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sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Mitos e verdades sobre os linfomas: o que você precisa saber

Dia Mundial de Conscientização do Linfoma reforça a importância do diagnóstico precoce

 

Cerca de 70% da população mundial ainda desconhece o que são os linfomas, um tipo de câncer que acomete o sistema linfático, parte essencial do sistema imunológico. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima mais de 15 mil novos diagnósticos anualmente, um dado que reforça a necessidade de informação e conscientização sobre a doença. 

A hematologista Lisa Aquaroni Ricci, do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS), destaca que existem mais de 50 subtipos de linfoma, cada um com características, prognósticos e tratamentos específicos. "É um câncer que se origina das células do sangue chamadas linfócitos (glóbulos brancos que fazem parte do sistema de defesa do organismo) e pode afetar diversos locais do corpo, como gânglios, pele, aparelho digestivo, mamas, testículos e até mesmo o sistema nervoso central", explica a médica. 

Mas afinal, o que é mito e o que é verdade quando falamos sobre linfomas?

 

O linfoma é um câncer raro

Verdade parcial. De acordo com a médica, os linfomas correspondem a aproximadamente 5% de todos os tipos de câncer. Apesar de menos frequentes quando comparados a tumores como os de mama ou pulmão, os números são expressivos. “Os mais comuns são os linfomas não Hodgkin, com mais de 500 mil novos casos ao ano no mundo”, ressalta.

 

Apenas idosos podem desenvolver linfoma

Mito. A doença pode surgir em qualquer faixa etária. “Os linfomas podem acometer crianças, jovens, adultos e idosos. Alguns subtipos são mais comuns em pessoas mais velhas, outros aparecem com maior frequência em jovens”, explica Dra. Lisa.

 

O linfoma tem fatores de risco bem definidos

Mito. Ao contrário de outros tipos de tumores, os linfomas não apresentam fatores de risco únicos e bem definidos. “Eles são variados e heterogêneos. Alguns estão relacionados a infecções virais (HIV, hepatite C e HTLV), estados de imunossupressão, exposição à radiação, substâncias químicas e até doenças autoimunes”, esclarece a especialista.
 

Os sintomas são claros e fáceis de identificar

Mito. Um dos grandes desafios é que os sinais do linfoma muitas vezes passam despercebidos. “Alguns pacientes apresentam sintomas iniciais inespecíficos, como febre diária, emagrecimento, sudorese noturna e fadiga. São sinais que podem se confundir com outras doenças, como infecções virais”, alerta a médica.

 

Diagnóstico e tratamento 

O diagnóstico do linfoma é confirmado por biópsia do local afetado. Já o tratamento depende do subtipo da doença, da idade do paciente e de possíveis comorbidades. Entre as opções estão quimioterapia, radioterapia, imunoterapia, transplante de medula óssea e terapia celular.

Cada modalidade terapêutica é individualizada. Por isso, a detecção precoce é fundamental, pois aumenta significativamente as chances de sucesso do tratamento.

  

Instituto de Oncologia de Sorocaba

 

Setembro Vermelho: saúde cardiovascular das mulheres ganha destaque no Dia Mundial do Coração


A campanha Setembro Vermelho, dedicada à conscientização sobre a saúde do coração, se une ao Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, para reforçar um alerta urgente: as doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no Brasil e no mundo.

Embora historicamente associadas aos homens, as doenças cardiovasculares (DCV) atingem de forma significativa também as mulheres — especialmente após a menopausa. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que essas enfermidades são responsáveis por um terço das mortes femininas no planeta, provocando 8,5 milhões de óbitos a cada ano, o equivalente a mais de 23 mil por dia.

No Brasil, o cenário não é diferente. Estima-se que mais de 30% das mortes entre mulheres estejam ligadas a problemas cardiovasculares, superando inclusive os índices de mortalidade por câncer de mama e de colo do útero, doenças que costumam receber maior atenção no debate público.

Segundo dados de um artigo recente sobre a epidemiologia das DCV, as mulheres estão expostas a riscos crescentes de doenças cardiovasculares ao longo da vida. Antes da menopausa, os hormônios femininos proporcionam uma certa proteção, mas esse cenário muda drasticamente após essa fase. A pesquisa, divulgada pela Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, revela que, após a menopausa, o risco de DCV nas mulheres aumenta consideravelmente, aproximando-se do índice dos homens. 

O estudo aponta que as doenças isquêmicas cardíacas (DIC) e as doenças cerebrovasculares são as principais causas de mortalidade cardiovascular nas mulheres. A prevalência dessas doenças tem aumentado de forma preocupante, especialmente após a menopausa. O levantamento destacou que, entre 1990 e 2019, houve uma redução significativa da prevalência de DCV em homens, mas nas mulheres essa queda foi mais acentuada, com uma redução de 12,8%. No entanto, a mortalidade e a prevalência das DCV nas mulheres voltam a subir após a menopausa, sugerindo que essa fase representa um ponto crítico para a saúde cardíaca feminina.


Fatores de risco específicos das mulheres

De acordo com o cardiologista Dr. Rafael Macedo, do Hospital Mater Dei Santa Clara, a mudança no estilo de vida e as pressões do cotidiano contribuem para o aumento dos casos de DCV em mulheres. “Além do maior ingresso das mulheres no mercado de trabalho, houve um aumento na adoção de hábitos prejudiciais que antes eram predominantemente masculinos, como o tabagismo. Fatores comuns a ambos, como estresse, obesidade e outras condições também contribuem para aumentar o risco cardiovascular”, explica o médico. 

Além disso, ele destaca que os sintomas das doenças cardíacas podem ser diferentes nas mulheres, frequentemente manifestando-se de forma atípica. “Precisamos orientar que sintomas como náusea, vômito, dor na região epigástrica, sudorese, cansaço, fadiga e palpitações podem ser sinais de uma doença cardíaca. Esses sintomas são atípicos e, muitas vezes, são confundidos com outras condições, como transtornos de ansiedade ou problemas gastrointestinais. Isso pode atrasar o diagnóstico e, consequentemente, o tratamento. É crucial que as mulheres estejam atentas a esses sinais e procurem um médico ao menor sinal de anormalidade”, alerta o cardiologista.

A hipertensão e o diabetes, dois dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, também têm maior incidência nas mulheres após a menopausa, muitas vezes sem apresentar sintomas claros. Segundo o Dr. Marcos Gonçalves, cardiologista do Hospital Mater Dei Santa Genoveva, isso exige que as mulheres tenham maior atenção em exames de rotina. “Nas mulheres, essas condições podem ser silenciosas, e as artérias mais finas e tortuosas tornam o tratamento mais complicado”, alerta.


A importância do diagnóstico precoce

Um ponto chave para a melhoria do prognóstico cardiovascular nas mulheres é o diagnóstico precoce. Como explica o Dr. Rafael, o atraso no diagnóstico ainda é um problema, muitas vezes influenciado pela percepção equivocada de que as DCV são "doenças de homens". Essa visão pode induzir médicos e pacientes a desvalorizarem sintomas e não aplicarem o tratamento adequado. "É preciso educar as mulheres sobre os sinais de alerta e assegurar que o diagnóstico seja feito sem preconceitos, considerando as particularidades do corpo feminino", destaca.

A campanha do Setembro Vermelho surge justamente para reforçar essa mensagem. É essencial que as mulheres estejam atentas à sua saúde cardíaca, especialmente no pós-menopausa, monitorando fatores como pressão arterial, colesterol e glicemia, além de manter hábitos saudáveis como a prática regular de atividades físicas e uma alimentação equilibrada.


Fatores não tradicionais e o alerta para mulheres jovens

Embora a menopausa seja um divisor de águas na saúde cardiovascular das mulheres, fatores não tradicionais, como diabetes gestacional e doenças reumatológicas, também aumentam o risco. O Dr. Marcos Gonçalves reforça a importância de monitorar as doenças reumatológicas, como artrite reumatoide e lúpus, que afetam diretamente a saúde cardiovascular das mulheres. “Essas doenças inflamatórias, comuns em mulheres, exigem frequentemente o uso de corticoides, que, além de controlar a inflamação, trazem efeitos colaterais importantes, como o aumento da glicemia, colesterol, triglicérides e o ganho de peso. Esses fatores contribuem para o desenvolvimento de hipertensão e elevam o risco de doenças cardiovasculares. A inflamação crônica, característica dessas condições, agrava ainda mais esse cenário, tornando essencial um acompanhamento cardiovascular rigoroso para evitar complicações graves”, explica o especialista.

Além disso, estudos mostram que as mulheres jovens estão cada vez mais expostas ao infarto, especialmente aquelas com maior carga de comorbidades, como obesidade e hipertensão. Entre 1995 e 2014, um estudo americano de vigilância da aterosclerose mostrou que, enquanto a taxa de internações por infarto caiu entre homens jovens, ela subiu entre as mulheres da mesma faixa etária. Esses dados reforçam a necessidade de atenção às mulheres mais jovens, que muitas vezes não recebem o tratamento adequado ou têm seu diagnóstico tardio.

Portanto, neste mês de setembro, a mensagem é clara: cuidar do coração deve ser uma prioridade para as mulheres em todas as fases da vida. “O reconhecimento dos sintomas atípicos e a conscientização sobre os fatores de risco são passos fundamentais para reduzir as mortes por doenças cardiovasculares e garantir uma vida mais longa e saudável”, finaliza Rafael.

 

Doação de órgãos: Recusa familiar é um dos principais entraves

Crédito da foto: Divulgação
Santa Casa de São José dos Campos
Santa Casa de São José dos Campos reforça importância do ato, foco de campanha em setembro; hospital é referência em transplante de fígado no Vale do Paraíba e pioneiro em procedimento renal


O Brasil é referência em transplante de órgãos e possui o maior programa público do procedimento no mundo - cerca de 90% das cirurgias são feitas no Sistema Único de Saúde (SUS). Esse fato só é possível graças à doação de órgãos, que é essencial nesse processo. No entanto, de cada 14 pessoas que manifestam interesse em doar, apenas quatro acabam, de fato, efetuando a doação. O principal motivo é a resistência das famílias. 

Neste mês, a campanha Setembro Verde lembra a importância da doação de órgãos e tecidos. A Santa Casa de São José dos Campos, referência em transplante de fígado no Vale do Paraíba e primeiro hospital credenciado na região a oferecer transplante renal, reforça a mensagem. 

Segundo o Ministério da Saúde, em 2024, 45% das solicitações de doação de órgãos foram rejeitadas por parentes dos doadores, número elevado se comparado, por exemplo, às negativas de familiares na Espanha, que ficam entre 8% e 10%. No ano passado, o Brasil bateu recorde histórico de transplantes realizados no SUS, com mais de 30 mil procedimentos. Mas a fila de espera continua desafiadora: 78 mil pessoas. 

Diante desse cenário, o coordenador do setor de transplantes da Santa Casa de São José dos Campos, Dr. Jorge Padilla, destaca que o Setembro Verde é fundamental para disseminar informações pouco conhecidas pela população. “Mas a conscientização não deve se limitar ao mês da campanha. É necessário estar presente durante todo o ano”, reforça o especialista.


Entendendo a morte encefálica 

Um dos fatores que mais gera dúvidas e recusas é a falta de conhecimento sobre a irreversibilidade da morte encefálica, caracterizada pela perda completa e definitiva das funções cerebrais. O diagnóstico é realizado por médicos capacitados, com critérios rigorosos e padronizados. 

“Nesses casos, cabe à família decidir sobre a doação. Por isso é tão importante que o tema seja discutido em vida. Muitas famílias relatam desconhecer o desejo do ente querido, e quando a decisão precisa ser tomada no hospital, em um momento de dor, o processo se torna ainda mais difícil”, explica Dr. Padilla. 

Além da doação após a morte encefálica, existe também a doação em vida, em casos de órgãos duplos (como o rim), parte do fígado, pulmão ou tecidos como a medula óssea. Nesses casos, o doador deve ser maior de 18 anos, estar em boas condições de saúde e passar por avaliação médica criteriosa para garantir sua segurança.

 

Vidas transformadas
 

Em fevereiro deste ano, a Santa Casa comemorou a marca de 500 transplantes de fígado realizados. Em evento realizado na Faculdade Humanitas, médicos, pacientes, autoridades e familiares vivenciaram um momento de emoção, gratidão e reconhecimento. 

O provedor da instituição, Dr. Ivã Molina, destacou a importância do feito. “Este é um marco para nossa instituição e para toda a comunidade. Foram anos de dedicação, treinamento e superação para consolidar a Santa Casa como referência em transplantes de fígado no Vale do Paraíba”, afirmou. 

Com uma taxa de sobrevida de 91% em 2024, bem acima da média nacional de 75% da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, a Santa Casa se posiciona entre os principais centros de transplante do país. 

A ocasião também contou com homenagens a pacientes, como Lino Francisco Faccina, o primeiro transplantado da instituição, e Antônio Catigero da Silva, de 63 anos, o 500º paciente transplantado. Outro momento marcante foi o gesto de Giovanna Bastos Rodrigues, que doou parte de seu fígado para salvar a vida da mãe.

 

Santa Casa de São José dos Campos



Pesquisa inédita revela como reverter danos em neurônios da ELA

Descoberta abre caminhos para novos tratamentos e cura da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença neuromotora (DNM) rara que afeta 15 mil brasileiros

 

O Instituto Paulo Gontijo (IPG), referência no apoio à ciência e pesquisa sobre Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), anuncia uma descoberta científica inédita que tem o potencial de transformar a forma como a doença é diagnosticada e tratada, liderada pela pesquisadora associada ao instituto, a geneticista Dra. Helen Cristina Miranda,

O estudo, publicado na revista EMBO Molecular Medicine, revelou que uma forma rara e hereditária da doença, a ELA8, provocada por mutação no gene VAPB, ativa de forma crônica a chamada Resposta Integrada ao Estresse (ISR). Esse mecanismo celular, que deveria proteger os neurônios, acaba comprometendo a produção de proteínas essenciais e acelerando a degeneração dos neurônios motores.

A inovação do estudo está na prova de conceito: ao aplicar um composto experimental capaz de inibir a ISR, os pesquisadores reverteram danos já instalados em neurônios motores derivados de células-tronco de pacientes. Essa reversão incluiu recuperação da função mitocondrial, responsável pela produção de energia celular e da atividade elétrica dos neurônios.

Mostramos que neurônios doentes ainda podem ser resgatados. O bloqueio da resposta ao estresse devolveu a eles funções perdidas, o que abre caminho para novas terapias e para a medicina personalizada em ELA”, explica a Dra. Helen Miranda, professora associada da Case Western Reserve University.

Para o Dr. Miguel Mitne-Neto, um dos autores do estudo, agora os resultados encontrados precisam ser avaliados em outros sistemas e modelos da doença antes de apontar sua aplicabilidade. “Mas acreditamos que existe um grande potencial, pois a via molecular estudada é comum a outras formas de doenças neurodegenerativas e isso pode constituir um caminho inicial para tal expansão”. Os próximos passos incluem expandir a investigação para outros subtipos de ELA, como os causados pelas mutações em C9ORF72, TDP43 e FUS, além de casos esporádicos, que representam a maioria dos diagnósticos.

Mitne aponta ainda que este estudo faz parte de um processo maior de evolução nos métodos diagnósticos, especialmente para as formas genéticas, nos últimos 20 anos. Segundo ele, a capacidade de avaliar grandes segmentos do genoma humano trouxe não apenas a identificação de novas formas da ELA, como se traduziu em ferramentas de aplicação diagnóstica na prática. E a melhor caracterização dos pacientes permite um direcionamento específico de seu tratamento. E a tendência é que o avanço seja ainda mais rápido nos próximos 20 anos, por conta da apuração de novos modelos para a doença. “Até poucos anos atrás, os modelos animais, que apresentam diversas limitações, eram a principal ferramenta de avaliação da doença, fora do paciente. O advento de tecnologias como a reprogramação celular permitiu que neurônios de pacientes com ELA fossem estudados em laboratório, permitindo uma melhor caracterização das alterações moleculares iniciais, além de expandir a quantidade de moléculas a serem testadas para reversão dessas modificações”, explica.

Para o Instituto Paulo Gontijo, a descoberta reforça a relevância da ciência brasileira no cenário internacional. “Trata-se de um marco científico que oferece um alvo para novos fármacos e ensaios clínicos. Essa pesquisa pode mudar o futuro do diagnóstico, do desenvolvimento de medicamentos e até abrir caminho para a tão sonhada cura da ELA”, afirma Silvia Tortorella, diretora executiva.


O futuro da FIV chegou: Inteligência Artificial promete revolucionar a escolha de embriões

Maior evento de reprodução assistida da América Latina em São Paulo vai reunir especialistas internacionais e nacionais sobre as principais inovações da área

 

O uso da Inteligência Artificial (IA) nos tratamentos de fertilização in vitro (FIV) será um dos principais temas do CBRA 2025 – Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida, que acontece em São Paulo. Pela primeira vez, o evento contará com um Summit exclusivo sobre IA, Tecnologia e FIV, reunindo grandes nomes nacionais e internacionais para debater as ferramentas mais avançadas no auxílio à escolha de embriões, seu custo-benefício, aplicabilidade e impacto nos resultados laboratoriais e genéticos. 

Segundo o embriologista, especialista em reprodução assistida Dr. Ivan Yoshida, a IA vem ganhando espaço nas clínicas, especialmente por meio de câmeras instaladas nas incubadoras que acompanham, em tempo real, o desenvolvimento dos embriões. “Esses dados são analisados por programas de computador que ajudam os profissionais a escolher o embrião com melhor potencial. É uma ferramenta promissora, mas ainda precisamos de estudos mais amplos e confiáveis para comprovar que ela realmente melhora os resultados dos tratamentos”, explica. 

Hoje, a IA também já é usada para prever o melhor momento da coleta dos óvulos e para analisar a qualidade de óvulos, espermatozoides e embriões. No entanto, o alto custo ainda é um dos principais obstáculos, além da validação, ou seja, que a tecnologia realmente tenha comprovação prática para sua adoção mais ampla. “Com o tempo, a tendência é que fique mais acessível e realmente comprove sua eficiência, para que possa beneficiar mais pessoas”, acredita o embriologista. 

Dr. Ivan reforça que a IA ainda não substitui os exames genéticos já utilizados, mas pode ser uma aliada no momento da decisão final. “A inteligência artificial pode funcionar como um apoio na hora de decidir qual o embrião cromossomicamente normal tem mais chance de sucesso”, afirma. Além disso, a tecnologia tem potencial para personalizar os tratamentos, adaptando as decisões de acordo com o perfil de cada paciente – um avanço ainda em fase de desenvolvimento. 

Com o tema “Sustentabilidade e suas interfaces com a Reprodução Assistida”, o CBRA 2025 espera reunir mais de 3 mil especialistas da área. “O CBRA é um congresso nacional, o maior em Reprodução Assistida, um grande fórum onde podemos discutir tecnologias e compartilhar nossas experiências e resultados. É um momento em que centros mais desenvolvidos podem dividir sua expertise com clínicas menores e com menos recursos. O CBRA representa a democratização e a ampliação da ciência”, conclui o Dr. Ivan. 

Entre os especialistas internacionais confirmados para o Summit estão Cristina Hickman (Embriológica), Marcos Messeger (Vitrolife Group), Giles Palmer (Embriológica), Luis Guzman (Cooper Surgical), Alejandro Motta (Pro-Seed), Natalia Basile (WeFiv), Erik Strait (Vitrolife Group) e Andreu Vives Perelló (Kitazato).

“A programação será integrada entre as salas clínicas, de enfermagem, psicologia, nutrição e de embriologia, com todos os participantes reunidos durante as manhãs para fóruns e painéis de debate. A proposta é discutir de forma ampla o uso das principais tecnologias e da IA nos tratamentos de reprodução assistida, avaliando indicações, resultados, acessibilidade e caminhos para ampliar o uso responsável e eficaz dessas soluções”, afirma o Dr. Emerson Barchi Cordts, médico especialista em Reprodução Assistida e presidente do evento. 

Com o tema “Sustentabilidade e suas interfaces com a Reprodução Assistida”, o Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida (CBRA) 2025 espera reunir mais de 3 mil especialistas da área. Promovido pela Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), o CBRA 2025 acontecerá entre os dias 5 e 8 de outubro, no WTC São Paulo. O Summit IA & Tech & FIV será no dia 8 de outubro, de 8h às 10h, e promete unificar a clínica e a embriologia em um grande palco de inovação com os maiores especialistas nacionais e internacionais em Inteligência Artificial, Tecnologia e Reprodução Assistida. 

Para mais informações acesse Link


Dieta da moda e jejum prolongado podem causar mau hálito? Entenda a relação com a saúde bucal


Mudanças no metabolismo, boca seca e pouca mastigação estão entre as causas do problema, que pode surgir mesmo com boa higiene. Especialista explica como lidar
 

 

Você começou a fazer jejum intermitente ou entrou com tudo na dieta low carb e, de repente, percebeu que seu hálito não está lá essas coisas? Calma, você não está sozinho — e nem imaginando. Segundo especialistas, algumas práticas alimentares, especialmente aquelas que envolvem longos períodos sem comer ou uma drástica redução de carboidratos, podem sim impactar diretamente no odor da sua boca.

“O jejum prolongado ou dietas muito restritivas, como as low carb e cetogênicas, reduzem a produção de saliva e levam o organismo a queimar gordura como fonte principal de energia”, explica a Dra. Lígia Maeda, otorrinolaringologista e especialista em halitose do Hospital Paulista. “Nesse processo, são produzidos os chamados corpos cetônicos, que liberam um odor característico, conhecido como ‘hálito cetônico’”, completa.

O que é o hálito cetônico?

Esse termo pode parecer técnico, mas descreve algo que muita gente já sentiu — ou cheirou: um odor adocicado, metálico ou até semelhante ao de frutas fermentadas. “É um tipo de mau hálito que não está necessariamente ligado à má higiene bucal, mas sim a alterações metabólicas”, diz a médica.

Quando deixamos de consumir carboidratos, o corpo entra em um estado chamado cetose, no qual passa a utilizar a gordura como combustível. “Os corpos cetônicos gerados nesse processo são eliminados, em parte, pelos pulmões. Daí o odor característico na respiração”, explica a especialista.

Menos saliva, mais problemas

Além da produção de corpos cetônicos, outro fator contribui para o mau hálito em quem está de dieta: a diminuição da salivação. Isso porque, durante o jejum ou em dietas que envolvem pouca mastigação (como aquelas baseadas em líquidos ou substitutos de refeição), a boca tende a ficar mais seca.

“A saliva tem função antibacteriana e ajuda a limpar a cavidade oral naturalmente. Quando sua produção diminui, aumenta a proliferação de bactérias e de compostos sulfurados voláteis, que são as substâncias responsáveis pelo mau cheiro”, alerta a Dra. Lígia.

Hálito alterado, portanto, não significa dieta errada – mas um sinal de atenção. Se você está seguindo uma dieta específica com acompanhamento profissional e se sentindo bem, o hálito cetônico não precisa ser motivo para desistir. Porém é importante reconhecer os sinais que o corpo dá e buscar estratégias para amenizar o problema.

A especialista dá algumas dicas:

  • Mantenha a hidratação em dia: beba bastante água, especialmente fora dos horários das refeições.
  • Não negligencie a higiene bucal: escove os dentes, a língua (onde muitas bactérias se acumulam) e use o fio dental regularmente.
  • Evite longos períodos sem comer, se possível: converse com seu nutricionista para ajustar a dieta, caso o mau hálito esteja incomodando demais.
  • Use chicletes ou balas sem açúcar com xilitol: eles estimulam a produção de saliva, ajudando a manter a boca úmida.
  • Procure ajuda especializada: se o mau hálito persistir, vale consultar um dentista ou um especialista em halitose.

“A boa notícia é que esse tipo de alteração no hálito costuma ser temporária e melhora com ajustes na alimentação e nos cuidados diários”, tranquiliza a Dra. Lígia.

 

 

 

Hospital Paulista de Otorrinolaringologia

 

 

 

Menopausa ou Falência Ovariana? Entenda as diferenças entre elas

 A médica Isabel Martinez também fala sobre os sintomas e tratamento da menopausa precoce


Muitas mulheres ainda acreditam que só vão se preocupar com a menopausa lá pelos 50 anos. Mas a verdade é que existe uma condição silenciosa que pode antecipar esse processo: a chamada falência ovariana (ou insuficiência ovariana prematura). A médica e pesquisadora Isabel Martinez destaca que entender a diferença entre as duas situações pode ser decisivo para a saúde de toda mulher.

"A menopausa natural acontece em torno dos 50 anos, quando os ovários esgotam a sua reserva e a menstruação cessa de vez. Já a falência ovariana pode chegar muito antes, ainda antes dos 40 anos, quando os ovários perdem a função de forma precoce", explica a fundadora do Clímex Club, voltado para a saúde feminina.

Segundo a médica; “Na falência ovariana precoce, a fertilidade geralmente está comprometida, mas não abolida. Estudos mostram que em cerca de 5 a 10% das mulheres pode haver ovulação esporádica e, em casos raros, gravidez natural. Essa imprevisibilidade gera grande impacto físico e emocional. Por isso, o acompanhamento médico é essencial para orientar sobre sintomas, riscos à saúde e opções de tratamento.”

Dra. Isabel Martinez diz que as causas da menopausa precoce são variadas:

-Genéticas, como alterações no cromossomo X ou na síndrome do X frágil.

-Autoimunes, quando o próprio corpo ataca os ovários.

-Tratamentos médicos, como quimioterapia, radioterapia e cirurgias ginecológicas.

-Hábitos de vida, como o tabagismo, que acelera a perda da reserva ovariana.

-Em muitos casos, a ciência ainda não encontra explicação clara. E isso só reforça a importância de estar atenta ao corpo.

A médica listou sintomas que merecem atenção:

A lista lembra muito a da menopausa, mas chega cedo demais:

Ondas de calor e suor noturno.

Ciclos menstruais irregulares ou ausentes.

Secura vaginal, dor na relação, infecções urinárias repetidas.

Queda de libido, cansaço, dificuldade de foco.

Alterações de humor, ansiedade ou depressão.

De acordo com Martinez, quando o corpo entra nesse estado cedo demais, os efeitos são profundos. "O risco de osteoporose, doenças cardiovasculares e declínio cognitivo aumenta de forma significativa. Não se trata apenas de perder a fertilidade: é a saúde como um todo que fica comprometida".

Ela apontou a diferença no tratamento na menopausa e na falência ovariana. "Na menopausa da idade certa, a reposição hormonal pode ou não ser indicada, dependendo do perfil da mulher. Mas na falência ovariana precoce, a reposição é praticamente indispensável até a idade média da menopausa (em torno de 50 anos)segundo alguns estudos. . Ela não só alivia sintomas, mas protege os ossos, o coração e até a memória".

O recado do Climex

No Climex, defendemos que informação é poder. Muitas vezes, as mulheres se acostumam com sintomas que não deveriam ser vistos como “normais”. Se algo muda no seu corpo, conheça-se, questione e procure ajuda, fale com o seu médico.

 

Efeitos da mudança climática elevam casos de doenças respiratórias, cardiovasculares e arboviroses

Getty Images
Especialistas do CEJAM alertam para a maior vulnerabilidade de populações historicamente marginalizadas 


 As mudanças climáticas deixaram de ser um problema distante e já afetam, de forma direta, a saúde da população brasileira. Ondas de calor, secas prolongadas, tempestades e enchentes vêm alterando padrões de doenças, agravando quadros crônicos e pressionando o Sistema Único de Saúde (SUS). Em um país tropical, com forte desigualdade social e alta exposição a vetores como o Aedes aegypti, os impactos tendem a ser ainda mais intensos.

De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a crise climática é também uma crise sanitária. Estudos mostram que ela agrava doenças respiratórias e cardiovasculares, aumenta a incidência de arboviroses como dengue e chikungunya, compromete a segurança alimentar e hídrica e afeta a saúde mental, especialmente em comunidades vulneráveis.

Na Atenção Primária à Saúde, esses efeitos já são sentidos no dia a dia. “Períodos de calor extremo e baixa umidade podem acarretar no aumento ​​de pacientes com crises respiratórias. Já as enchentes tendem a impactar no crescimento dos casos de dengue e outras arboviroses. Essas mudanças no padrão das doenças exigem que a atenção primária esteja cada vez mais preparada para prevenir, diagnosticar e tratar de forma rápida​​”, ​​explica o médico da Família e Comunidade Dr. Raul Queiroz, que atua na UBS Jardim Valquíria, gerenciada pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo.

Entre as pessoas mais impactadas, estão aquelas que possuem asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), rinites alérgicas e sinusites. “A exposição maior a poluentes e às mudanças bruscas de temperatura irritam as vias aéreas e aumentam a suscetibilidade a infecções”, detalha. Ele também lembra que problemas cardiovasculares podem surgir de forma indireta. “A desidratação, a nutrição inadequada e as alterações da pressão arterial, somadas à queda da imunidade, ​​pioram a​​​​ hipertensão e a diabetes, aumentando o risco de infarto e AVC.”

Mas os impactos não se distribuem de forma igual socialmente. O coordenador ESG do CEJAM, Everton Tumilheiro, aponta que “as populações mais afetadas são as historicamente marginalizadas e com menos acesso a direitos básicos: moradores de periferias, comunidades ribeirinhas, povos indígenas, quilombolas e pessoas em situação de rua. Esses grupos vivem em áreas de risco, com pouca capacidade de adaptação e acesso limitado a políticas públicas”. ​​O especialista​​ também destaca a vulnerabilidade de trabalhadores expostos ao ar livre, como rurais, garis e carteiros, e alerta para o racismo ambiental: “populações negras e indígenas são as que mais sofrem, embora tenham menor responsabilidade pela crise”.

Dados do Lancet Countdown mostram que, no Brasil, a capacidade de transmissão da dengue pelo Aedes aegypti aumentou 95% entre 2013 e 2022 em relação às décadas anteriores, um reflexo direto das mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, eventos como a seca histórica na região Norte em 2023-2024 deterioraram a qualidade do ar e elevaram doenças respiratórias em cidades como Manaus.

Para enfrentar esse cenário, Tumilheiro defende o fortalecimento da atenção básica e da vigilância epidemiológica. “​​Mortes​​ causadas por calor extremo ainda são registradas de forma genérica, sem a identificação do fator climático. Sem dados precisos, não conseguimos formular políticas públicas eficazes”, afirma.

Dr. Raul​​ ressalta​​ que as Unidades Básicas de Saúde ​​atuam​​ de forma preventiva, promovendo educação em saúde, monitoramento de riscos e busca ativa de pacientes vulneráveis. ​​O profissional ​​​​ ​​recomenda medidas simples, mas essenciais: hidratação adequada, uso de protetor solar e roupas leves, conservação segura de alimentos e bebidas e evitar contato com água de enchentes.

A resposta, ​​conforme ​​Tumilheiro, precisa ir além da saúde. “Políticas urbanas que garantam moradia segura, áreas verdes, saneamento básico e mobilidade ativa são tão importantes quanto ampliar a capacidade de resposta dos serviços de saúde. A crise climática não será resolvida por uma área isolada: precisamos de um modelo de desenvolvimento baseado na justiça ambiental e na integração real das políticas públicas.”


Saúde como protagonista na agenda climática 

Além dos desafios de implementação, Everton Tumilheiro reforça que o setor de saúde não pode ocupar apenas um papel reativo diante das mudanças climáticas. “Precisamos sair da lógica de apenas tratar as consequências e assumir um papel ativo na prevenção e mitigação. ​​O setor​​ de saúde, como um todo, deve liderar esse processo”​​.​​​​ ​​ 

Segundo ele, esse protagonismo exige alinhar a geração de valor socioambiental à inovação, governança, eficiência e impacto social positivo. “Incluir a saúde nas estratégias climáticas é desenvolver uma abordagem sistêmica, colaborando com agendas corporativas e institucionais em torno da Agenda 2030 da ONU e traduzindo objetivos globais em ações concretas e mensuráveis nas comunidades”, explica.

Para que essa visão saia do papel, é preciso fortalecer a governança, ampliar a transparência, adotar indicadores robustos e garantir a participação ativa da sociedade nas decisões. “O setor de saúde pode deixar de ser visto como um ‘vilão perdoado’ pelo seu alto consumo de recursos e se tornar um verdadeiro motor de sustentabilidade e justiça social”, conclui. 



CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
 @cejamoficial


Alotriofagia: conheça o “transtorno de pica”, distúrbio que leva pessoas a se alimentarem de objetos não-comestíveis

Doença foi tema de artigo científico publicado em junho na renomada revista americana de medicina “Cureus”, por professores da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná (FEMPAR) e outros especialistas 

 

Um artigo científico assinado por professores da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná (FEMPAR) e outros médicos ganhou repercussão nacional e internacional nos últimos dias. Publicado na renomada revista americana de Ciências Médicas “Cureus” em 19/06, o texto fala sobre Alotriofagia, também conhecido como “transtorno de pica”- síndrome na qual o paciente sente uma vontade irresistível de comer coisas que não são comestíveis e muito menos nutritivas, e o pior: que ele sabe que não deveria comer.

A publicação traz um estudo de caso de um homem de 33 anos de idade, diagnosticado com problemas psiquiátricos, e que foi internado em Curitiba (PR) seguidas vezes por ingerir objetos como caneta esferográfica, cateteres intravenosos e até um oxímetro. Alguns desses itens foram removidos por endoscopia, mas outros foram retirados por cirurgia.

Caracterizado pelo consumo compulsivo de objetos não comestíveis e não nutritivos, como terra, plástico, e, no caso do paciente em questão, objetos médicos, o “transtorno de pica” pode surgir por diversas causas, como deficiência nutricional e também transtorno psiquiátrico. Os casos mais graves podem causar perfurações, obstruções intestinais, intoxicações e até mesmo risco de morte. O tratamento inclui acompanhamento médico, nutricional e psiquiátrico.


Relação com esquizofrenia 

De acordo com o psiquiatra Sivan Mauer, professor da FEMPAR e um dos autores do artigo, os casos de Alotriofagia são frequentemente relatados em pacientes com diagnóstico de esquizofrenia - transtorno mental crônico que compromete o funcionamento cognitivo e comportamental do indivíduo, podendo levar a maior impulsividade e a comportamentos de risco, como a ingestão de corpos estranhos. Segundo a publicação, “o presente relato de caso tem como objetivo descrever um episódio de Alotriofagia em um paciente esquizofrênico, discutindo suas implicações clínicas e terapêuticas. O paciente, do sexo masculino, com diagnóstico prévio de esquizofrenia, apresentou episódios recorrentes de ingestão de objetos, incluindo canetas, escovas de dentes, eletrodos de monitorização cardíaca e fragmentos de vidro. Durante a internação hospitalar, foram realizadas intervenções cirúrgicas para a retirada dos corpos estranhos, além de ajustes no tratamento psiquiátrico com antipsicóticos e estabilizadores de humor. Apesar dessas medidas, o paciente persistiu com o comportamento compulsivo de ingestão, necessitando de múltiplas reinternações”, diz o texto. O artigo conta também com a participação de outro professor da FEMPAR, Dr. Carlos Naufel, cirurgião geral e do aparelho digestivo.

 

Desafio significativo à prática médica 

As implicações clínicas e terapêuticas em casos de pacientes com o transtorno de pica são vistas como “desafiadoras à prática médica”. A reavaliação contínua do tratamento psiquiátrico, o suporte psicossocial estruturado e estratégias de contenção são essenciais para minimizar os riscos e reduzir a recorrência desse comportamento. “Conclui-se que a alotriofagia em pacientes esquizofrênicos representa um desafio significativo à prática médica, demandando protocolos integrados que combinem monitoramento clínico, intervenções farmacológicas eficazes e apoio social contínuo. Além disso, a escassez de estudos longitudinais sobre a relação entre alotriofagia e esquizofrenia reforça a necessidade de mais pesquisas voltadas ao desenvolvimento de alternativas terapêuticas e estratégias preventivas”, relata um trecho do artigo.


Dr. Sivan Mauer - Psiquiatra e professor da Faculdade Evangélica do Paraná (FEMPAR),   um dos autores do artigo científico sobre a doença

 

Como a medicina regenerativa ajuda a envelhecer com energia e autonomia

 

Com mais de três décadas de experiência, o médico Tércio Rocha mostra como tratamentos com células-tronco e tecnologias regenerativas estão revolucionando o conceito de envelhecimento saudável no Brasil

 

Viver mais não é suficiente. O que todos desejam hoje é viver melhor e por mais tempo, com autonomia, energia e lucidez. É exatamente nesse ponto que a medicina regenerativa vem ganhando protagonismo. Muito além da estética, a abordagem busca restaurar tecidos, melhorar funções metabólicas e reduzir a velocidade do envelhecimento celular. 

Referência nacional na área, o médico Dr. Tércio Rocha é endocrinologista e um dos pioneiros na introdução da medicina regenerativa e antienvelhecimento no Brasil. Ele explica que os avanços com células-tronco, bioestimuladores e protocolos personalizados estão transformando a forma como enfrentamos o envelhecimento. 

“A longevidade precisa estar ligada à qualidade de vida. O que a medicina regenerativa permite é devolver autonomia para pessoas que antes estavam resignadas a um processo degenerativo”, afirma o médico, organizador do III Congresso Regenera Brasil, que será realizado nos dias 28, 29 e 30 de novembro em São Paulo. 

Segundo ele, os tratamentos regenerativos estimulam o próprio corpo a se recuperar, usando recursos como células-tronco mesenquimais, plasma rico em plaquetas (PRP), fatores de crescimento e substâncias bioativas. A aplicação das células pode ser estética, neurológica, ortopédica ou metabólica. 

“Cada paciente tem um mapa biológico único. Nossa missão é interpretar esse mapa e oferecer uma rota de regeneração. A medicina regenerativa não é milagre, é ciência aplicada com precisão e propósito”, completa o especialista. 

O impacto vai além da saúde individual. Com o aumento da expectativa de vida no Brasil e no mundo, a medicina regenerativa pode melhorar a produtividade de pessoas com mais de 60 anos e impulsionar um novo modelo de envelhecimento, mais ativo, participativo e com propósito. 

O Dr. Tércio Rocha defende que o cuidado com o envelhecimento deve começar antes dos primeiros sinais. “A prevenção é o novo tratamento. Quanto mais cedo a pessoa entende que é possível regenerar antes de degenerar, melhores serão os resultados a longo prazo”, afirma. 

A longevidade sustentável vai muito além de simplesmente adicionar anos à vida; trata-se de garantir que esses anos sejam vividos com vitalidade, equilíbrio e significado. A medicina regenerativa se posiciona como um aliado essencial nesse processo, promovendo a reparação e manutenção dos sistemas biológicos para que o envelhecimento não se traduza em perda progressiva de funções, mas sim em uma fase ativa e produtiva da vida. 

Investir em longevidade com propósito significa também reconhecer a importância da integração entre saúde física, mental e emocional. Estudos recentes apontam que a qualidade dos anos vividos está diretamente relacionada ao equilíbrio desses três pilares, e a medicina regenerativa oferece ferramentas para que esse equilíbrio seja alcançado, abrindo caminhos para uma vida prolongada, plena e com autonomia. 

A nova medicina já está entre nós, e não se trata de viver para sempre, mas de viver com sentido. “O futuro da saúde é regenerativo, e o envelhecimento será cada vez mais uma escolha de estilo de vida, não uma sentença biológica”, finaliza o médico. 

 

Dr. Tércio Rocha - médico com mais de 30 anos de experiência e um dos principais nomes da medicina regenerativa no Brasil. Formado em medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com especialização em endocrinologia, tornou-se referência em tratamentos voltados ao equilíbrio hormonal, ao combate do envelhecimento precoce e à restauração da saúde a partir de terapias com células-tronco. Seu trabalho é voltado à prevenção, longevidade e recuperação da vitalidade celular, unindo ciência de ponta com uma escuta atenta e humanizada. Ele é também referência no estudo e aplicação clínica de células-tronco, desenvolvendo protocolos que hoje são reconhecidos no Brasil, na França e nos Estados Unidos. É membro de entidades médicas respeitadas, como a Academia Brasileira Antienvelhecimento, a Academia Internacional de Medicina Antienvelhecimento e a Sociedade Francesa de Medicina Estética e Mesoterapia.



Médica explica certo e errado nos cuidados com a pele de bebês e crianças

Dermatologista detalha como evitar dermatites e outras irritações na pele infantil

 

Nasce uma criança, nasce uma mãe, né? São tantas informações para processar sobre os cuidados, que nem tudo é possível aprender de primeira. É comum ao longo do tempo, moderar alguns cuidados, já que ao passo que ela cresce, as defesas também aumentam. Porém, é importante ter muita atenção à pele dos pequenos. É crucial compreender as particularidades da pele na infância.

Ao contrário dos adultos, a pele infantil ainda não possui a barreira de proteção totalmente desenvolvida, que se estabelece com a produção de sebo, a gordura natural da pele. Essa produção se intensifica apenas na adolescência, com o aumento dos hormônios sexuais. Portanto, a pele da criança é naturalmente mais delicada, propensa a irritações e com tendência a ser mais seca do que a pele adulta. A dermatologista Paula Sian explica que a pele infantil pode apresentar maior sensibilidade a fatores como água muito quente, uso excessivo de sabonete, esponjas, produtos químicos, tintas e maquiagens, ou outros produtos não recomendados para os pequenos.  

Além de ser mais seca e não produzir sebo em grande quantidade, a pele infantil necessita de hidratação. O momento ideal para aplicar o hidratante é após o banho, com a pele ainda úmida. Seque delicadamente o excesso de água com a toalha e aplique o hidratante. Geralmente, o mesmo produto pode ser usado no rosto e no corpo, desde que seja indicado para essa finalidade. “É fundamental verificar se o produto é seguro para uso na face, evitando que, em caso de contato com os olhos, cause irritação. Recomenda-se consultar um especialista para obter orientação sobre qual tipo de hidratante é mais adequado para o rosto e o corpo da criança” – indica a dermatologista.

O recomendado são banhos rápidos com água morna e moderação no uso de sabonetes. “A aplicação deve ser direcionada às áreas específicas, como a região anal e genital, pois a criança não produz sebo em quantidade suficiente para justificar o uso em todo o corpo” – esclarece, Paula. Em muitos casos, a higiene com água já é suficiente. Inclusive, na higiene da região genital feminina, deve-se evitar esfregar excessivamente, pois isso pode causar irritação na vulva e na vagina. A presença do aroma de sabonete na pele é necessária e pode ser irritante.

Outro tema que deve ser discutido é o uso de lenços umedecidos. É importante considerar que a maioria contém álcool, substância com propriedades ressecantes e irritantes, o que pode prejudicar a pele, que já é naturalmente seca. Embora práticos, eles podem causar irritações, inclusive em adultos. Além disso, a superfície porosa dos lenços pode causar atrito e edemas na derme. Para a higiene da região anal, recomenda-se utilizar água morna a fria com um chuveirinho ou aplicar com um algodão.

Ainda de acordo com a médica, duas condições dermatológicas comuns em crianças, seja pelo uso exagerado de produtos ou até mesmo das fraldas são a dermatite de fralda e a dermatite seborreica do lactente.

A dermatite de fralda ocorre em áreas úmidas e fechadas, propícias ao desenvolvimento de fungos. O mais comum é a Candida, que faz parte da flora normal, mas pode causar micose quando a imunidade da pele diminui. Essa condição pode se manifestar com vermelhidão, bolhas com pus, descamação, ardência e coceira, causando muito desconforto para a criança. O tratamento envolve o uso de antifúngicos, que podem ser administrados por via oral a partir dos seis meses de idade, com dosagem adequada ao peso, além pomadas específicas. Por isso é importante ter cuidado redobrado nos primeiros meses, já que a medicação é muito restrita. Recomenda-se também trocar as fraldas plásticas pelas de pano, se possível, e expor a área à luz solar por curtos períodos, além de utilizar amido de milho para proteção.

A dermatite seborreica do lactente, caracterizada por caspas no couro cabeludo, é outra condição comum em bebês com menos de um ano de idade. As caspas, que podem ser esbranquiçadas e aderentes, são causadas pela influência dos hormônios maternos presentes no leite, que estimulam as glândulas sebáceas da criança. Embora o tratamento envolva cuidados tópicos com hidratantes e óleos para remover as crostas, não é necessário interromper a amamentação.

Em alguns casos, a acne neonatal também pode ocorrer devido aos hormônios maternos, mas um tratamento adequado geralmente resolve o problema. Em casos mais graves, pode haver a necessidade de mudar o tipo de leite.

Por fim, Paula deixa como principal orientação, o uso da água, sempre em temperatura amena. “Deixamos os perfumes e aromas para a fase da juventude, afinal, tem coisa melhor do que o cheirinho natural de uma criança?” – finaliza.  A recomendação se estende para a higienização das roupas e objetos pessoais. Opte por sabão neutro ou específico para bebês, sem perfume e com baixo teor de ativos químicos. Lave as peças separadas das roupas de adultos, use o ciclo delicado da máquina de lavar ou lave à mão e opte por um enxágue duplo para remover bem os resíduos. Não há necessidade de utilizar amaciantes, use vinagre branco para um resultado ainda mais natural. Seque as roupas em local arejado, preferencialmente ao sol, em dias quentes e aproveite muito essa fase. 



Dra. Paula Sian – Dermatologista - Dermatologista desde 2007, Paula Sian Lopes é formada pela Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP), onde também fez residência em Clínica Médica e Dermatologia. Especializou-se em Farmacodermia e Dermatoses Imuno Ambientais na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e em Medicina Chinesa e Acupuntura na Associação Médica Brasileira de Acupuntura (AMBA). Desde 2011, Paula atende em seu consultório próprio com o viés em Dermatologia clínica, estética e cirúrgica, tanto para adultos como para crianças. Além disso, a especialista realizou serviços voluntários no ambulatório de alergias da UNIFESP, de 2013 a 2017. A médica também é escritora e acaba de lançar o “Um burnout para chamar de seu”, um livro que relata, pelo ponto de vista do paciente, como é conviver com o burnout.
CRM: 111963-SP RQE Nº: 38348
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