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sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Pesquisa inédita revela como reverter danos em neurônios da ELA

Descoberta abre caminhos para novos tratamentos e cura da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença neuromotora (DNM) rara que afeta 15 mil brasileiros

 

O Instituto Paulo Gontijo (IPG), referência no apoio à ciência e pesquisa sobre Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), anuncia uma descoberta científica inédita que tem o potencial de transformar a forma como a doença é diagnosticada e tratada, liderada pela pesquisadora associada ao instituto, a geneticista Dra. Helen Cristina Miranda,

O estudo, publicado na revista EMBO Molecular Medicine, revelou que uma forma rara e hereditária da doença, a ELA8, provocada por mutação no gene VAPB, ativa de forma crônica a chamada Resposta Integrada ao Estresse (ISR). Esse mecanismo celular, que deveria proteger os neurônios, acaba comprometendo a produção de proteínas essenciais e acelerando a degeneração dos neurônios motores.

A inovação do estudo está na prova de conceito: ao aplicar um composto experimental capaz de inibir a ISR, os pesquisadores reverteram danos já instalados em neurônios motores derivados de células-tronco de pacientes. Essa reversão incluiu recuperação da função mitocondrial, responsável pela produção de energia celular e da atividade elétrica dos neurônios.

Mostramos que neurônios doentes ainda podem ser resgatados. O bloqueio da resposta ao estresse devolveu a eles funções perdidas, o que abre caminho para novas terapias e para a medicina personalizada em ELA”, explica a Dra. Helen Miranda, professora associada da Case Western Reserve University.

Para o Dr. Miguel Mitne-Neto, um dos autores do estudo, agora os resultados encontrados precisam ser avaliados em outros sistemas e modelos da doença antes de apontar sua aplicabilidade. “Mas acreditamos que existe um grande potencial, pois a via molecular estudada é comum a outras formas de doenças neurodegenerativas e isso pode constituir um caminho inicial para tal expansão”. Os próximos passos incluem expandir a investigação para outros subtipos de ELA, como os causados pelas mutações em C9ORF72, TDP43 e FUS, além de casos esporádicos, que representam a maioria dos diagnósticos.

Mitne aponta ainda que este estudo faz parte de um processo maior de evolução nos métodos diagnósticos, especialmente para as formas genéticas, nos últimos 20 anos. Segundo ele, a capacidade de avaliar grandes segmentos do genoma humano trouxe não apenas a identificação de novas formas da ELA, como se traduziu em ferramentas de aplicação diagnóstica na prática. E a melhor caracterização dos pacientes permite um direcionamento específico de seu tratamento. E a tendência é que o avanço seja ainda mais rápido nos próximos 20 anos, por conta da apuração de novos modelos para a doença. “Até poucos anos atrás, os modelos animais, que apresentam diversas limitações, eram a principal ferramenta de avaliação da doença, fora do paciente. O advento de tecnologias como a reprogramação celular permitiu que neurônios de pacientes com ELA fossem estudados em laboratório, permitindo uma melhor caracterização das alterações moleculares iniciais, além de expandir a quantidade de moléculas a serem testadas para reversão dessas modificações”, explica.

Para o Instituto Paulo Gontijo, a descoberta reforça a relevância da ciência brasileira no cenário internacional. “Trata-se de um marco científico que oferece um alvo para novos fármacos e ensaios clínicos. Essa pesquisa pode mudar o futuro do diagnóstico, do desenvolvimento de medicamentos e até abrir caminho para a tão sonhada cura da ELA”, afirma Silvia Tortorella, diretora executiva.


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