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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Patologia brasileira integra elite da OMS na definição de novas diretrizes para câncer torácico

Lyon, França - O cenário global do diagnóstico de cânceres da região torácica está prestes a passar por uma transformação técnica significativa com o lançamento da 6ª edição da WHO Classification of Tumours (conhecida como WHO Books). Patologistas brasileiros de destaque foram convidados para integrar o seleto comitê de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS), reforçando a excelência da Medicina nacional na vanguarda da ciência mundial.

Entre os representantes brasileiros estão a Drª Kátia Ramos Moreira Leite, professora de Urologia de Urologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e membro do Conselho Consultivo da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), e o Dr. Fábio Távora, professor da UFC e patologista associado da SBP no Ceará.

Ambos estiveram reunidos com outros especialistas de outros países em abril, na sede da OMS em Lyon, para consolidar as diretrizes que nortearão o diagnóstico e o tratamento personalizado de cânceres como do trato gastrointestinal e de pulmão, que, segundo a OMS, permanece como um dos tipos mais incidentes e a principal causa de morte por câncer em todo o mundo.

Avanços técnicos e precisão diagnóstica - A nova edição dos WHO Books na área de Patologia Torácica foca na transição para um modelo de diagnóstico integrado, onde a morfologia tradicional se une à imunofenotipagem e à Patologia molecular. Entre os principais pilares da atualização técnica, destacam-se:

  • Harmonização Neuroendócrina: Padronização terminológica entre tumores de pulmão e do trato gastrointestinal, garantindo consistência no estadiamento e decisões terapêuticas.
  • Novas Entidades Moleculares: Identificação de tumores raros por meio de rearranjos genéticos específicos, como os sarcomas com fusão do gene PATZ1 e o hemangioendotelioma YAP1::TFE3.
  • Biomarcadores em Pequenas Biópsias: Um capítulo inédito dedicado ao manejo de amostras limitadas (agulha e endoscopia), orientando o uso de técnicas como IHC, FISH e sequenciamento para otimizar o diagnóstico em contextos de prática contemporânea.

Impacto na Medicina de precisão - Para Távora, a atualização é um divisor de águas para a Oncologia global.“Estas novas diretrizes consolidam a mudança da Patologia para um modelo de diagnóstico integrado, onde a Biologia molecular passa a definir a identidade do tumor. Ao padronizarmos essas nomenclaturas e identificarmos novos biomarcadores, estamos fornecendo aos oncologistas de todo o mundo as ferramentas necessárias para um tratamento verdadeiramente personalizado”, afirma o patologista da SBP.

De acordo com ele, o impacto clínico das novas diretrizes da OMS na área de Patologia Torácica é direto: “Diagnósticos mais precisos significam prognósticos mais acurados e, fundamentalmente, a escolha da terapia correta para o paciente certo, no momento certo”, complementa Távora.A participação de especialistas brasileiros na edição, bem como na redação de capítulos dos livros da OMS não apenas eleva o prestígio da Patologia nacional, mas assegura que a realidade e a competência técnica do Brasil contribuam para a segurança diagnóstica global.

Os patologistas da SBP estão à disposição para entrevistas técnicas sobre as atualizações da 6ª edição dos WHO Books e seus impactos na Saúde Pública. Para agendamentos e esclarecimentos científicos, entre em contato com nossa assessoria de Comunicação.


Amiloidose por transtirretina ganha visibilidade em nova temporada da série documental “Viver é Raro”

Caracterizada pelo acúmulo de proteínas em órgãos vitais e de difícil diagnóstico, condição rara será tema de um dos episódios da série que estreia em abril no Globoplay, com apoio da Pfizer. 

 

A amiloidose por transtirretina (ATTR) é uma doença rara, progressiva e frequentemente subdiagnosticada, que pode comprometer diferentes órgãos do corpo, como nervos e coração.[1] Mais de 140 mutações genéticas já foram associadas à ATTR hereditária (ATTRv), mas ela também pode ser consequência do envelhecimento, condição denominada ATTR selvagem ou wild-type (ATTRwt). Com manifestações variadas e muitas vezes confundidas com outras condições, a doença ainda é pouco reconhecida, o que pode atrasar o início do tratamento e impactar diretamente a qualidade de vida dos pacientes.

A amiloidose será um dos temas abordados na nova temporada da série documental “Viver é Raro”, que estreou em abril no Globoplay. A produção apresenta histórias reais de pessoas que convivem com condições raras de saúde e os desafios enfrentados em busca de diagnóstico, tratamento e qualidade de vida.

A doença é causada por alterações na proteína transtirretina (TTR), que passa a se dobrar de forma incorreta e se acumular em diferentes órgãos e tecidos do corpo, comprometendo seu funcionamento. Na forma hereditária, a condição tem padrão de herança autossômico dominante, o que significa que filhos de pessoas afetadas têm até 50% de chance de desenvolver a doença. Na forma selvagem, ocorre mais frequentemente em homens acima de 60 anos.

“Um dos principais desafios da amiloidose hereditária é o diagnóstico. Isso porque os sintomas podem ser diversos e afetar diferentes sistemas do organismo ao mesmo tempo, dificultando a identificação precoce da doença.”, afirma Adriana Ribeiro, diretora médica da Pfizer Brasil.

Mesmo com o aumento da conscientização sobre a doença, a amiloidose por transtirretina, especialmente em sua forma cardíaca, ainda é frequentemente subdiagnosticada. Dados recentes indicam que quase metade dos pacientes recebe inicialmente o diagnóstico de outra condição cardíaca, o que pode prolongar a jornada até a confirmação correta. Esse processo pode envolver múltiplas consultas, exames e períodos de incerteza, e mais de 75% dos pacientes relatam dificuldades até chegar ao diagnóstico.[2]

Pacientes podem apresentar manifestações neurológicas e cardíacas simultaneamente, o que torna o quadro clínico complexo e frequentemente confundido com outras condições. Entre os sintomas mais comuns estão formigamento, perda de sensibilidade, fraqueza muscular, alterações gastrointestinais, perda de peso e problemas cardíacos, como falta de ar e arritmias.
 

Série amplia conscientização sobre doenças raras

A 3ª temporada de “Viver é Raro” tem como objetivo ampliar a visibilidade sobre doenças raras ao apresentar relatos reais de pacientes, familiares e profissionais de saúde. A produção aborda não apenas os aspectos clínicos, mas também os impactos sociais, emocionais e psicológicos dessas condições. A série estará disponível no Globoplay, inclusive para não assinantes, ampliando o acesso à informação e à conscientização sobre o tema.

O episódio sobre Amiloidose por transtirretina conta com apoio da Pfizer, além de outras companhias, reforçando o compromisso com a conscientização e o acesso à informação sobre doenças raras. Realizada pela Casa Hunter (Associação Brasileira de Pacientes com Doenças e seus Cuidadores), com coprodução da Cine Group e Vbranda, a série destaca a jornada de quem convive com essas condições e a busca por uma vida com mais dignidade, inclusão e qualidade.

 

Grandes avanços que mudam as vidas dos pacientes

Na Pfizer, usamos conhecimento científico e recursos globais para trazer terapias que prolonguem e melhorem significativamente as vidas das pessoas. Buscamos estabelecer o padrão de qualidade, segurança e valor na descoberta, desenvolvimento e fabricação de produtos para a saúde, incluindo medicamentos e vacinas inovadores. Todos os dias, os colegas da Pfizer trabalham em mercados desenvolvidos e emergentes para o progresso do bem-estar, da prevenção e de tratamentos que desafiam as doenças mais temidas de nossos tempos. Somos uma das maiores empresas biofarmacêuticas de inovação do mundo e é nossa responsabilidade e principal função colaborarmos com profissionais de saúde, governos e comunidades locais para promover e ampliar o acesso a cuidados confiáveis e acessíveis com a saúde em todo o mundo. Há mais de 175 anos atuamos para fazer a diferença para todos aqueles que confiam em nosso trabalho. Para saber mais, acesse: Site Pfizer Brasil, ou siga-nos no LinkedIn e Instagram.


Pressão alta sem sintomas: por que milhões de brasileiros têm hipertensão e não sabem

Doença silenciosa atinge cerca de 30% dos adultos no país e segue como um dos principais fatores de risco para infarto e AVC 


A hipertensão arterial, popularmente conhecida como pressão alta, é uma das doenças crônicas mais comuns no Brasil — e também uma das mais negligenciadas. De acordo com dados do Ministério da Saúde e do sistema Vigitel, cerca de 30% dos adultos brasileiros convivem com a doença. Mesmo assim, uma parcela significativa dessas pessoas não tem diagnóstico.

O principal motivo está na própria natureza da enfermidade: a hipertensão é, na maioria dos casos, silenciosa. Ou seja, não apresenta sintomas evidentes nas fases iniciais. Quando sinais como dor de cabeça, tontura ou falta de ar aparecem, muitas vezes o quadro já evoluiu e pode estar associado a complicações mais graves. 

Além disso, o acompanhamento de rotina ainda é falho. A recomendação médica é que todo adulto meça a pressão regularmente, mas grande parte da população só procura atendimento quando sente algum desconforto — o que não é comum nesse tipo de doença.

Segundo o cardiologista e docente do curso de Medicina da Afya Centro Universitário de Pato Branco, Dr. Marcos Antonio Vieira, a hipertensão é perigosa justamente porque não avisa. “O paciente pode passar anos com a pressão elevada sem perceber, e isso vai causando danos progressivos ao coração, ao cérebro e aos rins”, afirma o Dr. Marcos.


Números que preocupam

O avanço da hipertensão no país tem sido consistente nas últimas décadas. Dados oficiais mostram que a prevalência da doença entre adultos passou de 22,6% em 2006 para mais de 26% em 2021, com tendência de crescimento contínuo.

Além disso, a condição está diretamente ligada a complicações graves. Estima-se que cerca de 6% de todos os óbitos no país estejam associados à hipertensão, e a taxa de mortalidade chegou a 211,5 mortes por 100 mil habitantes em 2023.

A doença também representa um impacto significativo no sistema público de saúde, com centenas de milhares de atendimentos e internações todos os anos.


Sedentarismo entre jovens acende alerta precoce

Se antes a hipertensão era mais comum acima dos 30 anos, hoje o cenário começa a mudar. O estilo de vida contemporâneo — marcado por longos períodos em frente a telas, baixa atividade física e alimentação ultraprocessada — tem antecipado o surgimento da doença.

O próprio Ministério da Saúde aponta o sedentarismo, a obesidade e o consumo excessivo de sal como fatores diretamente associados ao aumento dos casos. O Dr. Marcos também alerta que a falta de atividade física já impacta gerações mais jovens.

“Estamos vendo pacientes cada vez mais jovens com pressão alta. O sedentarismo e a má alimentação criam um ambiente propício para o desenvolvimento precoce de doenças cardiovasculares”, explica o médico cardiologista e docente da Afya.

Esse cenário preocupa porque amplia o tempo de exposição aos riscos. Quanto mais cedo a hipertensão se desenvolve, maior a chance de complicações ao longo da vida, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência renal.


Doença comum, mas controlável

Apesar dos números elevados, a hipertensão pode ser prevenida e controlada. “Mudanças no estilo de vida são fundamentais: prática regular de exercícios, alimentação equilibrada, redução do consumo de sal, abandono do tabagismo e controle do peso”, enfatiza o Dr. Marcos.

O maior desafio, no entanto, continua sendo o diagnóstico precoce. Como a doença não costuma dar sinais, a orientação é clara: não esperar sintomas para procurar avaliação médica.

“Em um país onde milhões convivem com a pressão alta sem saber, a informação e a prevenção ainda são as principais armas contra uma doença que, embora silenciosa, pode ter consequências graves”, finaliza o cardiologista. 



Afya
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A judicialização da saúde em casos de alta complexidade

A medicina vive um momento de transformação profunda. Tratamentos que há poucos anos pareciam distantes da realidade brasileira hoje já fazem parte das discussões médicas, jurídicas e familiares: imunoterapias contra o câncer, medicamentos biológicos para doenças autoimunes, terapias gênicas para doenças raras, tratamentos celulares e até a chamada terapia CAR-T Cell, em que células do próprio paciente são modificadas para combater determinados tipos de câncer. 

Esses avanços representam esperança. Para muitas famílias, podem significar mais tempo de vida, melhor qualidade de vida ou, em alguns casos, a única alternativa possível diante de uma doença grave. Mas também trazem uma pergunta difícil: quem deve pagar por tratamentos que podem custar dezenas, centenas de milhares ou até milhões de reais? 

No Brasil, essa pergunta aparece em dois grandes cenários: o Sistema Único de Saúde, o SUS, e os planos de saúde privados. Embora ambos estejam ligados ao direito à saúde, as regras não são iguais. 

A Constituição Federal estabelece que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Essa frase, conhecida por muitos brasileiros, é a base de milhares de ações judiciais envolvendo medicamentos, cirurgias, exames e terapias de alto custo. Contudo, na prática, o direito à saúde precisa conviver com três realidades: a urgência do paciente, a necessidade de comprovação científica do tratamento e a limitação de recursos dos sistemas público e privado.

Por isso, a judicialização da saúde não deve ser vista de forma simplista. Ela não é, por si só, vilã ou solução mágica. Muitas vezes, é o caminho encontrado por pacientes diante de negativas injustificadas. Em outras situações, porém, pode colocar o Judiciário diante de decisões extremamente complexas, envolvendo tratamentos ainda não incorporados às políticas públicas, medicamentos fora das listas oficiais ou terapias de altíssimo custo. E, por essa razão, a análise jurídica deve ser feita de maneira distinta. 

Assim, quando falamos do SUS, a análise jurídica começa com a prerrogativa se o medicamento ou tratamento já faz parte da política pública de saúde. Se está previsto nas listas oficiais, protocolos clínicos ou políticas do Ministério da Saúde, e o paciente preenche os critérios médicos, o fornecimento tende a ser obrigatório. A falta de estoque, a demora administrativa ou a burocracia não deveriam impedir o acesso. 

A situação muda quando o tratamento não está incorporado ao SUS. Nesses casos, o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça vêm exigindo uma análise mais rigorosa. O STJ, no Tema 106, fixou requisitos como laudo médico fundamentado, incapacidade financeira do paciente e existência de registro na Anvisa. Já o STF consolidou no Tema 6 que a concessão judicial de medicamento registrado na Anvisa, mas não incorporado ao SUS, é possível apenas de forma excepcional, desde que preenchidos requisitos cumulativos, como negativa administrativa, inexistência de alternativa terapêutica disponível no SUS, comprovação científica robusta, imprescindibilidade clínica e incapacidade financeira do paciente. 

Outro ponto relevante é a competência judicial e a responsabilidade financeira. O STF, no Tema 1.234, organizou regras para ações envolvendo medicamentos registrados na Anvisa, mas não incorporados ao SUS. Quando o custo anual do tratamento for igual ou superior a 210 salários-mínimos, a demanda deve tramitar na Justiça Federal, com participação da União. 

Essa regra é importante porque muitos tratamentos avançados, especialmente terapias gênicas, medicamentos para doenças raras e tratamentos oncológicos inovadores, têm custo muito elevado. O objetivo é evitar que Estados e Municípios sejam obrigados, sozinhos, a suportar despesas que ultrapassam sua capacidade orçamentária. E quando o medicamento não tem registro na Anvisa, o cenário é ainda mais restritivo. O STF decidiu que o Estado não pode ser obrigado a fornecer medicamentos experimentais e que, como regra geral, a ausência de registro na Anvisa impede o fornecimento judicial. Existem exceções, mas são raras e dependem de requisitos específicos, como demora excessiva da autarquia, registro em agências internacionais reconhecidas e inexistência de substituto terapêutico no Brasil. 

Esse ponto precisa ser bem compreendido pelo público. Um tratamento novo, caro ou importado não é automaticamente ilegal. Mas, se ainda não passou pelo controle sanitário brasileiro, o Judiciário tende a agir com mais cautela.

 

E nos planos de saúde? 

Nos planos de saúde há uma relação contratual e de consumo. O paciente paga mensalidade para ter cobertura assistencial. Por isso, quando a doença está coberta pelo contrato, surge uma questão central: o plano pode cobrir a doença, mas negar o tratamento indicado pelo médico? A resposta, na maioria das situações, depende de alguns fatores: o tratamento tem registro na Anvisa? Existe comprovação científica? Há alternativa adequada já prevista no Rol da ANS? A negativa foi fundamentada ou apenas genérica? 

A Lei nº 14.454/2022 alterou a Lei dos Planos de Saúde e passou a tratar o Rol da ANS como referência básica de cobertura. Depois, o STF, no julgamento da ADI 7.265, fixou critérios para que tratamentos fora do Rol possam ser cobertos. Segundo a ANS, devem ser observados requisitos como prescrição por médico ou odontólogo assistente, inexistência de negativa expressa da ANS, ausência de alternativa terapêutica adequada no Rol, comprovação de eficácia e segurança por evidências científicas de alto nível e registro na Anvisa. 

Portanto, a frase correta hoje é: estar fora do Rol da ANS não significa, automaticamente, que o plano pode negar; mas também não significa, automaticamente, que o plano deve custear. Cada caso precisa ser tecnicamente demonstrado. 

Dado o contexto, em ações de saúde, especialmente quando se pede uma liminar, a pressa é compreensível. Quem precisa de tratamento de alta complexidade não pode esperar indefinidamente. Mas, a urgência precisa vir acompanhada de prova. O relatório médico deve explicar o diagnóstico, a gravidade, os tratamentos já tentados, a razão pela qual as alternativas disponíveis não servem, o risco da demora e a base científica da indicação. 

A negativa do SUS ou do plano de saúde também deve ser documentada. Sem negativa formal, o processo pode começar mais frágil. Em demandas contra o SUS, é importante comprovar o pedido administrativo. Contra planos de saúde, é essencial guardar protocolo, e-mails, relatórios de auditoria e a justificativa da recusa. 

O Brasil, vale destacar, está diante de um dos maiores desafios jurídicos e humanos de sua história recente: garantir acesso a tratamentos modernos sem destruir a organização dos sistemas de saúde. 

O paciente não pode ser abandonado diante de uma negativa burocrática, abusiva ou desumana. Mas também é verdade que nenhum sistema, público ou privado, consegue sobreviver sem critérios técnicos, previsibilidade e responsabilidade.

O caminho mais adequado está no equilíbrio: respeito à prescrição médica, exigência de evidência científica, transparência das negativas, fortalecimento das políticas públicas, atualização constante do Rol da ANS e do SUS, negociação de preços, compartilhamento de risco e atuação judicial responsável.

 

Ricardo Menegatto - advogado especializado em direito do consumidor e sócio do escritório Menegatto Advogados

 

Como fortalecer a rede de apoio: 5 caminhos para apoiar mulheres em tratamento oncológico

No Mês das Mães, especialista da Oncoclínicas destaca como o diagnóstico de câncer transforma a rotina e exige suporte ativo dentro e fora de casa 

 

O diagnóstico de uma doença como o câncer não afeta apenas o paciente, mas altera todo o ecossistema familiar. Para a mulher, historicamente colocada como a cuidadora da família, passar a ocupar o lugar de quem precisa de cuidados exige uma reestruturação profunda da dinâmica doméstica e emocional. No Mês das Mães, a Oncoclínicas chama atenção para os efeitos dessa mudança na rotina, nas relações e na forma como o cuidado precisa ser compartilhado.  

É justamente a partir dessa reorganização que a rede de apoio ganha protagonismo no processo de cuidado. "Muitas vezes, a maior barreira é a autocobrança. A mulher sente que está falhando ao não conseguir cuidar de todos como antes. Mas este é o momento de entender que receber ajuda é um ato de força e coragem", explica a Dra. Cecília Emerick, médica paliativista da Oncoclínicas.  

Para auxiliar as famílias nesta jornada, a especialista elenca cinco caminhos essenciais para uma rede de apoio eficaz:

 

1. Ajude na reestruturação da rotina da paciente

O tratamento exige adequar vida familiar e profissional com uma rotina intensa de consultas e exames. "A rotina precisa ser readaptada. A mulher precisará conciliar a vida familiar e profissional com o suporte nutricional e atividades físicas, o que exige muita ajuda externa para que ela não se sobrecarregue", afirma a médica.

 

2. Reconheça e acolha a mudança de papéis na família

Quando a mãe passa do lugar de quem cuida para o de quem precisa de cuidado, toda a dinâmica familiar é impactada. Essa inversão pode gerar insegurança e exige adaptação emocional de todos. “É uma mudança importante, que precisa ser compreendida e acolhida coletivamente”, pontua a especialista.

 

3. Ofereça escuta ativa 

O apoio emocional passa, sobretudo, pela capacidade de ouvir. Medos relacionados à dor, ao sofrimento e à possibilidade de morte fazem parte da experiência do paciente e precisam ser acolhidos. “Evitar frases automáticas e permitir que a paciente expresse suas angústias faz toda a diferença. O acolhimento real vem da escuta”, explica a Dra. Cecília.

 

4. Participe ativamente da rotina com apoio prático

A rede de apoio precisa ir além do acolhimento emocional e se traduzir em ações concretas. Apoiar em tarefas do dia a dia, como deslocamentos, organização da casa e cuidados com os filhos, reduz a sobrecarga da paciente. “Sozinho ninguém dá conta. É fundamental ter uma rede que funcione de forma prática”, reforça.

 

5. Incentive o cuidado integral e a gentileza consigo mesma

O tratamento oncológico não se limita ao combate da doença. O cuidado deve incluir o manejo dos sintomas físicos, emocionais e sociais desde o diagnóstico, com apoio de equipes multiprofissionais, incluindo a medicina paliativa. "A mensagem principal que deixo para essas pacientes é seja gentil com você mesma. As mães precisam entender que esse é o momento em que elas precisam ser cuidadas e que para cuidar de alguém, é necessário se cuidar primeiramente", finaliza a médica.



Oncoclínicas&Co
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Falta de limpeza no capacete pode trazer riscos à saúde dos motociclistas

O acúmulo de suor, bactérias e fungos pode causar problemas de pele, alergias e desconfortos respiratórios no dia a dia.


Com uma frota de 35 milhões de motos em circulação no país, de acordo com a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), o capacete é item obrigatório no cotidiano de quem se desloca sobre duas rodas, seja para atividade profissional ou lazer. Porém, enquanto a atenção à segurança é debatida, um fator diretamente ligado à saúde e ao bem-estar dos motociclistas segue negligenciado: a higiene interna do capacete. Isso porque, quando mal cuidado, o item pode se tornar um risco silencioso para a pele, o couro cabeludo e até o sistema respiratório.

Antony Fedlallah, CEO da PitCap, primeira franquia de vending machine para higienização de capacetes do Brasil, explica que a espuma e o forro estão entre os pontos mais esquecidos quando o assunto é cuidado com o equipamento. “O problema é que a contaminação nem sempre é visível. Com o uso contínuo, suor, calor e umidade cria-se um ambiente propício para a proliferação de bactérias e fungos”, explica. O risco é maior entre motociclistas profissionais, como entregadores e mototaxistas, que utilizam o capacete por longos períodos e, estão suscetíveis a sol e chuva, além de muitas vezes, compartilham o acessório.

Para ajudar a identificar os perigos invisíveis no uso e reforçar a importância da limpeza adequada, o profissional destaca pontos essenciais que merecem atenção. Confira:


Prevenção de doenças de pele e couro cabeludo: O interior do capacete acumula suor, oleosidade e resíduos orgânicos que favorecem o surgimento de dermatites, micoses e irritações no couro cabeludo. A higienização frequente reduz significativamente a exposição a esses agentes, especialmente entre quem utiliza o equipamento diariamente ou por longos períodos. O uso de raio UV-C, um tipo de luz ultravioleta de onda curta, com alto poder germicida, capaz de destruir o DNA/RNA de microrganismos como vírus e vapor quente é capaz de higienizar, desodorizar e eliminar micro-organismos em poucos minutos, alcançando até 99,9% de eficácia contra bactérias e odores, de acordo com o modelo, sem molhar ou danificar o capacete.


Redução de microrganismos, odores e riscos respiratórios: Ambientes úmidos e abafados, como a espuma e o forro, são propícios para a proliferação de bactérias e fungos que, além de causar odores desagradáveis, podem impactar diretamente a saúde. Sem a higienização adequada, esses microrganismos podem ser inalados ao longo do dia, agravando quadros alérgicos, respiratórios e desconfortos frequentes, especialmente entre profissionais que passam horas em circulação. A limpeza regular elimina esses agentes, reduz odores persistentes e promove mais conforto, sensação de frescor e segurança no uso diário do equipamento.


Bem-estar e qualidade de vida: Manter o capacete higienizado contribui diretamente para o conforto térmico, reduz desconfortos e torna a experiência de uso muito mais agradável no dia a dia. A eliminação de odores e de resíduos acumulados garante uma sensação contínua de frescor, especialmente durante trajetos mais longos. Além disso, incluir a limpeza na rotina reforça práticas de cuidado preventivo tão importantes quanto outros hábitos básicos de saúde impactando positivamente a disposição, o desempenho e a qualidade de vida dos motociclistas.

A higienização profissional é considerada a forma mais eficaz de limpeza de capacetes, por utilizar sistemas específicos desenvolvidos para remover sujeiras e eliminar odores de maneira segura e eficiente. “É o caso de equipamentos como as máquinas PitCap, que combina raio UV-C e vapor quente para higienizar, desodorizar e perfumar, alcançando áreas internas do capacete, onde suor e resíduos se acumulam com maior facilidade, pontos que geralmente não são totalmente atingidos na limpeza caseira. O processo também reduz o excesso de umidade, fator que favorece a proliferação de bactérias e microrganismos”, finaliza. 

 

O segundo cérebro no escritório: como o intestino dita o humor e a produtividade no trabalho

Dra. Sandra Fernandes, nutróloga da Kora Saúde, explica como nutrientes como magnésio e triptofano combatem a ansiedade corporativa 

 

O ritmo acelerado do mercado corporativo tem levado profissionais a buscarem estratégias que vão além da produtividade, focando agora no controle da ansiedade e na manutenção da saúde mental. A Dra. Sandra Fernandes, médica nutróloga da Kora Saúde (CRM 7973 / RQE 5098), alerta que a chave para esse equilíbrio pode estar no prato, através da conexão cérebro-intestino. 

Segundo a especialista, a escolha dos nutrientes ingeridos durante a jornada de trabalho influencia diretamente a resposta do organismo ao estresse. "Não se trata de adotar dietas restritivas, que muitas vezes aumentam a irritabilidade e prejudicam o foco. O objetivo é a nutrologia de precisão: oferecer ao corpo o combustível necessário para a estabilidade emocional e a clareza cognitiva", explica a Dra. Sandra Fernandes. 

Nutrientes como o magnésio, presente em sementes e vegetais verde-escuros, são fundamentais para a melhora da qualidade do sono e o relaxamento muscular. Já o triptofano, encontrado na aveia, bananas e oleaginosas, atua como precursor da serotonina, tornando-se um aliado essencial para quem enfrenta rotinas sob pressão e precisa manter a calma.


O papel das medicações modernas e o equilíbrio metabólico

O debate sobre a saúde metabólica ganhou um novo capítulo com a popularização das medicações injetáveis, as chamadas "canetas emagrecedoras" (análogos de GLP-1). Embora sejam ferramentas eficazes no tratamento da obesidade e de desordens metabólicas, condições que impactam diretamente a autoestima e a disposição no trabalho, a Dra. Sandra Fernandes reforça que o uso deve ser criteriosamente acompanhado.

"A medicação é um suporte importante, mas ela não substitui a base nutricional. Quando o paciente faz uso dessas tecnologias, a atenção à ingestão de micro e macronutrientes deve ser redobrada. O objetivo é garantir que a perda de peso ocorra de forma saudável, mantendo a energia e a disposição necessárias para as demandas profissionais, sem gerar quadros de fadiga ou deficiências vitamínicas", destaca a nutróloga da Kora Saúde.

Para a médica, o foco da medicina moderna deve ser o ajuste metabólico integral. Ao priorizar alimentos que alimentam a produtividade e a serenidade, o profissional constrói uma barreira biológica contra o esgotamento. "Precisamos parar de olhar para a nutrição apenas sob a ótica do peso na balança. Quando ajustamos o metabolismo de forma integral, estamos, na verdade, protegendo a saúde mental do profissional. Uma alimentação estratégica não apenas previne doenças físicas, mas funciona como um suporte biológico para que a mente consiga processar o estresse sem chegar ao colapso ou ao burnout", revela Sandra. 


Dicas da Dra. Sandra Fernandes para a "Imunidade Mental" no trabalho

Foco e cognição

O café é o grande aliado do escritório, mas o segredo está na moderação e na combinação com flavonoides, encontrados no chocolate amargo (acima de 70% cacau). “Essa dupla auxilia na circulação cerebral e protege os neurônios contra o estresse oxidativo, mantendo a agilidade mental necessária para tomadas de decisão”, relata a nutróloga. 


Controle da ansiedade e modulação do estresse

"Para quem enfrenta picos de estresse, recomendo os chás de camomila ou melissa, que possuem efeito calmante natural sem causar sonolência excessiva. Além disso, o consumo regular de Ômega-3, presente em peixes de águas frias, linhaça e chia, é fundamental. Ele atua como um potente anti-inflamatório no sistema nervoso central, ajudando a 'blindar' o cérebro contra os danos causados pelo cortisol, o hormônio do estresse. E claro, que não podemos esquecer da prática de exercícios físicos na rotina”, destaca Sandra. 


Energia estável e raciocínio constante

Muitas pessoas cometem o erro de buscar energia rápida em doces ou farinhas brancas, o que gera o famoso 'crash' de energia logo depois. “Para manter o raciocínio constante, priorizamos carboidratos de baixo índice glicêmico, como os cereais integrais e as raízes. Eles evitam as oscilações bruscas de insulina, garantindo que o cérebro receba um fluxo contínuo de energia durante toda a jornada de trabalho”, finaliza Sandra. 

 

 

Kora Saúde

 

Terceira rinoplastia: por que algumas pessoas precisam operar o nariz mais de uma vez?

Casos de rinoplastia revisional, como os que repercutem entre celebridades, levantam debate sobre expectativas estéticas, função respiratória e complexidade das cirurgias secundárias 

 

A rinoplastia voltou a ganhar destaque nas redes sociais após a cantora Pabllo Vittar compartilhar o resultado de sua terceira cirurgia no nariz. A repercussão do caso reacendeu uma dúvida comum entre pacientes: por que algumas pessoas precisam passar por uma segunda ou até terceira rinoplastia? Segundo veículos de imprensa, a artista já havia realizado procedimentos anteriores no nariz, incluindo correção de desvio de septo e nova rinoplastia em anos passados. 

A chamada rinoplastia revisional é o procedimento indicado para corrigir questões estéticas, funcionais ou ambas após uma cirurgia nasal anterior. Em alguns casos, o paciente busca ajustes no formato do nariz, como assimetrias, irregularidades, queda da ponta nasal ou insatisfação com o resultado. Em outros, a necessidade está ligada à respiração, como obstrução nasal, alterações estruturais ou piora funcional após o primeiro procedimento. A rinoplastia pode tanto melhorar a aparência e a proporção do nariz quanto corrigir dificuldade respiratória causada por alterações estruturais. 

Para o otorrinolaringologista Dr. Eduardo Landini Lutaif Dolci, sócio da Clínica Dolci Otorrinolaringologia e Cirurgia Estética Facial, professor instrutor da Santa Casa de São Paulo e membro titular da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, a principal mensagem é que uma nova rinoplastia não deve ser tratada como um procedimento simples ou meramente estético. “A rinoplastia revisional costuma ser mais delicada do que a primeira cirurgia porque o nariz já passou por alterações anatômicas e por um processo de cicatrização. O cirurgião precisa avaliar a estrutura que restou, a qualidade da pele, a presença de fibroses, a respiração do paciente e o que é realmente possível corrigir com segurança”, explica Dolci. 

Segundo o especialista, nem toda insatisfação após uma rinoplastia indica necessidade de nova cirurgia. O resultado final pode levar meses para se estabilizar, especialmente por causa do inchaço e da cicatrização. Por isso, a decisão por uma revisão deve ser tomada com cautela, após acompanhamento médico e avaliação individualizada.“Muitas vezes, o paciente olha o nariz ainda em fase de recuperação e acredita que o resultado definitivo já apareceu. É preciso respeitar o tempo de cicatrização. A revisão só deve ser considerada quando há uma indicação clara, seja por questão funcional, seja por uma alteração estética persistente e tecnicamente corrigível”, afirma. 

Entre os motivos que podem levar à rinoplastia revisional estão assimetrias, irregularidades no dorso nasal, alterações na ponta, cicatrização desfavorável, trauma após a cirurgia, dificuldade para respirar, retirada excessiva de estruturas ou necessidade de reconstrução com enxertos. Em cirurgias secundárias ou terciárias, pode ser necessário utilizar cartilagem de outras áreas do corpo, como septo, orelha ou costela, dependendo do caso. 

“O nariz não pode ser pensado apenas como uma estrutura estética. Ele tem função respiratória. Um resultado visualmente bonito, mas que compromete a passagem de ar, não é um bom resultado. Por isso, a avaliação deve considerar sempre a harmonia facial e a função nasal”, reforça o especialista. 

Dolci alerta, ainda, para o impacto das redes sociais na busca por cirurgias faciais. Fotos de celebridades, filtros e comparações de “antes e depois” podem estimular expectativas pouco realistas. Para o especialista, referências visuais podem ajudar na conversa com o médico, mas não devem ser usadas como promessa de resultado. 

“Cada nariz tem uma anatomia própria e cada rosto tem proporções diferentes. Copiar o nariz de outra pessoa pode gerar frustração. O objetivo da rinoplastia deve ser buscar equilíbrio, naturalidade e melhora funcional quando necessário, sempre dentro dos limites técnicos e anatômicos de cada paciente”, diz. 

A pauta também abre espaço para discutir a importância da escolha de profissionais qualificados, do planejamento cirúrgico cuidadoso e da avaliação otorrinolaringológica quando há queixas respiratórias associadas. Em casos revisionais, a experiência da equipe é ainda mais relevante, já que o procedimento exige análise detalhada de estruturas previamente modificadas.

 

Fonte:
Dr. Eduardo Landini Lutaif Dolci é sócio da Clínica Dolci Otorrinolaringologia e Cirurgia Estética Facial (rinoplastia), em São Paulo; Professor Instrutor de Ensino do Departamento de Otorrinolaringologia da Santa Casa de São Paulo; Membro titular da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial; Membro eleito da Comissão de Residência e Treinamento da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial; Membro titular da Academia Brasileira de Cirurgia Plástica da Face.


Investimentos ampliam acesso à reconstrução mamária no SUS

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Ministério da Saúde atende à reivindicação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e atualiza tabela para realização do procedimento que é um direito garantido por lei às mulheres que se submetem à mastectomia 

 

Parte do investimento de R$ 2,2 bilhões anunciado na última semana pelo governo federal para tratamentos de câncer no Sistema Único de Saúde (SUS) será destinada à reconstrução mamária de mulheres que se submetem à mastectomia. Segundo levantamento recente, somente 20,5% das pacientes atendidas na rede pública passam pela cirurgia reconstrutiva com implante de prótese. Etapa fundamental não apenas como procedimento estético, mas também no tratamento integral do câncer de mama, a reconstrução mamária pautou de forma prioritária as reivindicações da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) ao Ministério da Saúde. “A ampliação de recursos, que buscamos há muito tempo como entidade médica e merece ser celebrada neste momento, vai aumentar o acesso a uma cirurgia no SUS que impacta profundamente a vida das mulheres do ponto de vista sexual, emocional e feminino”, afirma Guilherme Novita, presidente da SBM.

A estimativa de investimento para reconstrução mamária na rede pública de saúde passa a R$ 27,4 milhões por ano, um aumento de aproximadamente 13% em comparação a 2025. “Juntamente com outras sociedades médicas brasileiras, tivemos a oportunidade de expor em várias reuniões realizadas no Ministério da Saúde a importância da cirurgia reconstrutiva com implante de prótese”, ressalta Novita. “Embora ainda não seja o ideal, considerando o grande número de pacientes que necessita do tratamento do câncer de mama no SUS, o aporte já representa um grande avanço.”

O acesso ao procedimento é garantido pela Lei nº 15.171/2025, que ampliou o direito das mulheres de recorrerem ao SUS para a realização da cirurgia de reconstrução em casos oncológicos e também em situações de malformações, mamas tuberosas, grandes assimetrias, gigantismo, entre outras ocorrências. A legislação também ganhou importância por permitir a simetrização da mama contralateral.

Para a Sociedade Brasileira de Mastologia, os recursos destinados a partir de agora à reconstrução mamária na rede pública de saúde também contribuem para diminuir desigualdades no acesso à cirurgia no País. Levantamento dos últimos anos revela que a região Norte, com 5,13%, é a que menos realiza cirurgias reconstrutivas pelo SUS. Em seguida vêm as regiões Sul (15,12%), Sudeste (16,17%), Centro-Oeste (17,17%) e Nordeste (17,73%).

De acordo com o mastologista Guilherme Novita, uma questão importante para o baixo índice de cirurgias de reconstrução mamária no País é a remuneração oferecida pelo Sistema Único de Saúde. “Isso inviabiliza o procedimento em hospitais que dependem somente do SUS”, pontua.

Com a portaria que entra em vigor no próximo mês, o governo federal prevê com o aporte de R$ 27,4 milhões a realização de mais 16.716 procedimentos por ano. No programa Agora Tem Especialistas, iniciativa federal voltada à diminuição das filas no SUS por consultas, exames e cirurgias especializadas, a nova tabela reajustada em até 850% atualiza o valor da plástica mamária reconstrutiva de R$ 315,92 para R$ 3.000; do expansor mamário tecidual de R$ 612 para R$ 2.000; da prótese mamária de silicone de R$ 744 para R$ 1.500.

“Com nossas reivindicações atendidas junto ao Ministério da Saúde, temos a certeza de que cumprimos o papel de entidade que representa as pacientes com câncer de mama no Brasil, especialmente as que dependem da rede pública de saúde para o tratamento”, afirma o presidente da SBM Guilherme Novita. “Os recursos que vêm para ampliar o acesso à reconstrução mamária no SUS são muito bem-vindos e fortalecem a nossa luta para curar não só o câncer, mas a pessoa que passa pela doença.”

 

Frio e baixa hidratação podem agravar sensação de boca seca e favorecer problemas bucais

Especialista alerta que redução da ingestão de água durante o inverno pode aumentar risco de cáries, mau hálito e desconfortos orais

 

Com a chegada do inverno e a queda das temperaturas, é comum que muitas pessoas diminuam a ingestão de água sem perceber. Associado ao clima mais seco e frio, esse comportamento pode favorecer a xerostomia — popularmente conhecida como sensação de boca seca — e aumentar o risco de problemas bucais. 

A saliva desempenha funções fundamentais para a saúde oral. Além de auxiliar na digestão, ela atua na lubrificação da mucosa, protege os dentes contra cáries, ajuda no controle bacteriano e contribui para o equilíbrio do pH da boca. Quando há redução do fluxo salivar, o organismo fica mais vulnerável a desconfortos e alterações bucais. 

Entre os principais sinais da xerostomia estão sensação constante de boca seca, dificuldade para mastigar ou engolir, ardência ou sensação de língua áspera, fissuras nos lábios, alteração do paladar, mau hálito e aumento da sensibilidade e das cáries dentárias. 

Segundo o prof. dr. Dênis Santos, coordenador do curso de graduação em Odontologia e dos cursos de pós-graduação em Ortodontia, Ortopedia Facial, Implantodontia e Harmonização Orofacial da Universidade Cruzeiro do Sul, o problema tende a se intensificar durante o inverno devido à menor hidratação corporal e às mudanças ambientais típicas da estação. 

“Durante o inverno, as pessoas costumam sentir menos sede e, consequentemente, reduzem a ingestão de água. Somado ao clima mais seco, aos ambientes fechados e ao uso frequente de aquecedores e aparelhos de ar-condicionado, isso favorece a redução do fluxo salivar e aumenta a sensação de boca seca”, explica. 

O especialista destaca que alguns grupos merecem atenção especial, principalmente idosos — que naturalmente podem apresentar diminuição da produção de saliva —, pacientes que utilizam medicamentos contínuos, como antidepressivos, anti-hipertensivos e antialérgicos, além de pessoas com respiração bucal ou doenças sistêmicas, como diabetes. 

Entre os cuidados preventivos, Dênis Santos recomenda manter ingestão adequada de água mesmo sem sensação de sede, evitar excesso de café, álcool e cigarro, estimular a salivação com chicletes sem açúcar quando indicado por profissional, utilizar hidratantes labiais, manter boa higiene bucal e realizar acompanhamento odontológico periódico. 

“A saliva exerce um papel essencial na proteção da saúde bucal. Quando há diminuição desse fluxo, aumentam os riscos de cáries, mau hálito, irritações e outros desconfortos. Pequenos hábitos diários fazem diferença importante na prevenção dessas alterações durante o inverno”, reforça o especialista. 

O professor alerta ainda que, em casos persistentes, é fundamental buscar avaliação odontológica, já que a xerostomia pode impactar significativamente a qualidade de vida e favorecer alterações bucais e sistêmicas.

 

Universidade Cruzeiro do Sul


Hipertensão Arterial

Pressão alta: o que a mulher precisa saber em cada fase da vida

A ginecologista alerta para riscos e reforça hábitos que podem salvar vidas


A hipertensão arterial é conhecida como uma "doença silenciosa". Na maioria das vezes, não apresenta sintomas, avança sem ser percebida e só se revela quando já está causando danos. No Brasil, segundo a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025, a condição afeta cerca de 36% da população adulta. 

Segundo o Dr. Alexandre Rossi, ginecologista responsável pelo Ambulatório de Ginecologia Geral do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, em São Paulo, a hipertensão na mulher precisa ser observada e muito bem monitorada em todas as fases de sua vida. 

“Do anticoncepcional à menopausa, os hormônios exercem papel direto sobre a pressão arterial. Por isso, o acompanhamento ginecológico regular é também uma linha de defesa contra a hipertensão feminina".

 

Uma doença silenciosa que cresce com a idade 

Até por volta dos 55 anos, a prevalência de hipertensão é maior nos homens. Nesta faixa etária, o cenário se inverte. Isso porque do climatério até a pós-menopausa, a mulher vivencia uma queda nos níveis de estrogênio, que é um hormônio que exerce efeito protetor sobre os vasos sanguíneos em seu organismo. Com isso, estima-se que cerca de 80% das mulheres desenvolverão hipertensão arterial nessa fase da vida. 

Essa transição costuma ocorrer de forma silenciosa, muitas vezes confundida com outros sintomas da menopausa, como ondas de calor, insônia e alterações de humor. O risco é que a pressão elevada, sem tratamento, aumenta significativamente as chances de infarto, AVC e insuficiência renal. 

"Na menopausa, a mulher frequentemente chega ao consultório preocupada com as ondas de calor ou com o sono. Nesse momento, precisamos avaliar a pressão arterial com atenção redobrada. A queda do estrogênio muda o perfil cardiovascular da mulher de forma relevante", explica o Dr. Alexandre.

 

O anticoncepcional e o risco silencioso 

Muito antes da menopausa, a hipertensão pode dar seus primeiros sinais em mulheres jovens, especialmente aquelas que fazem uso de anticoncepcionais orais combinados, que são um fator de risco. 

A boa notícia é que, após a interrupção do uso, a pressão arterial costuma retornar aos níveis normais em cerca de três meses. A má notícia é que muitas mulheres passam anos usando a pílula anticoncepcional sem monitorar a pressão regularmente. 

"O anticoncepcional oral é um medicamento seguro para a grande maioria das mulheres, mas requer acompanhamento. Toda mulher que inicia este método contraceptivo deve ter a pressão medida nos primeiros meses e manter o monitoramento regular. Em mulheres com predisposição à hipertensão, pode haver outras opções mais seguras, se necessário", orienta o Dr. Alexandre. 

É importante destacar que, no caso de mulheres com mais de 35 anos e tabagistas, o anticoncepcional oral combinado é contraindicado. Neste caso, a identificação de hipertensão durante o uso implica a descontinuação imediata do método.

 

Hipertensão gestacional: uma menção importante 

A hipertensão gestacional é uma das complicações mais sérias da gravidez, podendo evoluir para pré-eclâmpsia e eclâmpsia. Mulheres que desenvolvem pressão alta na gestação têm maior risco de desenvolver hipertensão crônica ao longo da vida, o que reforça, mais uma vez, a importância do acompanhamento ginecológico contínuo, mesmo fora do período gestacional.

 

Como prevenir e controlar a hipertensão feminina 

O Dr. Alexandre Rossi destaca que a prevenção passa por mudanças de estilo de vida e monitoramento regular. 

•Medir a pressão arterial regularmente, inclusive nas consultas ginecológicas

•Adotar dieta com baixo teor de sódio, rica em frutas, vegetais e grãos integrais

•Praticar atividade física regular, incluindo exercícios aeróbicos

•Evitar tabagismo, especialmente em uso de anticoncepcionais orais

•Controlar o estresse crônico, que contribui para elevação sustentada da pressão

•Discutir com o ginecologista o histórico familiar e os fatores de risco individuais  

"A consulta ginecológica regular é um momento importante para identificar riscos cardiovasculares, orientar sobre o uso seguro de hormônios e garantir que a mulher chegue às fases seguintes da vida com mais saúde e qualidade de vida", alerta o Dr. Alexandre.


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