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sexta-feira, 26 de junho de 2026

Caverna no Paraná revela influência da Antártida e do El Niño em chuvas extremas no Sul do Brasil

Os cientistas analisaram estalagmites da Caverna do Malfazido,
no município de Doutor Ulysses, região metropolitana de Curitiba
foto: Julio Cauhy
Pesquisadores analisaram amostras de sedimentos preservados em estalagmites para reconstruir histórico de eventos climáticos na região. Século 20 concentra uma das maiores frequências de eventos extremos dos últimos 7,5 mil anos

 

Uma caverna no interior do Paraná guarda um “arquivo climático” que permitiu a pesquisadores brasileiros reconstruir a história das chuvas extremas na região Sul do Brasil nos últimos 7,5 mil anos. O resultado mostrou que a frequência desses eventos no século 20 figura entre as mais elevadas de toda a série histórica e apontou dois fatores que influenciam esse processo: a variabilidade climática no continente antártico e a ocorrência de El Niño – ambos presentes no cenário atual.

Os cientistas descobriram que períodos de verão com temperaturas mais baixas na Antártida Ocidental tendem a coincidir com mais eventos extremos no Sul do Brasil. A hipótese é que mudanças no gradiente térmico entre altas e médias latitudes (ou seja, entre as regiões polares, que são mais frias, e as zonas temperadas e subtropicais, mais quentes) alterem a circulação atmosférica, favorecendo a formação de frentes frias e o transporte de umidade da Amazônia para a região.

Nos últimos mil anos, também se nota uma relação significativa entre a frequência de chuvas extremas e episódios moderados ou fortes de El Niño – fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal e persistente das águas do oceano Pacífico Equatorial, que altera a circulação dos ventos e a distribuição de calor e umidade em todo o planeta.

Os achados ganham ainda mais relevância neste ano em função da alta probabilidade de ocorrência de um El Niño de intensidade moderada a forte nos próximos meses, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM, ligada à Organização das Nações Unidas). Os impactos serão sentidos no Brasil. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) divulgou nota técnica com alertas para a possível ocorrência de chuvas intensas e desastres hidrogeológicos na região centro-sul do Brasil, enquanto no restante do país a preocupação é com secas.

 

Arquivo natural

Motivados pela necessidade de compreender casos como as enchentes que devastaram mais de 470 municípios no Rio Grande do Sul em maio de 2024 (um ano de El Niño), os cientistas analisaram espeleotemas (estalagmites) da Caverna do Malfazido, localizada no município de Doutor Ulysses (região metropolitana de Curitiba). Desde 2019, eles fazem monitoramento constante das inundações no local.

Durante as cheias na caverna, sedimentos finos são depositados sobre as estalagmites – formações rochosas de origem mineral que crescem a partir do chão – e ficam preservados em camadas microscópicas dentro do carbonato, que continua crescendo no local. Uma das peculiaridades em Malfazido é o rápido crescimento dos espeleotemas, o que contribui para esse tipo de estudo.

As estalagmites foram datadas por meio de métodos isotópicos (que analisam a proporção de certos elementos químicos que funcionam como um “relógio natural” para calcular a idade das amostras), resultando na identificação de 921 dessas camadas de inundação. O método foi validado ao comparar parte delas ao que foi registrado em 2023, quando enchentes atingiram o rio Turvo, onde deságuam as águas da caverna, mostrando correspondência entre os resultados geológicos e os atuais.

Assim, essas camadas funcionaram como uma espécie de “arquivo natural”, permitindo estimar a frequência de eventos extremos ao longo de milênios. Os achados foram publicados em abril na revista Communications Earth & Environment.

“Até agora, todo o nosso conhecimento era limitado a séries instrumentais, que geralmente cobrem os últimos cem anos, no máximo, no Brasil. Havia, por exemplo, alguns registros de sedimentos em lagos, que têm problemas cronológicos, outros utilizando anéis de árvore, que são muito descontínuos. Os espeleotemas podem crescer de maneira contínua e rápida, como no caso da Caverna do Malfazido, produzindo um registro de alta resolução. Ou seja, é possível ter uma frequência interanual ou até anual da ocorrência dos eventos. Com isso, conseguimos produzir o primeiro registro de eventos extremos para um passado remoto”, resumiu à Agência FAPESP o geólogo Julio Cauhy, autor principal do artigo. Ele desenvolveu parte da pesquisa no Instituto Max Planck de Química e na Universidade Johannes Gutenberg Mainz, ambos na Alemanha.

Quando começou os estudos, há mais de sete anos, Cauhy cursava mestrado na Universidade de São Paulo (USP). Contou com a colaboração dos professores do Instituto de Geociências (IGc-USP) Nicolás Strikis e Francisco William da Cruz Júnior, que foi pesquisador responsável pelo Projeto Temático “Pire: Pesquisa e educação sobre o clima nas Américas usando exemplos de anéis de árvores e espeleotemas”, financiado pela FAPESP.

A sequência de barragens de calcário no interior da caverna  é conhecida
por “represas de travertinos”
foto: Julio Cauhy

 Da “lama” para a história

A pesquisa só foi possível porque a caverna apresenta condições particulares. Caracterizada por um conduto (uma espécie de “cano”) principal alimentado por um rio subterrâneo que forma um cânion, Malfazido é dividida em duas galerias: superior e inferior.

A primeira consiste em uma passagem estreita com zonas de inundação definidas e numerosas estalagmites em forma de vela. A segunda tem uma sequência de grandes barragens de calcita que interrompem o fluxo e criam um sistema de “sifões”, aprisionando água e sedimentos durante inundações. Esse represamento natural em ambas as galerias é crucial para a deposição de sedimentos finos sobre os espeleotemas durante períodos prolongados de cheia.

A inundação começa na parte mais profunda da caverna e vai gradualmente em direção à entrada, enchendo sucessivamente uma sequência de barragens de calcário conhecida por “represas de travertinos”.

Na Caverna do Malfazido, esse tipo de formação, que pode atingir até dois metros de altura, transforma o conduto em uma sequência de tanques naturais. Eles se enchem de água e lama durante os eventos de inundação. Dependendo do volume de chuvas, a água chega à entrada da caverna. Nesse ponto, muitas estalagmites encontram-se submersas, com uma fina camada de lama sobre seu topo que registra o evento de inundação.

“Isso a torna ideal. Andamos por centenas de cavernas pelo Brasil e nunca tínhamos visto um conduto com essa configuração, que permite uma abordagem única. Não é o tipo de coisa que se consegue fazer todos os dias. O trabalho do Julio [Cauhy] virou uma referência”, diz Strikis.


Aumento da frequência

Os pesquisadores detectaram que entre 3 mil e 2 mil anos atrás houve um período com poucas chuvas extremas. Por outro lado, a maior frequência de eventos extremos foi observada no período entre 7,5 mil e 4 mil anos atrás e durante o último milênio, sobretudo no século 20.

“Esse trabalho coloca os eventos extremos em perspectiva histórica. A partir do momento em que começamos a observar que estão ficando mais recorrentes e considerando o aumento da temperatura da atmosfera, podemos gerar um cenário mais claro”, completa Strikis.

Nesse sentido, o estudo sugere que o aquecimento global provocado pelas atividades humanas pode estar contribuindo para a intensificação recente desses eventos. Por isso, enfatiza a necessidade de estratégias de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, especialmente para comunidades e regiões mais expostas e vulneráveis.

O artigo A Holocene history of extreme rainfall events in Southern Brazil pode ser lido em nature.com/articles/s43247-026-03506-y.

  

Luciana Constantino

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/caverna-no-parana-revela-influencia-da-antartida-e-do-el-nino-em-chuvas-extremas-no-sul-do-brasil/58497



Transferências internacionais entraram no centro da estratégia comercial

O comércio exterior brasileiro está mudando de forma silenciosa. Durante muito tempo, eficiência significava discutir porto, frete, armazenagem, desembaraço e prazo de entrega. Tudo isso continua relevante. Mas já não explica sozinho a competitividade de uma operação internacional.

Em um ambiente comercial mais dinâmico, o fluxo financeiro passou a influenciar diretamente a capacidade de uma empresa de fechar negócios e preservar prioridade junto ao fornecedor. O ponto não é fazer o dinheiro correr mais rápido que a carga. A carga seguirá o seu tempo físico. O que mudou foi a velocidade da decisão comercial.

Hoje, em muitas relações internacionais, especialmente com fornecedores asiáticos, quem consegue transmitir capacidade de pagamento com rapidez, previsibilidade e menor atrito, tende a ganhar prioridade. Se o comprador demora para organizar o pagamento, esclarecer a operação ou concluir a execução financeira, o fornecedor pode simplesmente atender antes quem executa primeiro.

É nesse momento que a transferência internacional deixa de ser apenas uma etapa operacional e passa a ocupar posição estratégica. Quando o fluxo financeiro introduz hesitação, retrabalho ou incerteza, a perda não é apenas administrativa. Ela aparece em condição comercial pior, menor previsibilidade e, em alguns casos, perda efetiva de prioridade na operação.

Esse tema ganha ainda mais peso porque o restante do comércio exterior já começou a acelerar. A digitalização documental, o uso de inteligência artificial e a evolução do Portal Único com a DUIMP apontam para fluxos menos manuais, menos sequenciais e mais coordenados. O vetor é claro: reduzir atrito e encurtar a distância entre decisão e execução.

Nesse contexto, o financeiro não pode continuar funcionando como uma instância que reabre incerteza no momento em que a operação já deveria estar resolvida. Ele precisa operar como infraestrutura de execução. Isso exige rigor regulatório, leitura documental consistente e capacidade de liquidação compatível com a dinâmica atual do comércio internacional.

Durante anos, a competitividade no comércio exterior foi pensada sobretudo a partir da infraestrutura física e da burocracia estatal. Esse debate continua importante. Mas uma nova variável ganhou peso estratégico: a qualidade da execução financeira. Em mercados mais dinâmicos, pagar com previsibilidade e sem atrito passou a influenciar a própria capacidade de negociar bem.

No comércio internacional contemporâneo, transferência internacional eficiente já não é detalhe de backoffice. É parte da estratégia comercial.




René Abe - CEO Brasil da Tensec, fintech global de serviços financeiros cross-border


Juros altos e endividamento impactam cadeia produtiva do calçado

A reunião do Grupo de Inteligência de Mercado da Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), realizada na manhã do dia 25 de junho, apontou algumas projeções para a cadeia produtiva do calçado no curto prazo. Conduzida pelo doutor em Economia e consultor setorial Marcos Lélis, o encontro aconteceu no formato on-line. 

Na primeira parte da exposição, o economista destacou a desvalorização da moeda brasileira sobre o dólar nos últimos dias, quando voltou a ultrapassar a barreira dos R$ 5. “A moeda deve ficar estabilizada nesse patamar, visto que não existe perspectiva de baixa nos juros dos Estados Unidos em função de uma inflação acumulada que já chega próxima de 5% - a meta do FED é de 2%”, explicou, ressaltando que a alta nos preços nos Estados Unidos têm influência direta das commodities. Atualmente, os juros de longo prazo no país estão em 4,47%. “Antes da pandemia, esse índice chegou a ser de 1,5%”, disse. 

Com o cenário internacional instável, Lélis ressaltou que o PIB mundial deve crescer 3,1% neste ano e 3,2% em 2027, muito abaixo da média dos anos 2000, quando chegou a crescer mais de 4%. Para o Brasil, a expectativa é de um incremento ainda menor, de 1,9% em 2026 e de 2% em 2027.


“Indústria sofre”

Apesar do crescimento modesto da economia brasileira (de 1,31% no acumulado até abril), segundo o economista, a indústria tem sofrido nos primeiros meses de 2026. “A economia brasileira tem um crescimento puxado pelos setores de serviços e tecnologia da informação. Cerca de 70% dos setores econômicos estão em queda”, pontou.

No comparativo entre os desempenhos da Indústria de Transformação e a Indústria Calçadista, o especialista destacou uma discrepância. No acumulado de 2026, até abril, a primeira cresceu 0,3%, enquanto a segunda caiu 6,4%, sempre no comparativo com o mesmo período do ano passado. Conforme Lélis, a discrepância se dá por dois motivos principais: o crescimento da indústria de automóveis, que puxou o índice de crescimento para cima na Indústria da Transformação, e o endividamento crescente das famílias brasileiras, que tem impacto na queda do consumo de bens duráveis de menor monta, caso dos calçados. Conforme pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 81,6%dos brasileiros dizem ter uma percepção de endividamento, um recorde histórico. Já o comprometimento da renda chegou a 29,26% em março. “E não existe uma perspectiva de melhora, já que não existe sinalização para a queda da taxa de juros no Brasil”, projetou.


3 setores do turismo podem ajudar a combater as mudanças climáticas

Eventos extremos, calor e elevação do nível do mar ameaçam setor, mas existem caminhos para mitigar os problemas 

 

O setor de turismo já sente os efeitos da mudança climática e as perspectivas são preocupantes. Eventos climáticos extremos que antes ocorriam uma vez a cada 50 anos hoje acontecem quase cinco vezes mais e o calor elevado já compromete destinos inteiros. 

Cidades turísticas da Espanha enfrentam verões em que andar nas ruas se torna quase insuportável, e ondas de calor na Europa têm afugentado viajantes de regiões historicamente procuradas. O nível do mar deve subir até 1,5 metro até 2100, ameaçando destinos costeiros em todo o mundo — de Cancún ao Rio de Janeiro. 

No Brasil, entre 25% e 48% das praias arenosas podem desaparecer nesse período, colocando em risco não apenas paisagens, mas economias inteiras, segundo projeções publicadas na Nature Climate Change. 

O PIB brasileiro pode ter redução de até 20% até 2050 em função das mudanças climáticas, com a perda de até 3,4 milhões de empregos. Só no Nordeste, o turismo emprega mais de 569 mil trabalhadores formais, e os estados do Ceará e Piauí estão entre os mais vulneráveis.

Mas existem medidas concretas que podem ser adotadas para mudar esse cenário. Os segmentos de transporte, hospedagem e gastronomia têm em mãos ferramentas reais de transformação e já existem experiências ao redor do mundo que mostram que é possível fazer turismo com muito menos impacto. 

"A boa vontade individual de turistas e empresas já não é suficiente para salvar os destinos. Precisamos de uma transição regulada", disse Fernanda Westin, gerente do Centro Brasil no Clima (CBC), durante o III Encontro Internacional de Turismo da UFRN.

 

Transporte inteligente 

No transporte, existe a possibilidade de fazer uma transição tecnológica que reduz emissões sem abrir mão da mobilidade. Vale lembrar que as viagens internacionais respondem por 60% de toda a pegada de carbono do turista, sendo 40% proveniente apenas da aviação. 

Entre as iniciativas está o uso de combustíveis verdes, os SAFs. Segundo os dados apresentados por Fernanda, porta-voz do CBC, eles geram até 80% menos emissões aéreas ao aproveitar óleos e resíduos agrícolas reciclados. 

Outro caminho é o 'slow travel', que propõe substituir pontes aéreas curtas por ferrovias e trens elétricos de alta velocidade. Esta mudança já avança em países europeus e começa a entrar no debate brasileiro. Nos destinos, frotas de veículos elétricos para aluguel completam essa transição de forma prática.

 

Hospedagem mais sustentável 

O setor de hospedagem também pode liderar a mudança com edificações regenerativas que consomem menos e geram sua própria energia. A arquitetura bioclimática, que aproveita ventilação natural e sombreamento estratégico, reduz em até 60% o uso de ar-condicionado, de acordo com a gerente do CBC. 

"Sensores de presença evitam desperdício em ambientes vazios, e a adoção de energia 100% fotovoltaica ou eólica já é tecnicamente e economicamente viável para grande parte do setor hoteleiro brasileiro", afirma Fernanda.

 

Gastronomia regenerativa 

Na gastronomia, o modelo regenerativo une sustentabilidade e valorização do território. Parcerias com agricultores locais e o uso de ingredientes sazonais encurtam a cadeia produtiva, reduzem emissões logísticas e fortalecem economias regionais. 

O combate ativo ao desperdício inclui a revisão de modelos como grandes buffets e a compostagem integral de resíduos orgânicos para reuso em hortas fecham o ciclo de forma inteligente. Uma pesquisa do Ministério do Turismo revelou que 27% dos brasileiros já desistiram de alguma viagem por causa das mudanças climáticas — sinal de que o comportamento do consumidor também já está mudando. 

A especialista destaca que o Plano Clima, lançado em 2026 pelo governo brasileiro, é um passo nessa direção: pela primeira vez, o Brasil conta com diretrizes específicas para o turismo organizadas por bioma, com integração de políticas e metas concretas para o setor. As soluções existem. O que o turismo precisa agora é de decisão e de escala. 

 

Nota: Os dados citados pela especialista têm base em pesquisas de instituições como Nature Climate Change, IATA, European Environment Agency e UNWTO. Documentação completa disponível mediante solicitação.


Sanidade Animal – Campanha de vacinação contra Brucelose no primeiro semestre acaba na próxima terça-feira, 30 de junho

 

A Defesa Agropecuária, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) informa que a Campanha de vacinação contra a Brucelose no primeiro semestre acaba na próxima terça, dia 30 de junho. A campanha subsequente referente ao segundo semestre de 2026 tem início na quarta-feira, dia 1º de julho com prazo para imunização das bezerras bovinas e bubalinas de três a oito meses de idade até 31 de dezembro. 

Por se tratar de uma vacina viva, passível de infecção para quem a manipula, a vacinação deve ser feita por um médico-veterinário cadastrado que, além de garantir a correta aplicação do imunizante, fornece o atestado de vacinação ao produtor. 

A relação dos médicos-veterinários cadastrados na Defesa Agropecuária para realizar a vacinação em diversos municípios do Estado de São Paulo está disponível em Link. 

A declaração de vacinação deve ser feita pelo médico-veterinário responsável pela imunização, que, ao cadastrar o atestado de vacinação no sistema informatizado de gestão de defesa animal e vegetal (GEDAVE) em um prazo máximo de quatro dias a contar da data da vacinação e dentro do período correspondente à campanha, validará a imunização dos animais. 

A exceção acontecerá quando houver casos de divergências entre o número de animais vacinados e o saldo do rebanho declarado pelo produtor no sistema GEDAVE. 

Em caso de incongruências, o médico-veterinário e o produtor serão notificados das pendências por meio de mensagem eletrônica, enviada ao e-mail cadastrado junto ao GEDAVE. Neste caso, o proprietário deverá regularizar a pendência para a efetivação da declaração.  

O modelo alternativo de identificação - o primeiro do país aprovado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) - de vacinação contra a Brucelose trata-se de uma alternativa não obrigatória à marcação a fogo que além do bem-estar animal, estimula a produtividade e a qualidade do manejo, além de aumentar a segurança do produtor e do veterinário responsável pela aplicação do imunizante. 

É estabelecido o botton amarelo para a identificação dos animais vacinados com a vacina B19 e o botton azul passa a identificar as fêmeas vacinadas com a vacina RB 51. Anteriormente, a identificação era feita com marcação à fogo indicando o algarismo do ano corrente ou a marca em “V”, a depender da vacina utilizada. 

Para o caso de perda, dano ou qualquer alteração que prejudique a identificação, deverá ser solicitada nova aplicação que deverá ser feita ao médico-veterinário responsável pela aplicação ou ainda, para a Defesa Agropecuária. 

Havendo a impossibilidade da aquisição do botton, o animal deverá ser identificado conforme as normativas vigentes do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT). 

A Defesa Agropecuária informa ainda que o uso do botton só é válido dentro do Estado de São Paulo, não sendo permitido o trânsito de animais identificados de forma alternativa para demais estados da federação.

 

Felipe Nunes


Terremoto na Venezuela: como evitar catástrofes naturais em um mundo cada vez mais imprevisível?


Dois terremotos de magnitude 7,5 e 7,2, respectivamente, foram registrados na Venezuela na noite desta última quarta-feira (24), deixando, até o momento, mais de 160 mortos e cerca de mil feridos. O primeiro deles foi o maior sentido na história do país, em mais de um século, deixando toda a região em estado de emergência e movimento equipes de resgate em busca de sobreviventes.

Tremores em larga escala que nem esses, enchentes históricas, secas prolongadas, ondas de calor recordes e incêndios florestais têm se tornado cada vez mais frequentes, e transformado eventos antes considerados excepcionais em uma realidade recorrente – expondo a vulnerabilidade de cidades, empresas e populações inteiras diante de fenômenos naturais cada vez mais intensos. Embora não seja possível controlar o meio ambiente, existem decisões que governos, empresas e a sociedade como um todo podem tomar para minimizar os efeitos desses eventos, além de aumentar a capacidade de adaptação da sociedade, mesmo diante de um mundo cada vez mais imprevisível. 

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) confirmou que os últimos 11 anos (2015–2025) foram os mais quentes já registrados, demonstrando que não se trata de eventos isolados, mas de uma tendência contínua de aquecimento global. Somente no primeiro semestre de 2025, de acordo com outro levantamento da Munich Re, os desastres naturais geraram US$ 131 bilhões em prejuízos globais, valor muito acima da média histórica. 

Se os números deixam claro que o problema está se agravando, a solução, por outro lado, está longe de ser simples. Reduzir a frequência e a intensidade dessas catástrofes naturais exigiria uma mudança coordenada de comportamento em escala global, envolvendo governos, empresas e a população no geral - através de ações como acelerar a transição para fontes de energia renováveis, rever modelos de produção e consumo, e criar incentivos econômicos que favoreçam práticas mais sustentáveis.  

Na teoria, o caminho parece evidente. Na prática, porém, ele esbarra em interesses econômicos e disputas geopolíticas. A própria China ilustra essa complexidade: por mais que o país já tenha reconhecido a importância da agenda climática como algo extremamente estratégico para o futuro, ainda depende, fortemente, de combustíveis fósseis para sustentar seu crescimento econômico e garantir segurança energética durante a transição. Ou seja, mesmo quando existe consciência sobre o problema, a velocidade da mudança é limitada por desafios econômicos e estruturais que não podem ser ignorados. 

Por parte das empresas, adotar e seguir metodologias de gestão que auxiliem na otimização de riscos e estabelecimento de medidas preventivas baseadas em dados é uma das medidas mais importantes de ser seguida nesse sentido. Normas como a ISO 14001, por exemplo, de Sistema de Gestão Ambiental (SGA), ajudam as organizações a identificarem, monitorarem e reduzirem os impactos que suas operações causam ao meio ambiente, criando processos mais sustentáveis e alinhados às exigências de um cenário cada vez mais complexo, além de predizer possíveis cenários de catástrofes que possam impactar seus processos. 

Mais do que uma questão de conformidade ou reputação, trata-se de compreender como as atividades do negócio afetam o ecossistema e quais riscos ambientais podem surgir a partir dessas interações. Com isso, conseguem antecipar ameaças, desenvolver planos de contingência e tomar decisões mais assertivas que contribuam para um modelo de desenvolvimento mais resiliente e sustentável. 

Ter um planejamento urbano mais adequado a esses eventuais desastres também precisa entrar na agenda da sociedade mundial, uma vez que, hoje, muitas grandes cidades estão extremamente vulneráveis a eventos climáticos que já se tornaram recorrentes. São Paulo é um exemplo disso: bastam algumas horas de chuva mais intensa para que ocorram quedas de árvores, interrupções no fornecimento de energia, congestionamentos generalizados e alagamentos em diferentes regiões. 

Em muitos casos, os problemas não decorrem apenas da força da natureza, mas da falta de manutenção preventiva e da ausência de investimentos consistentes em infraestrutura resiliente. Nesse contexto, sistemas de monitoramento climático e alertas antecipados também desempenham um papel fundamental, pois permitem identificar riscos com antecedência, orientar a população e reduzir perdas humanas e materiais. Embora não impeçam a ocorrência dos fenômenos, essas ferramentas ajudam a transformar desastres potenciais em situações mais controláveis e menos devastadoras. 

Por fim, a educação também precisa fazer parte dessa discussão, pois uma sociedade preparada responde melhor aos momentos de crise. Considerando que o acesso à informação ainda seja desigual ao redor do mundo, é fundamental investir em programas de conscientização, campanhas educativas, treinamentos e simulações que ensinem como agir diante de enchentes, deslizamentos, ondas de calor, incêndios e outros eventos extremos desde cedo. 

Países que convivem com terremotos há décadas, como exemplo, incentivam que as crianças aprendam nas escolas protocolos de segurança e participem, regularmente, de exercícios de evacuação e resposta a emergências - o que resulta em uma população mais preparada, capaz de reagir com maior rapidez, reduzir riscos e colaborar de forma mais eficiente nesses cenários.  

Não existe uma solução única para evitar catástrofes naturais, tampouco a expectativa realista de eliminar completamente seus riscos. O que existe é a oportunidade — e a responsabilidade — de reduzir seus impactos por meio de decisões mais conscientes e planejadas. Isso passa pelo compromisso das empresas com práticas sustentáveis e gestão de riscos, por investimentos em infraestrutura e planejamento urbano, e pela formação de uma população mais preparada para enfrentar situações de emergência.  

  

Alexandre Pierro - doutorando em energia e mestre em gestão e engenharia da inovação, engenheiro mecânico, bacharel em física e especialista de gestão da PALAS, consultoria pioneira na implementação da ISO de inovação na América Latina.


Julho abre calendário oficial do licenciamento: veja como faze

 

Serviço online no portal do Detran-SP é o caminho mais rápido para regularizar o veículo; neste ano, a atualização do documento é instantânea após a quitação dos débitos 

 

O mês de julho abre o calendário oficial do licenciamento de veículos no Estado de São Paulo. O período de licenciamento obrigatório vai até dezembro, com a distribuição de veículos pelo final das placas (confira ao fim do texto). O valor é de R$ 174,08.

 

A forma mais rápida de licenciar é pelo portal do Detran-SP, em que o serviço pode ser concluído em poucos minutos. Pelo site, também é possível verificar débitos, pagar multas pendentes - inclusive via Pix - e regularizar o licenciamento de anos anteriores, se necessário. Para concluir o processo, é preciso quitar eventuais multas de trânsito e o IPVA, informar o número do Renavam e pagar a taxa de R$174,08.

 

Após o pagamento, o documento digital do veículo (CRLV-e) pode ser baixado ou impresso em papel comum pelo portal do Detran-SP, do Poupatempo ou da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), além dos aplicativos Detran-SP e Poupatempo Digital. O documento pode ser salvo no celular ou mantido impresso. Neste ano, a atualização do documento é instantânea.

 

Também é possível pagar em bancos conveniados, por internet banking, aplicativo ou caixa eletrônico. Caso o licenciamento não esteja disponível para pagamento, o proprietário deve verificar a existência de impedimentos, como multas ou débitos pendentes, ou bloqueios administrativos ou judiciais. 

 

Calendário de Licenciamento - SP 2026


Finais 1 e 2: até 31 de julho

Finais 3 e 4: até 31 de agosto

Finais 5 e 6: até 30 de setembro

Finais 7 e 8: até 31 de outubro

Final 9: até 30 de novembro 

Final 0: até 31 de dezembro 


quinta-feira, 25 de junho de 2026

Casos de câncer de rim podem crescer quase 80% no Brasil até 2050

Obesidade, hipertensão arterial, tabagismo e sedentarismo estão
entre os principais fatores associados ao desenvolvimento do câncer de rim
 
 
Magnific
Campanha Junho Verde alerta para fatores de risco associados à doença, que costuma evoluir de forma silenciosa e tem relação com obesidade, hipertensão, sedentarismo e tabagismo

 

O Brasil deve registrar um aumento expressivo nos casos de câncer de rim nas próximas décadas. Segundo estimativas da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), a incidência da doença pode crescer cerca de 79% até 2050 no país. O dado reforça a importância da conscientização sobre a doença, tema da campanha Junho Verde, dedicada à prevenção e ao diagnóstico precoce dos tumores renais. 

Embora esteja entre as dez neoplasias mais frequentes no mundo, o câncer de rim costuma evoluir de forma silenciosa e apresentar poucos sintomas em suas fases iniciais. “Em muitos casos, o diagnóstico ocorre durante exames realizados por outros motivos. Quando surgem, os sinais podem incluir sangue na urina, fadiga, perda de peso sem causa aparente e dor persistente na região lombar”, explica o oncologista Carlos Fruet. 

Diferentemente de outros tipos de câncer, não existe um programa de rastreamento populacional específico para o de rim. “A identificação dos fatores de risco e o acompanhamento médico são fundamentais, especialmente entre pessoas com maior predisposição para a doença”, comenta o médico. 

Obesidade, hipertensão arterial, tabagismo e sedentarismo estão entre os principais fatores associados ao desenvolvimento da neoplasia de rim. A incidência também é mais comum após os 50 anos e apresenta maior ocorrência entre os homens. 

“Quando identificado precocemente, a chance de cura é alta. Em muitos casos, a cirurgia é suficiente para a remoção do tumor, preservando parcial ou totalmente a função renal. Já nos quadros mais avançados, podem ser indicadas terapias complementares, como imunoterapia, terapias-alvo e outras abordagens definidas de acordo com as características da doença”, reforça Carlos Fruet.


Lipedema: por que a alimentação anti-inflamatória é considerada uma das principais estratégias de tratamento

  Especialista explica como a combinação entre mudanças no estilo de vida, prática regular de exercícios e uso de fitoterápicos pode ajudar a reduzir sintomas e melhorar a qualidade de vida das pacientes.



Muito além da estética, o lipedema é uma doença crônica que provoca o acúmulo anormal de gordura, principalmente nas pernas e braços, causando dor, sensibilidade, inchaço e impacto significativo na qualidade de vida. Estima-se que a condição afete cerca de 12% das mulheres brasileiras, segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV). Embora ainda não exista cura, especialistas apontam que a adoção de hábitos anti-inflamatórios pode ser uma das principais aliadas no controle dos sintomas.

A alimentação ocupa papel central nesse processo. Segundo a nutricionista funcional Ana Paula Matos, o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, açúcares refinados e gorduras inflamatórias tende a agravar o quadro, enquanto uma dieta rica em vegetais, frutas, proteínas de qualidade, gorduras boas e alimentos naturais contribui para reduzir a inflamação sistêmica e melhorar a resposta do organismo.

"O lipedema não é apenas um acúmulo de gordura. Existe um processo inflamatório importante por trás da doença, e por isso a alimentação precisa ser vista como parte do tratamento. Quando reduzimos estímulos inflamatórios e oferecemos os nutrientes adequados, muitas pacientes relatam melhora na dor, no inchaço e na disposição", explica.

Além das mudanças alimentares, a especialista destaca que o manejo da condição deve ser multidisciplinar. A prática regular de atividade física, especialmente exercícios de fortalecimento muscular e baixo impacto, associada ao acompanhamento nutricional e médico, potencializa os resultados e ajuda na manutenção da saúde vascular e linfática.

Outro recurso que vem ganhando espaço é o uso de fitoterápicos, sempre sob orientação profissional. Compostos naturais com ação antioxidante e anti-inflamatória podem complementar o tratamento ao favorecer a circulação, reduzir o estresse oxidativo e auxiliar no controle da inflamação crônica. "Os fitoterápicos não substituem uma alimentação equilibrada, mas podem ser importantes aliados quando utilizados de forma individualizada e baseada nas necessidades de cada paciente", ressalta Ana Paula.

Para a nutricionista, o maior desafio ainda é o diagnóstico tardio e a desinformação sobre a doença. Muitas mulheres convivem por anos com dores e inchaços acreditando que o problema está relacionado apenas ao excesso de peso ou à retenção de líquidos. "Quando a paciente entende que o lipedema exige uma abordagem específica, ela passa a enxergar a alimentação e o estilo de vida como ferramentas de tratamento e não apenas como estratégias para emagrecer", afirma.

Mais do que buscar resultados na balança, o objetivo é controlar a inflamação, reduzir sintomas e devolver qualidade de vida. "Cada pequena mudança na rotina tem impacto no longo prazo. Alimentação adequada, exercícios e acompanhamento profissional formam uma combinação capaz de transformar a relação dessas mulheres com o próprio corpo e com a doença", conclui.




Fonte: Ana Paula Matos – Nutricionista Funcional.
Instagram: @anapaulamattosnutri


Nova droga aprovada pela Anvisa controla fogachos e outros sintomas associados à menopausa

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Ainda sem data de lançamento no mercado, o medicamento fezoniletanto apresentou resultados satisfatórios em estudos clínicos realizados com mais de 3 mil mulheres 

 

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou uma nova medicação não hormonal para controlar ondas de calor e suores noturnos, sintomas associados à menopausa que afetam cerca de 80% das mulheres entre 40 e 65 anos. Segundo o mastologista João Bosco Ramos Borges, coordenador do Departamento de Ginecologia Endócrina da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), o medicamento é uma alternativa para quem não pode se beneficiar ou não responde efetivamente ao tratamento de reposição hormonal. Apesar do aval da Anvisa, ainda não há definição de preço nem data oficial de lançamento da nova droga no mercado brasileiro.

O medicamento fezoniletanto, que chega ao mercado com o nome de Veoza, foi desenvolvido pelo laboratório Astellas Farma. A nova droga atua no sistema nervoso, limitando manifestações vasomotoras, como fogachos, em mulheres que estão na transição para a menopausa e mesmo na pós-menopausa. No Brasil, mais de um terço delas apresenta ocorrências de moderadas a intensas, justamente o alvo do novo tratamento.

Os principais incômodos do climatério, associados à paralisação na produção de hormônios femininos pelos ovários, são ondas de calor, suores frios, alterações de humor e também do sono. O declínio hormonal, como explica João Bosco Ramos Borges, tem repercussão nos circuitos cerebrais que regulam a temperatura corporal, gerando os chamados sintomas vasomotores.

As ondas de calor e/ou suores noturnos associados à menopausa têm duração mediana de 7,4 anos. Em algumas mulheres podem persistir por uma década ou mais, comprometendo atividades diárias, qualidade do sono e de vida.

De acordo com o mastologista da SBM, a aprovação da Anvisa considerou três estudos clínicos sobre o fezoniletanto que envolveram mais de 3 mil participantes. Os resultados apontam que em doses diárias de 45 mg, a medicação reduziu significativamente a frequência das ondas de calor e/ou suores noturnos.

A dosagem ministrada em 4 semanas levou à redução de 55% da frequência dos sintomas vasomotores. Em 12 semanas, o estudo revelou resultados ainda melhores: 64%. Como evidência, considerou-se que o medicamento diminuiu a intensidade média dos sintomas vasomotores para níveis leves a moderados.

Como benefícios adicionais, observados na quarta e na décima segunda semanas, mulheres que fizeram uso da nova droga apresentaram melhora na qualidade do sono, diminuição no comprometimento das atividades diárias e do trabalho e ganhos em qualidade de vida.

“O fezoniletanto desponta como alternativa para mulheres que não podem fazer reposição hormonal, devido a contraindicações como câncer de mama, infarto e histórico de trombose, e mesmo a pacientes que não obtiveram sucesso com terapia de hormônios”, conclui João Bosco Ramos Borges.


Efeito do esgotamento: os sinais de que o seu cansaço diário precisa de investigação médica e não apenas de descanso

A fadiga crônica pode estar ligada a disfunções hormonais e deficiências nutricionais; especialistas apontam os exames e protocolos para recuperar a energia de forma segura.

 

Sentir-se exausto ao fim de uma semana intensa é perfeitamente normal, mas quando nem uma noite inteira de sono ou um fim de semana de folga conseguem devolver a disposição, o corpo está tentando avisar alguma coisa. O cansaço extremo deixou de ser apenas aquele reflexo de uma rotina corrida e virou uma queixa constante nos consultórios. Para se ter uma ideia da gravidade, uma pesquisa da Associação Internacional de Gestão de Estresse (ISMA-BR) mostra que o Brasil é o segundo país com os maiores níveis de estresse do mundo, com cerca de 72% da população ativa sofrendo com alguma sequela desse esgotamento. O grande perigo é que a linha entre o cansaço comum e a fadiga crônica é muito tênue, e costuma esconder desequilíbrios metabólicos silenciosos.

Na Clínica Baronesa, o atendimento a quem relata essa falta de vitalidade persistente mostra que a raiz do problema vai muito além do travesseiro. Lucas Almeida, gestor e sócio do Grupo Baronesa, conta que as pessoas costumam empurrar o mal-estar com a barriga por muito tempo antes de procurar ajuda. "Muitos chegam até nós achando que só precisam de uma semana de férias, quando, na verdade, o organismo está operando no limite por causa de falhas na absorção de nutrientes essenciais ou descompassos hormonais severos", explica o executivo.

Essa fadiga que não passa costuma estar diretamente ligada a disfunções na tireoide, oscilações no cortisol, que é o hormônio do estresse e quedas acentuadas de vitaminas fundamentais, como a D e as do complexo B. Se esses elementos estão desregulados, a produção de energia das células simplesmente falha, trazendo junto a falta de foco, a irritabilidade e aquela fraqueza muscular chata. É por isso que os médicos batem na tecla de que o diagnóstico exige uma investigação de perto, que começa com exames de sangue bem específicos e uma conversa detalhada sobre o estilo de vida de cada um.

Para virar esse jogo de forma segura, a medicina hoje aposta em protocolos personalizados que vão muito além da velha receita de dormir oito horas por noite. O foco do tratamento na instituição é mapear as carências exatas de cada organismo para devolver o equilíbrio ao corpo por meio de reposições certeiras, ajustes na alimentação e estratégias para lidar com a rotina. O sócio do grupo reforça que o sucesso desse acompanhamento depende de olhar para a pessoa de maneira global. "Nosso papel é decifrar o que o corpo está tentando dizer e desenhar um caminho de reabilitação que devolva a autonomia e o bem-estar real a esse paciente", pontua.

Se você percebeu que o seu esgotamento diário passou dos limites saudáveis, o melhor caminho é não adiar a consulta médica e passar longe da automedicação, que só serve para mascarar problemas sérios. Buscar o acompanhamento certo não é apenas para voltar a ter pique no dia a dia, mas funciona como uma verdadeira barreira contra doenças mais graves no futuro. Afinal de contas, ter energia e mente clara não deveria ser um luxo esporádico, mas sim o estado normal da nossa saúde.

 


Clínica Baronesa
https://clinicabaronesa.com.br/


Fonte: Lucas Almeida — Gestor. Sócio do Grupo Baronesa


Cerca de 40% dos idosos acima de 80 anos sofrem quedas anualmente, segundo o Ministério da Saúde

Freepik 
Especialista aponta sinais de alerta e destaca ações de prevenção fundamentais para a segurança dos idosos

 

 No Brasil, um em cada quatro idosos sofre quedas anualmente, de acordo com o Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil). Entre aqueles com mais de 80 anos, essa prevalência sobe para 40%, segundo o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO). Em asilos e casas de repouso, o índice pode chegar a 50%.1 As quedas em idosos são um problema grave, com consequências que podem impactar profundamente sua qualidade de vida e até aumentar a mortalidade. “A fratura de fêmur, por exemplo, é uma das mais sérias. Estudos mostram que 30% dos idosos que sofrem esse tipo de fratura podem morrer em até um ano", afirma a geriatra Dra. Kelem de Negreiros Cabral, do Hospital Sírio-Libanês. 

As causas das quedas entre idosos são diversas e vão desde fatores clínicos, como hipotensão ortostática – que consiste na queda súbita na pressão arterial quando o indivíduo se levanta ao estar sentado ou deitado - e problemas de memória, até questões ambientais, como tapetes soltos e iluminação inadequada. “Os idosos acumulam fatores de risco, como baixa vitamina D, calçados inadequados, uso de medicamentos e condições emocionais, como depressão e medo de cair, que aumentam a probabilidade de acidentes", explica a especialista. 

Alguns indicadores podem sinalizar a necessidade de uma avaliação mais detalhada:

  • Quedas ou quase quedas nos últimos 12 meses;
  • Sensação de desequilíbrio ao andar;
  • Preocupação constante com a possibilidade de cair.

Ao notar esses sinais, é importante buscar ajuda profissional. “Compreender e agir sobre os fatores de risco pode salvar vidas e melhorar significativamente a qualidade de vida dos idosos”, conclui Dra. Kelem. De acordo com ela, a prevenção de quedas é um esforço coletivo que exige atenção, educação e mudanças, mas que pode garantir mais segurança e autonomia na terceira idade.

 

Como prevenir as quedas 

A prevenção de quedas em idosos exige uma abordagem abrangente que combine ajustes no ambiente doméstico e cuidados clínicos. Medidas simples, como instalação de corrimãos, luzes noturnas e a eliminação de tapetes soltos, podem minimizar riscos, mas, segundo a geriatra Dra. Kelem Cabral, é fundamental ir além. “Avaliar a marcha, o equilíbrio e as condições clínicas do idoso permite identificar fatores de risco específicos”, destaca. Relatar episódios de quase quedas ou quedas leves ao médico também é crucial para ajustes no plano de cuidados, reforçando o papel dos familiares e cuidadores nesse processo. 

A tecnologia é uma aliada poderosa na segurança dos idosos. Dispositivos como colares e relógios inteligentes, que detectam quedas e enviam alertas automáticos, e sensores de movimento que iluminam o ambiente durante a noite, oferecem suporte prático e imediato. Além disso, barras de apoio ergonômicas adaptáveis contribuem para um ambiente mais seguro. "Esses recursos reduzem o risco de quedas e promovem tranquilidade tanto para os idosos quanto para seus cuidadores", conclui a especialista.

 

Reabilitação e desafios 

Quando uma queda ocorre, o processo de reabilitação pode ser complexo. "Tudo depende da gravidade da lesão, mas é necessário envolver o idoso, familiares e cuidadores em um plano integrado, que inclua fisioterapia e adaptações no ambiente", diz Dra. Kelem. “No Hospital Sírio-Libanês, por exemplo, pacientes que procuram o pronto-socorro após quedas recebem uma avaliação direcionada e saem com orientações específicas para prevenir novos acidentes”, completa. 

A prática de exercícios como Pilates e Tai Chi Chuan, além de fisioterapia focada em força e equilíbrio, também é recomendada. "Essas atividades ajudam a melhorar a marcha e reduzem a probabilidade de quedas futuras", afirma a especialista.

 

Hospital Sírio-Libanês
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A testosterona virou moda. E isso é preocupante


A testosterona nunca esteve tão em evidência. Impulsionada pelas redes sociais e pela busca por resultados rápidos na academia, ela passou a ser vista por muitos homens como um atalho para ganhar músculos, melhorar a aparência e aumentar a disposição. O problema é que testosterona não é suplemento. É hormônio. E hormônio interfere em praticamente todo o organismo.

Nos últimos anos, temos assistido a uma banalização preocupante do seu uso. A ideia de que existe uma solução simples para cansaço, perda de libido ou insatisfação com o próprio corpo tem levado homens jovens e adultos a recorrerem à testosterona sem necessidade clínica e sem acompanhamento médico adequado.

Isso é especialmente grave porque o uso indiscriminado dessas substâncias está longe de ser inofensivo. Os riscos incluem trombose, alterações do colesterol, hipertensão, problemas hepáticos, arritmias, insuficiência cardíaca e até morte súbita. Estudos citados pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia mostram que usuários de anabolizantes apresentam uma taxa de mortalidade até três vezes maior que a da população geral.

Outro aspecto que costuma surpreender os pacientes é o impacto na fertilidade. Ao receber testosterona de forma externa, o organismo reduz ou interrompe sua produção natural. Os testículos diminuem a atividade, a produção de espermatozoides cai e a infertilidade pode surgir. Não são raros os casos de homens jovens com alterações importantes no espermograma justamente após o uso prolongado dessas substâncias.

Existe ainda um paradoxo curioso: medicamentos utilizados na tentativa de melhorar o desempenho físico e sexual podem, com o tempo, provocar queda da libido e até disfunção erétil.

É importante deixar claro que a reposição hormonal possui indicações médicas bem estabelecidas. A Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino, por exemplo, afeta parte dos homens acima dos 50 anos e pode causar redução do desejo sexual, perda de massa muscular e fadiga. Mas o diagnóstico exige sintomas compatíveis e confirmação laboratorial. Reposição hormonal é um ato médico, não uma tendência de estilo de vida.

Nem todo homem cansado ou com diminuição da libido está com testosterona baixa. Sono inadequado, sedentarismo, obesidade, estresse e ansiedade podem explicar muitos desses sintomas. Tratar tudo com hormônio é simplificar excessivamente uma questão complexa.

Vivemos uma época em que a pressão estética também alcançou os homens. O chamado "shape perfeito" passou a ser associado a sucesso, saúde e felicidade. Mas saúde não se constrói com atalhos.

Alimentação equilibrada, atividade física regular, sono adequado, controle do peso e acompanhamento médico continuam sendo as formas mais seguras e eficazes de preservar a saúde hormonal ao longo da vida.

A testosterona tem um papel fundamental no organismo masculino. Justamente por isso, merece ser tratada com responsabilidade e não como mais um produto da moda.

 


Luís César Zaccaro - Urologista, uro-oncologista e cirurgião robótico. Delegado da Sociedade Brasileira de Urologia – Seccional São Paulo, diretor do GEURP – Grupo de Estudos em Uro-Oncologia de Ribeirão Preto e palestrante em congressos no Brasil e no exterior.
@dr.luiszaccaro

Ligado na telinha: o que sua visão diz enquanto você torce pela Seleção?

Imagem gerada por IA 
 
Gemini
Enxergar imagens borradas, ter dificuldade para ler o placar ou necessidade de apertar os olhos para focar a imagens, são sinais de que algo está errado e é preciso consultar um oftalmologista  


Neste Mundial, a torcida brasileira está atenta a cada lance rumo ao hexa! São momentos de foco intenso na tela, muita vibração e emoção a cada nova jogada do Brasil! A disputa envolve 48 seleções e apenas uma delas vai levantar a taça em 19 de julho. Mas mais do que coração, a atenção dos brasileiros precisa se voltar para os olhos, que passam por um verdadeiro teste de esforço para acompanhar cada movimento do evento esportivo. É importante o torcedor ficar atento ao notar visão borrada, dificuldade de foco ou cansaço visual. Ao perceber qualquer impedimento para acompanhar a bola em tempo real, é importante investigar a causa. 

A Dra. Adriana Gomes, oftalmologista do H.Olhos, referência em oftalmologia na capital e ABC paulista, explica que “a luminosidade emitida pela tela da TV, especialmente durante o uso prolongado, contribui para a Síndrome do Olho Seco”. De acordo com a médica, “manter o foco nos lances da partida exige esforço visual contínuo, o que faz com que a frequência de piscadas caia e acelera a evaporação de lágrimas, agravando o ressecamento ocular. Os principais sintomas são ardência, vermelhidão e sensação de areia”. 

Passar longos períodos em frente às telas também pode evidenciar problemas de visão preexistentes que, muitas vezes, passam despercebidos no dia a dia. “É bastante comum a pessoa perceber que possui um erro refrativo, como miopia, hipermetropia ou astigmatismo, enquanto assiste TV. Alguns sinais de alerta são se aproximar demais da tela para conseguir enxergar direito, ter dificuldade para ler o placar, visão embaçada, necessidade de apertar os olhos para conseguir focar a imagem, cansaço visual, lacrimejamento ou dor de cabeça”, alerta a médica. 

A recomendação da Dra. Adriana Gomes, é aproveitar o intervalo do jogo para descansar os olhos. “Por cerca de 20 segundos, olhe para um ponto distante, como a janela, para relaxar a musculatura ocular. Outro cuidado é lembrar de piscar enquanto acompanha a partida, para que a lágrima seja distribuída e os olhos fiquem hidratados. Além disso, o ideal é manter uma distância confortável da TV, de pelo menos o dobro do tamanho da tela, e adotar uma iluminação suave no ambiente, para reduzir o brilho emitido pelo aparelho”, orienta. 

Aproveite as partidas da Seleção para avaliar sua saúde visual e, a qualquer sinal de desconforto, marque imediatamente uma consulta com um oftalmologista para identificar a causa e iniciar o tratamento. Poder enxergar todos os detalhes dos lances, com nitidez e cores vibrantes, vai tornar a experiência do Mundial muito mais emocionante e vibrante!


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