro de uma unidade privativa.

 

Além dos procedimentos internos, campanhas educativas e informações disponibilizadas nas áreas comuns podem contribuir para ampliar a conscientização entre os moradores e divulgar os canais adequados de atendimento e denúncia.

 

Cada situação deve ser analisada de acordo com suas circunstâncias e, diante de uma emergência ou de risco imediato à integridade de uma pessoa, a prioridade deve ser o acionamento das autoridades competentes.

 

Na avaliação de Rachid, o condomínio deve ser compreendido como uma comunidade. Preservar a privacidade dos moradores é fundamental, mas a proteção da vida e da integridade das pessoas também deve ser considerada. Informação, orientação jurídica e procedimentos adequados ajudam síndicos e gestores a reconhecer os limites de sua atuação e identificar situações que exigem uma resposta das autoridades. 



Rachid Advocacia
https://rachidadvocacia.com.br/


Férias na estrada: revisão preventiva garante mais segurança nas viagens de julho

Especialista orienta sobre os principais cuidados antes de pegar a estrada durante o período de férias


Com o aumento do fluxo de veículos nas rodovias durante as férias de julho, realizar uma revisão preventiva antes de viajar é uma medida essencial para reduzir riscos, evitar imprevistos e garantir mais segurança para toda a família.

Antes de sair de casa, é importante verificar itens como pneus (incluindo o estepe), freios, suspensão, alinhamento e balanceamento, além dos níveis de óleo do motor, fluido de freio e líquido de arrefecimento. Também devem ser inspecionados a bateria, as palhetas do limpador de para-brisa e todo o sistema de iluminação do veículo.

Segundo Rafael Arruda, gerente de Pós-Vendas Extrema do Grupo AGP, a manutenção preventiva evita problemas mecânicos e aumenta a segurança durante o trajeto. "Muitos imprevistos que acontecem nas estradas poderiam ser evitados com uma revisão feita antes da viagem. A inspeção permite identificar desgastes e corrigir falhas que passam despercebidas no uso diário, proporcionando mais tranquilidade ao motorista e reduzindo gastos inesperados durante o percurso", destaca.

O especialista recomenda que a revisão seja feita com antecedência, permitindo a realização de eventuais reparos antes da viagem. Também orienta conferir a documentação do veículo, organizar corretamente a bagagem e planejar o trajeto, incluindo pontos de parada para descanso e abastecimento.

Com manutenção em dia e planejamento, os motoristas podem aproveitar as férias com mais conforto, segurança e tranquilidade.

 

Quanto custa viajar em 2026? Economista alerta que planejamento é o principal aliado para evitar dívidas

Especialista da Faculdade Santa Marcelina explica como organizar os gastos evita que o descanso vire uma dor de cabeça financeira

 

Fazer uma viagem de férias está nos planos dos brasileiros. Pesquisa da Booking.com indica que 94% dos brasileiros querem viajar em busca de descanso em 2026.  Mas, em um cenário de juros altos, viajar exige mais do que escolher o destino, requer planejamento financeiro para que a experiência não se transforme em um problema no orçamento nos meses seguintes. 

De acordo com Enivalda Pina, economista e docente da Faculdade Santa Marcelina, o momento econômico pede cautela. "A inflação continua impactando o custo de serviços como passagens aéreas, hospedagem e alimentação, enquanto a taxa de juros elevada torna o crédito mais caro. Por isso, organizar as finanças antes de viajar é essencial para evitar o endividamento", explica. 

O primeiro passo, segundo a especialista, é elaborar orçamento detalhado, contemplando gastos mais evidentes, transporte, hospedagem, despesas com alimentação, deslocamentos no destino, passeios, compras e reserva para imprevistos. "Um dos erros mais comuns é considerar apenas os custos iniciais da viagem e esquecer os gastos extras que surgem durante o passeio", destaca. 

A pesquisa de preços também faz diferença no bolso, ter flexibilidade nas datas, optar por voos em dias e horários de menor procura e reservar passagens e hospedagens com antecedência são estratégias que podem reduzir os custos. Além disso, programas de fidelidade, uso de milhas, hospedagens alternativas e destinos menos concorridos costumam oferecer uma relação custo-benefício mais vantajosa. 

Outra forma de economizar está na rotina durante a viagem. Priorizar restaurantes frequentados pelos moradores locais, utilizar transporte público, fazer alguns passeios a pé e, quando possível, preparar parte das refeições na própria hospedagem ajudam a controlar os gastos sem comprometer a experiência. 

O parcelamento da viagem também merece atenção, segundo Pina. Embora possa ser uma alternativa interessante quando oferecido sem juros e dentro de um planejamento financeiro consistente, a economista alerta que o recurso pode se tornar um problema quando envolve taxas elevadas ou compromete a renda da família por muitos meses. 

"Parcelar faz sentido quando cabe no orçamento e não compromete outras despesas essenciais. O cuidado deve ser redobrado neste cenário de juros altos, em que qualquer financiamento pode aumentar significativamente o custo final da viagem", afirma. 

Entre os principais erros cometidos pelos consumidores, Enivalda destaca o uso excessivo do cartão de crédito, ausência de reserva para emergências, falta de pesquisa antes da compra e, no caso das viagens internacionais, deixar para adquirir moeda estrangeira na última hora, sem acompanhar a variação cambial. 

Outro ponto frequentemente negligenciado é o seguro viagem. Apesar de muitos enxergarem a contratação como um gasto dispensável, a especialista ressalta que ele representa importante proteção financeira diante de imprevistos, como problemas de saúde, cancelamentos de voos ou extravio de bagagens. 

"O objetivo das férias é descansar e aproveitar o tempo com a família. Um bom planejamento financeiro permite que essa experiência seja vivida com tranquilidade, sem que a viagem gere preocupações ou dívidas após o retorno", conclui. 

 

Faculdade Santa Marcelina

 

Carro elétrico ou híbrido: qual vale mais a pena para o seu dia a dia?

 

Com vendas em alta no país, os modelos despertam interesse dos consumidores, mas entender as diferenças entre eles é essencial antes da compra 

 

O avanço das tecnologias e a chegada de novas marcas têm acelerado a adoção de veículos eletrificados no Brasil. Em 2025, o país registrou 223.912 emplacamentos de veículos leves eletrificados, um crescimento de 26% em relação a 2024, quando foram vendidas 177.358 unidades, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). A tendência de expansão segue forte em 2026: apenas em março, foram 35.356 veículos eletrificados emplacados, o maior volume mensal da série histórica da entidade, fazendo com que esses modelos representassem 14% das vendas de veículos leves no mês e reforçando a consolidação da eletromobilidade no mercado brasileiro. 

Apesar da popularidade crescente, muitos consumidores ainda têm dúvidas sobre qual opção escolher: um carro 100% elétrico ou um híbrido. A resposta depende do estilo de vida, do padrão de uso do veículo e até da infraestrutura disponível para recarga. 

Os carros elétricos (BEV) são movidos exclusivamente por baterias recarregáveis e não utilizam motor a combustão. Já os híbridos combinam um motor elétrico com um motor a combustão, que pode funcionar de forma alternada ou conjunta. Segundo Alan Ladeia, especialista no setor automotivo e CEO da Carflix, entender o funcionamento de cada tecnologia é fundamental para tomar uma decisão mais consciente. 

“A escolha entre elétrico e híbrido não é apenas tecnológica, mas comportamental. O consumidor precisa analisar sua rotina, distância média percorrida e acesso a pontos de recarga para entender qual modelo realmente faz sentido no dia a dia”, afirma o especialista. 

Entre os principais atrativos dos veículos totalmente elétricos estão a economia e a sustentabilidade. As vantagens dele são: zero emissão de poluentes durante o uso, custo menor por quilômetro rodado, manutenção reduzida, com menos peças mecânicas e condução mais silenciosa e tecnológica. Já as desvantagens estão na dependência de infraestrutura de recarga, tempo de abastecimento maior que o de um carro a combustão e preço inicial ainda mais elevado em muitos modelos. 

Para Alan Ladeia, o perfil ideal do motorista de carro elétrico costuma ser urbano. “O elétrico combina muito com quem roda majoritariamente dentro da cidade e tem acesso fácil a pontos de recarga, seja em casa, no trabalho ou em condomínios.” 

Já os híbridos surgem como uma espécie de “ponte” entre os carros tradicionais e os totalmente elétricos. E em suas vantagens se encontram maior autonomia, combinando motor elétrico e combustão, não depender exclusivamente de pontos de recarga, consumo de combustível mais eficiente e transição mais suave para quem está migrando da gasolina ou etanol. Já as desvantagens é que esse modelo ainda emite poluentes, tem a manutenção potencialmente mais complexa por ter dois sistemas e economia menor em comparação aos elétricos puros. 

De acordo com Ladeia, esse tipo de veículo tende a agradar quem ainda não quer depender totalmente da infraestrutura elétrica. “O híbrido costuma ser a escolha de quem faz viagens frequentes ou ainda não tem acesso fácil a carregadores. Ele oferece eficiência energética sem mudar drasticamente a rotina do motorista.” 

Na prática, a escolha entre um carro elétrico e um híbrido está diretamente ligada ao estilo de vida do motorista. Os modelos 100% elétricos tendem a ser mais indicados para quem circula majoritariamente em áreas urbanas, possui acesso fácil a pontos de recarga, seja em casa ou no trabalho, e busca menor custo de manutenção aliado a uma proposta mais sustentável e tecnológica. 

Já os veículos híbridos atendem melhor quem realiza viagens com mais frequência, ainda não conta com uma infraestrutura de carregamento consolidada e deseja reduzir o consumo de combustível sem abrir mão da autonomia.

 

Pesquisadores do Brasil podem ter quebrado paradigma científico de 400 anos

Descoberta publicada na Nature Communications teve participação do matemático brasileiro Tiago Pereira, com apoio do Instituto Serrapilheira

 

Pesquisadores descobriram um novo tipo de sincronização em sistemas complexos — conjuntos de elementos que interagem entre si e com o ambiente — que desafia uma das ideias centrais da área, aceita há mais de 400 anos. Publicado na revista Nature Communications com apoio do Instituto Serrapilheira, o estudo liderado por cientistas do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da Universidade de São Paulo (USP) mostra que sistemas podem apresentar comportamento sincronizado mesmo quando a interação entre seus componentes não segue a lógica tradicional baseada em relações entre pares. Entre os autores estão o matemático brasileiro Tiago Pereira e o holandês Eddie Nijholt, pesquisadores do ICMC-USP.

A sincronização é um fenômeno em que diferentes elementos passam a atuar de maneira coordenada. Aparece em diversos sistemas naturais e tecnológicos, como a atividade de neurônios no cérebro, redes elétricas e outros sistemas complexos. Desde o século 17, quando o físico holandês Christiaan Huygens observou dois relógios de pêndulo sincronizados, a explicação dominante era de que esse comportamento surgia a partir da interação direta entre os elementos envolvidos.

O novo estudo mostra que essa regra não é suficiente para explicar todos os casos. Os pesquisadores demonstraram que, em determinados sistemas, a sincronização pode surgir apenas quando três ou mais componentes interagem simultaneamente, revelando um mecanismo coletivo que não aparece quando esses elementos são analisados individualmente.

“A sincronização é um dos fenômenos mais importantes da natureza. Aparece em sistemas muito diferentes entre si e sempre foi entendida a partir da ideia de interação entre pares de elementos. O que mostramos é que existem situações em que pode emergir por outro mecanismo”, afirma Tiago Pereira.

A descoberta amplia a compreensão sobre sistemas complexos e pode ajudar pesquisadores de diferentes áreas a desenvolver modelos para estudar fenômenos coletivos, como processos relacionados ao cérebro, ao clima e a redes tecnológicas.

O trabalho também tem uma história de colaboração científica que atravessou a pandemia de Covid-19. A pesquisa foi desenvolvida por Tiago Pereira em parceria com o matemático holandês Eddie Nijholt, hoje professor do ICMC-USP. Em 2020, Nijholt se preparava para realizar um pós-doutorado no Brasil, mas o fechamento das fronteiras impediu sua viagem.

Para manter a colaboração, Pereira usou recursos flexíveis do apoio recebido do Instituto Serrapilheira para financiar o trabalho do pesquisador enquanto ele permanecia na Holanda. A parceria continuou durante o período da pandemia e avançou após a retomada das atividades presenciais.

"A flexibilidade do apoio do Serrapilheira foi fundamental para manter essa colaboração durante a pandemia. Se não tivéssemos conseguido apoiar Eddie naquele momento, provavelmente ele teria seguido outro caminho. Hoje ele é professor do ICMC e autor correspondente deste trabalho. É um exemplo de como o investimento em pesquisa básica pode gerar resultados científicos e ajudar a formar grupos de excelência no Brasil", diz Pereira.

Após retornar ao Brasil, Nijholt fez pós-doutorado, conquistou uma bolsa Jovem Pesquisador da FAPESP e passou a integrar o ICMC-USP. A colaboração entre os pesquisadores já havia resultado em trabalhos de destaque e agora leva a uma nova descoberta sobre um dos fenômenos coletivos mais estudados pela ciência.

“Quando entendemos melhor como sistemas complexos passam a atuar de forma coordenada, criamos novas possibilidades para compreender fenômenos naturais e desenvolver aplicações em diferentes áreas da ciência e da engenharia”, diz Pereira.
  
 

Instituto Serrapilheira

 

Meu benefício foi negado pelo INSS. Vale a pena recorrer?

Especialista explica quando a negativa do INSS pode ser revertida, quais erros são mais comuns e o que aumenta as chances de aprovação do recurso

 

Receber uma negativa do INSS não significa, necessariamente, o fim do processo. Dados da Transparência Previdenciária do INSS mostram que quase quatro em cada dez pedidos de benefícios analisados em 2025 foram indeferidos. Em muitos casos, porém, a decisão pode ser revista por meio de recurso administrativo ou ação judicial, desde que o segurado consiga demonstrar que atende aos requisitos previstos na legislação. 

“Cada negativa do INSS tem um fundamento diferente. Há situações em que basta complementar a documentação, outras exigem a correção de informações cadastrais e há casos em que a discussão envolve a própria interpretação da legislação. Identificar a origem do problema é o que define o caminho mais adequado para buscar a revisão da decisão”, afirma Thaís Bertuol Xavier, advogada e consultora jurídica do Previdenciarista, plataforma jurídica especializada em Direito Previdenciário.

 

O que fazer quando o INSS nega um benefício? 

O primeiro passo é entender o motivo da negativa. A carta de decisão emitida pelo INSS informa quais requisitos não foram considerados atendidos e serve como ponto de partida para definir a melhor estratégia. 

Antes de tomar qualquer decisão, vale verificar: 

·         qual foi o motivo informado pelo INSS;

·         se há erro nas informações analisadas;

·         se existe necessidade de complementar documentos ou corrigir dados do cadastro;

·         qual é a alternativa mais adequada para o caso: recurso administrativo ou ação judicial. 

Essa análise evita recursos desnecessários e aumenta as chances de uma solução mais rápida.

 

Vale a pena recorrer da decisão do INSS? 


Em muitos casos, sim. Quando a negativa decorre de erro na análise, documentação incompleta ou informações que podem ser complementadas, o recurso administrativo pode ser suficiente para reverter a decisão. Já em situações mais complexas, como divergências na interpretação da legislação ou necessidade de produção de novas provas, pode ser mais adequado buscar a via judicial.

 

A escolha depende das características de cada pedido e dos fundamentos apresentados pelo INSS.

 

Quais negativas do INSS costumam ser revertidas?

 

Não existe uma regra única, mas alguns tipos de negativa aparecem com frequência em recursos que acabam sendo revistos. Entre elas estão: 

·         inconsistências no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS);

·         períodos de contribuição que não foram considerados;

·         documentos apresentados após o primeiro pedido;

·         negativas relacionadas à perícia médica, quando há novos elementos para análise;

·         interpretações equivocadas sobre o cumprimento dos requisitos legais. 

 

Quais documentos aumentam as chances de aprovação do recurso?

 

A documentação varia conforme o benefício solicitado, mas apresentar provas completas e organizadas costuma fazer diferença na análise. Entre os documentos mais importantes estão: 

·         documentos pessoais atualizados;

·         carteira de trabalho e comprovantes de vínculos empregatícios;

·         extrato do CNIS;

·         laudos, exames e atestados médicos, quando aplicáveis;

·         PPP e laudos técnicos das empresas em que trabalhou com exposição nociva, quando aplicáveis

·         comprovantes de contribuições e outros documentos relacionados ao benefício solicitado.

 

“A qualidade das informações apresentadas influencia diretamente na análise do pedido. Muitas negativas podem ser revertidas quando o recurso demonstra, de forma clara e documentada, que o segurado atende aos requisitos previstos na legislação”, finaliza a advogada.

 

Previdenciarista

 

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