Doença foi tema de artigo científico publicado em junho na renomada revista americana de medicina “Cureus”, por professores da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná (FEMPAR) e outros especialistas
Um artigo científico assinado por professores da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná (FEMPAR) e outros médicos ganhou repercussão nacional e internacional nos últimos dias. Publicado na renomada revista americana de Ciências Médicas “Cureus” em 19/06, o texto fala sobre Alotriofagia, também conhecido como “transtorno de pica”- síndrome na qual o paciente sente uma vontade irresistível de comer coisas que não são comestíveis e muito menos nutritivas, e o pior: que ele sabe que não deveria comer.
A publicação traz um estudo de caso de um homem de 33 anos de idade, diagnosticado com problemas psiquiátricos, e que foi internado em Curitiba (PR) seguidas vezes por ingerir objetos como caneta esferográfica, cateteres intravenosos e até um oxímetro. Alguns desses itens foram removidos por endoscopia, mas outros foram retirados por cirurgia.
Caracterizado pelo consumo compulsivo de objetos não comestíveis e não
nutritivos, como terra, plástico, e, no caso do paciente em questão, objetos
médicos, o “transtorno de pica” pode surgir por diversas causas, como
deficiência nutricional e também transtorno psiquiátrico. Os casos mais graves
podem causar perfurações, obstruções intestinais, intoxicações e até mesmo
risco de morte. O tratamento inclui acompanhamento médico, nutricional e
psiquiátrico.
Relação com esquizofrenia
De acordo com o psiquiatra
Sivan Mauer, professor da FEMPAR e um dos autores do artigo, os casos de
Alotriofagia são frequentemente relatados em pacientes com diagnóstico de
esquizofrenia - transtorno mental crônico que compromete o funcionamento
cognitivo e comportamental do indivíduo, podendo levar a maior impulsividade e
a comportamentos de risco, como a ingestão de corpos estranhos. Segundo a
publicação, “o presente relato de caso tem como objetivo descrever um episódio
de Alotriofagia em um paciente esquizofrênico, discutindo suas implicações
clínicas e terapêuticas. O paciente, do sexo masculino, com diagnóstico prévio
de esquizofrenia, apresentou episódios recorrentes de ingestão de objetos,
incluindo canetas, escovas de dentes, eletrodos de monitorização cardíaca e
fragmentos de vidro. Durante a internação hospitalar, foram realizadas
intervenções cirúrgicas para a retirada dos corpos estranhos, além de ajustes
no tratamento psiquiátrico com antipsicóticos e estabilizadores de humor.
Apesar dessas medidas, o paciente persistiu com o comportamento compulsivo de
ingestão, necessitando de múltiplas reinternações”, diz o texto. O artigo conta
também com a participação de outro professor da FEMPAR, Dr. Carlos Naufel,
cirurgião geral e do aparelho digestivo.
Desafio significativo à
prática médica
As implicações clínicas e
terapêuticas em casos de pacientes com o transtorno de pica são vistas como
“desafiadoras à prática médica”. A reavaliação contínua do tratamento
psiquiátrico, o suporte psicossocial estruturado e estratégias de contenção são
essenciais para minimizar os riscos e reduzir a recorrência desse
comportamento. “Conclui-se que a alotriofagia em pacientes esquizofrênicos
representa um desafio significativo à prática médica, demandando protocolos
integrados que combinem monitoramento clínico, intervenções farmacológicas
eficazes e apoio social contínuo. Além disso, a escassez de estudos
longitudinais sobre a relação entre alotriofagia e esquizofrenia reforça a
necessidade de mais pesquisas voltadas ao desenvolvimento de alternativas terapêuticas
e estratégias preventivas”, relata um trecho do artigo.
Dr. Sivan
Mauer - Psiquiatra e professor da Faculdade Evangélica do Paraná (FEMPAR), um dos autores do artigo científico sobre a
doença
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