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sexta-feira, 10 de julho de 2026

A digestão começa na boca: como a perda dentária compromete saúde nutricional de idosos

Especialista explica como a condição afeta absorção de nutrientes e aumenta o risco de fragilidade durante o envelhecimento 

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 23% das pessoas com 60 anos ou mais apresentam perda total dos dentes. A condição, para além do impacto direto na capacidade de mastigação, desencadeia desequilíbrios no organismo, já que compromete as funções essenciais da alimentação. 

Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aproximadamente 14 milhões de brasileiros com mais de 18 anos não possuem nenhum dente. O levantamento mostra que os idosos concentram a maior parcela desses casos, eles representam cerca de 31,7% das pessoas com perda dentária total. Esse cenário dificulta o consumo de alimentos fundamentais como carnes, frutas e vegetais, o que pode afetar a qualidade da dieta e, consequentemente, o estado nutricional do idoso. 

A revisão científica intitulada “Função mastigatória e sua associação com impactos de saúde sistêmica em idosos”, publicada em 2024, estudou este impacto no processo digestivo. O estudo indicou que a mastigação inadequada compromete a formação do bolo alimentar e reduz a eficiência da ação da saliva, substância fundamental no início da digestão química dos alimentos. Essa deficiência não permite o aproveitamento total do bolo alimentar quando este atinge o estômago e o intestino, onde enzimas continuarão o processo digestivo, mas os nutrientes acabam não sendo totalmente assimilados pelo organismo. 

O dentista e fundador da SorriaMed, Dr. Leonardo Acioli, aponta que o desequilíbrio odontológico deve ser acompanhado de perto nessa etapa da vida, dado a fragilidade odontológica com a chegada dos 60 anos. Segundo o especialista, muitos idosos não percebem a mudança de forma imediata, mas passam a adaptar a alimentação ao longo do tempo. 

“É comum que o idoso comece a evitar carnes duras, frutas mais fibrosas e vegetais crus de maneira intuitiva, por receio de ferir as estruturas dentárias existentes. Isso reduz a diversidade nutricional diária e pode contribuir para quadros de fraqueza, perda de massa muscular e piora da saúde geral”, completa Acioli. 

Dr. Leonardo aponta que, em muitos casos, o quadro é agravado por próteses antigas ou mal adaptadas, que não recuperam completamente a eficiência da mastigação. “Com o envelhecimento, é comum a perda gradual de dentes naturais por cáries acumuladas ao longo da vida, doença periodontal ou desgaste progressivo das estruturas de suporte dentário. A digestão começa na boca. Quando ela é prejudicada, o alimento chega ao estômago em condições pouco adequadas de processamento, o que obriga todo o sistema digestivo a trabalhar de forma compensatória”, afirma.


Ações de prevenção  

A prevenção da perda dentária na terceira idade começa muito antes da extração ou da necessidade de prótese, e depende da identificação precoce de sinais de alerta que muitas vezes passam despercebidos.

“Pequenos sinais como sangramento gengival durante a escovação, sensibilidade ao mastigar certos alimentos, mau hálito persistente ou retração da gengiva já indicam que existe um processo inflamatório em andamento. Esses sinais do corpo não podem ser ignorados”, alerta Acioli. 

Segundo ele, outro ponto fundamental é a adaptação do cuidado odontológico ao envelhecimento, com consultas periódicas mesmo na ausência de dor ou desconforto “Um erro comum é procurar o dentista apenas quando há dor. Na terceira idade, isso precisa mudar. O acompanhamento regular permite identificar problemas ainda em estágio inicial e evitar que pequenas alterações evoluam para perda dentária”, completa o. dentista.
 

Tratamentos após perda  

Quando a perda dentária já ocorreu, entre as principais opções estão a aplicação de próteses totais ou parciais bem adaptadas e implantes dentários, que ajudam a restabelecer a capacidade de triturar os alimentos de forma adequada. O profissional reforça que a escolha do tratamento depende do grau dano odontológico, da condição óssea do paciente e de uma avaliação clínica individualizada. 

“Hoje, conseguimos reabilitar praticamente toda a função mastigatória com o desenvolvimento das práticas de implantodontia. Para além do sorriso, o idoso volta a se alimentar de componentes basilares da dieta de maneira segura e eficiente, o que impacta na qualidade de vida durante o envelhecimento”, conclui o fundador da SorriaMed.


Dias frios exigem cuidados com a saúde íntima feminina

Especialista alerta que hábitos comuns do inverno podem comprometer o equilíbrio da saúde íntima feminina e orienta sobre os cuidados que ajudam a proteger a região nos dias frios.

 

Com a chegada das temperaturas mais baixas, alguns hábitos comuns do inverno podem impactar diretamente a saúde íntima feminina. Embora muitas vezes passem despercebidos, fatores podem desequilibrar a proteção natural da vagina e causar desconfortos ao longo da estação.

Segundo a Dra. Madalena Oliveira, médica e professora da pós-graduação em Ginecologia da Afya Vitória, a região possui uma microbiota natural responsável por proteger o organismo contra fungos e bactérias. Para que essa proteção funcione adequadamente, é importante manter hábitos de higiene equilibrados e evitar excessos. “A vagina possui uma microbiota protetora que depende de um pH adequado e de cuidados corretos para permanecer saudável. O problema é que muitos fatores do dia a dia podem interferir nesse equilíbrio, como o uso inadequado de cremes vaginais, produtos muito agressivos, roupas abafadas e até determinados hábitos de higiene”, explica.

A especialista da Afya ressalta que, durante o inverno, é comum que as mulheres permaneçam mais tempo com roupas justas ou tecidos que dificultam a ventilação da região íntima. Isso aumenta a umidade local e cria um ambiente mais favorável para a proliferação de fungos e bactérias. “Peças sintéticas, roupas muito apertadas e ficar muito tempo com roupas úmidas ou abafadas podem favorecer infecções como a candidíase, além de aumentar irritações e desconfortos”, afirma.

Outro ponto de atenção é o excesso de cuidados íntimos, que muitas vezes pode causar o efeito contrário ao esperado. “Existe uma ideia de que higiene em excesso significa mais proteção, mas isso nem sempre é verdade. O uso frequente de sabonetes fortes, duchas íntimas e produtos perfumados pode alterar o pH vaginal e comprometer essa barreira natural de defesa”, alerta a ginecologista.

A médica também explica que banhos muito quentes merecem atenção, mas não são os únicos vilões da estação. “A água excessivamente quente pode ressecar e sensibilizar a pele da vulva, assim como acontece em outras regiões do corpo. Por isso, o ideal é manter banhos mornos e rápidos, preservando a hidratação natural da pele e o equilíbrio da região íntima”, orienta.


Acidentes domésticos: cuidados essenciais para proteger as crianças nas férias

Especialistas da Rede Santa Catarina - Paulista chamam atenção para riscos frequentes e orientam como organizar ambientes para garantir mais segurança

 

Com a chegada das férias escolares, cresce também o número de atendimentos de emergência por acidentes envolvendo crianças. A combinação entre rotina mais livre, novas atividades e menor supervisão direta faz deste período um dos mais desafiadores para pais e responsáveis. 

Segundo a pediatra do Hospital Santa Catarina - Paulista, Dra. Patrícia Rolli, as ocorrências aumentam de forma expressiva e, embora muitas vezes pareçam imprevisíveis, são evitáveis com medidas simples: “A maioria dos acidentes pode ser evitada com supervisão adequada, ambiente seguro e educação preventiva”. 

O tipo de acidente varia conforme a idade, e isso ajuda a entender onde estão os principais riscos. Crianças pequenas se machucam mais dentro de casa, com quedas, queimaduras ou ingestão de substâncias. Já as maiores e adolescentes são mais vulneráveis a traumas em atividades externas, lazer e trânsito, além de afogamentos.

O gênero também influencia: meninos se acidentam mais do que meninas em quase todas as faixas etárias. A médica explica que a mudança na rotina é um dos fatores centrais nesse aumento. Sem a estrutura escolar e com mais tempo livre, as crianças circulam entre casas, clubes e parques, muitas vezes sem a mesma atenção rotineira. Isso amplia a exposição a ambientes desconhecidos e a atividades que exigem cuidados específicos. 

Além disso, viagens, deslocamentos mais longos e estadias temporárias em casas de campo ou praia podem esconder riscos adicionais, como piscinas sem cercamento, pisos escorregadios, ausência de telas nas janelas, substâncias tóxicas ou cáusticas mal armazenadas ou presença de animais peçonhentos. 

Pequenos descuidos também estão entre os principais gatilhos. O acidente acontece em segundos, basta um instante de desatenção para que a criança fique em perigo”, alerta Dra. Patrícia Rolli. Distrações rápidas, como atender o celular ou checar algo na cozinha, podem ser suficientes para uma situação de risco.
 

Como evitar situações de risco?

Criar ambientes seguros dentro de casa é essencial para a prevenção. Na cozinha, é importante manter panelas com os cabos voltados para dentro, usar as bocas traseiras do fogão e deixar líquidos quentes e objetos cortantes fora do alcance. Quartos e salas devem contar com janelas protegidas por telas e com móveis bem fixados, posicionados de forma a evitar que a criança os utilize para subir. 

Produtos de limpeza devem ficar trancados ou em locais altos, tomadas precisam de protetores, banheiros exigem tapetes antiderrapantes e tampas de vaso travadas. Brinquedos devem ser adequados à idade e possuir selo do Inmetro. Já as escadas e corredores pedem portões de segurança e boa iluminação. 

Fora de casa, a atenção deve ser redobrada, especialmente em piscinas, parques e praias. Piscinas precisam de cercas, portões com trava e regras claras de uso. Em playgrounds, os responsáveis devem observar o estado dos brinquedos e se o piso oferece absorção de impacto. 

Além da segurança física, educar as crianças sobre seus próprios limites e riscos é parte fundamental da prevenção. Orientações adequadas à idade, como não mexer em tomadas, não subir em móveis, esperar um adulto para entrar na piscina ou usar equipamentos de proteção, ajudam a criar consciência desde cedo. O exemplo dos responsáveis também faz diferença.

“Quando os adultos seguem regras de segurança no trânsito e na hora do lazer, as crianças reproduzem esse comportamento naturalmente. Ensinar como agir em situações de risco, como pedir ajuda, reconhecer perigos e memorizar números de emergência, também contribui para uma rotina mais segura”, conta a médica. 

A pediatria do Hospital Santa Catarina - Paulista destaca que transformar essas orientações em hábitos diários reduz significativamente as chances de acidentes e garante que as férias sejam, de fato, um período de descanso e diversão. “Prevenir é sempre o melhor cuidado”, resume a Dra. Patrícia.
 

Uso de telas requer atenção

Para além dos riscos físicos, o uso de telas gera uma falsa sensação de segurança e precisa ser monitorado pelos responsáveis. Especialista em psicologia escolar e da educação e orientadora educacional do Colégio Santa Catarina São Paulo, Larissa Guarnieri Capito explica que o hábito pode gerar prejuízos emocionais, impactos à saúde e problemas de linguagem. 

Utilizar timers e seguir a recomendação de tempo dos órgãos oficiais ajuda a evitar excessos. “Organizar a rotina, manter o padrão de alimentação e sono sem telas, proporcionar brincadeiras, momentos de convivência com outras crianças e recursos materiais adequados são dicas para mantê-las ocupadas e sem exposição a conteúdos nocivos”, afirma a mestranda do Programa de Educação e Saúde na infância e na adolescência.


Calor na Europa acende alerta para turistas: especialista dá dicas para evitar riscos à saúde

Mudanças climáticas passam a fazer parte do
 planejamento do turismo internacional

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Mudanças climáticas impactam a forma de viajar pelo Velho Continente; onda de calor exige planejamento redobrado

 

As temperaturas recordes registradas em diversos países europeus neste verão acenderam um alerta para moradores locais e também para milhares de turistas que escolheram o continente como destino de férias. Com termômetros ultrapassando os 40°C em diversas cidades, autoridades de saúde têm reforçado recomendações para reduzir os impactos do calor extremo, enquanto hospitais registram aumento nos atendimentos relacionados à desidratação, insolação e agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), episódios recentes de calor intenso já foram associados a mais de 1.300 mortes, evidenciando que eventos climáticos extremos passaram a representar um importante desafio para a saúde pública e o turismo.

De acordo com a Coris, referência em seguro viagem e assistência com atendimento 24h em português, quando houver flexibilidade no planejamento e previsão de temperaturas muito altas, adiar a viagem para um período de clima mais ameno pode ser uma alternativa. Caso a remarcação não seja possível, adaptações no roteiro e atenção redobrada aos cuidados com a saúde são medidas que ajudam a preservar a experiência e prevenir um possível mal-estar.

“As mudanças climáticas deixaram de ser um tema distante e passaram a fazer parte do planejamento do turismo internacional. O turista hoje precisa se preocupar com coisas além da hospedagem, passagens e a escolha do local. O objetivo é adaptar a viagem para que ela aconteça com segurança”, afirma Cláudia Brito, Sócia-Diretora comercial da Coris.

Mais do que acompanhar a previsão do tempo, é recomendado que o viajante beba água constantemente, use roupas leves, chapéus ou bonés e passe protetor solar. “É comum que o turista caminhe muito mais durante uma viagem do que na rotina diária. Somando esse esforço físico ao calor intenso, o organismo fica mais suscetível a episódios de queda de pressão, fadiga e desidratação. Pequenas mudanças de hábito fazem bastante diferença, como fazer pausas em ambientes climatizados e evitar exposição prolongada ao sol nos horários críticos.”


Cuidados para enfrentar o calor extremo durante viagens

  • Mantenha hidratação constante, mesmo sem sentir sede.
  • Evite atividades ao ar livre entre 11h e 16h.
  • Prefira roupas leves, claras e tecidos respiráveis.
  • Utilize protetor solar, óculos escuros e chapéu.
  • Faça pausas frequentes em locais climatizados.
  • Redobre a atenção caso viaje com crianças, idosos ou pessoas com doenças crônicas.
  • Consulte a previsão do tempo e possíveis alertas emitidos pelas autoridades locais antes de sair para passeios.
  • Tenha acesso a um serviço de assistência durante toda a viagem para casos de necessidade médica ou orientação.

"Viajar continua sendo uma experiência enriquecedora e segura quando existe planejamento. Hoje, esse planejamento inclui também respeitar os limites do corpo e estar preparado para lidar com imprevistos. A prevenção é, cada vez mais, uma das principais aliadas do turista", conclui Cláudia.

 

Coris
https://coris.com.br/


Câncer ósseo: nem toda dor nas pernas é "dor do crescimento"

Quando o sintoma pode indicar algo mais grave?

 

É comum que crianças e adolescentes reclamem de dores nas pernas, principalmente após um dia de muitas brincadeiras ou atividades físicas. Em boa parte dos casos, o desconforto faz parte do desenvolvimento e é conhecido popularmente como "dor do crescimento". O problema é que atribuir toda dor ao desenvolvimento pode retardar o diagnóstico de doenças mais graves, entre elas o câncer ósseo. 

No Mês de Conscientização sobre o Câncer Ósseo, o oncologista Humberto Matos, médico do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IO), faz um alerta: embora os tumores ósseos sejam raros, é fundamental conhecer os sinais que diferenciam uma dor benigna de uma condição que exige investigação. "A dor do crescimento costuma ocorrer nas duas pernas, geralmente no fim do dia, e não impede que a criança ou o adolescente corra, pule e brinque normalmente durante o dia. Quando essas características mudam, é importante investigar", explica.

 

Quando a dor deixa de ser normal? 

Entre os principais sinais de alerta estão dor em apenas uma perna, persistente por semanas ou meses, que aumenta de intensidade, provoca dificuldade para caminhar, além de inchaço ou vermelhidão no local. 

Outro aspecto que merece atenção é a dor que desperta a criança ou o adolescente durante a noite. "Esse é um sintoma importante porque a dor ocorre mesmo sem movimento ou esforço físico. Em alguns casos, o crescimento do tumor pode aumentar a pressão dentro do osso e das estruturas ao redor, provocando dor até mesmo durante o repouso", destaca o especialista. 

Além da dor localizada, alguns sintomas gerais também devem ser valorizados, como fadiga, febre sem causa aparente, perda de peso e o aparecimento de um abaulamento na região dolorida.

 

O erro que mais atrasa o diagnóstico 

De acordo com o médico, o principal motivo para o atraso no diagnóstico do câncer ósseo é a desvalorização da queixa. "Muitas vezes, uma dor persistente e progressiva é interpretada apenas como dor do crescimento, quando, na realidade, pode estar mascarando uma condição mais séria", explica. 

A recomendação é que os pais procurem avaliação médica sempre que a dor não melhorar, comprometer as atividades diárias da criança ou ocorrer apenas em um dos membros. O primeiro especialista indicado para essa investigação é o ortopedista, que poderá realizar a avaliação clínica e, quando necessário, solicitar exames de imagem para esclarecer a causa do sintoma. Havendo suspeita de tumor ósseo, o paciente deve ser encaminhado para um serviço oncológico especializado.

Embora o câncer ósseo represente uma pequena parcela dos tumores pediátricos, reconhecer precocemente os sinais de alerta pode fazer diferença no diagnóstico e no início do tratamento, aumentando as chances de melhores resultados.

 

Instituto de Oncologia de Sorocaba

 

Quase 1 em cada 2 adultos com autismo também tem TDAH ao longo da vida: por que a combinação muda o diagnóstico na fase adulta

Durante muitos anos, autismo e transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) foram estudados como condições separadas.

 

Hoje a ciência mostra que elas coexistem com frequência maior do que se imaginava. A meta-análise mais completa sobre o tema, publicada em 2021 na revista científica Research in Autism Spectrum Disorders, reuniu 63 estudos e encontrou que 22,4% dos adultos com transtorno do espectro autista (TEA) apresentam TDAH ativo, e 44,4% já tiveram TDAH em algum momento da vida. 

A relação também aparece no caminho inverso. Um estudo publicado em 2022 na revista científica European Archives of Psychiatry and Clinical Neuroscience avaliou adultos com diagnóstico de TDAH que nunca haviam recebido diagnóstico clínico de autismo. 

Usando o ADOS-2, um dos instrumentos padrão-ouro para avaliação de autismo, os pesquisadores encontraram que 23,3% desses adultos preencheram critérios para uma classificação diagnóstica de TEA, com maior dificuldade em interação social recíproca. O achado reforça que a investigação deve caminhar nas duas direções: nem todo TDAH que carrega dificuldades sociais é apenas TDAH. 

Essa combinação ganhou um nome popular: AuDHD, junção de "Autism" e "ADHD" em inglês, que alguns têm traduzido informalmente como AuTDAH em português — uma tradução literal, ainda sem uso consolidado no Brasil. É importante esclarecer que esse termo não nasceu em consultórios nem em manuais diagnósticos: ele surgiu dentro da própria comunidade neurodivergente, nas redes sociais, como uma forma de nomear a experiência de viver com as duas condições ao mesmo tempo. 

Não existe "AuDHD" no DSM-5-TR nem na CID-11; a terminologia formal usada pela ciência ainda é "TEA e TDAH comórbidos" ou "coocorrentes". Ainda assim, o termo já apareceu em pelo menos um estudo científico revisado por pares publicado em 2025, sinal de que a expressão popular está, aos poucos, encontrando espaço também na pesquisa. 

Para o neurologista Dr. Matheus Trilico, referência no tratamento de autismo e TDAH em adultos, compreender essa coexistência representa uma das mudanças mais importantes da neurologia comportamental nos últimos anos. Segundo ele, o desafio deixou de ser identificar apenas um transtorno e passou a ser entender como diferentes características interagem no mesmo cérebro. 

"Muitas pessoas passaram décadas acreditando que tinham apenas ansiedade, depressão ou dificuldade de organização. Quando investigamos toda a história de vida, percebemos que, em alguns casos, autismo e TDAH sempre estiveram presentes, mas um acabava mascarando o outro", explica Dr. Matheus. 

Até 2013, os critérios diagnósticos impediam formalmente que a mesma pessoa recebesse os dois diagnósticos. O DSM-IV, manual de referência da psiquiatria na época, proibia diagnosticar TDAH em quem já tinha TEA — e o inverso também não era permitido. Com a publicação do DSM-5, em 2013, essa restrição caiu, permitindo reconhecer oficialmente a coexistência e impulsionando uma onda de pesquisas que mudou a prática clínica em todo o mundo. 

Na vida adulta, o diagnóstico costuma ser mais complexo porque muitos pacientes desenvolveram estratégias de compensação desde a infância. Alguns aprenderam a reproduzir comportamentos sociais esperados, um fenômeno que a literatura descreve como mascaramento ou camuflagem social. Um estudo publicado em 2024 na revista Autism Research comparou essa estratégia entre 105 adultos autistas, 105 adultos com TDAH e um grupo de comparação sem os dois diagnósticos. 

O resultado mostrou que os adultos com TDAH também mascaram mais do que pessoas sem nenhum dos dois diagnósticos, porém em intensidade menor do que os adultos autistas. Curiosamente, o que mais explicou o nível de mascaramento não foi a intensidade dos sintomas de TDAH, e sim a presença de traços autistas, mesmo em quem tinha apenas o diagnóstico de TDAH. Além do mascaramento, muitos organizaram rotinas extremamente rígidas para compensar dificuldades de atenção, e muitos receberam diagnósticos de ansiedade, depressão ou síndrome de burnout antes que o quadro completo fosse reconhecido. 

Segundo Dr. Trilico, uma das características mais curiosas dessa combinação é que o cérebro pode apresentar comportamentos aparentemente contraditórios. Enquanto o autismo costuma favorecer previsibilidade, rotina e organização, o TDAH está associado à impulsividade, à distração e à busca por novidade. 

"É comum ouvir relatos como: preciso de rotina, mas não consigo mantê-la; gosto de organização, mas me perco facilmente; preciso de silêncio, mas ao mesmo tempo procuro estímulos o tempo todo. Essas aparentes contradições podem fazer parte da coexistência entre autismo e TDAH e o custo funcional dessa oscilação constante é real: cansaço, sobrecarga e frustração acumulada", ressalta o neurologista. 

Um estudo publicado em 2022 na revista Autism, com 724 adultos autistas entre 18 e 83 anos, encontrou que quanto mais intensos os sintomas de TDAH relatados, menor a independência nas atividades do dia a dia e menor a qualidade de vida percebida. Além das dificuldades de atenção e interação social, adultos com as duas condições apresentam maior risco de ansiedade, depressão, exaustão emocional, disfunção sensorial e dificuldades nos relacionamentos e no ambiente profissional. Por isso, o diagnóstico correto modifica completamente a estratégia terapêutica. 

De acordo com o neurologista, o tratamento precisa ser individualizado. Dependendo do caso, pode envolver medicação, psicoterapia, psicoeducação, orientação familiar, adaptações na rotina, organização do ambiente de trabalho e estratégias para reduzir a sobrecarga sensorial. 

"O diagnóstico não muda quem a pessoa é. Ele permite compreender uma trajetória inteira e construir estratégias mais eficientes para melhorar a qualidade de vida, tanto da pessoa diagnosticada quanto de quem convive com ela. Nosso objetivo não é rotular pessoas, mas oferecer um cuidado mais preciso e humano", explica Dr. Matheus. 

Se você se identificou com as descrições deste texto, a sensação de viver entre contradições, o histórico de diagnósticos que nunca pareciam explicar tudo, ou décadas tentando entender por que certas estratégias simplesmente não funcionavam para você, vale a pena conversar com um profissional especializado em TEA e TDAH adulto.

Entender como o seu cérebro funciona não é o fim de uma busca, mas o início de um caminho mais claro para viver melhor com ele.

 


Dr. Matheus Luis Castelan Trilico — CRM 35805/PR - RQE 24818 - Médico formado pela Faculdade Estadual de Medicina de Marília (FAMEMA); Neurologista com residência médica pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR); Mestre em Medicina Interna e Ciências da Saúde pelo HC-UFPR; Pós-graduado em Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Mais conteúdos sobre TEA e TDAH em adultos estão disponíveis no portal do especialista:
Mais artigos sobre TEA e TDAH em adultos podem ser vistos no portal do neurologista: https://blog.matheustriliconeurologia.com.br/

 

Alerta no Inverno: Ar seco dispara incidência de alergias oculares e eleva risco de ceratocone

Além dos problemas respiratórios, a baixa umidade da estação afeta diretamente a saúde da visão. Oftalmologista alerta sobre os perigos de coçar os olhos e lista 7 cuidados essenciais para a temporada
 

Com o avanço do inverno, a queda nas temperaturas e a baixa umidade do ar acendem um alerta que vai muito além das tradicionais doenças respiratórias: a saúde ocular também entra em estado de risco. O clima seco, característico desta época do ano, cria o cenário ideal para o aumento expressivo de alergias oculares, um incômodo que, se negligenciado, pode desencadear quadros severos como conjuntivites e até lesões irreversíveis na córnea.

A explicação para esse salto sazonal nos consultórios está na umidade. Em períodos quentes e chuvosos, a poeira e os poluentes grudam nas partículas de água e caem no chão. Já no inverno, o ar seco faz com que essas micropartículas (como ácaros, poeira e pólen) permaneçam em suspensão por muito mais tempo. Como resultado, elas entram facilmente em contato com as nossas mucosas olhos, nariz e garganta , engatilhando as crises alérgicas.

“Muitas pessoas manifestam alergias oculares e, nesta época do ano, é comum aparecerem os casos de conjuntivites alérgicas”, explica o Dr. Hallim Féres Neto, membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).
 

O perigo silencioso de coçar os olhos

O principal e mais incômodo sintoma da alergia ocular é a coceira. No entanto, o especialista adverte que a busca por um alívio momentâneo pode comprometer seriamente a visão.

“O ato de coçar os olhos pode ser muito prejudicial, levando inclusive a algumas doenças mais graves, como o ceratocone. Além disso, é importante ressaltar que os olhos podem ser portas de entrada para vírus, incluindo o coronavírus. Assim, é fundamental evitar coçar os olhos”, ressalta o Dr. Hallim.

No caso das crianças, a atenção deve ser redobrada. O acompanhamento inicial de irritações pode começar no consultório do pediatra. Porém, caso a criança não responda bem ao tratamento e o quadro evolua para uma conjuntivite alérgica, a avaliação de um oftalmologista torna-se indispensável para investigar e tratar eventuais lesões oculares com a abordagem terapêutica correta.
 

7 dicas práticas para blindar a visão no Inverno 

Para ajudar a população a passar pela temporada de ar seco sem crises e com a saúde ocular em dia, o Dr. Hallim elenca cuidados práticos:

1-Atenção à limpeza da casa: Troque a vassoura e o espanador por um pano úmido e aspirador de pó. Isso evita que a poeira seja levantada e fique suspensa no ambiente.

2-Hidratação é fundamental: Use colírios lubrificantes (lágrimas artificiais) sem conservantes sempre que sentir vontade de coçar os olhos.

3-Alívio térmico: Se não tiver colírios à mão, faça compressas com água fria ou lave o rosto diretamente na pia para aliviar a irritação.

4-Higiene rigorosa: Se precisar levar a mão aos olhos, lave-as muito bem antes. Mãos sujas transportam ainda mais alérgenos para a região, piorando o quadro.

5-Cuidado com a maquiagem: Utilize produtos de boa procedência e mantenha tudo higienizado. Jamais compartilhe itens de uso pessoal, como lápis de olho, rímel e pincéis.

6-Pele limpa sempre: Nunca durma maquiada. Lembre-se de remover todos os resíduos dos olhos antes de deitar.

7-Não subestime os sintomas: Se as medidas preventivas não resolverem, não espere o quadro piorar. Procure imediatamente o seu oftalmologista.
  

Dr. Hallim Feres Neto @drhallim - Oftalmologia Geral. Cirurgia Refrativa. Ceratocone. Catarata. Pterígio. Membro do CBO - Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Membro da ABCCR - Associação Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa. Membro da ISRS - International Society of Refractive Surgery. Membro da AAO - American Academy of Ophthalmology.



Acidentes com motociclistas pressionam o SU

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IA
Em mês marcado pelo Dia Nacional dos Motociclistas, levantamento do Grupo IAG Saúde mostra que esse público responde por 64% das internações por acidentes de trânsito, com custo de tratamento estimado em R$ 890 mi entre 2021 e 2025

 

Neste mês, a data de 27 de julho celebra o Dia Nacional dos Motociclistas, conforme a Lei 15.006/2024. A ocasião tem o propósito de aumentar a conscientização sobre os riscos enfrentados por motociclistas e reduzir o número de acidentes no trânsito. E as estatísticas reforçam essa necessidade. 

Levantamento do Grupo IAG Saúde, com dados do DataSUS e da Plataforma Valor Saúde by DRGBrasil, IA e Planisa, destaca que os motociclistas representam cerca de 30% da frota nacional, mas respondem por 64% de todas as internações por acidente de trânsito e por quase metade das mortes hospitalares. Em dez anos, foram mais de 1,2 milhão hospitalizados no sistema público — dos quais quase 23 mil não sobreviveram. 

No período de 2021 a 2025, o tratamento hospitalar de 72.791 motociclistas custou R$ 890 milhões. 

O perfil dos motociclistas acidentados é mais jovem do que a média geral: 33 anos. São, em grande parte, trabalhadores que dependem da moto como fonte de renda — entregadores, prestadores de serviço e profissionais autônomos. Para esse grupo, um acidente grave não é apenas uma crise de saúde: é também uma ruptura econômica, resultando em semanas ou meses afastados do trabalho, sem renda, em recuperação.

 

Motociclistas x demais vítimas (Plataforma Valor Saúde by DRGBrasil, IA e Planisa, 2021–2025) 

O que foi medido

Total geral

Motociclistas

Fatia dos motociclistas

Pessoas internadas

113.724

72.791

64,0%

Mortes no hospital

2.996

1.284

42,9%

Internações na UTI

16.078

7.854

48,8%

Uso de respirador

15.073

7.931

52,6%

Total de dias internado

807.812

502.975

62,3%

Custo estimado do tratamento

R$ 1,45 bilhão

R$ 890 milhões

61,1%

 Fonte: Plataforma Valor Saúde by DRGBrasil, IA e Planisa. Período 2021–2025. Motociclistas: CID-10 V20–V29

 

Conta dos acidentes de trânsito 

O SUS pagou R$ 1,91 bilhão pelo atendimento de vítimas de acidentes de trânsito, de modo geral, entre 2021 e 2025 (tabela AIH). 

O custo hospitalar real estimado no mesmo período foi R$ 13,7 bilhões. Com o valor, seria possível, por exemplo, comprar mais de 91 mil radares fixos de velocidade e sinalização horizontal em vias em 274 mil km — 3,6 vezes a malha federal. 

O levantamento do Grupo IAG Saúde ressalta que o ponto não é que um investimento em prevenção zeraria a demanda por tratamento, mas que o custo de tratar as vítimas é, de longe, maior do que o custo de investir para que menos pessoas se tornem vítimas — e essa desproporção se repete a cada ano. 

Os dados da pesquisa vêm de duas fontes complementares. O DataSUS registra todas as hospitalizações financiadas pelo SUS: motivo, duração, estado e valor pago. É a base mais abrangente sobre internações no sistema público. Os dados de mortalidade geral no trânsito — incluindo mortes fora do hospital — são registrados em outra base, o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). 

A Plataforma Valor Saúde by DRGBrasil, IA e Planisa acrescenta profundidade clínica ao classificar cada internação por tipo de caso e nível de gravidade, usando a metodologia de Grupos de Diagnósticos Relacionados (DRG) — adotada em sistemas de saúde de vários países. Permite estimar não apenas quantas pessoas foram internadas, mas o que aconteceu com elas e quanto o tratamento efetivamente custou. A base é majoritariamente composta por casos do SUS — 83,8% do total, 86,4% entre motociclistas. 

A consistência entre as duas fontes valida a análise: em ambas, a proporção de mortes entre os internados foi muito similar — 2,3% a 2,6% no total, e 1,7% a 1,8% entre motociclistas.

 

Grupo IAG Saúde

 

Julho Amarelo alerta para prevenção e diagnóstico precoce das hepatites virais

Doenças podem evoluir de forma silenciosa por anos e causar complicações graves, como cirrose e câncer de fígado 



Silenciosas em grande parte dos casos, as hepatites virais acendem um alerta durante o Julho Amarelo, campanha nacional voltada à conscientização sobre prevenção, testagem e tratamento dessas infecções. A mobilização chama atenção para um dos principais desafios relacionados à doença: muitas pessoas convivem com hepatite sem apresentar sintomas e só descobrem o diagnóstico em fases avançadas, quando já há risco de complicações como cirrose, insuficiência hepática ou câncer de fígado.

 

De acordo com o médico infectologista e professor da Universidade Christus, Dr. Luan Victor, a testagem regular é uma das principais estratégias para interromper essa evolução silenciosa. “Um dos maiores desafios das hepatites virais é que a doença pode evoluir sem sintomas. Se a pessoa não faz a testagem, muitas vezes o diagnóstico só vem em um momento avançado, quando já existe alguma complicação, como cirrose ou até câncer hepatocelular”, explica.

 

As hepatites virais são infecções que atingem o fígado e podem ser causadas por diferentes vírus. Entre os sintomas possíveis estão cansaço intenso, febre, náuseas, vômitos, perda de apetite, dor abdominal, urina escura, fezes claras e pele ou olhos amarelados, condição conhecida como icterícia. No entanto, nos casos de hepatite B e C, que podem se tornar crônicos, a ausência de sinais por longos períodos é comum.

 

As formas de transmissão variam conforme o tipo de hepatite. A hepatite A está mais relacionada ao consumo de água e alimentos contaminados, além de condições inadequadas de higiene e saneamento básico. Já as hepatites B e C podem ser transmitidas pelo contato com sangue e outros fluidos corporais, como em relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de seringas, agulhas ou materiais perfurocortantes.

 

Para o infectologista, a prevenção deve ser tratada como prioridade. “As hepatites virais podem ser prevenidas, diagnosticadas cedo por meio de testes rápidos e, em muitos casos, tratadas com excelentes resultados. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores são as chances de evitar complicações graves”, reforça Dr. Luan.

 

A vacinação também ocupa papel central nesse cuidado. Atualmente, há vacinas disponíveis contra as hepatites A e B, consideradas seguras e eficazes, oferecidas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No caso da hepatite C, embora não exista vacina, o tratamento disponível apresenta alta eficácia e pode levar à cura na maioria dos casos. Já a hepatite B não tem cura, mas pode ser controlada com medicação, reduzindo significativamente o risco de evolução para cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado.

 

“O diagnóstico precoce é decisivo porque permite iniciar o tratamento antes que a doença avance. A hepatite C, por exemplo, tem tratamento extremamente eficaz. Já a hepatite B pode ser controlada com o uso regular da medicação, o que diminui muito o risco de complicações”, destaca o professor.

 

A recomendação é que a população busque orientação nas unidades de saúde, mantenha a vacinação em dia e realize a testagem, especialmente pessoas que nunca fizeram o exame ou que estiveram expostas a situações de risco.



Hepatites virais: como identificar e se proteger das doenças silenciosas

Segundo o Ministério da Saúde, entre 2000 e 2024, mais de 800 mil brasileiros foram contaminados

 

A hepatite é uma inflamação do fígado que pode ter diferentes origens, sendo as formas virais as mais frequentes e preocupantes. Entre elas, destacam-se as hepatites A, B, C, D e E, cada uma com modos distintos de transmissão. A hepatite A e a E, por exemplo, estão geralmente ligadas ao consumo de água ou alimentos contaminados. Já as hepatites B, C e D são transmitidas principalmente pelo contato com sangue infectado e por relações sexuais desprotegidas. 

As hepatites B e C exigem atenção redobrada, pois podem evoluir para formas crônicas. Nesses casos, o vírus permanece no organismo por anos, provocando lesões progressivas no fígado. “Quando não tratadas, essas hepatites aumentam significativamente o risco de cirrose e câncer hepático”, alerta o hematologista do Sabin Diagnóstico e Saúde, Felipe Magalhães. 

Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 2000 e 2024 foram confirmados 826.292 casos de hepatites virais no Brasil. Destes, 174.977 (21,2%) foram de hepatite A; 302.351 (36,6%) de hepatite B; 342.328 (41,5%) de hepatite C; 4.722 (0,6%) de hepatite D; e 1.914 (0,1%) de hepatite E. Os números reforçam a necessidade de vigilância e prevenção contínuas.

 

A doença silenciosa 

Um dos maiores desafios no enfrentamento das hepatites é o caráter silencioso da doença. Muitas vezes, o fígado já está sendo lesionado sem que o paciente perceba qualquer alteração. “Mesmo com o fígado comprometido, a pessoa pode se sentir completamente normal. Os sinais só aparecem quando a doença já está em estágio avançado”, explica Magalhães. Por isso, o diagnóstico costuma ocorrer em exames de rotina ou quando os danos já são graves.

O diagnóstico precoce é decisivo. “Faz toda a diferença, porque hoje existem tratamentos muito eficazes, especialmente para a hepatite C, que pode ser curada na grande maioria dos casos”, afirma o hematologista. Essa possibilidade de cura reforça a importância de identificar a doença antes que ela provoque danos irreversíveis.

A detecção é feita principalmente por exames de sangue. Há testes de sorologia, que identificam o contato com o vírus, exames que mostram se a infecção está ativa e análises de biologia molecular capazes de quantificar o vírus no organismo. Além disso, podem ser solicitados exames complementares para avaliar o funcionamento do fígado. “O médico escolhe quais exames são mais indicados de acordo com cada situação”, acrescenta Magalhães.


Prevenção como prioridade 

A prevenção varia conforme o tipo de hepatite, mas algumas medidas são universais e indispensáveis. Manter a vacinação contra as hepatites A e B em dia, consumir água tratada e alimentos bem higienizados, usar preservativo nas relações sexuais e não compartilhar objetos que possam ter contato com sangue são atitudes essenciais. Também é fundamental garantir que procedimentos como tatuagens e piercings sejam realizados em locais que sigam normas rigorosas de higiene. 

Além disso, pessoas que passaram por situações de risco ou pertencem a grupos mais expostos devem realizar testes periodicamente. “Como as hepatites podem não causar sintomas por muitos anos, fazer o diagnóstico precoce é uma das formas mais importantes de proteger a saúde do fígado”, reforça Magalhães.



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