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quarta-feira, 18 de março de 2026

Dia da Atenção a Disfagia (20/03): prevenção e diagnóstico precoce

Especialistas do Sabará Hospital Infantil trazem dicas de como identificar e tratar dificuldades de deglutição

 

A disfagia é um distúrbio caracterizado pela dificuldade de transportar alimentos sólidos ou líquidos da boca até o estômago, comprometendo a alimentação adequada. Essa condição pode surgir em diferentes fases da vida, inclusive na infância, trazendo impactos importantes para o desenvolvimento.

 

Entre os sinais mais comuns em bebês e crianças estão engasgos ou tosse frequente durante a amamentação, esforço exagerado para respirar ao mamar, presença de ruídos, secreções, irritabilidade e excesso de saliva. Também podem ocorrer dificuldades na mastigação, episódios recorrentes de pneumonia e perda de peso.

 

O risco é maior em crianças com comorbidades complexas, como prematuridade, baixo peso ao nascer, doenças neurológicas ou cardíacas, alterações no sistema nervoso e problemas nas vias aéreas. Nessas situações, sintomas como baixo ganho de peso, sudorese, cansaço, irritabilidade durante ou após as mamadas, regurgitações e vômitos frequentes devem ser observados com atenção. Além disso, dor materna ao amamentar, fissuras mamilares ou dificuldade na pega indicam a necessidade de avaliação especializada.

 

“A disfagia pode ser consequência de processos infecciosos ou inflamatórios, prejudicando tanto a deglutição quanto a respiração da criança. Por isso, é fundamental o acompanhamento de otorrinolaringologistas, nutricionistas e fonoaudiólogos”, explica Talita Nishi, coordenadora de Fonoaudiologia do Sabará Hospital Infantil.

 

O quadro pode se manifestar desde o nascimento, com engasgos, fadiga durante as mamadas ou escape de leite pela boca e nariz. Em adolescentes, é comum a sensação de alimento parado na garganta, crises de tosse durante ou após refeições e resistência em aceitar diferentes consistências. Dificuldade na mastigação, náuseas, pigarro e engasgos recorrentes também são sinais que exigem avaliação fonoaudiológica.

 

Durante a introdução alimentar, a disfagia pode se revelar por meio de náuseas frequentes, desidratação, desconforto após as refeições, regurgitação, tosse e medo de engolir. Em alguns casos, há recusa ou seletividade alimentar. “É importante oferecer os alimentos de forma lenta, manter a criança posicionada ereta e tranquila e, diante de desconforto, pausar a refeição e tentar novamente com outra consistência”, orienta a fonoaudióloga.

 

Se a criança apresentar seletividade alimentar, preferindo consistências mais leves, ou demonstrar dificuldade para mastigar, engolir e aceitar novos alimentos, é essencial procurar um fonoaudiólogo para avaliação e acompanhamento.



“Preservação da fertilidade: Empoderando seu futuro”

Pixabay 

 Dr. Alfonso Massaguer desmistifica o congelamento de óvulos  

Especialista em reprodução humana explica como a técnica oferece controle, autonomia e esperança para mulheres em diferentes fases da vida  

 

Nos últimos anos, a conversa sobre fertilidade feminina evoluiu significativamente. Deixou de ser um tabu para se tornar uma discussão aberta sobre escolhas, planejamento e autonomia. Neste contexto, o congelamento de óvulos emerge como uma ferramenta revolucionária que coloca o poder nas mãos da mulher. Para esclarecer mitos e apresentar as reais possibilidades dessa técnica, o Dr. Alfonso Massaguer, diretor da Clínica Mãe e especialista em reprodução humana, oferece uma perspectiva clara e humanizada sobre a preservação da fertilidade. 

“Não gosto de pensar que ofereço apenas um serviço; estou criando um meio para que você tenha controle sobre seu futuro parental”, afirma o Dr. Massaguer.  

“A preservação da fertilidade é sobre empoderamento. É sobre dar à mulher a liberdade de escrever sua própria história, no seu tempo.” 


O que é preservação da fertilidade? 

A preservação da fertilidade é um serviço dedicado a oferecer controle e opções para mulheres que desejam estender sua janela reprodutiva ou planejar o momento ideal para iniciar a jornada da maternidade. Diferentemente do que muitos imaginam, não se trata apenas de um procedimento médico, mas de uma estratégia de vida que coloca a mulher no centro das decisões sobre seu corpo e seu futuro. 

“Quando falamos de saúde reprodutiva, é importante reconhecer a importância de proporcionar às minhas pacientes o poder de decisão sobre seus próprios corpos”, explica o Dr. Massaguer. “Seja você uma mulher que deseja adiar a maternidade para conquistar outros objetivos profissionais ou alguém que enfrenta tratamentos como quimioterapia e radioterapia, nossa abordagem é personalizada para atender às suas necessidades.” 


O congelamento de óvulos: Um investimento no futuro 

O congelamento de óvulos é um investimento significativo na preservação da fertilidade e no controle do cronograma para a maternidade.  

O Dr. Massaguer tem visto essa técnica se destacar como uma valiosa ferramenta para mulheres que desejam adiar a maternidade por diversos motivos – desde a priorização da carreira até a busca pelo parceiro ideal ou a preservação da fertilidade antes de tratamentos médicos. 

“Não estamos apenas oferecendo um procedimento; estamos fornecendo uma oportunidade para você preservar suas opções e planejar o futuro com confiança”, afirma o especialista. “Este método envolve a extração, maturação e posterior armazenamento dos óvulos em um estado criopreservado. Assim, você pode escolher o momento ideal para iniciar sua jornada para a maternidade.” 

  

Como funciona: Desmistificando o processo 

Para muitas mulheres, o termo “congelamento de óvulos” pode soar complexo ou até assustador. No entanto, o procedimento é seguro, bem estabelecido e oferece resultados consistentes. O processo envolve três etapas principais: 


Estimulação da ovulação: A mulher utiliza medicamentos hormonais por alguns dias para estimular os ovários a produzirem mais óvulos no mesmo ciclo. 


Coleta dos óvulos: Os óvulos são coletados por meio de um procedimento minimamente invasivo, realizado sob sedação. 


Congelamento e armazenamento: Após a coleta, os óvulos maduros são congelados por meio de técnicas de criopreservação e armazenados em tanques de nitrogênio líquido, podendo permanecer preservados por tempo indeterminado até que a mulher decida utilizá-los. 

 

Maturação e preparação: Os óvulos são preparados e armazenados em um estado  

de suspensão criopreservada, mantendo suas características originais. 

Armazenamento: Os óvulos permanecem congelados em tanques de nitrogênio líquido, preservados indefinidamente até o momento em que a mulher decidir utilizá-los. 

“A tecnologia de congelamento evoluiu significativamente nos últimos anos”, explica o Dr. Massaguer. “Hoje, temos taxas de sobrevivência dos óvulos superiores a 90%, o que significa que a qualidade e a viabilidade são mantidas praticamente intactas.” 


Os benefícios da preservação da fertilidade 

A decisão de congelar óvulos oferece uma série de benefícios tangíveis para a vida  

da mulher: 

Controle do tempo: Permite que você adie a maternidade sem comprometer a qualidade dos óvulos. Isso é especialmente importante porque a qualidade dos óvulos diminui naturalmente com a idade, particularmente após os 35 anos. 

Opções personalizadas: Oferece flexibilidade para decidir quando é o momento certo para iniciar a construção da sua família, alinhando essa decisão com seus objetivos pessoais, profissionais e relacionais. 

Preservação da fertilidade: Representa um investimento no futuro, especialmente para mulheres que podem enfrentar tratamentos médicos que comprometam a fertilidade (como quimioterapia ou radioterapia) ou que desejam priorizar outras áreas da vida antes de se tornarem mães. 

Tranquilidade psicológica: Saber que seus óvulos estão preservados oferece uma sensação de controle e segurança que muitas mulheres descrevem como libertadora. 

Para quem é indicado? O congelamento de óvulos é indicado para uma ampla gama de mulheres: 

Mulheres em ascensão profissional: Aquelas que desejam focar em suas carreiras e adiar a maternidade para um momento mais adequado. 

Mulheres sem parceiro: Aquelas que desejam preservar a opção de maternidade enquanto buscam o relacionamento ideal. 

Mulheres enfrentando tratamentos médicos: Aquelas diagnosticadas com câncer ou outras condições que podem comprometer a fertilidade. 

Mulheres com histórico familiar de menopausa precoce: Aquelas com risco aumentado de perda de fertilidade prematura. 

“A indicação ideal é que o congelamento seja feito até os 35 anos, pois nessa fase a qualidade e a quantidade dos óvulos são maiores, o que aumenta significativamente as chances de sucesso no futuro”, orienta o Dr. Massaguer. “No entanto, mulheres com até 40-42 anos também podem se beneficiar do procedimento, dependendo de sua situação individual.” 

“Não estamos apenas oferecendo um procedimento; estamos fornecendo uma oportunidade para você preservar suas opções e planejar o futuro com confiança”, afirma o especialista. 

“O processo envolve estimulação da ovulação, coleta dos óvulos e congelamento em um estado criopreservado, permitindo que a mulher preserve sua fertilidade para o futuro. O método também pode ser indicado em algumas situações clínicas, como antes de cirurgias para tratamento de endometriose, quando existe risco de comprometimento da reserva ovariana. Assim, a mulher pode escolher o momento ideal para iniciar sua jornada para a maternidade.”, disse o especialista. 

    

Dr. Alfonso Massaguer - CRM 97.335 / RQE 42794 - É Médico pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) , Ginecologista e Obstetra pelo Hospital das Clínicas e atua em Reprodução Humana há 20 anos. Dr. Alfonso é diretor clínico da MAE (Medicina de Atendimento Especializado) especializada em reprodução assistida. Foi professor responsável pelo curso de reprodução humana da FMU por 6 anos. Membro da Federação Brasileira da Associação de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), das Sociedades Catalãs de Ginecologia e Obstetrícia e Americana de Reprodução Assistida (ASRM). Também é diretor técnico da Clínica Engravida, autor de vários capítulos de ginecologia, obstetrícia e reprodução humana em livros de medicina, com passagens em centros na Espanha e no Canadá. 

 

Saúde da Mulher: principais cuidados para cada fase da vida

 

Especialista da Inspirali destaca avanços na medicina 

 

Nos últimos anos, tem sido possível observar avanços importantes na medicina em relação à saúde da mulher como, por exemplo, o crescimento de pesquisas cardiovasculares, o desenvolvimento de novos tratamentos para endometriose, menopausa e infertilidade, além de maior compreensão sobre saúde mental feminina. Também tem ganhado força o debate sobre medicina com perspectiva de gênero, que reconhece que homens e mulheres adoecem de formas diferentes e precisam de abordagens específicas. Mas, um dos avanços mais significativos é o próprio reconhecimento social da importância de proteger a vida das mulheres. 

Segundo a Dra. Neoma Mendes, médica de Família e Comunidade e professora de Medicina pela Inspirali, ecossistema que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil, o mês da mulher é um momento de celebração da história e da força feminina, mas também um convite à reflexão. “O feminicídio foi tipificado como crime no Brasil justamente porque precisamos reconhecer que muitas mulheres ainda morrem por serem mulheres. Ainda precisamos avançar para garantir que todas as mulheres possam viver com dignidade, segurança, liberdade e acesso pleno à saúde”, declara.

Para estimular o autocuidado e esclarecer dúvidas sobre a saúde da mulher, Dra. Neoma responde à algumas perguntas sobre o tema. Confira:

 

- Quais os principais cuidados em saúde que a mulher precisa ter durante cada fase de sua vida?

R: A saúde da mulher é construída ao longo de toda a vida, e cada fase traz necessidades específicas de cuidado. Na infância, é fundamental garantir vacinação, alimentação adequada, acompanhamento do crescimento e desenvolvimento e um ambiente seguro e acolhedor para o desenvolvimento emocional. Vemos hoje tantas crianças vivendo em ambientes adoecedores e violentos. Garantir uma infância protegida é essencial para o crescimento das meninas. Na adolescência, inicia-se a puberdade, surgem mudanças hormonais e o início da vida reprodutiva.

Nessa fase, é essencial falar com a menina/mulher adolescente sobre saúde menstrual, sexualidade, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, planejamento reprodutivo e saúde mental. A mulher, na vida adulta, precisa de acompanhamento médico/ginecológico regular, rastreamento de câncer de colo do útero e mama, planejamento reprodutivo, atenção à saúde mental, prevenção de doenças crônicas e manutenção de hábitos de vida saudáveis. Durante o climatério e menopausa, a mulher passa por importantes mudanças hormonais.

Nessa fase, ganham destaque os cuidados com saúde cardiovascular, saúde óssea, saúde mental e qualidade do sono. Na velhice, é essencial manter acompanhamento médico regular, estimular atividade física, prevenir quedas, cuidar da saúde cognitiva e garantir qualidade de vida e autonomia.

 

- Quais as principais preocupações que as mulheres devem ter em relação à saúde?

R: Algumas áreas merecem atenção constante ao longo da vida da mulher. São elas: saúde cardiovascular, prevenção de câncer de mama e colo do útero, saúde mental, saúde sexual e reprodutiva, saúde óssea e prevenção de violência. É importante lembrar que, hoje, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre mulheres, muitas vezes silenciosas e subdiagnosticadas. Além disso, precisamos reconhecer que a saúde da mulher não depende apenas de cuidados individuais, mas também de condições sociais, acesso à saúde, proteção contra violência e garantia de direitos.

 

- Quais doenças acometem especificamente as mulheres?

R: Algumas doenças são exclusivas ou muito mais frequentes entre mulheres, como câncer de colo do útero, câncer de mama, endometriose, síndrome dos ovários policísticos, miomas uterinos, complicações da gestação e osteoporose pós-menopausa. Além disso, muitas doenças comuns apresentam formas diferentes nas mulheres, como infarto, depressão e doenças autoimunes.

 

- Quais os sinais de alerta que merecem atenção durante toda a vida de uma mulher?

R: Alguns sintomas nunca devem ser ignorados, como sangramentos uterinos anormais, dor pélvica persistente, nódulos nas mamas, perda de peso inexplicada, fadiga intensa e persistente, alterações importantes do humor ou do sono e dor no peito ou falta de ar. Sempre que algo no corpo muda de forma persistente ou inesperada, é importante procurar avaliação médica.

 

- Como manter o equilíbrio e qualidade de vida?

R: Qualidade de vida envolve uma combinação de fatores, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono adequado, cuidado com a saúde mental, relações sociais saudáveis e acesso a cuidados de saúde. Mas também envolve condições sociais e segurança. Mulheres precisam poder viver com liberdade, caminhar pelas ruas sem medo, estudar, trabalhar e cuidar da própria saúde sem barreiras. Cuidar da saúde da mulher também significa proteger sua dignidade e seu direito à vida.

 

- Que tipo de acompanhamento médico a mulher precisa fazer durante a vida?

R: O acompanhamento médico necessário para a mulher inclui consultas regulares com médico da família ou clínico, acompanhamento ginecológico, exames preventivos (Papanicolau), rastreamento de câncer de mama, controle de pressão, glicemia e colesterol, acompanhamento durante gestação e pós-parto e avaliação da saúde óssea e cardiovascular após menopausa. A prevenção é uma das estratégias mais importantes para garantir saúde ao longo da vida.

 

- Quais as especialidades médicas responsáveis pelo cuidado da mulher?

R: O cuidado com a saúde da mulher é amplo e como Médica de Família, claro que incentivo que as mulheres tenham um médico para chamar de seu, para as auxiliar na coordenação do cuidado multidisciplinar. E que dialogue com as especialidades que podem precisar. As especialidades essenciais são Ginecologia e Obstetrícia, Medicina de Família e Comunidade, Endocrinologia, Mastologia, Psiquiatria, Cardiologia e Geriatria. Cada fase da vida pode demandar diferentes profissionais, mas o mais importante é garantir cuidado contínuo e integral.

 

- Qual a importância do exercício físico para a saúde da mulher?

R: A atividade física tem impacto profundo na saúde feminina. Ela ajuda a prevenir doenças cardiovasculares, reduzir risco de diabetes, fortalecer ossos e prevenir osteoporose, melhorar saúde mental, reduzir sintomas da menopausa, melhorar qualidade do sono. Além disso, o exercício contribui para autonomia, autoestima e bem-estar ao longo da vida.


Ronco que virou alerta: casal descobre apneia severa após 98 paradas respiratórias por hora


História real mostra como o distúrbio do sono impactou o casamento, viagens e rotina do casal até o diagnóstico e tratamento com CPAP.
 

 

No início do casamento, o ronco de Thiago André Stanislau Oliveira da Veiga, 39 anos, assessor legislativo, parecia apenas um incômodo ocasional. Com o passar dos anos, no entanto, o problema se intensificou a ponto de afetar profundamente a rotina do casal. Sua esposa, Patrícia Ferreira Estanislau, 37, conta que passou a ter noites interrompidas tentando acordá-lo ou fazê-lo mudar de posição. 

“Eu não conseguia dormir. Ficava acordando-o toda hora para ver se parava de roncar”, lembra.

A situação ficou mais preocupante quando Patrícia começou a perceber algo ainda mais grave: Thiago parava de respirar durante o sono. 

A cena, repetida diversas vezes durante a noite, levou Patrícia a filmar os episódios e insistir para que o marido procurasse um especialista. O exame de polissonografia revelou um quadro severo de apneia do sono: 98 paradas respiratórias por hora, o equivalente a mais de duas interrupções da respiração por minuto. 

O diagnóstico explicou não apenas as noites mal dormidas do casal, mas também situações constrangedoras que Thiago já havia vivido, como um voo de 12 horas para Lisboa em que passageiros chegaram a chamar a aeromoça por causa do ronco. Em outra ocasião, um colega de trabalho preferiu pagar um quarto separado em uma viagem para evitar dividir o quarto com ele. 

A solução veio com o tratamento com CPAP (Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas), equipamento utilizado para manter as vias respiratórias abertas durante o sono. A adaptação ao aparelho levou cerca de um mês, mas o resultado foi imediato na qualidade de vida do casal. “Hoje a gente dorme tranquilo”, conta Patrícia. 

Thiago também percebeu mudanças importantes durante o dia.“Consigo acordar com disposição e ter mais energia”, afirma. Antes do tratamento, o casal chegou a evitar viagens com amigos para não causar constrangimento e, em alguns momentos, precisou dormir em quartos separados. 

Além do impacto na relação, especialistas alertam que a apneia do sono não tratada aumenta o risco de doenças cardiovasculares, AVC e acidentes, já que a privação de sono pode provocar sonolência excessiva durante o dia. 

A história do chamado Casal Bolota, criadores de conteúdo que compartilham experiências de viagens, gastronomia e cotidiano nas redes sociais, agora também serve como alerta sobre a importância de investigar sintomas como ronco intenso, cansaço excessivo e pausas na respiração durante a noite. 

Segundo especialistas, o tratamento adequado pode transformar não apenas a qualidade do sono, mas também a saúde e o bem-estar de quem convive com o distúrbio.

 

Estudo global de 2026 revela o “Paradoxo do Sono” e destaca a diferença entre consciência sobre o sono e ação para melhorá-lo 

Pesquisa global recente da Resmed mostra que a maioria das pessoas reconhece o sono como essencial para a saúde a longo prazo, mas muitas ainda têm dificuldade em priorizar o descanso em meio ao estresse, noites mal dormidas e rotinas agitadas.

 


Um novo estudo global conduzido pela Resmed, divulgado por ocasião do Dia Mundial do Sono, revela o que é descrito como o "Paradoxo do Sono": embora as pessoas reconheçam cada vez mais a importância do sono para a saúde geral e longevidade, muitas ainda têm dificuldade em traduzir essa consciência em ações significativas. 

De acordo com a pesquisa, 84% dos entrevistados globalmente dizem saber que um sono consistente e de qualidade pode ajudar a prolongar uma vida saudável, e 53% consideram o sono adequado o comportamento mais importante para viver mais e melhor, à frente de fatores como alimentação equilibrada e prática regular de atividade física. Apesar dessa conscientização generalizada, 34% dizem que não buscaram aconselhamento de um profissional de saúde para melhorar sua saúde do sono, destacando uma clara lacuna entre conhecimento e ação.

 

Desafios persistentes do sono no mundo todo

Os resultados também mostram que, globalmente, mais da metade das pessoas diz que dormem bem quatro dias por semana ou menos. Além disso, 74% relatam acordar sem se sentir descansados pelo menos algumas noites por mês, sugerindo que as dificuldades de sono ainda são comuns no mundo. 

Estresse e ansiedade estão entre os fatores mais comuns que causam interrupções no sono. Os entrevistados citam responsabilidades familiares, preocupações de saúde, pressões financeiras e demandas de trabalho como fatores-chave que afetam negativamente sua capacidade de descanso. 

As consequências vão além da fadiga. Os participantes relatam que uma noite de sono ruim frequentemente resulta em maior irritabilidade e maior estresse, enquanto descanso adequado está ligado a maior energia, melhor foco e melhor equilíbrio emocional.

 

Camas compartilhadas, noites perturbadas

Os padrões de sono nos relacionamentos revelam outra dimensão importante do sono. No Brasil, 75% das pessoas em relacionamentos dizem que dormem com o parceiro todas as noites da semana. 

No mundo, porém, compartilhar a cama nem sempre significa dormir sem interrupções. Entre os entrevistados globais que moram com o parceiro, 80% dizem que o sono é interrompido por causa deles, mais comumente devido ao ronco ou respiração forte (36%), ao parceiro acordar durante a noite (25%) ou ao uso de celulares ou tablets na cama (18%). No mundo todo, 56% das pessoas em relacionamentos dizem que dormem com seu parceiro todas as noites da semana. 

Apesar dessas interrupções, muitos ainda associam dormir com o parceiro a benefícios para o relacionamento. A maioria diz que dormir com um parceiro tem um impacto positivo na comunicação e na conexão emocional dentro do relacionamento.

 

A tecnologia também tem desempenhado um papel crescente no acompanhamento da saúde do sono

Ao mesmo tempo, a tecnologia está desempenhando um papel cada vez mais importante em ajudar as pessoas a entenderem melhor seus padrões de sono. A adoção de dispositivos vestíveis de monitoramento do sono aumentou significativamente, passando de 16% dos entrevistados globais em 2025 para 53% globalmente em 2026. 

Atualmente, 39% dos entrevistados dizem que monitoram o sono pelo menos uma vez por semana usando dispositivos vestíveis, como smartwatches, anéis ou pulseiras fitness. Entre esses usuários, 93% dizem ter feito mudanças no estilo de vida com base em insights de seus dispositivos, incluindo melhorar hábitos de sono, se exercitar com mais frequência e aumentar a hidratação diária. 

A tecnologia vestível também pode incentivar um maior engajamento com a saúde. Globalmente, mais de 60% dos usuários de dispositivos vestíveis dizem que buscariam orientação médica se o dispositivo os alertasse sobre possíveis riscos à saúde, como pressão alta, doenças cardiovasculares, fibrilação auricular ou apneia do sono. 

"Os dados mostram que estamos em um ponto de virada na forma como as pessoas veem a saúde do sono", diz Sofia Furlan, Fisioterapeuta Respiratória e do Sono da Resmed. "Há uma maior conscientização sobre o papel que o sono desempenha no bem-estar geral, mas permanece uma lacuna entre entender sua importância e agir. Ao mesmo tempo, a tecnologia está capacitando as pessoas com novas ferramentas para entender melhor seu sono e tomar decisões informadas sobre sua saúde." 

O estudo global da Resmed entrevistou participantes em vários países para entender melhor comportamentos, percepções e tendências emergentes relacionadas à saúde do sono, bem-estar e uso da tecnologia.

Para mais informações sobre a campanha e conteúdos relacionados à saúde do sono, acesse www.resmed.com.br/monstrodosono.


Tratamento do câncer do colo do útero exige olhar sensível para sexualidade e fertilidade das mulheres

Especialistas da Sociedade Brasileira de Patologia e da Sociedade Brasileira de Radioterapia discutem prevenção, rastreamento, diagnóstico precoce, tratamento e os impactos do câncer do colo do útero na vida das pacientes.

 

O diagnóstico de câncer do colo do útero costuma trazer uma série de preocupações para as mulheres - e muitas delas vão além do próprio tratamento da doença. Questões ligadas à sexualidade e à fertilidade fazem parte da realidade de pacientes diagnosticadas com esse tipo de tumor, que ainda representa um importante problema de saúde pública no Brasil. Especialistas destacam que abordar esses aspectos de forma sensível e transparente é fundamental ao longo de todo o processo de cuidado.

“O câncer do colo do útero é uma doença que pode impactar diretamente a saúde sexual e reprodutiva da mulher. Por isso, é essencial discutir com a paciente as possibilidades de tratamento e os possíveis efeitos na vida sexual e na fertilidade”, explica a médica radio-oncologista Dra. Juliana Helito, do Hospital Israelita Albert Einstein e membro da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT).

Durante o tratamento, especialmente quando envolve radioterapia, quimioterapia ou cirurgias mais extensas, podem ocorrer alterações físicas que afetam a função sexual ou a capacidade reprodutiva. Por isso, o acompanhamento e o diálogo aberto com a equipe médica e multiprofissional são essenciais para orientar as pacientes sobre as opções terapêuticas e as estratégias disponíveis para preservar a qualidade de vida.

A discussão ganha ainda mais relevância durante o Março Lilás, campanha de conscientização dedicada à prevenção e ao diagnóstico precoce do câncer do colo do útero. A iniciativa busca ampliar o acesso à informação e incentivar medidas de prevenção, como a vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) e a realização de exames de rastreamento e diagnóstico precoce.

 

Câncer do colo do útero - O tumor maligno se desenvolve na parte inferior do útero, chamada colo uterino. Na maioria dos casos, está associado à infecção persistente pelo HPV, vírus transmitido principalmente por via sexual.

“O principal fator causal desse câncer é a infecção pelo HPV de alto risco. Quando o vírus infecta as células do colo do útero, ele pode se integrar ao DNA do hospedeiro e provocar alterações que fazem com que essas células passem a se multiplicar de forma descontrolada. Ao longo de vários anos, esse processo pode evoluir para um câncer”, explica a médica patologista Dra. Karla Kabbach, do Hospital Israelita Albert Einstein e membro da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP).

Esse processo costuma ser lento e pode levar de 10 a 15 anos entre a infecção inicial e o desenvolvimento do tumor, o que abre uma importante janela para prevenção e diagnóstico precoce. Ainda assim, muitos diagnósticos ocorrem em estágios mais avançados da doença. “Infelizmente, muitas mulheres chegam ao diagnóstico quando o tumor já está mais avançado, atingindo estruturas próximas ao colo do útero”, afirma a Dra. Juliana.

De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer do colo do útero é o terceiro tumor maligno mais frequente entre as mulheres no Brasil, com cerca de 17 mil novos casos por ano. A doença provoca mais de 7 mil óbitos anuais no país e ocupa aproximadamente a quarta posição em mortalidade feminina por câncer, atrás de tumores como os de mama, pulmão e colorretal.

Segundo a Dra. Karla, o número ainda elevado de casos e mortes por câncer do colo do útero no país também reflete desigualdades estruturais e regionais no acesso à prevenção e ao diagnóstico precoce. “Existe uma desigualdade muito grande em termos de acesso à informação, à vacinação contra o HPV e aos exames de rastreamento”, explica a especialista, que também é professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

 

Diagnóstico precoce e tratamento - Apesar de ser uma doença altamente prevenível por meio da vacinação contra o HPV e do rastreamento com exames ginecológicos, o câncer do colo do útero ainda apresenta impacto significativo na saúde das mulheres brasileiras. Em algumas regiões do país, especialmente na Região Norte e em áreas com menor acesso aos serviços de saúde, a doença chega a ser a principal causa de morte por câncer entre mulheres. Esse cenário evidencia desigualdades no acesso à informação, à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado.

Historicamente, o exame mais conhecido para rastreamento é o Papanicolaou, que permite identificar alterações celulares no colo do útero que podem indicar lesões precursoras do câncer. Desde 2025, no entanto, o Brasil também vem avançando na implementação de uma nova política de rastreamento, que prevê a adoção de testes capazes de detectar diretamente o DNA de tipos de HPV de alto risco, responsáveis pela maioria dos casos da doença.
De acordo com a Dra Karla, essa estratégia pode tornar o rastreamento ainda mais eficaz, pois permite identificar a presença do vírus antes mesmo do surgimento de alterações celulares. Além disso, quando há necessidade de confirmação diagnóstica, o trabalho do patologista é fundamental.

“O tecido coletado durante o exame ginecológico é encaminhado ao laboratório, onde o patologista analisa as células ao microscópio para identificar alterações que podem indicar a presença do HPV ou lesões precursoras do tumor”, detalha a Dra Karla.

Quando o câncer é diagnosticado, o tratamento depende do estágio da doença - avaliação que também conta com o trabalho do patologista - e pode envolver cirurgia, radioterapia e quimioterapia. A radioterapia, conduzida pelo radio-oncologista, é uma das estratégias fundamentais, principalmente em casos localmente avançados. “A radioterapia tem um papel central no tratamento do câncer do colo do útero e pode ser curativa em muitos casos. Frequentemente, ela é combinada à quimioterapia para aumentar a eficácia do tratamento”, explica a Dra. Juliana. 

Esses e outros temas - como prevenção, vacinação contra o HPV, diagnóstico e tratamento - foram discutidos em um episódio especial do podcast “O Patologista em Podcast”, da Sociedade Brasileira de Patologia, que contou com a participação das especialistas Dra Karla Kabbach e Dra. Juliana Helito. O conteúdo está disponível no Spotify e busca levar informação acessível à população sobre a saúde da mulher e o câncer do colo do útero.

Acesse o podcast clicando aqui:
https://open.spotify.com/episode/49iGxYtPfmlTuJZCS5nxwi?si=o7tZ_UEGTSeWcev604UDaQ

 

Além do estresse: Por que a dor na mandíbula afeta cinco vezes mais as mulheres?

Disfunção Temporomandibular (DTM) afeta mais o público feminino;
 cirurgião-dentista é o profissional apto a fazer diagnóstico e tratamento
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Especialista fala sobre os sintomas da DTM e como resolver o problema; em Campo Mourão, tratamento pode ser feito na clínica-escola do Integrado 

 

Embora o estresse seja frequentemente apontado como o vilão das tensões modernas, há um conjunto de fatores que explicam por que as mulheres sofrem mais com dores no rosto e na mandíbula do que os homens. 

A chamada Disfunção Temporomandibular (DTM) afeta cinco vezes mais o público feminino do que o masculino, segundo um estudo recente. O problema, que atinge principalmente a faixa etária entre 25 e 45 anos, vai muito além de uma “mordida errada” e pode comprometer drasticamente a qualidade de vida das mulheres.

 

Entendendo a DTM

Entre os fatores que mais contribuem para a DTM estão a artrite, inflamações ou sobrecarga nas articulações, ansiedade crônica - que gera tensão excessiva nos músculos da mandíbula - e hábitos parafuncionais, como roer unhas, morder objetos ou mascar chicletes constantemente. 

“Essas desordens geram respostas no sistema nervoso, nos músculos da mastigação, sendo capazes de provocar dores crônicas na face, cabeça, pescoço e até o travamento da boca”, explica o cirurgião-dentista e professor do curso de Odontologia do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR), Manuel da Fonseca Rodrigues.

 

Sinais de alerta e diagnóstico

A identificação do problema muitas vezes começa em casa. Segundo o especialista, o relato de companheiros sobre o ranger de dentes durante o sono (bruxismo) é um forte indicador. Outros sinais incluem desgastes visíveis nos dentes, retrações na gengiva, cansaço ao mastigar ou falar, vertigem e dificuldade para abrir ou manter a boca aberta. 

Para quem sofre com esses sintomas, a busca por ajuda especializada é o primeiro passo. “A saúde feminina exige atenção devido à sua complexidade fisiológica e as diferentes fases da vida. As consultas rotineiras ao dentista favorecem o diagnóstico precoce de várias patologias”, destaca Rodrigues. 

 

Tratamentos e atendimento à comunidade

Segundo o professor, o tratamento para a DTM é realizado em duas etapas. A primeira consiste no alívio da dor e melhora da qualidade de vida do paciente. A segunda foca em resolver as causas, que podem ser múltiplas e incluir o ajuste do encaixe dentário. 

Em Campo Mourão, esses cuidados podem ser viabilizados na Clínica-escola de Odontologia do Integrado, que fica na Rua Lauro de Oliveira Souza, 440, Área Urbanizada II e atende de segunda a sexta, mediante agendamento pelo tel. 44-3016-8690. 

Além do tratamento de DTM, a clínica oferece serviços como consultas diagnósticas, restaurações, extrações, tratamento de canal e confecção de próteses totais ou parciais. O atendimento é realizado por acadêmicos da graduação sob supervisão de professores especialistas. Só em 2025, foram realizados 4.676 atendimentos a moradores dos 25 municípios da região da Comcam. 

“Não ignore o problema e não se acostume com a dor. Preste atenção aos sinais do corpo e faça também o autoexame da cavidade bucal para procurar manchas, alterações de cor nos dentes ou aftas que não cicatrizam em 15 dias. Ao menor sinal, procure ajuda especializada”, enfatiza o cirurgião-dentista.

  

Centro Universitário Integrado


Direitos do autista no plano de saúde: a obrigatoriedade de cobertura dos tratamentos

Nos últimos anos, o debate jurídico sobre os direitos das pessoas com transtornos do desenvolvimento ganhou relevância no Brasil, especialmente no que diz respeito à cobertura de tratamentos pelos planos de saúde. Entre essas condições está o Transtorno do Espectro Autista, além de diagnósticos historicamente classificados na CID F84, como a Síndrome de Asperger e a Síndrome de Rett, caracterizados por alterações no desenvolvimento da comunicação, da interação social e do comportamento. 

Para muitas famílias, o acesso ao tratamento adequado sempre representou um desafio. Negativas administrativas, limitação do número de sessões terapêuticas e a ausência de profissionais especializados na rede credenciada foram, por anos, obstáculos frequentes. Nos últimos tempos, porém, mudanças regulatórias e decisões judiciais vêm transformando esse cenário, consolidando o entendimento de que o direito à saúde deve prevalecer sobre interesses meramente econômicos das operadoras. 

Um marco importante nessa evolução foi a edição da Resolução Normativa nº 539/2022 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A norma estabeleceu que os planos de saúde são obrigados a cobrir os métodos e técnicas indicados pelo médico assistente para o tratamento de pacientes com transtornos do desenvolvimento. Em outras palavras, cabe ao profissional de saúde, e não à operadora, definir qual abordagem terapêutica é mais adequada ao paciente. 

Na prática, isso significa que terapias amplamente utilizadas no tratamento do autismo, como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA), o Modelo Denver, a Integração Sensorial ou sistemas de comunicação alternativa, devem ser custeadas quando houver indicação clínica. 

Outro avanço relevante foi a eliminação das antigas limitações de sessões para terapias multidisciplinares. Antes das mudanças regulatórias, era comum que operadoras estabelecessem tetos rígidos para atendimentos com psicólogos, fonoaudiólogos ou terapeutas ocupacionais, o que muitas vezes comprometia o progresso terapêutico. Atualmente, quando há indicação médica, a cobertura passou a ser considerada ilimitada, permitindo um acompanhamento contínuo e adequado às necessidades do paciente. 

O Poder Judiciário também desempenhou papel decisivo nesse processo. O Superior Tribunal de Justiça tem consolidado entendimento de que a limitação do número de sessões de terapias essenciais para pessoas com autismo pode ser considerada abusiva. Esse posicionamento reforça que o objetivo central do contrato de plano de saúde é assegurar assistência adequada ao beneficiário, e não restringir tratamentos indispensáveis ao seu desenvolvimento. 

No plano constitucional, o Supremo Tribunal Federal também contribuiu para fortalecer essa proteção ao reconhecer que o Rol de Procedimentos da ANS não deve ser interpretado como uma lista absolutamente restritiva. Em determinadas circunstâncias, tratamentos não expressamente previstos podem ser cobertos, desde que exista comprovação científica de eficácia, inexistência de alternativa terapêutica equivalente e respeito às regulamentações sanitárias aplicáveis. 

Apesar desses avanços, ainda é relativamente comum que famílias enfrentem negativas de cobertura. Muitas vezes, essas recusas se baseiam em cláusulas contratuais restritivas, na ausência do procedimento no rol da ANS ou no alto custo das terapias. A jurisprudência brasileira, entretanto, tem reconhecido que negativas injustificadas podem configurar prática abusiva, especialmente quando impedem o acesso a tratamentos essenciais. 

Outro ponto recorrente diz respeito ao reembolso de despesas realizadas fora da rede credenciada. Em muitos casos, as operadoras não dispõem de profissionais habilitados para aplicar determinados métodos terapêuticos. Quando se comprova que o plano de saúde não oferece o tratamento adequado em sua rede, a Justiça tem admitido o reembolso integral das despesas, entendendo que a ausência de profissionais qualificados pode caracterizar falha na prestação do serviço. 

Diante de uma negativa, algumas medidas são fundamentais. O primeiro passo é obter um laudo médico detalhado, com diagnóstico, indicação das terapias necessárias, frequência recomendada e justificativa clínica. Caso a operadora recuse a cobertura, é importante exigir que a negativa seja formalizada por escrito. Esse documento pode servir como prova em reclamações administrativas ou ações judiciais. 

Também é possível registrar reclamação na ANS. Quando o impasse persiste, muitas famílias recorrem ao Judiciário, onde frequentemente são concedidas decisões liminares para garantir o início imediato do tratamento enquanto o processo é analisado. 

A evolução das normas e da jurisprudência demonstra que o ordenamento jurídico brasileiro tem caminhado para ampliar a proteção das pessoas com autismo. O entendimento predominante hoje é que o tratamento deve ser integral, adequado e contínuo, respeitando as necessidades individuais de cada paciente. Mais do que uma obrigação contratual, garantir o acesso ao tratamento representa um compromisso com a dignidade da pessoa humana, com a inclusão social e com o pleno desenvolvimento das pessoas com autismo. 

 

José dos Santos Santana Jr. - advogado especialista em Direito Empresarial e da Saúde e sócio do escritório Mariano Santana Sociedade de Advogados 

 

Brasil lidera buscas globais por lipedema enquanto doença segue subdiagnosticada

Dados do Google Trends mostram que interesse global pela condição triplicou nos últimos dois anos, refletindo maior mobilização de pacientes e avanço do debate sobre saúde feminina 

 

O interesse global por lipedema tem crescido de forma acelerada e o Brasil aparece no centro desse movimento. Dados do Google Trends indicam que as buscas pela condição triplicaram no mundo entre fevereiro de 2023 e fevereiro de 2025, enquanto o país lidera o ranking de interesse pelo tema. Especialistas apontam que o aumento das pesquisas reflete uma combinação de fatores, como maior mobilização de pacientes nas redes sociais, avanço do debate sobre saúde feminina e um cenário ainda marcado por subdiagnóstico da doença.

 


Busca por “lipedema” – Filtro Mundo no Google Trends, comparativo entre fevereiro de 2023 e fevereiro de 2025. Acesse o levantamento completo:

Caracterizado pelo acúmulo anormal e doloroso de gordura, principalmente nas pernas e quadris, o lipedema afeta majoritariamente mulheres e ainda é frequentemente confundido com obesidade ou retenção de líquido. A falta de informação sobre a condição faz com que muitas pacientes passem anos sem diagnóstico correto ou acesso ao tratamento adequado. 

“Nos últimos anos, houve um aumento significativo na circulação de informações sobre lipedema nas redes sociais e também entre profissionais de saúde. Muitas mulheres passaram a reconhecer sintomas e buscar diagnóstico. Ao mesmo tempo, ainda existe um grande desafio de informação qualificada e de acesso estruturado ao tratamento”, afirma o diretor do Instituto Lipedema Brasil, Dr. Fábio Kamamoto. Segundo ele, o crescimento nas buscas reflete uma mudança no comportamento das pacientes.

 

Segundo ele, o crescimento do interesse público também evidencia um momento de amadurecimento do debate sobre a doença. “Quanto maior a visibilidade do tema, maior também a necessidade de discutir evidências científicas, diagnóstico correto e condutas médicas responsáveis”, acrescenta.

 

No Brasil, organizações médicas e grupos de pacientes têm ampliado iniciativas de informação e conscientização sobre a condição. O Instituto Lipedema Brasil atua na produção de conteúdo científico, na capacitação de profissionais de saúde e na promoção de debates sobre diagnóstico e tratamento.

 

Já a ONG Movimento Lipedema, braço social do Instituto, tem ampliado o acolhimento de pacientes e a mobilização por políticas públicas voltadas ao reconhecimento e tratamento da doença.

 

Recentemente, a organização lançou uma campanha nacional voltada à democratização do acesso ao tratamento do lipedema no Brasil. A iniciativa inclui a disponibilização de uma cartilha informativa gratuita no site movimentolipedema.org e nas redes sociais da ONG, além de um abaixo-assinado digital que busca mobilizar sociedade civil, profissionais de saúde e formadores de opinião.

 

Entre as propostas defendidas pelo movimento estão a ampliação da capacitação de profissionais de saúde para diagnóstico da condição, a criação de códigos específicos de procedimentos médicos e a incorporação do tratamento no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e no Sistema Único de Saúde (SUS).


“Estamos trabalhando para que o lipedema seja reconhecido de forma mais estruturada nas políticas públicas de saúde e que pacientes tenham acesso ao tratamento adequado, principalmente nos casos mais graves”, finaliza Kamamoto. 




Instituto Lipedema Brasil - primeiro centro de referência global dedicado ao lipedema, criado para compartilhar informações, fomentar pesquisa e mobilizar pacientes e profissionais de saúde. Fundado em 2021 pelo Dr. Fábio Kamamoto, atualmente possui três unidades, duas em São Paulo e uma em Salvador.

 

Você perde o controle da alimentação à noite? Saiba por que isso ocorre

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Muitas vezes, o “descontrole” com a comida à noite não é falta de foco ou vontade, mas sim um problema com origens emocionais

 

Você tem uma alimentação saudável e sem exageros o dia todo, mas, quando chega à noite, não vê a hora de “atacar a geladeira”, e isso atrapalha o seu processo de emagrecimento? Isso é extremamente comum, especialmente entre as mulheres. Porém, isso não quer dizer que você é fraca ou não tem foco o suficiente nos seus objetivos. Segundo o Dr. Luiz Augusto Júnior, médico e fundador do Instituto Amare, o que acontece é que você pode estar exausta. 

 “Durante o dia você se controla. Trabalha, cuida dos outros, corre atrás de tudo. À noite, o cansaço vence. O cortisol cai. O cérebro busca recompensa. E a comida vira anestesia. Mas isso não é emocional. É fisiológico”, explica o especialista, que tem foco na saúde da mulher e na menopausa.  

Assim, quando o corpo está em desequilíbrio - sono ruim, estresse alto, intestino inflamado - a fome se torna algo bem mais difícil de controlar. Ainda mais se você tentar se restringir demais e criar proibições. “Por isso, o tratamento não é sobre proibir. É sobre regular. Quando o sono melhora e os hormônios se equilibram, a fome noturna perde força”, comenta o médico. 

 

O tratamento correto pode transformar mais do que o seu corpo 

Nesses casos em que a fome vem de uma questão psicológica, pode ser muito difícil conseguir emagrecer. Isso é ainda pior para mulheres a partir dos 35 anos, já que, nessa idade, é um pouco mais complicado, no geral, perder peso.  

Porém, buscar o tratamento correto e não perder as esperanças é essencial. Isso porque essa questão não é apenas estética. Muitas vezes, a sua saúde também pode acabar comprometida quando você está muito acima do peso, especialmente quando chega ao nível da obesidade. Além disso, muitas pessoas também têm uma grande melhora na saúde mental ao mudar seus hábitos, ter uma vida mais saudável e chegar ao seu peso ideal, que é diferente para cada pessoa.  

Ou seja, os impactos vão além da balança. Eles incluem:

-Mais energia

-Sono de melhor qualidade

-Redução de pressão

-Autoestima restaurada 

Não é só o número que importa - é o que você sente ao se olhar no espelho”, comenta o Dr. Luiz Augusto.  

E, dependendo do caso, o tratamento correto pode exigir, além de mudanças de estilo de vida, algum medicamento, como as famosas canetas emagrecedoras. Contudo, é sempre preciso usá-las com recomendação e supervisão de um médico especialista, como é o caso do Dr. Luiz Augusto. Afinal, essas medicações não são milagrosas e precisam de outros cuidados em conjunto com elas, além de que podem trazer riscos se consumidas incorretamente.  

 

Dr. Luiz Augusto Júnior - médico especializado na saúde da mulher, com foco em menopausa, equilíbrio hormonal e medicina integrativa. Formado pela Unoeste e com múltiplas pós-graduações, atua com uma visão que integra estilo de vida, nutrição, sono e saúde emocional. Fundador do Instituto Amare, Luiz se dedica a um cuidado humanizado e transformador, guiado por propósito e atualização constante. Acompanhe mais sobre seu trabalho: @institutoamarepp | @dr.luizaugustojunior

 

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