Neste 17 de maio, quando o mundo marca o Dia Mundial da Internet — instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) para reforçar a importância da conectividade no desenvolvimento social, econômico e educacional — a realidade de milhares de escolas brasileiras ainda é de falta de acesso à rede.
Levar
internet de qualidade a unidades de ensino situadas em regiões remotas,
comunidades indígenas, quilombolas, áreas ribeirinhas e áreas urbanas
socialmente vulneráveis continua sendo um dos maiores desafios da inclusão
digital no país. É nesse cenário que atua o projeto Aprender Conectado,
iniciativa voltada à expansão da conectividade em escolas públicas localizadas
nos pontos mais isolados do território brasileiro.
O programa já conectou 22 mil escolas em 2.304 municípios,
beneficiando mais de 2 milhões de estudantes. Desse total, 16.212 escolas estão
em áreas rurais, 1.062 em territórios indígenas e 1.121 em comunidades
quilombolas.
“Não se trata de conectar dezenas de escolas em uma mesma cidade. Muitas vezes, percorremos centenas de quilômetros para instalar internet em apenas uma unidade de ensino. O Brasil tem dimensões continentais e desafios geográficos muito específicos”, afirma Flávio Santos, presidente da Entidade Administradora da Conectividade de Escolas (Eace), responsável pela execução do projeto.
Para chegar a essas regiões, mais de 5.176 quilômetros de fibra óptica já foram implantados. A operação exige logística complexa para atravessar florestas, serras, áreas alagadas e regiões cortadas por rios e cachoeiras. “Em muitos locais, os equipamentos precisam ser transportados por embarcações, rio acima ou rio abaixo. Em outros, as equipes abrem caminhos em meio à mata para a passagem dos cabos”, acrescenta Flávio Santos.
Hoje, 135 equipes atuam simultaneamente em diferentes regiões do
país, usando diferentes tecnologias para garantir a conectividade: 14.216
escolas são atendidas por fibra óptica, 6.316 por satélite e 1.266 por rádio.
Outras unidades contam com soluções híbridas, como fibra combinada com rádio ou
tecnologia FWA.
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| Aluna da EMEF Afro Amazônica, na zona rural de Santarém, no Pará, dentro do Quilombo Murumuru |
“Cada etapa que superamos ao chegar a uma escola é mais uma vitória rumo ao objetivo de não deixar nenhum estudante brasileiro sem acesso a internet de qualidade, o que lhe abre portas a possibilidades de aprendizagem que só o universo digital pode proporcionar”, afirma o presidente da Eace.
Além da conexão, o programa também busca assegurar qualidade de sinal. O Aprender Conectado trabalha com o padrão mínimo de 1 Mbps por aluno em todas as áreas das escolas. A velocidade média contratada chega a 153 Mbps nas conexões por fibra e 49 Mbps nas conexões via satélite.
Em locais sem acesso à rede elétrica convencional, a Eace
instala sistemas de energia solar para manter a internet funcionando e garantir
iluminação às salas de aula. Atualmente, 1.523 escolas já contam com essa
estrutura.
Estratégia Nacional
O Projeto Aprender Conectado tem por objetivo levar internet
de alta velocidade para cerca de 40 mil instituições públicas de ensino localizadas
em áreas remotas do país. A iniciativa integra a Estratégia Nacional de Escolas
Conectadas (Enec), política pública coordenada pelo Ministério da Educação e
Ministério das Comunicações, para garantir internet de alta velocidade em 138
mil escolas em todo o Brasil.


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