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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Fora do circuito tradicional nos feriados, Corumbau reúne praias intocadas e tranquilidade

divulgação
 Destino no sul da Bahia combina natureza preservada, baixa movimentação e estrutura de hospedagem integrada ao ambiente local


Como alternativa aos roteiros de viagem mais populares nos feriados, destinos menos movimentados ganham espaço. É o caso de Corumbau, distrito de Prado (BA), que se destaca no cenário nacional ao reunir praias preservadas, mar de águas claras e mornas e um perfil de vilarejo cercado por falésias e coqueiros, no litoral da Costa das Baleias.

Esse movimento também acompanha o desempenho do turismo na Bahia. Em 2025, o setor no estado cresceu 6,6% na comparação com o ano anterior, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS/IBGE), em dados divulgados pelo Governo da Bahia. O resultado colocou o estado na sexta posição nacional e marcou o terceiro avanço consecutivo acima da média do país, de 4,6%.


Ritmo desacelerado no litoral baiano

Corumbau mantém um perfil mais reservado. A cerca de 12 quilômetros de Caraíva, pela faixa de areia, o distrito tem acesso mais restrito e baixa movimentação, o que contribui para um ambiente voltado ao descanso e ao contato direto com a natureza. Com características de refúgio mais exclusivo, a região reúne experiências que vão desde mergulhos em piscinas naturais e áreas de corais até caminhadas por faixas de areia que avançam mar adentro.

“O destino preserva o charme autêntico de uma vila de pescadores, com uma dinâmica própria que valoriza a cultura local e a rotina da comunidade. Corumbau, de origem tupi, significa ‘local longe de tudo’, definição que se reflete no cotidiano da região. A gastronomia também se destaca, com presença marcante da pesca artesanal, reforçando os sabores locais e tornando a vivência ainda mais completa”, reforça Sandra Catelan, presidente da AMA Corumbau (Associação dos Moradores, Amigos e Conservadores do Corumbau). 


Entre mar e natureza preservada

divulgação

Um dos passeios mais emblemáticos do local é a Ponta do Corumbau, principal marco natural do destino. Na maré baixa, um banco de areia de quase 1 km se projeta mar adentro, formando um caminho natural que permite caminhar em meio a águas rasas e cristalinas.

Outro destaque é a Barra do Cahy, conhecida pela beleza cênica e por ser apontada por historiadores como um dos possíveis locais de chegada dos portugueses ao Brasil, onde o rio Cahy encontra o mar.  O acesso pode ser feito por buggy ou canoas, em percursos que atravessam áreas preservadas e reforçam o caráter mais isolado do destino.

Atividades sazonais

No mesmo litoral que marca a paisagem do local, Corumbau também se destaca por atividades ligadas ao mar ao longo do ano, como a observação de baleia-jubarte, realizada entre julho e outubro, durante o período de migração para águas mais quentes.


Gastronomia com identidade local

A oferta gastronômica do local reflete o perfil de uma comunidade tradicional, com estabelecimentos de pequeno porte e valorização de ingredientes do mar. Nos cardápios, predominam opções da pesca artesanal, reforçando a conexão entre alimentação, território e modo de vida.


Estadias que vão do rústico ao conforto sofisticado

A hospedagem em Corumbau combina diferentes perfis, com opções que vão de pousadas charmosas e casas de temporada a experiências de maior exclusividade. Muitas das estruturas se destacam pela proposta de hospedagem integrada à paisagem, com uso de materiais naturais e foco em privacidade e conforto em meio ao ambiente preservado.


Acesso ao destino

O deslocamento até a região envolve trechos por estrada não pavimentada e travessias de barco a partir de localidades próximas. Por via terrestre, Corumbau está a cerca de 223 km de Porto Seguro, 93 km de Prado e 57 km de Cumuruxatiba. Em relação a Caraíva, o acesso pela faixa de areia — geralmente percorrida de buggy — tem menos de 15 km.


Turismo aliado à conservação

Corumbau integra a Reserva Extrativista Marinha de Corumbau, unidade de conservação que abrange áreas costeiras e comunidades tradicionais. O território tem como foco o uso sustentável dos recursos naturais, conciliando a preservação ambiental com atividades como a pesca artesanal. Também faz parte do Banco de Abrolhos, uma das áreas de maior biodiversidade marinha do Atlântico Sul, conhecida por seus recifes de corais exuberantes, piscinas naturais e rica vida marinha.

Nesse cenário, a AMA Corumbau atua no fortalecimento da comunidade local, com iniciativas voltadas à segurança, à preservação ambiental e ao desenvolvimento sustentável.


Um refúgio no litoral sul da Bahia

Longe dos roteiros mais movimentados, Corumbau reúne natureza preservada, experiências no mar e um ritmo mais tranquilo, reforçando seu papel como destino para quem busca o litoral sul da Bahia fora do óbvio.


Mercado pet: como fidelizar clientes?

O mercado pet vive um momento singular no Brasil. Mais do que um setor resiliente, tornou-se um ecossistema altamente emocional, recorrente e orientado à experiência, com os animais de estimação ganhando espaço como verdadeiros membros da família. Essa mudança redefiniu, completamente, a forma como as marcas do segmento devem se comunicar – tendo com a mensageria um dos principais motores de crescimento para conectar marketing, vendas e fidelização em uma jornada contínua, personalizada e escalável. 

Hoje, sete em cada dez brasileiros têm animais de estimação em casa, sendo que cerca de 77% dos tutores têm gastos acima de R$ 100 por mês com seus pets, segundo uma pesquisa da Quaest. Esse é um mercado que está em franca expansão há alguns anos, o que vem, naturalmente, impulsionando o movimento de compras de produtos e serviços destinados aos pets – assim como os critérios de rigor dos tutores quanto às marcas com as quais se envolverão. 

Os tutores estão, atualmente, mais conversacionais do que nunca. Pesquisam muito online antes de comprar, esperam respostas rápidas, valorizam um atendimento humanizado e tendem a recomprar da mesma empresa com grande frequência, sobretudo quando a marca acaba “lembrando” de seu animal de estimação. Todas essas preferências fazem com que canais tradicionais como e-mail genérico, SAC reativo ou campanhas frias, sejam insuficientes para atrair e reter sua fidelidade – ressaltando a comunicação proativa, contextual e bidirecional como bem mais estratégica nesse sentido. E é exatamente aqui que a mensageria se destaca. 

Aqui, não estamos falando apenas de canais vantajosos como WhatsApp, RCS, e-mail ou SMS isoladamente, mas de uma estratégia integrada de comunicação conversacional que conecte toda a operação de receita. Isso porque, no segmento pet, enquanto campanhas genéricas performam mal, as contextualizadas obtêm resultados bem melhores – ainda mais, quando apoiadas por ferramentas robustas capazes de enviar mensagens segmentadas e personalizadas a cada perfil de consumidor, em uma experiência bem mais enriquecida e intuitiva contendo textos com conteúdo visual, botões de ação, respostas em tempo real e jornada mensurável, o que se reflete em mais cliques, conversas e leads qualificados. 

Outro ponto de destaque está no fato de que a conversão no mercado pet raramente é 100% automática, já que o tutor costuma querer tirar dúvidas, comparar opções e sentir segurança em sua compra. Nesse sentido, uma boa estratégia de mensageria integrada ao funil de vendas transforma esse momento em vantagem competitiva, podendo conter, por exemplo, chatbots inteligentes para triagem, transferência fluida para um profissional humano e, ainda, ofertas personalizadas com base no histórico do pet. 

A recorrência — seja de ração, medicamentos, banho e tosa, planos de saúde ou demais serviços — é onde as empresas realmente crescem. A mensageria também favorece esse LTV (Lifetime Value), a qual pode ser direcionada para lembretes de recompra, avisos de fim de estoque, renovação automática de planos, upsell e cross-sell contextual, como exemplo. Mais do que vender novamente, trata-se de cuidar da relação.   

Para que essas ações consigam escalar com êxito, a tecnologia possui papel fundamental, a partir da qual as empresas podem contar com integrações com CRM e CDP; orquestração multicanal; automação com inteligência; mecanismos de compliance e segurança dos dados; assim como métricas claras de ROI a serem acompanhadas em tempo real. 

O mercado pet continuará crescendo. Mas, as marcas que vão liderar essa jornada serão aquelas que entenderem que a comunicação não é um custo — mas sim uma ferramenta de receita. Uma estratégia de mensageria bem construída entra como parte essencial da infraestrutura de expansão da marca, conectando dados, pessoas e canais para gerar experiências relevantes e retorno financeiro previsível. No fim, não se trata apenas de vender produtos para pets, mas de construir relações duradouras com quem cuida deles. 

 


Renata Reis - Diretora de Receitas na Pontaltech.

Pontaltech


Dez anos de Belo Monte: o tempo da justiça chegou


Marco de uma década da operação da usina reacende debate sobre responsabilização e resposta institucional

 

Ao completar dez anos do início do funcionamento, a Usina Hidrelétrica (UHE) de Belo Monte, no Pará, retorna ao centro das atenções do debate público, desta vez sob o crivo do Sistema Interamericano de Direitos Humanos. Mais do que um balanço sobre o marco temporal do empreendimento, a data impõe urgência e evidencia que a justiça não pode ser mais adiada. 

O caso, que atualmente tramita na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), reúne com conjunto consistente de evidências sobre violações de direitos humanos associados à UHE Belo Monte. Apresentada por uma coalizão  de organizações da sociedade civil,  como a Associação Interamericana para a Defesa do Ambiente (AIDA), a Justiça Global, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), o Movimento Xingu Vivo para Sempre (MXVPS) e o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), a petição consolida alegações de violações aos direitos à vida,  à saúde, à consulta prévia e ao meio-ambiente saudável. O caso está em estágio avançado de análise e com potencial para ser encaminhado à Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Uma década após sua inauguração, os impactos socioambientais permanecem significativos e, em grande medida, não mitigados. A Volta Grande do Xingu, trecho de aproximadamente 130 km diretamente afetado pela redução artificial da vazão do rio, representa o principal passivo do empreendimento. A alteração do regime hidrológico, intensificada por eventos extremos associados às mudanças climáticas, comprometeu ecossistemas locais, afetou o ciclo reprodutivo de espécies, a navegabilidade e a segurança alimentar e hídrica das populações que dependem diretamente do rio.

Nesse contexto, comunidades indígenas, ribeirinhas e pescadores artesanais enfrentam a deterioração de seus modos de vida, com a redução da disponibilidade de peixes e dos impactos na atividade pesqueira. Existem outros efeitos, como reassentamentos inadequados, aumento da violência, problemas de saúde mental e impactos sobre à manutenção das práticas culturais e dos modos de vida das populações locais.

Diferentemente das discussões que marcaram a fase de implementação do projeto, o debate atual é intensificado pela emergência climática e por novos parâmetros normativos internacionais. O Parecer Consultivo OC-32 da Corte Interamericana de Direitos Humanos traz diretrizes claras sobre as obrigações dos Estados na proteção de direitos humanos frente à crise climática, reconhecendo o direito a um meio ambiente saudável como elemento estruturante. Nesse cenário, o caso da UHE Belo Monte é um exemplo significativo dos desafios de conciliar o desenvolvimento energético, a preservação ambiental e a garantia de direitos à população.

As organizações que acompanham o caso apontam o descumprimento de medidas cautelares emitidas pela Comissão, o que reforça a necessidade de avanço para a próxima etapa no âmbito da Corte. A sustentabilidade legal do processo, somada à relevância internacional do tema, posiciona o caso como apto para julgamento.

"Mais de uma década do início da UHE Belo Monte, os impactos no Xingu persistem e se agravam, ampliados pela pressão por novos empreendimentos e pela crise climática. As comunidades seguem mobilizadas por justiça e confiantes na atuação da Comissão Interamericana para que o caso seja levado à Corte - o passo final para assegurar a reparação integral e a proteção do território e de seus modos de vida", afirma Marcella Torres, coordenadora jurídica do Programa de Direitos Humanos da AIDA.

Para as organizações signatárias, o marco temporal de uma década representa uma janela crítica para a efetivação da justiça. O caso Belo Monte deixa de ser um episódio isolado e se projeta como referência para a aplicação concreta da justiça ambiental na Amazônia, em um contexto de crescente pressão climática e de demanda por responsabilização estatal.


SOBRE - Belo Monte é a quarta maior usina hidrelétrica do mundo, construída no rio Xingu, no estado do Pará, no coração da Amazônia. Com capacidade instalada de 11.233 MW, foi inaugurada em 5 de maio de 2016. Sua operação desvia 80% do fluxo do rio Xingu por um canal de 500 metros de largura e 75 km de comprimento. A área inundada entre o canal e o reservatório é de 516 km², maior que a cidade de Chicago, dos quais 400 km² eram de floresta nativa.


SOBRE A AIDA - A Associação Interamericana para a Defesa do Ambiente (AIDA) fortalece a capacidade das pessoas para defender seu direito a um meio ambiente saudável por meio do direito e da ciência, com o objetivo de proteger ecossistemas e comunidades em toda a América Latina. https://aida-americas.org/

 

Plano de saúde para pets vira aposta de empresas como diferencial na cesta de benefício

Banco de Imagens

O cuidado com a saúde dos animais de estimação passou a integrar a pauta estratégica do departamento de Recursos Humanos. Em um movimento que reflete a crescente valorização do bem-estar integral e da saúde emocional dos colaboradores, empresas estão integrando o plano de saúde pet aos seus pacotes de benefícios como uma ferramenta relevante de atração e retenção de talentos. A tendência acompanha a consolidação do conceito de "família multiespécie" e a busca por um ambiente de trabalho mais empático e alinhado às necessidades reais dos profissionais. 

O Brasil já soma uma população de 149,6 milhões de animais de estimação, e pesquisas apontam que sete em cada dez brasileiros convivem com ao menos um pet. Nessa nova dinâmica familiar, cães e gatos são tratados como filhos, e a preocupação com a saúde deles impacta diretamente o orçamento, a rotina e o equilíbrio emocional dos tutores — fatores que se refletem na produtividade e no engajamento profissional. Em resposta, além do plano de saúde, surgem benefícios como a licença “PETernidade” e aplicativos para monitoramento da saúde animal. 

Esse movimento reflete uma compreensão mais ampla sobre o que significa bem-estar no ambiente corporativo, pois o colaborador não deixa suas preocupações com o pet na porta do escritório. Quando o RH entende que a saúde do animal de estimação é parte integral da vida daquele profissional, a empresa demonstra empatia na prática e fortalece um vínculo de lealdade que vai além do convencional. Nesse contexto, os planos de saúde pet já aparecem entre os dez benefícios mais pedidos pelos colaboradores, tornando-se um diferencial relevante na composição da cesta de benefícios. 

Ao oferecer previsibilidade de custos para consultas, exames e acompanhamento preventivo, o benefício ajuda ainda a reduzir o estresse associado a imprevistos veterinários, fator que pode afetar diretamente a qualidade de vida do tutor e seu desempenho no trabalho, além de dialogar com uma agenda corporativa cada vez mais voltada à prevenção, ao planejamento e ao suporte contínuo. 

As empresas podem estruturar o plano em diferentes formatos — opcional, coparticipativo ou subsidiado — adaptando a política à sua realidade e ao perfil dos colaboradores, modelo que tem atraído especialmente organizações de médio e grande porte interessadas em diferenciação competitiva e fortalecimento do employer branding. A adesão acompanha a evolução das estratégias de gestão de pessoas e a ampliação do olhar sobre a experiência do colaborador. 

Com a consolidação de uma agenda corporativa mais centrada na experiência humana e nas múltiplas dimensões do bem-estar, soluções antes consideradas não convencionais passam a ocupar espaço estratégico, e o plano de saúde pet se insere nesse cenário como alternativa alinhada às novas demandas do mundo do trabalho, conectando engajamento, propósito e qualidade de vida.

 

Pedro Filizzola - formado em Marketing e CMO da Dog Life

 

Liderança feminina avança no mercado: crescimento real ou desigualdade persistente?

 

O avanço da liderança feminina no mercado de trabalho é inegável - mas, ao mesmo tempo, ainda desigual. Por mais que já possamos presenciar mais mulheres ocupando cargos de destaque, em muitos casos, isso ainda é restrito a contextos específicos ou iniciativas isoladas. Não podemos olhar para um determinado recorte e acreditar que este é um movimento uniforme, uma vez que ainda precisamos reforçar muitas ações para que essa inserção deixe de ser uma exceção. 

Por um lado, precisamos – e devemos – reconhecer o crescimento que já tivemos a respeito deste tema, mas é crucial compreender que ainda estamos em uma fase de transição para um cenário em que elas realmente tenham a merecida representatividade. Dados divulgados no relatório “Women in the Workplace”, de 2025, comprovam isso: pelo 11º ano consecutivo, as mulheres continuam sub-representadas em todos os níveis da hierarquia corporativa — especialmente na alta liderança, onde representam apenas 29% dos cargos de diretoria, percentual inalterado em relação ao ano anterior. 

O que ainda separa esses avanços pontuais de uma verdadeira transformação estrutural consolidada? Principalmente, o fato deste movimento precisar deixar de ser um discurso bonito, e virar um sistema integral da cultura corporativa. Quando a presença feminina deixa de ser restrita, não precisando ser justificada e não dependendo apenas de pessoas extraordinárias “furando o sistema” - algo que ainda estamos caminhando a passos mais lentos do que o ideal. 

Não basta ter mulheres no topo sem que elas possam liderar sem reproduzir o mesmo modelo excludente que encontraram. Ambientes historicamente masculinos e excludentes como os de tecnologia e finanças, por exemplo, foram estruturados por homens e para homens, com códigos informais que, muitas vezes, afastam ou desestimulam a permanência feminina. Ainda mais, quando ainda há quem limite a qualidade do trabalho delas a características romantizadas ao feminino, como de terem uma maior escuta ativa e gerarem maior segurança psicológica. 

Muitos critérios de promoção também ainda são pouco transparentes, com modelos baseados em redes de influência, disponibilidade extrema e estilos de liderança muito associados ao estereótipo masculino, como costuma acontecer em tech e finanças. Em outras áreas como o RH, por outro lado, que foi historicamente associado a competências “cuidadoras”, fica nítido compreender o motivo de uma maior presença feminina — embora isso também revele um viés importante. 

A maternidade não poderia ficar de fora dessas barreiras limitantes da carreira delas, seguindo como um dos principais pontos de inflexão no Brasil. Segundo um estudo da FESA Group, 59,1% das mulheres que são mães afirmam que têm ou tiveram suas carreiras impactadas pela maternidade, o que vem levando muitas profissionais, inclusive, a terem que escolher o que querem priorizar: sua ascensão de carreira, ou a gestação. Algo que não chega a ser motivo de dúvida para os homens. 

Garantir que esse movimento não seja apenas algo pontual não é simples, até porque o impacto real da liderança feminina desafia estruturas profundas como modelos rígidos de jornada e disponibilidade, critérios tradicionais de performance e culturas que premiam excesso ao invés de resultado. Mas, conformismo não ajudará em nada nessa transformação. 

Alguns pilares importantes que sustentarão essa jornada incluem políticas claras de promoção e sucessão, com metas de diversidade; programas de mentoria e sponsorship, especialmente para mulheres em posições técnicas; modelos de liderança diversos; e estímulo à formação desde cedo em áreas tipicamente associadas aos homens, como tecnologia, negócios e liderança, mostrando referências reais que as inspirem a seguir o mesmo caminho. Mais do que apoiar mulheres excepcionais, é sobre criar ambientes em que possam prosperar. 

Quanto aos homens, ao invés de serem meros espectadores desse movimento, precisam se tornar agentes centrais da mudança. O papel deles envolve questionar vieses nas contratações e promoções; dividir poder, espaço e visibilidade; e promover ambientes seguros para divergência e autenticidade, entendendo que a equipe é uma responsabilidade e dever de todos. Até porque, chegar à liderança não é um mérito que diz respeito ao homem ou mulher, mas às competências e habilidades que ambos podem ter e desenvolver nesse sentido. 

O talento existe para todos, mas o caminho ainda é mais íngreme para elas. A verdadeira transformação virá quando histórias de sucesso delas deixarem de ser inspiradoras por serem raras — e passarem a ser apenas normais. Não é, e nem será uma jornada simples, mas vale o questionamento: o quanto estamos, verdadeiramente, lutando e construindo essa mudança, ou nos conformando com uma demora “natural” que reduz a velocidade dessas iniciativas? 

  


Glauciane Monteiro - Diretora Financeira na Pontaltech

Lorraine Corrêa - Head de People and Culture na Pontaltech.

Renata Reis - Diretora de Receitas na Pontaltech.

Pontaltech


Mais de 40 milhões de trabalhadores atuam com informalidade no Brasil e desconhecem os direitos trabalhistas

Desinformação sobre direitos básicos compromete a renda fixa

 

O desconhecimento sobre os direitos trabalhistas segue sendo uma vulnerabilidade do mercado de trabalho. Em um país com aumento de informalidade e diversificação dos modelos de contratação, milhões de profissionais ainda não sabem como funcionam garantias básicas como férias remuneradas, 13º salário e FGTS, que resultam no planejamento financeiro e na previsibilidade de renda. 

Dados do IBGE apontam que cerca de 40 milhões de brasileiros estão na informalidade, ou seja, mais de um terço da população ocupada no país. Sem vínculo formal, esses trabalhadores ficam fora de mecanismos que funcionam como uma proteção financeira, como o FGTS, o INSS e o próprio 13º salário, que ajuda a recompor renda ao longo do ano. Além disso, mesmo entre trabalhadores formais, um levantamento da Datatudo mostra que 63% dos profissionais não sabem onde consultar o dissídio da própria categoria. 

Para Gabriel Barros, contador e diretor da SF Barros Contabilidade, a desinformação começa no entendimento de como esses direitos interferem no dinheiro que entra e deixa de entrar no orçamento. “Quando o trabalhador não entende como funcionam férias, 13º ou encargos, ele deixa de ter a possibilidade de planejar a própria renda ao longo do ano. Isso afeta o consumo e até decisões maiores, como assumir um financiamento”, afirma. 

O especialista explica que o 13º salário funciona como uma renda adicional calculada com base em 1/12 do salário por mês trabalhado, enquanto as férias incluem um adicional de um terço justamente para compensar o período sem trabalho. “São valores que fazem diferença no fluxo financeiro anual, mas que muitas vezes não são considerados no planejamento porque o trabalhador não entende como eles são calculados”, diz. 

A falta de clareza também se estende aos diferentes formatos de contratação, como CLT, pessoa jurídica (PJ) e trabalho informal. Segundo Barros, o erro mais comum está em avaliar apenas o valor bruto da remuneração, sem considerar encargos, benefícios e riscos envolvidos em cada modelo.
 

“Muita gente olha apenas para o valor mensal e ignora o restante da conta. No regime CLT, existe uma composição de benefícios e encargos que garantem estabilidade e previsibilidade. Já no modelo PJ, o profissional precisa arcar com tributos, previdência e ausência de benefícios, o que exige ainda mais organização financeira”, explica. 

Ele ressalta que em muitos casos, a escolha pelo regime PJ sem esse entendimento pode resultar em ganhos aparentes no curto prazo, mas não no longo prazo. “Sem contribuição adequada ao INSS, o profissional compromete aposentadoria e benefícios futuros”, afirma. 

Sem orientação adequada, trabalhadores e empresas tomam decisões com base em percepções equivocadas, fragilizando as relações profissionais e aumentando os riscos de prejuízo. 

Para o especialista, a educação financeira é um elemento essencial nas relações de trabalho, ainda mais na atualidade, com tanta informação. “O ideal é saber calcular a remuneração líquida, considerar benefícios e antecipar custos. Sem esse entendimento, o trabalhador corre o risco de abrir mão de garantias importantes e muitas das vezes, essencial para a sua realidade. A educação financeira é uma necessidade”, conclui.



SF Barros Contabilidade
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Milhares de poços artesianos em São Paulo operam sob risco de contaminação tóxica, alerta estudo


 

 

Entre os principais contaminantes destacam-se o percloroetileno
e o tricloroetileno, utilizados como desengraxantes
industriais, na limpeza de peças metálicas
(
imagem: Wirestock/Magnific)
Dois terços dos 14 mil poços privados existentes na Região Metropolitana não estão formalmente cadastrados e muitos foram perfurados em antigas zonas industriais em processo de reconversão imobiliária

 

Com cerca de 22 milhões de habitantes, a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) consome em média 61,6 metros cúbicos (ou 61.600 litros) de água por segundo. Embora quase todo o abastecimento público provenha de mananciais superficiais, estima-se que aproximadamente 18% do consumo total dependa de aquíferos, por meio de cerca de 14 mil poços privados. O aporte dos aquíferos é de aproximadamente 347 milhões de metros cúbicos por ano.

Mas dois terços desses poços não estão formalmente cadastrados. E muitos deles foram perfurados em antigas zonas industriais, hoje desindustrializadas e em processo de reconversão imobiliária. A contaminação dessas áreas por resíduos industriais, principalmente solventes clorados utilizados na limpeza de máquinas, constitui um risco para o consumo de águas subterrâneas, considerando-se a dificuldade de gerir esse passivo ambiental em escala compatível com a da demanda de recursos hídricos.

Esse é o principal alerta de artigo publicado na revista científica Environmental Earth Sciences. O trabalho, apoiado pela FAPESP e assinado por Daphne Silva Pino e colaboradores, examina o quadro brasileiro, com foco especial na RMSP. “Chamamos a atenção para os riscos potenciais associados ao uso de aquíferos em áreas industriais antigas ou em reurbanização, em um contexto de monitoramento ainda fragmentado”, diz Pino.

Ela é pós-doutoranda no Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (IGC-USP). Seu supervisor, Reginaldo Antonio Bertolo, também assina o artigo.

Bertolo sintetiza a situação: “Para cada três poços que são construídos, dois são irregulares, no sentido de que o poder público não tem ciência da existência deles nem consegue avaliar se a água utilizada oferece risco ao usuário”. Segundo o pesquisador, clubes, condomínios, indústrias e hospitais figuram entre os principais consumidores do recurso subterrâneo.


Desengraxantes industriais

Entre os principais contaminantes, englobados na categoria “solventes clorados”, destacam-se o percloroetileno (CCl) e tricloroetileno (CHCl), utilizados como desengraxantes industriais. “Essas substâncias, bastante empregadas na limpeza de peças metálicas, são altamente tóxicas”, afirma Pino. Ela lembra que o percloroetileno também foi utilizado durante décadas em lavanderias para lavagem a seco e que a atual legislação brasileira ainda permite o uso, apesar de impor diversas restrições e exigências. “Diminuiu bastante o uso, mas esses solventes continuam presentes em ambientes industriais”, pontua.

Embora esses produtos sejam controlados no âmbito industrial, informações públicas sobre quem os utiliza e em que quantidades ainda são escassas. Além disso, há lacunas regulatórias sobre descarte e reciclagem desses solventes.

Do ponto de vista hidrogeológico, o risco não se resume à toxicidade. Bertolo observa que hidrocarbonetos vazados por postos de gasolina tendem a se degradar com maior rapidez. Já os solventes clorados apresentam comportamento mais persistente. “Quando a degradação acontece, formam-se compostos ‘filhos’ que podem ser ainda mais tóxicos do que o composto original”, afirma. Pino acrescenta que, se há poços bombeando em profundidade, isso cria um gradiente hidráulico descendente que facilita o aporte desses contaminantes para níveis mais profundos do aquífero.

Uma das contribuições centrais do estudo é o cruzamento cartográfico entre três camadas de informação: zonas industriais, áreas oficialmente contaminadas por solventes clorados e poços de abastecimento. A análise mostra que, em São Paulo, essas três dimensões frequentemente se sobrepõem.



Área do bairro da Mooca, uma das regiões desindustrializadas da cidade de São Paulo
 (
imagem: Daphne S.Pino)

 

Pino descreve uma das figuras produzidas pelo estudo, que corresponde a uma área do bairro da Mooca, uma das regiões da cidade de São Paulo que passaram por importante processo de desindustrialização: “Os pontos azuis representam poços de abastecimento conhecidos; os vermelhos, áreas contaminadas; e os polígonos verdes indicam áreas onde não deveria haver captação. O que chama atenção é a proximidade e até mesmo a sobreposição entre poços registrados e áreas contaminadas. O problema torna-se ainda mais grave se considerarmos a predominância de poços irregulares, que, obviamente, não aparecem na figura”.

O que acontece na Mooca ocorre também em outras áreas desindustrializadas da cidade de São Paulo. O processo de desindustrialização, iniciado ainda no final dos anos 1970, consolidou-se a partir da década seguinte e acentuou-se cada vez mais desde então. Por causa dos custos urbanos elevados, muitas empresas transferiram suas fábricas para municípios da Região Metropolitana, para o interior paulista ou até mesmo para outros Estados.

O processo deixou atrás de si um rastro de galpões abandonados e subsolo contaminado. Quando não simplesmente arruinados, antigos distritos fabris passaram a abrigar atividades de serviços, comércio e empreendimentos imobiliários em territórios não preparados para essa reconfiguração econômico-social. Com base na legislação paulista, se existir uma área contaminada em um raio de 500 metros de um poço, o responsável deve apresentar relatórios de qualidade da água ao órgão ambiental. Ao aplicar esse critério aos mapas produzidos no estudo, os autores identificaram 17 aglomerações de áreas contaminadas e poços cujos raios se sobrepõem: em regiões como Jurubatuba, Jaguaré, Mooca e Vila Prudente, na capital; e Diadema, Mauá e Osasco, na RMSP.

“Muitas dessas áreas funcionam como fontes multiponto de contaminação, com plumas que se interceptam. E há poços profundos usados para ingestão humana dentro desses cinturões”, enfatiza Pino. O estudo aponta que a gestão de áreas contaminadas costuma ser conduzida no limite de cada propriedade, enquanto a água subterrânea ignora fronteiras imobiliárias. “Remove-se solo superficial para controlar o risco imediato, impedindo, por exemplo, que vapores tóxicos entrem em edificações. Mas grande parte da massa contaminante permanece em profundidade e continua sendo transportada pela água subterrânea”, descreve Bertolo.


Reabilitação lenta

Até 2020, apenas 18,6% dos locais contaminados por solventes clorados haviam sido classificados como “reabilitados para o uso declarado”. Essa categoria não implica na eliminação completa da massa contaminante, mas em sua redução a níveis considerados aceitáveis do ponto de vista de risco. Ao analisar o cadastro paulista, os pesquisadores identificaram 596 áreas com histórico de solventes clorados. Mais da metade ainda estava em fase de remediação, enquanto 26% permaneciam em investigação.

Bertolo afirma que a contaminação tende a se concentrar nos primeiros metros do aquífero. “Mas, quando se bombeia a 100 metros de profundidade, cria-se um gradiente descendente que faz com que a água contaminada da zona rasa migre lentamente para baixo”, explica. Ele ressalta que camadas geológicas menos permeáveis podem atuar como filtro natural, mas reconhece incertezas importantes sobre a eficácia desse mecanismo ao longo de décadas. A toxicidade dos solventes agrava o quadro. “O limite de potabilidade é da ordem de partes por bilhão”, destaca o pesquisador. “Uma quantidade mínima dissolvida já é suficiente para comprometer volumes enormes de água.”

Jurubatuba, na zona sul paulistana, aparece no artigo como a área mais estudada da RMSP. Ainda assim, três quartos dos sítios ali localizados carecem de informação detalhada nos cadastros ambientais. Metade corresponde a instalações industriais com histórico documentado de uso de solventes clorados. Bertolo vê no monitoramento da região um ensaio do que poderia ser feito em escala maior, alcançando outras manchas industriais, como partes do ABCD paulista, com atuação coordenada entre a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e a Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas).

“Hoje, o cenário exige uma ação estratégica, que ultrapasse o caso a caso e direcione a política pública para impedir o uso da água subterrânea em áreas mais amplas. Quando se olha o aquífero, delimitações geométricas rígidas em torno de um imóvel não fazem sentido. É preciso tratar essas regiões como sistemas hidrogeológicos integrados”, acrescenta Pino.

O artigo conclui com um chamado por bases de dados mais robustas, equipes técnicas multidisciplinares e diagnósticos regionais sistemáticos, capazes de dimensionar a extensão real do problema e orientar políticas de longo prazo.

Procurada pela Agência FAPESP, a SP Águas afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, em linha com iniciativas de analisar o território de forma mais ampla e integrada – principalmente relacionando o binômio “águas subterrâneas e áreas contaminadas”, promoveu novos estudos hidrogeológicos para a região de Jurubatuba, por meio da Fundação Agência de Bacia Hidrográfica do Alto Tietê. “O principal objetivo desse trabalho foi aperfeiçoar o modelo de gestão existente na região, propondo o aprimoramento da integração entre os órgãos gestores e ampliando o entendimento sobre o comportamento da água subterrânea e o transporte de contaminantes”, diz a nota. “Como resultado, além da indicação de áreas com maior ou menor restrição de uso das águas, o estudo sinalizou que o modelo de gestão existente deve estabelecer, entre outras medidas, maior integração entre as Políticas Estaduais de Recursos Hídricos e de Gerenciamento de Áreas Contaminadas, especialmente diante da relação de causa e efeito já mencionada no trabalho de Pino”, complementa.

Ainda segundo a SP Águas, nesse contexto, para o sucesso da aplicação do modelo de gestão das águas subterrâneas proposto em Jurubatuba, os órgãos gestores devem considerar, entre outras medidas, a possibilidade de unificação de seus bancos de dados; uma gestão adaptativa que consiga ser aprimorada à medida que resultados de monitoramentos e outros trabalhos técnicos sejam produzidos; e o estabelecimento de comunicação simplificada com a população, visando que a complexidade da região seja traduzida em orientações explicitas e acessíveis ao público.

Também procurada, a Cetesb não se manifestou até a publicação desta reportagem.

O artigo Overview of groundwater management at sites contaminated by chlorinated solvents in Brazil pode ser lido em: link.springer.com/article/10.1007/s12665-025-12727-x.

 José Tadeu Arantes


Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/milhares-de-pocos-artesianos-em-sao-paulo-operam-sob-risco-de-contaminacao-toxica-alerta-estudo/57419


Dia do trabalho: nova diretriz de saúde entra em vigor em meio a recorde de afastamentos por transtornos mentais


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INSS registra 546 mil licenças por saúde mental em 2025, nova NR-1 passa a exigir avaliação obrigatória de riscos psicossociais nas empresas a partir deste mês 

 

Minas Gerais - O avanço dos transtornos mentais como causa de afastamento do trabalho no Brasil acende um alerta cada vez mais urgente para empresas, gestores públicos e a sociedade. Dados recentes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) indicam que, somente em 2025, mais de 546 mil afastamentos foram concedidos por questões de saúde mental, dentro de um recorte superior a 4 milhões de licenças por incapacidade temporária. O número representa um crescimento de 15% em relação a 2024 e consolida esses transtornos como uma das principais causas de ausência no ambiente profissional.

 

Ansiedade e depressão lideram esse cenário preocupante. Juntas, já ocupam o segundo lugar entre os motivos de afastamento no país, atrás apenas das doenças relacionadas à coluna. Em 2025, a ansiedade foi responsável por 166.489 licenças, enquanto a depressão gerou 126.608 afastamentos, superando causas historicamente recorrentes, como fraturas. Além disso, transtornos como bipolaridade, dependência química, estresse grave, esquizofrenia e alcoolismo também aparecem entre os principais responsáveis pelas concessões de benefício, segundo levantamento do Ministério da Previdência Social.

 

A psicóloga da Afya Itaperuna, Dra Mariana Ramos, comenta que trabalhos em contextos caracterizados por sobrecarga excessiva, metas inalcançáveis, jornadas prolongadas, ausência de reconhecimento, relações interpessoais conflituosas, assédio moral, insegurança profissional e falta de autonomia favorecem de forma significativa o desenvolvimento de quadros de ansiedade, estresse crônico, síndrome de burnout e depressão.  

 

“Quando o trabalho deixa de ser um espaço de realização e passa a ser vivido como ameaça constante, o organismo responde com sinais físicos, emocionais e cognitivos de adoecimento. Entre os sinais mais comuns estão o cansaço persistente, irritabilidade frequente, alterações no sono, dificuldade de concentração, lapsos de memória, sensação de incapacidade, queda de produtividade, isolamento social, crises de choro, desmotivação, sensação constante de alerta, além de sintomas físicos recorrentes como dores de cabeça, tensão muscular e problemas gastrointestinais”.

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde, transtornos como ansiedade e depressão já são responsáveis por uma perda global de cerca de 12 bilhões de dias de trabalho por ano, gerando um custo estimado de US$ 1 trilhão à economia mundial (OMS, 2022). Até antes da pesquisa, o Brasil já era considerado o país mais ansioso do mundo e o mais depressivo da América Latina, o que reforça a urgência de políticas corporativas preventivas.

 

Dra Mariana Ramos ressalta que para se prevenir do esgotamento emocional, devemos realizar estratégias tanto individuais quanto coletivas. “No nível individual, é fundamental desenvolver práticas de autorregulação emocional, como pausas conscientes, organização realista da rotina, higiene do sono, atividade física, alimentação equilibrada, psicoterapia e fortalecimento dos limites pessoais. Uma estratégia simples e eficaz é o “check-in emocional diário”, reservando alguns minutos para reconhecer sentimentos e sinais de sobrecarga. Perguntas como “Como estou me sentindo hoje?”, “O que está me sobrecarregando?” e “O que posso fazer por mim agora?” favorecem essa autoconsciência. Exercícios breves de respiração, pausas de atenção plena e práticas de desaceleração também ajudam a reduzir a ansiedade”.

 

No âmbito coletivo, a promoção da saúde mental depende de uma cultura organizacional mais humanizada. “Empresas precisam investir em lideranças emocionalmente preparadas, comunicação clara, escuta ativa, políticas de prevenção ao assédio, valorização profissional e espaços seguros para diálogo sobre sofrimento psíquico sem medo de punição ou julgamento”, complementa a psicóloga.

 

O estado de São Paulo lidera com 149.375 afastamentos, seguido por Minas Gerais (83.321), Rio Grande do Sul (46.738) e Rio de Janeiro (41.997). Os números refletem não apenas a densidade populacional e a concentração de atividades econômicas, mas também a intensificação de fatores como pressão por produtividade, insegurança no emprego e desequilíbrio entre vida pessoal e profissional.


 

Novas diretrizes para saúde e segurança no trabalho

 

Diante dessa realidade, o mês de maio de 2026 traz um marco regulatório que promete transformar a gestão dessa crise no setor. A partir do dia 26, entrará em vigor a nova redação da NR-1, a norma que estabelece as diretrizes gerais de saúde e segurança no trabalho, e que passará a ser rigorosamente fiscalizada pelos órgãos competentes. A atualização da regra traz um avanço significativo ao incorporar, de forma expressa, a obrigatoriedade da avaliação dos riscos psicossociais dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). 

 

O advogado e professor de direito da Afya Sete Lagoas, Dr Igor Alves Noberto Soares, informa que na prática, as empresas brasileiras não poderão mais tratar fatores como estresse, assédio, burnout e episódios de violência no trabalho como questões periféricas ou de responsabilidade exclusiva do colaborador. 

 

“A norma impõe que tais riscos sejam mapeados, monitorados e mitigados com a mesma seriedade aplicada aos riscos físicos e de acidentes tradicionais. Também se espera que o empregador implemente políticas internas voltadas à saúde ocupacional, incluindo ações educativas, mecanismos de escuta e canais de ética adequados para relato de irregularidades. A inércia diante desses indícios pode configurar violação do dever de cuidado que rege a relação de trabalho”.

 

Para que um transtorno de natureza psíquica seja reconhecido como relacionado ao trabalho, o advogado esclarece que é indispensável comprovar o nexo causal entre as atividades desempenhadas e o quadro clínico apresentado. Essa relação costuma ser avaliada por meio de perícia, realizada tanto na esfera administrativa quanto judicial.

 

“A comprovação pode se apoiar em diferentes elementos, como registros médicos e psicológicos, informações sobre o ambiente de trabalho, documentos da empresa e depoimentos de pessoas que acompanham a rotina profissional. Quando aplicável, também pode ser utilizado o registro formal do acidente ou da doença ocupacional (CAT). Quando se verifica que o empregador não adotou as medidas necessárias para preservar a saúde do trabalhador, podem surgir diferentes consequências jurídicas”, conclui o docente da Afya.

 

Deste modo, o empregado pode ter acesso a garantias específicas, especialmente quando o afastamento decorre de condições ligadas ao trabalho. Entre essas garantias, incluem-se benefícios previdenciários diferenciados, proteção contra dispensa por determinado período após o retorno e a continuidade de recolhimentos vinculados ao contrato durante o afastamento.



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