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segunda-feira, 4 de maio de 2026

Mais da metade dos adolescentes usam IA na educação


A discussão sobre a Inteligência Artificial na educação tem se intensificado ao longo dos anos e uma das preocupações mais recorrentes, é se ferramentas inteligentes irão substituir métodos tradicionais de aprendizado. Com as evidências educacionais e cognitivas disponíveis, a resposta é que não deveriam e provavelmente não irão. 

De acordo com o relatório do Pew Research Center, 54% dos adolescentes norte-americanos utilizam chatbots como apoio nas tarefas escolares.

Na Finlândia, a introdução de recursos digitais ocorreu sem a eliminação das práticas tradicionais de alfabetização e escrita manual. No Japão, a prática da caligrafia continua sendo valorizada nas escolas como instrumento de desenvolvimento cognitivo, disciplina e atenção. 

Nos Estados Unidos, mesmo em universidades altamente digitalizadas, professores recomendam anotações manuais por estarem associadas a melhor retenção e compreensão do conteúdo, estudantes que escrevem à mão tendem a processar melhor a informação do que aqueles que apenas digitam. 

Escrever à mão, ativa áreas do cérebro associadas à memória, à linguagem e ao processamento conceitual de forma mais intensa do que a simples digitação. Em termos de computação, a escrita manual funciona como um verdadeiro “commit para o cérebro”: momento em que a informação passa a integrar a memória de longo prazo. 

"Os sistemas inteligentes permitem personalização com o acesso instantâneo a conteúdos complexos, simulações avançadas, visualizações interativas e suporte contínuo ao estudante. O ponto é o risco da substituição do esforço pelo consumo passivo de respostas prontas. Para isso, sistemas educacionais considerados avançados têm adotado estratégias de integração entre métodos tradicionais e recursos digitais. " Diz Giovanni La Porta, especialista em IA e CEO da vortice.ai. 

A premissa por trás de iniciativas tecnológicas voltadas à educação é que a tecnologia deve abrir caminhos e aumentar possibilidades, e os métodos tradicionais devem fortalecer a estrutura do aprendizado. Formar indivíduos capazes de pensar de forma independente exige capacidade de análise, abstração, síntese e criação habilidades que dependem de processos cognitivos profundos. Se o esforço mental ativo for substituído integralmente por respostas automatizadas, corre o risco de formar uma geração com pouca profundidade de intelecto. 

"O futuro da educação não será definido pela escolha entre o papel ou tela, o modelo ideal do momento é aquele que utiliza a escrita manual para consolidar conhecimento e a Inteligência Artificial para auxiliar. Sistemas inteligentes podem nos ajudar a pensar melhor, desde que continuemos exercitando o pensamento". Completa Giovanni.



vortice.ai
Para mais informações sobre a vortice.ai, clique aqui.




Real perde valor e custo de vida dispara: o que explica a diferença entre morar no Brasil, EUA e Canadá

 Estudo compara câmbio, salários e despesas ao longo de 15 anos e revela deterioração do poder de compra no Brasil frente a economias desenvolvidas 

 

O real perdeu força frente ao dólar nas últimas décadas e ampliou a diferença de custo de vida e poder de compra entre o Brasil e países como Estados Unidos e Canadá. Um levantamento comparativo dos últimos 15 anos mostra que a moeda brasileira saiu de cerca de R$ 1,67 por dólar em 2011 para patamares acima de R$5,50 em 2026, evidenciando uma desvalorização acumulada expressiva e com impacto direto na renda da classe média.

A análise considera a evolução cambial, o salário mínimo em dólar e os custos médios de vida em grandes cidades. O resultado indica que, embora o custo absoluto em países desenvolvidos seja mais alto, o poder de compra e a estabilidade econômica garantem maior equilíbrio financeiro no longo prazo.

Segundo Daniel Toledo, advogado especializado em Direito Internacional e consultor de negócios internacionais, a perda de valor da moeda brasileira é um dos principais fatores por trás dessa distorção. “Quando você olha para o câmbio ao longo do tempo, percebe que o brasileiro perdeu capacidade de consumo global. Isso impacta desde viagens até o acesso a bens e investimentos internacionais”, afirma.


Salários e poder de compra

Nos Estados Unidos, o salário mínimo mensal saiu de cerca de US$ 1.160 em 2011 para aproximadamente US$ 2.050 em 2026. No Canadá, passou de US$1.550 para US$2.150 no mesmo período. Já no Brasil, houve perda relevante quando convertido em dólar, de US$320 em 2011 para cerca de US$285 em 2026.

A Argentina apresenta um cenário ainda mais crítico, com queda de aproximadamente US$ 550 para US$240 no salário mínimo no mesmo intervalo, o que evidencia uma deterioração mais acentuada do poder de compra.

Essa diferença se reflete no consumo. Um trabalhador no Canadá precisa de cerca de 65 horas para comprar um smartphone de US$900. Nos Estados Unidos, são cerca de 110 horas. No Brasil, esse número chega a aproximadamente 380 horas, enquanto na Argentina ultrapassa 600 horas.

“O dado mais relevante não é o salário nominal, mas o quanto ele compra. E nesse ponto, países com moeda forte e menor volatilidade econômica levam vantagem clara”, diz Toledo.


Custo de vida nas grandes cidades

A comparação entre cidades de médio e grande porte mostra que o custo de vida no exterior é mais elevado em termos absolutos, mas proporcionalmente mais equilibrado com a renda local.

Em São Paulo, uma família de classe média gasta entre R$15,5 mil e R$24,5 mil por mês. Já em cidades como Houston, nos Estados Unidos, o custo mensal varia entre US$4.500 e US$ 7.500. Em Toronto, no Canadá, os gastos ficam entre US$5.100 e US$7.800.

As despesas incluem moradia, alimentação, transporte, saúde e educação. No Brasil, itens como alimentação, energia e aluguel têm pressionado o orçamento das famílias, reduzindo os ganhos reais mesmo em períodos de aumento nominal de salário.

Para manter um padrão de vida de classe média com alguma reserva financeira, a renda familiar necessária gira em torno de R$250 mil por ano no Brasil. Nos Estados Unidos, custa cerca de US$90 mil. No Canadá, entre US$100 mil e US$150 mil anuais.


Estabilidade econômica pesa na conta

Além dos números, fatores estruturais ajudam a explicar a diferença de qualidade de vida. Países como Estados Unidos e Canadá apresentam maior estabilidade econômica, previsibilidade regulatória e segurança jurídica, o que favorece o planejamento financeiro de longo prazo.

Esse cenário tem impulsionado o interesse de brasileiros em buscar oportunidades no exterior, seja por trabalho, estudo ou investimento. Programas de imigração voltados a investidores, como o visto EB-5, permitem acesso à residência permanente mediante aplicação de capital e geração de empregos.

Para Toledo, a decisão de mudar de país deve considerar mais do que o custo imediato. “O que pesa no longo prazo é a capacidade de crescimento, segurança e previsibilidade. Em ambientes mais estáveis, o dinheiro trabalha melhor e a qualidade de vida tende a ser mais sustentável”, afirma.

O levantamento mostra que, apesar do custo mais alto em dólar, economias desenvolvidas oferecem melhores condições para preservação de renda e construção de patrimônio, enquanto o Brasil enfrenta desafios estruturais que continuam limitando o avanço do poder de compra da população.

 


Daniel Toledo - advogado da Toledo e Advogados Associados especializado em Direito Internacional, consultor de negócios internacionais, palestrante e sócio da LeeToledo PLLC. Toledo também possui um canal no YouTube com mais de 1 milhão de seguidores com dicas para quem deseja morar, trabalhar ou empreender internacionalmente. Ele também é membro efetivo da Comissão de Relações Internacionais da OAB Santos, professor honorário da Universidade Oxford - Reino Unido, consultor em protocolos diplomáticos do Instituto Americano de Diplomacia e Direitos Humanos USIDHR.
Para mais informações, acesse o site.


Toledo e Advogados Associados
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Consultoria gratuita ajuda contribuintes a evitar erros no Imposto de Renda em Santos

Liderada por estudantes com supervisão docente, iniciativa alia orientação fiscal à formação prática e arrecada alimentos 

 

Com a chegada do período de entrega da declaração do Imposto de Renda, dúvidas recorrentes sobre preenchimento, deduções e prazos voltam a preocupar os contribuintes. Em Santos, uma ação já tradicional busca reduzir esse cenário ao oferecer atendimento gratuito à população, com orientação individualizada para evitar inconsistências que podem resultar em multas ou retenção na malha fina.

A consultoria será realizada nos dias 9, 16 e 23 de maio, sempre das 9h às 12h, no laboratório 05 do Centro Universitário ESAMC Santos. Para participar, é necessário agendar previamente por telefone e contribuir com a doação de 1 quilo de alimento não perecível, que será destinado a ações sociais.

A proposta segue um modelo que tem se repetido em anos anteriores, aproximando o ambiente acadêmico da comunidade ao transformar o conhecimento técnico em serviço acessível. O atendimento é feito por estudantes, sob supervisão de professores, o que garante respaldo técnico e, ao mesmo tempo, cria um espaço de aprendizagem prática.

Segundo o professor de Finanças Sérgio Cruz, iniciativas desse tipo têm impacto direto na vida da população, especialmente entre aqueles que não têm acesso facilitado a orientação profissional. “O imposto de renda ainda é um tema complexo para muitas pessoas. Ao oferecer esse suporte gratuitamente, a ação ajuda a evitar erros, multas e até problemas legais, além de promover educação financeira”, afirma.

Ele destaca ainda que a atividade também contribui para a redução de desigualdades, ao ampliar o acesso a um serviço que, em condições normais, seria pago. “É uma forma de levar informação qualificada a quem muitas vezes não teria esse suporte, fortalecendo o exercício da cidadania”, completa.

Do ponto de vista educacional, a experiência também é considerada estratégica. Participar de atendimentos reais permite que os alunos apliquem, na prática, conteúdos como legislação tributária e contabilidade, além de desenvolver habilidades comportamentais essenciais. “Eles aprendem a lidar com situações concretas, aprimoram a comunicação e assumem responsabilidades, o que faz diferença na formação profissional”, explica Cruz.

A iniciativa reforça uma dinâmica em que ensino e serviço caminham juntos. Para os estudantes, representa uma oportunidade de vivência prática; para a comunidade, um suporte qualificado em um momento decisivo do calendário fiscal.

 

Serviço 

Consultoria gratuita de Imposto de Renda
Datas: 09, 16 e 23 de maio
Horário: das 9h às 12h
Local: Laboratório 05 da ESAMC Santos (Rua Dr. Egydio Martins, 181 - Ponta da Praia - Santos/SP)
Agendamento: (13) 3269-5757
Contribuição: 1 kg de alimento não perecível


ESAMC Santos
Rua Dr. Egydio Martins, 181 – Ponta da Praia

 

A IA que pensa, o líder que decide

 

A Inteligência Artificial deixou de ser promessa. Ela já está aqui, redesenhando o presente nos negócios, na educação, na medicina, no transporte, em tantas áreas; e também na forma como tomamos decisões.

 

Mas o que separa quem vai se beneficiar dessa transformação de quem vai ficar para trás não é conhecimento técnico. É a mentalidade. Esse é o ponto central que desenvolvo no livro “O Mindset da IA: ela pensa, você decide”. Não é a tecnologia que determina o futuro, é a forma como escolhemos usá-la.

 

A IA não tem intenção. Não tem propósito. Não tem responsabilidade.

 

Ela amplia o que já existe. Se as decisões forem boas, ela potencializa resultados. Se forem ruins, ela escala erros.

 

Por isso, mais importante do que aprender a usar IA é aprender a pensar com ela. Estamos diante de uma mudança que exige menos respostas prontas e mais perguntas melhores. Quem lidera nesse novo contexto não é quem domina ferramentas, mas quem questiona, interpreta e decide com consciência.

 

E isso nos leva a um ponto desconfortável: o medo da IA fala mais sobre nós do que sobre a tecnologia. O que nos inquieta não é a máquina em si, mas o fato de que ela nos obriga a rever hábitos, abandonar certezas e sair da zona de conforto. A IA não ameaça apenas empregos, ela desafia modelos mentais.

 

Dentro das empresas, isso fica ainda mais evidente. A tecnologia, por si só, não transforma nada. Cultura transforma. Ambientes que incentivam aprendizado, experimentação e responsabilidade compartilhada avançam mais rápido. Já organizações que não toleram falhas acabam travando o próprio potencial da IA.

 

Outro ponto crítico são os vieses. Ou confiamos demais nos algoritmos ou desconfiamos completamente deles. E nenhum dos dois caminhos funciona.

 

Usar IA com inteligência exige equilíbrio, questionar resultados, entender limites e, principalmente, assumir que a decisão final continua sendo humana.

 

Também é importante entender que essa transformação nem sempre é visível. Muitas vezes, ela acontece de forma silenciosa, até o momento em que se torna inevitável. E quando isso acontece, já não há mais tempo para acelerar a curva de aprendizagem.

 

A boa notícia é que, quando bem utilizada, a IA não diminui o humano, ao contrário, ela amplia nossa capacidade de criar, de analisar, de decidir melhor.

 

Mas isso só acontece quando usamos a tecnologia como extensão do pensamento, e não como substituto dele. No fim, a discussão sobre IA não é tecnológica. É humana. É sobre responsabilidade, ética e, principalmente, sobre escolhas.

 

A tecnologia pode pensar, mas continua sendo o ser humano que decide, e é exatamente por isso que a pergunta mais importante deste momento não é “o que a IA é capaz de fazer?”, mas “que tipo de decisão nós estamos preparados para tomar com esse poder nas mãos?”.

 

Porque, no fim, não será a inteligência artificial que definirá o futuro.

 

Seremos nós, com a mentalidade que escolhemos construir.

 

 

Guilherme Horn - head do WhatsApp para Mercados Estratégicos (Brasil, Índia e Indonésia) e autor do livro O mindset da IA – ela pensa, você decide

 

O mar, o comércio e a crise da confiança

 

“Pois quem comanda o mar comanda o comércio; quem comanda o comércio do mundo comanda as riquezas do mundo e, consequentemente, o próprio mundo.”

 

A conhecida frase atribuída a Sir Walter Raleigh, navegador e explorador inglês do século XVI, talvez nunca tenha soado tão atual.

 

As grandes potências da história sempre compreenderam, com maior ou menor clareza, que o domínio do mar significava muito mais do que supremacia militar. Significava influência, riqueza, segurança e projeção de poder. Dos fenícios ao Império Britânico, passando por gregos, portugueses, espanhóis e franceses, todos perceberam que as rotas marítimas não eram apenas caminhos de circulação de mercadorias. Eram, em verdade, as veias por onde corria a própria vitalidade econômica do mundo.

 

Durante séculos, essa lógica se impôs de forma quase incontestável. Quem controlava o mar controlava o comércio. E quem controlava o comércio controlava o poder.

 

No pós-Segunda Guerra Mundial, contudo, o mundo passou a acreditar que essa realidade havia sido, ao menos em parte, superada. 

 

A reconstrução da ordem internacional veio acompanhada da consolidação de instituições multilaterais, da expansão das regras do comércio internacional e da difusão de um ideal de mercado livre cada vez mais integrado. 

 

A criação de organismos internacionais e a crescente sofisticação das cadeias globais de suprimento alimentaram a percepção de que o comércio internacional deixaria de ser refém direto da vontade política isolada dos Estados.

 

Vendeu-se, assim, ao mundo, a promessa de um mercado livre quase utópico.

 

Nesse novo arranjo, os mares deixaram de ser vistos apenas como espaços submetidos à força soberana das nações e passaram a ser percebidos, em grande medida, como o ambiente natural de atuação das grandes companhias de navegação. 

 

Eram elas que transportavam a riqueza global. Eram elas que mantinham o fluxo das cadeias produtivas. Eram elas que, silenciosamente, sustentavam a engrenagem do comércio internacional.

 

Com a simplicidade de um clique, de um contrato digital e de um e-mail, o comércio global passou a se estruturar sobre uma premissa central: a confiança de que, dali em diante, o mercado não mais seria travado ou interrompido pela vontade unilateral de um Estado.

 

Mas essa lógica sofreu um duro abalo em 2020.

 

A pandemia expôs, com brutal clareza, a fragilidade das certezas que haviam sido construídas no período pós-guerra. Portos foram fechados. Cadeias de suprimento foram interrompidas. Restrições nacionais reapareceram com força. O comércio exterior, desde então, jamais voltou a ser exatamente o mesmo.

 

Talvez um dos legados mais profundos e menos debatidos da COVID tenha sido justamente esse: a ruptura da confiança do mercado.

 

O mercado deixou de acreditar naquele modelo utópico de livre comércio. E é precisamente dessa perda de confiança que fizeram emergir a fragmentação do multilateralismo e o crescimento do regionalismo.

 

Quando a confiança se rompe, cada nação volta-se prioritariamente para si mesma. Procura proteger seus interesses internos. Busca resguardar suas cadeias estratégicas. Tenta assegurar suas rotas de abastecimento. Em momentos de incerteza, o impulso cooperativo perde espaço para a lógica defensiva.

 

É por isso que as palavras de Sir Walter Raleigh parecem, hoje, extraordinariamente contemporâneas.

 

Neste novo capítulo da história, marcado pela fragmentação do multilateralismo, cada vez mais nações buscarão controlar gargalos logísticos e marítimos como o Estreito de Ormuz, o Canal de Suez, o Mar Vermelho e o Canal do Panamá, entre tantos outros.

 

Corredores marítimos voltam a assumir centralidade geopolítica. O Estreito de Ormuz, o Canal de Suez, o Mar Vermelho e o Canal do Panamá são apenas alguns exemplos de chokepoints cujo valor ultrapassa a logística e alcança a própria arquitetura do poder global.

 

O objetivo, no fundo, permanece o mesmo de sempre: preservar poder, assegurar controle e manter influência sobre o comércio internacional.

 

O shipping, por isso mesmo, voltou a ocupar um lugar central. Voltou a ser instrumento de soberania. 

 

Voltou a ser palco de disputas geopolíticas. Voltou, em alguma medida, a revelar que o comércio marítimo jamais esteve completamente dissociado da política de poder.

 

Heródoto ensinava que é preciso olhar para o passado para compreender o presente e imaginar o futuro. Poucas vezes essa advertência pareceu tão pertinente.

 

Para compreender o momento atual, é indispensável revisitar a história. O que vemos hoje não é propriamente uma ruptura absoluta, mas talvez a reemergência, sob novas formas, de uma velha lógica: a de que o comércio internacional depende, em última análise, de estabilidade, previsibilidade e confiança.

 

E talvez o único caminho verdadeiramente promissor adiante seja precisamente o árduo esforço de reconstrução dessa confiança.

 

Os idealistas liberais costumam repetir que o livre comércio reduz conflitos e aproxima nações "Free trade stops Wars". A afirmação conserva sua força teórica. Mas há uma dificuldade incontornável: a confiança, uma vez quebrada, dificilmente retorna sob a mesma forma.

 

E é justamente aí que reside a grande questão do nosso tempo: ainda há caminho de volta para um modelo robusto de multilateralismo e livre comércio, ou já estamos diante de uma página definitivamente virada na história da geopolítica e da ordem global?

 

A resposta, por ora, pertence ao tempo.

 

Mas uma coisa é certa: os mares voltaram a ser, como sempre foram, um dos principais tabuleiros do poder.

 

Ao mercado, resta continuar a ser flexível, dinâmico e criativo. E, se ainda há algo em que se pode depositar confiança, talvez seja justamente nisso: na capacidade do próprio mercado, e particularmente do shipping, de encontrar soluções criativas para navegar os desafios impostos por esta crise do multilateralismo.

  

Larry Carvalho - advogado especialista em logística, direito marítimo e comércio exterior


Temporada de baleias começa cedo no Litoral Norte e já aquece o turismo de inverno


Paulo Stefani
 Sectur Ilhabela


Avistamentos antecipados reforçam o potencial da região como destino de ecoturismo e animam o trade para o período.
 

 

O Litoral Norte de São Paulo abre mais uma temporada de avistamento de baleias e cetáceos com expectativas históricas. Após um 2025 recorde, com mais de 800 registros, os primeiros avistamentos de 2026 foram confirmados ainda em abril, antecipando a movimentação nas cinco cidades que integram o Circuito Litoral Norte: Bertioga, Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião e Ubatuba.

Entre maio e novembro, as águas do litoral paulista se tornam rota de passagem e permanência das baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae), que migram das regiões frias do hemisfério Sul em direção às águas mais quentes do Brasil para reprodução e cuidado dos filhotes. A rica biodiversidade marinha da região, que abriga 4 espécies de baleias, 7 espécies de golfinhos, além de tartarugas, raias-manta e tubarões-baleia, transforma o Litoral Norte em um dos principais destinos de turismo de natureza do país durante o período de baixa temporada.

“O avistamento de cetáceos já está consolidado como um importante produto turístico do Litoral Norte e ganha força a cada temporada. Hoje, essa experiência movimenta toda a cadeia do turismo na baixa temporada, atrai visitantes em busca de contato com a natureza e reforça o posicionamento da nossa região como referência em ecoturismo sustentável. O mais importante é que esse crescimento é realizado com responsabilidade, por meio da qualificação das operadoras, da educação ambiental e da preservação da nossa biodiversidade marinha. Esse é um ativo valioso que gera emprego, renda e desenvolvimento para os municípios, ao mesmo tempo em que promove conscientização e valoriza uma das maiores riquezas que temos, que é o nosso patrimônio natural”, afirma o presidente do consórcio turístico, Toninho Colucci.


Avistamentos em abril: flutuação natural

O primeiro registro de baleias-jubarte em abril, antes do pico da temporada, que historicamente ocorre entre junho e julho, é explicado pelo Instituto Baleia Jubarte como parte do comportamento natural da espécie.

"Já existiu registro de avistamento de baleias-jubarte no mês de abril em anos anteriores, e isso é normal. Há uma flutuação e variação natural na chegada delas. Além disso, as baleias podem passar mais próximas à costa ou mais distantes — quando passam mais distantes, podem não ser vistas. Nossa temporada no Litoral Norte de SP tem uma maior concentração de baleias nos meses de junho e julho", explica a coordenadora do Instituto Baleia Jubarte no Litoral Norte de São Paulo, Rafaela Souza.


Expectativas altas para 2026

A demanda por informações sobre avistamento de cetáceos já cresceu antes mesmo do início oficial da temporada, sinal do amadurecimento desse segmento no Litoral Norte.

"As expectativas estão altas. Muitas pessoas já estão procurando informações sobre o avistamento de baleias. Para nós, a expectativa é sempre de uma temporada de sucesso, com um turismo sendo realizado de maneira responsável. Todos os anos preparamos ações para orientação sobre as regras de avistagem, educação ambiental para a conservação das baleias, golfinhos e ambientes marinhos, e além disso, de ver a economia local crescer e girar nesse período considerado como baixa temporada", destaca Rafaela.

O turismo de avistamento de cetáceos tem papel estratégico para os municípios da região justamente por movimentar a economia durante os meses de menor fluxo turístico, gerando renda para guias, operadores náuticos, pousadas, restaurantes e toda a cadeia do turismo local.


Passeios com empresas credenciadas: segurança para o turista e para os animais

Um dos pontos mais importantes para quem deseja viver a experiência do avistamento de baleias é a escolha de operadoras habilitadas, que seguem as normas legais de conduta e participam de programas de qualificação em conservação ambiental.

"Algumas prefeituras, como Ilhabela e São Sebastião, criaram um selo para incentivar o turismo responsável, com o cadastramento de empresas que cumprem diversos requisitos, dentre eles, participar da oficina de boas práticas que o Projeto Baleia Jubarte realiza, com o apoio das prefeituras. A busca por empresas cadastradas valoriza o turismo seguro, tanto na navegação quanto no avistamento, o que é muito importante para o turista, que procura um passeio que respeite as normas e a natureza", afirma a representante do Instituto Baleia Jubarte.

Além da segurança, a escolha de operadores credenciados conecta o turista diretamente à ciência. "Nós, do Projeto Baleia Jubarte, também realizamos parceria com alguns operadores e saímos embarcados no turismo, realizando palestras pré-embarque e acompanhando a saída com os turistas. Dessa forma, integramos educação ambiental, pesquisa e incentivamos a ciência cidadã", completa.


Regras de avistamento

Para garantir a segurança dos animais e a qualidade da experiência, as embarcações devem seguir normas estabelecidas por legislação federal:

  • Distância mínima de 100 metros de qualquer cetáceo
  • Proibido perseguir ou interromper o curso natural dos animais
  • Motor desengatado ao se aproximar das baleias
  • Proibido mergulhar ou nadar com as espécies

O descumprimento dessas regras está sujeito a penalidades e compromete a continuidade da atividade na região.

  

Sobre o Circuito Litoral Norte

O Consórcio Intermunicipal Turístico Circuito Litoral Norte de São Paulo integra os municípios de Bertioga, Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião e Ubatuba. A entidade atua na gestão integrada e no desenvolvimento sustentável do turismo regional, promovendo as cinco cidades como um destino único, rico em diversidade natural, cultural e gastronômica.

Para contratar passeios com operadoras credenciadas, acesse o guia de fornecedores oficial: circuitolitoralnorte.tur.br/guiageral 

Mais informações sobre experiências na região: circuitolitoralnorte.tur.br 


5 dicas para superar a timidez e ter sucesso no networking em 2026

Mara Leme Martins, PhD e VP BNI Brasil, compartilha ensinamentos para aprimorar suas conexões profissionais em 2026

 

No mundo atual, onde as conexões são fundamentais para o crescimento profissional e pessoal, o networking se destaca como uma habilidade indispensável. Segundo uma pesquisa recente da consultoria CAUSE, em parceria com o Instituto de Pesquisa IDEIA, a palavra que mais representou o Brasil em 2025 foi “incerteza”, escolhida por 24% dos entrevistados, um reflexo do clima de instabilidade e das rápidas transformações sociais e tecnológicas que têm impactado diretamente o bem-estar emocional da população.

 

Diante desse cenário de mudanças constantes e pressões externas, a gestão das emoções torna-se ainda mais importante, especialmente no contexto do networking, no qual interações frequentes exigem presença, clareza e confiança. Construir relações de valor demanda equilíbrio emocional e autenticidade e, para lidar com a ansiedade e a insegurança nas interações profissionais, é essencial adotar práticas que promovam bem-estar e conexão genuína.

 

“No networking, é importante encontrar formas de lidar com o estresse e a ansiedade. Práticas como mindfulness, respiração consciente e pequenas pausas durante os encontros podem ajudar a manter a calma. O networking é sobre estabelecer relações autênticas e genuínas, e estar tranquilo e focado faz toda a diferença nas conexões que você cria”, explica Mara Leme Martins, PhD e VP BNI Brasil - Business Network International, a maior e mais bem-sucedida organização de networking de negócios do mundo.

 

Dicas para um networking eficaz

 

Mara destaca que o verdadeiro sucesso no networking não está apenas em fazer negócios, mas em construir relações duradouras e confiáveis. “No fundo, o networking é sobre se conectar genuinamente com as pessoas, não apenas focar em negócios imediatos. A confiança colaborativa é a base de tudo, é essencial para criar relacionamentos sólidos, tanto no trabalho quanto na vida pessoal”, afirma.

 

Com o objetivo de ajudar a superar os desafios da ansiedade e da sobrecarga emocional nas interações sociais, a especialista compartilha cinco dicas fundamentais para um networking mais eficaz em 2026:

 

1. Procure por grupos de networking


“Participar de grupos de networking, tanto online quanto presenciais, pode ser uma excelente maneira de reduzir a ansiedade, já que esses ambientes são focados no aprendizado e no auxílio mútuo. Esses grupos oferecem um espaço seguro onde você pode melhorar suas habilidades de comunicação e aumentar sua confiança ao interagir com outros profissionais”, orienta.


 

2. Saia da zona de conforto e converse com novas pessoas


“Superar a timidez e a ansiedade social é fundamental para expandir sua rede de contatos. O networking exige que você se conecte com novas pessoas, mas também é importante que você dedique tempo às relações que já tem. Faça a diferença perguntando como as pessoas estão e oferecendo ajuda, isso pode aliviar a ansiedade e criar vínculos reais”, estimula a especialista.

 

3. Nunca é tarde para começar


“A correria do dia a dia muitas vezes nos faz acreditar que não há tempo para fazer networking, mas a verdade é que sempre há espaço para começar, mesmo que aos poucos. É possível construir uma rede de contatos sólida começando de onde você está. O importante é dar o primeiro passo e fazer isso de forma tranquila, sem pressa”, pontua.

 

4. Seja agradável


“A ansiedade pode ser um obstáculo nas interações iniciais, mas ser simpático e aberto ajuda a quebrar o gelo. Desenvolver uma postura acessível e estar disposto a conversar com as pessoas torna o networking mais fluido e menos estressante. Participar de grupos e eventos pode ser uma forma eficaz de treinar esse comportamento”, ensina Mara.

 

5. Ouça o que os outros dizem


“Saber ouvir é uma habilidade essencial para reduzir a ansiedade e fortalecer as relações. Quando você escuta verdadeiramente o outro, o ambiente se torna mais confortável, o que naturalmente diminui a pressão de interagir. A troca genuína de experiências e recursos, de forma colaborativa, ajuda a criar um espaço de confiança e diálogo, tornando o networking mais leve e produtivo”, finaliza.

 

O networking é, sem dúvida, uma das ferramentas mais poderosas para o sucesso. No entanto, para que seja realmente eficaz, as interações precisam ser autênticas e naturais. A pressão para criar novas conexões pode aumentar a ansiedade, mas a chave está em adotar uma abordagem mais tranquila, centrada no relacionamento humano e na construção de confiança ao longo do tempo.

 

“A filosofia do ‘Givers Gain’ - a ideia de que, ao ajudar genuinamente o outro, você cria um ambiente propício à colaboração e à reciprocidade - é uma excelente forma de aplicar esse princípio nas relações profissionais. Esse ciclo de apoio mútuo não apenas fortalece os laços, como também contribui para reduzir as tensões emocionais que muitas vezes surgem nas interações”, conclui Mara.



O currículo ainda respira, mas quem contrata está olhando para o LinkedIn

Em um mercado de tecnologia em que 60% das empresas usam a plataforma como principal fonte para encontrar candidatos, desaparecer digitalmente pode custar a próxima oportunidade. 

 

Houve um tempo, não tão distante assim, em que o currículo era quase um passaporte. Uma folha bem diagramada, duas páginas no máximo, fonte comportada, experiências organizadas em ordem cronológica e um objetivo profissional escrito com aquela neutralidade de quem tentava parecer preparado para qualquer coisa.

Era o documento que atravessava a ponte entre o candidato e o recrutador. O sujeito imprimia, anexava, enviava por e-mail, entregava em mãos, salvava em PDF e torcia. Torcia para que alguém abrisse o arquivo. Torcia para que alguém lesse. Torcia para que alguma palavra-chave brilhasse no meio daquele amontoado de cargos, datas, empresas e cursos.

Mas o tempo passou. E o currículo, embora ainda importante, deixou de ser o grande protagonista da história.

No mercado atual, especialmente no setor de tecnologia, a vitrine mudou de lugar. Ela está aberta, acesa, indexada, compartilhável e, muitas vezes, sendo observada antes mesmo que o profissional saiba que está sendo considerado para uma vaga. Essa vitrine se chama LinkedIn.

E aqui vale uma provocação: talvez o problema de muita gente não seja falta de talento, nem falta de experiência, nem falta de currículo. Talvez seja invisibilidade.

A pesquisa “Mercado de Trabalho Tech: Raio-X e Tendências”, desenvolvida pela Ford em parceria com o Datafolha, ajuda a escancarar essa mudança. Segundo o levantamento, 60% das empresas apontam o LinkedIn como a principal fonte para encontrar candidatos. Ou seja, enquanto alguns profissionais ainda esperam que o currículo seja descoberto em uma caixa de entrada lotada, boa parte das empresas já está buscando pessoas em outro lugar.


O jogo virou. E nem todo mundo percebeu.

O LinkedIn deixou de ser apenas aquele espaço para atualizar cargo novo, aceitar convite de conexão e publicar frases motivacionais na segunda-feira. Ele se tornou uma arena profissional. Um território de reputação. Um mecanismo de busca de talentos. Um palco onde recrutadores, líderes, empresas e especialistas observam não apenas onde você trabalhou, mas como você pensa, como se posiciona, o que aprende, o que compartilha e que tipo de contribuição é capaz de oferecer ao mercado.


E é exatamente aí que mora o incômodo.

Porque currículo conta o que você foi. O LinkedIn pode mostrar quem você está se tornando.

O currículo informa que você trabalhou em determinada empresa por cinco anos. O LinkedIn pode mostrar o que você aprendeu nesses cinco anos. O currículo diz que você liderou projetos. O LinkedIn pode revelar como você enxerga liderança, tecnologia, inovação, carreira e solução de problemas. O currículo lista competências. O LinkedIn testa, todos os dias, sua capacidade de traduzir essas competências em presença, repertório e autoridade.

Não se trata de abandonar o currículo. Ele continua sendo necessário, principalmente em processos seletivos formais. Mas acreditar que ele, sozinho, ainda carrega toda a força de uma candidatura é um erro estratégico. Em um mercado digital, seletivo e dinâmico, o profissional que só aparece quando procura emprego começa a disputar espaço em desvantagem.


É preciso estar presente antes da urgência.

Essa talvez seja a parte mais difícil de aceitar. Muita gente só lembra do LinkedIn quando perde o emprego, quando quer mudar de área ou quando percebe que o mercado ficou mais competitivo. Entra na plataforma, atualiza meia dúzia de informações, troca a foto, escreve “em busca de recolocação” e espera que o algoritmo faça algum tipo de milagre profissional.


Mas o LinkedIn não é santo. É construção.

Não adianta querer resultado da noite para o dia, nem esperar que uma publicação isolada resolva anos de silêncio digital. A presença profissional exige frequência, clareza e consistência. Exige atualizar o perfil, sim. Mas exige, sobretudo, participar da conversa.

Escrever sobre experiências vividas dentro e fora do ambiente corporativo. Compartilhar aprendizados. Comentar tendências. Analisar mudanças do setor. Mostrar como sua trajetória conversa com os desafios atuais das empresas. Explicar, com humildade e firmeza, que tipo de problema você sabe resolver.

Isso não significa virar influenciador. Significa deixar rastros de competência.

 



Francisco Carlos

Mundo RH

Fonte: https://pt.linkedin.com/comm/pulse/o-curr%C3%ADculo-ainda-respira-mas-quem-contrata-est%C3%A1-olhando-carlos-ew6vf?lipi=urn%3Ali%3Apage%3Aemail_email_series_follow_newsletter_01%3BXhYnaLjXTz6%2BXobuh9VMuw%3D%3D&midToken=AQGpRXhZ6azGcg&midSig=1pUAYWUF0K-cc1&trk=eml-email_series_follow_newsletter_01-newsletter_content_preview-0-read_more_banner_cta_&trkEmail=eml-email_series_follow_newsletter_01-newsletter_content_preview-0-read_more_banner_cta_-null-1a1yhc~mofwnb2a~ur-null-null&eid=1a1yhc-mofwnb2a-ur&otpToken=MTUwMjFkZTUxMTI4YzFjNGJlMmYwMmVkNDExY2U2YjI4ZGNmZDY0MTliYWM4NTY5NzJjNzA4Njk0ZjU5NWFmOTgyYjJiZmU0NzBkNGM3ZDI4ODE3M2U1YmMwNzJlYzAxYTZlNTU1Mzc2Yzc5MTVhMSwxLDE



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