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Análise de dados hospitalares entre
2023 e 2025, coletados pela Planisa, indica pressão maior sobre os custos das
instituições hospitalares
Um levantamento realizado pela Planisa (consultoria especializada em gestão de custos na saúde) mostra a evolução dos custos hospitalares relacionados ao tratamento do câncer colorretal nos últimos anos. A doença tem, neste mês, data focada no enfrentamento (Dia Nacional de Combate ao Câncer Colorretal, celebrado em 27 de março) e voltou a chamar atenção recentemente após casos envolvendo figuras públicas, como a cantora Preta Gil e o ator James Van Der Beek, do seriado Dawson's Creek.
A pesquisa realizada pela Planisa analisou dados de 2023, 2024 e 2025, com base em informações de hospitais que participam da base de dados da instituição.
Os resultados indicam um crescimento na quantidade de hospitais. Em 2023, o levantamento reuniu dados de 12 hospitais, com 736 atendimentos relacionados ao tratamento da doença. Em 2025, a base já havia se ampliado para 44 hospitais, com 1.841 atendimentos, o que reforça a expansão da análise e a maior representatividade dos dados.
O estudo também identificou aumento gradual nos custos médios do tratamento. Em 2023, o custo médio por internação foi de cerca de R$ 3,4 mil, chegando a aproximadamente R$ 4,1 mil em 2025, aumento de 21%. Para a análise, esse avanço reflete a pressão crescente sobre os recursos hospitalares utilizados no cuidado de pacientes com câncer colorretal.
Outro indicador observado foi o tempo médio de permanência hospitalar, que apresentou leve redução ao longo do período. A média caiu de 6,3 diárias em 2023 para 5,7 diárias em 2025, o que pode indicar avanços em protocolos assistenciais e na gestão do cuidado.
De acordo com Marcelo Carnielo, diretor de Serviços da Planisa e especialista em custos hospitalares, acompanhar esse tipo de indicador é essencial para compreender o impacto da doença no sistema de saúde. “Quando ampliamos a base de hospitais analisados, conseguimos ter uma visão mais clara da realidade assistencial e dos desafios enfrentados pelas instituições”, afirma.
Segundo ele, o crescimento no número de atendimentos exige planejamento e organização por parte das instituições. “O aumento da demanda por tratamentos oncológicos exige que os hospitais tenham cada vez mais controle sobre seus custos e processos assistenciais”, explica.
As
informações coletadas indicam alta variação de custos, coeficiente de variação
(CV) de 75% em 2025, entre os pacientes com câncer de colorretal, essa
variabilidade é geralmente explicada por três pilares principais:
1. Estadiamento da Doença
O
custo de um paciente no Estádio I (frequentemente resolvido com cirurgia e
breve internação) é drasticamente diferente de um paciente no Estádio IV
(metastático).
2. Variedade e Complexidade do Tratamento
O mix
de terapias é o que "estica" a curva de dispersão.
3. Complicações e Comorbidades
Pacientes oncológicos costumam ser mais fragilizados. Eventos adversos – por exemplo - como infecções oportunistas, transformam uma conta "padrão" em um caso atípico, o que joga o CV para cima.
Carnielo também destaca que a análise de dados pode contribuir para melhorar a eficiência do atendimento. “Monitorar indicadores como custo médio, volume de casos e tempo de permanência permite identificar oportunidades de melhoria e otimizar o uso dos recursos hospitalares”, diz.
Para o
especialista, esse tipo de levantamento também ajuda a fortalecer a
sustentabilidade do setor. “A gestão baseada em dados é fundamental para
garantir qualidade no cuidado ao paciente e, ao mesmo tempo, manter o
equilíbrio financeiro das instituições de saúde”, conclui.
Impacto econômico indireto da mortalidade no Brasil
Estudos vem alertando sobre o aumento da incidência entre pessoas com menos de 50 anos, e uma publicação no periódico científico The Lancet, divulgada neste mês, estimou o impacto econômico indireto da mortalidade por câncer colorretal no Brasil entre 2001 e 2030. Foram estimadas 635.253 mortes no período, correspondendo a 12,6 milhões de anos potenciais de vida produtiva perdidos, e perdas de produtividade da ordem de US$ 22,6 bilhões.
O estudo ressalta que “o Brasil contribui com 41% das mortes por câncer colorretal na América Latina”, sendo o segundo câncer mais incidente entre homens e mulheres.
Ainda de acordo com a publicação, de 2001–2005 (observado) a 2026–2030 (estimado), espera-se que as mortes por câncer colorretal aumentem 181% entre homens e 165% entre mulheres. “Os maiores aumentos relativos entre os homens serão observados na região Norte, com perdas de produtividade aumentando 9,7 vezes. Entre as mulheres, as regiões Norte e Nordeste apresentarão os maiores aumentos na perda de produtividade, 8,7 e 10,3 vezes, respectivamente”, pontua.
“As
estratégias para mitigar o impacto econômico do câncer colorretal no Brasil nas
próximas décadas devem incluir: promover a redução das desigualdades sociais e
regionais relacionadas ao acesso ao diagnóstico oportuno do CCR; diminuir a
prevalência de fatores de risco, promovendo hábitos alimentares saudáveis,
prática de atividade física, conscientização sobre o consumo de álcool,
cessação do tabagismo e redução do sobrepeso; introduzir e ampliar gradualmente
um programa de rastreamento populacional; garantir o diagnóstico precoce para
indivíduos com sinais e sintomas suspeitos e o acompanhamento daqueles com alto
risco de CCR; e garantir o acesso equitativo a tratamentos baseados em
evidências para todos os estágios da doença”, conclui.

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